Planejo e não faço…
03/08/2015

Planejo e não faço

 

  • Então Akim… não fiz ainda…

  • O que você ainda não fez do seu plano?

  • Nada.

  • Hum… o que aconteceu?

  • Na hora olhei para aquilo e pensei… ah, não deve ser pra mim isso.

  • Ah é? E o que, em você, não te permite “ser para isso”?

  • Não sei… eu me senti envergonhado de querer essa promoção.

  • Qual o motivo para vergonha de querer isso?

  • Não sei… é tipo: “vocêeeee quer isso?”

  • Sim, entendi… parece que você está se dando um limite: promoções não são para você. Perfeito, porém o que te coloca do lado de lá do círculo dos que merecem uma promoção?

  • Me vem a voz do meu pai na cabeça me dizendo que eu não sou bom o suficiente.

 

 

Em geral tenho observado alguns comportamentos comuns em pessoas que planejam mas não executam seus planejamentos. Um deles é uma motivação inadequada que não mexe com a vontade da pessoa em executar suas tarefas, outra é uma incapacidade de perceber uma relação causal entre o comportamento dela e a concretização dos planos e uma última é a percepção do futuro desejado como algo irreal.

A motivação inadequada surge quando a pessoa não encaixa o plano que criou no seu estilo motivacional. Cada um de nós tem uma maneira própria de evocar a motivação para executar planos e desejos, no entanto, muitas vezes os objetivos são de uma natureza contrária a da motivação. Para dar um exemplo, o estilo motivacional da pessoa pode ser de afastamento de coisas ruins, ou seja, ela se motiva à ação quando precisa afastar-se da possibilidade de algo nocivo à ela.

Desta forma, pode trabalhar para não ficar sem água ou luz em casa. Pode cuidar da saúde após ter uma doença, ou seja cuida da saúde não para adquirir mais saúde e sim para evitar uma doença. Quando em estilo como este se depara com um objetivo que vá exigir o seu esforço em prol de algo que vai lhe trazer algo bom, mas não causará dano é comum que a pessoa emperre. Por exemplo, não é um estilo motivacional bom para pensar em algo como conseguir uma promoção. Porque? Porque a promoção envolve buscar algo positivo que é o contrário. Adequar o estilo motivacional, numa situação como esse seria algo como: “se eu não conseguir esta promoção posso perder a chance de subir na empresa e eu não quero ficar o resto da vida neste cargo, isso seria horrível”. “Conseguir a promoção” se torna “não ficar mais neste cargo horrível o resto da vida” e, com este discurso a pessoa consegue motivar-se. Obviamente o estilo motivacional não é fixo e pode ser aprendido também.

A incapacidade de perceber uma ligação entre o comportamento e as consequências dele é algo que tem se tornado cada vez mais comum. Parece simples compreender que quando tenho um comportamento ele terá uma consequência e essa é o que me interessa. Porém, por diversos fatores as pessoas não fazem esta ligação e, então, a ideia de comportar-se para atingir um determinado objetivo parece insossa, afinal de contas “para que me mexer se não sei se isso terá algum efeito?”. Este último é o discurso padrão quando a pessoa não tem a relação bem estabelecida.

É muito comum que pessoas com este comportamento sejam colecionadores de fracassos e arrependimentos. O que é importante fazer neste caso é ligar a ação que elas tiveram no passado com os resultados que obtiveram. Este exercício pode ajudar a pessoa a estabelecer uma ligação e, a partir disso já ter delineado o tipo de comportamento que elas não querem. A partir disso pode-se inferir sobre o tipo de comportamento que levaria elas à execução dos planos e aos resultados que isso lhe traria. Quando se junta este elemento com a motivação adequada temos um bom propulsor para execução das tarefas e desejos.

Por fim, quando a pessoa faz um plano, um bom plano diga-se de passagem, ela cria para si o que chamamos de futuro propulsor. Este é aquela visão de um futuro no qual atingi meus objetivos e, neste cenário, sinto-me bem. Porém este futuro, por melhor que seja, nem sempre é visualizado como “possível” ou como “real” pelas pessoas. Os dois problemas acima podem ser a fonte deste terceiro, ou seja o futuro criado pode ser ótimo, mas não mexe na motivação da pessoa, logo ela o vê como irreal ou, então, ela percebe o futuro como desejado, mas não faz ligação entre o seu comportamento e a criação deste futuro, ele parece-lhe, assim, inalcançável.

