Planejo e não faço…
03/08/2015

Planejo e não faço

 

  • Então Akim… não fiz ainda…

  • O que você ainda não fez do seu plano?

  • Nada.

  • Hum… o que aconteceu?

  • Na hora olhei para aquilo e pensei… ah, não deve ser pra mim isso.

  • Ah é? E o que, em você, não te permite “ser para isso”?

  • Não sei… eu me senti envergonhado de querer essa promoção.

  • Qual o motivo para vergonha de querer isso?

  • Não sei… é tipo: “vocêeeee quer isso?”

  • Sim, entendi… parece que você está se dando um limite: promoções não são para você. Perfeito, porém o que te coloca do lado de lá do círculo dos que merecem uma promoção?

  • Me vem a voz do meu pai na cabeça me dizendo que eu não sou bom o suficiente.

 

 

Em geral tenho observado alguns comportamentos comuns em pessoas que planejam mas não executam seus planejamentos. Um deles é uma motivação inadequada que não mexe com a vontade da pessoa em executar suas tarefas, outra é uma incapacidade de perceber uma relação causal entre o comportamento dela e a concretização dos planos e uma última é a percepção do futuro desejado como algo irreal.

A motivação inadequada surge quando a pessoa não encaixa o plano que criou no seu estilo motivacional. Cada um de nós tem uma maneira própria de evocar a motivação para executar planos e desejos, no entanto, muitas vezes os objetivos são de uma natureza contrária a da motivação. Para dar um exemplo, o estilo motivacional da pessoa pode ser de afastamento de coisas ruins, ou seja, ela se motiva à ação quando precisa afastar-se da possibilidade de algo nocivo à ela.

Desta forma, pode trabalhar para não ficar sem água ou luz em casa. Pode cuidar da saúde após ter uma doença, ou seja cuida da saúde não para adquirir mais saúde e sim para evitar uma doença. Quando em estilo como este se depara com um objetivo que vá exigir o seu esforço em prol de algo que vai lhe trazer algo bom, mas não causará dano é comum que a pessoa emperre. Por exemplo, não é um estilo motivacional bom para pensar em algo como conseguir uma promoção. Porque? Porque a promoção envolve buscar algo positivo que é o contrário. Adequar o estilo motivacional, numa situação como esse seria algo como: “se eu não conseguir esta promoção posso perder a chance de subir na empresa e eu não quero ficar o resto da vida neste cargo, isso seria horrível”. “Conseguir a promoção” se torna “não ficar mais neste cargo horrível o resto da vida” e, com este discurso a pessoa consegue motivar-se. Obviamente o estilo motivacional não é fixo e pode ser aprendido também.

A incapacidade de perceber uma ligação entre o comportamento e as consequências dele é algo que tem se tornado cada vez mais comum. Parece simples compreender que quando tenho um comportamento ele terá uma consequência e essa é o que me interessa. Porém, por diversos fatores as pessoas não fazem esta ligação e, então, a ideia de comportar-se para atingir um determinado objetivo parece insossa, afinal de contas “para que me mexer se não sei se isso terá algum efeito?”. Este último é o discurso padrão quando a pessoa não tem a relação bem estabelecida.

É muito comum que pessoas com este comportamento sejam colecionadores de fracassos e arrependimentos. O que é importante fazer neste caso é ligar a ação que elas tiveram no passado com os resultados que obtiveram. Este exercício pode ajudar a pessoa a estabelecer uma ligação e, a partir disso já ter delineado o tipo de comportamento que elas não querem. A partir disso pode-se inferir sobre o tipo de comportamento que levaria elas à execução dos planos e aos resultados que isso lhe traria. Quando se junta este elemento com a motivação adequada temos um bom propulsor para execução das tarefas e desejos.

Por fim, quando a pessoa faz um plano, um bom plano diga-se de passagem, ela cria para si o que chamamos de futuro propulsor. Este é aquela visão de um futuro no qual atingi meus objetivos e, neste cenário, sinto-me bem. Porém este futuro, por melhor que seja, nem sempre é visualizado como “possível” ou como “real” pelas pessoas. Os dois problemas acima podem ser a fonte deste terceiro, ou seja o futuro criado pode ser ótimo, mas não mexe na motivação da pessoa, logo ela o vê como irreal ou, então, ela percebe o futuro como desejado, mas não faz ligação entre o seu comportamento e a criação deste futuro, ele parece-lhe, assim, inalcançável.

Porém, algumas pessoas estão com ambos elementos bem organizados e ainda assim não vão atrás do plano, o futuro ainda parece irreal. É o caso de começar questionando-se se você merece este futuro. Neste último caso as pessoas não caminham em direção ao futuro desejado porque não sentem-se merecedoras, é uma questão de auto estima, na qual a pessoa não se vê como alguém digno de um futuro como esse. Fácil imaginar que as causas podem ser várias, mas é importante, em todas elas questionar a crença no não-merecimento, ou seja: o que faz com que você não seja digno? Este “não merecer” é uma punição ou um limite imposto? Determinar isso ajuda a libertar-se e construir o merecimento que basicamente é a ligação entre comportar-se e conseguir o que se quer.

Um último adendo é que muitas pessoas simplesmente não conseguem porque não agem. Agir é importante porque um bom plano é apenas isso, um bom plano. Então, se você já planejou, aja ou então seu plano será apenas mais uma bela história que você não viveu.

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

Anúncios

Ações e reclamações
31/07/2015

cliente-insa

  • Eu não aguento mais a situação!

  • O que você não aguenta mais?

  • Reclamações. O tempo todo alguém me enchendo o saco querendo alguma coisa!

  • Sei. Isso é uma reclamação sua?

  • Sim… eu sou bem reclamona também.

  • Entendo… ensinou todos bem então é?

  • Como assim?

  • Você reclama tanto que deve ter ensinado os seus à reclamarem também.

  • É verdade… não tinha pensado nisso… fica todo mundo tenso ao meu redor tanto em casa quanto no trabalho. Só no clube que não, mas lá eu não fico de “líder” sabe?

  • Sei sim… Será que não está na hora de se dar um novo papel ou desempenhá-lo de uma outra forma em casa e no trabalho?

  • Pode ser…

 

Dentro de relacionamentos reclamar é algo comum. A reclamação tem como estrutura apontar algo com o que não se concorda. Este apontamento tem como intuito classificar determinado comportamento como inadequado buscando a criação de um limite e a mudança de comportamento.

No entanto, o ato de reclamar pode tornar-se um comportamento padrão. Existem pessoas que são “reclamonas” de carteirinha, sempre achando algo para reclamar. Este tipo de conduta, em geral, está associado com uma falta de personalidade na relação. “Falta de personalidade” entenda-se como a seguinte dinâmica: a pessoa foca demais nas outras pessoas e no comportamentos delas. Deixa, com isso de se posicionar de maneira adequada frente àquilo que reclama. Em outras palavras, fica apenas reclamando, mas não toma nenhuma atitude com isso.

Ocorre que reclamar é uma parte do processo, no entanto, a pessoa responsável não fica apenas nisso. Ela busca o seu bem-estar de uma forma ou de outra. Reclamar e propor soluções são temas diferentes. Muitas vezes, numa relação as pessoas disputam por anos sobre um determinado tema apenas porque nenhum dos dois lados propôs uma solução. O conflito gira em torno de verificar quem detém o poder e não em resolver um problema.

Como sair deste ciclo?

Um dos temas é apontar menos para o outro e mais para si. Uma pergunta muito utilizada na psicologia sistêmica – e que muitas vezes causa um nó em nossa mente – é: como contribuo para isso? Ou seja o reclamão, por vezes, contribui para aquilo que reclama de maneiras que nem consegue perceber, porém estão lá. Uma das formas, por exemplo, é quando a pessoa se coloca como passiva na relação frente àquilo que tem problemas, outra maneira típica é ser detalhista demais – e acabar sendo o chato da relação –  e ainda temos outra maneira que é se colocar em situações nas quais já se sabe que o outro irá reagir de maneira negativa para, então, reclamar.

Perceber de que maneira o seu comportamento influencia aquilo que você mesmo reclama abre a porta para a mudança. Perceber, então o que motiva o seu comportamento inadequado é fundamental. A motivação é o que dá a base para o comportamento. Aqui, um ponto importante: pode parecer absurdo que estou motivado para me comportar de uma maneira que, posteriormente, me prejudica. Pode parecer, porém é super comum. Isso ocorre justamente porque a nossa motivação, muitas vezes, nos coloca em situações prejudiciais. E, principalmente, porque nossas ideias, muitas vezes, são diferentes de nossas emoções. Ou seja, por vezes temos um determinado conceito sobre o que queremos e como as coisas devem ser na relação, porém nossa educação emocional nos puxa para outro lado.

Uma vez de posse destes dois elementos: o que faço e o que motiva a minha ação, posso me perguntar à respeito da minha identidade na relação. Quem sou? Muitas vezes somos os mártires, outras somos o eterno incompreendido ou até mesmo o garanhão preso. Daí as perguntas que geram uma cascata de mudanças: quem posso vir à ser? O que posso mudar naquilo que me motiva? O que posso começar a fazer de diferente? Estas ações implicam mudanças não apenas para a pessoa, mas, também, para a relação. Em uma relação, quando um dos dois evolui, em geral o outro também é convidado à evoluir ou a relação começa a perder sentido. E, com isso, concluímos a reclamação que passa a se tornar ação.

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

 

O paradoxo do medo
14/05/2015

img-liberte-se-do-medo-destaque

 

  • Eu não sei mais o que fazer!

  • Porque?

  • Tudo aquilo que eu temia tá acontecendo sabe?

  • Sim…

  • Ele não está mais aguentando ficar perto de mim.

  • Sim… como você tem contribuído para isso?

  • Nossa… como  assim?

  • Eu sei que este é um medo seu e respeito isso, por outro lado você tem contribuído para ele se concretizar, já falamos disso antes.

  • Tá… eu sei… eu fico em cima o tempo todo, fico desconfiando de tudo o que ele faz… para mim ele já tem outra pessoa!

  • Sim e são estas fantasias que organizam o que você tem feito… você perguntou: o que fazer… o que você acha?

  • Mas eu tenho medo de não ficar controlando ele.

  • Sim, eu sei, mas a sua forma atual de lidar com a situação não está ajudando está?

  • É… não está…

 

Talvez um dos maiores paradoxos com os quais eu já tive contato foi a “profecia que se auto realiza”. Embora ela não precise estar calcada no medo, em geral está. É, de forma simplista, quando a pessoa teme algo de uma maneira que o seu comportamento acaba criando a situação que ela própria teme.

O medo em geral faz com que a pessoa tenda a se afastar do objeto que desperta a emoção. No entanto, muitas vezes a pessoa tende a se afastar da própria emoção. Em vários posts já coloquei que o medo tem a ver com algo que não sabemos como lidar e que, por este motivo, fantasiamos que pode nos causar um dano maior do que o que podemos suportar. Desta maneira, quando nos afastamos da emoção do medo nos afastamos, também do aprendizado que poderíamos ter e então, passamos a querer controlar.

O controle é uma das respostas básicas ao medo. Ao invés de se tornar mais competente para lidar com o mundo a pessoa deseja tornar o mundo um lugar em que ela consiga viver de acordo com suas limitações. Para isso passa a cercear e a sabotar a si e aos outros para que todos os comportamentos e situações vividas se encaixem dentro de um modelo de mundo “seguro” porém extremamente limitado.

É neste movimento em que a pessoa começa a causar para si o dano que tanto teme. O exemplo mais clássico é a pessoa que tem medo de ser trocada ou traída e passa, com isso, a cercear todas as amizades do conjugue, minar todo e qualquer comportamento de sair de casa em lugares onde terão contato com outras pessoas, criticar pessoas novas que o conjugue possa conhecer, tentar ser mais do que suficiente para a pessoa superprotegendo ela e a relação.

Ao longo do tempo estes comportamentos começam a sufocar o conjugue que começa a sentir a prisão na qual entrou. Inicialmente a pessoa pensa que se trata apenas de uma forma de relação “apaixonada” e que será possível viver outras experiências. Logo depois começa a entender que o conjugue está deliberadamente tentando mante-lo preso e finalmente se rebela. No momento em que um se rebela, o outro enfrenta o seu medo.

Assim sendo o melhor caminho para não criar para si o próprio medo é aprender com ele. Aceitar a emoção, compreender suas motivações inconscientes, aprender papel que você interpreta com ela e, com isso começar a mudar de dentro para fora. Mudar o seu sistema de crenças, seus comportamentos e atitudes e então, aprender, de fato, a lidar com o medo e com a situação.

Você tem medo de que?

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

Avaliação
09/01/2015

avpsicologica

  • Eu não posso sair fazendo as coisas dessa maneira.

  • O que te impede?

  • É que eu avalio muito bem as coisas.

  • Será?

  • Claro que sim, sempre acho os defeitos nas minhas escolhas.

  • Mesmo quando não tem defeitos não é?

  • … É…

  • “Achar defeitos” é igual à avaliar?

  • Não é?

  • Acho que não… quem avalia tem critério, você não tem.

  • Como não?

  • Você “acha” defeitos, ou melhor dizendo cria eles não é?

  • Sim… nunca está bom pra mim.

  • Pois é. Avaliar significa saber o que é bom ou não e porque, você não sabe fazer isso.

  • O que tenho feito então?

  • Desvalorizado, denegrido… porém não avaliado.

 

Muitas pessoas confundem avaliar com denegrir. Avaliar não significa dizer o quão ruim está, significa ter critérios com os quais filtrar uma determinada ação ou produção. Isso significa, ainda, que, dependendo dos critérios uma mesma obra ou ato poderá ser “boa” ou “ruim”. Se você avaliar uma obra realista com critérios surrealistas ela não será uma boa obra. O mesmo vale para nossos comportamentos.

A primeira parte, então, é saber diferenciar o ato de denegrir e o de avaliar. Denegrir significa tomar algo (comportamento ou produção) e apontar defeitos. O ato de denegrir não se importa em ter uma ética ou um conjunto de critérios claros para realizar esta tarefa, ele apenas quer denegrir. Desta forma sempre encontrará um conjunto de critérios para denegrir aquilo que está sendo visto. O ato de avaliar, por outro lado, tem uma definição clara daquilo que se busca e sabe especificar exatamente o que é algo adequado ou não para o determinado fim.

Assim quando nos confrontamos com alguém que “avalia” o nosso comportamento ou com o nosso próprio pensamento temos que nos perguntar: o que é, especificamente, o “bom” nessa situação? Qual o critério que define como bom ou ruim, adequado ou inadequado aquilo que estou fazendo?

Se você não tem resposta para esta pergunta é importante saber que talvez você esteja simplesmente denegrindo a sua ação ou sendo denegrido por alguém que não sabe lhe informar, sequer, o que seria o bom para ela. Esta estratégia é a “defesa” contra a desvalorização. Quando solicitamos os critérios é como se perguntássemos para a pessoa ou para nós mesmos: você sabe mesmo avaliar isso? Quando a pessoa sabe, ela lhe apontará especificamente aquilo que percebeu e lhe dirá porque trata aquilo de uma maneira positiva ou negativa – abrindo, inclusive, a oportunidade de diálogo e negociação. Se, por outro lado, ela não tiver não saberá o que dizer.

Em relação ao nosso próprio comportamento é importante manter a mesma relação, ou seja, determinarmos os critérios pelos quais vamos avaliar o nosso próprio comportamento e produção para sabermos nos dizer se estamos indo num caminho adequado ou não. A partir disso podemos avaliar o que fazemos, como fazemos e, além disso, se os critérios que definimos são úteis ou não. Muitas vezes, como já afirmei em outras postagens, o nosso problema é exatamente o conjunto de critérios que usamos por serem rígidos ou abrangentes demais, por exemplo.

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

Perfeição que atrapalha
12/11/2014

michelangelo

  • Eu quase não vim hoje

  • Porque não

  • Não consegui fazer a tarefa que combinamos

  • Entendo… mas qual o problema?

  • Se eu tivesse feito teríamos mais produtividade hoje!

  • Sim… porém isso não inviabiliza a sessão não é?

  • Sim, mas…

  • Mas?

  • Não sei… eu deveria ter feito…

  • O que pode acontecer de ruim em não ter feito além da perda de produtividade?

  • Bem… não sei… o que você vai pensar de mim?

  • O que você imagina?

  • Que eu sou um vagabundo ou algo assim… mas não é verdade sabe?!

  • Claro que sei… na verdade não estou pensando isso.

  • Sério?

  • Sim

  • Isso me dá um alívio…

  • Enquanto seu terapeuta tenho estado mais interessado na tua pessoa do que no teu desempenho.

(olhos lacrimejam)

Buscar a perfeição.

Mas quando a perfeição atrapalha? Muitas pessoas queria fazer as coisas tão perfeitas que nunca saíram do lugar. Na verdade a perfeição atrapalha quando não nos permitimos o erro por confundi-lo como falta de perfeição. Nesse sentido, em geral, o que temos não é um problema com a coisa a ser executada em si, mas sim um problema com a identidade da pessoa que busca a perfeição.

É comum que pessoas que buscam a perfeição tenham uma imagem de si semelhante àquilo que estão buscando, ou seja, é comum que a pessoa que busca pela perfeição tenha uma auto imagem altamente idealizada. Assim qualquer desafio novo surge como uma oportunidade de testar esta imagem o que pode, para alguns soar como motivação para enfrentar o desafio e para outros um motivo para retirar o time de campo. A agressão, no entanto, fica óbvia tanto para um quanto para o outro.

Aquele que enfrenta, no longo prazo acaba se desgastando por estar em contato constante com o estresse necessário para vencer os desafios. Em geral uma pessoa mais agressiva que busca sustentar aquela imagem à todo custo mostrando sempre a força para vencer desafios. O que foge consome-se em arrependimentos de nunca ter tentado algo a mais e pode se tornar uma pessoa que culpabiliza os outros ou que está sempre se apoiando nas pessoas para buscar aquilo que ela quer.

Gosto sempre de salientar que buscar a qualidade é uma virtude e é algo importante. O problema é quando esta busca tenta ser um comportamento para justificar uma auto imagem idealizada e irrealista de quem, por exemplo, nunca erra ou está sempre certo. Aí é que o problema se instaura de verdade porque a busca da pessoa não é apenas pela qualidade, mas sim para justificar uma imagem e um padrão de comportamentos em geral associado à uma baixa competência na área afetiva e de relacionamentos.

Porque preciso ser perfeito? O que há de recompensa para mim caso eu chegue lá? E se não for, o que acontece?

Estas perguntas são importantes de serem feitas além de outras que buscam trabalhar com a pessoa a seguinte noção: não é necessária a perfeição em alguma área da vida para conseguir afeto. Na verdade, trata-se de dois temas completamente distintos e ajudar a pessoa a fazer esta distinção liberta ela de uma dolorosa cobrança que nunca se finda verdadeiramente.

É quando o perfeccionista pode encontrar em si um lugar para repousar e se aceitar tal como é que ele pode relaxar e aprender a se suavizar em termos de suas emoções. Que ele pode se abrir ao encontro com o outro de uma maneira mais suave e ainda assim manter as suas habilidades e a sua busca por competências na área de sua escolha, a grande diferença é que agora suas emoções estão livres e ele pode usá-las à seu favor ao invés de contra ele.

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

 

Perdendo o controle
09/07/2014

redbullstratos

  • Eu estou me cansando já daquele rapaz!

  • Ah é, porque?

  • Oras… eu faço um monte de coisas e ele continua insistindo nesse jeito babaca de ser.

  • Entendo… o que você sente com isso?

  • Me sinto uma otária.

  • E como você lida com esta emoção?

  • Bem… em geral eu ficava meio raivosa e daí continuava querendo fazer ele entrar na minha entende?

  • Claro e agora?

  • Agora… eu tenho percebido que é importante para mim ter a companhia de pessoas… mas que eu posso escolher melhor com quem ter esta companhia.

  • Entendo e concordo! Deixa ele um pouco pra lá então?

  • Deixa!

  • Como você se sente ao fazer isso?

  • Muito mais leve e estranhamente mais “dona de mim” sabe?

  • Ô!

 

A necessidade de controlar está em geral associada ao medo. Faço uma distinção arbitrária entre controlar e administrar quando  trabalho com as pessoas para focar duas sensações internas distintas.

A primeira, o controle, está relacionada ao medo de se entregar, me de que as “coisas deem errado”, vontade de que tudo saia do meu jeito – porque se não sair eu não sei o que fazer e tenho medo disso. A rigidez é muito presente, a atenção enorme aos detalhes, a insatisfação constante com qualquer elemento que esteja “saindo do planejado”, a sensação – consciente ou não – de insegurança e a tensão física e emocional.

Controlar significa criar as regras fazer os outros jogarem de acordo com elas. Isso é importante numa linha de produção, por exemplo, porém em uma relação torna-se algo complicado e que destrói os laços. Para que uma pessoa precisa “criar as regras’? Porque não compreende direito as regras que existem, porque teme as pessoas, porque não se sente segura sobre a sua evolução pessoal. Todos estes relatos são o que ouço em consultório quando as pessoas começam a questionar a sua necessidade de controlar.

O problema é que o controle é uma estratégia que à longo prazo é muito custosa de ser mantida e pouco eficaz. Para que a pessoa tenha um controle pleno da situação ela precisa ser dona da situação e esse é o problema. Num casamento o exemplo clássico é o marido inseguro que para controlar a esposa utiliza a questão financeira sendo o provedor da casa. Ora, manter esta estrutura num período de dois anos é uma coisa, manter isso durante 50 anos é outra, ainda mais nos dias de hoje.

Outro exemplo é na relação entre pais e filhos onde um ou ambos os pais precisam que os filhos sejam subalternos e dependentes para que eles sintam-se seguros. Manter este controle além de deteriorar a vida pessoal dos filhos é extremamente custoso no sentido de que os pais envolvem-se em destruir continuamente a livre expressão dos filhos assim como sua capacidade de autonomia. Entretanto, este é o preço do controle, pois para controlar é necessário que tudo fique sempre da mesma maneira, que as regras sejam seguidas sempre não importa o que aconteça.

E esse é o ponto onde controlar torna-se complicado: numa linha de produção, por exemplo, tudo irá sair sempre do mesmo jeito, esta é a natureza daquela atividade. Uma relação, um trabalho e a vida de uma maneira geral não funciona assim, ela está em permanente mutação e evolução. Aquilo que servia antes, não serve mais. Em um exemplo da economia: o Brasil quando saiu da inflação para o plano real teve muitas empresas que faliram porque as regras do jogo mudaram completamente. Elas eram organizadas para lucrar com a inflação, quando a estabilidade veio não conseguiram se estabilizar junto e então faliram.

Refletir sobre isso é aprender a sair do controle. A vida muda, as regras mudam, as situações e pessoas evoluem, assim, como vou, neste novo cenário conseguir aquilo que é importante para mim?

É neste tipo de raciocínio que meus clientes controladores começam a perceber que não precisam controlar o mundo, mas sim administrar as suas necessidades pessoais. O primeiro passo é perceber a ineficiência do controle, além de seu alto custo e da sua inadequação à vida; o segundo passo consiste em perceber quais as suas reais necessidades pessoais e o terceiro em como garantir para você, com as suas atitudes estas necessidades.

A passagem é de controlar o mundo para administrar as suas próprias reações, o seu próprio desejo e as suas necessidades pessoais. Ao assumir a responsabilidade pelo que se deseja a pessoa começa a ser mais competente porque verifica em si e para si o que fazer para conseguir sentir-se bem, daí a necessidade de controlar o mundo diminui e ela fica mais atenta à si. Administrar torna-se algo flexível porque acompanha o processo vital da pessoa e as mudanças em sua percepção de mundo e de si mesma, foca sempre a pessoa e o que ela pode fazer para conseguir aquilo que deseja, não cria regras para os outros, mas sim para a pessoa seguir. A atenção aos detalhes diminui e fica restrita aos que são realmente importantes, as “falhas” passam a ser encaradas como aprendizados e a pessoa torna-se mais leve com isso.

Um outra mudança importante é a relação da pessoa com a sensação de insegurança. No controle esta sensação é tida como inimiga, quando se administra a própria vida ela se torna aliada. Porque? Pelo fato de que a insegurança faz parte de qualquer pessoa de bom senso: visto que o futuro é sempre imprevisível, não se pode ter certeza absoluta de nada, assim sendo um nível mínimo de insegurança faz parte quando nos lançamos em nossos projetos pessoais. Ela, inclusive, ajuda a pessoa a ficar atenta ao que está fazendo e a perceber se os resultados que deseja estão vindo ou não. A insegurança torna-se parte do processo de criar segurança, num continuum insegurança – aprendizado – segurança.

E você o que prefere: manter a ilusão de que você pode controlar um mundo que não é controlável ou aprender a buscar para si a sua paz de espírito?

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

O que queres de mim?
02/05/2014

295330_592948157396496_481990500_n

 

  • Então meu caro, ela simplesmente não entende isso sabe?

  • Sei, já percebi isso.

  • Eu fico muito chateado. Eu faço a minha parte: trabalho, cuido das crianças e ajudo ela, porém da parte dela, nada!

  • Entendi e o que você faz com isso?

  • Bem, eu já dei inúmeras indiretas, mas parece que nada adianta.

  • O que seria algo que iria “adiantar”?

  • Bom, se ela começasse a fazer as coisas: cuidar de mim quando chego em casa seria um ótimo começo.

  • Compreendo. E você já tentou de tudo para ela fazer isso?

  • Sim.

  • E chegou a perguntar para ela se ela percebe que precisa fazer isso?

  • Como assim?

  • Você já perguntou para ela: “amor, pra você é importante cuidar do maridão quando ele chega em casa?”

  • Não, nunca (risos) além disso não se perguntar, ela é toda moderninha sabe? Toda feminista e acho que ela nunca iria querer algo assim.

  • Hum… então você está me dizendo que casou com uma mulher “moderninha” e “feminista” “que nunca ia querer algo – cuidar do maridão – assim” e ainda está “chateado” porque ela não cuida de você quando chega em casa?

  • É… nossa… ouvindo você falar… parece até que fiz uma besteira…

  • Não é “besteira” o que você fez, mas sim que você não prestou atenção o suficiente nela porque está na cara que ela não iria – pela sua descrição – ter os comportamentos que você me diz que queria que ela estivesse tendo.

  • Hum… entendo…

 

Gostaria de realizar um curso de noivos com apenas um tema: expectativas. Este tema hoje me aprece fundamental em casais de “sucesso”, pois em todos os que conheci a comunicação à respeito das expectativas de ambos – tanto em relação ao que é um relacionamento assim como em em relação ao parceiro – é clara e respeitosa, ou seja, existe um conhecimento sobre as expectativas, o respeito pelos desejos do outro e uma negociação clara e transparente sobre os limites que serão constituídos.

Os casais que brigam muito, em geral, tem uma comunicação desrespeitosa em relação aos desejos um do outro e começam a ter comportamentos que visam mudar – na marra, por isso são desrespeitosas – as opiniões e comportamentos do outro para se adaptarem aos seus. Esta maneira de se comunicar (veja o post “o que estou querendo dizer?”) cria grandes problemas e mal- entendidos entre os parceiros que precisam – uma vez estabelecida esta forma de comunicação – manter comportamentos completamente inadequados para não “perder a briga”.

A melhor maneira de lidar com nossas expectativas é ter em mente de uma maneira muito clara aquilo que queremos e verificar se o outro tem isso à nos oferecer. Algumas vezes fica evidente que a pessoa não consegue nos oferecer aquilo, mesmo que ela própria não consiga dizer. Em outras é importante fazer a coisa mais difícil nos relacionamentos de hoje em dia: perguntar. O que será que a mulher do meu cliente acima teria dito se ele dissesse que queria uma mulher que quando ele chegasse em casa “cuidasse dele”?

Agora… o que será que ela diria se ele perguntasse se ela poderia sentar-se com ele à noite e conversar sobre o dia dele? Será que seria diferente? Provavelmente muito. E era isso o que ele entendia por “cuidar do maridão”. Porém como este desejo nunca foi dito, ela, por si só, tratava de outros assuntos com ele quando chegava em casa – visto que ele era mais “quietão” nunca passou pela cabeça da mulher ficar perguntando sobre o dia dele, talvez ela tenha assumido que como ele nunca tocava no assunto, ele não queria falar sobre isso – ela era uma mulher muito objetiva nesse ponto.

Vários casais vão viver juntos assim cheios de expectativas sobre como o outro “deve” se comportar e nunca tem a humildade de perguntar como o outro “quer” se comportar numa relação. Logo que começam a viver juntos, começam os problemas de adaptação e de relacionamento. Porém se ao invés de tentarmos mudar o outro, conseguirmos criar um cima de companheirismo e amor para então expor aquilo que desejamos para literalmente criar um “contrato conjugal” as expectativas tornar-se-ão projetos pessoais, desejos vivos e pulsantes no seio de uma relação que terá tudo para dar certo. E isso também vale para os casais cujos desejos são tão diferentes que eles decidem que o rompimento é o único caminho para ambos, acredito fortemente que uma relação que termina com base nisso é uma relação que  deu muito certo, pois houve carinho e respeito de um pelo outro e de um pelo desejo do outro até mesmo no final.

E você, o que quer do outro?

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

 

  • Claro, tem toda a razão. Porém… e é meio chato eu dizer isso para você à esta altura do campeonato: você alguma vez perguntou para ela se ela

“Me assuma”
16/04/2014

vivemos-juntos-mas-ele-nc3a3o-me-assume

  • Eu fico fula da cara com ele!

  • Eu sei, mas me conte: o que ele deveria fazer?

  • Ah Akim, é óbvio não é?! Ele tinha que me dar uma mão, me ajudar com os meus problemas!

  • E como você se sente com relação aos seus problemas?

  • Ah eu acho que já até sei o que fazer, mas sei lá…

  • Sabe?

  • Sim… eu pensei um bocado antes de falar com ele.

  • Mas bem… então… pra que ele tinha que te dizer o que fazer?

  • Não é que tinha! É que… bem.. sei lá! Eu queria conversar com alguém sobre o assunto.

  • Ah… tipo uma opinião?

  • Sim!

  • E porque não falou para ele o que tinha pensado então?

  • Ah queria ouvir o que ele diria.

  • Bem, ele disse não foi?

  • Foi…

  • Mas não foi o que você queria ouvir… será que não é momento de você assumir aquilo que escolhe pra você mesma ao invés de responsabilizar o outro quando ele não fala o que você quer que ele fale?

  • Ai…

 

Ouvi, já faz tempo uma pessoa reclamando que a outra não “a assumia”. Achei interessante e, na época, resolvi trabalhar com o que aquela palavra: “assumir” significava para o reclamante.

Descobri que a pessoa precisava de alguém que lhe desse um certo sentido de vida. Ela precisava “pertencer” à alguém para sentir que estava no caminho certo. No entanto, este pertencimento não tinha o posicionamento submisso que se imagina, pelo contrário, a pessoa entendia que, uma vez “assumida” era como se ela tivesse o aval para fazer aquilo que queria, afinal de contas ela havia sido “assumida” não é mesmo? Significava que a pessoa gostava dela tal como ela era já que a tinha assumido.

A primeira pergunta que fiz foi: mas porque você precisa disso se já sabe o que quer? Porque não facilita a coisa e simplesmente faz oras?! O que me parecia muito lógico na época. A pessoa me respondeu que ela não sabia o porque e sentiu-se muito mal com aquilo. Depois de uma falta, ela volta na próxima sessão e me conta que ela tinha visto algo muito ruim: que o namorado não era tudo aquilo que ela pensava que ele era. Perguntei o que ela tinha visto nele e ela me descreveu uma série de ideias que o jovem tinha – todas adequadas, porém pouco compatíveis com as dela.

Seguimos a sessão e ela foi entendendo que o namorado – futuro ex – não tinha problemas, mas que ela tinha ideias já bem estabelecidas do que queria e ele não era o par ideal para ela. Quando ela aprendeu isso sobre si as brigas simplesmente cessaram e duas semanas depois ela tinha terminado o namoro de uma maneira muito amigável e algum tempo depois havia encontrado uma outra pessoa que compartilhava com ela de ideias muito parecidas sobre a relação. Ambos tiveram uma relação muito prazerosa durante o tempo em que atendi essa pessoa.

Ocorre que muitas vezes queremos que as pessoas nos deem a certeza de que nossas ideias são boas e vão dar certo. Quem tem esse poder? Eu não conheço ninguém com esse poder. Quando colocamos para o outro assumir a responsabilidade por escolhas que nós queremos fazer dois caminhos de desastre são possíveis: ou a pessoa nega a responsabilidade – o que é saudável – trazendo desconforto e insegurança de volta à nós – e, por vezes, as pessoas se ressentem  disso – ou então o outro resolve assumir a responsabilidade que lhe foi imposta e aí o desastre continua: uma vez assumida a responsabilidade o outro deverá, agora, reagir da maneira prevista pelo conjugue em todos os momentos sem poder ter o menor deslize, obviamente, mais cedo ou mais tarde ele deslizará e, então, a culpa recairá sobre ele.

Em geral o que move este desejo de que o outro nos dê a certeza, de que o outro nos assuma é uma dificuldade em lidar com o medo e insegurança “naturais” que o processo de escolher e viver exige. Explico: todas as nossas escolhas são pautadas na incerteza do futuro, assim sendo, todos nós temos que conviver com a insegura, em menor ou maior grau. Se a pessoa não sabe lidar com esta insegurança natural ela deseja que outra pessoa lide com esta emoção por ela, só que isto é impossível e dá margem à muitos problemas de relacionamento.

A saída mais eficaz é tratar do medo de assumir os posicionamentos pessoais de cada um. Compartilhar o sentimento de medo e de insegurança para posicionar-se desejante de realizar algo e com insegurança ao mesmo tempo. Sobre isso um parceiro um pouco mais atento, dentro de uma relação saudável, poderá dar apoio e ajudar – não resolver por – a pessoa a superar as suas provações pessoais.

E você, o que projeta no outro?

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

 

Falar de mim?
21/02/2014

– Pois então Akim, confesso que estou querendo parar a terapia.

– Opa, e o que te faz querer isso?

– Bem, é que eu já resolvi o meu problema de inadequação no trabalho, e as coisas estão mais calmas em casa com meus filhos, então… o que resta né?

– O que?

– Como assim?

– O que resta… você já resolveu o trabalho, a paternidade… e agora, fala-se do que?

– Eu não sei. Tem do que falar ainda?

– Você já não é mais inadequado no trabalho, não é mais um pai inadequado e nem um marido inadequado… perfeito! Dentro de todo o seu trabalho, qual foi o ponto básico que trabalhamos em todas estas áreas?

– Bom… eu me lembro que eu sempre comecei pela auto aceitação que você sempre falava e eu me arrepiava né?

– Sim, portanto… o que resta falar?

– Você acha que resta falar de mim?

– O que você acha?

– Mas o que eu vou falar de mim?

– Não sei… que tal pensar um pouco sobre o assunto?

– Me sinto estranho pensando nisso…

Muitas pessoas sentem-se inadequadas em suas vidas. Percebem-se inadequadas em seus relacionamentos sociais, trabalho ou vida familiar. Existe uma parte dessas pessoas que  possuem problemas de relacionamentos os quais, quando resolvidos, fazem com que a sua percepção de inadequação desapareça. Na verdade ela precisava aprender a como se impôr, dar limites, se abrir ou a fazer amigos. Trata-se de uma questão de aprendizagem de habilidades interpessoais.

Um outro ponto trata de uma percepção de identidade da pessoa. Nesta situação não importa muito o quanto a pessoa aprenda, a sensação de inadequação permanece, pois “ela” e inadequada, assim sendo, qualquer coisa que “ela” faça será inadequada. Se ela aprende um comportamento “adequado” e o executa, julgará como tendo feito de maneira imprópria, se alguém lhe disser que fez algo bem feito irá tratar como bajulação, enfim, arrumará uma premissa para entender que ela permanece inadequada.

Neste tipo de situação é importante trabalhar buscando uma nova forma da pessoa se identificar com ela mesma, o foco aqui é a auto imagem que a pessoa faz de si. Percebam que eu disse “faz de si”, ou seja, nossa auto imagem, como o próprio nome já diz, é criada por nós mesmos e, assim sendo, é importante que estejamos atentos à como ela está formada.

Esta formação em geral não tenta fazer a pessoa achar-se maravilhosa, linda e poderosa como em geral se fala “por aí”, mas sim de buscar uma percepção profunda e realista da pessoa tal como ela é: com qualidades, defeitos e limites que ela tem. A necessidade de buscar por esta visão realista é de que a auto imagem e a auto estima “verdadeiras” se constroem sobre aquilo que é, ou seja, sobre o real, e não sobre fantasias de onipotência ou de impotência.

Trabalhar desta forma traz o tema da auto aceitação que é o fator fundamental para lidar com a sensação de inadequação. Aceitar o que é, tal como é e poder perceber como isso que sou reflete na minha vida de maneira realista é uma das formas de lidar com a desorganização de fantasias de onipotência e de impotência que podemos trazer conosco. Afinal a inadequação traz uma boa dose de ilusão que precisa ser desfeita para que a pessoa aprenda o que realmente precisa aprender e que ela deixe de lado medos infundados.

