Escolher e perder
18/05/2015

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  • Eu acho que não fiz uma boa escolha.

  • O que te faz pensar isso?

  • Ah… é que, depois que eu cheguei em casa eu me senti sozinho sabe?

  • Sim, terminar com alguém implica em solidão.

  • É… mas não esperava por isso.

  • Hum… como você está encarando esta emoção?

  • De que eu fiz a escolha errada.

  • Entendi. Algo como: se você escolher certo vai ficar super feliz e não ficar assim vai ficar triste?

  • É! Não é isso?

  • Não. Nem sempre nossas escolhas nos deixam felizes e nem por isso são más escolhas.

  • Nossa… que estranho isso!

 

Um dos pontos poucos enfatizados na nossa sociedade de escolhas é que toda escolha implica em perdas. A propaganda que se faz, no entanto, é justamente contrária à esta realidade intuitiva.

O que se tem culturalmente falando é que devemos fazer a maior e melhor quantidade de escolhas possíveis. Coloca-se nessa “capacidade” de fazer várias escolhas o caminho que nos levará à felicidade. Este pensamento é fruto de uma época em que haviam poucas escolhas. Neste momento a ideia de expandir a quantidade de escolhas disponíveis era válida e é fato que entre ter um caminho disponível e mais caminhos a possibilidade de ter mais caminhos pode ajudar a pessoa a escolher algo que se ajusta melhor à ela.

Por outro lado uma diversidade muito grande de caminhos atrapalha tanto quanto a escassez deles. Associada à uma ideia de que você “tem que” experimentar a diversidade não apenas atrapalha como aprisiona. A partir do momento em que a pessoa se identifica como aquele que deve fazer várias escolhas e experimentar todas as opções disponíveis ele já não escolhe por desejo, mas sim porque tem que escolher, por vontade e não pode desejo.

A diferença? Muito evidente: o desejo constrói sentido para a escolha, a vontade não. Daí que temos, no campo das relações humanas, várias pessoas que ficam, transam e mantém tipos de relações com várias pessoas sem ter um desejo de fato por nenhuma delas. Apenas “experimentam” humanos como se estivessem provando sapatos. O que torna isso um problema é a concepção de que se “deve” fazer isso e não de se escolher, ou seja, envolver-se no desejo de ter experiências. O desejo leva à frustração o dever não.

Daí que paradoxalmente, na nossa sociedade quanto mais as pessoas tem escolhas disponíveis e mais sentem-se na obrigação de provas todas estas opções, mais elas não estão escolhendo de fato. Porque a escolha implica em desejar e isso implica em abrir mão de outras opções em detrimento de uma o que leva à frustração de uma certa forma. Veja que não se trata de estar ou não feliz com a escolha que se fez, mas sim de saber que, ao optar por um determinado caminho, abre-se mão dos outros. Viver com esta consciência é algo que a nossa sociedade de consumo não consegue suportar.

Psicologicamente falando as pessoas se defendem dessa realidade justamente tornando todas as suas escolhas “neutras”. O famoso discurso “ah, se não der, não deu” que, muitas vezes, apenas mascara um falso desprendimento em relação àquilo que se deseja e mostra uma dificuldade enorme em lidar com a possibilidade de se frustrar frente à sua própria escolha e, além disso, de lidar com a “perda de liberdade”. Coloco as aspas porque liberdade significa escolher os limites que você vai ter e não o poder de escolher qualquer coisa de qualquer jeito em qualquer momento seguindo os impulsos e sem viver nenhuma consequência – poder este apregoado pela nossa cultura.

No entanto o sentido e o “tesão” das escolhas está justamente nessa tensão gerada quando sabemos que estamos escolhendo algo e que isso significa a renúncia de algumas coisas em detrimento de outras e a possibilidade de fracasso. É isso que aguça nossos sentidos de maneira vital e saudável ao invés da maneira neurótica que temos vivido hoje sempre correndo atrás de uma opção que nos trará satisfação garantida.

E você, ainda correndo atrás da cenoura dourada?

Abraço

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Sobre (in)satisfação
24/04/2015

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  • Mas daí eu fiquei muito chateado, não se faz isso sabe?

  • O que você fez com isso?

  • Ainda nada, mas vou sair fora do curso.

  • Entendi (seguido de silêncio)

  • Não tem mais nada a dizer?

  • Não, me parece que você tomou uma decisão, deve saber o que está fazendo não é?

  • Não é assim… é que eu acho que ela foi longe demais com aquele comentário.

  • Você acha ou tem certeza disso?

  • Não se fala assim com as pessoas!

  • Pode ser, você acha ou tem certeza de que ela passou dos limites?

  • Ah tá… sei lá até certo ponto sim, mas às vezes acho que é só raiva minha mesmo.

  • Pode ser também. Você quer que eu te ajude com algo nesta escolha ou apenas está me informando sobre ela?

  • Não sei ao certo… estou um pouco confuso sobre o que senti e não sei se devo ao certo sair do curso.

  • O curso não está lá para agradar você em tudo o que você quer, muito menos a professora. Já pensou nisso?

  • É… sei lá…

 

Vivemos em uma sociedade de consumo. Uma das regras fundamentais deste tipo de sociedade é viver sem que exista contato com a frustração e muito menos com a insatisfação. O resultado? Pessoas que não sabem lidar com uma realidade da vida: de que as coisas nem sempre dão certo do jeito que a gente quer.

Não, não significa que você fez algo errado, que tem que fazer alguma coisa, que deve montar uma ONG para isso não acontecer à outras pessoas e nem recorrer aos altos escalões. Muitas (muitas mesmo) vezes uma frustração e uma insatisfação é somente  um limite do mundo real para você.

Fugir da insatisfação é fugir desta percepção. Vivemos num mundo carente de segurança, a emoção da insatisfação e da frustração tornam-se um tanto intoleráveis nestes tempos justamente por causa disso. Porém aprender a lidar com estas emoções faz parte de inteligência emocional de todos os seres humanos. É necessário que se aprenda a se frustrar, falhar e sentir insatisfação para que a pessoa aprenda a crescer.

O que tem de bom nisso? A pergunta é inadequada e típica de uma sociedade de consumo que pensa apenas no que vem de bom a partir de uma determinada escolha. A questão com a insatisfação é justamente esta: não virá nada de bom. O que você não queria, não aconteceu e ponto. E isso “o que vem de bom”, este é “lucro” que você pode tirar desta lição. Aprender a não ter. Aprender um papel que é típico aos mortais: o da falta de onipotência, em outras palavras, saber que você não poderá tudo, não conseguirá tudo.

Não saber lidar com isso pode afastar a pessoa de desafios importantes porque ela não deseja sentir a insatisfação, também afeta as relações entre as pessoas que cada vez mais ficam carregadas de necessidades à serem supridas e cria uma perspectiva falsa sobre a vida que promete que apenas coisas boas devem acontecer. Isso não é verdade. A vida é, sim, feita de perdas e frustrações também ignorar isso é fingir que uma parte da vida não existe.

É importante frustrar as pessoas, dar à elas insatisfação e um pouco de perdas nesses dias. Acho que estas emoções nos ajudam a perceber melhor a nossa humanidade justamente porque nos coloca em contato com o sentimento de potência e não de impotência. Daquilo que é possível e não do que é impossível.

E você, ainda achando que nunca terá nenhum revés?

Abraço

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Produtos para alma
10/09/2014

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  • Ando meio preocupada.

  • Com o que?

  • Sabe aquele exercício que fizemos logo no começo da terapia sobre motivação?

  • Sim.

  • Então, me ajudou muito, mas agora eu estou percebendo que não está mais fazendo tanto efeito.

  • Oba, que coisa boa!

  • Porque boa?

  • Porque quer dizer que você evoluiu. As respostas antigas precisam ser revistas.

  • Hum…

 

 

A sociedade de consumo traduz não apenas em comportamentos, mas também em cultura e numa maneira de pensar e raciocinar. Uma das características mais enfáticas e talvez mais nefastas deste raciocínio é a de transformar tudo em um produto ou serviço para ser consumido. Ao encarar tudo desta maneira objetificamos o mundo em que vivemos e o entendemos como um grande produto à ser consumido por nós.

Na área em que trabalho isso é muito simples de ser visto através dos pedidos das pessoas em terapia “não quero mais isso”, como se “isso” (seja este isso uma dor, uma emoção ou dificuldade) fosse algo que ela comprou errado e agora quer se desfazer. Obviamente não nego o desejo da pessoa e nem a censuro por não querer sentir raiva ou aflição, creio que isso é normal. O ponto que levanto é que estamos aprendendo a tratar isto como se fosse um produto e isso não é funcional, não ajuda a pessoa porque a faz ver uma emoção, por exemplo, como algo que ela não é: um produto. Não se joga fora um comportamento ou uma emoção como se este fosse um celular antigo que não serve mais. O mesmo vale para pessoas, ou pelo menos, deveria.

Pensar a terapia como um produto é algo muito interessante. As pessoas entendem que será “vendido” lá dentro são produtos, tais como: auto estima, motivação, liberdade. Quando se pensa nestes temas como produtos a reflexão segue a seguinte linha: o que tenho que fazer para conseguir? Uma vez que a pessoa “consiga” ela nunca mais terá que se preocupar com isso. Então, na prática seria algo assim: eu pago a terapia que vai me dar uma fórmula qualquer que irá fazer com que eu nunca mais sinta tristeza e fique alegre o tempo todo. Porque? Porque alegria é um produto, como um celular e se eu “comprei” a alegria eu “tenho” que tê-la até o fim dos meus dias.

O problema é que o produto não é um produto. E aí a porca torce o rabo.

Uma maneira muito mais útil – e, quem sabe verdadeira – de ver motivação, auto estima, emoções e comportamentos é como um resultado. Ou seja, elas não são “coisas” como um celular, um televisor, mas sim resultados de um processo. Por exemplo, quando eu acordo cansado e com preguiça o que gera o resultado da  motivação em mim para levantar e ir para a academia é a imagem de eu com 90 anos me sustentando nas próprias pernas sem ajuda de ninguém. Quando foco nesta imagem uma voz vem e me diz – talvez seja o meu “eu” com 90 anos – “levanta e vai”. A emoção da motivação não é garantida, eu não comprei ela, não é como o celular que me desperta e que está em cima do criado-mudo e vai continuar lá quando eu voltar. A motivação precisa ser despertada, gerada, sentida. E, dependendo do contexto, a minha maneira de evocá-la (a imagem de que falei acima) não ajuda muito, por exemplo, quando estou numa semana muito corrida preciso mesmo é descansar e entre a imagem do velho sadio e da cama quentinha a segunda prevalece.

Porque isso é assim?

Porque não somos máquinas. Mudamos ao longo do tempo, nos adaptamos, aprendemos, evoluímos e isso significa dizer que algumas regrinhas precisam ser revistas, reestudadas e até mesmo ver se ainda são importantes. Por mais que possamos enxergar um ser humano como uma máquina ou um produto isso não o torna uma máquina ou um produto, somos muito mais do que isso. Por esta razão que a pesquisa em psicologia nunca acaba.

Assim sendo se nós não somos máquinas aquilo que nos faze e motiva também é cambiável, mutável. Ainda bem, inclusive: já pensou se as suas motivações fossem as mesmas de quando você tinha 5 anos? Aí o cara vem, te oferece um sorvete e você fica com ele, casa com ele por um pacote de bolacha negresco. Estou ridicularizando a situação porque quando levamos o raciocínio consumista à rigor ele entra neste ridículo: se as coisas devem permanecer estáveis, se a minha motivação deve permanecer sempre igual, então aquilo que me fez aos 3, 5, 7 anos deveria estar aqui até agora. Porque não está? Porque, graças aos céus, você evoluiu e junto com isso evoluíram as “regras” de funcionamento e de motivação que você tem dentro de ti, por isso dá mais trabalho, por isso traz mais riqueza.

Ao encarar estes elementos como resultados tornamos a vida mais rica, pois temos que nos perceber a cada momento de nossas vidas e evoluir com ela. Ou isso ou nos pensamos como um boneco numa caixa: feito uma vez e imutáveis, eu prefiro a primeira opção e você?

Abraço

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Gosto ou não gosto?
28/04/2014

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  • Mas Akim… eu não gostava desse tipo de menina!

  • (Risos) Pois é né? Imagine se gostasse então!

  • (Risos) Cara… o que eu faço?! Sabe assim: ela não é, de fato, o meu estereótipo de mulher, mas eu estou gostando!

  • Já lhe ocorreu de aprender a apreciar a beleza que esta mulher proporciona?

  • Como assim?

  • Bem, “não é o meu estereótipo” é diferente de dizer “ela é feia”, “não gostei de nada nela” não é mesmo?

  • Sim, é verdade.

  • Assim sendo, o que há para ser apreciado nela da maneira pela qual ela é?

  • Hum… bom, o corpo dela é mais rechonchudinho e tem uma curvinhas diferentes sabe?

  • Sei sim, tem curvinhas que só ela tem não é mesmo?

  • É! Bem, o olhar dela é diferente também.

  • Ela tem os olhos claros?

  • Não, são castanhos bem mel sabe?

  • Sei sim, é totalmente diferente olhar para este tipo de olho não é?

  • É…

  • E o toque dela, o beijo dela?

  • Hum… bom… são… dela sabe?

  • Sei… Bem, me parece que não existe nada de errado em você sentir um prazer enorme com essa menina mesmo “ela não sendo o seu estereótipo” não é mesmo?

  • É… mas porque me incomoda tanto?

  • Porque?

  • Sei lá… parece errado que eu possa sentir isso com ela…

  • Só porque não é estereótipo? Puxa vida hein?!

  • É verdade… cara… me sinto mais livre agora…

 

Você sabe apreciar a beleza?

Este post é dedicado completamente à uma visão particular de beleza que criei ao longo dos anos. Ela trata de fugir dos estereótipos pré definidos de beleza que temos e também de fugir do estereótipo de que “todos são lindos” o qual considero um tanto piegas.

Considero que a beleza, de uma forma geral, esta nos olhos de quem sabe percebê-la. Inúmeros contos na mitologia contam a história do príncipe que é casado com uma bruxa horrenda e que, pela forma pela qual ele a trata, ela se transforma numa linda princesa. A minha percepção de beleza tem algo a ver com isso, pois creio que é necessário habilidade para enxergar a beleza nas pessoas, não basta olhá-las, temos que observá-las, estudá-las.

A beleza de uma jovem modelo ou de um jovem “saradão” é “fácil” de ser vista. Fácil aqui é sinônimo de “culturalmente aceito”, visto que em outras épocas e em outras culturas o nosso modelo perfeito passaria totalmente desapercebido. O “bronze” tão cultuado em nosso país é motivo de vergonha quando estamos na França de Luis XV. O que a cultura diz que é belo eu entendo como “beleza fácil” pois estamos todos procurando por ela.

Porém saber observar e estudar os detalhes de um corpo, de um rosto e associar todos estes detalhes com a maneira pela qual a pessoa se comporta, age e fala é algo mais complexo. Perceber a beleza nas rugas de uma pessoa, por exemplo, é tarefa para poucos – justamente porque sai da nossa “beleza fácil”. Observar cada ser humano como uma pintura única e buscar nela os detalhes que cativam o nosso senso estético é algo inusitado em nossa cultura na qual o “produto” – no caso o outro – deve se enquadrar no modelo aceito para que eu apenas o consuma ao invés de eu me enredar nele.

Outro tema tristemente associado ao da beleza é o do prazer. Assim como meu cliente acima, várias pessoas acham que só obterão prazer se tiverem alguém do estereótipo. Ledo engano. O corpo humano é uma máquina de sensorialidade e altamente erótica. É possível sentirmos prazer com vários “estereótipos” diferentes, pois todos eles transmitem prazer. Porém, cada corpo pressupõe uma forma distinta de sentir o prazer. De apreciar o prazer que pode ser destilado junto com aquele ser humano peculiar, único.

O corpo de uma pessoa alta é diferente de uma pessoa baixa; o do magro diferente do musculoso e do gordinho. Lábios pequenos e lábios grossos dão texturas diferentes ao beijo assim como uma pele mais elástica ou uma mais firme dão consistências diferentes ao toque. Obviamente temos nossas preferências, porém entre o termo “preferência” e o termo “meu estereótipo” existe uma amplitude muito grande.

Escrevo este post porque tenho percebido que a beleza das pessoas tem sido extremamente mal tratada. Num momento em que vários limites culturais sobre formas de relacionamento são ampliados creio ser importante ampliarmos o que entendemos por beleza e aprender a ver a beleza com olhos mais atentos ao invés de procurá-la com olhos “fáceis”.

Já faz algum tempo que aprendi a observar a beleza em pessoas mais velhas – algo completamente inusitado em nossa cultura do “seja jovem e se entupa de plásticas para manter-se assim” – e é impressionante o que podemos encontrar em olhos cansados, rugas precisamente posicionadas que parecem ter sido colocadas com cirurgia. Existem sorrisos que ficam muito lindos apenas porque mostram as rugas que o tempo trouxe e que a ausência mostraria apenas uma beleza fácil, dessas de photoshop.