Porém, algumas pessoas estão com ambos elementos bem organizados e ainda assim não vão atrás do plano, o futuro ainda parece irreal. É o caso de começar questionando-se se você merece este futuro. Neste último caso as pessoas não caminham em direção ao futuro desejado porque não sentem-se merecedoras, é uma questão de auto estima, na qual a pessoa não se vê como alguém digno de um futuro como esse. Fácil imaginar que as causas podem ser várias, mas é importante, em todas elas questionar a crença no não-merecimento, ou seja: o que faz com que você não seja digno? Este “não merecer” é uma punição ou um limite imposto? Determinar isso ajuda a libertar-se e construir o merecimento que basicamente é a ligação entre comportar-se e conseguir o que se quer.

Um último adendo é que muitas pessoas simplesmente não conseguem porque não agem. Agir é importante porque um bom plano é apenas isso, um bom plano. Então, se você já planejou, aja ou então seu plano será apenas mais uma bela história que você não viveu.

Abraço

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Identidade e foco
27/05/2015

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  • Tive uma semana péssima.

  • Sério? O que aconteceu?

  • Ah… lá no trabalho que eu tive uma discussão com um colega.

  • Sei, mas o que aconteceu?

  • Discussão sobre projeto, me exaltei, ele também… depois nos resolvemos, mas… chato né?

  • Sim. O que mais?

  • Como assim?

  • “Semana péssima”?

  • Ah, não, só isso na verdade…

  • Ah… só isso? Hum… puxa… interessante que “só isso” equivale à “semana toda” né?

  • (Risos) É verdade… pior que se você me perguntar da minha semana, isso salta nos olhos e o resto é quase como se não me lembrasse.

  • Sim… foco né?

  • É… eu sou meio assim mesmo.

 

Existe uma profunda relação entre aquilo com o que nos identificamos e aquilo que damos atenção e foco em nossas vidas. Compreender que o foco não é uma atividade passiva é fundamental para ajudar você a  perceber o seu foco assim como a modificá-lo, caso queira.

Ocorre que prestar atenção em determinado fenômeno ao invés de outro parte da noção de que temos ideias pré-concebidas à respeito daquilo que observamos. O olhar funciona da mesma maneira. Ver não é um fenômeno passível no qual a luz entra em nossos olhos e então vemos. O processamento daquilo que será armazenado no cérebro e visto pelo olho é ativo, ou seja, existe intenção no olhar. Ao olhar algo a pessoa busca determinadas informações ao invés de outras.

O foco em nossa mente é idêntico à este processo. A mente, uma vez estabelecido “o que deve ser visto, valorizado”, busca ativamente por estes detalhes nas memórias, em sensações, experiências assim como no próprio raciocínio. Várias vezes na clínica as pessoas dizem que o pensamento está “emperrado”, ou seja, não importa por onde elas comecem a pensar, o raciocínio sempre cai na mesma lógica e no mesmo final. Valorizam-se determinados estados emocionais em detrimento dos outros, determinadas experiências e memórias, assim como sensações, usando os mesmos dados da mesma forma e no mesmo contexto não é de se admirar que a conclusão seja a mesma.

A pessoa quando estabelece este foco passa a identificar-se com o tipo de experiência que resulta dele. Ela assume que “aquilo é para ela”. Quando a identificação acontece, tudo aquilo que não é igual (idêntico) ao que a pessoa imagina sobre si não passa pelo crivo e não é percebido. Assim, no caso acima, por exemplo, o resumo da semana daquela pessoa era a briga, ela não se lembrava – de fato – do restante porque apenas aquele evento tem a ver com a identificação que a pessoa tem de si.

Obviamente, cria-se uma roda viva na qual um elemento alimenta o outro. Quanto mais a identidade é forte, mais forte os crivos pelos quais a percepção se dá e mais rígido torna-se o padrão de raciocínio. Isso ocorre com todos nós. Porém existem maneiras de reflexão que não são úteis e algumas são até mesmo nocivas para algumas pessoas. Assim é importante conhecer este processo e poder interferir nele. De que maneira? A mais rápida e eficiente é se propor novas experiências que consigam colocar em cheque os pressupostos antigos. Desta maneira abre-se uma brecha no raciocínio que estará sendo alimentado por outros dados conflitantes com os anteriores, deste conflito pode nascer uma nova maneira de perceber você mesmo e o mundo.

Abraço

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Pressão e desejo
10/04/2015

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  • Mas sabe… o estranho é que eu estou fazendo algo que eu gosto.

  • Entendo… você faz algo que gosta, mas não está gostando de fazer é isso?

  • É! Estranho né?

  • O que tem de estranho nisso?

  • Eu deveria gostar…o normal, sei lá, seria isso!

  • Sim… é comum a gente ter desilusões em relação ao que gostamos de fazer.

  • Sim eu sei disso, mas é algo mais… é quase um desânimo.

  • Sabe… quando a gente faz algo obrigado, mesmo aquilo que gostamos pode se tornar uma obrigação chata.

  • Hum…

  • Estou certo no meu palpite?

  • Sim… acho que sim… eu me cobro muito mesmo…

 

Existem dois tipos básicos de motivação: aquela que te direciona à algo e aquela que o afasta de algo. Estas duas maneiras não são certas e nem erradas, mas cada uma delas provoca um efeito diferente em nossa mente e emoções, compreender isso é fundamental para manter nossos sonhos e desejos ativos.

O desejo de ir em busca de algo reflete iniciativa e conquista. É o tipo de motivação que te impulsiona à construir, imaginar um futuro melhor do que o presente e gerar competência para criá-lo. Usar a motivação desta maneira gera interesse, curiosidade e resistência à frustração. Existe o cansaço porém, em geral, vem associado com uma sensação de conquista, é o famoso: “cansado mas feliz”. As pessoas que usam a motivação assim conseguem ver de maneira clara um progresso – mesmo que seja pequeno – em suas vidas.

Afastar-se de algo implica num desejo de não ir em direção à um determinado futuro. É a evitação de algo ruim no futuro, o desejo de manter o presente tal como está. O efeito é de ansiedade pelo fato de que o futuro é pior do que o presente e a busca é de manter o presente da mesma maneira. A pessoa assume uma postura mais defensiva e passiva no sentido de “esperar o futuro” e verificar se a situação não mudou. Tende-se a ser meticuloso e altamente irritável por precisar perceber cada pequeno detalhe e não permitir que ele mude.

Ambas formas de motivação são úteis dependendo da situação em que você se encontra. Compreender qual o melhor para você é muito importante. Algumas vezes é preciso e sábio tentar manter a situação do mesmo jeito porque o futuro pode, de fato, ser pior. E outras é melhor buscar criar o futuro ao invés de esperá-lo chegar. Se o que você deseja é algo diferente do que existe hoje, em geral a melhor saída é buscar construir o seu próprio futuro ao invés de tentar manter o presente. Por outro lado, se você deseja manter ou reforçar o “status quo” da sua vida pode ser melhor a evitação da mudança.

Ocorre que as pessoas fazem a escolha contrária, por exemplo: desejam ter novas competências e focam no erro. Algo muito comum, mas que mina a iniciativa, motivação e o desejo. Se desejo adquirir novas competências devo imaginar um futuro melhor do que tenho hoje e abrir-me para criar este futuro, o erro é parte do processo de aprendizado. Se foco no erro estou buscando mudar sem que nada mude, ou seja, adquirir uma nova competência sem a possibilidade de erro, o que é quase impossível no caso de aprendizagem.

Desta maneira embora estejam fazendo aquilo que desejam fazer estão, também contribuindo contra o seu processo. É como acelerar o carro com o freio de mão puxado. Faço aquilo que quero, estou construindo o meu futuro, porém mantenho o foco naquilo que está mudando e desejo manter o presente do mesmo jeito que está. Enquanto foco para manter o presente – não mudar – desejo a mudança. Dá para perceber o paradoxo assim como o problema que isso gera, é como fazer força para a esquerda e para a direita ao mesmo tempo. Não funciona bem. “Não funcionar bem” não significa que a pessoa não consegue ir adiante, porém o custo emocional é maior e muitas vezes gera um problema desnecessário de pressão e estresse.

E você: está indo do jeito “certo” na direção “certa”?

Abraço

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O preço da competência
08/04/2015

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  • Mas então Akim, é muito difícil isso sabe?

  • Sei.

  • “Sei”… tipo… assim? Só isso?

  • “Só isso” o que?

  • É tudo o que você tem à me dizer?

  • Não, tenho mais: além de ser difícil, vai exigir de você esforço, fazer com que mesmo não querendo mantenha o foco e vai exigir que você lide com seu medo de enfrentar situações de confronto.

  • Que inferno!

  • Algo assim, mas é o preço… ou você pode continuar da mesma maneira, com as mesmas reclamações e os mesmos resultados.

  • Mas é que é difícil e você me diz que é! Não deveria me incentivar?

  • Incentivar a coisa certa sim, mas vai ser difícil mesmo, no primeiro momento será e não quero te enganar. Agora a questão é: mesmo sendo difícil você irá atrás ou vai continuar dizendo que “não sabe o que fazer”?

  • Entendi…

 

Salvador Minuchin foi quem falou do paradoxo da terapia: querer mudanças desde que nada mude. Santo Agostinho foi quem disse: “reze como se tudo dependesse de Deus. Trabalhe como se tudo dependesse de você”. Estas duas frases tem em comum a ideia de que se queremos mudanças precisamos ser competentes para realizá-las.

Infelizmente nem sempre somos. Precisamos adquirir a competência necessária para que consigamos efetuar as mudanças que desejamos para nós. Gosto de uma crença, nesse sentido, que afirma que não há nada muito complicado, existem as coisas que não sabemos fazer. Ou seja, quando aprendemos como se faz algo ou como lidar com uma determinada situação o que era complicado torna-se simples, aquilo que dava medo causa curiosidade e aquilo que dava preguiça causa motivação.

Adquirir competências tem um preço. Raciocinar é um deles. Aprender exige fazer perguntas, buscar soluções e testá-las. Para isso tudo é preciso que a pessoa tenha em mente a sua meta e não se desvie dela. Assim, além de raciocinar a pessoa precisa aprender a manter seu foco, sustentar o seu desejo frente às adversidades. Agir em prol do conhecimento e do desenvolvimento de novas competências pode ser algo frustrante se você achar que vai conseguir tudo de primeira.

Aceitar apenas a melhora é outro preço. Se você se contenta com menos não irá efetuar o seu aprendizado de maneira satisfatória. Ficará um pedaço pendente. É importante saber sentir que você aprendeu tudo o que precisava aprender. Manter esta obstinação exige esforço e concentração. Desenvolver isso está ligado, profundamente, ao como você se motiva. Então, aprender a motivar-se e manter-se neste estado faz parte.

Embora aprender faça parte da natureza curiosa humana, a segurança e o comodismo também o fazem. Pode até parecer, mas estas características não são opostas, elas fazem parte de um continuum. É necessário estar bem seguro e cômodo para se permitir mudar e buscar novos limites. Experimentar com um porto seguro é muito melhor do que rumar no meio da tempestade – o que pode, muitas vezes, ser necessário. De outro lado, uma vez aprendido um novo horizonte é prazeroso estabelecer um novo porto cômodo e seguro.

Enquanto escrevo este artigo, por exemplo, várias mensagens chegam à minha caixa postal e algumas pessoas me convocam no facebook. Não posso desviar o meu rumo, manter o escrito faz parte da competência de estar mantendo o blog atualizado para o leitor. Este é um preço. A atitude de buscar todos os dias escrever, refletir sobre o que irei escrever é outro preço. Denota tempo e paciência, tenho que conviver com o “vazio criativo” todos os dias. Mas é só enfrentando isso que posso escrever.

E você: o que está precisando aprender?

Abraço

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Prisão e ilusão
25/02/2015

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  • Mas eu não sei Akim… não sei se fiz a escolha certa.

  • Entendo… como poderia saber?

  • Não sei também.

  • Sabe… existe uma diferença entre ter feito a escolha certa e se comprometer com a que fez.

  • Hum.

  • Não sei o que é “certo” e “errado” nesse mundo, mas sei de pessoas comprometidas com o que fizeram e as que não se comprometem.

  • O que você quer dizer.

  • Que você já fez várias escolhas, porém não se comprometeu com elas. Daí a ilusão de que você não fez nada de “certo” seja lá o que isso for.

  • Hum… faz sentido…

 

“A principal mentira é a que contamos à nós mesmos.” Gosto muito desta frase. Ela traduz, na minha percepção, um dos pontos mais importantes em psicoterapia que é: nós criamos a nossa própria história.

Mesmo que soframos lavagem cerebral, mesmo que a mídia e o meio tenham influência sobre nós, cada um “escreve” a sua história de maneira única, a seleção das imagens e como essas imagens ficarão alojadas dentro de nossa mente é singular. A frase acima nos lembra de que no final das contas existe um envolvimento do indivíduo – seja lá o que isso é – no processo de formação de sua vida.

Porque eu acho que isso é importante?

Porque concordo em certos aspectos com Epicteto que diz que devemos nos importar com aquilo que podemos controlar. A maneira de escrever a nossa história é algo que podemos controlar, e por controle podemos entender: influenciar, inferir. A partir do momento em que a pessoa compreende que pode inferir em sua própria vida ela também percebe que pode se comprometer com suas escolhas e isso é fundamental.

O compromisso é algo importante porque é através dele que aprendemos a dar o devido valor àquilo que fazemos e vivemos. Você pode ter tido uma vida com mutias aventuras vividas de maneira descompromissada de forma que ao final você não deu um valor à nenhuma das suas aventuras e sente-se vazio com isso.

Lembro-me do filme “Mr. Holland” que era um grande musicista e ao final de vida “apenas” deu aulas numa escola pública nos EUA. Ao final do filme ele percebe com a ajuda de seus alunos que ele, na verdade, tinha tido uma grande vida sendo professor e inspirado milhares de crianças – hoje adultos. É o compromisso que nos ajuda a perceber essas coisas. Mas se ele passou tantos anos lecionando, não estava comprometido?

Não necessariamente. O compromisso de que falo aqui é com a própria escolha. É fácil desempenhar papéis, porém sem nenhum compromisso real com eles. Quando há comprometimento com a escolha a coisa é diferente porque se cria uma relação de desejo com aquilo que se escolhe fazer. É a diferença entre fazer o que gosta e gostar do que faz. A pessoa que se compromete com suas escolhas opta por gostar do que faz – porque é a melhor maneira de se relacionar com aquilo que fazemos.

Com isso passamos a avaliar e nos importar com a escolha da maneira diferente. Ela passa a ter um valor e um significado e, com isso, os resultados que colhemos começam a “alimentar nossa alma”. Muitas pessoas, inclusive, não se comprometem por causa disso: compromisso gera significado e, para alguns, isso “prende”. “Prende” porque você passa a se importar com o seu desejo, com algo além de você mesmo. Porém a verdadeira prisão está em ficar preso dentro de você o tempo todo fingindo que nada lhe é importante. Lembrando de um mestra indiano chamado Osho: “a loucura não é perder a cabeça, loucura é perder-se dentro da cabeça”.

E você, anda comprometido? Ou só empurrando com a barriga?

Abraço

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Dentro e fora
12/01/2015

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Todo comportamento está dentro de um contexto. O significado desta frase é que tudo está em relação, ou seja, os pensamentos que temos e chamamos de nossos possuem uma relação com o mundo no qual vivemos. Mesmo as ideias originais e revolucionárias tem relação à algo que existe ou à falta de algo que não existe ou ainda a algo que “não existe”, mas seria muito bom de existir “aqui”.

Saber disso não é tornar-se uma vítima do social ou compreender que apenas pensamos o que os outros querem. Essa reflexão leva para uma lei de causalidade, a saber: o outro e/ou o mundo causam meus pensamentos. Esta ideia não se sustenta porque se o outro determina o que penso, quem determina o que o outro deseja que eu pense? Somente um “outro” “outro” poderia fazer isso, mas e quem faz isso por ele? E assim entra-se numa regressão infinita buscando pela “causa primeira”.

Compreender isso é saber que o comportamento busca uma relação no mundo externo e uma resposta deste mundo. Ou seja, ninguém se comporta “por acaso”. Todo comportamento está ligado à fenômenos e se relaciona com eles. Dessa maneira evita-se a regressão acima colocada porque dá à pessoa a responsabilidade de relacionar-se de alguma maneira com o meio, há um envolvimento do indivíduo e do meio também. Ao não se negar nenhum dos envolvidos entende-se que a ideia de inter relação é a que melhor explica – até agora – os nossos comportamentos.

Ao dizer isso ao leitor quero chamar para a seguinte reflexão: o que você espera dos comportamentos que tem tido? Pergunta ampla? Sim, extremamente. Quando faço uma pergunta assim busco deixar o foco em aberto para que a pessoa o busque por si só ou, então, que a amplitude seja o foco.

Neste caso a pergunta assume um caráter de reflexão mais existencial que o levará para as perguntas: o que tenho esperado da minha vida? O que imagino que vou conseguir correndo tanto como corro? Respeito? Amor? Dinheiro? Para que isso é importante para mim nesse momento? É algo que estou conquistando ou algo que simplesmente promete tapar algum buraco em minhas emoções?

Quando nos perguntamos à serviço do que está o nosso comportamento a reflexão faz um balanço entre o dentro e o fora, ou seja, entre aquilo que penso, sinto e digo à mim e aquilo que realmente quero do ambiente e aquilo que tenho obtido. Muitas pessoas querem ter amigos e seu comportamento não leva ela à isso, ela pode dizer-se que as pessoas não a entendem. Mas, como seria se, ao perceber que deseja mais amigos ela pudesse brincar com seu próprio comportamento e ousar outras atitudes? Ou ainda mudar a explicação que dá para si de sua solidão? Ou ainda questionar para que deseja amigos?

A intenção dessas reflexões não é julgar como bom ou ruim, mas sim tomar consciência. Porque isso é importante? Porque é a partir do momento que percebemos algo e que esse “algo” passa a existir em nossa consciência que se pode tomar alguma atitude frente à esse “algo”, enquanto não se faz isso ele permanece em nosso mundo, nos incomodando porém sem termos poder de ação sobre ele.

O convite de hoje, então, é: amplie sua consciência compreendendo o seu comportamento além da barreira da sua pele buscando seu significado no mundo mais amplo que o cerca e, quem sabe, isso possa lhe trazer ótimas respostas?

Abraço

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Avaliação
09/01/2015

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  • Eu não posso sair fazendo as coisas dessa maneira.

  • O que te impede?

  • É que eu avalio muito bem as coisas.

  • Será?

  • Claro que sim, sempre acho os defeitos nas minhas escolhas.

  • Mesmo quando não tem defeitos não é?

  • … É…

  • “Achar defeitos” é igual à avaliar?

  • Não é?

  • Acho que não… quem avalia tem critério, você não tem.

  • Como não?

  • Você “acha” defeitos, ou melhor dizendo cria eles não é?

  • Sim… nunca está bom pra mim.

  • Pois é. Avaliar significa saber o que é bom ou não e porque, você não sabe fazer isso.

  • O que tenho feito então?

  • Desvalorizado, denegrido… porém não avaliado.

 

Muitas pessoas confundem avaliar com denegrir. Avaliar não significa dizer o quão ruim está, significa ter critérios com os quais filtrar uma determinada ação ou produção. Isso significa, ainda, que, dependendo dos critérios uma mesma obra ou ato poderá ser “boa” ou “ruim”. Se você avaliar uma obra realista com critérios surrealistas ela não será uma boa obra. O mesmo vale para nossos comportamentos.

A primeira parte, então, é saber diferenciar o ato de denegrir e o de avaliar. Denegrir significa tomar algo (comportamento ou produção) e apontar defeitos. O ato de denegrir não se importa em ter uma ética ou um conjunto de critérios claros para realizar esta tarefa, ele apenas quer denegrir. Desta forma sempre encontrará um conjunto de critérios para denegrir aquilo que está sendo visto. O ato de avaliar, por outro lado, tem uma definição clara daquilo que se busca e sabe especificar exatamente o que é algo adequado ou não para o determinado fim.

Assim quando nos confrontamos com alguém que “avalia” o nosso comportamento ou com o nosso próprio pensamento temos que nos perguntar: o que é, especificamente, o “bom” nessa situação? Qual o critério que define como bom ou ruim, adequado ou inadequado aquilo que estou fazendo?

Se você não tem resposta para esta pergunta é importante saber que talvez você esteja simplesmente denegrindo a sua ação ou sendo denegrido por alguém que não sabe lhe informar, sequer, o que seria o bom para ela. Esta estratégia é a “defesa” contra a desvalorização. Quando solicitamos os critérios é como se perguntássemos para a pessoa ou para nós mesmos: você sabe mesmo avaliar isso? Quando a pessoa sabe, ela lhe apontará especificamente aquilo que percebeu e lhe dirá porque trata aquilo de uma maneira positiva ou negativa – abrindo, inclusive, a oportunidade de diálogo e negociação. Se, por outro lado, ela não tiver não saberá o que dizer.

Em relação ao nosso próprio comportamento é importante manter a mesma relação, ou seja, determinarmos os critérios pelos quais vamos avaliar o nosso próprio comportamento e produção para sabermos nos dizer se estamos indo num caminho adequado ou não. A partir disso podemos avaliar o que fazemos, como fazemos e, além disso, se os critérios que definimos são úteis ou não. Muitas vezes, como já afirmei em outras postagens, o nosso problema é exatamente o conjunto de critérios que usamos por serem rígidos ou abrangentes demais, por exemplo.

Abraço

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Tempo
09/11/2014

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  • Eu não entendi o que aconteceu comigo essa semana.

  • O que aconteceu?

  • Na semana passada eu entendi que eu tenho medo em interagir com pessoas.

  • Sim, e o que aconteceu com você?

  • Continuo com medo… não mudou nada entende?

  • Hum… entendi, você acha que já deveria ter passado isso?

  • Sim… eu entendi isso já semana passada… porque ainda estou com isso?

  • Bem, primeiro que entender não significa mudar.

  • Hum…

  • E segundo que não se desestrutura um comportamento criado ao longo de anos e se reorganiza outro no lugar em uma semana!

  • Porque não?

  • Porque aprendizagem denota tempo.

 

Tempo é um tema tabu em psicoterapia. Alguns dizem que terapia é um processo que precisa de anos, outros dizem meses, alguns dizem um número determinado de sessões, mas enfim, quanto tempo realmente é necessário para uma terapia?

O problema quando se faz esta pergunta é isolar o fator tempo e não conectá-lo ao processo de aprendizagem que ocorre na terapia. Assim a pergunta mais adequada seria quanto tempo necessito para aprender algo? Quando se coloca a pergunta desta maneira a maior parte das pessoas já percebe que ela se torna “pessoal”, ou seja, cada um tem um tempo específico de aprendizagem. Agora quando especificamos o “algo” temos a pergunta completa como , por exemplo: quanto tempo necessito para aprender a me sentir seguro ao me relacionar com outras pessoas?A última pergunta mostra como o fator tempo deve ser realmente visualizado dentro de um processo de terapia.

Cada pequeno detalhe que envolve o processo de aprendizagem denota tempo, por exemplo: aprender a olhar as pessoas e ser visto por elas. Aprender a relaxar no contato com outras pessoas, muitas vezes o processo envolve um problema de auto estima, então aprender a se valorizar fará parte do processo também, então quando se pergunta: “quanto tempo a terapia vai demorar?” é importante saber que todos estes detalhes devem ser levados em consideração assim como a “capacidade” da pessoa em aprender e desenvolver estas habilidades.

Em geral eu digo aos meus clientes para se ocuparem menos da quantidade de tempo que eles vão usar e muito mais com a qualidade do que estão fazendo. Quando a pessoa se foca no aprender ela direciona a sua energia para onde ela realmente deve estar: em compreender-se e promover a mudança em si. Isso, paradoxalmente, em geral diminui o tempo, ou seja, quanto mais me dedico à minha mudança, menos tempo vou precisar justamente porque estou prestando atenção ao essencial.

Algumas pesquisas nos mostram que é possível atingir mudanças comportamentais com 6 meses de terapia, considerando uma sessão semanal. Esse é outro parâmetro que dou aos meus clientes, pois se em 6 meses de processo “nada” estiver acontecendo é provável que algo esteja errado no processo. Importante compreender que este número é baseado na ideia de que, em média, as pessoas aprendem coisas nesses período, ou seja, é comum que as pessoas dentro de 6 meses já consigam perceber-se, dizerem especificamente o que desejam e começarem a fazer ensaios de novos comportamentos.

É importante compreender que aprender a executar um pequeno grupo de novos comportamentos para os quais estou motivado, percebo e desejo os benefícios, não possuo histórico traumático relacionado será mais fácil do que aprender comportamentos que envolvam mudança de crenças, identidade e a resolução de eventos traumáticos passados. Por exemplo: aprender a dirigir. Para muitas pessoas é simples, é rápido e num número menor do que as 15 sessões de treinamento requisitadas elas aprendem. Para outras é muito mais problemáticos e elas precisam lidar com várias questões emocionais antes de ter o aprendizado finalizado. Por esta razão o fator “tempo” se mede de maneira diferente para cada pessoa e, assim, deve ser definido caso à caso, mesmo que tenhamos uma ideia média dele. Além disso para uma mesma pessoa alguns aprendizados são mais simples e outros mais complexos.

Abraço

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Maquiagem
29/10/2014

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  • Pois então meu caro, não sei do que você está falando.

  • Estou falando do seu medo.

  • Mas que medo é esse que você tanto insiste?

  • Nesse que eu estou vendo aqui na minha frente.

  • Cara… você não está vendo medo.

  • O que eu vejo então?

  • Eu…

  • Você, com medo.

  • Me prove que eu estou com medo.

  • Me fale sobre o que aconteceu ontem na festa.

  • Não.

  • O que te motiva a não querer falar?

  • Não sei…

  • (Silêncio)

  • Então?!

  • Então o que?

  • Prove meu medo.

  • Responda a minha pergunta.

  • Não sei, já disse, o que você quer que eu te diga?

  • O que te motiva a não querer me dizer o que ocorreu na festa.

(Troca de olhares intensa)

  • Não me sinto à vontade de falar disso.

  • O que não te deixa à vontade?

  • Não saber o que pode acontecer se eu ficar falando disso porra!

  • Ah… tem raiva também então…

 

A principal mentira é a que contamos para nós mesmos.

Muitas vezes a realidade é crua para nós. O que está acontecendo não está de acordo com nossas crenças, identidade, percepção do mundo e de nós mesmos. Por isso precisamos dar uma “maquiada” quando a vida está muito tensa. Algumas vezes esta maquiagem nos ajuda a seguir a vida e ir tomando conta dos desafios aos poucos, como se precisássemos tapar um pouco o sol com a peneira para conseguir olhar para ele aos poucos. Não tendo a entender isso como algo ruim quando a meta é abrir os olhos no médio – longo prazo.

Porém, outras vezes a maquiagem se torna contínua e a pessoa passa a sustentar a mentira, a maquiagem ao invés da sua realidade. A busca pelo real à médio-longo prazo se perde e a pessoa passa a sustentar a maquiagem que criou para si ao invés da realidade de sua situação. O grande problema, então, é o da sustentação do problema.

Muitas pessoas aprendem a ignorar seus sentimentos para fazer isso. Criam formas de nem sequer perceber aquilo que sentem para não precisarem reagir. Quando a emoção se torna opaca ou estranha à pessoa, quando ela sente percebe o sentimento como algo perigoso e busca se esquivar disso. Além desta reação existem pessoas que negam não apenas a emoção, mas, também, a sua própria percepção de mundo ou de pessoas. Tornam-se cada vez mais distantes do que sentem e buscam comportamentos que mantenham esta distância evitando o contato e o afeto.

Outras ainda criam uma persona sobre a maquiagem que criaram e passam, então, a viver a vida “como se” aquilo que as incomoda não existisse, seja isso as suas emoções, sua história pessoal ou até mesmo alguns pensamentos que elas tem.

Quando se inicia o processo de entrar em contato com essas coisas maquiadas as pessoas reagem de várias maneiras, a raiva é uma delas e a indiferença outra. Ninguém fica indiferente com algo que realmente não incomoda, apenas mostramos indiferença quando alguma coisa nos toca, por isso a indiferença que é fingir que não se sente nada. A dificuldade para entrar em contato é grande porque o medo é grande também. Saber o momento de acolher este medo e o momento de confrontar este medo é super importante para o desenvolvimento da pessoa.

Abraço

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Alívio e satisfação
30/06/2014

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  • Pois é Akim… não estou muito motivado para este trabalho.

  • Hum… me conte: o que te motivou à ir para ele?

  • Bem, eu não queria mais estar na casa do meu pai e não queria mais depender dele sabe?

  • Sei sim…

  • E daí pintou esta oportunidade e eu peguei.

  • Entendi… o que ia melhorar na sua vida saindo da casa do seu pai?

  • Bem, eu ia poder sair sem ninguém me encher.

  • O que é mais importante: ninguém te encher ou você ter a liberdade de agir como quer?

  • Agir como quero!

  • Coisa boa! E você, quando pensa no seu trabalho, pensa nele dessa forma?

  • De que forma?

  • Como o que sustenta esta liberdade que você quer?

  • Não…

  • E  se você pensar nele assim, como fica a sua falta de motivação?

  • Cara… muda um pouco já…

  • Um bom começo…

 

Fugir daquilo que nos causa dor é algo importante, quando nos afastamos de algo que nos incomoda sentimos um alívio que nos ajuda a repousar e reorganizar a vida. A sensação de alívio tem a ver com a ideia de afastar algo ruim, para termos alívio é necessário que antes tenhamos tido o incômodo, sem um não vem o outro.

A sensação de satisfação é diferente, ela vem quando adquirimos algo, quando finalizamos alguma coisa. É o resultado final o que importa e não a exclusão daquilo que incomoda, é a aquisição de algo que nos estrutura o que se busca na satisfação. Em oposição ao alívio, na satisfação o que temos que ter antes é  a sensação de que nos falta algo ou a sensação de desejar algo.

A maneira pela qual pensamos em nossa vida tem profundas repercussões sobre nossa motivação, as ações que tomamos e que deixamos de tomar e a maneira pela qual vivemos o dia a dia. Algumas maneiras de perceber e viver a vida são úteis para algumas finalidades enquanto outros maneiras são prejudiciais. Em meu consultório, por exemplo, percebo muitas pessoas tendo problemas em detrimento de uma confusão entre alívio e satisfação.

Quando aquilo que desejo é alívio o primeiro passo é buscar por um problema, se não existem problemas a pessoa não se mexe. É aquele tipo de pessoa que quanto tem um prazo, um problema ou uma situação à ser resolvida é muito eficaz, mas quando não tem nenhuma urgência para resolver nunca faz nada da vida, fica relapsa e vive num “nível basal”.

Quando se deseja satisfação na vida a atitude é de buscar aquilo que se deseja. O foco vai, então, para os ganhos que a pessoa terá e para os comportamentos que vão ajudá-la a chegar nestes ganhos. A pessoa é mais pró ativa e buscadora, ela mantém a motivação e o foco em aprendizados porque precisa e deseja-os.

Ocorre que muitas pessoas desejam coisas para a sua vida, mas pensam no estilo “alívio”. Quem quer algo precisa aprender a pensar como quem deseja se satisfazer e não como quem deseja se aliviar. Porque? Por um motivo simples: o esforço envolvido no “desejar” é muito grande para quem só deseja um alívio. Em outras palavras, para quem pensa no sentido do alívio, o custo de se mexer é muito grande e a pessoa acaba procrastinando ou se desinteressando da tarefa.

A grande questão é aprender a mudar a “imagem final”, ou seja, aquilo em que pensamos quando pensamos no que vamos ter no final. Se eu me imagino me afastando de algo ruim, ou “não tendo problemas” estou pensando no sistema que busca “alívio”. Quando imagino aquilo que realmente quero e o bem que isso vai me trazer eu estou raciocinando no sistema “satisfação”.

Quando você imagina o seu futuro pensa “não quero problemas” ou pensa “quero algo bom pra mim”? Essa é a diferença.

Abraço

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