Perdendo o controle
09/07/2014

redbullstratos

  • Eu estou me cansando já daquele rapaz!

  • Ah é, porque?

  • Oras… eu faço um monte de coisas e ele continua insistindo nesse jeito babaca de ser.

  • Entendo… o que você sente com isso?

  • Me sinto uma otária.

  • E como você lida com esta emoção?

  • Bem… em geral eu ficava meio raivosa e daí continuava querendo fazer ele entrar na minha entende?

  • Claro e agora?

  • Agora… eu tenho percebido que é importante para mim ter a companhia de pessoas… mas que eu posso escolher melhor com quem ter esta companhia.

  • Entendo e concordo! Deixa ele um pouco pra lá então?

  • Deixa!

  • Como você se sente ao fazer isso?

  • Muito mais leve e estranhamente mais “dona de mim” sabe?

  • Ô!

 

A necessidade de controlar está em geral associada ao medo. Faço uma distinção arbitrária entre controlar e administrar quando  trabalho com as pessoas para focar duas sensações internas distintas.

A primeira, o controle, está relacionada ao medo de se entregar, me de que as “coisas deem errado”, vontade de que tudo saia do meu jeito – porque se não sair eu não sei o que fazer e tenho medo disso. A rigidez é muito presente, a atenção enorme aos detalhes, a insatisfação constante com qualquer elemento que esteja “saindo do planejado”, a sensação – consciente ou não – de insegurança e a tensão física e emocional.

Controlar significa criar as regras fazer os outros jogarem de acordo com elas. Isso é importante numa linha de produção, por exemplo, porém em uma relação torna-se algo complicado e que destrói os laços. Para que uma pessoa precisa “criar as regras’? Porque não compreende direito as regras que existem, porque teme as pessoas, porque não se sente segura sobre a sua evolução pessoal. Todos estes relatos são o que ouço em consultório quando as pessoas começam a questionar a sua necessidade de controlar.

O problema é que o controle é uma estratégia que à longo prazo é muito custosa de ser mantida e pouco eficaz. Para que a pessoa tenha um controle pleno da situação ela precisa ser dona da situação e esse é o problema. Num casamento o exemplo clássico é o marido inseguro que para controlar a esposa utiliza a questão financeira sendo o provedor da casa. Ora, manter esta estrutura num período de dois anos é uma coisa, manter isso durante 50 anos é outra, ainda mais nos dias de hoje.

Outro exemplo é na relação entre pais e filhos onde um ou ambos os pais precisam que os filhos sejam subalternos e dependentes para que eles sintam-se seguros. Manter este controle além de deteriorar a vida pessoal dos filhos é extremamente custoso no sentido de que os pais envolvem-se em destruir continuamente a livre expressão dos filhos assim como sua capacidade de autonomia. Entretanto, este é o preço do controle, pois para controlar é necessário que tudo fique sempre da mesma maneira, que as regras sejam seguidas sempre não importa o que aconteça.

E esse é o ponto onde controlar torna-se complicado: numa linha de produção, por exemplo, tudo irá sair sempre do mesmo jeito, esta é a natureza daquela atividade. Uma relação, um trabalho e a vida de uma maneira geral não funciona assim, ela está em permanente mutação e evolução. Aquilo que servia antes, não serve mais. Em um exemplo da economia: o Brasil quando saiu da inflação para o plano real teve muitas empresas que faliram porque as regras do jogo mudaram completamente. Elas eram organizadas para lucrar com a inflação, quando a estabilidade veio não conseguiram se estabilizar junto e então faliram.

Refletir sobre isso é aprender a sair do controle. A vida muda, as regras mudam, as situações e pessoas evoluem, assim, como vou, neste novo cenário conseguir aquilo que é importante para mim?

É neste tipo de raciocínio que meus clientes controladores começam a perceber que não precisam controlar o mundo, mas sim administrar as suas necessidades pessoais. O primeiro passo é perceber a ineficiência do controle, além de seu alto custo e da sua inadequação à vida; o segundo passo consiste em perceber quais as suas reais necessidades pessoais e o terceiro em como garantir para você, com as suas atitudes estas necessidades.

A passagem é de controlar o mundo para administrar as suas próprias reações, o seu próprio desejo e as suas necessidades pessoais. Ao assumir a responsabilidade pelo que se deseja a pessoa começa a ser mais competente porque verifica em si e para si o que fazer para conseguir sentir-se bem, daí a necessidade de controlar o mundo diminui e ela fica mais atenta à si. Administrar torna-se algo flexível porque acompanha o processo vital da pessoa e as mudanças em sua percepção de mundo e de si mesma, foca sempre a pessoa e o que ela pode fazer para conseguir aquilo que deseja, não cria regras para os outros, mas sim para a pessoa seguir. A atenção aos detalhes diminui e fica restrita aos que são realmente importantes, as “falhas” passam a ser encaradas como aprendizados e a pessoa torna-se mais leve com isso.

Um outra mudança importante é a relação da pessoa com a sensação de insegurança. No controle esta sensação é tida como inimiga, quando se administra a própria vida ela se torna aliada. Porque? Pelo fato de que a insegurança faz parte de qualquer pessoa de bom senso: visto que o futuro é sempre imprevisível, não se pode ter certeza absoluta de nada, assim sendo um nível mínimo de insegurança faz parte quando nos lançamos em nossos projetos pessoais. Ela, inclusive, ajuda a pessoa a ficar atenta ao que está fazendo e a perceber se os resultados que deseja estão vindo ou não. A insegurança torna-se parte do processo de criar segurança, num continuum insegurança – aprendizado – segurança.

E você o que prefere: manter a ilusão de que você pode controlar um mundo que não é controlável ou aprender a buscar para si a sua paz de espírito?

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

Assumir o sucesso
20/01/2014

-Pois Akim, finalmente as coisas estão acontecendo.

– Sim, é bom quando elas começam a se acontecer. Fico feliz por você!

– Estou numa maré de sorte!

– Sorte é?

– É né? As coisas acontecendo desse jeito!

– Bem, é sempre importante ter sorte, mas será que você não fez nada?!

– Ah, não sei…

– Bem, deixe te lembrar: em primeiro lugar passou a dar limites no seu trabalho, não foi?

– Foi.

– Depois redefiniu o que queria do trabalho e começou a se dedicar ao invés de ficar procrastinando e se sabotando

– É verdade…

– Depois disso, na área afetiva, finalmente se colocou de verdade mostrando e exigindo aquilo que julga importante.

– É…

– E me diz que não fez nada?!

– Pois é né?

– Acho que está mais do que na hora de você assumir isso para você!!

 

Martin Seligman, em seu livro “Otimismo aprendido” fala sobre a estrutura do pessimismo e do otimismo. Uma das características das pessoas pessimistas é que elas associam as coisas boas que acontecem na vida dela à terceiros ou à sorte e nunca à elas e seus esforços.

Sempre que a pessoa coloca o seu sucesso nas mãos do acaso, da sorte ou de terceiros ela está desprezando suas competências, está denegrindo a sua auto confiança. Assim sendo, obviamente, ela sente-se sempre com medo do sucesso, pois este pode ir embora logo, como diz o ditado: “vem fácil, vai fácil”.

É importante aprender a comemorar as escolhas que nos guiaram à bons resultados. Junto com isso aprender a assumir o que se fez e assumir o sucesso decorrente disso. Esta atitude é a que dá origem à sensação de auto confiança e segurança pessoal. É a percepção de que temos capacidade de atuar no mundo e ter os resultados que desejamos ter o que nos impulsiona a crer em nossas competências e na nossa atitude de assumi-las e não o contrário.

Sempre trabalho com meus clientes este importante tema. Faz parte de terapia perceber o que dá certo e como fazemos o que dá certo. Perceber isso e aprender a sentir confiança nisso fazem parte da construção de uma boa auto-estima.

Abraço

Visite nosso site:www.akimneto.com.br

%d blogueiros gostam disto: