Aquietar-se
18/07/2014

silencio

  • Pois então Akim… eu estou meio agitado sabe?

  • Sim. Estou vendo isso.

  • Tem muita coisa na cabeça.

  • O que você sente? Podem ser várias emoções…

  • … tristeza… raiva… medo… amor…

  • Ok. Feche os olhos um pouco, sente-se aí no sofá e respire um pouco em contato com estas emoções.

  • Ok.

  • Perfeito… não tente tirar elas, nem mexer nelas… apenas preste atenção nelas enquanto o ar entra e sai dos teus pulmões.

(depois de alguns minutos disso o cliente abre os olhos suavemente e eu pergunto à ele)

  • Como você está?

  • Um pouco mais calmo.

  • Perfeito, agora, que tal me contar sobre a emoção que ficou mais presente em ti?

  • Tristeza…

  • Ok, falemos sobre ela…

 

Neurologicamente falando existe um fenômeno que alguns pesquisadores chamam – de maneira não-técnica –  de “inundação do córtex”. Este nome se refere ao processo no qual tantas informações estão correndo de um lado para o outro que o córtex simplesmente está “inundado” de correntes elétricas. Em termos humanos isso é quando nossa cabeça “está cheia”. A maior parte das pessoas que organizar a bagunça e fica pensando sobre tudo o que está passando pela sua cabeça naquele momento e elas não conseguem pensar em tudo e, então, se desesperam um pouco mais.

Porque elas não conseguem?

Porque o córtex já está inundado, como vai processar mais informação ainda? A ideia, neste momento é desapegar-se daquilo que está passando pela cabeça e focar-se em aquietar a mente, diminuir a quantidade de processos que estão ocorrendo no cérebro para, então “ter espaço” para processar alguma coisa de uma maneira mais adequada.

Respirar é uma das melhores maneiras de se fazer isso. Ao focar a sua atenção na respiração você está direcionando esta atenção à um processo natural do corpo, que ocorre sem a sua vontade consciente, isso relaxa o cérebro que, ao invés de prestar atenção à mil e um pensamentos, presta atenção à algo que ele nem sequer precisa fazer esforço para perceber ou fazer. Este relaxamento começa a criar o espaço que é necessário para que as emoções e pensamentos se aquietem e permitam-nos fazer uma reflexão adequada.

Aquietar-se vai além disso também. Não é algo que se busca única e exclusivamente quando a mente já está super excitada, você pode buscar isso quando a sua mente não está neste estado. Aquietar-se tem a ver com a atitude de buscar manter um estado estável da mente e perceber ao longo do dia, das semanas as oscilações neste estado.

Em geral, quando os pensamentos e emoções vem, nós seres humanos, tendemos à reagir à eles. Assim, quando a tristeza surge em nós, por exemplo, a pessoa resolve dizer-se “não, não vou ‘entregar os pontos’, vamos lá”. Quando faz isso cria-se um diálogo e até mesmo uma disputa interna entre a emoção e os impulsos desta emoção e o desejo da pessoa, ou a reação da pessoa. Quando se aquieta a mente, a ideia é perceber a emoção, nada mais. A única “reação” que se tem é a de perceber. Esta atitude faz à médio prazo a integração entre a emoção e a vontade consciente da pessoa. É como se você passasse um longo período prestando atenção à algo antes de sentir um desejo de fazer alguma coisa. Em geral as pessoas relatam isto da seguinte forma: “daí me veio uma coisa e eu fui lá e fiz sabe? Tipo sem esforço entende?”.

Este tipo de relato é muito comum quando a pessoa se aquieta e reage ao que sente e pensa apenas com a atenção de perceber aquilo que está ali, sem brigas e sem desejo intencional. Como eu já disse uma espécie de integração entre o percebido e o observados se estabelece e um desejo “espontâneo” nasce daí. Este é um “segundo nível” da atitude de se aquietar.

Que tal experimentar?

Abraço

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Ser diferente
19/03/2014

– Sabe Akim, é muito difícil para mim porque eu me percebo diferente de todos lá em casa.

– Sei.

– É estranho não se identificar com ninguém da sua família, uma coisa ou outra só, mas, em geral, quase nada! Sou diferente nos hábitos, comportamentos e ideias!!

– Entendo. Puxa… parabéns!

– Parabéns!?!

– Sim, você é você! Quem bom que percebeu isso não é!?

– Nossa… estou meio que sem saber o que dizer!

– É claro que você é diferente, agora me conte: será que não está confundindo “ser diferente” com “não ter um lugar”?

– Hum… eu acho que é isso sim… porque eu brigo muito com minha família por ser do jeito que sou.

– Claro, e é possível que existam brigas e divergências, ressentimentos até, mas uma coisa é diferente da outra, percebe?

– Sim.

– Talvez até o lugar que você tenha na sua casa não seja aquele que você quer, ou o que você acha que deveria ter sido dado à você.

– Pode ser… acho que tem a ver.

– Pois é… mas o tema é: como viver sendo diferente mesmo? Onde existem os encaixes entre você e eles? Afinal de contas, é nisso que você vai poder aproveitar não é mesmo?

– É… acho que sim.

No post “diferenças” falei sobre a diferença e a aceitação da mesma. Trabalhei com o post sob o ponto de vista da relação frisando a importância da perspectiva de conhecer o outro em sua diferença. Neste post trabalharei com um aspecto diferente que é o “perceber-se diferente”.

Ocorre que todos nós somos diferentes, ninguém é igual à ninguém essa é uma realidade humana. Perceber-se diferente, no entanto, pode suscitar muitos medos e brigas, não por causa da diferença em si, mas por causa da maneira pela qual as pessoas reagem à diferença. O medo é o primeiro passo à ser vencido. Ao perceber a diferença damos à ela significados “porque o outro é assim?”, “o que será que isso quer dizer?”, “o que isso quer dizer para a nossa relação?” e “será que isso é para nos punir, ou que ele (a) não nos ama mais?”.

Vencer este estágio e perceber que a diferença é somente a diferença, a afirmação de uma nova pessoa com características, desejos e aspirações próprias é um dos antídotos para este mal. A presença do amor é possível mesmo que existam as mais profundas diferenças de crenças e de comportamentos, para isso basta a aceitação da diferença e o respeito. Os romanos, eram muito instintivos em aceitar as crenças de outros povos, todas as religiões tinham um lugar dentro dos muros da cidade.

O medo deve ser vencido tanto por um lado quanto pelo outro. Quem percebe-se diferente tem o medo da exclusão, do exílio, como gosto de chamar. Muitas vezes, ao longo da história, a pessoa diferente era exilada, enviada para fora da cidade. Isso marcava a sua diferença. Porém, metaforicamente falando, o diferente já se coloca “fora dos muros” quando ele se percebe diferente. Não é uma questão de “ser mandado” embora, ele já “se mandou”.

E é muito comum que a pessoa passe a reagir agressivamente pelo medo de ser exilada e lute contra a família ou o grupo por causa de sua diferença. “Não há um lugar para mim aqui” grita à pleno pulmões, mas o fato é que o “lugar para mim” deve ser negociado e não integrado plenamente como espera, muitas vezes, o “ser diferente”. O filho pode querer estudar bateria às 22:00 porque é um “horário inspirador”, porém o restante da vizinhança precisa dormir neste horário. Embora aceita a diferença é preciso compreender que ela deve existir num meio com outras diferenças.

Se a pessoa compreende que isso é apenas uma adequação de rotinas e comportamentos sem acionar, com isso, o medo de ser exilado, ela pode perceber melhor as diferenças dos outros e, com isso, criar rotinas mais interessantes. Se não ficará magoado e tenderá a se exilar buscando um lugar onde “não vão lhe dizer o que fazer”, este nível de maturidade ainda é centrada no outro e causa grande ressentimento mesmo quando a pessoa consegue um lugar próprio para ela, visto que conseguir isso afirma que ela foi exilada e que nunca poderia ser aceita no seu lugar de origem. A sensação de exílio é muito triste.

O grande passo é o de perceber a diferença como aliada do seu próprio processo e perceber em como a diferença pode auxiliar o grupo. O que da sua individualidade pode somar na organização pré-existente? Isso abre as portas para afirmar a diferença e, ao mesmo tempo, criar a empatia. Com isso a segurança de um chão aumenta e a pessoa pode desejar alçar voos para longe do ninho por escolha e desejos próprios e não para fugir de um lar que não o deseja.

Creio que esta compreensão seja fundamental para quem “se percebe diferente” poder viver com a sua percepção.

Abraço

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Falsidade
14/03/2014

– Daí as pessoas querem que eu fale… eu falo sabe? Sei fazer isso!

– Mas?

– Mas quando eu vejo todo mundo empolgado com o que eu disse me dá um dó, uma pena.

– O que motiva essa emoção?

– Porque eu vejo que eles estão se enganando! Eu não estou motivada sabe? Mas falo e eles se motivam? Será que eles não percebem a falsidade disso tudo?

