Quem é seu terapeuta?
05/08/2015

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  • Akim… não sei mais o que te dizer.

  • Não sabe ou não quer?

  • Acho que o segundo.

  • E o seu não querer é porque não deseja tratar disso ou porque não sabe se deve falar isso para mim?

  • O segundo também…

  • O que motiva essa sensação?

  • Não sei… parece que está diferente aqui na terapia.

  • Sim, diferente como para você?

  • Eu… te vejo diferente.

  • Como me vê?

  • Antes eu te via meio que como um guru sabe?

  • Sim.

  • Agora te vejo mais como eu… como um humano sabe? (risos)

  • Sim… e é difícil confiar em humanos não é?

  • Nossa… verdade…

 

Este post pode parecer escrito para quem já faz terapia, porém ele serve para ambos os lados. Ocorre que todos temos uma certa imagem dos profissionais – assim como de qualquer pessoa – e a imagem que temos do psicólogo é algo que tanto pessoas que fazem quanto as que não fazem terapia tem. É óbvio que estou colocando o foco sobre o psicólogo que trabalha com psicoterapia – é a minha área – mas existem várias outras ocupações para o psicólogo.

Quando se começa a fazer terapia – digo por experiência própria – temos uma certa percepção do profissional que irá nos atender, isso tem a ver com aquilo que apreendemos da pessoa com quem nos relacionamos. Outra coisa tem a ver com aquilo que projetamos sobre ele, ou seja, aquilo que desejamos que o profissional seja para nós, tem a ver com nossos desejos e expectativas. E uma terceira influência é sobre como nos relacionamos com a pessoa de fato, ou seja, a maneira pela qual criamos vínculo com o terapeuta.

Porque falar disso é importante para você que faz terapia?

A maneira pela qual nos vinculamos ao terapeuta diz muito sobre nós e a maneira pela qual nos relacionamos com as pessoas no mundo. “Ah Akim, mas o psicólogo é um profissional e eu o vejo assim”. Esta é uma das formas e essa maneira de encarar o psicólogo – não como um humano, mas sim como uma “entidade” chamada “profissional” – diz muito sobre a pessoa. Poderia perguntar a mesma pergunta que  fiz na consulta citada acima. Poderia trabalhar, também, com o porque de ela precisar de uma “entidade” para se abrir? É medo? Quer alguém que seja “neutro”? A maneira pela qual você vê o terapeuta diz muito sobre você, como você encara o seu terapeuta?

A maneira pela qual nos vinculamos é outra história. O vínculo fala das nossas necessidades com aquele relacionamento. Existem vínculos mais ansiosos, que demonstram um certo tipo de medo ou incerteza, insegurança em relação à pessoa com quem se está relacionando. Outro pedem aprovação, contato ou afeto. Pode-se vincular com um terapeuta a partir da agressão, é o tipo de pessoa que, por exemplo, sempre desconfia, questiona e desaprova aquilo que está sendo dito. Ela agride para ver se será “aceita mesmo assim”, a agressão é uma forma de se defender e ao mesmo tempo um pedido de afeto nesse caso. Agride-se para se afastar da possibilidade de ser excluído, mas deseja-se, verdadeiramente, o afeto e a inclusão.

Aquilo que apreendemos de nossos terapeutas é uma mescla daquilo que necessitamos com aquilo que vemos. A percepção nunca é “pura”, está sempre vinculada aos nossos filtros. Desta maneira constituímos quem o nosso terapeuta é para nós. Este é um processo que fazemos com todas as pessoas com quem nos vinculamos. Tratar disso em terapia é tratar a maneira pela qual se cria vínculo, que se percebe o outro e, principalmente, as questões que motivam cada um de nós a criar o vínculo desta maneira.

Uma pessoa que vê os outros como possíveis agressores, por exemplo, pode buscar no terapeuta um porto seguro, um confidente ou querer comprovar que nem mesmo os terapeutas são confiáveis. Todas essas percepções refletem o mesmo drama sobre como ela percebe as pessoas do mundo e o seu lugar com essas pessoas. É com isso que ela irá organizar o seu papel. Uma vez que possa tratar disso usando a relação terapêutica como recurso ela poderá rever estas crenças sobre relacionamentos e mudar aquilo que julgar adequado mudar.

Quem é o seu terapeuta?

Abraço

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Quem não te conhece…
04/02/2015

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  • Nossa Akim, foi um saco a saída.

  • Sério? Porque?

  • Ah… a menina quis ir numa festa lá para ficar a noite toda dançando.

  • E daí?

  • Daí que eu não curto dançar, você sabe.

  • Sei… esse foi o problema?

  • Não só… tipo eu tive que ficar lá falando com os amigos dela e tal.

  • E?

  • Eu não gosto disso… você sabe que eu sou meio anti social.

  • Entendo… bem, me parece que é importante você dizer isso para ela.

  • Porque?

  • Porque é quem você é. A opção é ficar fingindo que você gosta de fazer isso.

  • Putz… mais essa!

 

Talvez um dos pontos mais importantes e menos discutidos sobre relacionamentos seja o dos defeitos. Hoje venho trazer ao leitor à reflexão: o que fazer com os seus defeitos?

