Intensidade amedrontadora
04/07/2014

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  • Eu não sei porque ele fica falando isso para mim sabe? Me irrita!!

  • Sim, sei sim. Entendo a sua irritação e concordo com ela.

  • Pois é! Parece que quer ficar espinhando minhas coisas!! Me deixa!

  • Você sente um medo grande das tuas “minhas coisas” né?

  • Ai… você também?!

  • Eu o que?

  • Falando disso?

  • Bem, sou seu terapeuta não? Prefere falar da Copa?

  • Não… mas ai… não gosto disso…

  • Não gosta ou teme?

  • Você sabe…

  • Será que se você se permitisse tocar nisso, seria tão doloroso quanto você acha que é?

  • Não sei!

  • Sabe… quando tentamos controlar o medo ele fica maior porque temos que dar mais atenção à ele.

  • E daí?

  • Daí que muitas vezes fugimos de coisas que não são tão grandes assim…

  • Tenho medo sabe? Sei lá…. parece que é uma coisa maior que eu…

  • Mas está dentro de você, então não pode ser maior… vamos juntos?

  • Tá…

 

Stanley Keleman foi o autor que me chamou a atenção pela primeira vez para o fato de que a intensidade de uma emoção pode ser tão agressiva e amedrontadora quanto um assaltante violento.

Muitas pessoas possuem sentimentos muito fortes, tão fortes que a intensidade incomoda, amedronta e a pessoa prefere não sentir a emoção. As estratégias para “fugir da emoção” são várias: desde a racionalização, passando pela negação até uma crise psicossomática.

Quando a pessoa foge de suas emoções ela vai ter que, invariavelmente, criar um mecanismo de controle sobre ela. Este mecanismo é o grande problema. Quanto mais a pessoa precisa controlar a emoção, mais ela precisa focar na mesma. Quando se faz isso aumenta-se o foco na emoção, é como ver algo com uma lente de aumento.

As pesquisas mostram que quanto mais a pessoa tenta controlar pior fica a sensação de descontrole frente à emoção e este é o motivo pelo qual ela se torna agressiva: a pessoa sente que não consegue controlá-la e que ela, por isso, vai “assumir o controle” ou vai maltratar a pessoa. Assim sendo quanto mais controle, na verdade, menos controle. A expressão da emoção no sentido da catarse muitas vezes também não é uma alternativa interessante visto que muitas pesquisas também mostram que esta técnica possui um alcance limitado e, em geral, mantém o problema depois da descarga de energia.

Então, o que fazer?

É importante perceber que, em geral, a sensação que a pessoa teme não é apenas a da emoção, mas a do descontrole causado pela emoção. O primeiro ponto é ajudar a pessoa a perceber que determinadas reações são fortes, mas não são destrutivas, elas podem parecer “grandes demais”, mas “fazem parte”. Algumas vezes precisamos até mesmo treinar a pessoa em relação a como reagir sobre as reações fisiológicas causadas pelas emoções para que ela sinta-se mais “dona de si” quando essas sensações surgirem.

Em segundo lugar começamos a ajudar a pessoa a compreender melhor a emoção que ela mesmo sente, ou seja, a emoção intensa e amedrontadora. Com isso a pessoa pode compreender a mensagem que a emoção tem para passar para ela. Cada emoção nos envia uma mensagem sobre nosso momento, sobre uma determinada situação ou sobre algo que queremos fazer. Aprender a ouvir esta mensagem e organizar respostas adequadas para ela é um fator fundamental no sucesso com as emoções.

Estes dois passos simples ajudam muito para diminuir o medo em relação à intensidade emocional. Eles ajudam a pessoa a retirar um pouco a lente de aumento e a perceber a emoção de uma maneira mais útil, menos amedrontadora e com isso ela passa a fazer as pazes com sua própria intensidade emocional.

Abraço

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O Medo do Fracasso
24/06/2013

– Pois é Akim, mas eu tenho medo que dê errado!

– Hum… e me diga: o que acontece se der errado?

– Ah, vou ficar frustrado não é mesmo?

– Sim,  o que mais?

– Não gosto disso… me sinto como se eu fosse um incompetente!

