Motivando-se
11/05/2015

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  • Eu ando meio desmotivado

  • Em relação à que?

  • Aos meus estudos sabe?

  • Hum, o que faz com que você se sinta assim?

  • Eles não estão andando direito…

  • E o que você faz que permite que eles sigam assim?

  • É… eu não sei sabe? Parece que quando eu vi o dia já passou.

  • Bem, precisa se organizar melhor não é?

  • Sim…

  • O que mais?

  • Parece que eles estão meio distante de mim sabe?

  • Claro que sei… veja, você sabe que quer isso, porém, quando não faz você se acostuma, de fato, a não estar próximo.

  • Como se cada vez que eu não faço me distancio mais?

  • Sim, exatamente! Colocando-se mais próximo e executando você via poder sentir motivação novamente. E se não, podemos tratar disso!

 

Motivar-se é uma ciência e uma arte. Já discuti em posts anteriores sobre a estrutura da motivação advinda dos trabalhos de Leslie Cameron-Bandler. Relembrando brevemente a motivação é uma emoção cuja estrutura pressupõe a visualização de um futuro que a pessoa perceba melhor do que o presente, altamente desejável e que a própria pessoa sinta que tem as competências, o desejo e a permissão interna para criar. Ao contrário do que se pensa a motivação não é uma emoção de alta intensidade, mas sim moderada (aqui percebemos a diferença de motivados e empolgados, diga-se de passagem).

Porém a motivação no dia a dia requer algo mais do que esta visualização. O hábito de estar motivado requer comportamentos como, por exemplo, lembrar-se diariamente daquilo que se deseja. Ora, muitas pessoas até sabem aquilo que desejam – o seu “motivador” – porém, não evocam este elemento, ou o fazem apenas nos dias de folga o que deixa o desejo muito ao léu e ele é facilmente esquecido desmotivando a pessoa que sente que tem que começar tudo do zero sempre que lembra-se de suas metas. Assim um dos pontos importantes é organizar um momento do seu dia para retomar aquilo que deseja. Isso é manter a motivação ativa, o desejo “queimando”.

Outro fator importante é programar o seu desejo como parte de sua rotina. Todos os dias a pessoa deve estar lidando com o que deseja afim de manter-se motivada. Aqui, pode-se pensar em “mínimos” e “máximos”, ou seja, alguns desejos são mais simples e rapidamente resolvidos. Outros são mais complexos e demoram mais tempo. Assim todos os dias a pessoa deve ter um contato “mínimo” com o seu desejo, ou seja, ter algum tipo de comportamento relativo à execução daquilo que deseja. Pode se estabelecer um “máximo” também afim de não se perder apenas na sua meta e deixar de lado outros fatores importantes da vida.

O que nos leva à mais um elemento fundamental para manter a motivação acesa que é saber organizar seus planos em várias etapas. Quanto maior é o plano, mais você precisará disso. Aprender a dividir a meta em pequenos pedaços e comemorar a realização de cada um deles por mais inócuo que ele pareça ajuda nosso cérebro a entender que estamos mais próximos daquilo que desejamos e isso melhora a sensação de motivação.

Programar-se para eventuais problemas no ritmo de seu trabalho também é algo importante. É ingenuidade achar que tudo aquilo que planjamos ocorre exatamente como pensamos. Às vezes isso até ocorre, noutras, principalmente em projetos de longo prazo é mais difícil de ocorrer. Assim é importante deixar espaços livres para eventuais problemas que possam surgir, programar-se sobre o que fazer no caso de um problema financeiro, antecipar alguma eventual viagem ou problema de saúde podem ser “planos b” necessários e quem já está preparado enfrenta com mais tranquilidade isso além de ficar ainda mais tranquilo no próprio trabalho.

Estas dicas são para você viver bem o seu desejo, espero que te ajudem a se motivar sempre!

Abraço

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Desejo e confusão
01/04/2015

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  • Eu não sei o que dizer direito hoje…

  • Eu imagino que você saiba…

  • Não sei!

  • Ok… como se sente?

  • Estou meio ansioso.

  • Com o que?

  • Com aqui, hoje…

– Seria possível que você soubesse o que causa esta ansiedade?

  • Sim…

  • O que poderia estar causando ela?

  • Eu não quero falar…

  • Ok… pense apenas nisso: não estou aqui para julgar isso aí.

  • Entendo… eu queria fazer perguntas para você sobre a última sessão…

  • É isso que está deixando você ansioso?

  • Sim… eu não posso perguntar sabe? Não é de bom tom ficar te questionando do teu trabalho

  • Sinta-se à vontade… afinal de contas o “meu trabalho” aqui é com a tua vida e eu acho que você tem todo o direito de questionar este trabalho!

 

O desejo é um grande tabu em nossa sociedade. Embora de um lado exista uma propaganda que afirme que devemos buscar nossos sonhos e desejos, os mesmo apenas são aceitos se estiverem dentro do discurso social. Assim sendo a experiência e o desejo individuais nem sempre são bem vindos e em outras vezes são temidos o que causa problemas no desenvolvimento humano.

Desejar não implica em realizar. Não realizar, no entanto, não implica em não aceitar aquilo que se deseja e nem mesmo as motivações que nos levam ao desejo. Em outras palavras: é importante aceitar aquilo que desejamos para nos conhecer melhor  e isso não significa que precisamos levar à cabo aquilo que é desejado da maneira pela qual o desejo vem em um primeiro momento. Aceitar, vale lembrar, implica em dar valor de existência à algo.

O problema é que nem sempre nos permitimos aceitar aquilo que desejamos. Nossas crenças, valores e a criação nos colocam em contextos nos quais determinados tipos de desejos e objetos de desejo tornam-se perigosos, mal vistos ou até mesmo nocivos. Quando aprende-se que determinado tipo de desejo é “errado” passa-se à lidar com o desejo de maneiras que visem a sua contenção e isso traz problemas não pelo fato do desejo não se realizar – pois já afirmei que não é necessário que isso ocorra – mas sim pelo fato de vários motivadores psíquicos internos não serem levados em conta e não serem aceitos pela pessoa.

Isso faz com que a possibilidade de auto conhecimento diminua e também com que a pessoa aprenda a temer aquilo que deseja. É quase inevitável imaginar que se estou desejando algo que não é para ser desejado eu devo ser errado de alguma maneira. A culpa e a tensão que se carrega fazem com que a mente comece a organizar sentimentos de confusão para conseguir manter o bloqueio ativo. É como se você jogasse uma bomba de fumaça dentro da sua própria psique com a intenção de tornar nebulosos alguns desejos e motivações… o problema é que você, como um todo fica confuso e envolto na névoa também.

Assim a confusão, neste contexto, é, na verdade, um mecanismo empregado pela nossa mente afim de nos proteger do nosso próprio desejo e da possível condenação moral que ele traz consigo no sentido de nos acharmos pessoas ruins por termos este desejo. Este mecanismo age nos impedindo de desejar, ou tornando o desejar vinculado ao desejo aceito pelo social ou pelas pessoas que nos são importantes. Obviamente isto faz com que a pessoa, por si, torne-se secundária frente aquilo que ela mesmo deseja.

Ter a coragem de aceitar aquilo que se deseja – seja o que for e do jeito que for – é começar a retirar esta cortina de fumaça e tornar-se dono do seu próprio desejar. Não apenas dos objetos – quando se diz “objeto” refiro-me à qualquer coisa que possa ser desejada, desde uma pessoa até uma viagem ou um emprego – que desejamos, mas também do ato de desejar. Aceitar implicará em perceber os motivos que organizam o desejo e, de posse disso a pessoa aprende mais sobre ela, sobre seu momento de crescimento interior, sobre aquilo que ela própria valoriza e pode, então decidir como lidar com aquilo que deseja.

E você, que desejos guarda à sete chaves dentro de sua mente?

Abraço

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Ano novo (promessa antiga)
26/12/2014

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  • Akim… todo ano me prometo a mesma coisa…

  • E nunca faz né?

  • Sim…

  • Pra que você quer isso?

  • Ah… é uma coisa boa cuidar da saúde!

  • Entendi porque você não faz…

  • Porque?

  • Essa motivação já me deu preguiça de começar (risos)

  • O que eu tenho que dizer então?

  • Não é algo que você tenha que dizer, mas tem que ser algo que realmente te motive, faça sentido para você.

  • Mas saúde é importante.

  • Concordo, porém se não faz sentido para você, pode ser a coisa mais importante do mundo, você não a fará.

 

Promessas de final de ano são um tema super comum. E hilário. Inicialmente porque “prometer” não é o termo mais adequado. “Resoluções” então, que tal? Pior ainda: você é um ser humano ou uma empresa? “Metas”? Hum, ótimo, já colocou a sua vida numa planilha para levar à reunião?

Mas o que então Akim?

Bem, obviamente, esta é a minha percepção sobre as promessas, resoluções ou metas de início de ano… Tem muitas pessoas que usam estes termos e se dão muito bem. O ponto fundamental, me parece é que seja algo que lhe faz sentido. Quando digo “fazer sentido” não se trata de algo aceito socialmente ou que tenha uma boa argumentação, mas sim de algo que faça o seu corpo se mexer, a sua mente se inquietar e torne a sua vontade indomável.

A maior parte das vezes em que trabalho com pessoas que não conseguem alcançar suas metas este ponto é um dos fundamentais e, muitas vezes, ao resolvê-lo, resolve-se todo o restante. Ocorre que as pessoas não sabem criar motivações poderosas em suas mentes para mudarem suas rotinas e criarem novos hábitos de vida e sem isso não tem plano que saia do papel.

Em  primeiro lugar é importante saber o que você vai ter de benefícios quando estiver realizando a sua meta. Para motivar-se à fazer algo é importante que você se perceba no futuro de uma maneira melhor do que no presente. No quesito saúde, por exemplo, eu me vejo no futuro, com meus 90 anos, tendo força para andar sozinho e me movimentar pela minha casa e pela cidade pela força do meu próprio corpo, imagino meus pulmões respirando com facilidade e sentindo uma boa energia dentro de mim para o meu dia a dia com disposição. Isso é muito mais interessante (para mim) do que dizer “saúde é importante”. Sim, ela é, mas como, especificamente para você?

O segundo passo é compreender isso como um processo ao longo do tempo em que cada pequeno momento e escolha te distancia ou te aproxima do que você deseja. Assim, cada momento é vivido de maneira mais íntegra em relação ao que queremos. É diferente dizer que estou fazendo dieta para perder “x” quilos e dizer, “estou comprometido em ter um peso “x” até o fim da minha vida”. Isso não impede você de fazer nada, mas coloca cada escolha como perspectiva. Nos meus planos em relação à manutenção de peso, por exemplo, tenho previsto as idas aos rodízios de pizza e churrascaria sem problemas ou culpas, mas o dia antes e o dia depois também estão ali previstos.

Em terceiro lugar é importante perceber se o seu objetivo e realizável e se este é o melhor momento para começar a executar seus planos. Muitas pessoas traçam metas que não são realizáveis, ou que o custo de realização é tão grande que ela não vale à pena. Outras vezes a meta é boa, porém o momento não é adequado. É importante saber que você vai usar energia para organizar a sua vida em torno de uma nova maneira de viver, isso dá trabalho, portanto, não se iluda: é importante ter disposição e energia para efetuar uma mudança, ela precisa ser levada à sério e não como algo no estilo “se der deu, se não der não deu”.

Espero que estas três dicas façam você pensar sobre como se motiva e como cria seus planos. Se a motivação não vier saiba: seu objetivo ainda não está do jeito certo para você concretizá-lo.

Abraço

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Poder e motivação
03/12/2014

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“Cuidado com o que deseja, pois podes obter” provérbio grego

 

  • Eu me senti muito estranho ontem.

  • O que aconteceu?

  • Então, nenhum daqueles meninos que eu tô saindo me mandaram mensagem o dia todo!

  • Sério?

  • Sim.

  • E o que você sentiu?

  • Ah, foi estranho… foi como se eu não prestasse…

  • Nossa… que duro isso!

  • É, mas foi como eu me senti.

  • Duro ficar só contigo né?

  • É… é como se eu tivesse ouvido meu pai me dizendo: “você nunca vai ser amada por ninguém”.

  • Sim… eu imagino. O que você pode perceber nessa situação para te ajudar a evoluir?

  • Que eu tenho que ver mais o medo que eu senti ontem.

  • Ótimo… o que tem ele?

  • O medo que eu senti de ficar só, a sensação de “eu não presto”… eu acho que tenho criado o meu “poder pessoal” para fugir disso.

  • Sei…

  • E, na verdade… acabo não definido o que eu realmente quero buscar, daí quando essas muletas caem eu me desespero sabe?

  • Entendi, perfeitamente!

 

Ter poder é “ter potência para”, ou seja é ter capacidade de realizar algo, é a resposta para a pergunta: “Você pode? Sim, eu posso”.

Poder é diferente do que motiva o poder. Assim várias pessoas podem ter o mesmo tipo de poder e terem motivos completamente diferentes para tê-lo assim como ideias distintas sobre para que aquele poder serve. Isso é algo extremamente importante quando se trata do tema do poder porque é com base nesta motivação que a pessoa fará suas escolhas assim como irá julgar os seus resultados.

A canção “O preço” do Engenheiros do Hawaii diz: “agora eu pago os meus pecados por ter acreditado que só se vive uma vez”. Esta frase deixa claro que o que motivou ele foi a concepção de que “só se vive uma vez” e, em detrimento deste pensamento ele “fez os seus pecados” os quais, agora ele “paga”. O que o fez usar o seu “poder” foi aquela noção de vida e isso o faz se arrepender agora.

O poder, em si, não é certo ou errado, ele esta acima daquilo que chamamos de “moral”. Ele se torna moral ou não moral quando o empregamos com determinadas concepções. Daí que muitas vezes em consultório o trabalho que desenvolvo não é de ajudar a pessoa a gerar novas competências, mas apenas de adequar motivações. Ao fazer isso o mesmo comportamento assume um aspecto completamente distinto do anterior e a pessoa sente-se melhor com ele e consigo mesma. É o famoso “fazer a mesma coisa de outro jeito” ondo o “outro jeito” pode ser lido como com outra motivação. Conversar com alguém porque queremos e por obrigação ilustra bem o fato e mostra como podemos ter o mesmo comportamento com noções bem distintas.

Para que faço isso? O que espero, de fato, conseguir com isso?

Estas duas perguntas nos ajudam a determinar a motivação do que estamos fazendo. Quando nos perguntamos isso buscamos o resultado esperado das nossas ações. A resposta à esta pergunta pode ser algo como “não quero mais me sentir mal” ou algo como “busco uma melhor qualidade de vida para mim”. A ideia é poder especificar cada vez mais até que a ideia geral se torne mais concreta. “Buscar uma melhor qualidade de vida” pode significar quero ter saúde física, quero me sentir em paz com minhas escolhas, quero ter certeza do que faço ou várias outras. “Não quero mais me sentir mal” pode ter uma conotação de não querer sentir determinada emoção ou passar por determinadas situações.

Para que isso é importante?

Quando nos perguntamos para que isso é importante estamos querendo compreender qual o valor daquilo para a pessoa, ou o que ela espera que virá a partir daquilo. Então se desejo “melhor qualidade de vida” onde isso significa “me sentir em paz com minhas escolhas” pode-se dar à isso uma grande importância ou uma pequena importância. Ainda mais: a coisa pode ser importante por significar um valor de “liberdade”, ou seja, se estou em paz com minhas escolhas sou livre, senão me sinto preso. Sentir-se em paz com suas escolhas pode, ainda, significar “ter feito pelos motivos certos”, então se a pessoa sente paz, sabe que está “fazendo a coisa certa” e isso a deixa em paz pois “fazer o certo” é algo importante para ela.

Compreender aquilo que nos motiva é importante pois dá o poder de nos conhecer melhor assim como de mudar o curso de nossas ações. Foi como havia colocado: muitas vezes a ação pode permanecer a mesma, mas a motivação e a sensação interna podem mudar drasticamente. No caso acima, por exemplo, tudo o que a pessoa desejava era mostrar ao pai que tinham muitas pessoas atrás dela. Nos valores familiares o valor quantidade era importante e assim, ela compreendeu que se tivessem muitas pessoas atrás dela isso provaria que estava sendo amada.

A armadilha é que aquilo não combinava com seus valores pessoais. Assim, mesmo tendo o poder e tendo o sucesso na empreitada, sentia-se de alguma forma “mal”. Não conseguia engajar numa relação mais duradoura ou abrir-se nelas. Deveria ser aquela pessoa que “capta” pessoas para orbitarem ao seu redor, mas abrir-se era algo que não estava incluso nos planos e justamente o que essa pessoa sentiu, mais tarde, ser o que ela desejava. Quando pode assumir esta motivação ela passou a fazer o que já fazia, mas com uma outra perspectiva.

Abraço

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Alívio e satisfação
30/06/2014

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  • Pois é Akim… não estou muito motivado para este trabalho.

  • Hum… me conte: o que te motivou à ir para ele?

  • Bem, eu não queria mais estar na casa do meu pai e não queria mais depender dele sabe?

  • Sei sim…

  • E daí pintou esta oportunidade e eu peguei.

  • Entendi… o que ia melhorar na sua vida saindo da casa do seu pai?

  • Bem, eu ia poder sair sem ninguém me encher.

  • O que é mais importante: ninguém te encher ou você ter a liberdade de agir como quer?

  • Agir como quero!

  • Coisa boa! E você, quando pensa no seu trabalho, pensa nele dessa forma?

  • De que forma?

  • Como o que sustenta esta liberdade que você quer?

  • Não…

  • E  se você pensar nele assim, como fica a sua falta de motivação?

  • Cara… muda um pouco já…

  • Um bom começo…

 

Fugir daquilo que nos causa dor é algo importante, quando nos afastamos de algo que nos incomoda sentimos um alívio que nos ajuda a repousar e reorganizar a vida. A sensação de alívio tem a ver com a ideia de afastar algo ruim, para termos alívio é necessário que antes tenhamos tido o incômodo, sem um não vem o outro.

A sensação de satisfação é diferente, ela vem quando adquirimos algo, quando finalizamos alguma coisa. É o resultado final o que importa e não a exclusão daquilo que incomoda, é a aquisição de algo que nos estrutura o que se busca na satisfação. Em oposição ao alívio, na satisfação o que temos que ter antes é  a sensação de que nos falta algo ou a sensação de desejar algo.

A maneira pela qual pensamos em nossa vida tem profundas repercussões sobre nossa motivação, as ações que tomamos e que deixamos de tomar e a maneira pela qual vivemos o dia a dia. Algumas maneiras de perceber e viver a vida são úteis para algumas finalidades enquanto outros maneiras são prejudiciais. Em meu consultório, por exemplo, percebo muitas pessoas tendo problemas em detrimento de uma confusão entre alívio e satisfação.

Quando aquilo que desejo é alívio o primeiro passo é buscar por um problema, se não existem problemas a pessoa não se mexe. É aquele tipo de pessoa que quanto tem um prazo, um problema ou uma situação à ser resolvida é muito eficaz, mas quando não tem nenhuma urgência para resolver nunca faz nada da vida, fica relapsa e vive num “nível basal”.

Quando se deseja satisfação na vida a atitude é de buscar aquilo que se deseja. O foco vai, então, para os ganhos que a pessoa terá e para os comportamentos que vão ajudá-la a chegar nestes ganhos. A pessoa é mais pró ativa e buscadora, ela mantém a motivação e o foco em aprendizados porque precisa e deseja-os.

Ocorre que muitas pessoas desejam coisas para a sua vida, mas pensam no estilo “alívio”. Quem quer algo precisa aprender a pensar como quem deseja se satisfazer e não como quem deseja se aliviar. Porque? Por um motivo simples: o esforço envolvido no “desejar” é muito grande para quem só deseja um alívio. Em outras palavras, para quem pensa no sentido do alívio, o custo de se mexer é muito grande e a pessoa acaba procrastinando ou se desinteressando da tarefa.

A grande questão é aprender a mudar a “imagem final”, ou seja, aquilo em que pensamos quando pensamos no que vamos ter no final. Se eu me imagino me afastando de algo ruim, ou “não tendo problemas” estou pensando no sistema que busca “alívio”. Quando imagino aquilo que realmente quero e o bem que isso vai me trazer eu estou raciocinando no sistema “satisfação”.

Quando você imagina o seu futuro pensa “não quero problemas” ou pensa “quero algo bom pra mim”? Essa é a diferença.

Abraço

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Motivos
27/01/2014

– Eu já entendi que isso me faz mal, mas ainda faço isso sabe?

– Sim, o que te motiva à isso?

– Eu não sei porque estou fazendo isso.

– Ok, mas quero que pense em outra coisa: feche os olhos e lembre de quando faz isso…

– Certo…

– Agora tente perceber o que motiva você a fazer isso, o que acontece um pouco antes daquele momento no qual você decide fazer isso.

– Hum…

– Vá no seu tempo, perceba agora o que te motiva

– Eu sinto que quando eu penso nele me dá vontade de fazer isso…

– Ótimo… tente imaginar você sem pensar nele, imagine como seria…

– Se eu não penso nele parece que não tem sentido fazer isso sabe?

– Sim, sei, perfeito!

Muitas pessoas querem entender o “porque” do seu comportamento.

“Porque” é relacionado com uma ideia, uma crença. Quando se pergunta o “porque”, muitas vezes os clientes respondem algo evasivo como “porque sim”, “porque sempre fiz isso” e o pior é que as respostas estão – dentro da lógica – corretas.

No entanto, quando perguntamos “o que motiva” a resposta não pode ser “porque sim” ou “porque sempre fiz isso”. “Motivo” é algo mais “concreto” e substancial, ele força o raciocínio da pessoa à busca o elemento que “dispara” as suas reações. Obviamente junto com este elemento podemos encontrar crenças que justifiquem a forma pela qual a pessoa o percebe para ter uma dada reação, porém apreender o(s) elemento(s) motivdor(res) é um ponto fundamental.

Porque?

Quando percebemos o que nos motiva começamos a lidar com algo mais concreto e perceptível. É neste ponto que, em geral, as pessoas dizem coisas como “não sei o que me dá” e “quando vi, já fiz”, este tipo de discurso é aquele de quem desconhece os seus motivadores internos para determinados comportamentos. O motivador está lá, mas a reação da pessoa é tão automática que ela nem sequer percebe sobre o que está reagindo.

Assim sendo quando nos perguntamos sobre nossos motivadores é importante buscarmos aquele elemento sem o qual a nossa resposta não faz sentido. Assim como no exemplo acima, quando a pessoa identifica o motivador e imagina-se sem ele o comportamento deixa de ter sentido – justamente pelo fato de não ter o que o motiva. Neste caso pensamos que a crença, a resposta para a pergunta “porque”, ainda está lá, porém ela não faz muita diferença visto que não existe o elemento motivador eliciar o comportamento da pessoa.

De posse da percepção do que motiva o comportamento a pessoa pode realizar mudanças mais eficazes em sua vida pois começa a perceber de forma direta ao que está reagindo e então modificar o seu comportamento – interno e externo.

O que te motiva?

Abraço

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Gostar x importar-se
02/08/2013

– Já não sei o que fazer, ela fica me dizendo que eu não me importo com as coisas que ela gosta sabe?

– Sei, me de um exemplo

– Tem uma banda lá que ela gosta, mas eu não curto entende?

– Claro que sim, mas você precisa, necessariamente gostar?

– Como assim?

– Veja o que ela pede é que você goste ou que você se importe com algo que é importante para ela?

– Ela reclama que eu não me importo, mas pra mim dá na mesma.

– Qual a diferença entre gostar e se importar?

– Não sei!

E você, sabe?

Gostar é uma apreciação, é quando apreciamos algo de uma forma positiva, mostrando o nosso agrado por algo ou alguém; já importar-se é mostrar apreço por algo, demonstrar consideração.

O gostar envolve uma apreciação pessoal, na qual a pessoa se envolve ativamente ao experimentar, aprovando e gozando de algo que a faz sentir-se bem, é extremamente pessoal, pois, como a origem da palavra diz, envolve o “gosto” de cada um.

Importar tem a ver com uma avaliação de importância que não precisa ser pessoal. Sabemos que algo é importante, mas não precisamos, necessariamente gostar disso.

O que isto tudo tem a ver com o caso acima?

Uma das questões cruciais em uma relação é a capacidade dos conjugues conseguirem dar importância ao que é importante ao outro. Esta “importância compartilhada” gera uma sensação de aprovação e de intimidade fundamental para os relacionamentos. O tema tem se tornado cada vez mais importante nos últimos tempos uma vez que as pessoas tem se tornado cada vez mais egoístas em suas relações. O individualismo – favor não confundir com individualidade – tem se tornado um verdadeiro câncer para as relações uma vez que questões simples – acredite é simples – como essa não são mais tão claras para as pessoas.

Como aprender a se importar com algo que não gostamos?

Em primeiro lugar é importante entender que o fato de não gostarmos não significa que a coisa não possua valor, ela simplesmente não empresta uma experiência boa à nós. Uma vez que a coisa possui valor a pergunta é simples: a pessoa que amo dá valor à isto, posso atribuir valor à isto como uma forma de honrá-la e respeitá-la? Se a pergunta à essa resposta for sucessivamente “não”, sugiro outra: porque estou me relacionando com esta pessoa?

Aprendermos com o universo do outro permitindo que ele faça parte de nossas vidas é uma das condições básicas para uma boa relação. Conhecer e dar importância àquilo que é importante para o outro é fator fundamental para a intimidade, sem isto é muito difícil que os laços se estreitem. Obviamente talvez não seja possível realizar a tarefa para todos os aspectos da vida do outro, porém um mínimo é necessário para que o respeito e admiração se tornem algo comum ao casal.

O respeito por algo que é importante ao conjugue é um dos fatores fundamentais dos casais de sucesso segundo as várias pesquisas de John Gottman, pesquisador americano que trabalha exclusivamente com o tema. Além deste existem outros que vamos trazer ao longo dos dias, não perca!

Abraço

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Causa e efeito
24/07/2013

– Tá bem Akim, chega!

– Ok, por hoje chega mesmo, não vamos mais aprofundar.

– Ótimo.

– Me permite, ao invés de aprofundarmos, fazermos outra coisa?

– Permito…

– Você percebeu que está um tanto arredio neste momento certo?

– Sim. Minha vontade é de sair correndo.

– Ótimo, agora perceba ao que você está reagindo.

– Como assim?

– O que está motivando esta vontade de fugir e sair correndo?

– Ah, sei lá essas coisas que a gente está falando…

– Pense, foi agora pouco que essa vontade de fugir veio… pense…

– Eu acho que quando você me disse que era o momento de eu tomar uma decisão eu comecei  a ficar assim…

– Perfeito…

– E, depois, quando eu falei sobre as decisões eu fiquei mais ansioso e agora estou assim…

– Ótimo, muito bom, mas vamos lá: o que motivou o desejo da fuga?

– Não foi isso?

– Isso te colocou em contato com a decisão, mas o que te fez desejar resolver isso fugindo?

– Hum… entendi… (pensativo) eu acho que quando eu pensei no que eu quero fazer eu vi que não é o que todos esperam de mim. E daí resolvi fugir ao invés de frustrar os …  eu resolvi fugir porque não consigo frustrar as pessoas, quero manter o meu papel de bom moço.

– Perfeito! Como se sente agora?

– Um pouco mais calmo na verdade…

Tristeza é depressão? Ansiedade é pânico? Medo é fobia?

Ao estudar o comportamento humano um dos temas mais instigantes é: o que é sintoma o que é causa de um comportamento?

Independente de entendermos “causa” de uma forma linear (a causa b) ou de uma forma circular (a relaciona-se com b) o tema é importantíssimo dentro de uma psicoterapia que vai ajudar a pessoa a compreender melhor o seu comportamento, suas emoções e reações.

A pergunta: “O que motiva o seu comportamento?” É diferente da pergunta “porque você fez isso”. Esta última faz alusão à uma explicação na qual uma resposta como “porque eu quis” satisfaz a pergunta – e várias vezes ouvi isso em consultório, ou o famoso “porque sim”. Já a primeira pergunta tem a ver com um dado mais sensorial, ela busca pelo fenômeno que motivou a reação, ela é mais útil porque deseja uma resposta mais concreta. “Porque sim” não responde “o que motivou”.

Assim sendo é importante diferenciarmos um sintoma de um motivo. O sintoma é o que aparece aos olhos, é aquilo com que nos relacionamos de forma mais direta. A motivação pode advir de vários fatores, daí o motivo que torna esta investigação tão instigante. É como a febre, ela nunca é uma causa, um motivador de algo, é sempre um sintoma. Este sintoma pode advir de uma bactéria, de uma inflamação, de uma virose, enfim, de várias causas motivadoras daquele sintoma. Se o médico dá apenas um remédio contra a febre ele não estará tratando a causa, o mesmo vale para a porção psicológica.

Uma pessoa, por exemplo, tem baixa auto-estima. Isto não é uma causa de nada, mas sim um sintoma. Quando investigamos percebemos que ela, por exemplo, não dá limites à ninguém. Vive sentindo-se passada para trás ou mal tratada por pessoas próximas à ela. O que motiva este comportamento é uma crença de que dar limites é algo nocivo, que as pessoas brigam quando recebem limites. Assim, quando ela se vê em uma situação na qual precisa dar um belo limite ela pensa que se fizer isso vai arranjar mais confusão e, com isso, acaba aceitando a mal criação e termina sentindo-se mal consigo própria. O que temos que trabalhar neste caso? A crença e novos comportamentos sociais que vão ajudá-la a perceber a situação de uma forma diferente.

Em um post anterior eu escrevi sobre os cinco níveis lógicos de Gregory Bateson: identidade, crenças, recursos, comportamento e ambiente. Muitas vezes os motivadores estão nestes níveis ou em vários deles. Investigar isto à fundo assim como as repercussões do que vai acontecer com a pessoa e com as relações que ela tem vai nos ajudar a determinar melhor o que fazer e como fazer.

Quanto à você deixo a dica: não procure pelos “porques”, busque investigar a sua vida seguindo a dica do motivador, ou seja, quando tenho este comportamento que não gosto ou que quero mudar, o que acontece? O que teria que não ter ocorrido para este comportamento não ocorrer? Esta é a primeira fase, depois dela pergunte-se: como explico para mim o que aconteceu de forma que eu tenho o comportamento que não quero ou que quero mudar? Isto vai ajudar você à perceber melhor o seu comportamento, suas intenções e motivações pessoais!

Abraço

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Culpa ou motivação?
05/11/2012

– Então Akim, eu me sinto mal quando penso nessas coisas que passaram e que eu não fiz sabe?

– Sei sim. Que sentimento você tem, especificamente?

– Acho que é como se fosse uma culpa sabe?

– Culpa? Hum… e me conte: culpado em relação à que?

– A ter deixado essas coisas todas de lado sabendo que eu precisava fazê-las.

– Entendi… bem, a culpa te ajuda a concretizar essas tarefas hoje?

– Hum… na verdade não… me faz lembrar sempre delas, mas não realizá-las.

– Perfeito, então que tal você me contar do que você já conseguiu fazer?

– Bem… posso lembrar de várias coisas, mas…

– Caalma… só um pouco. Lembre e deixe que a sensação de ter conseguido cumprir volte à você… a sensação de competência…

– Tá… estou sentindo isso…

– Perfeito… agora, sentindo isso, quero que você pense em um dos trabalhos que você quer executar

– Ok…

– Ótimo, qual a sensação ao pensar nisso agora?

– Melhor… dá até vontade de fazer!

– Show de bola, vamos fazer o mesmo com os outros agora

– Ok.

 

Na semana seguinte este cliente havia terminado o projeto que estava se sentindo culpado por não entregar e mais um que ele traçou como meta.

A grande questão é que a culpa é uma sensação que – para a maior parte das pessoas com quem trabalhei até hoje – fazem com que não nos esqueçamos do que não fizemos, mas também não motiva para realizar porque o sentimento associado não é motivador. Algumas pessoas fazem o que fiz com meu cliente naturalmente: transformam a culpa em motivação, aí criam uma confusão mental: me sentir culpado me faz fazer as coisas. O erro é porque não é a culpa, especificamente, A A motivação tem uma uma relação estreita com nos sentirmos capazes e desejosos  de algo. É ter a sensação de que algo será muito importante, benéfico, prazeroso e que ainda não temos esse algo e que conseguiremos esse algo. Seja o que for: um objeto, uma viagem, uma sensação, uma experiência.

Se não percebemos esse “objetivo”como algo desejável, que irá nos trazer um futuro melhor, não termos o desejo e o compromisso de correr atrás dele.

Se sentimos como se já tivéssemos isso, a busca ficará estranha: porque buscar algo que já possuo?

Se não nos sentirmos capazes de alcançar vamos desviar da rota: porque sonhar se sei que não vou conseguir?

Estes três elementos: um futuro melhor e que ainda não tenho e que quero e que sinto-me capaz para conseguir são a base da motivação. É importante que, ao criarmos metas, possamos nos colocar neste estado emocional pois iremos visualizar o nosso desejo de uma forma muito diferente.

Abraço

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Tédio
22/08/2012

– Então, estou entediado com tudo isso sabe?

– Sei, pelo que você me conta as coisas não fazem sentido né?

– É. Eu queria estar fazendo alguma coisa, mas não tenho tesão para fazer nada.

– Entendo. Mas me diga, onde estaria esse tesão?

– Não sei, deveria estar no que eu estou fazendo não é?

– E não está?

– Não

– Então onde está?

– (pensativo)

– O tesão, motivação somos nós quem criamos. Nós é quem emprestamos sentido para o que fazemos. Como você dá sentido ao que você faz?

– Hum, acho que não dou.

– Entendo, bom, vamos trabalhar com algumas experiências para você fazer e vamos ver o resultado que isso vai trazer, o que me diz?

– Vamos lá.

Tédio é uma sensação que nos informa que gostaríamos de estar vivendo algo que não estamos vivendo neste momento. Podemos fazer isso de duas formas básica: a primeira é simplesmente não estarmos fazendo o que realmente desejamos; a segunda é não sabendo aproveitar o que estamos fazendo.

Para a primeira é importante criarmos oportunidades para fazermos oque desejamos, criar o compromisso de buscar nossos desejos. Esse compromisso pode ser começar a ter atitudes pequenas, mas que levem ao objetivo maior.

A segunda já é um pouco mais complexa pois envolve descobrir como criamos a nossa motivação. Muitas pessoas não sabem sentir prazer e envolvimento com o que estão fazendo. Uma das primeiras metas é aprender a sentir prazer no que está fazendo. Descobrir qual o elemento da experiência que você está tendo que lhe dá prazer. Para isso é necessário sentir – com o tato, visão, audição, gosto e cheiro – a experiência e destes elementos detectar qual o que lhe dá prazer. Depois disso podemos desejar passar pela experiência prazerosa novamente e com isso começar a gerar a motivação para ir novamente fazer o que gostamos. Com isso começamos a “matar” o tédio.

Abraço

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