Como você sabe que sabe?
19/08/2015

Como você sabe que sabe

  • Mas sabe, eu não sinto que sou querida lá no grupo.

  • Ah é, o que te faz saber disso?

  • Ah, não sei, o pessoal não fica falando com você sabe?

  • Sim.

  • Então, é isso.

  • E você fala com eles?

  • Também não né?

  • Porque?

  • Porque eles não falam comigo.

  • Hum, então se eles não falam é porque não te querem bem. Então, usando a sua lógica você não os quer bem.

  • Não, nada a ver!

  • Mas você não fala com eles.

  • Hum… é verdade…

  • Será que eles não falam com você porque são tímidos? Porque são “curitibocas”? Ou simplesmente porque você também não fala?

  • Pode ser…

  • Será que necessariamente eles não falarem com você tem que significar que não te querem bem?

  • Não… pensando assim não…

 

Dizer que a realidade é subjetiva não quer dizer que ela não possa ser conhecida. O que faz você saber que o real é real?

Esta pergunta parece estranha na primeira vez que nos fazemos ela. Nunca paramos para pensar no que nos faz saber daquilo que afirmamos saber. Muitas vezes, nossos problemas estão exatamente aí. O que nos acontece está ligado com a maneira pela qual vemos isso. Nossa percepção não é passiva, mas ativa. Isso significa que bloqueamos pedaços de informação e damos valor à outros. Estas preferências é o que, de fato, constitui a nossa percepção do mundo e, com isso, criamos a nossa realidade.

A questão é que a maneira pela qual nossas lentes estão ajustadas nem sempre está consciente para nós e tomamos nossas decisões com base naquilo que percebemos. Assim sendo podemos ter feito ajustes inadequados em nossas lentes e, com isto estar vendo demais, de menos, com distorções, de maneira opaca ou nebulosa. É quando nos perguntamos “como sabemos que sabemos disso” que começamos a perceber com que tipo de lente estamos vendo o mundo.

Os critérios que usamos para viver a experiência, nossas prioridades e com isso nos comportarmos no mundo. Como você sabe que é amado, por exemplo? Quais são os detalhes da sua experiência com alguém que te permitem dizer “sou amado”? São comportamentos, expectativas de comportamento que nos fazem perceber que alguém nos ama. Afinal de contas, nunca temos acesso direto às emoções de ninguém – nem das nossas às vezes.

Como você sabe que pode confiar em você? Quais são os detalhes do teu comportamento, da maneira pela qual você cria e segue as suas regras que te fazem sentir que pode confiar no seu próprio comportamento? Estes trechos tem a ver não apenas com a ação, mas com a congruência entre a ação e o pensamento, ou seja, se penso, ajo e sinto de uma mesma maneira. A convergência destes três elementos, em geral nos traz a sensação de confiança, pois atingimos nossos resultados e sabemos que eles tem a ver com a nossa moral.

Determinar “como sei que sei” é determinar todos estes critérios e perceber se eles estão convergindo ou divergindo da sua experiência de vida. Ou seja, se pretendo descansar, mas marco um final de semana cheio de atividades, não estou convergindo para aquilo que percebo como uma experiência de tranquilidade. Da mesma maneira as pessoas vivem suas vidas inteiras buscando algo, mas sem estar atento aos critérios que realmente são importantes para atingir estas metas.

Abraço

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O tempo cura! (cura?)
15/04/2015

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  • Ah Akim… eu não sei direito…

  • É difícil este tema pra ti né? Está sentindo isso como uma perda?

  • Sim! Eu perdi ela mesmo… não percebi o que estava acontecendo… mas sei lá… deixa assim… uma hora passa.

  • Sei… é um jeito de encarar.

  • O tempo sabe? Acredito muito nisso.

  • No que?

  • Que o tempo ajuda a curar as coisas.

  • Sim, ou a gangrenar também… afinal você ficou um bom tempo sem perceber o que aconteceu na sua relação e ela terminou.

  • Pô… precisa falar assim?

  • Para te colocar em contato com o real? Sim! Não gosto, mas preciso…

  • Tá… é foda, mas você tá certo… é que eu não gosto disso…

  • Eu sei, eu sei….

 

O tempo cura. Ouvi esta frase inúmeras vezes na clínica ao longo dos anos. Conclusões? Sim, algumas que compartilho com o leitor aqui.

O tempo cura? Não!

O que o tempo faz? Várias coisas e elas podem ajudar você a se curar ou a se enterrar ainda mais profundamente. Em primeiro lugar precisamos entender  o que se quer dizer com “o tempo cura”: não é o “tempo” em si, porque o “tempo” não é uma entidade metafísica que se materializa e bate na sua cabeça te curando de alguma coisa. Assim o que se quer dizer com esta frase é que a passagem do tempo cura, ou seja, o passar dos dias, meses e anos tem um efeito curativo e/ou terapêutico. Se isso fosse verdade não existiriam traumas! O que acontece na infância ou na adolescência seria “curado” e todos viveriam felizes depois de um mês ou dois. Obviamente a vida não é assim.

O passar do tempo é algo que proporciona alguns elementos: perspectiva e tempo de habituação. A passagem do tempo faz com que consigamos ver um determinado acontecimento em perspectiva temporal distinta. Olhar para uma briga que tivemos ontem no dia de hoje é diferente de olhar a mesma briga daqui a um ano. Os elementos que realmente ficam em evidência são distintos e muitas vezes aprendemos algo ao longo do caminho que classifica a briga como idiota.

A habituação é o efeito de tornarmos comum uma determinada rotina ao longo do tempo. Sabemos que hábitos, por exemplo, precisam de um tempo de pelo menos 3 meses para se solidificarem. Assim sendo quanto mais passa o tempo, mais tendemos a assumir um determinado comportamento ou ponto de vista caso a repetição deste comportamento esteja presente.

E é aí que afirmo que o tempo não cura. Habituar-se e ter perspectiva de longo prazo podem ser elementos que servem tanto para o “bem” (ou “cura”) quanto para o “mal” (ou “ferida”). Pode-se, por exemplo, criar o hábito ao longo do tempo de remoer a dor que se sentiu durante uma briga. Assim todos os dias penso na dor que senti quando uma pessoa me feriu e crio este hábito. Junto com isso a pessoa pode ficar vendo a perspectiva de longo prazo prestando atenção em quanto tempo faz que a pessoa o feriu “e nem me pediu desculpas ainda”. Obviamente esta maneira de “passar o tempo” não vai ajudar a curar nada!

Por outro lado, quando percebo que a pessoa busca compreender a sua situação atual e adaptar-se à ela, sei que o tempo irá ajudar. Quando busca olhar o passado e tentar aprender com ele e enriquecer a sua vida e suas experiências, entendo que a pessoa está criando um hábito que ira ajudar: aprender e evoluir. Muitas pessoas fazem isso: olham para o passado com uma “distância quente” e buscam novos pontos de vista sobre ele que possam ajudar ela a crescer e a compreender a sua própria história. Quando fazem isso o tempo ajuda e muito, pois estes hábitos tendem a se solidificar, como já afirmei acima, e, com isso, a pessoa desenvolve e solidifica um hábito muito positivo.

E você? Se afunda na dor ou busca novos horizontes mesmo no seu passado?

Abraço

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Insensibilidade
31/12/2014

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  • Ai Akim… não quero mais sentir nada disso.

  • Porque?

  • Dói demais sabe?

  • Sim… sei. Está demais para você nesse momento?

  • Eu acho que sim.

  • Então, porque não se dá um descanso?

  • Como assim?

  • Pare um pouco, relaxe e depois voltamos a trabalhar com isso?

  • Dá?

  • Bem, se está demais para você… é melhor do que “não sentir”, afinal estas sensações te ajudaram um bocado não?

  • É… é verdade… é que dói…

  • Sim, mas é importante saber lidar com isso ao invés de simplesmente fugir.

  • Verdade…

“Ser sensível à” significa a capacidade de perceber determinado elementos através dos órgãos do sentido. A perda de sensibilidade é visto como um problema na área médica pois o órgão está tendo sua função diminuída. Em outras palavras: os olhos são sensíveis à luz, eles percebem o estímulo luminoso e transformam estas informações no que vemos. Se os olhos estão insensíveis à luz eles não podem mais nos dar o que vemos.

A questão é que, cada vez mais as pessoas buscam pela insensibilidade. Vejo nos noticiários e ouço no meu consultório a demanda cada vez mais crescente sobre “não sentir dor”, “não sentir tristeza”, enfim: “não sentir”, “não ser sensível à”. Dentro da área médica sabe-se que embora a sensibilidade possa trazer dor, trocá-la por um oposto no qual a dor não é percebida não é uma boa barganha. A dor, embora não seja prazerosa, é o nível mais básico de defesa da pessoa, é ela quem avisa o organismo que está na hora de sair de perto daquilo que lhe causa dor.

A busca por insensibilidade está, em geral, alicerçada na ideia de que sofrer é ruim. Em nossa sociedade a ideia de sofrimento ou dor é vista como algo moralmente ruim, em outras palavras, associamos a dor à um fato moral. Assim sentir dor torna-se algo “errado” e a dor causa duas dores, à saber, a dor em si e a dor de se saber errado por sentir dor.

Porém sofrer nada tem de “errado”, o sofrimento faz parte da vida e a afirmação disso assim como do fato de que podemos continuar vivendo com a dor é importante. Esta seria uma das formas básicas da filosofia trágica que afirma o trágico da vida, porém não reduz a vida à isso. Ao assumir a dor e o sofrimento assumimos, também, a nossa sensibilidade, nossa capacidade de perceber e reagir ao mundo e aos estímulos do mundo.

Assumir o sofrimento é importante por causa disso. Não é o fato de sofrer ou não, mas sim de perceber-se capaz de fazer isso, esta é a verdadeira força de uma filosofia trágica. A frase de Nietzsche “aquilo que não me mata me torna mais forte” tem a ver com esta noção de que aquilo que percebo – ou seja, aquilo à que sou sensível – e que eu consigo organizar uma resposta me torna mais forte à medida em que percebo mais do mundo, conheço e reajo à mais do mundo.

O contrário é o desejo da insensibilidade a qual não nos torna mais fortes e nem mais aptos pelo fato de que nos nega a capacidade de sentir e de perceber  o mundo ao nosso redor assim como seus estímulos. Sem eles não podemos ter uma boa percepção do que nos faz fortes, do que nos faz sofrer e nem daquilo que precisamos para ir adiante.

Assim, deixo a pergunta: que tal, ao invés de aumentar a sua insensibilidade, aumentar a sua capacidade de lidar com o que você percebe?

Abraço

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Nos detalhes…
21/11/2014

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– Não sei direito o que estou fazendo com minha vida.

– O que você faz ao longo do dia?

– Como assim?

– Você acabou de acordar… o que faz?

– Você quer dizer a minha rotina?

– Sim.

– Bem… eu acordo… fico morgando na cama… às vezes faço isso muito tempo. Me atraso para tudo e daí tenho que fazer as coisas correndo sabe?

– Sim.

– Geralmente é assim mesmo… correndo do quarto para engolir algo, escovar os dentes, tomar banho e pegar o bus para ir pro colégio.

– E daí, como você vive esses pequenos momentos?

– Quais?

– Ir correndo à mesa, comer correndo, voltar correndo e se arrumar correndo…

– Ah… bem… sei lá… é meio ruim sabe?

– Cansativo não?

– Isso!

– Uma das suas reclamações né? Viver meio cansado?

– Verdade…

Muitas vezes as pessoas pensam no “porque” da vida. Gosto de refletir sobre isso às vezes… é divertido. Porém, existe uma outra pergunta com a qual eu gosto de trabalhar: “como”.

Mais de uma vez problemas sérios e difíceis foram resolvidos com base na pergunta: “como é o seu dia a dia?”. Você já parou para pensar no que faz todos os dias? No como usa o seu tempo e sua energia e de que maneira o faz?

Joseph Campbell, Stanley Keleman e outros autores e filósofos já afirmar que aquilo que desejamos não é um sentido para a vida, mas sim uma experiência de vida. A palavra sentido fala sobre uma direção para a vida, a palavra experiência fala de como vivemos este sentido. É algo assim: você pode ir para uma viagem num estado muito bom ou muito ruim. “Para onde” está indo é o sentido, o “estado” é a experiência.

A questão é que esta experiência não é vivida da maneira que se vende nos filmes e comerciais: em grandes momentos de emoções profundas e arrebatadoras, mas sim nos vários pequenos momentos entre uma respiração e a outra. Quando pergunto para as pessoas como ela vive o seu dia a dia, direciono (sentido) a atenção dela para estes momentos e as surpresas são enormes geralmente.

O mais comum é começar com a quantidade de tempo gasta em atividades bobas, que não estão agregando em nada para a vida dela. Não confunda isso com momentos de descanso que são tão importantes que, muitas vezes, as pessoas dizem: “Akim… eu não descanso nunca”. É nestes momentos em que podemos perceber se realmente estamos vivendo algo digno de expressar aquilo que estamos sendo ou não. E junto com o que faço a maneira pela qual eu faço.

Particularmente eu tenho uma boa relação com vinhos. Dificilmente bebo vinho, em geral eu o degusto, passo bons momentos em contato com a cor e o cheiro dele para então passar ao sabor e às afetações que ele causa na boca. Isso tem muito a ver com a minha maneira de viver: apreciar algo ao máximo possível. Ao mesmo tempo, também tenho meus momentos de pura descontração afinal estar o tempo todo num estado de intensidade cansa e eu adoro dar uma descansada.

Olhar para o dia a dia, para os pequenos atos é olhar para a sua filosofia de vida. Por isso que eu gosto de dizer que essas coisas são muito concretas. Uma coisa é o discurso, este pode ser abstrato, porém as atitudes, comportamentos da pessoa nunca o serão, eles são sempre concretos e é aí que mora a experiência dela. Quando refletimos sobre isso é que percebemos: “estou vivendo a minha relação com meus filhos de uma forma muito superficial”, “não tenho prestado atenção à minha alimentação”, “não descanso mais”, “não me dou um tempo para curtir meus discos”, tudo isso fala sobre o “como”, não sobre “o que” faço, mas sim sobre “como faço” e é justamente aí, neste detalhe que reside o ponto em que a sua filosofia de vida e a sua experiência de vida se encontram e é aí que as mudanças podem começar.

Porque aí? Em que outro lugar você irá mudar senão nesses? “Dar limites”, um tema muito comum em consultório só pode ocorrer numa “pequena” discussão doméstica ou num “pequeno” momento com os filhos em que isso vai ou não ocorrer. “Me conhecer”, onde você vai fazer isso senão durante o seu banho, ou enquanto come ou quando sai numa festa com seu parceiro? Assim, a menor das perguntas se torna a maior das perguntas, analisar o mais banal dos comportamentos se torna analisar a mais profunda realização – ou não – da sua própria essência.

Se você gostou do texto e concorda com estas ideias deixo uma pergunta bem simples, sobre algo bem comum: como você sorri?

Abraço

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Gosto ou não gosto?
28/04/2014

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  • Mas Akim… eu não gostava desse tipo de menina!

  • (Risos) Pois é né? Imagine se gostasse então!

  • (Risos) Cara… o que eu faço?! Sabe assim: ela não é, de fato, o meu estereótipo de mulher, mas eu estou gostando!

  • Já lhe ocorreu de aprender a apreciar a beleza que esta mulher proporciona?

  • Como assim?

  • Bem, “não é o meu estereótipo” é diferente de dizer “ela é feia”, “não gostei de nada nela” não é mesmo?

  • Sim, é verdade.

  • Assim sendo, o que há para ser apreciado nela da maneira pela qual ela é?

  • Hum… bom, o corpo dela é mais rechonchudinho e tem uma curvinhas diferentes sabe?

  • Sei sim, tem curvinhas que só ela tem não é mesmo?

  • É! Bem, o olhar dela é diferente também.

  • Ela tem os olhos claros?

  • Não, são castanhos bem mel sabe?

  • Sei sim, é totalmente diferente olhar para este tipo de olho não é?

  • É…

  • E o toque dela, o beijo dela?

  • Hum… bom… são… dela sabe?

  • Sei… Bem, me parece que não existe nada de errado em você sentir um prazer enorme com essa menina mesmo “ela não sendo o seu estereótipo” não é mesmo?

  • É… mas porque me incomoda tanto?

  • Porque?

  • Sei lá… parece errado que eu possa sentir isso com ela…

  • Só porque não é estereótipo? Puxa vida hein?!

  • É verdade… cara… me sinto mais livre agora…

 

Você sabe apreciar a beleza?

Este post é dedicado completamente à uma visão particular de beleza que criei ao longo dos anos. Ela trata de fugir dos estereótipos pré definidos de beleza que temos e também de fugir do estereótipo de que “todos são lindos” o qual considero um tanto piegas.

Considero que a beleza, de uma forma geral, esta nos olhos de quem sabe percebê-la. Inúmeros contos na mitologia contam a história do príncipe que é casado com uma bruxa horrenda e que, pela forma pela qual ele a trata, ela se transforma numa linda princesa. A minha percepção de beleza tem algo a ver com isso, pois creio que é necessário habilidade para enxergar a beleza nas pessoas, não basta olhá-las, temos que observá-las, estudá-las.

A beleza de uma jovem modelo ou de um jovem “saradão” é “fácil” de ser vista. Fácil aqui é sinônimo de “culturalmente aceito”, visto que em outras épocas e em outras culturas o nosso modelo perfeito passaria totalmente desapercebido. O “bronze” tão cultuado em nosso país é motivo de vergonha quando estamos na França de Luis XV. O que a cultura diz que é belo eu entendo como “beleza fácil” pois estamos todos procurando por ela.

Porém saber observar e estudar os detalhes de um corpo, de um rosto e associar todos estes detalhes com a maneira pela qual a pessoa se comporta, age e fala é algo mais complexo. Perceber a beleza nas rugas de uma pessoa, por exemplo, é tarefa para poucos – justamente porque sai da nossa “beleza fácil”. Observar cada ser humano como uma pintura única e buscar nela os detalhes que cativam o nosso senso estético é algo inusitado em nossa cultura na qual o “produto” – no caso o outro – deve se enquadrar no modelo aceito para que eu apenas o consuma ao invés de eu me enredar nele.

Outro tema tristemente associado ao da beleza é o do prazer. Assim como meu cliente acima, várias pessoas acham que só obterão prazer se tiverem alguém do estereótipo. Ledo engano. O corpo humano é uma máquina de sensorialidade e altamente erótica. É possível sentirmos prazer com vários “estereótipos” diferentes, pois todos eles transmitem prazer. Porém, cada corpo pressupõe uma forma distinta de sentir o prazer. De apreciar o prazer que pode ser destilado junto com aquele ser humano peculiar, único.

O corpo de uma pessoa alta é diferente de uma pessoa baixa; o do magro diferente do musculoso e do gordinho. Lábios pequenos e lábios grossos dão texturas diferentes ao beijo assim como uma pele mais elástica ou uma mais firme dão consistências diferentes ao toque. Obviamente temos nossas preferências, porém entre o termo “preferência” e o termo “meu estereótipo” existe uma amplitude muito grande.

Escrevo este post porque tenho percebido que a beleza das pessoas tem sido extremamente mal tratada. Num momento em que vários limites culturais sobre formas de relacionamento são ampliados creio ser importante ampliarmos o que entendemos por beleza e aprender a ver a beleza com olhos mais atentos ao invés de procurá-la com olhos “fáceis”.

Já faz algum tempo que aprendi a observar a beleza em pessoas mais velhas – algo completamente inusitado em nossa cultura do “seja jovem e se entupa de plásticas para manter-se assim” – e é impressionante o que podemos encontrar em olhos cansados, rugas precisamente posicionadas que parecem ter sido colocadas com cirurgia. Existem sorrisos que ficam muito lindos apenas porque mostram as rugas que o tempo trouxe e que a ausência mostraria apenas uma beleza fácil, dessas de photoshop.

Recordo, como exemplo, quando via a série “X-Files”. Ao final da nona temporada eu exclamei: a agente Scully parece muito mais bonita hoje do que no início da série… e ela está mais velha também. Aquilo foi o que me deu o ponto final na minha percepção: existe uma beleza que é impossível ter quando se é jovem. Existem detalhes, contornos que somente a idade traz. Assim como a idade a altura, peso, cor da pele, quantidade de músculos, tudo influencia, tudo cria um conjunto único e, para mim, tudo o que é único traz consigo algo de belo.

Importante salientar: não desmereço a beleza que chamo aqui de “fácil”, mas convido o leitor e buscar a beleza nos seres humanos tais como eles são. Este post talvez seja um pedido para que não estereotipemos a beleza de uma maneira tal à querermos ser todos iguais e que consigamos apreciar todos os perfis sem número que a raça humana pode produzir dando, à cada um deles um lugar neste mundo.

Abraço

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Um passo de cada vez
22/01/2014

– Mas agora eu estou com medo sabe?

– Ah é? O que te dá medo?

– Acho que não vou conseguir dar conta de tudo de uma vez!

– Eu tenho certeza que não vai!

– Ai, como assim?

– Bem, você não vai conseguir fazer “tudo” de “uma só vez”, vai?

– É… pensando assim não né?

– Sim, mas é como está aí na sua cabeça não é? A sua cobrança é essa.

– É.

– Que tal repensar isso de uma forma mais realista e organizada: dividindo a coisa toda em etapas e jogando estas etapas ao longo do tempo?

– Me acalma pensar assim.

– Ótimo

Aprender a usar a nossa mente talvez seja um dos maiores e mais prazerosos desafios de todos.

O exemplo acima é um deles e trata da maneira pela qual as pessoas organizam suas tarefas, por exemplo. Existem pessoas que pensam que tem que fazer “tudo para ontem”, vivem o seu dia a dia assim. Esta maneira de organizar as suas tarefas irá lhe trazer uma constante sensação de que você está em atraso, devendo algo para alguém e o fará se colocar sempre no pique para estar correndo atrás daquilo que você “deixou de fazer”.

Outras pessoas acham que “amanhã eu resolvo” e deixam tudo sempre para a última hora ou para o dia seguinte. É comum terem esquecimentos, atrasos e darem soluções não tão boas porque fizeram tudo correndo. Alguns, por outro lado gostam da sensação que a pressão traz e acabam rendendo melhor.

Algumas pessoas possuem cobranças bem definidas e realistas, outras se cobram o impossível. Obviamente quem organiza as suas cobranças da primeira maneira consegue sentir-se mais no controle da situação e se permite até descansar quando termina. O segundo estilo, em geral, assume uma atitude de que tudo está sempre ruim e ela está sempre devendo algo na sua produção e/ou na qualidade do que fez, termina por denegrir o próprio trabalho quase sempre.

Ao longo dos anos em terapia tenho visto que os estilos todos podem ser úteis dependendo do contexto, objetivos da pessoa e das suas competências para aquilo que se propõe. Por exemplo, em geral é útil organizarmos nossas tarefas de forma realista e pensada, colocando à nossa frente metas que sabemos que conseguiremos cumprir de forma ordenada no tempo para que cada coisa tenha um tempo adequado para ser realizada, isso traz uma sensação de segurança e a pessoa fica mais tranquila para resolver cada etapa com a devida atenção. Se o seu objetivo é simplesmente “dar conta do que tenho que fazer hoje”, você tem as competências necessárias e o contexto está precisando somente disso, está perfeito.