– Não sei… será que você percebe a falsidade em você?

– Como assim?

– As suas palavras podem encantar… porque não?! Agora… se você tem SE encantado é outros quinhentos…

– Você está dizendo que eu estou mal, é isso?

– Bem, me parece que “falsidade” é mais adequado do que “mal”, afinal você usou esta palavra não é mesmo?

– Sim, sim… mas… bem…

– Você sente-se falsa com você mesmo? Sente, às vezes, mesmo sem dizer à ninguém, que é uma fraude?

Ela apenas olha para mim, sem dizer nenhuma palavra e acena com a cabeça para cima e para baixo suavemente.

É comum que aquilo que apontamos nos outros seja aquilo que escondemos ou não gostamos em nós mesmos. De forma direta – sou sádico, mas não gosto disso e aponto o sadismo nos outros – ou indireta – sou co-dependente e falo mal da dependência dos outros; apontamos aquilo que não suportamos em nós. A falsidade é uma dessas coisas.

A sensação de falsidade se refere à uma falsa projeção do eu. Ou seja, a pessoa percebe que é vista de uma forma melhor do que ela própria se vê e, então, acha falso esse reflexo que veem dela. A sensação de estar sendo falsa consigo mesmo, em geral, está associada à uma baixa auto estima que não permite uma boa formação da identidade pessoal, ou auto-imagem.

O problema, em geral, é uma cisão entre o comportamento e a identidade da pessoa. Ela se comporta “como se” fosse uma pessoa que se percebe de uma determinada maneira, porém se percebe de outra maneira. O resultado é desastroso porque ela cria uma confusão interna que é difícil de ser solucionada e acaba se apegando ao papel “falso” porque ele lhe dá um certo “retorno afetivo” ou “segurança”. Ela acha que se deixar de interpretar aquele papel perderá tudo o que conquistou e então continua a sua sina.

Para a pessoa fica a eterna sensação de que daqui a pouco ela “será pega” em flagrante delito sendo o que não é. Obviamente algo difícil de acontecer, porque apenas ela sabe que está sendo falsa consigo. A tragédia mais dolorida é que a pessoa tem o comportamento adequado, só precisaria adequar a sua auto imagem.

É importante resgatar a confiança pessoal no sentido de poder abrir os seus medos, as sensações de incompetência e de impotência e ir, através disso rumando para a melhoria da auto estima que possibilitará um novo encontro consigo, uma nova forma de se perceber e, então, ser mais verdadeiro!

Abraço

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Competição
06/11/2013

– Daí sempre quero ser melhor que elas sabe?

– Sei… mas, para que?

– É porque na minha família sempre tínhamos que ser os melhores.

– Entendo, porém, para que? Qual a finalidade de “ser o melhor”?

– Ah… não sei ao certo sabe? Mas, poxa, quem quer ser o “pior”?

– Ninguém é claro… mas há de convir comigo que ser o melhor só para ser o melhor parece algo meio infantil né?

– Hum… pensando desse jeito…

– Então: para que ser a melhor?

– Ai Akim… sei lá! Para as pessoa admirarem você?

– E para que isso é necessário ou importante?

– Hum… acho que para eu ter um lugar de destaque.

– Perfeito, e para que esse lugar de destaque?

– Para ser desejada talvez?

– Hum… entendo, então você precisa fazer um outdoor de você mesma?

– (risos) é algo assim… e se não estou lá me sinto meio mal…

– Claro, sem destaque, sem admiração, sem admiração…

– Sem amor né?

– É… e o pior é que com admiração também não é mesmo? Afinal fica só na fachada e nunca em você estou errado?

– Não.

Todo comportamento humano busca uma resposta do meio (interno ou externo).

Se uma pessoa entende que precisa ser “melhor” que os outros, todos são competidores e o mundo é um jogo de ganhadores e perdedores, assim sendo, ela quer sempre “estar por cima”. No entanto, ninguém “quer vencer” apenas por vencer. “Vencer” significa algo para a pessoa, dá sentido à ela de alguma forma e é sempre importante se perguntar se o sentido empregado está adequado para o contexto.

Todo comportamento é útil em um determinado contexto.

Se o contexto é uma entrevista de emprego, por exemplo, ela está super correta. Buscar mostrar suas qualidades, demonstrar que sabe lidar melhor com pressão do que seus concorrentes é algo super adequado. Ver as pessoas como concorrentes, quando elas realmente são suas concorrentes é perfeito.

No entanto, perceber o conjugue como um concorrente é algo um tanto descontextualizado. Esta percepção trará muitos problemas ao casal, mesmo que o conjugue também perceba a relação da mesma forma.

Pessoas que competem o tempo todo percebendo outros seres humanos como concorrentes ou como alguém que quer “tirar o seu lugar” em geral tem uma falha central no eixo de sua auto estima: percebem o amor como algo ligado direta e exclusivamente ao desempenho de atividades. Algo no formato: “serei amado se, e somente se,… “for o melhor”, “tiver boas notas”, “for um bom menino”, “não causar problemas”, “for melhor que meu esposo/esposa” e outras condições.

O problema não está no comportamento, mas sim no contexto: o afeto. Afinal de contas o amor não pode estar ligado à apenas um determinado tipo de comportamento, é muito reducionismo achar que todo o afeto que alguém pode sentir por você estará ligado a uma e apenas à uma determinada característica do seu repertório de comportamentos. É como dizer que se a pessoa estiver com preguiça um dia perderá o amor de seus entes queridos. Ou como dizer que se você discordar de alguém perderá o seu amor, ou que se não for o vendedor do mês pelo trigésimo mês seguido perderá todo o afeto construído ao longo de anos. É, no mínimo, non sense.

A falha pode ser reestruturada quando a pessoa percebe que existem inúmeros comportamentos que ela tem que a fazem ser amada e não apenas uma quantidade restrita, que o afeto se consolida ao longo do tempo, que “quem ela é” “também conta” e principalmente, que ela é algo além de seus desempenhos.

Esta última percepção é algo que a pessoa desenvolve com ela mesma. É um trabalho interessante porque é uma corajosa atitude de se desfazer de alguns conceitos vividos por anos à fio e assumir a verdade do amor próprio. Assumir que é possível se amar mesmo errando, uma forma de aceitação incondicional, que busca sempre o melhor, mas que nunca se abandona por nada, aceita-se sempre. Ao aceitar-se a necessidade de competição começa a se desfazer, a ruir porque o outro agora “pode ser o outro” e apenas isso, ele não quer mais “tirar o meu lugar” – porque eu me dou um lugar que ninguém pode tirar – ele não é meu competidor – porque sei que existe um lugar bom para todos e, além disso, eu estou querendo o melhor para mim e não ficar “acima” de alguém.

Abraço

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Confiar nas emoções
21/10/2013

– Quero me livrar dessa raiva!

– Como assim?

– Akim, é horrível, quando vem eu não sei o que fazer! Não consigo me controlar e começo logo a dar porrada em todo mundo… não que eu bata, mas grito sabe?

– Sim eu sei.

– E é horrível isso, eu sou uma pessoa boa, mas esses descontroles acabam comigo e com as pessoas que vivem comigo entende?

– Perfeitamente.

– O que eu faço?

– Raiva do que você tem?

– Ah, sei lá… quando começam e me cobrar por exemplo, fico muito puto!

– Entendo. Qual o seu problema com cobranças?

– Não tenho problemas!

– Bem, se não tivesse não ficaria com raiva, não é mesmo?

– Sim é que tipo… eu não entendo porque me cobram, eu já faço tudo o que é possível para fazer tudo certo!

– Uau, que pressão hein? Me parece que quando te cobram é como se tivessem te afrontando

– É bem isso!

– Mas estão, de fato?

Vamos começar assim: O que não significa confiar nas minhas emoções?

Não significa que suas emoções estão sempre certas.

Porque não?

Uma emoção é fruto de vários componentes entre eles: nossa educação, o meio em que nos encontramos, nosso humor num determinado momento, nossas crenças e as respostas que aprendemos a dar em determinadas situações. Portanto a emoção não é “pura” como se costuma pensar, ela é composta por vários fatores inclusive a interpretação do que está acontecendo e o problema é que esta interpretação pode estar errada, ou que o seu humor no dia esteja “ruim” e isso afete – e afeta – a sua emoção, então sentir é diferente de “estar certo” é apenas sentir.

O que significa confiar nas minhas emoções?

Em primeiro lugar significa confiar na ideia de que a sua emoção está dizendo algo para você sobre como você está vivendo uma dada situação. Significa assumir a responsabilidade pelo que está sentindo e buscar fazer algo com isso. Significa construir uma relação íntima entre você e o que você sente, aprendendo diariamente com as suas respostas emocionais e com o que você faz com elas. É a construção de um saber.

Confiar significa aceitar que se está sentindo o que está sentindo. Quando aceitamos damos valor à nossa percepção, podemos usá-la. Quando negamos o que sentimos estamos deixando de lado nossa percepção e não damos o tratamento adequado à ela.

Além de aceitar aprendemos a conversar com nossa emoção para checar o que estamos sentindo. Muitas vezes é necessário entender o que está causando a emoção que estamos sentindo. O medo, por exemplo sempre nos alerta sobre algo que não sabemos como lidar. É importante dar ouvidos à ele e nos certificarmos de que, de fato, não sabemos lidar com o que nos causa medo. A raiva tem a ver com a sensação de estarmos sendo violados ou agredidos em princípios básicos de nossa integridade e é importante checar para ver se isso está ocorrendo ou se estamos apenas de mau humor naquele dia.

Quando conseguimos aceitar e checar a adequação de nossas emoções estamos dando valor e crédito ao que sentimos o que nos permite ter uma atitude mais forte quando for o momento de agir. Escolher como reagir à emoção que sentimos é fundamental para aprendermos a confiar em nossas emoções. Pessoas que explodem quando sentem raiva, por exemplo, em geral não gostam de sentir raiva e não confiam muito nela porque suas reações, em geral, não dão bons frutos. Já uma pessoa que sabe se defender de forma adequada percebe a raiva de uma forma completamente diferente e ela se torna uma aliada. O mesmo com o medo: para aqueles que se paralisam diante do medo ele é algo ruim, mas para aqueles que usam a percepção para aprenderem e irem além o medo é bem vindo, serve como proteção.

Aceitar, checar e se comportar de uma forma integrada geram a sensação de confiança porque os resultados passam a ser adequados para a pessoa. E de posse de bons resultados as emoções passam a ser vistas como algo bom, um alerta que nos damos para colocar nossa vida numa rota melhor.

Abraço

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Chegar ou caminhar?
24/04/2013

– Tenho estado muito ansioso com essa situação, quero que termine logo.

– Entendo, tem estado ansioso então é?

– Sim, muito.

– Como você faz para estar assim?

– Como assim?

– Você ainda não chego no fim da jornada, como faz para que fique com sua mente focada nela e não no que está ocorrendo aqui e agora?

– Hum… eu acho que fico toda hora pensando: termina logo, quando terminar vai estar assim, o tempo está correndo…

– Entendi, como seria se você se focasse aqui e agora, no que está ocorrendo e tentasse aproveitar o que ocorre?

– Não sei…

– Tente: narre para você mesmo, em um ritmo de voz mais baixo e mais lento o que está ocorrendo e pense sobre suas sensações do que está ocorrendo.

– Ok… hum isso dá uma desacelerada não dá?

– Deu para você?

– Sim

– Ótimo, como te parece o momento atual agora?

– Melhor que antes e eu estou menos ansioso “chegue logo” entende?

– Sim.

Todos queremos cruzar a linha de chegada – em primeiro lugar é claro. Mas, cruzar a linha de chegada é apenas uma ínfima parte do processo, é mais ou menos como morrer: é algo como uns 2, 5 segundos perante uma vida toda.

Ocorre que em nossa vida agitada e acelerada os resultados ficam em evidência, queremos sair de um para entrar em outro resultado prestando muita pouca atenção ao pedaço de tempo no qual mais vivemos: todo o período antes do resultado.

Aproveitar o momento não quer dizer fugir da busca pelo que se quer, mas sim viver o que se deseja atingir em cada etapa. É como se pudéssemos diluir o resultado final em minúsculas porções ao longo do tempo e fossemos vivendo cada etapa uma por vez.

Além disso curtir o que desejamos desta forma ajuda a diminuir a ansiedade quando as coisas “dão errado”, ou seja, quando temos que mudar o plano original para continuarmos na busca pela meta. Quando nossa mente fica travada no objetivo tudo temos pressa em tirar da frente o que está entre nós e nossa meta, mas quando podemos aproveitar cada momento é como se tudo o que está entre nós e nossa meta “fizesse parte”, mesmo os imprevistos.

Abraço

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Confusão
05/04/2013

– Eu não sei mais o que fazer, isso me angustia muito!

– Sim eu sei como é.

– Eu fico confuso sabe? Devo falar ou não devo?

– Claro, porque você está confuso?

– Porque eu não sei ao certo como agir.

– Exato! Agora, o que isso tem a ver com o seu processo de terapia?

– Hum… não sei ao certo…

– Pense… você veio aqui com o objetivo de mudar a sua forma de se relacionar não foi

– Sim

– Para mudar a sua forma, você começou a mudar o como pensa e age não é?

– Tenho tentado…

– Mas ainda não está bem firme em você o novo jeito

– É fato…

– Então: o que isso tem a ver com confusão?

– Hum… eu não saber o que fazer de fato. Diferente de quando eu sei e vou atrás é isso?

– Perfeito. Esses dias você me disse que estava certo de que tinha que falar para seu amigo que ele estava se folgando, foi lá e fez, mas nesta situação ainda não está claro, portanto, você está confuso!

– Entendi.

A confusão costuma ser temida, mas o que é confusão?

Ficamos confusos quando duas ou mais orientações estão em conflito, “brigando pelo poder” em nós.

Estar confuso é uma forma de dizermos que não sabemos ao certo que orientação seguir, por isso a confusão não é um  problema para ser resolvido, mas sim um estado afetivo e cognitivo.

Estar confuso requer que a pessoa entre em contato com suas necessidades e prioridades não para “pesar”, mas sim para checar qual comportamento tem mais a ver com o que ela quer.

Muitas pessoas tentam pesar os prós e contras e muitas vezes não tem resultado nenhum com isso, apenas ficam mais confusas. Pesar os prós e contras é algo que usamos quando já sabemos o que queremos e temos várias opções na nossa frente, todas elas vão levar ao mesmo lugar, por isso pesamos os prós e contras de cada uma. Confusão não tem a ver com isso, portanto, não se resolve da mesma forma.

Para resolver a confusão é necessário buscar o que se quer alinhando as necessidades, desejos e prioridades para criar uma imagem clara e nítida do que se deseja. No caso de dar limites, por exemplo, criamos uma imagem clara sobre como queremos nossas relações, o que achamos necessário ter – respeito, amor, confiança – o que são nossas prioridades – afeto, companheirismo – e o nosso desejo – no caso a relação – e então checamos se o comportamento de “dar limite” combina com esse cenário. Uma vez que combine aí sim passamos a ver os “prós e contras”: como dizer, que tom de voz usar, quando falar, onde, que palavras usar – é melhor falar de uma forma mais enfática do que “mole”, usar um tom de voz respeitoso e firme do que um tom de voz baixo e rouco.

Lembre-se: defina o que você deseja, quais suas prioridades, necessidades e então faça uma imagem clara do que quer, isso ajuda a combater a confusão.

Abraço

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Segundo plano
18/02/2013

– Mas Akim, eu não entendo isso… eu sei que tenho que me colocar em primeiro plano, mas chega na hora eu estou lá de novo em segundo plano!

– Eu sei, vamos lá… quando você está com suas amigas como você faz para desejar, planejar e prestar atenção em si?

– (fica pensativa) Eu não sei direito… parece que quando estou com elas eu “me entrego”.

– “Se entrega”? Como assim?

– Ah, eu não fico pensando no que eu quero.

– Ahá, perfeito! Então você não pensa no que quer quando está com elas é isso?

– Sim.

– E como você faz para tomar decisões quando está com elas visto que não pensa no que quer?

– (fica pensativa)

– Hum… acho que daí eu simplesmente vou onde elas querem…

– Exato… veja, isso não está necessariamente errado, mas a questão é: você realmente precisa “não pensar no que quer” quando está com elas?

– Hum… acho que não né? Eu posso fazer os dois: “me entregar” e pensar no que eu quero.

– Pode sim, que tal lhe parece?

– Melhor que eu faço hoje, porque daí eu posso escolher o que eu quero fazer ou até dar opinião do que fazer!

– Excelente, que tal tentar isso ao longo da semana?

– Perfeito!

 

Este relato fala sobre o início de um processo de auto-valorização. Foi a primeira de várias sessões nas quais a cliente aprendeu a se colocar com amigas, família e conjugue valorizando a sua opinião, desejos e gostos. Um processo muito bonito e árduo.

Sim, árduo; valorizar-se não é um processo passivo, é um processo ativo e que exige da pessoa que o deseja. Exige que ela se coloque em primeiro lugar, deseje e realize seus desejos, preste atenção em si, se defenda, ame, corra atrás do que quer, lide com as conseqüências e saiba errar e reparar seus erros, peça perdão, saiba ganhar e perder e valorizar ambos com os aprendizados que eles tem.