Grande abraço pra você.

visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

Insatisfação e auto-estima
04/11/2013

– Minha namorada reclama que eu estou sempre insatisfeito sabe?

– Sei e o que você acha da reclamação dela?

– Não acho que ela está errada não sabe?

– Sim. O que te faz estar sempre insatisfeito?

– Não sei…

– Sabe sim, pensa!

– É como se eu tivesse algo dentro de mim que fica me incomodando sabe?

– Uma pedra no sapato é? Qual seria o nome desta pedra?

– Pois é… a sensação de que a vida está sendo jogada fora entende?

– Entendo… o que motiva essa sensação?

– Acho que… ah… sei lá…

– Diga

– Tem a ver com as coisas que eu não faço não é?

– Tem e mais alguma coisa: como você fica com você mesmo por não fazer essas coisas?

– Me sinto mal…

– Pois é… e daí, onde que isso aparece?

– Em tudo… melhor dizendo… eu fico vendo defeito em tudo para não ver em mim né?

– O que te parece?

– Pois é…

– Como seria se você estivesse fazendo o que você quer fazer?

– Eu acho que eu ficaria mais relaxado depois do trabalho… sentiria que a coisa está andando e me permitiria relaxar sabe? Algo como: “você merece”.

– Sei… que tal se comprometer com isso?

– Me parece bom…

“A culpa é minha e eu jogo em quem eu quiser” Homer J. Simpson.

Muitas pessoas desenvolvem o hábito de culpabilizar e criticar outras pessoas assim como as situações pelas quais passam. São altamente críticas em relação ao mundo em que vivem e às pessoas com quem convivem. No consultório percebo que este comportamento de crítica excessiva e insatisfação tem a ver com desejos pessoais que a pessoa não realiza seja por medo, timidez ou culpa, por exemplo.

Em geral quando a pessoa deixa seus desejos e vontades de lado ou aprende a classificá-los como inúteis ou sem-valor ela passa a não realizar-se no mundo, ou seja, passa a viver uma vida que não lhe é “própria” e, com isso, os valores e estéticas externas passam a contar muito mais do que as internas. O problema com isso é que ela passa a julgar o mundo e as pessoas de acordo com o mesmo critério e, então, estabelece padrões extremamente elevados para tudo e, com isto, fica fácil ser altamente crítico, pois se perde a noção de “níveis” e passa-se a julgar tudo como uma “meta padrão” – como se todos devessem seguir o mesmo padrão de perfeição.

Quanto mais a pessoa entra em contato com ela mesma, mais pode perceber e se relacionar novamente com desejos deixados de lado ao longo dos anos e começar a criar a competência para colocá-los em prática. Na medida em que isso ocorre ela pode perceber como sua auto estima era frágil porque não fora baseada no seu próprio raciocínio e sim no pensamento de terceiros. Começar a valorizar o desejo pessoal e a criar a competência – e a coragem – para construí-lo fortalece a auto estima da pessoa e a faz poder usar sua energia em atividades construtivas ao invés de críticas. Mais de uma vez já vi pessoas altamente críticas ajudando alguém a construir seus projetos e dando sugestões criativas ao invés de criticarem depois que começaram a viver a sua própria vida.

A crítica excessiva relaciona-se com a baixa auto estima de forma muito estreita. A pessoa que faz críticas de forma humilhante está, na verdade, usando as palavras para rebaixar os outros. Este rebaixamento tem a intenção velada de colocar todos abaixo ou no mesmo nível de auto estima que a pessoa que fez o crítica está. Algo como: já que não estou onde quero estar, vou colocar todos aqui em baixo junto comigo. Como disse Homer Simpson “a culpa é minha e coloco em quem eu quero”, a ideia da terapia é assumir que a culpa é sua e de mais ninguém, critique o mundo se quiser, o vazio continua sendo seu e, ao aceitar que a culpa é sua, poder colocá-la na pessoa certa: você mesmo.

Culpa do que? Culpa é uma sensação positiva quando tem a ver com a nossa falta de compromisso com nossos valores pessoais. Toda vez que eu passo por cima – voluntariamente – de algo que eu mesmo julgo correto, é adequado sentir culpa. No entanto, lidar com a culpa de forma adequada também é importante: ao perceber seu erro é importante comprometer-se à sanar os possíveis danos – caso seja realizável isso – e comprometer-se à nunca mais realizar isso novamente, além de desculpar-se com alguém no caso de ter terceiros envolvidos.

A “culpa” neste caso, em geral, tem a ver com as necessidades, desejos e ideias próprias que a pessoa não realiza ou nega. Isso é veneno para a alma e a auto estima pois a pessoa perde seu respeito próprio. Uma vez que isso ocorre ela passa a se defender atrás de suas ideias de valor estético e moral altamente desenvolvidos – e muitas vezes não seguidos por ela mesma. É a pessoa que não se relaciona porque “todos são bobos”, “o mundo é muito patético” e uma série enorme de discursos que, ao final, mostram apenas um fato: de que a pessoa não consegue relacionar-se e nem mesmo expressar o seu desejo neste mundo.

Assim sendo, ao invés de criticar, perceba o que de você existe nesta crítica. Pergunte-se de que forma isto que vejo está me incomodando e o que este incomodo tem a ver com as atividades que não pratico, os valores que não coloco em prática, os desejos que ficam para trás?

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

%d blogueiros gostam disto: