Quem é seu terapeuta?
05/08/2015

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  • Akim… não sei mais o que te dizer.

  • Não sabe ou não quer?

  • Acho que o segundo.

  • E o seu não querer é porque não deseja tratar disso ou porque não sabe se deve falar isso para mim?

  • O segundo também…

  • O que motiva essa sensação?

  • Não sei… parece que está diferente aqui na terapia.

  • Sim, diferente como para você?

  • Eu… te vejo diferente.

  • Como me vê?

  • Antes eu te via meio que como um guru sabe?

  • Sim.

  • Agora te vejo mais como eu… como um humano sabe? (risos)

  • Sim… e é difícil confiar em humanos não é?

  • Nossa… verdade…

 

Este post pode parecer escrito para quem já faz terapia, porém ele serve para ambos os lados. Ocorre que todos temos uma certa imagem dos profissionais – assim como de qualquer pessoa – e a imagem que temos do psicólogo é algo que tanto pessoas que fazem quanto as que não fazem terapia tem. É óbvio que estou colocando o foco sobre o psicólogo que trabalha com psicoterapia – é a minha área – mas existem várias outras ocupações para o psicólogo.

Quando se começa a fazer terapia – digo por experiência própria – temos uma certa percepção do profissional que irá nos atender, isso tem a ver com aquilo que apreendemos da pessoa com quem nos relacionamos. Outra coisa tem a ver com aquilo que projetamos sobre ele, ou seja, aquilo que desejamos que o profissional seja para nós, tem a ver com nossos desejos e expectativas. E uma terceira influência é sobre como nos relacionamos com a pessoa de fato, ou seja, a maneira pela qual criamos vínculo com o terapeuta.

Porque falar disso é importante para você que faz terapia?

A maneira pela qual nos vinculamos ao terapeuta diz muito sobre nós e a maneira pela qual nos relacionamos com as pessoas no mundo. “Ah Akim, mas o psicólogo é um profissional e eu o vejo assim”. Esta é uma das formas e essa maneira de encarar o psicólogo – não como um humano, mas sim como uma “entidade” chamada “profissional” – diz muito sobre a pessoa. Poderia perguntar a mesma pergunta que  fiz na consulta citada acima. Poderia trabalhar, também, com o porque de ela precisar de uma “entidade” para se abrir? É medo? Quer alguém que seja “neutro”? A maneira pela qual você vê o terapeuta diz muito sobre você, como você encara o seu terapeuta?

A maneira pela qual nos vinculamos é outra história. O vínculo fala das nossas necessidades com aquele relacionamento. Existem vínculos mais ansiosos, que demonstram um certo tipo de medo ou incerteza, insegurança em relação à pessoa com quem se está relacionando. Outro pedem aprovação, contato ou afeto. Pode-se vincular com um terapeuta a partir da agressão, é o tipo de pessoa que, por exemplo, sempre desconfia, questiona e desaprova aquilo que está sendo dito. Ela agride para ver se será “aceita mesmo assim”, a agressão é uma forma de se defender e ao mesmo tempo um pedido de afeto nesse caso. Agride-se para se afastar da possibilidade de ser excluído, mas deseja-se, verdadeiramente, o afeto e a inclusão.

Aquilo que apreendemos de nossos terapeutas é uma mescla daquilo que necessitamos com aquilo que vemos. A percepção nunca é “pura”, está sempre vinculada aos nossos filtros. Desta maneira constituímos quem o nosso terapeuta é para nós. Este é um processo que fazemos com todas as pessoas com quem nos vinculamos. Tratar disso em terapia é tratar a maneira pela qual se cria vínculo, que se percebe o outro e, principalmente, as questões que motivam cada um de nós a criar o vínculo desta maneira.

Uma pessoa que vê os outros como possíveis agressores, por exemplo, pode buscar no terapeuta um porto seguro, um confidente ou querer comprovar que nem mesmo os terapeutas são confiáveis. Todas essas percepções refletem o mesmo drama sobre como ela percebe as pessoas do mundo e o seu lugar com essas pessoas. É com isso que ela irá organizar o seu papel. Uma vez que possa tratar disso usando a relação terapêutica como recurso ela poderá rever estas crenças sobre relacionamentos e mudar aquilo que julgar adequado mudar.

Quem é o seu terapeuta?

Abraço

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Intimidade e poder
03/07/2015

Couple Relaxing in Bed --- Image by © Laura Doss/CORBIS

  • Mas eu estou insatisfeito.

  • Sim, percebo, agora, porque não abrir isso para a sua esposa?

  • Não dá…

  • Porque não?

  • Porque depois ela usa isso contra mim. Vai ficar me enchendo o saco por causa disso!

  • Entendo… Então é melhor manter o controle do que se abrir?

  • Algo assim.

  • Que relação estranha não?

  • É… pensando assim… parece uma briga né?

  • Parece

Num post anterior falei sobre a intimidade como a habilidade de tornar familiar algo entre duas ou mais pessoas. Pensando num casal, a intimidade traz consigo vários benefícios, pois, com ela, a  sensação de empatia, pertencimento e entrega aumentam. Junto com isso tem-se maior facilidade para negociar os aspectos do dia a dia assim como confiança naquilo que o parceiro é capaz ou não de fazer.

Na intimidade descobre-se os novos rumos do casal e pode-se discutir com mais eficiência a relação quando isso é necessário pois a quantidade de informações disponíveis sobre o outro é maior. Conhecer mais o outro e permitir-se ser conhecido é algo que aumenta o desejo pela criação do novo, então ao invés de diminuir, o mistério aumenta. Porém este aumento de mistério é algo que atrai pelo fato de existir um porto seguro entre os dois.

Porém a criação de intimidade vem com o preço da diminuição da briga pelo poder. Toda pessoa ao entrar em uma relação possui alguns medo e desejos. Ao longo da relação começam a ficar evidentes alguns medo que podem acontecer e alguns desejos que não serão realizados. Assim começa a briga pelo poder. A maneira de uma pessoa buscar garantir que seus desejos serão satisfeitos é através do poder que exerce sobre o outro.

Porém o poder termina com a intimidade. Um dos pontos do poder é o segredo, ou seja, a retenção de informações sobre eu mesmo afim de poder manipular o outro ou de não permitir ao outro ciência sobre o que me aflige. Uma vez que há disputa pelo poder não existe o desejo de “tornar familiar”, mas sim o desejo de conquistar e reter, manter, dominar o outro para que a relação se torne aquilo que eu desejo. O desejo pelo poder na relação acaba com o desejo de entrega e isso faz com que a intimidade desapareça.

O efeito mais interessante, entretanto, é que na briga pelo poder muitas vezes os casais realizam seus piores medos através dos comportamentos que assumem. Ou seja, quanto mais lutam contra o parceiro para que seus medos não se concretizem, mais se comportam de uma maneira que influencia a pessoa a se comportar da maneira que eles não querem e temem. A briga pelo poder não constrói as condições para a reflexão sincera e, por esta razão, não faz com que ambos cheguem a entendimentos sobre si e sobre a relação que é o que pode, de fato, fazer com que se crie uma relação em prol do que a pessoa quer e não uma que evite o que ela não quer.

Assim, ao invés de negar medos é interessante revelar medos. Mais interessante ainda é revelar aquilo que se deseja da relação com um foco positivo: o que eu espero de fato. Isso é o que “cura” o medo. Se a pessoa tem medo de segredos, por exemplo, deve buscar construir uma relação com foco na sinceridade e transparência e saber como lidar com estes aspectos.

Ser íntimo é mais do que saber fatos sobre a pessoa. É ter a habilidade e a relação na qual existe espaço e desejo de ouvir e ser ouvido, compartilhar informações, emoções, vivências e desejos sabendo que eles serão respeitados e incluídos na relação. É ter um sentimento de aceitação de si e do outro ao invés de medo daquilo que vem do outro. E é uma delícia.

Abraço

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Renúncia
29/04/2015

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  • Sabe o que é? Tô de saco cheio de ficar fazendo tudo o que ela quer!

  • Entendo isso.

  • Então o que eu faço? Tô achando que deveria terminar com ela!

  • Esta é uma opção…

  • Qual a outra?

  • Compreender o que te faz estar tão chateado com “ficar fazendo tudo o que ela quer”.

  • Como assim?

  • Bem, você não faz tudo-o-que-ela-quer-o-tempo-todo-sem-nunca-ter-um-tempo-ou-escolha-própria faz?

  • Não, não é bem assim…

  • Pois é… então você está de saco cheio do que?

  • De me sentir obrigado à fazer as coisas que ela quer.

  • É uma obrigação ou é uma escolha?

  • É… pensando desse jeito…

  • E se você escolhe, o que motiva você à fazer isso?

  • Pois é… aí que tá! Não sei sabe? Sempre vi meu pai meio que cachorrinho da minha mãe…

  • E?

  • Sei lá… tenho medo de ficar do mesmo jeito sabe?

  • Sim, sei sim.

  • Mas será que ser parceiro de sua mulher o torna um “cachorrinho” dela?

  • Não deveria ser…

  • Que tal pensar o que te faz um cachorrinho e o que te faz parceiro para você poder saber a diferença?

  • Uma boa…

 

Toda relação implica renúncia. Embora isso possa ser um choque numa cultura que acredita que devemos fazer apenas aquilo que desejamos fazer a renúncia se mostra fundamental para a possibilidade de convívio.

Por este motivo boa parte da população confunde a ideia de parceria com a ideia de se subjugar ao outro. Nada mais esperado numa sociedade que briga o tempo todo pelo poder e que não possui uma “filosofia” adequada em relação à este tema nas relações conjugais. Uma das maneiras que as pessoas tem de lidar com esta situação é criar uma lista mental de vezes em que um ou outro cederam e tentar “equilibrar a balança”. “Eu cedi aqui, agora ele cede ali” é o pensamento que norteia esta resolução.

Uma outra solução é a famosa briga pelo poder onde o casal através das mais variadas técnicas luta para hierarquizar a relação e definir quem manda. Neste caso um adendo super importante é que nem sempre o mais “frágil” é quem é submisso. A aparência frágil não afasta a capacidade de manipulação e, como a terapia sistêmica nos mostra, é muito comum vermos num casal que a parte “fraca” da relação (e quando digo “parte fraca” me refiro tanto ao homem quanto à mulher visto que isso não é uma questão apenas de gênero) manipula e torna a vida do outro um inferno de ruminações.

A terceira solução mais comum é o distanciamento frio quando se percebe que existe uma impossibilidade de negociação. Os dois lados assumem o outro como uma pessoa mesquinha e inflexível e começam a se afastar de maneira a não colocar mais seus desejos na relação. A distância implica na possibilidade de uma convivência sem intimidade o que pode culminar numa separação ou em atos de traição de ambos os lados.

A renúncia não implica em ter que lutar para “estar por cima”, nem em quitar dívidas de renúncia e nem em distanciar-se. O ato implica confiança e intimidade. Confiança e intimidade asseguram que as necessidades e desejos de um lado e de outro estão na mesa e são respeitados por ambos. Quando isso ocorre é possível abir mão de algo não porque se sabe que mais tarde o dividendo será cobrado, mas sim porque se respeita o desejo do outro e sabe-se que o seu próprio desejo é, também, respeitado.

Esta dupla: confiança e intimidade asseguram a segurança de se entregar ao desejo do outro sabedor de que isso significa investir na própria relação que também respeita os seus próprios desejos. É como se ao renunciar à algo que se deseja estivesse ao mesmo tempo investindo em algo que também se deseja. Por este motivo não existem hierarquias: ambos os lados saem ganhando, por esta mesma razão não há lutas pelo poder. E, finalmente, não existem dívidas porque a renúncia é, de forma sublimada, um ganho.

E você, brigando para saber “quem manda” ou buscando respeitar e ser respeitado?

Abraço

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Diferenças
23/03/2015

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  • Simplesmente não dá para aturar sabe?

  • Sei, é difícil não é?

  • É! Ele faz tudo ao contrário, onde é para ser rápido, demora, onde é para demorar faz rápido… meu… qual é a dele!?

  • Não sei… mas sei que foi ele que te ajudou naquela situação lá do empréstimo que foi enviado errado né?

  • É… ele me ajudou mesmo!

  • Você já percebeu que toda a vez que fala dele, aponta apenas para aquilo que te irrita?

  • Sim.

  • E que você fala exaustivamente sobre isso, descrevendo cada grão de informação sobre um pequeno ponto?

  • Também… faço isso sempre…

  • Sempre?

  • Sempre que vejo algo que é ruim!

  • Ruim ou diferente?

  • Tá… diferente…

  • Gostaria de saber o que iria ocorrer se você pudesse ver o lado “bom” tanto quanto o “ruim”

 

Acredito que um dos grandes desafios da vida humana é como criar harmonia entre as várias facetas daquilo que os seres humanos vivem. Não se trata de achar uma fórmula sobre como lidar, mas sim do como, em cada dia gerar harmonia.

A diferença parece ser um dos grandes impeditivos deste processo. Porque? Não por causa das diferenças em si, mas sim pelo fato de como lidamos com elas. Em geral as pessoas tendem a polarizar o mundo em bom e ruim – pode parecer piegas, mas é só você olhar os noticiários do mundo todo, sempre existe este pólo de oposição entre aquilo que faz o mundo um lugar bom em oposição com o que o torna um lugar ruim.

Esta polarização nos faz ver mais um lado da equação do que o outro e pior: fazemos um julgamento moral sobre toda uma parcela das pessoas. Sempre que há uma generalização – e sim, isso é uma generalização – existe um empobrecimento do modelo de mundo que criamos. Este empobrecimento se dá pelo fato de não levar em consideração que o mesmo resultado pode ser atingido de várias formas e que a partir do mesmo início você pode chegar a lugares diferentes. Chama-se isso de equifinalidade.

Quando se ignora isso, passa-se a achar que todos que tiveram determinado começo serão de determinada forma. E que todos que estão em determinada situação é porque trilharam o mesmo caminho. Com isso as pessoas perdem de perceber a infinita miríade de possibilidades de comportamentos humanos. E ainda classificam moralmente o caminho que consideram como “errado”. Dito isso é somente guerra o que se segue.

Foi Milton Santos quem disse: “a força da alienação vem dessa fragilidade dos indivíduos que apenas conseguem identificar o que os separa e não o que os une”. Esta frase de profunda sabedoria e força me diz o seguinte: ok, somos diferentes, o que temos de igual? Onde existe a possibilidade para que nos aproximemos? Esta é a pergunta que gera harmonia. Ela só pode existir – à meu ver – quando os vários pólos de oposição com os quais vivemos conseguem ser equilibrados dentro de um mesmo conjunto cooperativo.

De onde tirei isso? De ver as pessoas em meu consultório. Quando elas atingem este ponto em que conseguem aceitar nelas tudo o que há de “certo” e “errado” e começam, ao invés de lutar contra si próprias, a integrar as várias facetas delas mesmas conseguem harmonizar-se. Aprendem seus limites e as funções verdadeiras de seus atos. Aprendem a negociar consigo e com o outro e, principalmente, param ver o outro como um inimigo. Quando se está em paz consigo o outro não é um problema, é só um outro.

Abraço

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Reclamando do que?
18/03/2015

Projeção

Diz um ditado zen que quando o dedo aponta para a lua, o idiota olha o dedo. Esse ditado vale muito para relacionamentos humanos.

É muito comum que quando alguém aponta um defeito ou reclama de determinada característica do outro não esteja percebendo – assim como o idiota do ditado zen – que está falando de si. Mantém-se preso à imagem negativa que faz da outra pessoa e não se atém ao fato de que se aquilo o incomoda isso é uma questão dele. Jung dizia que tudo aquilo que nos irrita no outro pode nos levar à uma compreensão de nós mesmos. Porém, como proceder, como transformar a raiva que temos do outro, a irritação em auto conhecimento?

Neste post vou apresentar a maneira pela qual trabalho com isso, não é “a” certa, mas ajudará você. Um primeiro passo é reconhecer a sensação de irritação ou raiva pelo comportamento do outro e desvincular o outro da sensação. Em geral associamos a pessoa à sensação e temos que o outro se torna o responsável pelo que sentimos. Muito embora o que ele fez possa disparar em nós a sensação ele não é o responsável, mas sim a nossa percepção daquilo que ele faz e dele. Então, uma coisa é o que você sente, a outra é a pessoa em si.

Uma vez feito isso é importante refletir sobre o seu próprio sentimento, ou seja, o que, naquele tipo de comportamento o agride? Aqui temos várias possibilidades. Uma delas é a de que aquilo no outro o agride pelo fato de que você também faz aquilo, ou seja, é algo que a pessoa não gosta em si e faz, mas nega e prefere falar do outro. Um outra vertente desta possibilidade é que ela tem o comportamento nela e não faz porque acha errado ou porque não se permite, então ao ver o comportamento no outro alivia sua tensão interna de desejar agir da mesma maneira.

Uma outra possibilidade é que a ação do outro faz com que a pessoa tenha que tomar atitudes frente às quais não tem resposta ou não gosta de dar a resposta adequada. É o caso de muito pais que não sabem dar limites, por exemplo. Precisam impôr um limite, mas não gostam de fazer isso – por seus motivos pessoais que podem ser vários também. Assim sendo as atitudes irritam pelo fato de que a pessoa se vê numa situação em que precisa agir e não quer fazê-lo.

