Não basta emagrecer
06/07/2015

Não basta emagrecer

  • Mas Akim… é muito difícil.

  • O que é difícil?

  • Ai… resistir sabe? Tipo, olhar aquele docinho e não comer? É muito sacrifício!

  • Entendo… mas discordo.

  • Porque? Não acha sacrifício?

  • Depende de como você olha… o que está sendo sacrificado, de fato?

  • Como assim?

  • Se você não come está adiando o momento de sentir o sabor daquele doce, que é tudo o que ele tem à oferecer não é?

  • Sim.

  • Se você come está adiando o momento de olhar para a balança e ver o seu peso certo. O momento em que você vai estar com o diabetes sob controle, o momento de vestir aquelas roupas que você me disse que quer, de sentir orgulho do seu corpo e do seu atuo domínio… o que você está, realmente sacrificando?

  • Hum… olhando desse jeito…

 

Perder peso é um tema constante na vida de milhões de pessoas. Um dos grandes problemas à respeito da perda de peso é que o mais comum naquelas pessoas que perdem peso é que elas “ganham” o peso novamente. Este “iô-iô diet” frustra e cansa muitas pessoas que terminam por desistir ou nem mais começar uma nova dieta. No entanto, este efeito é apenas reflexo de uma cultura da dieta que mostra marcas acentuadas de fracasso a cada dia que passa e o pior? Continua forte como nunca.

O título deste post afirma o problema com as dietas. O grande foco da indústria da dieta é na perda de peso, no entanto, este é o pior foco possível para lidar com o problema. Porque? Porque está lidando justamente com o resultado do problema e não com a causa. Mas a causa não é que a pessoa come mais calorias do que gasta? Não. A causa é o que motiva ela e ter este tipo de comportamento e a validar este comportamento como adequado para ela.

Estudos nos mostram que as pessoas “naturalmente magras” não fazem esforço para não comer demais, por exemplo, elas desenvolvem uma sensibilidade à satisfação e ligam esta sensação ao momento de interromper a alimentação. Em outra palavras, elas não se forçam a comer mais do que precisam apenas pelo gosto da comida. Esta é, inclusive, outro tema interessante que mostra que essas pessoas tendem a degustar mais a comida do que os gordinhos. Elas apreciam mais o paladar da comida saciando, assim o seu gosto pelo sabor dos alimentos.

Pessoas naturalmente magras também olham para o futuro e imaginam-se com o mesmo peso. O peso que elas tem está, de certa forma, associado à identidade delas, assim a ideia de sair do peso causa uma sensação de estranheza para elas. Também tem relações muito fortes entre o peso e o estilo de vida. Assim sendo pessoas naturalmente magras tendem a ver o peso não como uma causa ou um problema, mas sim como a consequência de um estilo de vida, algo que lhes dizem sobre quem são.

Este é o foco que não é abordado pela indústria da dieta. Emagrecer não basta porque emagrecer não é saudável. Sim, é isso mesmo, deixe-me repetir: emagrecer não é saudável. A perda de peso é algo que nos diz que estamos doentes ou com falta de comida. O emagrecimento força o organismo a funcionar num ritmo que não é o seu ritmo natural. Infelizmente, quando a pessoa está obesa ela precisa deste recurso drástico para tentar voltar à um funcionamento saudável, afinal de contas o sobrepeso também não é um ritmo adequado para o nosso organismo.

Assim o foco não deve ser em emagrecer, mas sim em encontrar um ritmo que lhe ofereça o seu “peso ideal” e o mantenha nele. Pessoas naturalmente magras, tem a capacidade de comerem o que quiserem, não fazem restrições alimentares afim de manter o peso. Elas apenas sentem a comida e quando comem algo com mais calorias ou comem um pouco menos, ou equilibram a quantidade de calorias ingeridas ao longo do dia. Por exemplo, nada impede de ir à um rodízio de pizza se ao longo do dia e no dia seguinte você ter uma alimentação bem leve e com poucas calorias.

Este “ritmo” que oferece o peso ideal tem a ver com a saúde do corpo e da mente. Assim sendo, o peso nada mais é do que um reflexo de como você tem vivido a sua vida (isso, eu, como ex gordinho, posso garantir). Quanto mais a pessoa foca em ter uma vida como um todo saudável, mais fácil é para ela ter o peso ideal. Porque? Porque ela não fica focada num número da balança ou da calça, mas sim em ter todo um conjunto de atividades e experiências que deixam a própria vida mais saudável. Daí o peso começa a se tornar algo “lógico” certo começa a se tornar algo lógico.

Assim o convite que faço ao leitor é que reflita não apenas no peso, mas em sua vida como um todo em relação ao estilo de vida que leva em todas as esferas. Um dos passos que trabalho com meus clientes é que nunca lutem contra o peso, mas sim desejem ele. Desta maneira o peso ideal se torna algo natural, algo da identidade da pessoa e os caminhos que o fazem chegar nele não são “lutas” ou “sacrifícios”, mas sim atitudes de saúde, satisfação e orgulho, marcas registradas de quem atinge seu peso ideal.

Abraço

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Psicossomática
09/09/2013

– Tenho algo muito bacana pra te contar que eu percebi estes dias.
– O que foi?
– Este ano eu não peguei nenhuma gripe!
– Opa, que bom! Era comum você pegar?
– Sim, todo ano eu tinha no mínimo do mínimo umas duas. E ficava de cama uns dois dias sempre.
– Olhe só que evolução!
– Pois é! E sabe, acho que tem tudo a ver com eu estar bem este ano.
– Ah é?
– Sim, porque eu me sinto mais forte sabe? Então, não sei se tem a ver, mas acabou que eu não peguei gripe nenhuma.
– Creio que alguma coisa tem a ver sim, você começou a praticar exercícios também não é?
– Sim!
– E a alimentação?
– Melhorei também, na verdade foi uma das primeiras coisas que eu senti o efeito da terapia: me cuidar, principalmente da comida.
– Perfeito!

A mente pode causar doenças?

Esta pergunta aparentemente simples envolve uma discussão enorme para a qual a ciência – nem a medicina, nem a psicologia – ainda não possui uma resposta definitiva.
Ocorre que o tema vai além da mera resposta: sim ou não. Existe no meio disso um “como” o processo ocorre. Aí o problema torna-se mais complexo ainda porque envolve uma questão filosófica sobre: o que de fato é a mente? (ela existe? ela é o nosso cérebro? ela reside na alma?) Ainda não temos uma resposta para esta pergunta, apenas várias e várias conjecturas sobre a natureza da mente e as possíveis relações dela com o corpo – e aqui até cabe a pergunta: a mente é, de fato, separada do corpo? Existem estas duas “coisas” uma chamada corpo e a outra mente ou tudo é uma coisa só?

Uma das formas de responder – de uma forma rápida para não me delongar num assunto que daria vários livros – a pergunta é afirmar que tanto mente como corpo existem e que o fenômeno que chamamos de “mente” tem uma relação estreita com os processos que ocorrem no cérebro – talvez até o que chamamos de mente seja um “subproduto” desta atividade cerebral. Uma vez que adotamos esta ideia podemos pensar em como a mente influencia a saúde de qualquer pessoa – para o bem ou para o mal.
Tomando esta ideia como base – uma vez que existem outras teorias – podemos pensar da seguinte forma: o sistema imunológico – responsável pela defesa e equilíbrio do organismo em relação à doenças – seria, de alguma forma influenciado pela atividade da mente – nossos pensamentos, emoções, crenças, relacionamentos e comportamento. A relação não é direta, mas sim indireta – a mente não teria uma atividade direta com o sistema imunológico – da seguinte forma: sabe-se que pensamentos e estados emocionais interferem em processos biológicos como batimento cardíaco, sudorese e estresse. Os sistemas envolvidos nestes processos (sistema nervoso autônomo e sistema endócrino) são mais diretamente afetados pelos nossos pensamentos e emoções e estes sistemas estão diretamente envolvidos com o sistema imunológico. Assim: nossas emoções, pensamentos e comportamentos afetariam o sistema nervoso autônomo e o sistema endócrino de maneira direta e esta influência afetaria o sistema imunológico, afetando, assim, a nossa disposição para doenças ou saúde.

Uma metáfora que se emprega para pensar o sistema imunológico é da identidade. Esta metáfora se dá porque a atividade deste sistema embora se pareça com a de um exército – defesa do organismo – se dá espelhando o que é conhecido e o que não é conhecido dentro do organismo. Em outras palavras o sistema de “defesa” só ataca aquilo que ele não reconhece como sendo do organismo, como se as células dissessem: “isso não sou eu”, portanto devo atacar.
Assim sendo a questão do autoconhecimento poderia afetar a forma pela qual o sistema imunológico identifica o que é “eu” e o que não é “eu” através dos mecanismos acima citados. Este processo pode afetar a nossa saúde: resistência à doenças, recuperação de doenças, aumento da saúde, produção de células sanguíneas e outros. Reconhecer os sinais do corpo nos ajuda a aumentar o auto-conhecimento relacionado à nossa biologia, para que você entenda: muitas vezes já tive que mostrar para clientes que o “calorão” que ele sentia era apenas porque a respiração aumentou, que era algo normal e bom, esta pessoa pode incorporar o “calorão” no seu repertório de “eu” e agora, não mais ficaria atenta ou desconfiada do seu calorão. Antes ela via o “calorão” como algo ruim e nocivo, quando, na verdade, era somente uma resposta muito saudável do seu organismo.

Aumentar o auto-conhecimento faria com que a pessoa organizasse melhor a sua auto-imagem com relação à processos naturais do organismo que mantém o seu equilíbrio e a deixaria atenta para o que afeta este equilíbrio para melhor – gerando mais saúde – ou para pior – debilitando o organismo. Desta forma a “mente” poderia interferir tanto biologicamente – afetando produção de células sanguíneas e de defesa, produção de hormônios e outros processos – como comportamentalmente deixando a pessoa mais envolvida com atitudes que melhorem a sua saúde: pratica de exercícios, melhoria na alimentação, relaxamento muscular, melhor escolha de relacionamentos e outros. E este é o viés que emprego na clínica para compreender e orientar as pessoas em relação à como sua saúde emocional influencia sua saúde biológica, como o cliente do exemplo acima demonstrou a relação que desenvolvemos com nós mesmos pode afetar a nossa saúde física e creio que a forma acima citada é um bom começo de conversa para sabermos “como” isto ocorre.
Por fim gostaria de dizer aqui que todo o exposto é apenas mais uma ideia e não se trata de uma comprovação científica, afinal de contas não temos ainda um completo conhecimento do sistema imunológico e nem mesmo do que entendemos por “mente” e suas relações com o “corpo”. No entanto, é uma hipótese muito comentada no meio científico e tem feito sentido para muitos pesquisadores. Também quero deixar claro que o aspecto mental não é o único, existem aspectos genéticos e puramente biológicos nesta questão: um vírus continuará sendo um vírus. A psicossomática como o próprio nome diz envolve aspectos biológicos, emocionais, psíquicos, comportamentais e ambientais o que não nos permite cair em reducionismos. Portanto, alerto ao leitor: trate de sua saúde emocional, mas não a tenha como o único meio de obter saúde física, consulte sempre um médico quando tiver um problema de saúde, a mente pode afetar a nossa saúde, porém o biológico também tem o mesmo efeito e precisamos tratar com sabedoria os dois lados da equação.

Abraço
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