Recordo, como exemplo, quando via a série “X-Files”. Ao final da nona temporada eu exclamei: a agente Scully parece muito mais bonita hoje do que no início da série… e ela está mais velha também. Aquilo foi o que me deu o ponto final na minha percepção: existe uma beleza que é impossível ter quando se é jovem. Existem detalhes, contornos que somente a idade traz. Assim como a idade a altura, peso, cor da pele, quantidade de músculos, tudo influencia, tudo cria um conjunto único e, para mim, tudo o que é único traz consigo algo de belo.

Importante salientar: não desmereço a beleza que chamo aqui de “fácil”, mas convido o leitor e buscar a beleza nos seres humanos tais como eles são. Este post talvez seja um pedido para que não estereotipemos a beleza de uma maneira tal à querermos ser todos iguais e que consigamos apreciar todos os perfis sem número que a raça humana pode produzir dando, à cada um deles um lugar neste mundo.

Abraço

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O homem e os pássaros
17/11/2013

06-10-2013

Esta é uma tirinha ácida!

Embora não concorde plenamente, ela nos faz refletir sobre a competitividade atual que alcança níveis nunca vistos antes.

Cooperar, hoje em dia, não é mais uma questão de sermos melhor que o outro time, mas sim uma questão que está colocando em jogo a nossa própria competência para a humanidade, em outras palavras: será que a moral de mercado prevalecerá sobre a moral humana? ou será que conseguiremos mudar o jogo?

Nas palavras de Joseph Campbell; o herói dirá não para o sistema ou sim para o sistema? Não para a sua própria humanidade ou sim para a sua própria humanidade?

Ser interessante
29/05/2013

– Ninguém me olha na escola, mas também… porque iriam?

– Bem você não é invisível não é?

– Ai Akim err… é que eu não tenho nada de interessante, por isso que estou falando.

– Ah é, e o que você considera uma pessoa interessante?

– Eu não tenho um iphone, não sou popular, não sou a garota mais bonita da turma.

– Hum… entendi… você tem uma bela lista do que você não é, não é mesmo?

– É…

– E essas são coisas que você acha interessante? Ou que “fazem sucesso” com o pessoal?

– Ah, eu queria até me arrumar mais, mas não sei, não ligo muito para essas paradas de “a mais mais” da turma ou ter o aparelho super hiper mega da moda… eu gosto de livros, por exemplo…

– Hum… quer dizer se você conhecesse alguém na sua escola que gosta de livros acharia esta pessoa interessante?

– Sim… nossa… que estranho… parece que eu sou interessante então?

– (risos)

– Tem um menino que eu vi mais de uma vez lendo um livro no recreio

– Olhe que legal!

– Pois é… eu já vi ele e até quis ir falar com ele um dia, mas desbaratinei sabe?

– Sim, rebaratine então!

– Vou fazer!

Vivemos em um mundo de consumo. O principal produto em exposição nas prateleiras das lojas e nos sites de compras não são televisores, celulares, smartphones ou carros… são pessoas.

O tema já foi explorado por psicólogos, sociólogos, cientistas sociais e antropólogos e a transformação dos seres humanos em produtos é um tema que organiza a nossa sociedade, pense no sentido do serviço de “marketing pessoal”, por exemplo e entenderá que nossa identidade é um produto à venda. E como qualquer produto o seu teste último é se vende, se as pessoas “compram a ideia”.

É aí que, para o indivíduo, a coisa descamba. O que o “mercado” quer, muitas vezes pode ser algo que ele não considera importante, que não alimenta a sua alma e não o faz alegre, nem feliz e nem perceber um sentido para as suas ações ou vida. Assim sendo, o que fazer?

O ponto é aprender a focar no que queremos para nós, no que realmente nos faz felizes, no que dá sentido à nossa vida, no que traz alegria ao nosso coração. Aí podemos nos fazer uma pergunta simples: “se eu visse uma pessoa na rua com estas qualidades, eu a acharia interessante?”. A resposta quase sempre é um grande “sim”, pois é isso que eu considero de importante para mim. Agora se eu consideraria uma pessoa assim interessante, porque não me considerar interessante com as característica que tenho? Ao fazermos isso podemos começar a usar a nossa percepção para nos guiar em direção à relacionamentos que possuem este tipo de características, para pessoas, lugares e eventos que tem o que nos alimenta.

Ser interessante é importante, em primeiro lugar, para nós mesmos. É de dentro que o aval precisa vir, mas às vezes precisamos de um truque para escrevermos o aval, este é um deles. Aproveitem.

Abraço

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