– E o que você aprendeu sobre incompetentes?

– Que são umas pessoas idiotas… meu pai sempre falava: não seja incompetente!

– Entendi… agora me diga: se não der certo você vai realmente se tornar uma pessoa “idiota”?

– Eu não acho…

– Pois é… se algum amigo seu te contasse a mesma história, o que você diria sobre ele?

– Na verdade eu ia querer ajudar, não ia ficar com pena sabe? Mas ia pensar: pô, o cara foi atrás né? Tenho que ajudar porque o cara merece!

– Perfeito! Porque não se diz isso quando pensa no seu “fracasso”?

– Hum, parece mais leve pensar no fracasso desse jeito…

 

 

Em posts anteriores eu trabalhei com o conceito que uso ao trabalhar com o medo. O que é o medo? Todo medo é uma ilusão. Porque ilusão?

Este conceito se aplica quando vamos entender que o medo é sempre algo que fantasiamos em nossa mente, ou seja, a imagem que nos causa medo é sempre imaginada e nunca real. A reação de paralisia, fuga e colapso são aquelas que fazem com que a pessoa fique “refém do medo”; reações como curiosidade, motivação são aquelas que impulsionam  a pessoa contra o seu medo.

O que é fracasso? O fracasso pode ter vários significados para cada pessoa, em geral, se formos raciocinar ele se refere à não conclusão de algo que se havia planejado previamente. Planejei que iria ganhar o campeonato, não consegui, portanto fracassei. O fracasso deriva, também de uma ilusão, de uma fantasia que havíamos criado em nossas mentes que não se concretizou. A experiência humana toma isso como um fracasso quando, na verdade é simplesmente mais um resultado.

O problema no que venho acompanhando meus clientes é o que esse resultado implica para a pessoa. “Não ter ganho o campeonato”, por exemplo é sentido por muitos como “sou um perdedor”. Portanto a pessoa não teve apenas um resultado negativo no campeonato, ela tornou-se um perdedor. E ela não tem ideia de como lidar com isso, pois na concepção dela um perdedor é uma pessoa digna de pena, que não terá amigos e que está fadada à uma existência horrível. Assim o problema – em geral – não está no “fracasso” em si, ou seja, no resultado que foi alcançado, mas sim nas conseqüências que a  pessoa crê que este resultado terá e no que isso significa para ela.

Tenho trabalhado com um conceito simples que é muito usado por grandes empresários. Vários empresários que hoje são grandes quebraram várias vezes em suas vidas, ou seja, fracassaram, o que aconteceu com eles então? Eles começaram a repensar o negócio e fizeram um novo negócio melhorado. A experiência do fracasso serviu para eles apenas como experiência de vida. O raciocínio é de tornar um ponto da vida deles – o fracasso – em apenas um ponto e extrair dele todo aprendizado possível para o próximo passo. As pessoas que tem medo do fracasso geralmente reagem à ele de forma diferente: entendem que aquele ponto na vida delas define a vida dela e quem elas são, as pessoas que reagem bem ao fracasso não, pensam que o ponto é só um ponto e que elas podem evoluir a partir dele, por isso continuam.

O valor emprestado ao evento define-o, mesmo que socialmente ele tenha um valor pré existente. O que a pessoa irá fazer com o “fracasso” é o que vai definir o fracasso. Em resumo, todo o medo é uma ilusão e todo medo contém dentro de si uma incompetência e um julgamento. Julgamos o evento com base em nossa incompetência e por isso ele se torna tão terrível. Isso mesmo em relação ao medo da morte, a incompetência que temos que é a incompetência de toda uma geração é de como lidar com a morte, um soldado espartano não teria problema nenhum em morrer a forma pela qual ele encarava isso era que a morte era alcançar a glória, porque se importar com ela então? Uma vez que tratamos a incompetência da pessoa o julgamento modifica-se e com isso o afeto sentido pelo evento que causa o medo.

E você? Tem medo do que?

Abraço

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Ansiedade de confronto
12/06/2013

– Eu tenho medo de falar isso Akim…

– Eu sei, o que você acha que pode acontecer?

– Ah sei lá… tenho medo de que se eu falar a coisa desse jeito ela me largue.