Um trabalho que tenho desenvolvido vem na linha de aprender a deixar claro à pessoa com que você se relaciona os seus defeitos assim como a maneira de lidar com eles. Em outras palavras – mais assustadoras talvez – dizer claramente para o outro quais os seus defeitos e problemas.

Isso não deve ser feito numa alegação de vitimização “ó… eu sou assim, mas me compreenda, eu sofri quando criança” e nem em uma situação que espera ganhar poder através disso “eu te avisei que sou assim, agora me aguente”. Deve ser feito compreendendo que um problema é um problema e que é importante o outro saber disso para administrar melhor a relação com você, porém a responsabilidade sobre o problema continua sua.

A atitude é mais ou menos assim “eu tenho este problema, sei que sou difícil e você tem a liberdade de me avisar quando estiver sendo assim. Algumas vezes vou escutar e em outras, quando eu não conseguir me conter, prometo que vou sair de perto para me acalmar e depois a gente conversa, é um limite meu.” Isso garante que o outro não se torna responsável pelo seu defeito e, ao mesmo tempo, compartilha dele na convivência com você. Ao mostrar como lidar com o problema você assegura a sua responsabilidade frente ao seu problema.

O grande problema para isso ocorrer é que ninguém que assumir e muito menos falar abertamente sobre os seus defeitos. E o problema com isso é: não dá para esconder os nossos defeitos, mais cedo ou mais tarde, em um ou outro tipo de situações eles sempre se mostram. A ideia de falar abertamente – e cedo – sobre eles é deixar claro para a pessoa se ela topa conviver com estes defeitos. Num outro post escrevi sobre esta necessidade do mundo atual: falar sobre os defeitos da relação.

Nossa obsessão com a satisfação é o que faz com que criemos expectativas irrealistas sobre nós, os outros e as relações humanas. Não quero dizer, com isso, que você deve viver numa relação ruim para você, mas sim que todas as relações possuem problemas. John Gottman um estudioso de relacionamentos humanos em seu livro “Os 7 princípios para o casamento dar certo” afirma  que existem problemas que não são solucionáveis num casamento, ou seja, serão problemas que vão acompanhar o casal para sempre e ainda afirma que a ideia de que um casamento bom é aquele no qual as pessoas resolveram todos os seus conflitos e seguem sem nenhum problema é  falsa. Assim sendo a afirmação do problema e a negociação para viver com o problema e em harmonia é a chave para um casamento realmente satisfatório e não a completa exclusão de problemas.

Porque viver numa relação com problemas você pode ser perguntar. Em primeiro lugar porque o mundo não está aqui para satisfazer as nossas necessidades. Em segundo lugar porque viver a vida é aprender a lidar com problemas e não a não viver com eles, problemas nos fazem crescer. E em terceiro lugar, porque não? Afinal se relações tem problemas a vida também os tem!

E ai, quando você vai marcar aquela conversa sincera com o seu conjugue?

Abraço

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Alguém na multidão
20/06/2014

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– Mas você não acha isso muito egoísmo?

  • O que você acha?

  • Ai… não sei…

  • O que realmente está sendo difícil para você assumir?

  • … Se eu fizesse isso eu estaria muito mais feliz com toda certeza…

  • O que tem de errado em assumir isso?

  • Talvez ele não fique tão feliz assim.

  • Pode ser… mas na atual situação nem ele e nem você estão felizes.

  • Pois é… me dá medo.

  • Sim, mas ao mesmo tempo é sincero não é?

  • É…

 

Talvez uma das coisas mais difíceis para o ser humano atualmente seja constatar um fato um tanto inusitado: que ele se ama, apesar dos pesares.

Uma das tarefas que a terapia busca cumprir é ajudar a pessoa a se reencontrar com este fato. Ele é difícil pelas inúmeras instruções que recebemos e que adotamos para sentir que temos imperfeições, que precisávamos fazer mais, que não demos tudo de nós… enfim… que não podemos – como poderíamos? – simplesmente nos amar tal como somos, tal como estamos. É interessante, mas a menção disso para muitas pessoas provoca revolta.

No entanto, por mais revoltante que possa parecer à alguns a minha experiência me mostra um fato: quem se inicia na estrada do amor próprio tem sempre como primeiro movimento aceitar-se e relaxar naquilo que já é. Este primeiro passo leva ao segundo que é, muitas vezes, uma grande provação: aceitar o próprio desejo. É comum temer o desejo e buscar se afastar dele, achá-lo egoísta, inadequado, ou um ato de rebeldia tola que nos levará à solidão.

Aprender a se aceitar envolve aprender a aceitar os nossos desejos e a termos a iniciativa de darmos à eles a nossa personalidade, ou seja, de escolhermos o que vamos fazer com aquilo que existe dentro de nós. Quando isso começa a ocorrer o medo do desejo começa a ser algo diferente: uma afirmação da vida que nos coloca numa situação que nos traz medo por empurrar-nos para longe de nossa zona de conforto. Para que possamos ir além e, ao fazê-lo, nos tornarmos nós mesmos, expressando nós mesmos. Não é o desejo que tememos, mas sim aquele vácuo entre agora e “daqui a pouco” quando me tornarei algo diferente.

