Aquietar-se
18/07/2014

silencio

  • Pois então Akim… eu estou meio agitado sabe?

  • Sim. Estou vendo isso.

  • Tem muita coisa na cabeça.

  • O que você sente? Podem ser várias emoções…

  • … tristeza… raiva… medo… amor…

  • Ok. Feche os olhos um pouco, sente-se aí no sofá e respire um pouco em contato com estas emoções.

  • Ok.

  • Perfeito… não tente tirar elas, nem mexer nelas… apenas preste atenção nelas enquanto o ar entra e sai dos teus pulmões.

(depois de alguns minutos disso o cliente abre os olhos suavemente e eu pergunto à ele)

  • Como você está?

  • Um pouco mais calmo.

  • Perfeito, agora, que tal me contar sobre a emoção que ficou mais presente em ti?

  • Tristeza…

  • Ok, falemos sobre ela…

 

Neurologicamente falando existe um fenômeno que alguns pesquisadores chamam – de maneira não-técnica –  de “inundação do córtex”. Este nome se refere ao processo no qual tantas informações estão correndo de um lado para o outro que o córtex simplesmente está “inundado” de correntes elétricas. Em termos humanos isso é quando nossa cabeça “está cheia”. A maior parte das pessoas que organizar a bagunça e fica pensando sobre tudo o que está passando pela sua cabeça naquele momento e elas não conseguem pensar em tudo e, então, se desesperam um pouco mais.

Porque elas não conseguem?

Porque o córtex já está inundado, como vai processar mais informação ainda? A ideia, neste momento é desapegar-se daquilo que está passando pela cabeça e focar-se em aquietar a mente, diminuir a quantidade de processos que estão ocorrendo no cérebro para, então “ter espaço” para processar alguma coisa de uma maneira mais adequada.

Respirar é uma das melhores maneiras de se fazer isso. Ao focar a sua atenção na respiração você está direcionando esta atenção à um processo natural do corpo, que ocorre sem a sua vontade consciente, isso relaxa o cérebro que, ao invés de prestar atenção à mil e um pensamentos, presta atenção à algo que ele nem sequer precisa fazer esforço para perceber ou fazer. Este relaxamento começa a criar o espaço que é necessário para que as emoções e pensamentos se aquietem e permitam-nos fazer uma reflexão adequada.

Aquietar-se vai além disso também. Não é algo que se busca única e exclusivamente quando a mente já está super excitada, você pode buscar isso quando a sua mente não está neste estado. Aquietar-se tem a ver com a atitude de buscar manter um estado estável da mente e perceber ao longo do dia, das semanas as oscilações neste estado.

Em geral, quando os pensamentos e emoções vem, nós seres humanos, tendemos à reagir à eles. Assim, quando a tristeza surge em nós, por exemplo, a pessoa resolve dizer-se “não, não vou ‘entregar os pontos’, vamos lá”. Quando faz isso cria-se um diálogo e até mesmo uma disputa interna entre a emoção e os impulsos desta emoção e o desejo da pessoa, ou a reação da pessoa. Quando se aquieta a mente, a ideia é perceber a emoção, nada mais. A única “reação” que se tem é a de perceber. Esta atitude faz à médio prazo a integração entre a emoção e a vontade consciente da pessoa. É como se você passasse um longo período prestando atenção à algo antes de sentir um desejo de fazer alguma coisa. Em geral as pessoas relatam isto da seguinte forma: “daí me veio uma coisa e eu fui lá e fiz sabe? Tipo sem esforço entende?”.

Este tipo de relato é muito comum quando a pessoa se aquieta e reage ao que sente e pensa apenas com a atenção de perceber aquilo que está ali, sem brigas e sem desejo intencional. Como eu já disse uma espécie de integração entre o percebido e o observados se estabelece e um desejo “espontâneo” nasce daí. Este é um “segundo nível” da atitude de se aquietar.

Que tal experimentar?

Abraço

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Um passo de cada vez
22/01/2014

– Mas agora eu estou com medo sabe?

– Ah é? O que te dá medo?

– Acho que não vou conseguir dar conta de tudo de uma vez!

– Eu tenho certeza que não vai!

– Ai, como assim?

– Bem, você não vai conseguir fazer “tudo” de “uma só vez”, vai?

– É… pensando assim não né?

– Sim, mas é como está aí na sua cabeça não é? A sua cobrança é essa.

– É.

– Que tal repensar isso de uma forma mais realista e organizada: dividindo a coisa toda em etapas e jogando estas etapas ao longo do tempo?

– Me acalma pensar assim.

– Ótimo

Aprender a usar a nossa mente talvez seja um dos maiores e mais prazerosos desafios de todos.

O exemplo acima é um deles e trata da maneira pela qual as pessoas organizam suas tarefas, por exemplo. Existem pessoas que pensam que tem que fazer “tudo para ontem”, vivem o seu dia a dia assim. Esta maneira de organizar as suas tarefas irá lhe trazer uma constante sensação de que você está em atraso, devendo algo para alguém e o fará se colocar sempre no pique para estar correndo atrás daquilo que você “deixou de fazer”.

Outras pessoas acham que “amanhã eu resolvo” e deixam tudo sempre para a última hora ou para o dia seguinte. É comum terem esquecimentos, atrasos e darem soluções não tão boas porque fizeram tudo correndo. Alguns, por outro lado gostam da sensação que a pressão traz e acabam rendendo melhor.

Algumas pessoas possuem cobranças bem definidas e realistas, outras se cobram o impossível. Obviamente quem organiza as suas cobranças da primeira maneira consegue sentir-se mais no controle da situação e se permite até descansar quando termina. O segundo estilo, em geral, assume uma atitude de que tudo está sempre ruim e ela está sempre devendo algo na sua produção e/ou na qualidade do que fez, termina por denegrir o próprio trabalho quase sempre.

Ao longo dos anos em terapia tenho visto que os estilos todos podem ser úteis dependendo do contexto, objetivos da pessoa e das suas competências para aquilo que se propõe. Por exemplo, em geral é útil organizarmos nossas tarefas de forma realista e pensada, colocando à nossa frente metas que sabemos que conseguiremos cumprir de forma ordenada no tempo para que cada coisa tenha um tempo adequado para ser realizada, isso traz uma sensação de segurança e a pessoa fica mais tranquila para resolver cada etapa com a devida atenção. Se o seu objetivo é simplesmente “dar conta do que tenho que fazer hoje”, você tem as competências necessárias e o contexto está precisando somente disso, está perfeito.

Porém, a pessoa pode organizar suas tarefas de uma maneira que ela não sabe se dará conta e isso pode ser muito bom para ela. Como assim? Ora, muitas vezes precisamos evoluir, aprender, ir além. Neste contexto é mais interessante usar concentração e uma dose adequada de incômodo para que você esteja mais atento e seja mais produtivo do que o seu normal. Nesta situação, em específico, organizar as tarefas de uma maneira muito cômoda pode ser contra produtivo porque a pessoa pode não estar no estado mental adequado para estar atenta aos detalhes do que a sua nova tarefa lhe confere.

Como você organiza suas tarefas? De que forma você usa sua mente?

Abraço

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Psicossomática
09/09/2013

– Tenho algo muito bacana pra te contar que eu percebi estes dias.
– O que foi?
– Este ano eu não peguei nenhuma gripe!
– Opa, que bom! Era comum você pegar?
– Sim, todo ano eu tinha no mínimo do mínimo umas duas. E ficava de cama uns dois dias sempre.
– Olhe só que evolução!
– Pois é! E sabe, acho que tem tudo a ver com eu estar bem este ano.
– Ah é?
– Sim, porque eu me sinto mais forte sabe? Então, não sei se tem a ver, mas acabou que eu não peguei gripe nenhuma.
– Creio que alguma coisa tem a ver sim, você começou a praticar exercícios também não é?
– Sim!
– E a alimentação?
– Melhorei também, na verdade foi uma das primeiras coisas que eu senti o efeito da terapia: me cuidar, principalmente da comida.
– Perfeito!

A mente pode causar doenças?

Esta pergunta aparentemente simples envolve uma discussão enorme para a qual a ciência – nem a medicina, nem a psicologia – ainda não possui uma resposta definitiva.
Ocorre que o tema vai além da mera resposta: sim ou não. Existe no meio disso um “como” o processo ocorre. Aí o problema torna-se mais complexo ainda porque envolve uma questão filosófica sobre: o que de fato é a mente? (ela existe? ela é o nosso cérebro? ela reside na alma?) Ainda não temos uma resposta para esta pergunta, apenas várias e várias conjecturas sobre a natureza da mente e as possíveis relações dela com o corpo – e aqui até cabe a pergunta: a mente é, de fato, separada do corpo? Existem estas duas “coisas” uma chamada corpo e a outra mente ou tudo é uma coisa só?

Uma das formas de responder – de uma forma rápida para não me delongar num assunto que daria vários livros – a pergunta é afirmar que tanto mente como corpo existem e que o fenômeno que chamamos de “mente” tem uma relação estreita com os processos que ocorrem no cérebro – talvez até o que chamamos de mente seja um “subproduto” desta atividade cerebral. Uma vez que adotamos esta ideia podemos pensar em como a mente influencia a saúde de qualquer pessoa – para o bem ou para o mal.
Tomando esta ideia como base – uma vez que existem outras teorias – podemos pensar da seguinte forma: o sistema imunológico – responsável pela defesa e equilíbrio do organismo em relação à doenças – seria, de alguma forma influenciado pela atividade da mente – nossos pensamentos, emoções, crenças, relacionamentos e comportamento. A relação não é direta, mas sim indireta – a mente não teria uma atividade direta com o sistema imunológico – da seguinte forma: sabe-se que pensamentos e estados emocionais interferem em processos biológicos como batimento cardíaco, sudorese e estresse. Os sistemas envolvidos nestes processos (sistema nervoso autônomo e sistema endócrino) são mais diretamente afetados pelos nossos pensamentos e emoções e estes sistemas estão diretamente envolvidos com o sistema imunológico. Assim: nossas emoções, pensamentos e comportamentos afetariam o sistema nervoso autônomo e o sistema endócrino de maneira direta e esta influência afetaria o sistema imunológico, afetando, assim, a nossa disposição para doenças ou saúde.

Uma metáfora que se emprega para pensar o sistema imunológico é da identidade. Esta metáfora se dá porque a atividade deste sistema embora se pareça com a de um exército – defesa do organismo – se dá espelhando o que é conhecido e o que não é conhecido dentro do organismo. Em outras palavras o sistema de “defesa” só ataca aquilo que ele não reconhece como sendo do organismo, como se as células dissessem: “isso não sou eu”, portanto devo atacar.
Assim sendo a questão do autoconhecimento poderia afetar a forma pela qual o sistema imunológico identifica o que é “eu” e o que não é “eu” através dos mecanismos acima citados. Este processo pode afetar a nossa saúde: resistência à doenças, recuperação de doenças, aumento da saúde, produção de células sanguíneas e outros. Reconhecer os sinais do corpo nos ajuda a aumentar o auto-conhecimento relacionado à nossa biologia, para que você entenda: muitas vezes já tive que mostrar para clientes que o “calorão” que ele sentia era apenas porque a respiração aumentou, que era algo normal e bom, esta pessoa pode incorporar o “calorão” no seu repertório de “eu” e agora, não mais ficaria atenta ou desconfiada do seu calorão. Antes ela via o “calorão” como algo ruim e nocivo, quando, na verdade, era somente uma resposta muito saudável do seu organismo.

Aumentar o auto-conhecimento faria com que a pessoa organizasse melhor a sua auto-imagem com relação à processos naturais do organismo que mantém o seu equilíbrio e a deixaria atenta para o que afeta este equilíbrio para melhor – gerando mais saúde – ou para pior – debilitando o organismo. Desta forma a “mente” poderia interferir tanto biologicamente – afetando produção de células sanguíneas e de defesa, produção de hormônios e outros processos – como comportamentalmente deixando a pessoa mais envolvida com atitudes que melhorem a sua saúde: pratica de exercícios, melhoria na alimentação, relaxamento muscular, melhor escolha de relacionamentos e outros. E este é o viés que emprego na clínica para compreender e orientar as pessoas em relação à como sua saúde emocional influencia sua saúde biológica, como o cliente do exemplo acima demonstrou a relação que desenvolvemos com nós mesmos pode afetar a nossa saúde física e creio que a forma acima citada é um bom começo de conversa para sabermos “como” isto ocorre.
Por fim gostaria de dizer aqui que todo o exposto é apenas mais uma ideia e não se trata de uma comprovação científica, afinal de contas não temos ainda um completo conhecimento do sistema imunológico e nem mesmo do que entendemos por “mente” e suas relações com o “corpo”. No entanto, é uma hipótese muito comentada no meio científico e tem feito sentido para muitos pesquisadores. Também quero deixar claro que o aspecto mental não é o único, existem aspectos genéticos e puramente biológicos nesta questão: um vírus continuará sendo um vírus. A psicossomática como o próprio nome diz envolve aspectos biológicos, emocionais, psíquicos, comportamentais e ambientais o que não nos permite cair em reducionismos. Portanto, alerto ao leitor: trate de sua saúde emocional, mas não a tenha como o único meio de obter saúde física, consulte sempre um médico quando tiver um problema de saúde, a mente pode afetar a nossa saúde, porém o biológico também tem o mesmo efeito e precisamos tratar com sabedoria os dois lados da equação.

Abraço
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Atitude mental
06/02/2013

– Pois é Akim, eu fico com este ciúmes besta e preciso me livrar disso sabe?

– Claro que sim, eu gostaria que você fizesse um pequeno exercício durante esta semana, pode ser?

– Claro que pode!

– Nós vamos fazer aqui inicialmente e depois você vai praticar isso em casa tá bem?

– Certo!

– Eu quero que você se lembre da última vez em que sentiu-se com ciúmes

– Ok

– Lembre agora da fantasia que você criou que te deu ciúmes.

– Certo eu fiquei imaginando que ela estava atrasada porque estava com um outro cara

– Ótimo, perfeito! Eu quero agora que você imagine esta cena em que ela está com um outro cara de modo que você está vendo o cara de costas certo?

– Tá!

– Agora eu quero que você, aos poucos, ande pela cena até poder ver o rosto do cara

– Ok, estou quase lá!

– Excelente, quando você finalmente consegue ver o rosto, você vê o seu próprio rosto!

– Ã?

– Isso mesmo! Você vai fazer isso em casa com as suas fantasias e depois vai fazer ao vivo e vai imaginar com profundidade o que “este cara” faz que seduz a sua mulher.

– Ã… tá bem…

(uma semana depois)

– E então, como foi?

– Estranho pra caramba… mas eu tive um final de semana ótimo…

– Que bom!

– Pois é… eu ficava imaginando o tal cara e quando eu colocava a minha cara lá e me via fazendo um monte de coisas aconteceu um negócio estranho… comecei a me comportar de uma forma diferente com a minha mulher!

– Excelente! Parabéns! E, pelo jeito, pra melhor não é?

– Cara… sim… estou muito menos inseguro, quando me sinto assim faço logo o exercício e aprendi que posso aprender com o meu ciúmes e que eu sou um cara mais legal que eu acho que sou.

– Que ciúmes bom hein?

– Ótimo! (Risos)

Atitude mental: o que imaginamos e como imaginamos.

Nossa mente não distingue real de imaginário, muitas pessoas após verem um filme de terror ficam com medo de que o monstro as pegue, que o fantasma vá lhes fazer mal, isso tudo porque a mente não faz diferença entre o que está na tela e o que é real. Sabemos conscientemente que existe uma diferença, no entanto uma vez que a informação entra na mente para ela aquilo é o real.

O caso do ciúme é um ótimo exemplo disso. Mesmo que o conjugue seja 100% fiel o que importa é o que o ciumento coloca em sua mente. O alvo do ciúme pode andar com uma câmera na cabeça o dia todo, isso não satisfaz o ciumento, pois ele colocou em sua mente uma imagem na qual ele está sendo traído e, portanto, acaba por viver aquela fantasia tal como se fosse real.

O mesmo ocorre quando uma pessoa está se preparando para uma prova, inciar um casamento ou uma competição ou para qualquer situação na qual a pessoa visualize o que vai ocorrer ou o que ela quer que ocorra – ou o que ela teme que ocorra. Quando tememos algo e imaginamos isso passamos pelo mesmo processo, mesmo que não seja real, vivemos o medo como real e começamos a orientar a nossa atenção, nossa percepção para qualquer detalhe que venha a validar a nossa fantasia e, então, passamos a nos comportar de acordo com o que estamos vivendo em nossas mentes e – agora – em nossa “realidade”.

Mudar a atitude mental é começar a inserir novos elementos em nossa realidade subjetiva ou percebê-la de uma nova forma. Assim como no caso acima em que solicitei que o ciumento visse a si próprio como o amante de sua esposa, um verdadeiro nó no cérebro da pessoa que começa a ter vários efeitos que mudam a realidade interna vivenciada pela pessoa, geralmente muda, também, a realidade “externa” ou seja os comportamentos que a pessoa tem e os resultados que ela consegue no mundo.

Abraço

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