Quem é seu terapeuta?
05/08/2015

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  • Akim… não sei mais o que te dizer.

  • Não sabe ou não quer?

  • Acho que o segundo.

  • E o seu não querer é porque não deseja tratar disso ou porque não sabe se deve falar isso para mim?

  • O segundo também…

  • O que motiva essa sensação?

  • Não sei… parece que está diferente aqui na terapia.

  • Sim, diferente como para você?

  • Eu… te vejo diferente.

  • Como me vê?

  • Antes eu te via meio que como um guru sabe?

  • Sim.

  • Agora te vejo mais como eu… como um humano sabe? (risos)

  • Sim… e é difícil confiar em humanos não é?

  • Nossa… verdade…

 

Este post pode parecer escrito para quem já faz terapia, porém ele serve para ambos os lados. Ocorre que todos temos uma certa imagem dos profissionais – assim como de qualquer pessoa – e a imagem que temos do psicólogo é algo que tanto pessoas que fazem quanto as que não fazem terapia tem. É óbvio que estou colocando o foco sobre o psicólogo que trabalha com psicoterapia – é a minha área – mas existem várias outras ocupações para o psicólogo.

Quando se começa a fazer terapia – digo por experiência própria – temos uma certa percepção do profissional que irá nos atender, isso tem a ver com aquilo que apreendemos da pessoa com quem nos relacionamos. Outra coisa tem a ver com aquilo que projetamos sobre ele, ou seja, aquilo que desejamos que o profissional seja para nós, tem a ver com nossos desejos e expectativas. E uma terceira influência é sobre como nos relacionamos com a pessoa de fato, ou seja, a maneira pela qual criamos vínculo com o terapeuta.

Porque falar disso é importante para você que faz terapia?

A maneira pela qual nos vinculamos ao terapeuta diz muito sobre nós e a maneira pela qual nos relacionamos com as pessoas no mundo. “Ah Akim, mas o psicólogo é um profissional e eu o vejo assim”. Esta é uma das formas e essa maneira de encarar o psicólogo – não como um humano, mas sim como uma “entidade” chamada “profissional” – diz muito sobre a pessoa. Poderia perguntar a mesma pergunta que  fiz na consulta citada acima. Poderia trabalhar, também, com o porque de ela precisar de uma “entidade” para se abrir? É medo? Quer alguém que seja “neutro”? A maneira pela qual você vê o terapeuta diz muito sobre você, como você encara o seu terapeuta?

A maneira pela qual nos vinculamos é outra história. O vínculo fala das nossas necessidades com aquele relacionamento. Existem vínculos mais ansiosos, que demonstram um certo tipo de medo ou incerteza, insegurança em relação à pessoa com quem se está relacionando. Outro pedem aprovação, contato ou afeto. Pode-se vincular com um terapeuta a partir da agressão, é o tipo de pessoa que, por exemplo, sempre desconfia, questiona e desaprova aquilo que está sendo dito. Ela agride para ver se será “aceita mesmo assim”, a agressão é uma forma de se defender e ao mesmo tempo um pedido de afeto nesse caso. Agride-se para se afastar da possibilidade de ser excluído, mas deseja-se, verdadeiramente, o afeto e a inclusão.

Aquilo que apreendemos de nossos terapeutas é uma mescla daquilo que necessitamos com aquilo que vemos. A percepção nunca é “pura”, está sempre vinculada aos nossos filtros. Desta maneira constituímos quem o nosso terapeuta é para nós. Este é um processo que fazemos com todas as pessoas com quem nos vinculamos. Tratar disso em terapia é tratar a maneira pela qual se cria vínculo, que se percebe o outro e, principalmente, as questões que motivam cada um de nós a criar o vínculo desta maneira.

Uma pessoa que vê os outros como possíveis agressores, por exemplo, pode buscar no terapeuta um porto seguro, um confidente ou querer comprovar que nem mesmo os terapeutas são confiáveis. Todas essas percepções refletem o mesmo drama sobre como ela percebe as pessoas do mundo e o seu lugar com essas pessoas. É com isso que ela irá organizar o seu papel. Uma vez que possa tratar disso usando a relação terapêutica como recurso ela poderá rever estas crenças sobre relacionamentos e mudar aquilo que julgar adequado mudar.

Quem é o seu terapeuta?

Abraço

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Ações e reclamações
31/07/2015

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  • Eu não aguento mais a situação!

  • O que você não aguenta mais?

  • Reclamações. O tempo todo alguém me enchendo o saco querendo alguma coisa!

  • Sei. Isso é uma reclamação sua?

  • Sim… eu sou bem reclamona também.

  • Entendo… ensinou todos bem então é?

  • Como assim?

  • Você reclama tanto que deve ter ensinado os seus à reclamarem também.

  • É verdade… não tinha pensado nisso… fica todo mundo tenso ao meu redor tanto em casa quanto no trabalho. Só no clube que não, mas lá eu não fico de “líder” sabe?

  • Sei sim… Será que não está na hora de se dar um novo papel ou desempenhá-lo de uma outra forma em casa e no trabalho?

  • Pode ser…

 

Dentro de relacionamentos reclamar é algo comum. A reclamação tem como estrutura apontar algo com o que não se concorda. Este apontamento tem como intuito classificar determinado comportamento como inadequado buscando a criação de um limite e a mudança de comportamento.

No entanto, o ato de reclamar pode tornar-se um comportamento padrão. Existem pessoas que são “reclamonas” de carteirinha, sempre achando algo para reclamar. Este tipo de conduta, em geral, está associado com uma falta de personalidade na relação. “Falta de personalidade” entenda-se como a seguinte dinâmica: a pessoa foca demais nas outras pessoas e no comportamentos delas. Deixa, com isso de se posicionar de maneira adequada frente àquilo que reclama. Em outras palavras, fica apenas reclamando, mas não toma nenhuma atitude com isso.

Ocorre que reclamar é uma parte do processo, no entanto, a pessoa responsável não fica apenas nisso. Ela busca o seu bem-estar de uma forma ou de outra. Reclamar e propor soluções são temas diferentes. Muitas vezes, numa relação as pessoas disputam por anos sobre um determinado tema apenas porque nenhum dos dois lados propôs uma solução. O conflito gira em torno de verificar quem detém o poder e não em resolver um problema.

Como sair deste ciclo?

Um dos temas é apontar menos para o outro e mais para si. Uma pergunta muito utilizada na psicologia sistêmica – e que muitas vezes causa um nó em nossa mente – é: como contribuo para isso? Ou seja o reclamão, por vezes, contribui para aquilo que reclama de maneiras que nem consegue perceber, porém estão lá. Uma das formas, por exemplo, é quando a pessoa se coloca como passiva na relação frente àquilo que tem problemas, outra maneira típica é ser detalhista demais – e acabar sendo o chato da relação –  e ainda temos outra maneira que é se colocar em situações nas quais já se sabe que o outro irá reagir de maneira negativa para, então, reclamar.

Perceber de que maneira o seu comportamento influencia aquilo que você mesmo reclama abre a porta para a mudança. Perceber, então o que motiva o seu comportamento inadequado é fundamental. A motivação é o que dá a base para o comportamento. Aqui, um ponto importante: pode parecer absurdo que estou motivado para me comportar de uma maneira que, posteriormente, me prejudica. Pode parecer, porém é super comum. Isso ocorre justamente porque a nossa motivação, muitas vezes, nos coloca em situações prejudiciais. E, principalmente, porque nossas ideias, muitas vezes, são diferentes de nossas emoções. Ou seja, por vezes temos um determinado conceito sobre o que queremos e como as coisas devem ser na relação, porém nossa educação emocional nos puxa para outro lado.

Uma vez de posse destes dois elementos: o que faço e o que motiva a minha ação, posso me perguntar à respeito da minha identidade na relação. Quem sou? Muitas vezes somos os mártires, outras somos o eterno incompreendido ou até mesmo o garanhão preso. Daí as perguntas que geram uma cascata de mudanças: quem posso vir à ser? O que posso mudar naquilo que me motiva? O que posso começar a fazer de diferente? Estas ações implicam mudanças não apenas para a pessoa, mas, também, para a relação. Em uma relação, quando um dos dois evolui, em geral o outro também é convidado à evoluir ou a relação começa a perder sentido. E, com isso, concluímos a reclamação que passa a se tornar ação.

Abraço

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Raiva do terapeuta
29/07/2015

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  • Então é isso!

  • É isso?… Bem, vamos tomar um café e ir embora então? Porque estamos no começo da sessão (risos).

  • Ah é! (risos)… eu não tenho mais nada que eu queira falar sabe?

  • Sim… mas tem algo que você está sentindo… isso posso dizer.

  • Tem… mas não quero falar disso agora.

  • Se eu palpitar certo você fala?

  • Falo…

  • Vou falar assim: não tem problema isso que você está sentindo em relação à mim, pode sentir e pode falar o que você quiser… eu aguento, não vou te julgar por sentir isso, vou ajudar você com esta emoção.

(Silêncio)

  • Eu tô com raiva de você! É isso! Pronto, falei!

  • Ótimo! Me conte o que aconteceu?!

  • É que eu to com raiva porque você fica falando de mim… e me elogia… e me incomoda isso!

  • Eu imagino… que bom que você pode falar da tua raiva, de que maneira falar de ti ou eu te elogiar é agressivo?

  • Eu não sei o que você quer com isso! Porque você me elogia?

  • Quando vejo que uma pessoa tem uma atitude digna de ser elogiada eu o faço.

  • Mas eu tô fazendo algo assim!?

  • Sim, vez ou outra você faz e então elogio o seu comportamento.

  • E você faz isso com todo mundo?

  • Sim, aqui no consultório e na minha vida pessoal também. Não faço bajulação, apenas elogio.

  • Entendi…

  • Que tal trabalharmos melhor com esta raiva e essa dificuldade de falar de si e de ser elogiada?

  • Acho bom.

  • Eu também…

 

A raiva é uma emoção que tem a ver com a sensação de impotência e ameaça. Junte estes dois elementos e terá a raiva. Para que ela serve? Para mobilizar força e foco para lutar ou fugir. A raiva, em si, não é boa ou má, o que fazemos com ela pode se tornar útil ou improdutivo para nós.

Na terapia muitas emoções surgem naquilo que chamamos de “relação terapêutica”. É comum sentir amor, raiva, cumplicidade, amizade, ternura e nojo do seu próprio terapeuta. Todas as emoções que vivemos com outros humanos podemos reproduzir na relação com o nosso terapeuta, pelo simples fato de ele ser, também – e incrivelmente, apenas um humano.

Quando a  emoção da raiva aparece na relação terapêutica é importante que a pessoa consiga comunicar isso. A raiva pode se manifestar por vários motivos, um deles, inclusive significa que a terapia está dando certo. Porque? Porque muitas vezes o processo terapêutico mexe em nossas feridas e incompetências, nossas deficiências – sim você, eu e todo ser humano possui alguma em algum nível. Essa percepção pode ser consciente ou inconsciente, ou seja a pessoa pode estar consciente de que está sentindo raiva ou não, mas ela está lá.

Frente à percepção disso é um mecanismo de defesa comum a projeção de culpa. Assim a pessoa pode ficar braba com seu terapeuta por que na relação com ele, ela descobriu incompetências suas que ela própria não gosta de lidar. Se a raiva não é manifesta é comum que a pessoa termine por abandonar o tratamento porque irá sentir-se mal durante as sessões ou pode até mesmo sentir-se exposta ou até mesmo cobrada pelo terapeuta.

Esta maneira de responder provavelmente é a mesma que ela usa em sua vida diária com todas as pessoas ou uma reação específica ao terapeuta em quem ela deposita muita confiança. Neste último caso a pessoa pode sentir-se “traída” pelo terapeuta ao sentir que ele percebeu suas deficiências ou até mesmo sentir-se ameaçada pelo fato de ele pode descartá-la pelo fato de não ser “perfeita”. A raiva na terapia é sempre um bom sinal porque nos ajuda a perceber onde temos que trabalhar. Assim, explorar a raiva deverá sempre ser um motivo de aprendizado para a pessoa assim como para o terapeuta. Aprenda a falar sobre sua raiva para compreendê-la. A relação com o terapeuta e com a terapia só tem a ganhar quando a pessoa abre suas emoções.

Com raiva?  Explore-a! Aprenda! Transforme-se!

Abraço

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Os erros do passado
22/07/2015

 

Erros do passado

  • Mas então… eu sei que não vai dar certo.

  • Porque não?

  • Porque eu já tentei e não consegui antes.

  • Entendi.

  • Daí, melhor ficar de fora né?

  • Se a tua conclusão é de que o erro do passado irá necessariamente se repetir, sim.

  • E não vai?

  • Não sei… o que você aprendeu quando errou no seu passado?

  • Nada ué… só fiquei triste.

  • Então é provável que vá se repetir. Agora… porque você não aprende com o que fez ao invés de se tornar vítima do seu erro?

  • Como assim?

 

É muito comum que as pessoas tentem realizar algo e não consigam, errem, não tenham 100% de desempenho. Também é comum na nossa cultura que isso seja entendido como um fracasso e um sinal de que é melhor você ficar longe daquilo porque pode lhe trazer problemas. O erro do passado se torna, então, destino futuro. A marca indelével do seu fracasso e o atestado da sua incompetência. inclusive muitas pessoas lutam anos a fio com estas cenas tentando deletar da memória aqueles momentos de tristeza e vergonha.

O que é um erro? O erro é um comportamento que não atingiu o resultado previsto. Como diz o ditado apenas erra quem está tentando, quem deseja conseguir ou aprender algo. Assim sendo, o erro representa, também, a tentativa da pessoa em conseguir algo que almeja. O erro pode ser, também, uma fase de um aprendizado ou adequação frente à uma situação/ aprendizagem que a pessoa não tem.

Encarar o erro como uma fase do aprendizado é o que fazem os grandes cientistas e inventores. Eles não pensam em erro nos mesmos termos que nós. Reconhecem o erro, mas valorizam este evento como mais uma marca importante do seu aprendizado. Eles ignoram o ato de desistir frente ao erro e reconhecem a importância de refletir sobre o que fizeram afim de modificarem a próxima tentativa com mais sabedoria.

E é este o ponto que eu gostaria de trazer no post de hoje. O mais importante com um erro depois que ele ocorre é o como tratamos este erro. Se o colocamos na esfera moral e passamos a nos tratar como incompetentes que não merecem uma segunda chance ele se torna restritivo da nossa evolução, passamos a temer o erro porque ele significa portas fechadas sempre. Se, por outro lado, não nos enfraquecemos e buscamos no erro o próximo passo, estaremos aprendendo a criar auto confiança (sim, ela existe mesmo no erro) e a gerar novos aprendizados a partir da nossa experiência, o que se chama por aí de auto conhecimento.

Assim sendo, se você tem um erro que o impede ainda hoje de tentar algo novamente e você deseja tentar, faça o seguinte. Relembre a cena do erro, o contexto no qual você estava vivendo e quem você era naquela situação. Pense em tudo o que você fez buscando compreender o que fez com que você tivesse errado e não chego no resultado desejado. Depois, pense no que poderia ter feito para garantir um novo resultado, pense em várias situações possíveis, pelo menos três estratégias diferentes. Se não sabe, pergunte à alguém que saiba como fazer, alguém que já passou pela experiência e se deu bem.

Imagine-se fazendo “a coisa certa” com vários comportamentos à disposição, no caso da opção A não dar certo. Faça isso até sentir que “aprendeu” com o seu erro. Uma vez que isso tenha acontecido, imagine-se no futuro tentado realizar a mesma coisa novamente, agora de posse destes novos aprendizados. Veja como se sente. Vale a pena tentar de novo?

Óbvio, estas dicas não devem ser utilizadas em casos de erros que podem colocar sua vida em risco, ou que podem ser potencialmente danosos. São linhas gerais de comportamento que as pessoas usam para aprender com seus problemas, use estas ideias com parcimônia e busque auxilio e um profissional caso sinta que isso é necessário.

Abraço

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A importância da flexibilidade
17/07/2015

Flexibilidade

– Mas Akim, o que você quer dizer?

– Que você está muito rígido, não consegue flexibilizar o comportamento.

– Quer que eu não faça nada, é isso? Deixe ela montar em mim!

– Não, nada a ver com isso.

– Então o que?

– Simples: de que outras maneiras você pode ser atendido no que é importante para você?

– Como assim?

– Você quer que ela seja “companheira”, ok, mas ela deixou claro que estar o tempo todo disponível à você não é uma opção. De que outra maneira você pode senti-la como companheira que não essa?

 

A flexibilidade é uma característica importante para nossas vidas, mas compreender o que de fato é ser flexível é igualmente importante para que não se cometam erros de comportamento que prejudicam a vida ao invés de ajudá-la.

A primeira coisa que ser flexível não é, é ficar “engolindo sapo”. Em geral quando dizemos à alguém: “seja flexível”, a réplica vem à galope: “você quer que eu fique quieto frente à isso?” ou “não quer que eu faça nada?”. Este tipo de atitude vem de uma falta de compreensão sobre o que é flexibilidade e confunde flexibilidade com falta de atitude. Bem, flexibilidade é tudo, menos falta de atitude. Muito pelo contrário, para se ter esta característica é importante estar muito bem fundamentado em suas crenças e prioridades.

Em geral, o que ocorre é que as pessoas encontram uma forma de atender suas necessidades e desejos e se fincam nesta maneira como a única possível de obterem o que querem. Início do desastre. Porque? Porque ou elas levam sorte ou terão uma vida muito pouco rica. Em geral pessoas que são muito rígidas nas suas maneiras de atingir seus objetivos são mais infelizes e brigam muito com os outros por causa desta rigidez. Elas, também, não adquirem um auto conhecimento bom o suficiente para saber de que outras maneiras podem se satisfazer.

Flexibilidade é a habilidade que lhe permite ter vários comportamentos para atingir o mesmo fim. Ter flexibilidade, portanto, significa saber muito bem o que se quer. Saber o que é importante naquilo que se quer e entender quais são as maneiras possíveis de atingir este fim. A pessoa, para desenvolver a flexibilidade precisa ser criativa e ter foco firme (ou seja, longe da ideia de ser fraca ou não saber o que deseja). O foco é onde ela precisa chegar, a criatividade é o que a faz ter vários meios para atingir isso.

O primeiro passo é conhecer muito profundamente aquilo que queremos. As pessoas, em geral, tem noções vagas do que querem e do que é importante para elas nisso. Por exemplo: dizemos que queremos pessoas companheiras. Porém “companheira” se dá de que forma? Para que isso é, realmente importante? Uma coisa é uma pessoa que vá com você fazer compras, outra é uma pessoa que compartilhe suas emoções. Estes dois comportamentos bem distantes podem ser sinônimos de “companheira” e é muito óbvio imaginar que estes dois estilos de companheira atendem necessidades muito específicas.

O caso acima, por exemplo, traz uma pessoa que desejava disponibilidade integral além de exclusividade como sinônimos de “companheira”. Fácil perceber que eram critérios difíceis de serem atendidos. Porém, indo afundo percebemos que estes dois elementos eram uma forma de dizer que ele queria ser reconhecido por quem era. Ora, isso é mais fácil que disponibilidade integral, porém, de que maneiras perceber que ele poderia ser reconhecido? Começamos a compreender que ele poderia ter uma pessoa que soubesse elogiar e validar positivamente seus comportamentos em casa – onde ele era mais sensível – como fazer café e arrumar a cama.

Assim sendo passamos de uma pessoas que precisava ser o tempo todo disponível e gostar “apenas” dele para uma pessoa que soubesse elogiar seus movimentos. Isso é ser flexível. Além disso, ele expandiu seu repertório e começou a perceber que poderia ser elogiado no trabalho e em situações sociais, quando passou a dar valor à estas experiências a própria necessidade de recebe-las diminuiu e ele compreendeu que ele mesmo poderia se elogiar e, com isso, aprendeu a se dar valor. Isso é flexibilidade!

E você: rígido ou flexível?

Abraço

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Odiar e terminar… funciona?
10/07/2015

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  • Eu vou dizer isso pra ele… ele vai me odiar e vai me deixar em paz.

  • Pra que?

  • Pra que o que?

  • Pra que complicar? Porque não diz, simplesmente, que não quer mais?

  • Eu já disse, mas ele não desgruda.

  • Disse… e depois voltou e voltou de novo… você realmente sabe o que quer?

  • Não quero mais ele.

  • Sim, mas e que tipo de relação quer? Quem não sabe o que quer, fica com o que não quer!

  • Ai… é sempre assim tuas terapias né? Deus!!

  • É… pois é…

  • Tá! Eu não sei o quero direito… tenho que pensar nisso né?

  • Sim, para saber que não adianta ir para cama com ele… você não tem o que você quer para uma boa relação. E ele já deixou isso claro.

  • É… é verdade… eu sempre fico nessa de jogar fora o que não quero, mas nunca sei direito o que quero…

  • Verdade…

 

Umas das estratégias mais famosas usadas para terminar uma relação é criar ódio, raiva e aversão em relação ao outro para terminar com a pessoa. Mas esta estratégia funciona?

Antes de responder, vamos analisar o ato de terminar uma relação e, então, a estratégia e o que ela provoca. Ora, é comum confundir a relação com o cônjuge. Porém cônjuge e relação são coisas diferentes e é importante compreender isso, porque não se termina “com alguém” e sim termina-se uma relação. O fato das pessoas procurarem conversar e se entender revela isso. O problema não é, especificamente, o outro, mas sim a relação que foi criada. Se a relação mudar continua-se com a pessoa. Portanto, por incrível que pareça o outro, neste sentido, é menos importante do que a relação.

O erro mais comum é que achamos que estamos terminando com a pessoa. O que ocorre, de fato, é que queremos um determinado tipo de relação que não é possível com aquela pessoa. Portanto, uma outra maneira de encarar o término de uma relação é compreender que na verdade se está buscando uma relação mais adequada ao que a pessoa deseja e que a relação criada até momento não é aquilo que irá deixar pelo menos um dos dois feliz e satisfeito.

Obviamente, isso pressupõe que as pessoas envolvidas na relação saibam aquilo que desejam o que nem sempre – quase nunca – ocorre. O mais comum é se iniciar uma relação por causa do outro – e não por causa do seu desejo de criar uma relação. Assim começa-se “errado”, porque os critérios empregados não são condizentes de uma relação que a pessoa queira. Canso de ouvir : “ele/ela é perfeito/a”. E eu digo “perfeito/a para que?” Uma pessoa bonita, educada, inteligente e sociável pode ser muito atraente quando pensamos nos esterótipos culturais, porém pode não ser isso o que a pessoa quer.

Então surge o momento do término e a pessoa não sabe “como se livrar dele/a” ou como dizer para ele/a. A estratégia do ódio surge neste contexto com a seguinte intenção: se eu o odiar, ele não terá valor para mim ou terá um valor negativo e, então, será simples me livrar. Muitas pessoas conseguem fazer isso, odiar e, a partir disso, terminar. O problema com este tipo de estratégia é que é necessário manter o ódio aceso, afinal de contas se o ódio desaparecer você poderá ter um grande arrependimento. Além disso esta estratégia pode criar desavenças e mágoas desnecessárias visto que ela visa denegrir o outro para que ele perca o valor e com isso torne-se descartável. Cruel não?

Outra maneira de terminar uma relação é compreender que o problema não é outro e sim o seu desejo de relação. Esse é o problema sempre, no final das contas. Assim não é necessário denegrir o outro, apenas compreender que os desejos de ambos não combinam e que é melhor buscar outras pessoas para construir uma relação mais interessante e dentro dos critérios de cada um. Assim é possível terminar sem precisar odiar. Este tipo de término, no entanto, é, para algumas pessoas, mais dolorido, porque ele é mais honesto. Diz-se cruamente o que é, sem rodeios ou xingamentos. Não é mais uma briga, é o fim de uma relação.

Abraço

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Intimidade e poder
03/07/2015

Couple Relaxing in Bed --- Image by © Laura Doss/CORBIS

  • Mas eu estou insatisfeito.

  • Sim, percebo, agora, porque não abrir isso para a sua esposa?

  • Não dá…

  • Porque não?

  • Porque depois ela usa isso contra mim. Vai ficar me enchendo o saco por causa disso!

  • Entendo… Então é melhor manter o controle do que se abrir?

  • Algo assim.

  • Que relação estranha não?

  • É… pensando assim… parece uma briga né?

  • Parece

Num post anterior falei sobre a intimidade como a habilidade de tornar familiar algo entre duas ou mais pessoas. Pensando num casal, a intimidade traz consigo vários benefícios, pois, com ela, a  sensação de empatia, pertencimento e entrega aumentam. Junto com isso tem-se maior facilidade para negociar os aspectos do dia a dia assim como confiança naquilo que o parceiro é capaz ou não de fazer.

Na intimidade descobre-se os novos rumos do casal e pode-se discutir com mais eficiência a relação quando isso é necessário pois a quantidade de informações disponíveis sobre o outro é maior. Conhecer mais o outro e permitir-se ser conhecido é algo que aumenta o desejo pela criação do novo, então ao invés de diminuir, o mistério aumenta. Porém este aumento de mistério é algo que atrai pelo fato de existir um porto seguro entre os dois.

Porém a criação de intimidade vem com o preço da diminuição da briga pelo poder. Toda pessoa ao entrar em uma relação possui alguns medo e desejos. Ao longo da relação começam a ficar evidentes alguns medo que podem acontecer e alguns desejos que não serão realizados. Assim começa a briga pelo poder. A maneira de uma pessoa buscar garantir que seus desejos serão satisfeitos é através do poder que exerce sobre o outro.

Porém o poder termina com a intimidade. Um dos pontos do poder é o segredo, ou seja, a retenção de informações sobre eu mesmo afim de poder manipular o outro ou de não permitir ao outro ciência sobre o que me aflige. Uma vez que há disputa pelo poder não existe o desejo de “tornar familiar”, mas sim o desejo de conquistar e reter, manter, dominar o outro para que a relação se torne aquilo que eu desejo. O desejo pelo poder na relação acaba com o desejo de entrega e isso faz com que a intimidade desapareça.

O efeito mais interessante, entretanto, é que na briga pelo poder muitas vezes os casais realizam seus piores medos através dos comportamentos que assumem. Ou seja, quanto mais lutam contra o parceiro para que seus medos não se concretizem, mais se comportam de uma maneira que influencia a pessoa a se comportar da maneira que eles não querem e temem. A briga pelo poder não constrói as condições para a reflexão sincera e, por esta razão, não faz com que ambos cheguem a entendimentos sobre si e sobre a relação que é o que pode, de fato, fazer com que se crie uma relação em prol do que a pessoa quer e não uma que evite o que ela não quer.

Assim, ao invés de negar medos é interessante revelar medos. Mais interessante ainda é revelar aquilo que se deseja da relação com um foco positivo: o que eu espero de fato. Isso é o que “cura” o medo. Se a pessoa tem medo de segredos, por exemplo, deve buscar construir uma relação com foco na sinceridade e transparência e saber como lidar com estes aspectos.

Ser íntimo é mais do que saber fatos sobre a pessoa. É ter a habilidade e a relação na qual existe espaço e desejo de ouvir e ser ouvido, compartilhar informações, emoções, vivências e desejos sabendo que eles serão respeitados e incluídos na relação. É ter um sentimento de aceitação de si e do outro ao invés de medo daquilo que vem do outro. E é uma delícia.

Abraço

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Desejo e culpa
29/06/2015

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– Não sei bem o que acontece, mas toda vez que consigo algo me sinto mal.

 – O que você sente, especificamente?

– É como se aquilo não fosse para mim… não sei se eu não mereço.

– Pode ser. Veja se é isso ou algo mais próximo de uma sensação de ter feito algo errado.

– Acho que é mais isso… eu até desmereço algumas conquistas para elas não brilharem muito.

– Ok… então você é culpado do seu sucesso é isso?

– (Risos) Nunca tinha pensado desse jeito… mas é mais ou menos isso.

Ter um bom contato com nossos desejos e nos permitir vivê-los tem relação com uma vida saudável. Porém, é comum que o desejo e o ato de desejar encontrem-se vinculados à emoções negativas.

Na educação de uma pessoa, seus pais ou responsáveis podem, por vários motivos, associar o ato de desejar, de buscar com sentimentos como a culpa. Sentir-se culpado por desejar pode ser uma das combinações mais complicadas que a pessoa pode sentir. A culpa implica em dívida, então se a pessoa sente culpa pelo ato de desejar, significa que ela está rompendo as regras e, por isso, assumindo uma dívida.

O problema é que o ato de desejar é inerente ao ser humano, assim a pessoa encontra-se fadada à sentir culpa o resto de sua vida por seus desejos. Algumas pessoas resolvem parar de desejar, de crescer e vinculam-se profundamente à família para manter o status ao qual pertencem e, com isso, eximirem-se da culpa. Outros continuam buscando seus desejos e sua vida e o problema – por incrível que pareça – está quando conseguem. Porque?

Porque ao ousarem e buscarem aquilo que desejam, rompem com a aliança familiar. Este rompimento é passível de punição, porém a concretização do sonho da pessoa, dos seus desejos – embora tenho um lado de conquista – pode assumir um caráter de concretização da culpa. É como se ao conseguir ela também estivesse de maneira definitiva rompendo com as regras e, por este motivo, a emoção é ambígua: ela sente orgulho e desejo de comemorar ao mesmo tempo que sente culpa pela sua capacidade de realizar seus sonhos.

Esta emoção – a culpa – pode ser sentida ou velada. A pessoa pode ter consciência dela sentindo-se ansiosa ou insegura toda vez que assume uma conquista ou está prestes à faze-lo. Também pode ser que ela rompa bruscamente com aquilo que está fazendo, “desista” para não ter que realizar o feito e, assim, não entrar em contato com a culpa. Pode sabotar-se continuamente também como uma maneira de auto punição.

A questão da culpa é compreender a sua origem, ou seja, o que foi, de fato, violado. Depois disso compreender como se pode “pagar a dívida” que a culpa gera. No entanto, muitas vezes se percebe que a regra que foi violada não faz parte do conjunto de regras da própria pessoa. Neste caso o trabalho visa, então, ajudar ela a sustentar o seu próprio conjunto de regras. Assim poderá compreender que embora rompa com regras familiares, não estará rompendo com suas regras pessoais. Compôr suas regras pessoais o ajudará a negociar novas fronteiras com sua própria família também, uma nova maneira de ser dentro de um espaço antigo.

E este, talvez seja o ponto mais importante: aprender a se definir de uma nova maneira, dar-se um papel ou uma maneira de viver o papel que já possui. Assumir a nossa forma e as consequências da nossa forma sem entender isso como punição e sim, como algo “natural” ao nosso universo: que ações tem reações.

Abraço

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Amar não basta
26/06/2015

Amar não basta

  • O problema é que eu amo ele!

  • Amor não é problema.

  • Se eu não amasse ele não estaria nessa situação.

  • Na verdade o problema não é amor, mas sim que você criou ilusões sobre ele.

  • É… pois é…

  • Eu me lembro de ter dito à você que aquilo que você estava vendo “nele” era algo que você queria e não ele.

  • Entendo… o que eu faço agora?

  • Tens que ver ele como ele é e aí sim perceber se quer passar  a vida com este homem “real”.

 

Se você se surpreendeu com o título deste post é porque provavelmente crê em ideias como “o amor supera todas as coisas” ou “tendo amor o resto vai”. Convido você para uma reflexão importantíssima sobre o tema.

A ideia de que o amor é o que importa é nova em nossa sociedade. O amor romântico enquanto uma instituição social aceita não tem muito mais do que 200 anos. O amor romântico tem como base uma relação que se estabelece com base no afeto entre duas pessoas. Antes dele tínhamos o amor familiar onde as relações eram constituídas pelas famílias. Para nós do Ocidente atual é difícil compreender, mas existia sim amor neste tipo de arranjos.

O fato é que o amor romântico criou como norma social a ideia de que devemos nos relacionar com pessoas tomando por base nossas emoções, dessas o amor é o que mais nos aproxima de uma outra pessoa. A sensação de paixão e de amor se juntam formando a base pela qual desejamos nos apegar e viver a vida com alguém. A grande abertura que o amor romântico trouxe foi esta de que um plebeu poderia se apaixonar por uma nobre e, por meio do ideal do amor romântico, ele poderia tê-la, seria “moralmente adequado” que eles ficassem juntos. Achou estranho o “moralmente”? Pois bem, é  exatamente esse avanço que o amor romântico traz: uma permissão moral para que casamentos arranjados e casamentos por afeto pudessem ser validados, para que se tenha ideia, o desejo de não casar-se com alguém previamente arranjado pela família, antes, poderia ser alvo de um crime de heresia e adultério (sim, traição para com a família de origem).

No entanto, o que o amor romântico com as baladas de Tristão e Isolda, Romeu e Julieta e outros esqueceu de se importar foi com o que se faz “depois” que o namorico começa. O que temos nas histórias é a luta para que a relação possa acontecer, depois disso ou os amantes morrem como nas histórias citadas acima ou a história termina com um “viverão felizes para sempre”. O ponto é que amar é apenas o começo. Amar não basta.

Porque afirmo que amar não basta? Porque o ponto é que a emoção de amor, ao contrário do que se pensa, nem sempre está calcada na realidade. Algumas vezes ela está, mas quase nunca é o que se vê. As pessoas tendem a amar projeções, fantasias, medos, e desejos que elas tem e colocam em cima da pessoa ou do próprio ato de se relacionar. Daí que sentem a emoção de amor, porém esta emoção com o tempo irá se dissolver por não ser real. Este é só o primeiro ponto, o segundo é que mesmo que o amor esteja calcado em bases reais a emoção de amar e sentir desejo um pelo outro não são coisas “garantidas”, elas precisam ser criadas e re criadas ao longo do tempo. Sim, relacionar-se dá trabalho – e muito – e, para isso a nossa sociedade romântica e consumista não está preparada.

Estamos preparados para nos apaixonar e sermos felizes para sempre sem muito esforço. Porém esta é a minoria dos casamentos – e isso não quer dizer que esta minoria é “especial” ou “melhor”, mas apenas que deram “sorte” de encontrar pessoas extremamente parecidas. Mesmo nessa minoria, entretanto, existem as necessidades de ajustes, conversas e decisões. Assim a questão é que amar é importante, porém saber manter o amor e saber relacionar-se é o que realmente irá fazer o casamento ir mais ou menos para a frente. Falamos em emoções, porém não percebemos que precisamos de competências, saber como se relacionar com as pessoas.

O que vejo no meu consultório hoje é cada vez mais emoção e menos competência. Pessoas que se apaixonam rapidamente, mas que não sabem como construir uma relação. Passado o furor da paixão os casamentos se deterioram rapidamente. Por este motivo escrevo este post, como um alerta, um chamado à consciência e reflexão. Os índices de divórcio não estão aumentando apenas porque as pessoas “são mais livres” para decidir, mas sim porque estamos cada vez menos competentes para nos relacionar com os outros e criar atmosferas onde uma relação entre duas pessoas reais possa, de fato, acontecer.

Abraço

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Desejo de ter… medo de perder
22/06/2015

Desejo de ter medo de perder

  • Akim, eu amo ela!

  • Eu sei… mas como você sabe disso?

  • Só de pensar que eu posso perder ela, me dá medo.

  • Ah, então no que você está focando: amor ou medo?

  • Hum… parece que é no medo né?

  • Sim.

  • E aí, o que eu faço?

  • Bem… pode refletir, por exemplo, o que significa perder ela para você?

  • Não sei direito… meio que uma coisa de fracasso.

  • Então o que você realmente não quer é sentir-se fracassado?

  • Seria ruim perder mais um relacionamento.

  • “Perder mais um”, pois é… no entanto, não me parece que você está preocupado com a qualidade da relação, mas apenas em não acumular “mais um fracasso”.

  • É…

 

Ao amar o simples fato de se pensar sem a pessoa amada nos faz sentir um frio na barriga. Porém, o medo de perder a pessoa pode ser algo mais forte do que a relação em si. Isso pode trazer problemas.

Quais?

É importante compreender primeiro que existem duas maneiras básicas de se motivar à algo. Uma delas é por aproximação de alguma coisa que desejamos ter, sentir ou conquistar. A segunda é de afastamento, na qual desejamos manter algo ruim longe ou nos afastar de algo que não desejamos.

Quando uma relação se baseia em aproximação as pessoas envolvidas possuem planos bem claros daquilo que desejam ter de um relacionamento. Seja lá o que for, elas buscam criar com o seu comportamento o cenário que tem dentro de suas mentes. Na aproximação a busca é por algo que se quer e que irá fazer bem à pessoa. Coloca-se a relação em consonância com o desejo.

Já no caso do afastamento os envolvidos projetam seus medos na relação e a tem como uma forma de evitar esses cenários negativos. O exemplo mais clássico é o medo de solidão, no qual as pessoas não querem sentir-se sozinhas, pensam que estar só é igual a ser fracassado ou abandonado ou indigno de amor e, com a presença do outro sentem que este mal esta afastado. Perceba que o mal não foi evitado para sempre, apenas está distante.

E é justamente por este motivo que o medo continua existindo. Pegando o exemplo do medo da solidão, esta continua possível, apenas está – neste momento – distante da pessoa pelo fato de estar na relação. Se ela sair da relação ou se esta acabar por algum motivo o elemento temido poderá vir à tona novamente. É isto o que se deseja evitar.

O medo de perder a pessoa está, em geral, vinculada à um outro medo que está projetado na pessoa. Ao invés de se lidar com o medo da solidão, imagina-se com medo de perder o conjugue. Compreender o medo que está projetado no parceiro – ou na relação em si – é o primeiro passo para ajudar-se. Ao perceber que tenho medo de solidão, por exemplo, posso começar a questionar o que é estar só. Estar só é igual à não ter ninguém como companhia ou estar me servindo de companhia para eu mesmo?

O desejo de estar com a pessoa não gera medos, pelo contrário, gera uma expectativa prazerosa que mistura a relação com a criação de coisas boas, que ambos desejam. Este encontro é uma feliz construir-se e reconstruir-se todo o tempo almejando sempre novos patamares de conquistas, satisfação e orgulho. Se estes sentimentos estão distantes de você, talvez o que você realmente sinta é simplesmente o medo de perder a relação ou o conjugue. E se este for o caso, pense seriamente no que isso significa para você. Talvez você – e a relação – poderão “lucrar” mais com uma investigação profunda e sincera de sua própria mente do que em simplesmente estarem juntos porém sem qualidade – e talvez sem desejo.

Abraço

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