O preço da competência
08/04/2015

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  • Mas então Akim, é muito difícil isso sabe?

  • Sei.

  • “Sei”… tipo… assim? Só isso?

  • “Só isso” o que?

  • É tudo o que você tem à me dizer?

  • Não, tenho mais: além de ser difícil, vai exigir de você esforço, fazer com que mesmo não querendo mantenha o foco e vai exigir que você lide com seu medo de enfrentar situações de confronto.

  • Que inferno!

  • Algo assim, mas é o preço… ou você pode continuar da mesma maneira, com as mesmas reclamações e os mesmos resultados.

  • Mas é que é difícil e você me diz que é! Não deveria me incentivar?

  • Incentivar a coisa certa sim, mas vai ser difícil mesmo, no primeiro momento será e não quero te enganar. Agora a questão é: mesmo sendo difícil você irá atrás ou vai continuar dizendo que “não sabe o que fazer”?

  • Entendi…

 

Salvador Minuchin foi quem falou do paradoxo da terapia: querer mudanças desde que nada mude. Santo Agostinho foi quem disse: “reze como se tudo dependesse de Deus. Trabalhe como se tudo dependesse de você”. Estas duas frases tem em comum a ideia de que se queremos mudanças precisamos ser competentes para realizá-las.

Infelizmente nem sempre somos. Precisamos adquirir a competência necessária para que consigamos efetuar as mudanças que desejamos para nós. Gosto de uma crença, nesse sentido, que afirma que não há nada muito complicado, existem as coisas que não sabemos fazer. Ou seja, quando aprendemos como se faz algo ou como lidar com uma determinada situação o que era complicado torna-se simples, aquilo que dava medo causa curiosidade e aquilo que dava preguiça causa motivação.

Adquirir competências tem um preço. Raciocinar é um deles. Aprender exige fazer perguntas, buscar soluções e testá-las. Para isso tudo é preciso que a pessoa tenha em mente a sua meta e não se desvie dela. Assim, além de raciocinar a pessoa precisa aprender a manter seu foco, sustentar o seu desejo frente às adversidades. Agir em prol do conhecimento e do desenvolvimento de novas competências pode ser algo frustrante se você achar que vai conseguir tudo de primeira.

Aceitar apenas a melhora é outro preço. Se você se contenta com menos não irá efetuar o seu aprendizado de maneira satisfatória. Ficará um pedaço pendente. É importante saber sentir que você aprendeu tudo o que precisava aprender. Manter esta obstinação exige esforço e concentração. Desenvolver isso está ligado, profundamente, ao como você se motiva. Então, aprender a motivar-se e manter-se neste estado faz parte.

Embora aprender faça parte da natureza curiosa humana, a segurança e o comodismo também o fazem. Pode até parecer, mas estas características não são opostas, elas fazem parte de um continuum. É necessário estar bem seguro e cômodo para se permitir mudar e buscar novos limites. Experimentar com um porto seguro é muito melhor do que rumar no meio da tempestade – o que pode, muitas vezes, ser necessário. De outro lado, uma vez aprendido um novo horizonte é prazeroso estabelecer um novo porto cômodo e seguro.

Enquanto escrevo este artigo, por exemplo, várias mensagens chegam à minha caixa postal e algumas pessoas me convocam no facebook. Não posso desviar o meu rumo, manter o escrito faz parte da competência de estar mantendo o blog atualizado para o leitor. Este é um preço. A atitude de buscar todos os dias escrever, refletir sobre o que irei escrever é outro preço. Denota tempo e paciência, tenho que conviver com o “vazio criativo” todos os dias. Mas é só enfrentando isso que posso escrever.

E você: o que está precisando aprender?

Abraço

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Definir-se
02/02/2015

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  • Não vou fazer o curso.

  • Ah é, porque?

  • Ah, é que meu pai tá me enchendo para fazer sabe?

  • Sei… bem, não chega a ser exatamente um motivo não?

  • Ah meu, é o suficiente.

  • Se você tivesse 14 anos concordo… mas você está com 21 já, não seria momento de uma atitude mais madura?

  • Orra…

  • Orra… depois vai dizer “aí, deveria ter ouvido meu pai”.

  • (silêncio com cabeça baixa)

  • Vamos lá meu caro, não é que você tenha que fazer o curso, mas dar à você mesmo, um motivo adequado e um norte pra ti!

  • Entendi… é que é difícil sabe?