Porém, a pessoa pode organizar suas tarefas de uma maneira que ela não sabe se dará conta e isso pode ser muito bom para ela. Como assim? Ora, muitas vezes precisamos evoluir, aprender, ir além. Neste contexto é mais interessante usar concentração e uma dose adequada de incômodo para que você esteja mais atento e seja mais produtivo do que o seu normal. Nesta situação, em específico, organizar as tarefas de uma maneira muito cômoda pode ser contra produtivo porque a pessoa pode não estar no estado mental adequado para estar atenta aos detalhes do que a sua nova tarefa lhe confere.

Como você organiza suas tarefas? De que forma você usa sua mente?

Abraço

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Interior e exterior
03/01/2014

– Ele é assim sabe, egoísta, não escuta a gente direito, é complicado Akim.

– Sim, estou vendo que é mesmo.

– Pois então, esses dias eu queria muito ir ver um filme, daí convidei ele para ir junto comigo e ele disse: “vá, não quero”.

– E que tipo de reação você gostaria de receber?

– Ah, não sei… tipo, algo como: “Legal, vamos lá”.

– E como você respondeu à forma de ele ter dito “vá, não quero”.

– Eu fiquei insistindo.

– Entendi e é isso que você quer fazer na sua relação?

– Como assim?

– Bem, eu entendi o que ele quis, no caso “não quero”, mas não sei, ainda, o que você quer e como quer reagir à como as pessoas lidam contigo.

– Hum… também não sei… fiquei insistindo, mas não me senti muito bem de fazer isso.

– O que será que motivou este “não sentir-se bem”?

– Eu não acho que eu tenha que ficar insistindo sabe? Vez ou outra, até vá lá, mas com ele é sempre, toda vez.

– Perfeito, então, na verdade, quem é que está se ferindo nesta relação?

– Eu mesma né?

O foco que damos aos nossos problemas muitas vezes define se vamos ou não resolvê-los e até mesmo o tamanho que o problema terá.

Um dos focos que gosto de trabalhar com as pessoa em terapia quando estão com problemas em seus relacionamentos é o foco “interior-exterior”. De uma forma simples este foco se refere à quando a pessoa está prestando atenção nela ou quando a pessoa está prestando atenção aos outros. O exemplo que eu trouxe acima mostra bem este ponto: enquanto ela estava falando “dele” (exterior) ela estava na posição de reclamadora do que havia lhe acontecido, quando busquei trazer o foco dela para as atitudes dela (interior) começamos a ver o problema de um outro foco – as escolhas afetivas que ela faz e como ela busca aquilo que quer para uma relação.

Não é certo ou errado focar no interior e no exterior, ambos são importantes, cada um à sua maneira. Num relacionamento ambos se fazem importantes porque uma relação não é feita só de interior e nem só de exterior, mas da relação entre ambos. O exterior é importante quando precisamos coletar ou verificar certas informações que são “de fora” de nós. Já o interior é fundamental quando precisamos tomar nossas decisões, identificar nossos critérios de bom ou ruim e quando nos emocionamos.

Muitas vezes a pessoa precisa refletir sobre o que sente, o que espera de uma relação, como está se comportando no relacionamento, para estes momentos é importante usar o foco “interior”, pois somente com base nele a pessoa poderá ter um desenvolvimento de forma saudável. Este é o momento em que ela precisa tomar decisões, assumir posicionamentos, aceitar emoções e conclusões pessoais, buscar mudança de atitude e de comportamento, assim sendo, sem olhar para ela as tarefas não poderão ser concluídas.