No entanto, aquele que se aceita não é uma vítima de seus impulsos como pensa-se por aí. Pelo contrário, ele assume seus impulsos, aceita, usa-os como matéria prima de si próprio. Sua ação possui intenção clara e uma conexão com seu desenvolvimento tão bela que pode até assumir o caráter de intuição. Tornar-se alguém, como a própria expressão sugere é uma ação no gerúndio, ela não visa um “fim”, mas sempre um “sendo”, “criando”, “acontecendo” que quando toma à si próprio nas mãos se perde e quando se perde de si começa a ser.

É este perigo do meio do caminho o que se teme. Ao mesmo tempo, o heroico mergulho neste universo é o que nos alimenta a alma e nos torna “alguém” para nós mesmos. Afirmar o medo que a vida traz consigo, o horror, a dúvida é assumir que para viver é preciso ter o coração forte. Amar a vida por estar acostumado a viver é diferente de amar a vida por estar acostumado a amar. E o amor é para quem é forte pois nele todas essas provações encontram-se a todo instante. O amor é gerúndio por definição, é sempre uma conversa na qual os atos servem como palavras.

O amor por si é o primeiro e talvez o mais difícil de ser vivido por esta razão. Amar-se significa buscar sua expressão, evoluir e ir além de si. Porém quando deixo de ser quem sou para “tornar-me” estou sempre abandonando uma parte de mim para ir em direção à uma nova parte ainda não criada. Este jogo eterno é o que se teme pois amar-se, paradoxalmente, é amar o processo que nos deixa sempre em dúvida sobre o que amamos: aquilo que somos agora ou aquilo que seremos. Porém este paradoxo resolve-se quando se entende que não amamos um ou outro, mas sim este processo, pois é nele que se encontra o “ser”.

Abraço

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Estrelinha
16/06/2014

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  • E daí ela foi embora sabe?!

  • Claro! Deveria estar com a bunda dolorida já.

  • Pô meu, mas sabe… ela olhou e tal, mas…

  • Mas…? O que você estava esperando?

  • Um sinal mais claro!

  • Hum… como um luminoso “me beija por favor”?

  • (risos) Seria bom.

  • Seria né? Só que isso não ocorre… não sempre pelo menos.


  • Akim… você não acredita o que ele fez depois!!

  • O que?

  • Eu lá, toda linda esperando ele tomar uma atitude né?

  • Sim…

  • Daí vem “aquelazinha” e senta do lado dele.

  • Hum…

  • Não dá meia hora os dois se agarrando

  • E você?

  • Eu fui embora né?!

  • É…

 

Desta vez resolvi trazer dois relatos: um dos homens outro das mulheres que recebo no consultório em relação à falta de objetividade com aquilo que desejam. Existe uma diferença entre “ser fácil” e “buscar o que se quer”, assim como existe uma diferença entre “se fazer de difícil” e “impossibilitar a relação”. As confusões são enormes e envolvem defesas e dores emocionais, valores culturais assim como competência interpessoal.

Quando a pessoa deseja outra pessoa se inicia a paquera, o flerte no sentido de buscar definir à distância a possibilidade de uma aproximação ser bem sucedida. Muitas pessoas realizam o flerte de uma maneira que afasta as outras pessoas. Dentro delas existe o desejo, porém existe, também, o medo. Esse medo, misturado com o desejo, se traduz em atitudes ambíguas e esse tipo de atitude, em geral afasta as pessoas ao invés de aproximar.

O medo, por sua vez, pode ter origens em questões emocionais e ser traduzido como o medo da rejeição, de abandono, de ser enganado ou de “estragar tudo novamente”. Também pode ser um aprendizado social que diz que a pessoa não deve demonstrar o desejo de uma maneira muito aberta ou até mesmo uma incompetência social na qual o auto conhecimento e o conhecimento corporal não são bem estabelecidos fazendo com que a pessoa se expresse de maneiras que não dizem – socialmente falando – aquilo que ela quer realmente dizer.

Medo, em geral, tem a ver com a nossa falta de habilidade em lidar com uma determinada situação à qual não sabemos resolver e que pode nos causar de um determinado dano – físico psicológico ou emocional. Quando a pessoa aprende a lidar com a rejeição, por exemplo – um medo muito comum nos homens jovens quando começam a paquerar – ela deixa de temer uma possível rejeição da pessoa com quem está flertando. No caso da mulher – em geral – quando ela aprende a lidar com o abandono ela sente-se mais forte e menos dependente das atitudes dos homens em relação à ela.

Este medo é o que diferencia, por exemplo, o “se fazer de difícil” e o “impossibilitar a relação”. É como na dança: se a dama ou o cavalheiro forem demasiados duros a dança não irá ocorrer ou não será harmoniosa – no mínimo. O medo causa este excesso de “dureza”. Trabalhar com o medo nos faz perceber nossos comportamentos e se entregar ao jogo de uma maneira mais plena. “Jogar” o jogo significa envolver-se nele e o bom jogo nunca determina à priori o seu ganhador ou perdedor, isto se definirá ao longo do jogo. No caso do flerte, podemos usar esta analogia ou podemos usar uma ainda mais interessante que se traduz na criação das narrativas.

Gosto desta abordagem que resumo na seguinte frase “o que não nos mata, vira história para os amigos” e, por pior que seja a história, mais cedo ou mais tarde conseguimos rir dela, quando a vivemos e a contamos com honestidade. Assim, no universo do flerte os “foras” se transformam em experiência, se transformam em novos jogos – nada disso busca excluir a dor que podemos sentir, mas sim vivê-la com a “cabeça erguida” – que mantém a pessoa ativa no mundo e em sua vida. Retira ela da posição de estrelinha e a coloca na terra, com os pés no chão.

Esse “estrelismo” é o que faz as pessoas não buscarem o que querem. O medo do fracasso em geral se traduz num medo de terem em sua história uma “mancha”. Ora quem teme isso se entende num pedestal imaculado visto que a vida é feita de manchas. “Nada é perfeito e nisto encontramos a perfeição” é outra frase que gosto de usar. Quando mais “estrelas” precisamos ser mais nos afastamos do “estar vivo”, pois organizamos nosso comportamento em relação à uma imagem idealizada ao invés de em relação à realidade. “Imagine que eu vou fazer…” esta frase sempre está carregada de arrogância quando afasta a possibilidade de ser no mundo apenas por um julgamento pré definido ou pelo medo e incompetência de agir.

Então é que a pessoa embora desejosa se cala, embora querendo ir adiante se freia. É quando quem vence não é avida, mas sim a arrogância tola e infantil de não querer se ferir ou fazer papel de bobo. Porque chamo isso de tolo? Porque na vida todos fazemos esses papéis pois ninguém sabe de tudo, pode tudo e conhece tudo. Ninguém é inatingível para nunca se ferir e ninguém sabe tudo para nunca se enganar. Aceitar isso é aceitar a realidade da existência humana, da condição humana assim como assumir o desejo. E, ao fazê-lo é que podemos, enfim, buscar aquilo que desejamos das maneiras mais variadas, mas sempre em sintonia com quem desejamos ser.

Acredito que não é necessário estabelecermos padrões de conduta para homens e para mulheres. Particularmente, creio que quanto mais comportamentos uma pessoa tem em seu repertório, mais proveitosamente ela poderá viver a sua vida utilizando suas habilidades da maneira que julgar conveniente. A questão é que, tanto para homens quanto para mulheres, pode ser muito útil saber tanto “dar em cima” quanto “esperar o outro tomar a iniciativa”.

Creio que é importante ir além dos conceitos de gênero que ligam determinados comportamentos à homens e outros à mulheres podendo incluir este comportamentos, ou seja, uma mulher pode agir esperando o homem tomar a iniciativa e isso ser muito prazeroso e íntimo para os dois assim como pode “dar em cima” e ter o mesmo efeito. Minha experiência me leva à crer que isso depende mais da situação, do momento de vida da pessoa e dos envolvidos do que necessariamente de uma questão simples de ser “homem” ou “mulher”.

Este artigo visa esclarecer as algemas que engessam as pessoas a terem uma riqueza de comportamento para que elas possam retirar as algemas, ganharem flexibilidade e aproveitarem ainda mais suas vidas, espero ter atingido intento.

Projeções e inversões
02/06/2014

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  • Então Akim… eu descobri uma coisa estranha.

  • O que foi?

  • Eu entendi porque o meu namorado fazer coisas sozinho me assusta tanto.

  • Ah, me conte.

  • Eu entendi que eu também quero fazer isso.

  • Ahhh…

  • Eu não faço por medo, mas eu também tenho isso… por isso que eu fico tão ansiosa…

  • Entendi, claro. Me conte mais

  • Eu quero poder sair sozinha, mas eu me sinto meio mal com isso. Tenho medo de deixá-lo com ciúmes.

  • Assim como você fica?

  • Sim.

  • Mas não é muito justo você ficar com ciúmes sozinha não é?

  • Tá dizendo para eu sair mesmo?

  • Estou dizendo que está na hora de isso ser aberto na relação, quem sabe vocês podem se acertar e saírem sem ciúmes?

  • Hum…

 

No post “o dedo que aponta” falei sobre a projeção. Aqui vai um exemplo.

Este caso, assim como vários outros, nos mostra uma pessoa com um medo mortal do que o outro pode fazer. A pessoa cria mil fantasias sobre o que pode ocorrer caso a outra pessoa esteja fazendo algo que ela própria desejava fazer. Este é um caso muito comum de projeção, reclamo no outro sobre aquilo que eu mesmo quero fazer.

Uma das dinâmicas possíveis é explicada da seguinte maneira: a pessoa possui um desejo – no caso, de fazer coisas sozinha, por si – porém este ato é, de alguma maneira um ato proibido, errado ou nocivo segundo as crenças da pessoa. Conviver com este desejo proibido é algo que fere a auto estima da pessoa denegrindo a sua auto imagem. Assim, quando ela percebe no outro algo parecido com o que ela gostaria de fazer ela cria a projeção, ou, num outro formato, através da maneira de se relacionar com a outra pessoa ela cria situações – de maneira inconsciente – nas quais o outro acaba tendo que ou resolvendo tomar atitudes sozinho, o que confirma a projeção.

Estabelece-se aí uma luta dentro da relação entre o conjugue e o desejo contido da outra pessoa. A pessoa luta contra o outro, mas, na verdade, está lutando contra o seu próprio desejo. Como o desejo é “proibido” ou “errado” a pessoa projeta-o em outra para poder brigar contra algo que “não é dela”, mas sim, “do outro”. Algumas vezes, porém o esquema falha ou a auto percepção melhora como foi neste caso.

Quando isso ocorre percebe-se que aquilo que brigamos com o outro é algo nosso. Um desejo, vontade ou emoção com a qual não lida-se de maneira adequada, teme-se ou então deseja-se não ter de nenhuma forma. Este é o momento de encarar com honestidade aquilo que trazemos dentro de nós para conseguirmos não apenas nos relacionar melhor, mas para que possamos  ter uma vida mais saudável também.

Abraço

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“Lugares”
30/05/2014

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  • Sabe Akim, estou me sentindo muito mal com ele novamente.

  • Porque? O que acontece?

  • Ah… é que eu acabo me sentindo excluída entende?

  • Claro que entendo…

  • E aí ele não quer falar sobre isso e eu fico sem saber o que fazer.

  • Sei…

  • Porque ele faz isso comigo?

  • Estava esperando por esta pergunta

  • Ah é? Porque?

  • Você sabe… em que estado você está hoje?

  • Ahh… entendi… (risos) nossa, nem tinha percebido… Estou me colocando como vítima né?

  • Precisamente.

  • Entendi.

  • Agora, quero que você lembre de um momento em que estava se sentindo bem contigo mesma e entre em contato com aquela emoção

  • Ok… só de pensar nisso eu já me sinto melhor.

  • Perfeito… o que fazer agora?

  • Bem… já sei por onde começar…

 

Algo interessante sobre relacionamentos humanos é o “lugar” que nos damos neles.

A moça acima, por exemplo, se colocava como vítima, aquela pessoa que deve se submeter aos desejos e caprichos do outro. Como ela se pensava como vítima ela acabava se dando um lugar “pequeno”, no qual ela deveria esperar pelas reações do outro, agradar e sempre dizer “amem” para tudo. O lugar que nos damos está diretamente ligado à nossa auto imagem e auto estima, ele reflete quem achamos que somos. Quando me percebo como alguém de valor me posiciono desta maneira também.

Assim, o que fazer com os lugares que nos damos? O primeiro passo é aceitar que somos nós quem nos damos o lugar e o papel dentro da relação. Você pode até dizer “Akim, mas ele(a) me força a fazer…”, a resposta é: “sim e você aceita”. Obviamente existem situações de coerção extrema em que “ir contra” o papel imposto pelo outro pode ser mais difícil – situações de violência física, agressão moral profunda e dependência econômica, por exemplo.

Esse é um passo muito difícil porque, em geral, vemos o que o outro está fazendo e nos esquecemos de observar o nosso próprio comportamento. Em geral é mais simples reclamar dos comportamentos do outro do que do nosso próprio, então as pessoas se resumem a reclamar. Porém isso não ajuda nem um lado e nem outro. Buscar ver o que fazemos e como fazemos é o que pode nos dar luz sobre como poderemos agir diferente no futuro.

Aceitar que somos nós quem nos damos o papel é complicado também porque envolve aceitar a auto imagem que temos de nós. E ela nem sempre é uma imagem muito bonita. Aceitar é o primeiro passo para poder mudar as rotina, quando paramos de brigar com o que vemos de  nós, com o como agimos podemos relaxar e nos abrir ao próximo passo.

Que é: o que eu quero? O que é  importante para mim? Esta pergunta é fundamental porque ela nos coloca, novamente, como agentes de nossa vida e ao entrar neste papel a pessoa deve refletir sobre o que ela quer, o que é bom e importante para ela e aquilo que a fará feliz. Uma vez feito isso a próxima pergunta é: como vou colocar isso na minha relação? Como vou solicitar e negociar isso com meu parceiro? Como vou defender isso?

Sempre digo que a relação não deve ser um campo de batalhas, e a maneira mais interessante de fazer isso é sempre deixando os nossos desejos claros assim como os nossos limites de negociação. Quando trabalho com casais e eles aprendem a diminuir a discussão sobre um determinado tema de conflito e começam a aumentar a quantidade de negociações que podem fazer eles, em geral, começam a se respeitar mais e a terminar discussões muito mais rapidamente e com muito mais qualidade.

Que lugar você tem se dado nas suas relações? E na sua vida? Está na hora de mudar isso? O que você quer e como alcançar?

Abraço

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O dedo que aponta…
28/05/2014

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  • Então Akim, fiquei muito puta com ela!

  • Estou vendo, mas  que aconteceu?

  • Simples assim: pedi para a criatura me ajudar numa mudança que eu precisava fazer. Adivinhe…

  • O que?

  • “Ai, não posso hoje porque estou indo no salão”.

  • Humm…

  • Salão?! AH, pare né? Eu pedindo para ela me ajudar em algo importante e ela “vai no salão”…

  • Entendi… mas… qual o problema?

  • Qual o problema? Cade o companheirismo?!

  • Entendi… algo como “ah Akim, ela queria ajuda para a prova dela, mas eu não estava afim, queria jogar video game naquele momento” ?

  • (silêncio)Tá me dizendo que eu também faço isso?

  • Estou afirmando que você não gosta, nela, de algo que também existe em você, o que é?

  • Hum… acho que sei o que é…

  • Ótimo… me diga o que é e vamos falar um pouco mais sobre isso…

 

Diz o ditado: “quando um dedo aponta para alguém, três dedos apontam de volta”.

Este ditado fala sobre uma das defesas psíquicas mais comuns, inconscientes e complexas que temos: a projeção. Rápida, inconsciente e em geral cruel ela vê no outro coisas que desejamos, detestamos ou que temos dúvida e medo… em nós mesmos. Outro ditado que vale à pena é: “pimenta nos olhos dos outros é refresco”. Pois sim, o é. Refresca a nossa auto percepção de afirmar, sobre nós mesmos coisas que não gostamos muito de afirmar. Ou que não temos coragem ou que temos vergonha, desta maneira é mais fácil ver a pimenta coisa nos olhos dos outros quando na verdade ela também está nos nossos olhos. É como quando a pessoa cai na lama e está muito braba com isso, até ver que outra pessoa caiu na lama também, então ela ponta e começa a rir da “elameação” do outro, porém ela mesma já está na lama.

A crueldade da projeção, à meu ver, é justamente esta falta de consciência de que aquilo que eu aponto eu só consigo fazer por existir, em mim, um pouco – ou muito – daquilo. Assim falo dos outros quando, na verdade, estou falando de mim, porém sem ter consciência disso, acabo apenas falando sobre o outro.

Podemos falar sobre elementos nossos que não gostamos nos outros. Em geral fazemos julgamentos maldosos e sem nenhum crivo de censura ao falar mal das características que as pessoas tem e sobre aquilo que achamos da personalidade delas. Esse tipo de conduta tem a ver com elementos que a pessoa teme  e/ou desaprova em si. Certa vez atendi uma pessoa que queria que o marido fosse sexualmente menos “devasso”, ela dizia palavras muito duras sobre ele, num determinado momento perguntei à ela o que aconteceria se ele fosse menos “devasso” e ela me disse um tanto surpresa com sua resposta: “aí eu poderia ser mais”.

Também apontamos nos outros aquilo que desejamos em nós, mas não temos, que achamos que não temos ou que não podemos assumir. É o caso de praticamente todos os pacientes com seus terapeutas – eu com o meu inclusive. Trata-se de quando olhamos para uma pessoa e atribuímos à ela uma determinada característica: “você é muito determinado”, “você  é muito organizado” ou “queria ser como você irreverente”. Quando estamos falando de projeção é porque vemos isso que queremos na pessoa seja ela isso ou não, tratamos de “arranjar provas” de que ela é do jeito que achamos que é e passamos a admirar ela. Muitas vezes quando percebemos que a pessoa não é como queríamos que ela fosse nos decepcionamos com ela.

Por fim existe a projeção daquilo que sou e admiro no outro. Em termos simples isso significa que a pessoa “vê” no outro aquilo que ela própria já é, mas não consegue assumir e, por esta razão, mantém a característica como se fosse do outro. Muitos líderes são assim “antes de serem lideres”, eles tem o papel, mas não conseguem assumi-lo, tempos depois começam a entender que aquilo que veem no outro é, na verdade, um reflexo dele próprio e com isso passam a assumir a sua própria atitude.

Lembre-se do ditado: “quando um dedo aponta para alguém, três dedos apontam de volta” e sempre, ao julgar alguém, pergunte-se: o que, de mim, há neste que julgo? Como diz na Bíblia: “atire a primeira pedra quem nunca errou”.

Abraço

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Alegria tediosa
24/03/2014

– Muito bem Akim, muito bem!

– Que bom que você está bem, fico feliz em saber!

– Ah sim, tudo está ótimo mesmo!

– Muito bom!

– Pois é… está tudo tão bem sabe?

– Sei.

– Que eu nem sei porque estou aqui!

– Pois é e mesmo assim veio né?

– É… mas está tudo bem sabe?

– Claro, e já disse que fico feliz com isso!

Alguns momentos de silêncio se passam quando a cliente volta a dizer.

– Me dá uma angustia não ter o que te dizer.

– Em geral, quando meus clientes estão bem eles me contam alegres sobre o que está acontecendo de bom na vida deles.

– Ah é é? Hum… mas não sei… só está tudo bem sabe como… não quero falar sobre isso.

– Ok.

– Porque eu fico angustiada, então, se está tudo bem?

– Me diga você!

– Será que está tudo tão bem mesmo?!

Em primeiro lugar: adoro quando meus cliente me trazem boas notícias. Gosto muito de ficar uma sessão toda falando sobre como eles estão bem e explorar cada pequeno detalhe da felicidade e alegria deles. Fico muito satisfeito enquanto pessoa e profissional quando isso ocorre.

Esta explanação é importante porque o tema que trago pode ser entendido como uma “ode à tristeza” ou aos problemas. Não é.

É mais simplesmente uma crítica à um tipo feio de alegria que temos cada vez mais tido que enfrentar: o das pessoas que “não podem” ficar tristes, solitárias, mal amadas.

Porque “feia”? Porque dá para ver de longe que o sorriso é forçado! Porque dá para sentir em 2 segundos que por detrás da máscara de alegre a pessoa tem um milhão de medos, vergonhas, culpas ou seja lá o que ela esconde por debaixo da máscara. Além disso, quando ela fala percebe-se que é um discurso ansioso e não um discurso ameno, típico de quem está, de fato, feliz. Uma necessidade de provar que se está bem se segue – obviamente porque a pessoa não está feliz, não está bem.

A alegria “bonita” é muito mais doce. Ela não tem medo de ficar triste, acompanha o ritmo da vida e entende que tristeza faz parte da felicidade e até mesmo da própria alegria. Não existe um sorriso forçado, pelo contrário ele contagia e dá vontade de sorrir junto – é muito difícil ficar triste ou chateado perto de uma pessoa com alegria genuína – não existe necessidade de mostrar ou provar a própria alegria: quem é alegre é. Sua fala tem um tom de voz próprio que mostra a alegria e não a necessidade de mostrar sorrisos à todo custo.

Obviamente, enquanto psicólogo, a minha crítica é em relação ao discurso social que prevê este tipo forçado e feio de alegria como algo importante ou necessário. Nunca vou criticar a pessoa, até porque entendo que ela usa-se deste tipo de alegria por vários motivos – ninguém nasce forçando o sorriso, aprendemos a fazer isso – e cabe à terapia e ao terapeuta respeitar, compreender a ajudar a pessoa a superar isso.

Aquele que – secretamente – se identifica com este tipo de alegria que chamo de “tediosa” – porque este tipo de comportamento cansa o ouvinte ao invés de inspirá-lo como faz a alegria verdadeira – digo que pare e pense se, de fato, está valendo a pena fazer todo o esforço para manter o sorriso no rosto o tempo todo. Claro, no seu trabalho talvez isso seja importante, mas para você mesmo? E se você se permitisse sair desta falsa alegria só um momento e aprendesse a lidar com as outras “emoções proibidas”? Tenho certeza que você poderá lucrar muito com isso. Sei que você tem, teve, os seus motivos e, sinceramente, honro cada um deles, mas não será hora de pôr aquelas crenças e ideias em cheque e questioná-las um pouco?

Em relação à pessoas e instituições que pregam a necessidade deste tipo de conduta, no entanto, fica a crítica: sorrisos sem alma não são sorrisos, são apenas fotografias em preto e branco do que, um dia, foi um sorriso humano. Nem esteticamente eles valem porque, convenhamos, vemos de longe que a qualidade deles não são boas.

Alegria é bom e eu, particularmente, adoro ela. Mas viver uma vida realmente alegre é viver uma vida sem proibições emocionais e, portanto, aceitando a presença de qualquer emoção.

Abraço

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Falsidade
14/03/2014

– Daí as pessoas querem que eu fale… eu falo sabe? Sei fazer isso!

– Mas?

– Mas quando eu vejo todo mundo empolgado com o que eu disse me dá um dó, uma pena.

– O que motiva essa emoção?

– Porque eu vejo que eles estão se enganando! Eu não estou motivada sabe? Mas falo e eles se motivam? Será que eles não percebem a falsidade disso tudo?

– Não sei… será que você percebe a falsidade em você?

– Como assim?

– As suas palavras podem encantar… porque não?! Agora… se você tem SE encantado é outros quinhentos…

– Você está dizendo que eu estou mal, é isso?

– Bem, me parece que “falsidade” é mais adequado do que “mal”, afinal você usou esta palavra não é mesmo?

– Sim, sim… mas… bem…

– Você sente-se falsa com você mesmo? Sente, às vezes, mesmo sem dizer à ninguém, que é uma fraude?

Ela apenas olha para mim, sem dizer nenhuma palavra e acena com a cabeça para cima e para baixo suavemente.

É comum que aquilo que apontamos nos outros seja aquilo que escondemos ou não gostamos em nós mesmos. De forma direta – sou sádico, mas não gosto disso e aponto o sadismo nos outros – ou indireta – sou co-dependente e falo mal da dependência dos outros; apontamos aquilo que não suportamos em nós. A falsidade é uma dessas coisas.

A sensação de falsidade se refere à uma falsa projeção do eu. Ou seja, a pessoa percebe que é vista de uma forma melhor do que ela própria se vê e, então, acha falso esse reflexo que veem dela. A sensação de estar sendo falsa consigo mesmo, em geral, está associada à uma baixa auto estima que não permite uma boa formação da identidade pessoal, ou auto-imagem.

O problema, em geral, é uma cisão entre o comportamento e a identidade da pessoa. Ela se comporta “como se” fosse uma pessoa que se percebe de uma determinada maneira, porém se percebe de outra maneira. O resultado é desastroso porque ela cria uma confusão interna que é difícil de ser solucionada e acaba se apegando ao papel “falso” porque ele lhe dá um certo “retorno afetivo” ou “segurança”. Ela acha que se deixar de interpretar aquele papel perderá tudo o que conquistou e então continua a sua sina.

Para a pessoa fica a eterna sensação de que daqui a pouco ela “será pega” em flagrante delito sendo o que não é. Obviamente algo difícil de acontecer, porque apenas ela sabe que está sendo falsa consigo. A tragédia mais dolorida é que a pessoa tem o comportamento adequado, só precisaria adequar a sua auto imagem.

É importante resgatar a confiança pessoal no sentido de poder abrir os seus medos, as sensações de incompetência e de impotência e ir, através disso rumando para a melhoria da auto estima que possibilitará um novo encontro consigo, uma nova forma de se perceber e, então, ser mais verdadeiro!

Abraço

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Prisioneiro do coração II
10/01/2014

– Eu estou pensativo Akim.

– Pensando no que?

– Em algo que aconteceu.

– Hum… quer compartilhar comigo isso?

– Pois é… já faz um tempinho até… daí veio isso…

– (Silêncio do terapeuta)

– Eu estava pensando que sou muito “eu” sabe? Muito dono da razão.

– Sei.

– E daí esses dias eu me ferrei porque eu não tinha nada para comer em casa e estava certo que os mercados iam ficar funcionando o horário normal deles, a minha namorada tinha me dito que não, mas “eu sei de tudo né”?

– Sim (risos)

– E daí fiquei sem comida em casa… tudo bem, não foi algo muito feio, mas me fez parar para pensar entende?

– Claro, pensar no que?

– Que eu tenho que deixar as pessoas afetarem mais a minha vida.

– Olhe que coisa boa!

– Mas isso não vai me fazer “perder a minha personalidade”?

– Você realmente acha que a sua personalidade é tão fraca que se der ouvido aos outros ela vai sumir?

– Boa pergunta!

No post de hoje quero falar sobre uma outra forma de ser “prisioneiro do coração”, no post anterior eu falei sobre pessoas focadas demais nas necessidades dos outros, hoje vou falar sobre pessoas focadas demais em si.

Uma pessoa é focada demais em si quando ela não sabe – ou consegue – se abrir para ouvir os outros. Infelizmente nossa sociedade atual enaltece este tipo triste de solidão chamando esta pessoa de “pessoas de opinião” ou “pessoas de personalidade” e até “pessoas de atitude”. Aquelas que não são mudadas pelo mundo ao seu redor, que não se permitem influenciar por terceiros.

A grande falácia é que é impossível não ser influenciado por terceiros. Se você “não se permite ser influenciado”, precisa se defender de alguma forma, ou aprender a não dar ouvidos e isso já é, por si só, uma influência. Em outras palavras para não ser influenciado você precisa perceber-se como um “alvo” que “os outros” querem influenciar e se defender disso protegendo a sua “preciosa” opinião do mundo. Portanto, já está sendo influenciado a se defender deles. A única forma de “não ser influenciado” pelos outros é se eles não existissem.

Um outro “mal entendido” é que “opinião”, “atitude” e “personalidade” é algo criado em conjunto com o meio que nos circunda. Existe uma diferença entre ter uma opinião e não ouvir ninguém, na verdade, “não ouvir” é, muitas vezes perigoso, pois o outro pode estar percebendo algo que você não está e que é vital para a sua própria decisão. Se a opinião “não pode” receber influências, ela se torna uma obsessão e não uma opinião. É um dogma e não uma opinião, uma verdade universal, uma espécie de fanatismo.

Assim sendo, uma forma de ser prisioneiro do coração é estar tão focado no outro que se está pouco dentro do seu próprio coração e a outra é estar tão dentro que você se tranca lá dentro e joga a chave fora.

Em geral a “pessoa de opinião” tem um pavor de “ser mudado” pelo outro como no caso que coloquei acima o medo de “perder a personalidade” como se o fato de “ouvir” alguém e permitir-se “mudar de ideia” fosse igual à “perder a personalidade”. No post anterior tínhamos a pessoa aberta demais às opiniões de terceiros, por exemplo, que só age ouvindo alguém lhe dizer o que fazer, no outro extremo temos a pessoa que “não pode” – e este “não pode” é o problema – ouvir opinião de ninguém.

Não se perde a personalidade por mudar de opinião ou por permitir que alguém influencie a sua percepção da vida, na verdade, se fortalece a personalidade ao fazer isso. Quando uma pessoa é capaz de ouvir o que lhe é dito, analisar aquilo que foi dito, permitir-se experimentar para ver se o que foi dito lhe serve e então decidir o que fazer com a informação ela está se tornando mais sábia e mais forte e não perdendo personalidade e se tornando mais fraca. Muitas vezes é importante mantermos nossas opiniões e lutarmos por nossas convicções, porém isto é muito diferente de não nos permitirmos ouvir os outros e sermos mudados pelos outros.

Um exemplo disso vem da segunda guerra mundial. Os alemães ganharam uma enorme vantagem na guerra logo no começo, por que? Os franceses e ingleses estavam acostumados a táticas que envolviam a velocidade de movimentação de homens, enquanto os alemães estavam pensando na velocidade de tanques de guerra. Enquanto a estratégia aliada estava indo, os alemães já tinha ido e atacado todos pela retaguarda com seus tanques. A ideia dos tanques não era inexistente, porém “não foi ouvida” pelos líderes militares que iniciaram o conflito do lado dos aliados, este ouvido surdo quase custou-lhes o país.

Um outro exemplo célebre do mundo dos negócios foi quando o presidente da IBM disse que eles não faziam computadores de brinquedo se referindo aos computadores pessoais, querendo dizer que aquela ideia nunca pegaria, ou da Kodac que não apostou nas câmeras digitais, mesmo tendo tido a possibilidade para tal. E, na vida, quantas vezes ouvimos o famoso “eu te disse?” e ficamos enraivecidos com isso? (Obviamente enraivecido com nós mesmos).

Ouça, reflita, analise e experimente. Na pior das hipóteses você irá manter e reforçar a sua opinião, na melhor irá obter, a partir do seu próprio esforço e raciocínio, uma opinião ainda mais completa, portanto, não há como você perder.

Abraço

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