Permissão e culpa
05/06/2015

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  • Não estou me sentindo muito bem.

  • O que acontece?

  • Neste final de semana sabe?… eu fui… eu resolvi sair!

  • Opa, coisa boa.

  • Eu sai mesmo sabendo que meus pais não aprovam.

  • Entendo. E o que você acha disso, de sair?

  • Para mim é normal… eu acho saudável!

  • Sim, qual o problema então.

  • Este: os meus pais não aprovam. E eu me sinto culpado.

  • Sente-se culpado por que eles não aprovam?

  • Sim.

  • A aprovação tem que vir deles ou de você?

  • Teria que ser de mim né?

  • Sente medo de ser retaliado por isso?

  • Sinto.

 

 

A culpa é um sentimento muito difundido na nossa cultura. Pode-se dizer que desde que nascemos estamos envolvidos nela quando se pensa na questão do pecado original.

Um dos grandes problemas da culpa é quando ela se torna um elemento impagável e indiscriminado. Para refletir melhor sobre isso, vamos compreender o que é a culpa. Ao contrário do que se pensa ela não é necessariamente ruim. A culpa é uma emoção que não diz que o nosso comportamento está violando o nosso sistema de crenças e valores morais. Ou seja, sentimos culpa quando achamos que estamos infringindo nossas próprias regras pessoais e/ou aquelas que decidimos seguir.

Desta maneira, quando sente-se culpa a ideia é refletir sobre o que se fez e sobre como se pode fazer diferente no futuro. Remediar um determinado erro, solicitar desculpas à alguém caso isso seja necessários e comprometer-se com a mudança. Outras vezes a culpa é um sentimento que pode levar à reflexão de que o código moral está por demais rígido e a pessoa pode desejar mudar a maneira pela qual pensa sobre a vida.

No entanto, nem sempre a sensação de culpa vem de maneira clara. Muitas vezes as pessoas sentem culpa e não sabem direito o que fizeram para estar sentindo-se assim. Se não sabem o que fizeram e nem qual regra quebraram fica muito difícil de saber como remediar ou como comportar-se de maneira diferente. Existe outro caso também em que a culpa está associada à pessoa, ou seja, ela é culpada pelo fato de que ela fez algo. O problema é diretamente com ela.

Estes casos impedem a pessoa de permitir-se seguir adiante, de ter novas iniciativas e de ser feliz. Muitas vezes são “pseudo-culpas”, ou seja, culpa que aprendemos a sentir como comportamento condicionado. Aprende-se a sentir culpa como um mecanismo de defesa em situações, por exemplo, em que as iniciativas da pessoa são sempre castigadas. Neste contexto a pessoa passa a sentir culpa em desejar como uma forma de se proteger deste desejo que será punido mais tarde. Isso não quer dizer que ela acha que ter iniciativas é algo errado, mas que aprendeu a sentir assim. Encontramos esta referência no seguinte discurso das pessoas: “com os outros é diferente, eu acho bom que as pessoas façam isso. Mas quando é comigo me sinto mal de fazer isso e acho que faço algo errado.”

Nesta situação mesmo quando as pessoas que a “ensinaram” sentir esta culpa já morreram ela continua organizando isso buscando no ambiente indícios de que está sendo punida. A solidão, um problema financeiro ou até mesmo uma simples ansiedade que ela sente antes de fazer algo que deseja pode ser entendido como uma forma de punição. Ela não se sente à vontade para realizar aquilo que deseja e começa a assumir a identidade de servidor, enquanto está servindo sente-se sob controle, quando começa a ter desejos próprios passa a sentir ansiedade.

Espero que isso possa ajudar você a refletir se a culpa que sente é algo vindo de você mesmo ou se está apenas reproduzindo aprendizados que não são úteis à você. Liberte-se!

Abraço

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Medo de mim
22/05/2015

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  • Eu não quero falar sobre isso.

  • Porque não? É difícil para você?

  • É… muito!

  • Entendo. Talvez você se sinta vergonha ou culpa em relação à isso?

  • Vergonha.

  • Sei. Conhecendo você, acho que não precisa sentir que algo dentro de você é tão indigno assim.

  • Eu sei também… mas mesmo assim é difícil sabe?

  • Sei sim… não quero forçar você a dizer, apenas questionar a emoção que está presente no sentido de que essa “coisa” aí guardada pode ajudar você à crescer se for aceita e integrada.

  • Eu entendo…. (respira) é que nem sempre eu sou tão forte quanto ajo… eu tenho um monte de dúvidas e ninguém sabe disso!

  • Obrigado por ter dito… é… que bom que você tem dúvidas… prova que você é humano! Bem vindo ao clube!

  • (Risos) Ai… é muito complicado admitir isso.

  • Perfeito, reconheço. Vamos trabalhar um pouco com isso, apenas tome folego e relaxe, não foi tão ruim assim né?

 

O ser humano é complexo em sua estrutura psíquica. Nela podem coexistir as mais variadas ambiguidades e os maiores paradoxos. Como lidamos com estes paradoxos é sinal de maturidade e exige muito trabalho.

Algo comum de acontecer é quando nossa auto imagem está distante de quem somos de fato, ou daquilo que damos conta de ser. Desejamos ser independentes e fortes, entendemos e acreditamos nas ideias que sustentam  esta percepção e temos nos comportado de maneira à seguir isso. No nosso íntimo, no entanto, muitas vezes temos outros sentimentos referentes à menos valia, dúvidas, incertezas e inseguranças sobre nós e nosso comportamento. O que fazer com isso?

Como disse anteriormente o interessante é que conseguimos ter ambos os estados em nós ao mesmo tempo. Podemos ter uma atitude muito forte sentindo medo dentro de nós, por exemplo. Muitas vezes uma emoção como o medo é exatamente o gatilho que dispara uma reação de força e coragem. Assim sendo não é um problema que uma  emoção se contraponha à uma percepção que tenho de mim. Isso apenas se torna um problema se quero fingir para eu mesmo que isso não existe.

Embora muitos psicólogos diminuam o saber intelectual, eu o defendo. É um começo, por assim dizer que torna as coisas mais simples. Saber que eu posso ser mais forte e independente – no sentido verdadeiro desta palavra e não a independência fria – é melhor do que achar que eu devo continuar sendo submisso. Assim a pergunta que surge é: o que estrutura a emoção sentida e a percepção de si que ela acompanha? Qual a motivação daquela emoção?

Na linha do problema da independência, a pessoa pode desejar ser mais independente, mas sentir medo de fazer algo sozinha quando está numa relação, por exemplo. Este sentimento pode ter sido motivado por aprendizados passados nos quais ao buscar movimentos independentes a pessoa era punida de alguma maneira ou desacreditada. Continuou buscando a independência, mas emocionalmente não conseguiu criar uma base sólida que sustentasse a sua percepção de eu.

Neste caso, pode-se trabalhar com este aprendizado passado e buscar ressignificar o que aconteceu lá para que a pessoa possa olhar para estas memórias com outros olhos. Isso a ajuda a se libertar da percepção de que ela deve sentir medo de buscar seu próprio caminho e encarar possíveis brigas ou desentendimentos em relação à ele de outra maneira. Neste caso, como a percepção de ser independente já existe é um bônus porque ela está construindo algo que acredita, apenas tinha medo.

Assim sempre recomendo que as pessoas não sintam medo em aceitar dentro de si sentimentos contraditórios. É um tanto assustador, eu sei, mas estas percepções são importantes de serem aceitas e trabalhadas para se tornarem uma parte da pessoa integrada com o restante. Em outras palavras: elas não estão aí para sabotar você, apenas para aperfeiçoar você.

Abraço

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Relação e evolução
20/05/2015

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  • Sabe o que está sendo melhor?

  • Não.

  • É que parece que nós dois queremos crescer sabe?

  • Sei.

  • A gente discute um monte e nem sempre concordamos, mas é com um desejo sincero de crescer e não de ficar de briguinha boba sabe?

  • Claro. O que está sendo mais interessante para você?

  • Eu tenho tentado abrir mão da minha possessividade… é difícil, mas tenho tentado

  • Como você tem feito?

  • Já disse para ele que sou assim, mas além disso tenho tentado domar o meu medo de perder ele.

  • Entendo

  • Inclusive é disse que quero falar hoje

  • Vamos lá!

 

Todos temos nossos problemas, traumas, situações mal-resolvidas e temores. Levamos estas características conosco onde quer que vamos, inclusive – e talvez principalmente – para as nossas relações. Nelas podemos encontrar suporte para vencer nossas barreiras ou podemos achar, justamente aquilo que as reforça. Além disso podemos criar para nós mesmos mais barreiras ainda independente da relação ser benéfica ou não.

É muito comum que as pessoas se deem conta durante um processo de terapia que estão usando determinada característica da relação que possuem como uma maneira de equilibrar-se. Não vejo, enquanto terapeuta, problema nisso, desde que este equilíbrio seja saudável para ambos. Porém, quando se percebe isso é muito difícil a pessoa desejar manter esta característica. Em geral, ela deseja mudar isso.

Uma relação pode ajudar você a conhecer seus limites e a buscar superá-los. Porém, para isso, é necessário que exista uma busca pelo auto conhecimento no sentido de perceber que a maneira pela qual você se relaciona está alinhada com a sua identidade, seus medos, desejos e com a sua dinâmica psicológica. Embora possa parecer óbvio, isso, muitas vezes não passa pela nossa cabeça. Tendemos a fazer nossas escolhas no automática, ou melhor dizendo, inconscientemente.

Por exemplo, é muito comum que as pessoas repitam padrões de comportamento em suas relações. O primeiro passo é perceber o padrão, o segundo passo e ligar ele com a sua dinâmica interior, ou seja, o que este comportamento está buscando? Qual a funcionalidade deste comportamento? É comum que as pessoas tenham medo de perder seu conjugue, por exemplo. Tem vários comportamentos no sentido de prevenir que isso ocorra como serem super cuidadosos. Deixar de ser assim, ou exigir mudanças de comportamento do outro pode ser causar muita ansiedade para alguém com esta dinâmica.

O que nos leva ao terceiro passo que é ousar comportamentos diferentes e perceber os resultados na relação. É neste ponto que uma relação pode ajudar, ao proporcionar um ambiente seguro para que o outro se experimente de forma diferente. Por exemplo, o conjugue de posse do conhecimento de que o outro tem medo de ser abandonado pode permitir que a diminuição nos cuidados e a exigência de novos comportamentos sem a ameaça da separação ou melhor ainda, mostrando o quanto isso pode unir ainda mais o casal.

Criar este ambiente no qual a sinceridade é reforçada e que a busca por aprimoramento tem um lugar especial é o que faz com que uma relação seja além de prazerosa evolutiva. Intimidade e sinceridade são elementos fundamentais para a relação, busca pelo auto desenvolvimento e honestidade consigo individualmente.

E aí, céu ou inferno em casa? Decida!

Abraço

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Crianças
23/01/2015

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  • Tenho um relacionamento próximo com o meu filho.

  • Que coisa boa!

  • É, mas eu não sei ao certo se isso não atrapalha.

  • De que maneira iria atrapalhar?

  • Bem… é que eu acabo não dando limites para ele quando preciso e vejo que está…

  • Saindo do “controle”?

  • É… algo assim…

  • Sim… “ser” próximo e ser relapso na educação são coisas diferentes sabe?

  • Ai… tá… entendi…

  • Que bom. O que você sente quando precisa dar limites?

  • Fico inseguro. E se não for isso o melhor para ele?

  • Hum, entendi, vamos mexer nisso aí.

 

A relação entre pais e filhos é de enorme importância para todos nós. Não apenas pelos vínculos familiares, como também pelas pessoas que estarão sendo formadas para a vida em comunidade. Como se diz, as crianças são o futuro.

Ocorre que como já dizia o comercial, “não basta ser pai, tem que participar” e essa participação traz responsabilidades que requerem habilidades que as pessoas muitas vezes não possuem. O tema do limite é algo básico no consultório hoje em dia. As pessoas sentem medo de dar limites, não sabem dar limites ou nem sabem para que dar um limite, por exemplo. Essa competência é uma das que são fundamentais para a educação da criança. Sem ela a pessoa não compreende direito o mundo à sua volta, porque se percebe sem limites num universo com limites, isso é muito confuso.

Ter uma ideia sobre a educação das crianças que seja coerente e uniforme entre o casal é outro fator importante. É muito complicado educar uma criança quando o casal não tem uma linha que os una. Todos conhecem o famoso “Posso pai?” “pergunta para a tua mãe”, “posso mãe?” Pergunta para o teu pai. O que ocorre? A criança escolhe sozinha. Pior que isso é quando os pais dão respostas diferentes para a mesma pergunta mostrando que não há harmonia no casal. “A quem obedecer?”, pergunta-se a  criança? Assim sendo, a competência de ter uma relação harmoniosa com entendimento na educação das crianças é fundamental.

A empatia é uma outra habilidade importante. A criança aprende “quem é” a partir dos olhos do outro. O adulto ensina os limites do corpo, da emoção e da identidade da criança ao longo de sua formação. Ser empático nesse contexto significa saber ver um outro e dar-lhe respeito. Sem isso é impossível mostrar à criança quem ela é, se eu não o vejo, não posso mostrar você à você mesmo. Muitas crianças tornam-se adultos e vem ao consultório sem ter esta percepção adequada de si mesmo.

Agora, saindo um pouco dos “tem que”, vale a pena lembrar que cada criança é um ser único. Assim, é importante saber apreciar este ser da maneira que é. Esta, creio eu, uma “habilidade” que é uma arte, a arte de saber olhar o outro, aceitá-lo e deixar que a relação o guie, a arte de jogar com o outro – não num sentido manipulador. Abrir-se ao novo, à experiência única que será a relação com a criança é importante para que os pais além de terem suas regras aprendam com a criança e deixem este espaço aberto à ela no mundo.

E você, pai e mãe leitores, como estão fazendo o nosso futuro?

Abraço

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O olhar que me olha
10/12/2014

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– Eu cansei sabe?

– Sim, entendo você.

– Porque ela não para de me encher e entende logo quem eu sou?

– Não sei. Porque te irrita isso?

– Porque ela não me vê como eu sou.

– E porque você continua se posicionando da mesma forma? Não me parece adequada à este “novo eu”, mais maduro, segundo você.

– Não sei… é que me irrita… ela não me percebe.

– Sim, mas é você quem tem que se perceber e reagir de acordo.

– Mas…

– Em outras palavras, se você é quem diz ser, porque briga com ela sobre isso?

– Hum…

 

Auto imagem é uma palavra interessante de ser estudada. Além de palavra, ela representa um fenômeno que é a maneira pela qual a pessoa se percebe. Ocorre que a auto imagem nem sempre é aquilo que queremos que seja, em outras palavras: às vezes temos o desejo de nos ver de uma forma, mas na realidade nos vemos de outra.

As pessoas falam muito sobre como o outro nos vê quando falam de auto imagem, quando na verdade o problema é como eu me percebo e como ajo frente à isso. Se me percebo de uma determinada maneira e essa imagem está integrada posso relaxar nela e agir a partir dela, senão eu preciso de aprovação dos outros ou de prová-la à alguém. Aí moram os perigos.

Quando preciso da aprovação de uma outra pessoa imediatamente me coloco numa situação de menos valia porque é a pessoa quem dá a decisão final sobre quem eu sou. Muitas vezes fazemos isso bolando maneiras pelas quais gostaríamos que o outro respondesse à quem somos, mas esta resposta não vem e, então achamos que a pessoa não nos aprova. Os enganos podem ser vários: a pessoa pode não ter uma maneira igual à sua de demonstrar, a pessoa pode não desejar ver você da maneira pela qual você se vê ou até mesmo ela pode não ligar muito para esta percepção e nem sequer atentar ao detalhe.

Provar significa que preciso vencer algum teste afim de receber o aval de que sou digno de me perceber segundo um determinado status. Se preciso provar à alguém é porque eu mesmo não me basto como referência minha. Novamente a situação perigosa de estar na mão do outro para receber o seu status pessoal. Pode ser que o outro não entenda que você está  num teste, e não ache que tenha que lhe dar alguma nota ou certificado.

Os outros podem negar, concordar ou ignorar a nossa definição de eu. Quem deseja tornar-se “alguém” deve saber lidar com esta realidade. É como adquirir uma competência: você precisa saber qual e como saber se dizer que a conseguiu. Senão dependerá de um terceiro, a competência, neste caso, é a capacidade de se perceber segundo um determinado status e segundo um critério. Quando a pessoa consegue assumir isso ela pode mudar a maneira de se comportar frente aos outros porque não necessitará mais do aval deles.

Você sabe quais são os critérios pelos quais você determina quem é? Você consegue sustentar esta imagem de si em suas relações ou cede à pressão dos relacionamentos? Você se sente da maneira pela qual se percebe ou esse conceito é apenas uma ideia na sua mente?

Estas perguntas vão te ajudar a começar a fazer as perguntas para organizar a sua auto percepção.

Abraço

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O boneco
11/07/2014

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  • Tenho sentido muita tristeza nesses dias sobre eu e minha família.

  • Hum e porque?

  • Porque entendi que eu não tenho um lugar lá dentro sabe?

  • Ah é? Mas você mora lá, não mora?

  • Ah sim… mas… “eu” sabe? Eu sinto que “isso” não tem lugar lá!

  • Entendo… E aí dentro de ti, tem?

  • Como assim?

  • Dentro de você, existe lugar para aceitar que você é diferente da sua família?

  • Puxa… não sei… não havia pensado nisso!

  • Hora de pensar então, não é?

  • É!

 

Nathaniel Branden diz que a auto estima no mundo atual é mais do que uma característica boa para se ter, é uma necessidade vital para sobreviver emocionalmente. Esta colocação vai de encontro a ideia de que quanto mais escolhas temos que fazer mais temos que saber sobre nós mesmos afim de sabermos traçar nossas metas com convicção e segurança pessoal o que resulta numa boa qualidade de vida afetiva. A colocação de Branden vale também para os relacionamentos afetivos, visto que quanto mais sabemos sobre nós, melhor fazemos nossas escolhas, colocamos limites, negociamo e amamos.

Mas e o que se faz quando a pessoa tem medo de se colocar? Quando o bálsamo que irá ajudá-la a viver uma vida plena é exatamente aquilo que ela mais teme?

Muitas pessoas aprenderam em suas vidas que elas não são importantes, o que importa é o que se espera delas, a função que elas tem à prestar para família, conjugue, filhos e sociedade. Isso não impede ninguém de se desenvolver bem, ter um bom emprego e ser uma pessoa sociável, porém, atrapalha muito a atitude dela ao colocar as suas emoções e necessidades em várias áreas de sua vida.

Ocorre que quando se pensa que o importante é agradar ao outro, o foco das escolhas e das decisões é a outra pessoa. Isso cria uma hipersensibilidade ao que o outro fala, pensa, sente e deseja e minimiza aquilo que a própria pessoa sente, pensa e deseja. Em alguns casos, inclusive, a pessoa toma o outro em detrimento do seu, ou seja, não é apenas uma minimização, mas sim uma troca de um pelo outro.

O que existe em comum nestes casos é um medo relacionado aos desejos, sentimentos, pensamentos e necessidades pessoais. A pessoa aprende que “o que é dela” é, de alguma maneira errado e por isto além de colocar o outro na frente, ainda teme o que é seu. O primeiro passo é ir direto neste ponto e desmistificar as ideias que sustentam o fato de que “o que é dela é errado”. Ao flexibilizar esta ideia a pessoa pode começar a ver o que é dela e dá certo e é bom e a faz sentir-se bem, essa percepção irá ajudá-la a colocar-se mais em sua vida porque irá produzir a sensação de merecimento e respeito por ela própria.

Um dos medos mais comuns que vem à tona neste momento é o medo da exclusão, abandono ou de ficar só. Este medo é altamente compreensível quando se pensa que a pessoa passou uma vida toda entendendo que o valor dela era proporcional à satisfação dos outros para com ela. Logo o outro assume um papel fundamental em sua vida e a simples noção de “estar só” (que é diferente de ficar só) é aterrorizante.

O medo, no entanto, é uma ilusão de que a pessoa não irá conseguir viver “sozinha”. A fantasia que se cria foca o dia a dia e as relações cotidianas, porém é a metáfora de um medo interno de se assumir e de ficar tranquilo dizendo para si que as escolhas que a pessoa está fazendo são aquelas que ela deseja ter e que são boas para ela e que se não o forem, ela fará novas escolhas. Porque isso causa medo? Porque a pessoa não sabe lidar com isso. Ela se treinou para dar valor ao outro e não a si, logo quando passa a fazer o contrário é esperado que o medo apareça.

Compreender este medo é importante. Saber que o que tememos de fato é assumir a vida que existe dentro de nós com as várias implicações que ela tem. A solidão é um medo fantasioso que, na verdade, se refere à “saída de casa” e ida para o mundo. Quando o cliente me diz “tenho medo porque acho que não tenho um lugar na minha família se eu for mais eu mesmo” o que leio é: “tenho medo de assumir que sou diferente e que o meu caminho pode não ser o mesmo da minha família”. Porém, aceitar este medo e buscar vencê-lo é justamente aquilo que faz a pessoa crescer. No final, não se trata se a família vai ou não aceitá-lo como é, mas sim se ele irá aceitar o seu próprio “destino”.

Existe uma frase que gosto de usar neste momento que é a seguinte: “não existe preço alto quando o assunto é a sua própria alma”. Esta frase é importante para nos lembrar do que é importante: a auto expressão. Não se trata do resultado final, mas sim da sensação de fazer algo que lhe dá vida, que lhe conecta com algo maior do que você mesmo, que te dá sentido de realização pessoal, que te conecta com pessoas que acrescentam para você, que lhe dá prazer, compromisso e orgulho. O resultado final depois de tudo isso é o de menos, é a cereja do bolo.

Assim, que tal assumir mais você?

Abraço

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Estranho ao amor
07/07/2014

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  • Não sei não Akim…

  • Porque não?

  • Ah… sei lá… é que assim: qualquer um pode dizer que está gostando de você e mentindo!

  • Hum… entendi. Bem, é verdade isso, mas porque isso aconteceria com você em específico?

  • Porque não?

  • Eu já disse que pode ocorrer, mas gostaria de entender porque com você?

  • Acho que eu sou fácil de ser enganada… não sei medir bem as pessoas…

– Como sabe disso?

  • Minha família sempre diz isso de mim…

  • E o que você acha?

  • Eu não sei ao certo… acho que é mais fácil eu acreditar em tudo o que me dizem porque no fundo preciso de alguém me dizendo isso, sabe como?

  • Não… como?

  • Ah… não sou exatamente o tipo de pessoa que se ama… então quando alguém diz para mim que me ama, que eu sou especial eu meio que grudo nisso entende?

  • Ah sim, entendi…

 

Muitas pessoas sentem-se “estranhas ao amor”. Esta sensação vem com vários tipos de argumentos como o que coloquei acima “sou facilmente enganada”, “não sou uma pessoa para ser amada”, “as pessoas mentem”, “todo(a) homem (mulher) é sacana” que são defesas criadas contra a experiência de amar.

O argumento que afasta a pessoa do amor é aquele que a faz inconscientemente buscar um refúgio em sua “zona de conforto da solidão”, ou seja, a pessoa aos poucos começa a preferir as fantasias de dor que possui do que se entregar experimentando novas relações e novos pontos de vista sobre si mesmo, relacionamentos e a própria vida.

Sempre que percebo argumentos que são rígidos em demasia sei que existe uma defesa contra algo. No caso das relações as pessoas constroem estas ideias rígidas através de suas primeiras relações com pais e figuras importantes. Por terem sido criadas nesta época elas tendem a ser rígidas porque as crianças não tem uma mentalidade tão flexível quanto a do adulto, em geral, é muito difícil a criança conseguir relativizar alguma coisa porque isto demanda um cérebro mais amadurecido.

A questão é que não apenas a pessoa pensa nas relações de uma determinada maneira, ela também cria uma identidade própria além de comportamentos que a levam sempre ao mesmo cenário. Assim sendo, mesmo que o parceiro possa não ser aquele bicho papão, a pessoa começa a se comportar de uma maneira que a faz reproduzir na relação cenas parecidas com as que viveu no passado. Ao viver isso a pessoa “confirma” a sua teoria e então começa a fechar-se ao amor novamente.

O problema é que, geralmente, a pessoa já está fechada para o seu amor próprio. A auto imagem e a auto estima não estão bem estruturadas porque foram criadas com base nas deficiências que ela tinha na relação com pais, familiares e outras pessoas importantes. O foco no “você é mau”, é maior do que o foco no que a própria pessoa faz de bom e, assim, como ela pode criar uma boa auto imagem e respectiva boa estima? Não pode. Terá, na melhor das hipóteses uma auto estima dúbia, ou uma pseudo estima que fará com que ela “ache” que está tudo bem, até que seja “testada”.

Qual o teste? Por incrível que pareça: o amor. Ser amado realmente ataca as crenças negativas que temos à nosso respeito. É um teste: “esta pessoa diz que você é linda, maravilhosa, inteligente… você acredita nisso? Não estou vendo isso aqui na sua própria auto imagem mocinha… o que acontecerá quando esta pessoa ver você como realmente é?” Abandonar a auto imagem negativa significa se recriar a partir de uma perspectiva nova e amorosa, mas se a pessoa nunca confiou plenamente nela mesma, como o fará agora “só porque tem alguém dizendo que ela é especial”?

O primeiro passo consiste em desafiar você mesmo os seus pensamentos negativos à você mesmo. Quando a pessoa começa a fazer isso ela está, ao mesmo tempo, dando um basta à auto crítica e dizendo “eu mereço ser feliz”. Este enfrentamento se faz necessário e ajudará a pessoa a “abrir brechas” nas suas defesas permitindo que o novo entre e, com isso, buscar uma maneira nova de se ver e se perceber no mundo.

Que tal começar agora?

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Insuficiência
07/05/2014

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  • Mas não sei de verdade se é isso que eu quero?

  • Não sabe ou não quer assumir?

  • Ah Akim… sei lá… parece que é tão bobo querer isso.

  • Bem, se você tratar o seu desejo desta maneira, assim será…

  • É né?…

  • O que te faz tratá-lo assim?

  • É que… não sei se basta eu querer entende?

  • Sim, como se você tivesse que querer e fazer mais alguma coisa… o que é?

  • Ah, não sei…

  • O que te permitiria ir atrás daquilo que quer?

  • Hum… talvez se eu tivesse alguém que me dissesse que está certo o que eu quero.

  • Você não consegue julgar isso por você mesmo?

  • Quem sou eu para fazer isso?

  • Quem é você para não fazer?!

 

 

Em momentos como esse pensamos: “nossa… é mesmo”. A questão é sou ou não sou “suficiente”?

Em geral as pessoas desejam ter uma aprovação dos pais ou do grupo ao qual pertencem, isso é algo saudável  natural ao ser humano. O problema surge quando esta aprovação assume o caráter de permissão à respeito do que a pessoa irá fazer ou deixar de fazer.

Quando isso ocorre a aprovação não é apenas uma questão de “gostei ou não gostei”, ela assume um caráter que dita se a pessoa está fazendo as coisas de maneira correta, se não está e se ela é competente para realizar isso ou não. Porque isso é um problema? Porque muitas vezes o grupo, pais ou família podem não considerar uma competência que é muito importante, porém não é valorizada naquele ambiente. Ou então a família pode ter determinadas crenças limitantes que acabam sendo incorporadas pela pessoa e tratadas como verdade e paralisam a ação (você já ouviu um pai dizer ao filho “homem não chora”?).

Outra questão um pouco mais profunda tem a ver com a identidade da pessoa. Muitas vezes a necessidade de aprovação e a dinâmica familiar guiam a pessoa a se compreender como alguém que “deve” (nos dois sentidos da palavra) ser subalterno, por exemplo. Quando a aprovação recai nas competências a pessoa precisa de alguém que diga que o que ela faz é algo bom; quando recai na identidade ela precisa de alguém que diga que “ela” é boa. A noção de quem somos se torna um grande problema para nós porque ao mesmo tempo que nos define age contra nós ao nos manter com comportamentos inadequados e em situações de risco.

Quando os dois problemas se misturam temos uma questão grave pois a pessoa não mais se entende “suficiente” para dar conta de sua própria vida, além de ser alguém “ruim” é, também, “incompetente”. O traço mais claro de quando estamos numa situação como essa é esse que vimos acima: a negação da validade do próprio desejo. Em geral o desejo é negado quando a pessoa e sua noção de identidade foram negadas, ridicularizadas ou rejeitadas por pais e família. A pessoa aprende que aquilo que ela se diz que é e que quer não é digno de nota, esconde esta auto imagem junto com os desejos e assume uma nova mais condizendo com aquilo que se espera, porém a outra parte permanece irrompendo em momentos de estresse, por exemplo.

É neste momento em que a pessoa precisa aprender a rever seus conceitos sobre si mesma e a reavaliar os resultados que tem conseguido ao longo de sua vida nas suas empreitadas. Isso é um começo para ajudar a pessoa a redefinir quem ela é e o que pode ou não fazer.

Abraço

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Não é estranho?
25/04/2014

MNLOGO

 

  • Eu não sei o que fazer com as minhas meninas… elas não me respeitam!

  • É muito interessante ouvir você dizendo isso sabia?

  • Ah é, porque?

  • Bem, até onde você me conta de você, na sua empresa você é respeitadíssimo não é mesmo?

  • Sim… lá eu sou, mas em casa…

  • O que você faz na empresa que não faz em casa?

  • Imponho respeito?

  • Sim, mas, de que forma?

  • Ah… sei lá… pensando bem… no trabalho eu sou claro com as regras e quero vê-las cumpridas, já em casa sou meio manteiga derretida sabe?

  • Claro que sim, derrete todo o respeito que elas poderiam ter com você não é mesmo?

  • É… bem…

  • A sua família precisa de você meu caro! Precisa saber que você quer ser respeitado, tem boas ideias com regras boas para serem seguidas. Suas filhas precisam da sua orientação, e não estão dando o respeito à você, porque você não está entregando isso à elas!

  • Entendi… só fazer a mesma coisa do trabalho em casa?

  • Só assumir o seu papel de “merecedor de respeito” e aí sim fazer a mesma coisa, que tal?

  • Parece bom… vou fazer!!

 

Não é estranho que tem pessoas que tem comportamentos ótimos no trabalho e não em casa? Ou até, pessoas que organizam a vida pessoal, de um marido e mais três filhos, mas não desenvolvem a sua vida profissional por “falta de organização”? Não é interessante que temos comportamentos muito bons em uma área os quais deixamos só lá sem levar para as outras?

Se você se identificou com isso, este post é para você!

Pensemos no seguinte: em primeiro lugar o contexto no qual estamos faz toda a diferença para nós. Muitas pessoas aprendem que trabalho é lugar para trabalhar e em casa para descansar. Obviamente com esta concepção fica difícil levar comportamentos do trabalho para casa e vice-versa. Esta crença limita o “tráfego” de comportamentos e recursos mesmo que sejam úteis. Assim pare um minuto para pensar sobre como você pensa os diferentes ambientes nos quais vive. Casa é lugar para fazer o que? Trabalho? Clube? Biblioteca? Café? Como você pensa cada um dos lugares poderá dar uma dica preciosa do que te faz não levar ou trazer alguns comportamentos importantes de um lugar para outro.

Pode ser o caso, também, da pessoa se identificar de maneiras diferentes. Lá no meu trabalho eu sou “o rei do pedaço”, mas em casa minha mulher me trata como seu eu fosse “o cara que joga o lixo para fora”. Ou então, “no meu trabalho as minhas colegas me respeitam pelas minhas conquistas”, mas meu marido me diz que eu sou “a mulherzinha” dele. Como numa peça de teatro, diferentes identidades – ou papéis – pedem comportamentos específicos para quem o interpreta. Se a pessoa “veste” o personagem, também será difícil ter o mesmo comportamento em contextos diferentes. Quem é você em casa? No trabalho?

Outro caso não tem a ver com o comportamento, mas sim pela forma pela qual ele é executado. Um sargento aposentado, por exemplo, pode ter problemas em se adaptar à sua casa se ele achar que irá dar ordens à mulher e aos filhos. Porém se o comportamento de “ordem e disciplina” for ajustado às regras da vida civil ele poderá ter uma bela oficina em casa, poderá ajudar a mulher à organizar as compras do mercado, arrumar as roupas e a organização com maestria o churrasco da família.

É importante, também, dar um parâmetro importante sobre este tema: o mais importante não é comportamento em si, mas sim o benefício que ele irá trazer à pessoa e às pessoas com quem ela convive depois de executado. Foi como eu disse ao pai do exemplo: as filhas estava precisando dele, mas ele não estava dando à elas algo importante: limites. Se ele o fizesse todos teriam muito à lucrar na situação. Esta noção de ganho é importante de ser pensada, pois, muitas vezes as pessoas não tem um comportamento adequado por comodismo, ou seja, se criaram num ambiente em que o comportamento não era executado e nunca pararam para pensar no quanto ele poderia ser útil e necessário. No caso do pai acima isso era verdadeiro: seu pai nunca lhe dera bons limites e ele nunca entendeu a função disso para a criação de filhos, embora ele mesmo tenha se tornado uma pessoa com bons limites.

Abraço

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O meu lugar
21/03/2014

– Mas e o que a minha família vai dizer?

– Provavelmente eles não vão concordar.

– E daí?!

– Bem, daí que eles não vão concordar, só isso.

– Como assim “só isso”?

– Oras, eles não tem que concordar tem?

– É… não… mas…

– Mas?…

– Eu queria que sim…

– Ah… seria ótimo se sim… mas este é o seu caminho, não o deles.

– É triste isso.

– Um pouco sim, a gente sempre quer ter todos por perto não é mesmo? Mas isso também seria algo meio estranho não é?

– É, pensando bem… ninguém vive as mesmas coisas né?

– É.

(silêncio)

– Acho que tenho que parar de temer ser quem eu sou.

– Também acho! Muito bom!

Que lugar você se dá em sua vida?

Todos nós nascemos com um lugar em nossa família. Antes mesmo de virmos ao mundo existem várias expectativas e desejos pairando sobre nós, somos educados com base nessas expectativas, aprendemos a nos relacionar com elas como pano de fundo. E aprendemos “qual o nosso lugar” através do mesmo processo.

Porém…

Num determinado momento da vida sentimos algo diferente em nós, algo que não tem apenas a ver com o lugar que nos deram, com a educação que recebemos, com os anseios, desejos e expectativas dos outros sobre nós. Olhamos para fora da janela de nossa casa e vemos o mundo, vemos outras pessoas, outras formas de interagir, de educar e vemos outros lugares no mundo. Essa coisa “diferente” em nós chama-se desejo.

Num determinado momento podemos perceber que podemos ter os nossos desejos, algumas vezes ele será muito parecido com os que recebemos de nossa família, outras será muito diferente, em algumas será o oposto. Aprender a lidar com este desejo é aprender a “colocar-se no seu lugar”.

Porque talvez o ser humano são “seja”, talvez ele “apenas” “esteja”. Algumas coisas podem “estar” a vida toda com nós à ponto de nos fazer sentir que “somos” daquela forma. Mas outras não, elas evoluem com o passar do tempo e assumem as mais diferentes formas e, talvez, aprender a conviver com isso seja crescer e se desenvolver, talvez isso seja o que é “ser” humano: um “ser” vários “seres” ao longo da vida e ainda assim, sentir-se um só “ser”.

Desta forma, aprender a afirmar o nosso desejo, o nosso “ser” do momento é afirmar o nosso processo evolutivo; negar, é negar o mesmo processo. Afirmar não significa impôr sobre os outros, porque eles tem processos próprios. Também não significa que alguém tem que concordar com você ou afirmar o seu processo porque as outras pessoas podem ter opiniões diferentes sobre você. E não significa também que você terá sucesso financeiro e status social porque a sociedade e o mercado podem não estar interessados no seu processo.

A única recompensa que você pode almejar nisso tudo é saber que você seguiu o que tinha que seguir. Pode parecer pouco, mas no final, talvez isso seja a única coisa que valha à pena, uma pequena e frágil coisa chamada integridade. É lá no final que, ao olhar para trás, responderemos a pergunta mais cruel que um ser humano pode se fazer: vivi a minha vida? Dei ao meu desejo, ao meu processo um lugar especial?

Que lugar você se dá em sua vida?

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