Colocar-se em primeiro plano envolve uma atitude mental simples com muitas conseqüências – imaginar você com seus desejos antes de imaginar os desejos dos outros. Parece simples – e é – o que realmente faz as pessoas não fazerem isso são as conseqüências deste processo e todo o trabalho que ele envolve – citei acima alguns itens. É muito importante colocar-se em primeiro plano quando você está tomando decisões que o afetam diretamente, escolhendo seu destino, onde gastar o seu dinheiro ou onde investir o seu afeto.

Colocar-se em segundo plano é simplesmente seguir o que é dito. Também envolve aprendizados e conseqüências, muitas pessoas não sabem colocar-se em segundo plano e sofrem com isso. Alguns casos simples são pessoas que “tem que dizer o que pensam”, não importa se aquilo vai ser útil para ela, se importa ou se ela será ouvida. Muitas vezes é útil colocar-se em segundo plano como quando estamos percebendo que alguém realmente precisa de nossa ajuda e teremos que adiar algo que queremos para ajudar esta pessoa, ou quando não estamos tomando decisões que nos afetam diretamente e que são pouco importantes para nós, mas altamente importantes para o outro.

O problema surge – quase que sempre – quando a pessoa se engessa em uma atitude ou em outra. Quem se engessa em primeiro plano se acha o sol do universo, como se tudo dependesse dele, fosse para ele e se dirigisse à ele. Já quem se engessa em segundo plano é sempre o coitado do mundo, ninguém lhe presta atenção. É interessante notar que é possível sentir-se como coitado mesmo sendo uma pessoa engessada em primeiro plano: pois ela pode querer que todos sigam as suas regras e quando não o fazem, ela sente-se mal “ninguém quer brincar do meu jeito” e sente-se vítima.

Para fechar, vale a pena lembrar do seguinte: é sempre uma questão de resultado e de contexto quando colocar-se em primeiro ou segundo lugar. Se você estiver fazendo escolhas altamente importantes para você, que vão afetá-lo diretamente e que dependem de você, use a primeira pessoa, se não relaxe e “curta a onda”.

Abraço

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Responsabilidade demais cansa
23/11/2012

– Pois é, percebo que sou o centro de tudo lá em casa sabe?

– Como assim?

– Se eu não me mexo, nada acontece. Eu tenho que pensar tudo por todos o tempo todo.

– “Tudo por todos o tempo todo”? Puxa só de pensar nisso me deu uma canseira!

– É, pois é, imagina então viver isso todos os dias.

– Complicado… mas me conte: como você faz para assumir todas essas responsabilidades?

– Como assim?

– Ora, você está me dizendo que pensa tudo por todos o tempo todo. Obviamente tem coisas nisso tudo que não são de sua responsabilidade não é?

– É, eu até meio que sei disso…

– No entanto, você pega essa responsabilidade como sua ainda. Estou interessado em saber como você faz isso.

– Eu acho que eu quero ver todo mundo bem sabe? Cuidar de todos.

– O que você está me dizendo é que você gosta de ver todos bem e quer cuidar de todos e desta forma você assume responsabilidades que não são suas?

– Sim, acho que é isso.

– Entendo, mas me conte: será que a única forma de cuidar é assumir responsabilidades pelos outros?

– Hum… não sei ao certo… me parece que sim, mas acho que não. Faz sentido?

– Claro que faz. Você sempre teve esta experiência, no entanto, alguma coisa dentro de ti diz: será que é só assim?

– É… às vezes me pergunto se não estou exagerando sabe?

– Sei, quando você se pergunta isso?

– Quando eu falo para as pessoas fazerem coisas que eu sei que elas sabem que devem fazer.

– Perfeito, um ótimo exemplo, neste momento, quando você diz para a pessoa fazer algo que você mesmo sabe que ela sabe fazer você está cuidando dela?

– Hum… acho que não, eles até reclamam comigo que eu sou chato.

– E deve ficar mesmo, porque o “cuidar” nesse caso vira uma “cobrança”.

– Preciso mudar isso sabe? Até para eu me aliviar mais, é muito desgastante pensar o tempo todo pelos outros.

– Com certeza! Vamos lá: em primeiro lugar eu quero que você perceba ao longo desta semana quando você assume responsabilidades que não são suas e então se pergunte: o que está me motivando a fazer isso? Se não fizer, o que vai acontecer?

– Tá ok.

– Isso vai te ajudar a entender quando você precisa cuidar e quando você não precisa cuidar e além disso vai nos dar uma noção bem clara do que te motiva a fazer isso certo?

– Ok, vou fazer.

 

Pessoas que são responsáveis são aquelas que conseguem arranjar uma resposta adequada para resolver um problema, alcançar uma meta ou ter determinada experiência. Responsabilidade está intimamente ligada ao que quero fazer, tenho que ter respostas para alcançar o que preciso, quero ou desejo.

Existem pessoas que tomam para si a necessidade de gerar respostas para problemas, desejos, metas que não são delas. E fazem isso de uma forma rígida, contínua e sem discriminação de situação ou pessoa. Neste caso a pessoa se torna “super” responsável. “Super” no sentido que está sendo mais do que o preciso, além da conta. Geralmente a pessoa tem uma boa intenção por detrás disso, como no caso acima, no entanto, esta boa intenção não se manifesta da forma mais adequada. Quando assumimos a responsabilidade pelos outros de forma crônica, estamos, na verdade, invadindo um território que não é nosso. Isso desgasta a relação dos dois lados e geralmente gera muita mágoa: de um lado quem ajuda sente-se sempre menosprezado e o ajudado sente-se pressionado.

O início da solução é compreender que motivos fazem a pessoa se responsabilizar pelos outros, podem ser vários: medo, desejo de cuidar, necessidade de ser aceito e encorajado, carência afetiva. Começamos a perceber isso quando nos perguntamos o que está nos motivando a fazer o que estamos fazendo e o que aconteceria se eu não fizesse isso. Ao se perguntar isso você começa a compreender o medo que está alicerçado no comportamento e como você representa esse comportamento para si próprio. Muitas pessoas querem ser bons pais, por exemplo, e desejam ser reconhecidos por isso e agem superprotegendo os filhos, a superproteção tem o intuito de proteger, mostrar-se um bom pai e ser reconhecido mais tarde, não fazê-lo implica em ser um pai ruim e não ser reconhecido. Aí começamos a perguntar: será esta forma -superproteção – a única forma de ser um bom pai? De que outras formas/ fontes você pode buscar reconhecimento? Que tal você aprender a se auto-reconhecer?

Tudo o que fazemos busca uma resposta, muitas vezes temos que nos perguntar se o que estamos fazendo está nos trazendo a resposta que desejamos.

O segundo momento trata de aprender as competências necessárias para adequar a responsabilidade e sobre como conseguir – de outra forma – o que a pessoa deseja. Mas isso é para outra gotinha.

Abraço

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Pequenos prazeres
07/09/2012

– Eu estou bem melhor Akim, me sinto até estranha às vezes.

– Porque?

– Porque agora, eu entendo que o que me faz bem não eram aquelas coisas todas que eu achava que precisava fazer para sentir prazer: sair todo dia, ir sempre em teatro, cinema, bar, restaurante chique.

– Ah não?

– Não, pelo menos neste momento da minha vida estou curtindo muito mais passear com o meu cachorro no final do dia, ir na feira da rua comer um pastel com café, ler um livro em casa sabe?

– Sei sim.

– Parece que agora eu estou conseguindo aproveitar mais cada momento.

– Perfeito. É como se você conseguisse extrair mais prazer de cada coisa que você faz, é isso?

– É, bem assim mesmo.

– E isso, geralmente, acalma a agente não é?

– Bem dessa, me sinto mais calma sim. Parece que eu não preciso… parece não: eu não preciso mais fazer mil coisas para ficar bem, apenas uma de cada vez.

– Ótimo! Agora que aprendeu isso começa uma nova fase para você não é?

– É, me sinto assim!

Aprender a sentir prazer é uma arte complexa que envolve aprender a sentir o que está ocorrendo. Ela é complexa porque o prazer está intimamente ligado com nossos sentidos (visão, audição, tato, olfato e gosto) e os nossos sentidos tendem a se habituar com o que é repetido eles criam uma “habituação” em relação ao estímulo. Por exemplo, eu adoro pizza, mas se eu comer pizza todos os dias, logo nem estarei mais sentido o gosto, estarei comendo mecanicamente. Daí o desafio.

Podemos aprender a criar períodos de tempo longo entre os prazeres para evitar isso, podemos aprender a misturar os prazeres tendo um e depois outro para não permitir que nos habituemos e podemos também aprender a relaxar e aproveitar o momento o máximo possível nos “entregando à experiência” e prestando atenção à cada sensação. Todas estas dicas ajudam à aumentar o prazer que sentimos com nossas atividades, extraindo dela os estímulos que nos dão prazer que nos fazem sentir melhor.

E não tem a ver com um tipo específico de atividade, qualquer atividade pode trazer isso. A sacada é em você aprender a ter competência suficiente com os seus sentidos para aproveitar e extrair o máximo de cada atividade.

Abraço

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