– Pois bem, vamos considerar isso então: você está simplesmente dizendo que precisa de mais companheirismo na relação, não é isso?

– Sim, é isso.

– Isso é algo agressivo, inadequado ou é um pedido, uma solicitação de mudança de comportamento?

– É só um pedido.

– Ao qual ela pode dizer sim ou não, certo?

– Sim.

– Agora, se ela for mais além e disser algo do tipo: “Dane-se você e o seu desejo! Se não me quer assim vou-me embora, adeus”! O que você pode concluir disso?

– Hum… acho que posso concluir que não ia dar muito certo de um jeito ou de outro.

– Algo assim: ela simplesmente não quer nem ouvir a proposta, daí eu te pergunto: o que você está solicitando é algo inegociável para você?

– É.

– Então…

– Então não tem muito o que fazer não é mesmo?

– Você pode viver sem isso, ao preço da sua integridade e auto-estima, é uma escolha.

– Entendi. Então eu acho que é assim: tenho que falar e dizer de uma forma adulta isso, sem medo, como… como não… eu sei que eu preciso disso e ouvir o que ela tem a dizer e dependendo disso até mesmo definir se vale à pena continuarmos porque talvez as nossas percepções de relação sejam muito diferentes.

– Muito bom!

– Vou fazer isso sim… tenho que confiar no que eu quero para mim.

Confrontar é uma situação que sempre causa ansiedade. Alguns sabem usar esta ansiedade à seu favor, outros perdem-se nela.

Confrontar significa “pôr-se face à face”, ou seja, ficar à frente de algo que também está de frente para você. Este “algo” pode ser uma pessoa, uma situação, uma escolha ou algo interno como um sentimento ou decisão. Porque ficamos ansiosos com isso?

Um sociólogo cujo nome me esqueci disse certa vez que entrar em uma discussão de “forma verdadeira” significa ir para a discussão sem objetivos prévios à cumprir. Ele diz isso porque, na opinião dele, uma discussão não deve ter a função de declarar um vencedor, mas sim de elucidar pontos e chegar a entendimentos. A pessoa que se permite envolver pela discussão é aquela que poderá lucrar com ela sendo transformada por ela. Acho muito bela esta forma de pensar, no entanto, não saber para onde vamos é algo que pode causar ansiedade. Para fazer a relação com o nosso tema: nunca sabemos para onde um confronto vai nos levar, ao nos colocarmos “face à face” não sabemos como será o fim daquilo e o “pior”: estamos nos abrindo, nos expondo à algo. Não saber o desfecho e expôr-se são algumas das causas que mais nos deixam ansiosos em relação à confrontos.

Quando a preocupação da pessoa está focada em “não saber o que vai acontecer” estamos lidando com as fantasias, medos e incompetências da pessoa. Obviamente ninguém sabe o que vai acontecer, mas quem não sente medo disso é porque tem auto-confiança, saber ganhar e perder, sabe dialogar, tem uma boa auto-percepção e tem instrumentos para conseguir se defender, quem não tem ou acha que não tem transforma a ansiedade em grandes medos que a paralisam. Aqui também pode entrar a questão de identidade que é quando a pessoa não se percebe merecedora de ganhar a disputa ou acha que não pode “incomodar” os outros. Muitas pessoas que atendi sabiam se defender, mas não achavam que era permitido à elas fazerem isso; tinham a crença de que seriam pessoas ruins se o fizesse e, por isso, acabavam por se calar.

No caso da pessoa ter medo de se expôr temos que trabalhar o que torna este ato algo nocivo à ela. É muito comum  que as pessoas se exponham e depois “quebrem a cara” e acabem concluindo – erroneamente – que o ato de se expor foi o que a fez quebrar a cara. Este tipo de conclusão não aponta para o fator correto. Um exemplo clássico é quando a pessoa é “sincera”, muitas pessoas que tem esta característica falam o que pensam de qualquer forma e muitas vezes falam de forma inadequada e acabam sendo prejudicadas por isso. Concluem que ser sincero é o problema e não a falta de tato – que é, em muitos casos, o problema de fato. Assim sendo é importante checar quais as associações que a pessoa tem para com a exposição e verificar se estas associações são adequadas ao tema (expor opiniões, afeto, descontentamento ou desejos).

Quando trabalhamos nesse sentido começamos a poder controlar melhor as possíveis conseqüências de um confronto deixando a pessoa mais confiante e mais solta para expôr seus desejos, ideias e descontentamentos. A identidade de “merecedor”, alinhada com crenças de auto-confiança e comportamentos adequados geralmente deixam a ansiedade de confronto num “ponto ideal”. Sim, porque nunca sabemos o que vai ocorrer em um confronto e por isso ficamos ansiosos, o que é bom, repito: é bom! Bom porque a ansiedade assim gerada faz com que a pessoa fique atenta e mais esperta para o que vai ocorrer com ela e isso é importante para qualquer confronto.

Abraço

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Chegar ou caminhar?
24/04/2013

– Tenho estado muito ansioso com essa situação, quero que termine logo.

– Entendo, tem estado ansioso então é?

– Sim, muito.

– Como você faz para estar assim?

– Como assim?

– Você ainda não chego no fim da jornada, como faz para que fique com sua mente focada nela e não no que está ocorrendo aqui e agora?

– Hum… eu acho que fico toda hora pensando: termina logo, quando terminar vai estar assim, o tempo está correndo…

– Entendi, como seria se você se focasse aqui e agora, no que está ocorrendo e tentasse aproveitar o que ocorre?

– Não sei…

– Tente: narre para você mesmo, em um ritmo de voz mais baixo e mais lento o que está ocorrendo e pense sobre suas sensações do que está ocorrendo.

– Ok… hum isso dá uma desacelerada não dá?

– Deu para você?

– Sim

– Ótimo, como te parece o momento atual agora?

– Melhor que antes e eu estou menos ansioso “chegue logo” entende?

– Sim.

Todos queremos cruzar a linha de chegada – em primeiro lugar é claro. Mas, cruzar a linha de chegada é apenas uma ínfima parte do processo, é mais ou menos como morrer: é algo como uns 2, 5 segundos perante uma vida toda.

Ocorre que em nossa vida agitada e acelerada os resultados ficam em evidência, queremos sair de um para entrar em outro resultado prestando muita pouca atenção ao pedaço de tempo no qual mais vivemos: todo o período antes do resultado.

Aproveitar o momento não quer dizer fugir da busca pelo que se quer, mas sim viver o que se deseja atingir em cada etapa. É como se pudéssemos diluir o resultado final em minúsculas porções ao longo do tempo e fossemos vivendo cada etapa uma por vez.

Além disso curtir o que desejamos desta forma ajuda a diminuir a ansiedade quando as coisas “dão errado”, ou seja, quando temos que mudar o plano original para continuarmos na busca pela meta. Quando nossa mente fica travada no objetivo tudo temos pressa em tirar da frente o que está entre nós e nossa meta, mas quando podemos aproveitar cada momento é como se tudo o que está entre nós e nossa meta “fizesse parte”, mesmo os imprevistos.

Abraço

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Ansiedade
24/08/2012

– Aí eu fico muito ansiosa sabe?

– Sim, sim. Agora me conte: com o que você fica ansiosa?

– (pensativa) Eu não sei direito… acho que fico esperando uma resposta sabe?

– Sim, perfeito.

– É isso eu acho, fico pensando em quando vai vir a resposta e como ela não vem eu fico sem saber o que fazer.

– Isso mesmo, tá muito bom. Agora pense: que resposta seria adequada para essa situação?

– Hum… bem, eu acho que eu poderia dar uma resposta eu mesma, ou então, esquecer a situação até que venha a resposta porque eu não vou poder fazer nada mesmo, então não adianta ficar pensando.

– Muito bom, você que conhece bem o seu dia-a-dia e você mesma: essas respostas parecem que vão te ajudar? Você vai conseguir colocá-las em prática?

– Sim para as duas perguntas… vai dar certo sim até porque quando eu consigo não ficar ansiosa é isso que eu faço, agora tenho que fazer isso sempre nessa situação.

– Muito bom!

Ansiedade é uma emoção que tem a ver com algo que não sabemos fazer em uma determinada situação a qual vamos enfrentar. Geralmente a pessoa ansiosa tenta se afastar das situações que causam ansiedade ou busca minimizar os sintomas físicos. Embora essas respostas “ajudem”, elas não resolvem o problema.

A questão fundamental da ansiedade é aprender uma forma de reagir à situação de maneira adequada. Uma vez que a pessoa aprenda isso a ansiedade se desfaz. Juntamente com isso a pessoa pode buscar respirar mais devagar, prestar atenção ao ambiente e relaxar como forma de minimizar os sintomas físicos, mas a resolução da ansiedade só vem – de fato – pela aprendizagem.

Da próxima vez que estiver ansioso, pare e respire, buscando diminuir o ritmo dos pensamentos e da respiração. Sente-se confortavelmente numa cadeira. Assuma uma atitude de quem já teve problemas no passado e os resolveu e então pergunte-se: o que devo fazer nessa situação? Se a resposta não vier, vá atrás: busque amigos, livros, filmes, terapeuta, qualquer pessoa ou instrumento que te ajude a dar uma resposta para a sua pergunta.

Abraço

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Me sinto mal lá…
06/07/2012

– E toda a vez que eu chego lá começo a ficar meio que passando mal sabe? Fico ansioso e acho que vou passar mal.

– Entendo, me parece ser um lugar problemático hein?

– E é Akim.

– O que acontece nesse lugar que é  tão ruim assim?

– Ah é o povo que não para de tagarelar, são falsos pra caramba, vai me dando tipo uma claustrofobia de ficar lá dentro.

– Sim, imagino. E como você lida com essas pessoas falsas e tagarelantes?

– Ah, sei lá. Fico pedindo pelo amor de Deus para pararem de falar.

– Pedindo para eles?

– Não, não. Tipo, pedindo dentro de mim sabe?

– Sei sei. Então você não tem uma reação direta sobre isso?

– Não, às vezes eu explodo e daí o pessoal fica uns dias mais sossegado, mas depois volta tudo.

– Perfeito, quando você coloca limite eles respondem e depois você para de colocar o limite e eles voltam é isso?

– Hum, nunca tinha pensado dessa forma, mas é isso sim.

– Como seria manter os limites?

– Como assim?

– Bem, ao invés de explodir ocasionalmente, dar vários limites em várias situações todos os dias.

– Nem sei como seria… nunca fiz isso. Não gosto muito de afrontar sabe?

– Sei, e imagino que esse vai ser o começo do seu processo.

– Ai ai, vamos lá então né?

– Vamos.

 

“Lugares” que nos deixam ansiosos sempre possuem algo neles que não sabemos como lidar. Neste caso, por exemplo, não era nem o lugar, mas o clima gerado pelos colegas de trabalho. Esse clima era algo que o cliente não sabia como lidar, em outras palavras: algo o incomodava (tagarelas, falsos0) e a resposta que ele dava (pedir dentro de mim que aquilo parasse) não resolvia o problema.

O problema é quando focamos nos sintomas que percebemos em nós: agitação, ansiedade, tristeza; sem fazer a relação destes sintomas com o que causa eles e com a resposta que estamos dando para resolver isso. É como estar com fome (causa) e fazer exercícios para resolver o sintoma (resposta) o que não resolve e ainda causa mais fome, cansaço, tonteiras (sintomas) e ficar prestando atenção apenas para estes últimos, sem buscar uma outra solução para a fome.

Quando não buscamos novas soluções começamos a sentir um certo desespero, sensação de incapacidade que pode minar nossa auto-estima. Entramos num ciclo vicioso em que temos cada vez menos respostas e portanto, menos resultados o que alimenta a noção de não tentar fazer algo novo e aí por diante. Quando estamos nesse ciclo sentindo constantemente medo, incapacidade de lidar com o dia a dia, começamos a sentir um pavor, pânico de pensar em nos expôr nas mesmas situações novamente.

A mudança começa quando começamos a melhorar a auto-estima e o sentimento de capacidade, começando a criar auto-confiança e nos permitindo ter novas respostas frente as situações que nos incomodam. A partir disso novos resultados começam a aparecer e o medo diminui, some com o tempo.

Abraço

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