Em outras situações o ato do outro pode render-lhe algo, um status, uma forma de vida, enfim, conquistas que podem ser algo que a pessoa deseja e não tem ou não consegue. Assim a irritação se dá pelo fato de que a vida de quem se irrita não está indo tão bem quanto a do outro e a pessoa se vê inclinada a ter que fazer algo, ou cobrada pelo fato de que “se um consegue, porque eu não consigo”. É possível também que a pessoa se incomode ao ponto de se diminuir frente ao outro e se irrite por não saber como manter a sua auto estima frente à conquista do outro numa área que ela própria não domina.

Estas são as manifestações mais comuns que encontro em consultório, existem outras e, obviamente, estou resumindo a dinâmica aqui, porém você pode usar estas linhas gerais para fazer uma pesquisa em você e na sua própria terapia também. A partir da tomada de percepção sobre o seu próprio sentimento as perguntas começam a ir na direção de “como agir com você mesmo”. Ou seja, se o outro me incomoda porque eu tenho que tomar uma atitude da qual não gosto, como melhorar minha relação com esta atitude? Se me irrita porque minhas conquistas ainda não chegaram, o que estou fazendo para conquistá-las? Porque preciso me diminuir frente ao desempenho do outro?

Desta maneira começa-se a olhar o outro, mas responsabilizar a si pelo que sentimos no contato com o outro. Porque fazer isso? Simples, para tornar a sua vida melhor e o seu autoconhecimento maior e mais rico. Quem te irrita?

Abraço

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Ser preterido
02/03/2015

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  • Tenho me sentido muito mal.

  • Tem sido difícil lidar com o término?

  • Sim…

  • O que está sendo mais difícil?

  • Eu fico me lembrando dele indo embora do restaurante…

  • Uma cena dolorosa…

  • Muito… ele disse que preferia sair antes para eu entender que ele tinha terminado mesmo. Sair sozinha de lá foi horrível.

  • Receber uma recusa é algo difícil para todo ser humano, desejamos o contato.

  • Sim.

  • Porém onde ficamos quando recebemos uma recusa é um fator importante para definir como lidar com isso.

  • Eu fiquei na mesa… me sentia uma garotinha.

  • Imagino, é uma cena que se repete na sua vida não é?

  • É…

  • O que você fez com a garotinha que sentiu ser?

  • Não sei… acho que não fiz nada…

  • Quando uma criança é abandonada é importante ajudarmos ela a sentir que ela tem valor e que o abandono é uma escolha do outro.

  • É… não me sinto com nenhum valor mesmo…

 

Ser preterido é algo que incomoda o ser humano. Somos seres gregários por “natureza” e a exclusão tem um valor muito dolorido para todos nós. Gostamos de poder ter proximidade e distância, porém quando a distância se impõe e se torna a única escolha temos que aprender a lidar com a solidão, com a exclusão e com nosso lugar no mundo e para nós mesmos.

Esse é o drama quando somos preteridos. Existem pessoas, no entanto, para quem este drama não se mostra apenas no término de um namoro ou no final de uma amizade, é uma marca registrada em sua identidade e ela se percebe como a pessoa que é preterida. Sente-se “o(a)” “excluído(a)”. Esse sentimento é altamente deteriorante da auto estima principalmente porque, em geral, vem acompanhado de sentimentos de não merecimento de companhia. Em outras palavras a pessoa explica para si a sua identidade de “excluído” afirmando que ele fez algo errado e, por isso, não merece companhia.

Quando se “é” um excluído passa-se a perceber o mundo, as pessoas e as relações em termos de inclusão/exclusão. Isso, porém, não é tudo, afinal cada exclusão deve ser explicada e a explicação, em geral, é “não mereço”. Então, o conflito entre abrir-se ao mundo e o medo profundo de receber mais uma exclusão torna-se o drama da vida da pessoa. De um lado, desejosa de ter afeto e um lugar, de outro amedrontada em tomar as iniciativas necessárias para realizar o seu sonho visto que ela “sabe” que não é digna ou merecedora deste afeto.

