Permissão e culpa
05/06/2015

sentimento-de-culpa

 

 

  • Não estou me sentindo muito bem.

  • O que acontece?

  • Neste final de semana sabe?… eu fui… eu resolvi sair!

  • Opa, coisa boa.

  • Eu sai mesmo sabendo que meus pais não aprovam.

  • Entendo. E o que você acha disso, de sair?

  • Para mim é normal… eu acho saudável!

  • Sim, qual o problema então.

  • Este: os meus pais não aprovam. E eu me sinto culpado.

  • Sente-se culpado por que eles não aprovam?

  • Sim.

  • A aprovação tem que vir deles ou de você?

  • Teria que ser de mim né?

  • Sente medo de ser retaliado por isso?

  • Sinto.

 

 

A culpa é um sentimento muito difundido na nossa cultura. Pode-se dizer que desde que nascemos estamos envolvidos nela quando se pensa na questão do pecado original.

Um dos grandes problemas da culpa é quando ela se torna um elemento impagável e indiscriminado. Para refletir melhor sobre isso, vamos compreender o que é a culpa. Ao contrário do que se pensa ela não é necessariamente ruim. A culpa é uma emoção que não diz que o nosso comportamento está violando o nosso sistema de crenças e valores morais. Ou seja, sentimos culpa quando achamos que estamos infringindo nossas próprias regras pessoais e/ou aquelas que decidimos seguir.

Desta maneira, quando sente-se culpa a ideia é refletir sobre o que se fez e sobre como se pode fazer diferente no futuro. Remediar um determinado erro, solicitar desculpas à alguém caso isso seja necessários e comprometer-se com a mudança. Outras vezes a culpa é um sentimento que pode levar à reflexão de que o código moral está por demais rígido e a pessoa pode desejar mudar a maneira pela qual pensa sobre a vida.

No entanto, nem sempre a sensação de culpa vem de maneira clara. Muitas vezes as pessoas sentem culpa e não sabem direito o que fizeram para estar sentindo-se assim. Se não sabem o que fizeram e nem qual regra quebraram fica muito difícil de saber como remediar ou como comportar-se de maneira diferente. Existe outro caso também em que a culpa está associada à pessoa, ou seja, ela é culpada pelo fato de que ela fez algo. O problema é diretamente com ela.

Estes casos impedem a pessoa de permitir-se seguir adiante, de ter novas iniciativas e de ser feliz. Muitas vezes são “pseudo-culpas”, ou seja, culpa que aprendemos a sentir como comportamento condicionado. Aprende-se a sentir culpa como um mecanismo de defesa em situações, por exemplo, em que as iniciativas da pessoa são sempre castigadas. Neste contexto a pessoa passa a sentir culpa em desejar como uma forma de se proteger deste desejo que será punido mais tarde. Isso não quer dizer que ela acha que ter iniciativas é algo errado, mas que aprendeu a sentir assim. Encontramos esta referência no seguinte discurso das pessoas: “com os outros é diferente, eu acho bom que as pessoas façam isso. Mas quando é comigo me sinto mal de fazer isso e acho que faço algo errado.”

Nesta situação mesmo quando as pessoas que a “ensinaram” sentir esta culpa já morreram ela continua organizando isso buscando no ambiente indícios de que está sendo punida. A solidão, um problema financeiro ou até mesmo uma simples ansiedade que ela sente antes de fazer algo que deseja pode ser entendido como uma forma de punição. Ela não se sente à vontade para realizar aquilo que deseja e começa a assumir a identidade de servidor, enquanto está servindo sente-se sob controle, quando começa a ter desejos próprios passa a sentir ansiedade.

Espero que isso possa ajudar você a refletir se a culpa que sente é algo vindo de você mesmo ou se está apenas reproduzindo aprendizados que não são úteis à você. Liberte-se!

Abraço

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Bloqueios
06/09/2013

– Mas é difícil isso para mim.

– Você quer dizer que é difícil para você dizer que é bom em algo que é bom?

– Sim, parece estranho, mas é isso sim.

– Ok, sem problemas. me diga: o que aconteceria se você conseguisse fazer isso?

– (pensativo) Acho que eu iria ter muitas brigas.

– Ah é? Com quem e por qual razão?

– Acho que com minha família principalmente, agora porque eu não sei dizer ao certo… parece que… é como se eu fosse traí-los.

– E como uma competência pode ser uma traição?

– Não sei… acho que porque se eu acreditasse mesmo eu teria ido morar em outra cidade para estudar melhor o assunto sabe?

– Hum… então você está traindo ou saindo de perto?

– Para a minha família dá no mesmo.

– Entendo, e se você pudesse ir para outra cidade sem problemas com eles, será que você continuaria escondendo esta qualidade de você?

– Acho que não… na verdade, não mesmo!

 

Muita pessoas dizem: tenho um bloqueio nesta ou naquela área, mas o que isso significa e o que fazer com isso?

 

Um ponto para começar é diferenciar três frases: “não consigo”, “não posso” e “não quero”.

“Não consigo” é algo que usamos para nos referirmos à falta de competência. Quando a pessoa diz “não consigo” ela está querendo mostrar que ela não sabe como fazer alguma coisa, que a competência dela, naquela área é restrita e que, por isso, ela não consegue. É algo como “não consigo nadar”, “não consigo dar limites”.

“Não posso” é algo a ver com permissão. A pessoa, por algum motivo não tem a permissão para executar algo, para aprender algo, para pensar ou sentir algum pensamento ou emoção. Neste caso estamos focando nos valores e crenças, na censura e na permissão que a pessoa tem é um tema que envolve a flexibilidade moral da pessoa.

“Não quero” tem a ver com o desejo. Portanto, se a pessoa diz não quero ela não possui um bloqueio, ela está apenas fazendo uma escolha. Aí trabalhamos com a aceitação e validação do desejo de não fazer algo, diferenciando “não querer” de ter um bloqueio.

 

Obviamente “não consigo” e “não posso” podem estar correlacionados, por exemplo: “não consigo falar sobre o que não sei porque acho que isso não é certo”; ou seja, a pessoa não consegue, não tem a competência e considera esta falta de competência algo ético – mesmo que ela soubesse não o faria. Um outro exemplo é o do cliente acima: “ele tem boas capacidades intelectuais e gostaria de trabalhar muito mais com elas fazendo um mestrado em outra cidade, porém ele não se permite, pois ao fazer isso entraria em conflito com sua família; neste caso temos uma pessoa que consegue realizar algo, mas não se permite.

Distinguir estas duas frases é importante para que compreendamos com mais precisão aonde está o “bloqueio” da pessoa: em ter competência, em uma questão moral ou numa relação entre as duas. Assim podemos definir “bloqueio” como “algo que nos impede de fazer ou perceber outra coisa”, esta “outra coisa” pode ser consciente ou não assim como o “algo que nos impede”. Definindo se o problema é “não consigo” ou “não posso” ou uma mistura entre os dois conseguimos saber o que fazer com o tal “bloqueio”.

 

Ocorre que se o problema for “não consigo” teremos que trabalhar com a competência da pessoa, ajudá-la a desenvolver recursos, comportamentos, atitudes mentais para conseguir executar algo. Aqui vale lembrar sempre das metas, das razões pelas quais a pessoas deseja conseguir e o que “conseguir” aquilo significa para a pessoa.

Se a questão for “não posso” teremos que ajudar a pessoa a se permitir realizar o que quer. Teremos que trabalhar com seus valores, crenças e ajudar a flexibilizar suas perspectivas para que ela tenha uma permissão interna de realizar o que deseja. Aqui trabalhamos também com conflitos familiares e competências interpessoais que muitas vezes são a verdadeira causa do “não posso”: dizer não para pais, dar limites em amigos ou conjugues e até mesmo em filhos faz parte de aprender a lidar com o “não posso”. Outras vezes estamos falando simplesmente de uma flexibilização moral: tem pessoas que se sobram em demasia nos campos éticos da vida e acabam assumindo responsabilidades que não são suas.

Outras vezes trabalhamos com os dois lados ajudando a pessoa a permitir-se e a saber como se faz alguma coisa. Parece óbvio que por não se permitir a pessoa não saiba como se faz, uma vez que nunca fez antes. Assim sendo o processo torna-se mais comprido e – ao mesmo tempo – mais enriquecedor – porque a pessoa aprende duas coisa de uma só vez.

 

E você: não pode ou não consegue? Liberte-se!

 

Abraço

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