  • Sei, mas deixar isso de lado só vai deixar cada vez mais difícil…

 

Sempre digo que a pergunta “como expressar quem somos” é mais complexa do que definir quem somos. Uma está ligada à outra e a primeira significa a execução de uma ideia que nem sempre conseguirá se expressar da maneira previamente pensada, então exige um novo refletir, aquisição de competências, percepção do meio ambiente em que se encontra e avaliação de resultados. É uma tarefa árdua, porém o preço da liberdade é a eterna vigilância.

Existem dois momentos importantes deste processo, o momento que eu brinco no consultório que é o momento “modernista” (Não sabemos o que queremos, mas sabemos aquilo que não queremos) que se traduz nos momentos em que os filhos usualmente começam a não desejar mais obedecer os preceitos da família, desejam criar a sua própria identidade, é um momento de antagonização, ou seja, um momento de luta contra o que estava previamente estabelecido, de falar do que há de ruim no “sistema atual”.

O segundo momento é aquele em que a pessoa precisa formar algo próprio, ou seja, fazer escolhas e se comprometer com elas. Neste momento não basta dizer  o que não deseja, mas sim afirmar aquilo que se quer. Esta fase é mais realista e precisa que a pessoa, como disse acima, tenha aprendido a avaliar ela própria assim como sua vida e atitudes. Este momento não antagoniza, mas sim cria, avalia, é atento, perspicaz e busca por respostas para perguntas, é um momento de criação de formas e competências.

Atualmente as pessoas andam um tanto confusas sobre isso porque desejam ser tudo. A ideia de comprometer-se com um determinado tipo de forma é assustadora porque a maior parte da população olha para as perdas que isso poderá ter, à saber, todas as outras escolhas. Porém, sabe-se na psicologia que um número maior de escolhas só é benéfico até certo ponto, depois disso prejudica a capacidade de decidir e a pessoa acaba se afastando. Em outras palavras escolhas em excesso são prejudiciais à nossa saúde – muito embora todo o discurso atual seja ao contrário.

Assim, não é de se espantar, que cada vez mais as pessoas adiem decisões e sintam-se frustradas perante elas. Ao realizarem uma escolha e verem numa propaganda uma pessoa feliz com uma outra opção o coração já palpita “terei feito a escolha errada?” Neste sentido este post vem para dizer: “não”. Mais importante do que fazer uma escolha é a maneira pela qual você irá viver esta escolha. A ilusão que se vende é que existe uma escolha – ou mais de uma – que tornará a sua vida perfeita, porém a sua vida será bem vivida não por causa da escolha em si, mas por causa da maneira que você irá ou não viver esta escolha.

Desta maneira a escolha realizada pela pessoa precisará ser expressa no mundo, vivenciada. Neste momento a pessoa irá entrar em contato com outras pessoas, com tarefas e com a realidade social. Todas estas experiências vão trazer o que Stanley Keleman chama de “desafios à forma” e estes desafios são benéficos porque são eles que oferecem à “forma” a possibilidade de “testar-se” e definir-se no real. Ou seja, é como pintar um quadro, você pode ter a ideia, mas realizá-la é o grande desafio. E é neste processo de realizá-la que o seu projeto vai definir-se de fato, porém é quando estes desafios surgem que as pessoas, em geral, largam seus projetos.

Assim sendo lembre-se: mais importante que o projeto em si é como você irá lidar com ele à ponto de torná-lo real, vivo e bem vivido para você.

Abraço

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Dentro e fora
12/01/2015

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Todo comportamento está dentro de um contexto. O significado desta frase é que tudo está em relação, ou seja, os pensamentos que temos e chamamos de nossos possuem uma relação com o mundo no qual vivemos. Mesmo as ideias originais e revolucionárias tem relação à algo que existe ou à falta de algo que não existe ou ainda a algo que “não existe”, mas seria muito bom de existir “aqui”.

Saber disso não é tornar-se uma vítima do social ou compreender que apenas pensamos o que os outros querem. Essa reflexão leva para uma lei de causalidade, a saber: o outro e/ou o mundo causam meus pensamentos. Esta ideia não se sustenta porque se o outro determina o que penso, quem determina o que o outro deseja que eu pense? Somente um “outro” “outro” poderia fazer isso, mas e quem faz isso por ele? E assim entra-se numa regressão infinita buscando pela “causa primeira”.

Compreender isso é saber que o comportamento busca uma relação no mundo externo e uma resposta deste mundo. Ou seja, ninguém se comporta “por acaso”. Todo comportamento está ligado à fenômenos e se relaciona com eles. Dessa maneira evita-se a regressão acima colocada porque dá à pessoa a responsabilidade de relacionar-se de alguma maneira com o meio, há um envolvimento do indivíduo e do meio também. Ao não se negar nenhum dos envolvidos entende-se que a ideia de inter relação é a que melhor explica – até agora – os nossos comportamentos.

Ao dizer isso ao leitor quero chamar para a seguinte reflexão: o que você espera dos comportamentos que tem tido? Pergunta ampla? Sim, extremamente. Quando faço uma pergunta assim busco deixar o foco em aberto para que a pessoa o busque por si só ou, então, que a amplitude seja o foco.

Neste caso a pergunta assume um caráter de reflexão mais existencial que o levará para as perguntas: o que tenho esperado da minha vida? O que imagino que vou conseguir correndo tanto como corro? Respeito? Amor? Dinheiro? Para que isso é importante para mim nesse momento? É algo que estou conquistando ou algo que simplesmente promete tapar algum buraco em minhas emoções?

Quando nos perguntamos à serviço do que está o nosso comportamento a reflexão faz um balanço entre o dentro e o fora, ou seja, entre aquilo que penso, sinto e digo à mim e aquilo que realmente quero do ambiente e aquilo que tenho obtido. Muitas pessoas querem ter amigos e seu comportamento não leva ela à isso, ela pode dizer-se que as pessoas não a entendem. Mas, como seria se, ao perceber que deseja mais amigos ela pudesse brincar com seu próprio comportamento e ousar outras atitudes? Ou ainda mudar a explicação que dá para si de sua solidão? Ou ainda questionar para que deseja amigos?

A intenção dessas reflexões não é julgar como bom ou ruim, mas sim tomar consciência. Porque isso é importante? Porque é a partir do momento que percebemos algo e que esse “algo” passa a existir em nossa consciência que se pode tomar alguma atitude frente à esse “algo”, enquanto não se faz isso ele permanece em nosso mundo, nos incomodando porém sem termos poder de ação sobre ele.

O convite de hoje, então, é: amplie sua consciência compreendendo o seu comportamento além da barreira da sua pele buscando seu significado no mundo mais amplo que o cerca e, quem sabe, isso possa lhe trazer ótimas respostas?

Abraço

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Mantendo a neurose
05/01/2015

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  • Então Akim, acho que está na hora de eu parar a terapia.

  • Me conte mais sobre isso.

  • Eu estou pensando que eu não tenho tido mais os meus sintomas.

  • Sei.

  • E tem a minha família também sabe?

  • O que tem ela?

  • Bem, meus pais estão brigando, então acho que eu tenho que ajudar eles ao invés de ficar só aqui pensando em mim.

  • Entendo. E porque, ao invés de você parar a sua terapia para ajudar eles, eles não buscam uma para eles mesmos?

  • Mas… não é muito egoísmo meu isso?

  • Querer que eles tratem dos problemas deles?

  • Porque isso que você falou me soou estranho?

  • Boa pergunta, porque?

  • Eu nunca pensei nisso assim antes.

 

Um dos grandes problemas em terapia são as melhoras. Em geral as pessoas associam o processo de terapia à resolução de problemas, um lugar para mitigar a sua dor ou buscar alívio. Obviamente estas são funções da terapia, porém ela fazem parte de um processo mais longo e mais profundo.

Ocorre, então, que quando uma pessoa tem uma melhora ela rapidamente entende que a terapia encerrou o seu papel e abandona o processo. Isso é como ir à uma academia, emagrecer um dos dez quilos que você tem para perder e parar de fazer academia, não vai dar resultados.

Ter uma melhora de sintoma e ter um padrão de vida modificado são coisas muito diferentes. É diferente, fazendo analogia com a questão física, perder peso e começar a gostar de praticar exercícios ou atividades físicas. É diferente fazer uma dieta e aprender a sentir-se bem com uma educação alimentar diferente e mais saudável. É disso que tratamos quando as pessoas decidem sair da terapia apenas por uma melhora, em outras palavras a questão que o terapeuta tem que responder é: esta melhora é sinal de uma mudança na estrutura ou apenas o começo de um processo?

Essa pergunta é importante porque nenhum ser humano é isolado. Costumo dizer que mudanças trazem mudanças, falo isso porque as pessoas nunca prestam muita atenção ao fato de que aquilo que desejam mudar está inserido dentro de um contexto e, ao mudar, irá afetar este contexto. Relações pessoais, de trabalho e consigo serão afetadas. A pessoa que deseja emagrecer, por exemplo, terá que aprender a se ver de uma nova maneira, é muito comum pessoas que emagrecem e continuam se vendo como gordas.

Estas afetações são, muitas vezes a real causa do desejo de parar a terapia. Não é apenas porque a pessoa está vendo resultado, mas sim porque percebe inconscientemente que estes resultados para serem mantidos e se tornarem uma real mudança vão exigir mudanças nas maneiras pelas quais ela se relaciona com os outros e consigo e, muitas vezes, a pessoa não está preparada para viver estas mudanças, ou, como no caso acima, sente-se culpada pelas mudanças que a sua evolução pessoal traz.

O começo de ano é sempre um momento de promessas e desejos de um estilo de vida novo. Minha dica para você é: faça acontecer e perceba o que será afetado em sua vida ao fazer isso. Uma vez que você perceber isso, aprenda a lidar com as conseqüências das suas mudanças ao invés de se afastar delas.

Abraço

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“Sim” sem culpa
24/10/2014

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  • Eu quero fazer, mas não sei se devo.

  • O que te impede?

  • Meu pai… sei que ele ficará chateado com isso.

  • Sim, muito provável. Mas e o seu desenvolvimento?

  • Ele também ficaria chateado com isso (risos)

  • (Risos) Sim, ficaria mesmo…

  • Então?

  • Então… você está querendo chatear o seu pai? É esta a sua intenção?

  • Não… você sabe que não!

  • Eu sei… tanto sei que não entendo porque você está tornando isso um empecilho pra ti.

  • Hum… verdade… simplesmente vou ter que enfrentar a chateação dele né?

  • Sim… sabe como fazer isso?

  • Acho que é nisso que eu preciso de ajuda

  • Vamos lá!

 

Os gregos diziam “cuidado com o que quer… porque pode conseguir”. Obviamente nada mais estranho aos ouvidos modernos ávidos pela conquista de seus desejos. Porém, em consultório eu vejo o quanto esta frase faz sentido. Ela tem tanta sabedoria que, na maior parte das vezes, as pessoas sequer correm atrás de alguns sonhos e desejos por causa dela.

Um dos pontos que eu vejo muito é que as pessoas nem sempre estão em paz com aquilo que desejam. O desejo pode estar em conflito com os valores da pessoa, com alguma crença específica ou pode estar vindo “no momento errado”. Assim, mesmo cientes de um determinado desejo elas procuram se afastar dele, culpabilizar o mundo por não conseguirem aquilo que querem ou tornam-se apáticas frente aos próprios desejos e sentimentos.

Quando o desejo cria um conflito é muito comum da pessoa sentir a emoção da culpa. A culpa nos mostra que estamos fazendo – ou querendo fazer – algo que vai contra o nosso sistema de crenças. Muitas vezes uma das maneiras de lidar com a culpa é verificar se, efetivamente, estamos ferindo algum de nossos valores. Isso é importante porque muitas vezes o aprendizado que temos nos leva a crer que determinado comportamento ou querer são, por si só, ruins e nem sempre isso é assim.

Um exemplo muito comum na nossa sociedade é o de fazer algo que sabemos que pode ferir, incomodar ou chatear alguém. Em geral, nossa educação nos pede para nunca ter este tipo de atitude para com alguma pessoa, no entanto, na prática logo percebemos que isso é impossível. Não estou defendendo o ato de causar dano à alguém de maneira indiscriminada, mas sim de que algumas vezes chatear outra pessoa poderá ser um dos resultados de um comportamento importante para a pessoa.

Na educação das crianças, por exemplo, chega um momento em que é saudável a mãe não atender de pronto os choros da criança. Tal atitude obviamente faz a criança sofrer, porém é necessária ao desenvolvimento da mesma e sabemos que as crianças que passam por isso em geral crescem melhor por terem que aprender a lidar com a frustração que é comum na vida.

Outro fato é que existe uma diferença entre o desejo de causar chateação e esta ser uma consequência do meu comportamento. A primeira tem a intenção de chatear alguém, é algo programado e pessoal como na frase “eu quero me vingar dele”. Há uma intenção clara de comportamento nesta frase. Já quando a chateação é uma consequência a intenção não é de ferir, seria algo como “sei que ele ficará chateado, mas preciso educá-lo”. A chateação não é a intenção, mas sim educar.

Coloco estes pontos para questionar um dogma central da educação que praticamente todos temos: que pode ser “bom” chatear os outros. Isso não é uma desculpa para ferir os sentimentos dos outros de maneira indiscriminada e cruel, mas sim para compreender que, algumas vezes, esta consequência não pode ser evitada e em outras que ele pode ser benéfica à pessoa. Particularmente tive grandes aprendizados em minha vida após ter sido frustrado e ter ficado chateado com a atitude de algumas pessoas. E não digo isso num sentido de me fechar ao mundo, mas pelo contrário de me abrir à ele de uma nova forma.

Aprender que nem sempre é ruim chatear os outros e que existe uma diferença entre chatear alguém intencionalmente e isso ser o resultado de uma ação sem esta intenção são alguns dos valores e crenças que trabalho no consultório para ajudar as pessoas a  fazerem mais aquilo que desejam. Isto ajuda a pessoa a dizer “sim” ao que quer sem sentir culpa e saber que ela sentir, por exemplo tristeza – sim podemos ficar tristes de ver que alguém ficou ferido em detrimento de algo que fizemos, mas isso é diferente de sentir culpa por isso.

Dizer-se “sim, sem culpa” é nos colocarmos como critério para definir o que vamos fazer e verificar se estamos fazendo aquilo que queremos como meio para ferir alguém – o que eu não aconselho fazer em consultório – ou como meio de seguir o nosso caminho pessoal de desenvolvimento e auto expressão – o que apoio por mais difícil que seja a situação.

Abraço

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Estranho ao amor
07/07/2014

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  • Não sei não Akim…

  • Porque não?

  • Ah… sei lá… é que assim: qualquer um pode dizer que está gostando de você e mentindo!

  • Hum… entendi. Bem, é verdade isso, mas porque isso aconteceria com você em específico?

  • Porque não?

  • Eu já disse que pode ocorrer, mas gostaria de entender porque com você?

  • Acho que eu sou fácil de ser enganada… não sei medir bem as pessoas…

– Como sabe disso?

  • Minha família sempre diz isso de mim…

  • E o que você acha?

  • Eu não sei ao certo… acho que é mais fácil eu acreditar em tudo o que me dizem porque no fundo preciso de alguém me dizendo isso, sabe como?

  • Não… como?

  • Ah… não sou exatamente o tipo de pessoa que se ama… então quando alguém diz para mim que me ama, que eu sou especial eu meio que grudo nisso entende?

  • Ah sim, entendi…

 

Muitas pessoas sentem-se “estranhas ao amor”. Esta sensação vem com vários tipos de argumentos como o que coloquei acima “sou facilmente enganada”, “não sou uma pessoa para ser amada”, “as pessoas mentem”, “todo(a) homem (mulher) é sacana” que são defesas criadas contra a experiência de amar.

O argumento que afasta a pessoa do amor é aquele que a faz inconscientemente buscar um refúgio em sua “zona de conforto da solidão”, ou seja, a pessoa aos poucos começa a preferir as fantasias de dor que possui do que se entregar experimentando novas relações e novos pontos de vista sobre si mesmo, relacionamentos e a própria vida.

Sempre que percebo argumentos que são rígidos em demasia sei que existe uma defesa contra algo. No caso das relações as pessoas constroem estas ideias rígidas através de suas primeiras relações com pais e figuras importantes. Por terem sido criadas nesta época elas tendem a ser rígidas porque as crianças não tem uma mentalidade tão flexível quanto a do adulto, em geral, é muito difícil a criança conseguir relativizar alguma coisa porque isto demanda um cérebro mais amadurecido.

A questão é que não apenas a pessoa pensa nas relações de uma determinada maneira, ela também cria uma identidade própria além de comportamentos que a levam sempre ao mesmo cenário. Assim sendo, mesmo que o parceiro possa não ser aquele bicho papão, a pessoa começa a se comportar de uma maneira que a faz reproduzir na relação cenas parecidas com as que viveu no passado. Ao viver isso a pessoa “confirma” a sua teoria e então começa a fechar-se ao amor novamente.

O problema é que, geralmente, a pessoa já está fechada para o seu amor próprio. A auto imagem e a auto estima não estão bem estruturadas porque foram criadas com base nas deficiências que ela tinha na relação com pais, familiares e outras pessoas importantes. O foco no “você é mau”, é maior do que o foco no que a própria pessoa faz de bom e, assim, como ela pode criar uma boa auto imagem e respectiva boa estima? Não pode. Terá, na melhor das hipóteses uma auto estima dúbia, ou uma pseudo estima que fará com que ela “ache” que está tudo bem, até que seja “testada”.

Qual o teste? Por incrível que pareça: o amor. Ser amado realmente ataca as crenças negativas que temos à nosso respeito. É um teste: “esta pessoa diz que você é linda, maravilhosa, inteligente… você acredita nisso? Não estou vendo isso aqui na sua própria auto imagem mocinha… o que acontecerá quando esta pessoa ver você como realmente é?” Abandonar a auto imagem negativa significa se recriar a partir de uma perspectiva nova e amorosa, mas se a pessoa nunca confiou plenamente nela mesma, como o fará agora “só porque tem alguém dizendo que ela é especial”?

O primeiro passo consiste em desafiar você mesmo os seus pensamentos negativos à você mesmo. Quando a pessoa começa a fazer isso ela está, ao mesmo tempo, dando um basta à auto crítica e dizendo “eu mereço ser feliz”. Este enfrentamento se faz necessário e ajudará a pessoa a “abrir brechas” nas suas defesas permitindo que o novo entre e, com isso, buscar uma maneira nova de se ver e se perceber no mundo.

Que tal começar agora?

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O próximo passo
25/06/2014

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  • Estou empacado sabe?

  • Como assim?

  • Agora que eu sai da casa dos meus pais e estou com um emprego bom estou me sentindo estranho.

  • Estranho como?

  • Ah.. parecia que isso era tudo o que eu precisava fazer, mas agora parece que não.

  • Entendo. E o que parece?

  • Pela primeira vez na vida eu não sei muito bem o que fazer entende? Eu pensei que agora eu ia me sentir muito bem, mas não me sinto assim.

  • Sente-se mal?

  • Também não… é estranho… eu até consigo ver que existe um futuro, mas não sei ir para este futuro.

  • Entendi… Quem é você agora?

  • Como assim?

  • Quem é você agora que saiu da casa dos pais e tem um bom emprego?

  • Não sei… um cara bem sucedido?

  • Não sei, é isso?

  • Ai Akim, pergunta difícil!!

 

Uma boa parte do processo de terapia consiste em ajudar a pessoa a resolver seus problemas pessoais. Nesta fase pressupõe-se que existe um problema que já está instalado e a pessoa, em geral, vê-se como vítima deste problema ou inferior à ele. É o momento de perguntas mais práticas, de criação de repertório comportamental, de compreender os elementos mais importantes para a resolução doo problema além do problema em si.

Neste momento a pessoa identifica-se como alguém que precisa resolver o problema. A sua salvação está ali. É uma guerra, uma luta contra alguma coisa que, de alguma maneira, a impede de ser feliz. Existe muita raiva, muita revolta, fala-se muito sobre o que se passou buscando por explicações e justificativas sobre “tudo o que aconteceu”.

Depois que este momento passa e os conflitos se resolvem a terapia entra num segundo momento muito mais rico do que o anterior que é quando a pessoa aprendeu a lidar consigo e com o seu meio ambiente. Ela, agora, compreendeu a sua parte nos seus problemas e conseguiu criar novas maneiras de se comportar, de pensar e de sentir que a ajudaram a resolver situações ruins.

Este momento é marcado, muitas vezes por uma sensação estranha de incompletude. As pessoas dizem “eu pensei que estaria melhor agora, mas estou neutro… é tão estranho isso”. Na verdade, não é estranho é algo bem comum. Ocorre que toda a revolta e raiva que existia sobre as situações anteriores desaparece porque a pessoa aprendeu a lidar com aquelas situações. Quando isso desaparece através do aprendizado vem a pergunta: porque era necessária tanta raiva então? Porque era necessária tanta tristeza? E a resposta dura que a experiência da pessoa traz é: “não era”.

Este “não era” invalida algo muito importante sobre a pessoa: a sua percepção de “eu”, a sua identidade. Invalida porque? Porque a identidade estava alicerçada numa crença de que ela tinha que ser infeliz por causa dos problemas que tinha. No entanto, quando ela resolve os problemas, precisa ser infeliz porque? A pergunta não faz mais sentido e é por esta razão que a noção de identidade fica perdida. Ela não é mais a vítima, a pessoa perdida, aquela que não vai dar certo.

Mas então, o que ela é? Essa é a pergunta que precisa de resposta. Organizar uma nova visão de si, uma identidade alicerçada nas competência que foram desenvolvidas, no sucesso que a pessoa teve, nos desejos que tem e na vontade de viver que ela organizou dentro de si. Isso é deixar uma identidade de “remediação” para trás e criar uma identidade de “criação” de novos caminhos para frente.

Quem é você? A dor do seu passado ou as possibilidades do seu futuro?

Abraço

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Insuficiência
07/05/2014

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  • Mas não sei de verdade se é isso que eu quero?

  • Não sabe ou não quer assumir?

  • Ah Akim… sei lá… parece que é tão bobo querer isso.

  • Bem, se você tratar o seu desejo desta maneira, assim será…

  • É né?…

  • O que te faz tratá-lo assim?

  • É que… não sei se basta eu querer entende?

  • Sim, como se você tivesse que querer e fazer mais alguma coisa… o que é?

  • Ah, não sei…

  • O que te permitiria ir atrás daquilo que quer?

  • Hum… talvez se eu tivesse alguém que me dissesse que está certo o que eu quero.

  • Você não consegue julgar isso por você mesmo?

  • Quem sou eu para fazer isso?

  • Quem é você para não fazer?!

 

 

Em momentos como esse pensamos: “nossa… é mesmo”. A questão é sou ou não sou “suficiente”?

Em geral as pessoas desejam ter uma aprovação dos pais ou do grupo ao qual pertencem, isso é algo saudável  natural ao ser humano. O problema surge quando esta aprovação assume o caráter de permissão à respeito do que a pessoa irá fazer ou deixar de fazer.

Quando isso ocorre a aprovação não é apenas uma questão de “gostei ou não gostei”, ela assume um caráter que dita se a pessoa está fazendo as coisas de maneira correta, se não está e se ela é competente para realizar isso ou não. Porque isso é um problema? Porque muitas vezes o grupo, pais ou família podem não considerar uma competência que é muito importante, porém não é valorizada naquele ambiente. Ou então a família pode ter determinadas crenças limitantes que acabam sendo incorporadas pela pessoa e tratadas como verdade e paralisam a ação (você já ouviu um pai dizer ao filho “homem não chora”?).

Outra questão um pouco mais profunda tem a ver com a identidade da pessoa. Muitas vezes a necessidade de aprovação e a dinâmica familiar guiam a pessoa a se compreender como alguém que “deve” (nos dois sentidos da palavra) ser subalterno, por exemplo. Quando a aprovação recai nas competências a pessoa precisa de alguém que diga que o que ela faz é algo bom; quando recai na identidade ela precisa de alguém que diga que “ela” é boa. A noção de quem somos se torna um grande problema para nós porque ao mesmo tempo que nos define age contra nós ao nos manter com comportamentos inadequados e em situações de risco.

Quando os dois problemas se misturam temos uma questão grave pois a pessoa não mais se entende “suficiente” para dar conta de sua própria vida, além de ser alguém “ruim” é, também, “incompetente”. O traço mais claro de quando estamos numa situação como essa é esse que vimos acima: a negação da validade do próprio desejo. Em geral o desejo é negado quando a pessoa e sua noção de identidade foram negadas, ridicularizadas ou rejeitadas por pais e família. A pessoa aprende que aquilo que ela se diz que é e que quer não é digno de nota, esconde esta auto imagem junto com os desejos e assume uma nova mais condizendo com aquilo que se espera, porém a outra parte permanece irrompendo em momentos de estresse, por exemplo.

É neste momento em que a pessoa precisa aprender a rever seus conceitos sobre si mesma e a reavaliar os resultados que tem conseguido ao longo de sua vida nas suas empreitadas. Isso é um começo para ajudar a pessoa a redefinir quem ela é e o que pode ou não fazer.

Abraço

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Ser diferente
19/03/2014

– Sabe Akim, é muito difícil para mim porque eu me percebo diferente de todos lá em casa.

– Sei.

– É estranho não se identificar com ninguém da sua família, uma coisa ou outra só, mas, em geral, quase nada! Sou diferente nos hábitos, comportamentos e ideias!!

– Entendo. Puxa… parabéns!

– Parabéns!?!

– Sim, você é você! Quem bom que percebeu isso não é!?

– Nossa… estou meio que sem saber o que dizer!

– É claro que você é diferente, agora me conte: será que não está confundindo “ser diferente” com “não ter um lugar”?

– Hum… eu acho que é isso sim… porque eu brigo muito com minha família por ser do jeito que sou.

– Claro, e é possível que existam brigas e divergências, ressentimentos até, mas uma coisa é diferente da outra, percebe?

– Sim.

– Talvez até o lugar que você tenha na sua casa não seja aquele que você quer, ou o que você acha que deveria ter sido dado à você.

– Pode ser… acho que tem a ver.

– Pois é… mas o tema é: como viver sendo diferente mesmo? Onde existem os encaixes entre você e eles? Afinal de contas, é nisso que você vai poder aproveitar não é mesmo?

– É… acho que sim.

No post “diferenças” falei sobre a diferença e a aceitação da mesma. Trabalhei com o post sob o ponto de vista da relação frisando a importância da perspectiva de conhecer o outro em sua diferença. Neste post trabalharei com um aspecto diferente que é o “perceber-se diferente”.

Ocorre que todos nós somos diferentes, ninguém é igual à ninguém essa é uma realidade humana. Perceber-se diferente, no entanto, pode suscitar muitos medos e brigas, não por causa da diferença em si, mas por causa da maneira pela qual as pessoas reagem à diferença. O medo é o primeiro passo à ser vencido. Ao perceber a diferença damos à ela significados “porque o outro é assim?”, “o que será que isso quer dizer?”, “o que isso quer dizer para a nossa relação?” e “será que isso é para nos punir, ou que ele (a) não nos ama mais?”.

Vencer este estágio e perceber que a diferença é somente a diferença, a afirmação de uma nova pessoa com características, desejos e aspirações próprias é um dos antídotos para este mal. A presença do amor é possível mesmo que existam as mais profundas diferenças de crenças e de comportamentos, para isso basta a aceitação da diferença e o respeito. Os romanos, eram muito instintivos em aceitar as crenças de outros povos, todas as religiões tinham um lugar dentro dos muros da cidade.

O medo deve ser vencido tanto por um lado quanto pelo outro. Quem percebe-se diferente tem o medo da exclusão, do exílio, como gosto de chamar. Muitas vezes, ao longo da história, a pessoa diferente era exilada, enviada para fora da cidade. Isso marcava a sua diferença. Porém, metaforicamente falando, o diferente já se coloca “fora dos muros” quando ele se percebe diferente. Não é uma questão de “ser mandado” embora, ele já “se mandou”.

E é muito comum que a pessoa passe a reagir agressivamente pelo medo de ser exilada e lute contra a família ou o grupo por causa de sua diferença. “Não há um lugar para mim aqui” grita à pleno pulmões, mas o fato é que o “lugar para mim” deve ser negociado e não integrado plenamente como espera, muitas vezes, o “ser diferente”. O filho pode querer estudar bateria às 22:00 porque é um “horário inspirador”, porém o restante da vizinhança precisa dormir neste horário. Embora aceita a diferença é preciso compreender que ela deve existir num meio com outras diferenças.

Se a pessoa compreende que isso é apenas uma adequação de rotinas e comportamentos sem acionar, com isso, o medo de ser exilado, ela pode perceber melhor as diferenças dos outros e, com isso, criar rotinas mais interessantes. Se não ficará magoado e tenderá a se exilar buscando um lugar onde “não vão lhe dizer o que fazer”, este nível de maturidade ainda é centrada no outro e causa grande ressentimento mesmo quando a pessoa consegue um lugar próprio para ela, visto que conseguir isso afirma que ela foi exilada e que nunca poderia ser aceita no seu lugar de origem. A sensação de exílio é muito triste.

O grande passo é o de perceber a diferença como aliada do seu próprio processo e perceber em como a diferença pode auxiliar o grupo. O que da sua individualidade pode somar na organização pré-existente? Isso abre as portas para afirmar a diferença e, ao mesmo tempo, criar a empatia. Com isso a segurança de um chão aumenta e a pessoa pode desejar alçar voos para longe do ninho por escolha e desejos próprios e não para fugir de um lar que não o deseja.

Creio que esta compreensão seja fundamental para quem “se percebe diferente” poder viver com a sua percepção.

Abraço

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Escolhas
08/02/2014

12-10-2013 Esta tira foi um achado. Fala sobre tantas coisas que eu só pude pensar no título “Escolhas” para ela. O que fica óbvio é uma escolha profissional, porém também é óbvio, que a tira fala sobre muito mais do que isso.

Fala sobre criar as nossas raízes e as nossas asas, sobre usar o nosso potencial para entender ou para culpar, sobre educar, sobre amar, sobre crescer.

Me deixa uma mensagem de que nunca sabemos o que a vida irá nos trazer, mas que, dentro das escolhas que fazemos à cada dia podemos viver estas escolhas com a mente tranquila ou então viver em eterno desconforto.

O céu e o inferno estão dentro de nós, levamo-os para onde vamos.

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