Tão você
24/09/2014

 

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  • Eu descobri uma coisa sobre o meu término

  • O que foi?

  • Que o pior não foi ter terminado.

  • Não… o que foi?

  • Eu já não estava muito bem antes.

  • Sei.

  • E isso foi o pior, porque eu entendi algo que me deixou bem mal

  • O que?

  • Que eu tinha me deixado… muito antes de ter sido deixada.

  • Hum… cruel não?

  • Sim e até percebo que ele não poderia me amar mais mesmo, porque eu me abandonei… não era mais uma pessoa “apaixonável”

  • Sim… entendo…

 

Quando entramos em um relacionamento é natural que a nossa identidade se dissolva levemente na identidade do outro e na relação em si. Isso é um processo natural, normal e que é saudável para a manutenção e crescimento da relação. É quando começamos a nos pensar em relação ao outro e em relação à nossa própria relação. Quando uma decisão é refletida a partir do nosso querer e do que é melhor com relação à um terceiro e à relação que tenho com esta pessoa.

Quando a pessoa, no entanto, passa a refletir tudo apenas em relação ao outro existe um problema. O que não é saudável é quando a relação e o outro são colocados em primeiro lugar e/ou sempre em primeiro lugar. Porque isso é danoso? Pelo fato de que isso coloca as necessidades pessoais de quem age assim sempre em segundo plano e elas não podem estar sempre em segundo plano, outro efeito colateral é sentir culpa pelo fato de desejar alguma coisa que é tão danoso quanto o primeiro.

Se o conjugue se torna o único da relação não existe mais relação. Tudo o que ocorre passa a ser um pedido desesperado por afeto e aprovação. Esta humilhação desgasta qualquer pessoa e qualquer relação, é apenas quando existe um parceiro com quem interagir que algo pode ocorrer. Você pode dançar sozinho, mas não pode dizer que está dançando de dois enquanto dança sozinho. A pessoa que coloca o outro sempre em primeiro lugar está fazendo exatamente isso, deixando o outro dançar sozinho. É uma forma de abandono porque quando a pessoa se abandona ela deixa o outro sem ela e é uma dor muito difícil e estranha de ser sentida.

Para reverter o quadro não basta voltar a fazer as coisas que você gosta de fazer. Isto é importante e necessário e faz parte de um processo que é aprender a se recolocar perante si mesmo em primeiro lugar. Este é o processo mais importante. Aprender a merecer novamente apenas por si, dizer “nãos”, colocar a sua vontade e, por vezes, fazer algo sozinho. A relação lucra muito quando ambos conseguem ter vidas próprias além da vida em conjunto. Novamente, como eu disse existe algo saudável em deixar sua identidade se fundir com o outro e com a relação, porém os limites precisam ser estabelecidos e o limite é quando eu sei que eu ainda sou eu e tenho esta diferença bem posicionada. É quando sei que amo o outro e mesmo assim sei que não preciso concordar com ele em tudo e que não preciso ceder à tudo para ser amado por ele.

É importante que fique registrado que o fundamental não é o afastamento do outro, mas sim a aproximação consigo. Não se trata de não fazer porque é o outro quem está pedindo, mas sim de não fazer – por exemplo – porque é algo que me agride, com o que não concordo radicalmente. Ou então, de se permitir fazer algo que seu conjugue sugeriu porque lhe parece uma boa dica. Sempre coloco para alguns clientes que você só se perde numa relação caso se abandone, não é o outro – neste sentido – que nos abandona, mas sim, inicialmente, nós mesmos. A dor de perder alguém que amamos só pode ser comparada à dor de perdermos a nós mesmos. A boa notícia é que estamos aqui para podermos reatar o contato conosco, para isso, precisamos abrir o peito e ousar novamente.

Abraço

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Estrelinha
16/06/2014

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  • E daí ela foi embora sabe?!

  • Claro! Deveria estar com a bunda dolorida já.

  • Pô meu, mas sabe… ela olhou e tal, mas…

  • Mas…? O que você estava esperando?

  • Um sinal mais claro!

  • Hum… como um luminoso “me beija por favor”?

  • (risos) Seria bom.

  • Seria né? Só que isso não ocorre… não sempre pelo menos.


  • Akim… você não acredita o que ele fez depois!!

  • O que?

  • Eu lá, toda linda esperando ele tomar uma atitude né?

  • Sim…

  • Daí vem “aquelazinha” e senta do lado dele.

  • Hum…

  • Não dá meia hora os dois se agarrando

  • E você?

  • Eu fui embora né?!

  • É…

 

Desta vez resolvi trazer dois relatos: um dos homens outro das mulheres que recebo no consultório em relação à falta de objetividade com aquilo que desejam. Existe uma diferença entre “ser fácil” e “buscar o que se quer”, assim como existe uma diferença entre “se fazer de difícil” e “impossibilitar a relação”. As confusões são enormes e envolvem defesas e dores emocionais, valores culturais assim como competência interpessoal.

Quando a pessoa deseja outra pessoa se inicia a paquera, o flerte no sentido de buscar definir à distância a possibilidade de uma aproximação ser bem sucedida. Muitas pessoas realizam o flerte de uma maneira que afasta as outras pessoas. Dentro delas existe o desejo, porém existe, também, o medo. Esse medo, misturado com o desejo, se traduz em atitudes ambíguas e esse tipo de atitude, em geral afasta as pessoas ao invés de aproximar.

O medo, por sua vez, pode ter origens em questões emocionais e ser traduzido como o medo da rejeição, de abandono, de ser enganado ou de “estragar tudo novamente”. Também pode ser um aprendizado social que diz que a pessoa não deve demonstrar o desejo de uma maneira muito aberta ou até mesmo uma incompetência social na qual o auto conhecimento e o conhecimento corporal não são bem estabelecidos fazendo com que a pessoa se expresse de maneiras que não dizem – socialmente falando – aquilo que ela quer realmente dizer.

Medo, em geral, tem a ver com a nossa falta de habilidade em lidar com uma determinada situação à qual não sabemos resolver e que pode nos causar de um determinado dano – físico psicológico ou emocional. Quando a pessoa aprende a lidar com a rejeição, por exemplo – um medo muito comum nos homens jovens quando começam a paquerar – ela deixa de temer uma possível rejeição da pessoa com quem está flertando. No caso da mulher – em geral – quando ela aprende a lidar com o abandono ela sente-se mais forte e menos dependente das atitudes dos homens em relação à ela.

Este medo é o que diferencia, por exemplo, o “se fazer de difícil” e o “impossibilitar a relação”. É como na dança: se a dama ou o cavalheiro forem demasiados duros a dança não irá ocorrer ou não será harmoniosa – no mínimo. O medo causa este excesso de “dureza”. Trabalhar com o medo nos faz perceber nossos comportamentos e se entregar ao jogo de uma maneira mais plena. “Jogar” o jogo significa envolver-se nele e o bom jogo nunca determina à priori o seu ganhador ou perdedor, isto se definirá ao longo do jogo. No caso do flerte, podemos usar esta analogia ou podemos usar uma ainda mais interessante que se traduz na criação das narrativas.

Gosto desta abordagem que resumo na seguinte frase “o que não nos mata, vira história para os amigos” e, por pior que seja a história, mais cedo ou mais tarde conseguimos rir dela, quando a vivemos e a contamos com honestidade. Assim, no universo do flerte os “foras” se transformam em experiência, se transformam em novos jogos – nada disso busca excluir a dor que podemos sentir, mas sim vivê-la com a “cabeça erguida” – que mantém a pessoa ativa no mundo e em sua vida. Retira ela da posição de estrelinha e a coloca na terra, com os pés no chão.

Esse “estrelismo” é o que faz as pessoas não buscarem o que querem. O medo do fracasso em geral se traduz num medo de terem em sua história uma “mancha”. Ora quem teme isso se entende num pedestal imaculado visto que a vida é feita de manchas. “Nada é perfeito e nisto encontramos a perfeição” é outra frase que gosto de usar. Quando mais “estrelas” precisamos ser mais nos afastamos do “estar vivo”, pois organizamos nosso comportamento em relação à uma imagem idealizada ao invés de em relação à realidade. “Imagine que eu vou fazer…” esta frase sempre está carregada de arrogância quando afasta a possibilidade de ser no mundo apenas por um julgamento pré definido ou pelo medo e incompetência de agir.

Então é que a pessoa embora desejosa se cala, embora querendo ir adiante se freia. É quando quem vence não é avida, mas sim a arrogância tola e infantil de não querer se ferir ou fazer papel de bobo. Porque chamo isso de tolo? Porque na vida todos fazemos esses papéis pois ninguém sabe de tudo, pode tudo e conhece tudo. Ninguém é inatingível para nunca se ferir e ninguém sabe tudo para nunca se enganar. Aceitar isso é aceitar a realidade da existência humana, da condição humana assim como assumir o desejo. E, ao fazê-lo é que podemos, enfim, buscar aquilo que desejamos das maneiras mais variadas, mas sempre em sintonia com quem desejamos ser.

Acredito que não é necessário estabelecermos padrões de conduta para homens e para mulheres. Particularmente, creio que quanto mais comportamentos uma pessoa tem em seu repertório, mais proveitosamente ela poderá viver a sua vida utilizando suas habilidades da maneira que julgar conveniente. A questão é que, tanto para homens quanto para mulheres, pode ser muito útil saber tanto “dar em cima” quanto “esperar o outro tomar a iniciativa”.

Creio que é importante ir além dos conceitos de gênero que ligam determinados comportamentos à homens e outros à mulheres podendo incluir este comportamentos, ou seja, uma mulher pode agir esperando o homem tomar a iniciativa e isso ser muito prazeroso e íntimo para os dois assim como pode “dar em cima” e ter o mesmo efeito. Minha experiência me leva à crer que isso depende mais da situação, do momento de vida da pessoa e dos envolvidos do que necessariamente de uma questão simples de ser “homem” ou “mulher”.

Este artigo visa esclarecer as algemas que engessam as pessoas a terem uma riqueza de comportamento para que elas possam retirar as algemas, ganharem flexibilidade e aproveitarem ainda mais suas vidas, espero ter atingido intento.

Dor que não se cala
09/04/2014

– Mas é que é uma coisa que me acompanha desde sempre sabe?

– Entendo… você sempre teve esta sensação, porque não fala muito sobre ela?

– Ah… não sei… tenho tipo vergonha sabe?

– Vergonha? O que te faz sentir vergonha dessa sensação?

– É que é uma coisa que parece infantil sabe?

– Sei sim… mas mesmo assim acho que é importante de falar não é mesmo?

– É… Sabe… eu nunca me senti merecedora de ser amada, de ter coisas boas…

– Sério? E se sente como se não é merecedora?

– Eu me sinto uma pulha…

– Entendo… deve ser duro para você isso não: sentir-se assim e “continuar tocando”

(Ela chora um pouco e diz)

– Sim.

– Que tal aqui você poder falar abertamente sobre a pulha que você acha que é ao invés de precisar se mostrar poderosa?

– Pra que?

– Pra vermos se você realmente é uma pulha ou se está na hora de melhorarmos esta auto imagem oras!!

– Hum… entendi… tá bem então…

 

Todos temos dores. Alguns mais outros menos.

A dor de não sentir-se merecedor é uma que dói muito profundamente. Em geral as pessoas não querem assumir que sentem-se assim com elas mesmas, na atual cultura de “ame-se acima de tudo” sentir isso é quase um sacrilégio, porém isso não impede que as pessoas sintam-se assim pelas mais variadas razões.

Em meus atendimentos tenho visto muitas pessoas se esquivarem dessa sensação à todo custo, mas, invariavelmente, elas acabam chegando neste ponto de suas vidas assim como de suas terapias: eu mereço ser feliz? Aos olhos da cultura esta pergunta é de fácil resposta, porém nem sempre as pessoas conseguem incorporar esta realidade dentro delas mesmas. Em geral vejo as pessoas arranjando as justificativas mais interessantes para validarem o seu sofrimento.

Esta “dor que não se cala” vive dentro de nós sempre dizendo – nos piores momentos – o quanto fizemos coisas erradas, quanto não somos belos, inteligentes, fortes, rápidos ou qualquer outra característica o suficiente para “merecermos” a felicidade. Mas talvez a grande pergunta realmente seja precisamos merecer a felicidade?

Uma coisa é, obviamente, o compromisso e o “correr atrás”, buscar aquilo que queremos. Neste sentido “merecer” significa “fazer por”, empenhar-se e mostrar as competências necessárias para atingir aquilo que queremos ou que precisamos. Este é o sentido de felicidade que implica as pessoas buscarem ativamente aquilo que as fazem felizes.

Outra, totalmente diferente, é uma disposição pessoal que nos diz “eu mereço”. É a diferença entre aquela pessoa que fica pensando “será que dou “oi” para ele (a)?” e aquela que já deu o “oi”. Neste sentido, embora você possa ficar estarrecido com o que vou dizer, não adianta a cultura querer propiciar nada para a pessoa, ou ela sente isso dentro dela ou não sente. É uma conquista pessoal por mais que se deseje estabelecer isso como algo cultural.

Porque penso assim?

Pelo fato de que mesmo vivendo numa cultura que prega a auto-estima e a felicidade vejo que as pessoas, nas suas relações, aprendem a sentirem-se ou não merecedoras de algo melhor, de uma vida plena e de felicidade. Não é a cultura que dita isso, mas sim uma percepção interna da pessoa na qual ela aceita a si tal como é, respeita aquilo que é e então consegue dizer-se: “eu mereço o que me faz bem”.

O merecimento não trata de uma “vida melhor” – embora você possa chamar isso por este nome – estamos buscando algo muito mais simples do que uma vida melhor, buscamos simplesmente aquilo que nos faz bem, que enriquece nossa alma e nos alegra, aquilo que nos causa orgulho e sensação de conquista. Porém o paradoxo é que se não nos aceitamos tal como somos este merecimento nunca virá e teremos sempre um medo velado de dizer o que pensamos, sentir o que sentimos e viver como desejamos.

Abraço

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Ser diferente
19/03/2014

– Sabe Akim, é muito difícil para mim porque eu me percebo diferente de todos lá em casa.

– Sei.

– É estranho não se identificar com ninguém da sua família, uma coisa ou outra só, mas, em geral, quase nada! Sou diferente nos hábitos, comportamentos e ideias!!

– Entendo. Puxa… parabéns!

– Parabéns!?!

– Sim, você é você! Quem bom que percebeu isso não é!?

– Nossa… estou meio que sem saber o que dizer!

– É claro que você é diferente, agora me conte: será que não está confundindo “ser diferente” com “não ter um lugar”?

– Hum… eu acho que é isso sim… porque eu brigo muito com minha família por ser do jeito que sou.

– Claro, e é possível que existam brigas e divergências, ressentimentos até, mas uma coisa é diferente da outra, percebe?

– Sim.

– Talvez até o lugar que você tenha na sua casa não seja aquele que você quer, ou o que você acha que deveria ter sido dado à você.

– Pode ser… acho que tem a ver.

– Pois é… mas o tema é: como viver sendo diferente mesmo? Onde existem os encaixes entre você e eles? Afinal de contas, é nisso que você vai poder aproveitar não é mesmo?

– É… acho que sim.

No post “diferenças” falei sobre a diferença e a aceitação da mesma. Trabalhei com o post sob o ponto de vista da relação frisando a importância da perspectiva de conhecer o outro em sua diferença. Neste post trabalharei com um aspecto diferente que é o “perceber-se diferente”.

Ocorre que todos nós somos diferentes, ninguém é igual à ninguém essa é uma realidade humana. Perceber-se diferente, no entanto, pode suscitar muitos medos e brigas, não por causa da diferença em si, mas por causa da maneira pela qual as pessoas reagem à diferença. O medo é o primeiro passo à ser vencido. Ao perceber a diferença damos à ela significados “porque o outro é assim?”, “o que será que isso quer dizer?”, “o que isso quer dizer para a nossa relação?” e “será que isso é para nos punir, ou que ele (a) não nos ama mais?”.

Vencer este estágio e perceber que a diferença é somente a diferença, a afirmação de uma nova pessoa com características, desejos e aspirações próprias é um dos antídotos para este mal. A presença do amor é possível mesmo que existam as mais profundas diferenças de crenças e de comportamentos, para isso basta a aceitação da diferença e o respeito. Os romanos, eram muito instintivos em aceitar as crenças de outros povos, todas as religiões tinham um lugar dentro dos muros da cidade.

O medo deve ser vencido tanto por um lado quanto pelo outro. Quem percebe-se diferente tem o medo da exclusão, do exílio, como gosto de chamar. Muitas vezes, ao longo da história, a pessoa diferente era exilada, enviada para fora da cidade. Isso marcava a sua diferença. Porém, metaforicamente falando, o diferente já se coloca “fora dos muros” quando ele se percebe diferente. Não é uma questão de “ser mandado” embora, ele já “se mandou”.

E é muito comum que a pessoa passe a reagir agressivamente pelo medo de ser exilada e lute contra a família ou o grupo por causa de sua diferença. “Não há um lugar para mim aqui” grita à pleno pulmões, mas o fato é que o “lugar para mim” deve ser negociado e não integrado plenamente como espera, muitas vezes, o “ser diferente”. O filho pode querer estudar bateria às 22:00 porque é um “horário inspirador”, porém o restante da vizinhança precisa dormir neste horário. Embora aceita a diferença é preciso compreender que ela deve existir num meio com outras diferenças.

Se a pessoa compreende que isso é apenas uma adequação de rotinas e comportamentos sem acionar, com isso, o medo de ser exilado, ela pode perceber melhor as diferenças dos outros e, com isso, criar rotinas mais interessantes. Se não ficará magoado e tenderá a se exilar buscando um lugar onde “não vão lhe dizer o que fazer”, este nível de maturidade ainda é centrada no outro e causa grande ressentimento mesmo quando a pessoa consegue um lugar próprio para ela, visto que conseguir isso afirma que ela foi exilada e que nunca poderia ser aceita no seu lugar de origem. A sensação de exílio é muito triste.

O grande passo é o de perceber a diferença como aliada do seu próprio processo e perceber em como a diferença pode auxiliar o grupo. O que da sua individualidade pode somar na organização pré-existente? Isso abre as portas para afirmar a diferença e, ao mesmo tempo, criar a empatia. Com isso a segurança de um chão aumenta e a pessoa pode desejar alçar voos para longe do ninho por escolha e desejos próprios e não para fugir de um lar que não o deseja.

Creio que esta compreensão seja fundamental para quem “se percebe diferente” poder viver com a sua percepção.

Abraço

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Vaidade
18/09/2013

– Aí eu fui lá e postei né?
– Sim.
– Depois eu fui com um amigo meu dar uma volta no parque e esqueci o telefone em casa, quando cheguei fui ver quantos tinham curtido
– E aí?
– Tragédia né? Cara… ninguém deu um likezinho sequer!!
– Ah é? E aí?
– Ah, daí tirei aquela porcaria de lá!
– Ah é? Hum… e porque isso?
– Simples: se ninguém quer ver, porque coloco isso lá?
– Porque, de fato? Porque você posta o que posta?
– Porque você está me perguntando desse jeito?
– Você sabe porque, não sabe?
– Hum… tem a ver com minha auto-estima?
– O que você acha? Pare e pense: eu tiro as coisas do MEU facebook porque os outros não dão like it. Fico pensando o dia que você tiver uma casa como será feita a decoração dela…
– Tá… é verdade… entendi… Porra, mas porque é tão difícil para mim isso?
– Qual o problema em não receber as curtidas?
– Sei lá, parecia uma falha minha entende?
– Entendo, mas é, de fato uma falha? Uma falha no que?
– Porque daí eu não sou olhado com desejo e eu acho que eu… preciso disso sabe?
– Sei, mas quem é que precisa se desejar?
– Eu sei, sou eu não é?

“Fazer algo que eu não quero, para mostrar para pessoas com quem eu não me importo que sou uma pessoa que eu não sou”.
A frase forte parece fazer total sentido hoje em dia, mas porque a vaidade tem se tornado tão forte?

Nossa sociedade tornou o indivíduo o ponto mais importante da sua cultura, tudo gira em torno do indivíduo: suas opções de vida, seus afetos, suas compras, sua auto-imagem. O ponto benéfico disso foi que deu-se valor à pessoa, aos desejos individuais, aprendemos a ter liberdade para agir conforme desejamos. O que vemos, no entanto, é que isso está valorizado de uma forma desproporcional, ao ponto em que inverte-se o quadro que existia antigamente: se antes tínhamos a sociedade em primeiro lugar e o indivíduo em segundo, temos hoje o individual em primeiro e o social em segundo e isso abre espaço para a vaidade tal como está hoje.

Ocorre que a imagem do indivíduo torna-se muito mais importante do que realmente é. Portanto a vaidade torna-se uma arma e uma “necessidade” social. Aparecer – e aparecer dentro do que se considera aparecer “bem” – torna-se algo vital para as pessoas. As redes sociais são exemplo disso quando as pessoas dão ou tiram valor de suas próprias atividades mediante à quantidade de “like it” (“curtir”) que suas postagens possuem. Como no caso acima: “vou parar com isso porque não recebi likes”. A imagem projetada e “curtida” torna-se mais importante do que a experiência interna da pessoa, ou pior: apenas torna-se adequada mediante aos “curtir” recebidos. Paradoxalmente isso faz com que o excesso de individualismo nos traga uma versão repaginada e atualizada da importância que o social possuía anos atrás.

O que fazer com a vaidade?

Vamos entender que a vaidade é a forma pela qual a pessoa lida com a imagem que possui. A quantidade de atenção e a qualidade de atenção dedicada à auto-imagem, ao que aparece e que não aparece desta auto-imagem. Apenas isso, sem julgamentos morais.
Entendida desta forma precisamos checar inicialmente qual o foco da auto-imagem: interno ou externo. Ou seja, a preocupação da pessoa é com o que ela deseja ver ou com o que os outros desejam ver? Este primeiro ponto é importante para entendermos a direção com a qual a pessoa filtra quem ela é.
Um segundo ponto importante é: qual o objetivo da minha auto-imagem? Emocionalmente falando sempre mostramos facetas de quem somos de maneira à gerar um resultado. Mesmo que isso seja feito de forma inconsciente ainda assim é muito poderoso. Aí então entra a pergunta para refletirmos se desejamos alcançar uma percepção mais limpa e adequada de nós mesmos, mostrando quem somos para nos relacionarmos melhor ou se nossa preocupação está em sempre mostrar alguém perfeito e sem defeitos para ser amado por todos o tempo todo.

Estas duas perguntas são um “start” para você aprender a se posicionar em relação à sua auto-imagem: interna ou externa? “Sincera” ou buscando aprovação? Estes dois elementos são fundamentais para saber se você precisa trabalhar com a sua vaidade e auto-imagem. Quando a balança pende demais para o externo e busca de aprovação é importante checar a sua auto-estima porque, provavelmente ela está precisando de ajuda.

Abraço
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Performances
19/07/2013

– Bem, na verdade eu nem queria estar lá para começo de conversa.

– E porque foi?

– Ah, é chato não ir né?

– Sim, concordo, mas no seu caso você é um cara que sempre vai não é mesmo?

– Sim.

– Será que ia destruir a sua relação você não ir uma vez só?

– Sei lá… mas…

– Se você não fosse, o que você estaria colocando em risco?

– A minha reputação!

– “Reputação” de que?

– Ah, eu sempre sou visto como um cara cavalheiro, cordial, “pau para toda obra”.

– Perfeito! Agora: é isto o que você quer ser o tempo todo? O “cara legal”?

– Eu não consigo ser assim o tempo todo.

– Graças à Deus! Nem você e nem ninguém. Muito bem, se as pessoas não amasse isso, amariam o que em você?

– Nossa… não sei…

– Ninguém nunca te amou sem saber das suas “performances” de bom moço?

– Sim… na verdade tive uma namorada que me disse uma vez que eu não precisava agradar ela o tempo todo, que eu podia relaxar.

– O que aconteceu com ela?

– Terminei… (risos)… É… parecia que se ela não queria aquilo ela não queria o meu amor.

– Uma bela besteira né?

– Pois é…

Ser amado tal como se é.

Um desejo de todo ser humano, porém poucos são aqueles que se colocam tal como são.

Em um post anterior escrevi sobre o mito de ser amado tal como se é, pelo fato de que o nosso jeito de ser pode, por vezes ser algo desagradável para uma pessoa. Não por ser nosso, mas pelo comportamento em si. Diferencia-se, assim, gostar do “eu” e gostar dos “comportamentos” e atitudes da pessoa.

O post de hoje tem a ver com o outro lado: o lado da pessoa aceitar quem é e colocar isso na relação, mesmo sabendo que poderá ter partes de seu comportamento rejeitadas pelo outro. O contrário disso são as performances – que encontro o tempo todo em consultório – das pessoas que mostram algo que – no julgamento delas – os outros vão gostar, mas mantém o seu “eu” mais resguardado. O mais incrível é quando estas pessoas “se soltam” e o parceiro(a) diz: “nossa, que legal isso”. E daí a pessoa pensa: “porque diabos não me soltei antes?”

Obviamente o oposto disso também ocorre – não quero criar fantasias em ninguém – e muitas vezes, ao se soltar, a pessoa recebe uma desqualificação. Sem problemas também, a  ideia central é a seguinte: o importante é você aprender a viver o que você deseja viver a negociação disso com o outro deve percorrer um caminho que leve ao respeito mútuo, uma vez que se atinja isso, a relação tende a crescer.

O outro caminho é  escolher realizar apenas aquilo que o parceiro deseja o que à longo prazo leva à fadiga e sensação de desamor. É praticamente inevitável que o relacionamento sofra estas conseqüências quando está baseado em performances de um ou de ambos os lados. Se você está sendo performático pergunte-se: é assim que desejo viver minha vida? O que eu desejo é muito errado ou sem valor? Como seria se eu colocasse mais o que eu desejo? Como vou lidar com o desacordo do outro – caso ele ocorra? Estas perguntas ajudam você a desvincilhar o seu desejo pessoal de julgamentos morais e a buscar mais competência sobre como lidar com a diferença. Aproveitem!

Abraço

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O ciumento
08/07/2013

– Ah Akim, eu não consigo simplesmente desligar disso.

– Eu sei, você precisa ficar verificando não é mesmo?

– Sim.

– Me diga uma coisa: você se acha “traível”?

– Quem não é?

– Você tem razão, todos podemos ser traídos, mas nem todos se colocam no papel de traído antes do tempo.

– É verdade também…

– Você já parou para pensar que ela tem coisa melhor para fazer do que ficar o tempo todo pensando em formas maquiavélicas de te enganar?

– Já.

– Perfeito… o que, então, realmente faz você ficar pensando que está sendo traído o tempo todo?

– Eu mesmo?

– Sim, mas de que forma?

– Hum… não sei ao certo…

– Me diga uma coisa: você sabe aprovar o seu comportamento, os seus desejos e defendê-los de forma adequada?

– É… mais ou menos, mais para menos eu diria.

– Pois é… quando você pensa em si mesmo o que pensa é algo positivo, você tem vontade de cuidar de si ou quer que os outros o façam.

– Segundas opções Akim… entendi já onde você quer chegar, concordo…

Ciúmes… existe uma parte do ciúme – quase sempre presente – que é altamente perniciosa e maléfica: a baixa auto-estima.

A baixa auto-estima está sempre acompanhada de uma auto-imagem que a própria pessoa despreza e desqualifica. É quando fazemos algo e no minuto seguinte estamos denegrindo o que fizemos nos dizendo “mas você não tem jeito mesmo”. Esta forma de agir, quando é um hábito mostra uma auto-imagem “negativa”.

Assim sendo, na maior parte dos casos de “ciumentos” preciso trabalhar com este componente para que a pessoa possa viver uma vida melhor. Paradoxalmente trabalhar o ciumento, neste caso, envolve trabalhar muito pouco com a relação e muito com ele, como ficou claro no exemplo acima. Quando começo a trabalhar com um ciumento a primeira coisa importante em se perceber é essa tal da “auto-imagem” e como a pessoa explica para si mesma situações como levar uma negativa da pessoa amada, a demora em responder uma mensagem ou uma crítica. Estes dois fatores juntos já dão muito pano para manga.

Ocorre que quando a pessoa passa por uma frustração na relação e explica ela para si mesma como uma possível traição do outro ela estará sempre em estado de alerta e perigo. Uma cliente, por exemplo, vivia achando que o marido estava traindo ela toda vez em que ele não respondia as mensagens que ela enviava pelo celular, quando perguntei qual a profissão do marido e ela respondeu que ele era professor eu perguntei: “escute, será que de vez em quando ele não está dando aula quando não te atende?” As explicações que damos à nós mesmos tem um efeito poderoso sobre a forma pela qual nos relacionamos com as situações, determinando, inclusive as emoções que sentimos.

A outra parte é um pouco mais delicada do que a primeira que consiste basicamente em reorganizar a estrutura das respostas. No entanto, quase sempre, ao aprofundar o primeiro trabalho vamos cair neste segundo que é o trabalho para aumentar a auto-estima e melhorar a auto-imagem da pessoa. Me recordo de uma estudante que tinha grandes sonhos e era muito inteligente, ela queria seguir carreira na área médica e fazer pesquisas, porém no seu cotidiano ela estava sempre fazendo qualquer coisa além de estudar. Obviamente ela se sentia incomodada e um tanto “falsa” consigo mesma, quando comecei a investigar como seria se ela fizesse uma semana da “coisa certa”, ela disse que seria ótimo, quando fez voltou e disse que estava se sentir “super” com ela mesma.

Na continuidade do trabalho descobrimos que sempre que ela pensava em si, achava-se um fracasso. Suas ações estavam correspondendo à isso e ela estava começando a concretizar a profecia, mas então começamos a questionar aquela imagem e ela pode começar a enxergar outras coisas em si além do fracasso, na verdade, começou a perceber que o “fracasso” nada mais era do que erros ou expectativas frustradas que ela teve ao longo da vida e que, frente à isso, ela poderia, a partir daquele momento, começar a refletir sobre o que fez e fazer diferente ao invés de simplesmente dizer-se: sou um fracasso. Trabalhamos com outros aspectos da sua auto-imagem de forma semelhante para que ela conseguisse começar a mudar a sua auto-imagem e auto-estima. quando isso ocorreu ela começou a ficar bem menos ciumenta, tratava o namorado de igual para igual e não precisava mais ficar vigiando ele.

Se você é ciumento, pare de olhar para o outro e pense em você. Como você se percebe: uma pessoa digna de amor ou uma pessoa passiva de traição? Se sua resposta for a segunda pense em como você pode se amar mais. Muitos cliente me relatam isso da seguinte forma: “estava doido para dar uma olhada no facebook dela, mas daí parei, respirei e me disse: você vale mais do que isso! E me acalmei”. Esta acalmar-se é a garantia de que você se ama, não de uma forma egocêntrica, mas sim de afeto mesmo, não fazer para si coisas que te magoam, que te fazem parecer um idiota segunda a sua própria perspectiva, respeite-se e o respeito do outro virá como conseqüência.

Enquanto melhora a sua auto-estima lembre-se de se dar novas explicações sobre o porque seu conjugue está fazendo o que está fazendo. Pergunte-se: “se eu acho que ele está me traindo porque não atendeu o telefone, quem sou eu? Uma pessoa digna de amor ou uma pessoa digna de ser traída?” E deixe o ciúmes para lá, vá fazer algo que mostre a você mesmo que você é digno de amor.

Para maiores detalhes e acompanhamento, procure por um psicoterapeuta! Sempre ajuda!

Abraço

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Pare a briga
14/06/2013

(no meio de um exercício no qual apenas pedi para a pessoa respirar profundamente e prestar atenção à sua respiração)

– Eu não sei exatamente o que acontece comigo… parece que eu vou viver a vida toda com esta inquietação sabe?

– Sim, continue respirando e preste atenção nesta inquietação.

– É um incomodo que não incomoda sabe?

– Como assim?

– É… eu não gosto de ficar preocupado, gosto de agir apenas, mas como sempre tive uma vida confortável nunca vi muitos motivos para agir, sempre usei as coisas de acordo com o que eu tinha.

– E?

– E… de certa forma… as pessoas se incomodavam com isso porque eu estava “tranquilo”, “na minha”… sem me preocupar e acabei entendendo que não ficar preocupado era errado.

– Hum e o que isso tem a ver com você hoje?

– Tem a ver que toda a vez que sinto que posso relaxar e ficar tranquilo me sinto culpado como se eu não soubesse viver, não soubesse o que esperar da vida e estivesse fazendo besteira.

– Hum… entendi… e se você relaxar o que acontece?

– Ai Deus… eu acabo ficando mais atento… mais crítico, não crítico chato sabe? Mas crítico e reajo mais na hora.

– Hum…

– Tenho que parar de brigar com o que tenho dentro de mim Akim…

– Também acho…

Muitas vezes as pessoas me dizem que tem problemas e defeitos. Ficam ansiosas com isso e querem mudar.

Muitas vezes, também, em meio à terapia ela simplesmente entendem que aquilo que pensam ser um defeito é simplesmente algo que chamaram de defeito e não um defeito em si.

Existe uma palavra para isso: aceitação. Aceitar não significa gostar, mas significa parar de brigar com o que percebemos, sentimos, desejamos e dar valor de existência àquilo. Uma vez que fazemos isso podemos, de fato, começar a nos relacionar com “a coisa”. E ao fazer isso é que podemos entender, compreender e mudar – caso necessário – ou começar a dar um novo uso para aquilo tudo.

A respiração é um exercício ótimo para começar isso. Respirar e ficar atento à sensação, ideia ou pensamento. Porque? Todos temos tensões musculares que são profundamente ligadas às nossas tensões emocionais e psicológicas, quando respiramos sem buscar intervir começamos a relaxar as tensões ou a colocar tônus em músculos que estão frouxos demais, isso regula a pessoa e re-equilibra as tensões. Daí quando as tensões começam a se equilibrar mudanças psicológicas e emocionais começam a acontecer.

Outra forma é criar um diálogo com aquilo que não conseguimos aceitar, imaginar a coisa como um interlocutor e começar a conversar, fazer perguntas e imaginar a resposta. É um exercício de criação e fantasia bem interessante e que geralmente dá bons resultados. Conversar com aquilo que queremos esconder é um bom começo para pararmos de brigar.

Abraço

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Elogio
14/09/2012

– E minha filha tem reclamado que eu não paro de criticar ela sabe?

– Sim, e você: concorda com ela?

– É, eu tenho que concordar sabe? Sou uma pessoa crítica, mas tenho resultados também!

– Ah sim, claro que tem. No entanto, talvez criticar não seja a única forma de ter esses resultados não é?

– É, pode ser que sim, mas aprendi assim.

– Você também se critica muito?

– Sim, o tempo todo. Por isso fico braba às vezes sabe? Se eu comparar as críticas que eu faço com os outros com aquelas que eu faço comigo mesma… nossa… eu sou uma santa!

– (risos) Então você pega pesado com você é?

– Às vezes não sei como eu me aguento!

– Entendi… Bom, meus parabéns!

– (Risos) Parabéns?Porque?Por ser super exigente?

– Não, por perceber isso em você e perceber que está atrapalhando a sua relação com a sua filha e estar aqui dizendo isso para mim com o intuito de mudar.

– Ah, mas isso não é nada né? Ainda faço a coisa errada!

– Sim, no entanto, se não perceber que faz, não vai mudar nunca não é?

– É…

– E você acabou de fazer isso não é? Acabou de perceber

– Sim

– Então meus parabéns!

– (…) É esquisito receber os parabéns…

Elogiar é uma arte. O requisito de quem elogia é aprender a perceber o que deve ser elogiado, pois um elogio nunca deve ser falso, deve sempre, sempre, sempre ser verdadeiro. Agora pode ser feito – e deve – para todas as partes de um processo e é aí que entra a arte da coisa. O fato de elogiar uma pequena parte não quer dizer falta de compromisso com o restante do processo, mas sim o reconhecimento de que uma parte foi cumprida e – ao elogiar – mostrar a importância desta pequena parte. Qual o efeito disso? A pessoa começa a prestar mais atenção às pequenas partes e começa a generalizar este aprendizado para outras áreas da vida dela que precisam desta mesma parte.

Parece legal não é?

E é!

A arte do elogio começa conosco e depois podemos aprender a estender para outras pessoas. Elogio sempre deve ser verdadeiro e é um treino, no começo achamos difícil elogiar porque não estamos acostumados à ver os pequenos detalhes, depois aprendemos a soltar o verbo. O efeito do elogio é que nos sentimos mais motivados e aprovados pelo que estamos fazendo, a sensação de “estou no caminho certo” fica presente. Ao elogiarmos uma pequena parte logo ficamos mais motivados para buscar as próximas conquistas, então ao invés de esquecermos dos objetivos de longo prazo, ao elogiarmos os pequenos avanços criamos uma motivação adicional para a próxima fase gerando mais auto-confiança e auto-segurança.

Experimente: escolha uma tarefa qualquer e divida ela nos menores pedaços possíveis. Elogie-se ao executar cada pequeno pedaço, busque sentir-se orgulhoso e motivado ao terminar cada pequena tarefa. Se conseguir faça com outras pessoas também. Elogio gera elogios e um ambiente mais acolhedor.

Abraço

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Olhar para o lado certo
08/08/2012

– Então, eu fiz o exercício que você me pediu, mas não fiz tudo

– Ok, me conte o que você conseguiu fazer

– Foi legal ter pensado sobre o assunto, eu percebi que eu não consigo me lembrar muito bem das coisas que eu fiz bem na minha vida. Sei que existem, mas não consigo me lembrar direito sabe?

– Sei sim, com certeza.

– Pois é, já das ruins eu lembro um monte.

– Pois é, daí fica difícil de se sentir confiante e em paz contigo não é?

– Sim, mas sabe que eu acabei entendendo que eu posso não saber tudo e gostar de mim sabia?

– Ah é, mas que beleza!

– Sim. Consegui ver que tem coisas boas em mim e que mesmo se eu não souber de tudo posso gostar de mim, porque eu sou eu oras!

– Hum, ótimo, muito bom mesmo. Quer dizer que para querer cuidar de ti basta você ser você é?

– (Risos) Sim.

– Perfeito! Agora sim vai dar para começar a construir algo legal não é?

– É

 

Muitas vezes damos foco para tudo o que não fizemos, não conseguimos, não sabemos. Com o tempo este tipo de foco tende a nos identificar com uma pessoa “sem valor”, “incompetente”, “burra”. Ao nos identificarmos com isso podemos ser muito bons em algo, mas não nos permitimos mostrar isso com medo de que as pessoas vejam “a verdade” (que eu não sei tudo, que sou um burro) tememos que identifiquem as nossas “fraquezas” pois nós as tememos.

O interessante sobre isso é que tudo começa com este hábito. Sim, um hábito mental de sempre olhar para o que está faltando. Para trabalhar com isso é necessário aprender a mudar o hábito, olhe para o lado certo. Olhar para o que já se conseguiu, por exemplo, para o que funcionou, para o que deu certo, para as conquistas e depois se perguntar: e agora, o que quero fazer para ir além?

Esse modelo é levemente diferente do anterior. Ele considera o que ainda resta a fazer, no entanto o foco é em uma pessoa que tem competências e que quer fazer outras coisas ao invés do foco em uma pessoa que coleciona fracassos. Essa pequena mudança faz muita diferença.

Divirta-se

Abraço

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