Outra vezes a pessoa precisa perceber o conjugue tal como é, aprender a observar o comportamento do outro, ouvi-lo, conhecer a forma do outro de pensar e de amar, contemplar a pessoa com quem está. Neste momento o foco é o exterior e sem ter um bom foco no exterior a pessoa não conseguirá reunir informações importantes para ela, aprender  ver e ouvir o outro é um pouco de ciência e um pouco de arte, fazer isso sem projetar expectativas pessoais é uma capacidade fundamental para um bom relacionamento.

Uma dica geral: sempre que você estiver focando demais em um ou noutro, inverta a sua percepção e dê atenção aos possíveis detalhes que podem estar escapando.

Abraço

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Auto-percepção
11/09/2013

– Então, fiz o exercício que você me pediu.
– E aí, como foi?
– Foi meio estranho até, eu fui eu mesmo do jeito que eu sou e fiquei olhando para as pessoas depois que eu agia.
– Isso, muito bom e o que você percebeu?
– Fui vendo que a maneira que eu falo com as pessoas é o mesmo jeito que eu não gosto no meu pai! Foi muito estranho perceber isso.
– Hum, muito bom hein?
– É… não sei se foi bom, foi estranho.
– Claro, é normal sentir estranheza num momento como esse. A percepção foi muito diferente da imagem que você tinha de você?
– Sim. Nunca pensei que eu falava daquele jeito. Agora entendo porque minha namorada fica magoada comigo de vez em quando.
– Perfeito, agora me diga o que você quer fazer com isso?

Perceber o nosso comportamento, pensamento, emoções e suas consequências é o primeiro passo para a mudança.
O trabalho de auto-percepção é um fundamento para qualquer tipo de terapia. Seja o foco o comportamento, os pensamentos ou as emoções é necessário perceber o que acontece conosco e como acontece antes de poder realizar alguma mudança e, muitas vezes, perceber que não existem mudanças a serem feitas.

Como se faz isso?

Existem várias formas para melhorar a sua auto-percepção dependendo do que você quer perceber. Então, o primeiro passo é dar um foco: sobre o que você quer prestar atenção? Um comportamento? Um dado tipo de emoção? Um pensamento? Como você reage à um determinado tipo de situação? O efeito que você causa nos outros com o seu jeito de falar, de andar ou de olhar? A pessoa pode escolher focos muito simples como a sua respiração, que é o que se faz em meditação, por exemplo: ela foca a sua atenção em perceber os movimentos do seu corpo enquanto respira, não faz críticas e nem julgamentos, apenas descreve para si mesma o que está percebendo. Este é o segundo ponto: seja descritivo sem elaborar julgamentos sobre o que está percebendo, não procure mudar ou adaptar o comportamento faça tal como ele é e descreva para si o que percebe.

Uma vez que determine o foco – o “o que” – é importante passar à prática. Se você quer perceber um comportamento seu, coloque-se em situações nas quais ele ocorre, passe a emitir o comportamento e descreva para si o que percebe. Depois de vivenciar o episódio você também pode pensar nele em sua casa, lembrando do que ocorreu e do como ocorreu para aumentar a sua percepção. Pensamentos e emoções também podem ser percebidos desta forma: na hora em que ocorrem ou em retrospecto – como foi da última vez que senti ou pensei isso? o que estava acontecendo no momento?

Elementos que são interessantes de serem percebidos: o seu estado de humor antes e depois, pensamentos que teve antes e depois, como estava a sua semana ou o seu dia naquela situação, se você estava com a saúde em bom estado ou não, se tinha algum tipo de problema em outra área ou não, como fica o seu corpo nestas situações (tensões, prender a respiração, aumento da circulação do sangue, tonturas), os efeitos que foram causados e como você reage á estes efeitos.

Perceber “à nós mesmos” é algo muito importante e complexo, aos poucos vamos encaixando peças e mais peças para formar um modelo maior para informar à nós sobre como nos comportamos porém com dados colhidos de maneira mais assertiva, pesquisada de fato. Desta forma é prazeroso pensar que somos assunto para uma vida toda!

Abraço
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