Este não merecer, em geral, é um aprendizado que a pessoa cria a partir das relações que teve e do que ocorreu nelas. “Porque não gostam de mim?” Esta pergunta leva à busca de um defeito (“o que há de errado comigo?”) que muitas vezes não existe, ou então, não é algo que justifica o destino de exclusão o qual a própria pessoa se impõe. Aprender a verificar as premissas que tornam a pessoa um excluído é ajudá-la a buscar os furos na sua auto estima e, com isso, preenchê-los. Ao fazer isso a pessoa constrói a confiança pessoal de que tanto precisa para abrir-se ao mundo.

Não melhorar a auto estima implica em pessoas que “não precisam” dos outros ou daquelas que fazem qualquer negócio para ter uma companhia – e terminam sendo descartados por se tornarem insuportáveis aos outros. O primeiro tipo é aquele que busca na arrogância uma proteção contra a sua própria solidão, vê o mundo como chato e enfadonho e as pessoas como não merecedoras do seu afeto, projeta aos outros a solidão e dor que sente em si. Desta maneira trata as pessoas como desiguais e inferiores, quando encontra alguém à sua altura tem uma abertura sempre ansiosa e desconfiada a qual faz com que a pessoa encontre evidências que digam que é melhor fechar-se novamente. Outra opção é que a pessoa se torna tão chata e arrogante que não consegue, de fato ninguém para aproximar-se, e então acaba comprovando para si a ideia de que as pessoas são – todas – chatas e é melhor ficar sozinho. O segundo assume a culpa de ser inferior e mendiga afeto com qualquer pessoa, em geral, alvo fácil de pessoas que precisam de alguém para desdenhar e de tanto serem pedintes com relação ao afeto acabam desgastando a  relação o que só comprova a sua teoria de auto culpa.

O caminho de melhora da auto estima revela-se quando a pessoa aceita a dor e o medo da solidão. Ao assumir isso pode-se buscar as ideias que causam a identidade de “excluído”. Quando se faz isso busca-se nas relações importantes da pessoa a dinâmica que a faz assumir este papel assim como a maneira pela qual ela mantém o papel (comprovando-o). Seja pela via da arrogância ou mendigando afeto a pessoa deve compreender as emoções que guarda dentro de si, lidar com elas, perdoar quem precise perdoar e passar a aprender como se abrir e trocar afeto de uma maneira saudável.

E você, como lida com a exclusão?

Abraço

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Relações de coração
26/01/2015

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  • Estou com vergonha.

  • Do que?

  • Bem… eu acabei indo na festa do meu namorado.

  • Ah… aquela “perda de tempo” de semana passada?

  • É.

  • E porque está com vergonha?

  • Porque foi bom!

  • E porque envergonhar-se disso?

  • Bem… é que eu fui muito chata e hipócrita com ele.

  • Ah, bem, disso sim sentir vergonha… mas uma boa vergonha… de aprendizado não?

  • É… verdade… ele tem muito à me ensinar.

 

Há um pensador que diz que quando entramos em uma discussão verdadeiramente, não sabemos como ela terminará. Eu acho que esta frase fala muito sobre as relações de hoje. Porque?

Vivemos num momento em que as relações – assim como as pessoas – parecem existir apenas para satisfazer aquelas ideias pré concebidas que temos à respeito do mundo, de nós e da própria vida. Criamos um “como deve ser” em nossa mente e temos entendido que o resto da criação deve atender à esta criação. Ledo engano.

Se uma pessoa faz isso, a outra também o faz e aí o que ocorre? Em meu consultório o que vejo são brigas intermináveis porque nenhum dos lados sabe como lidar com a frustração e muito menos com o “outro” enquanto ser humano. Porém além disso nenhum dos dois sabe lidar com a relação de uma maneira não-comercial, ou seja, de uma maneira humana.

Ocorre que quando dois seres se juntam eles se misturam de uma certa maneira, a relação é algo vivo que acaba por transformar os envolvidos, porém essa transformação só ocorre quando é permitida. Em geral não se permite pois esta permissão é vista como algo negativo, as pessoas não tem desejado alguém que as toque e mexa com elas, mas sim alguém que, simplesmente, atenda aos seus desejos e impulsos.

Quando o outro deixa de ser um produto para satisfazer os meus desejos de “como as coisas devem ser”, passo a reconhecer como ele é, o que pensa, sonha e deseja, aprender a lidar com ele, aceitar as características e, principalmente, redefinir aquilo que penso que uma relação é. Ela deixa de ser um simples acordo de satisfação mútua de desejos e passa a ser um processo de desenvolvimento pessoal e de transformação onde a individualidade de um me afeta, me muda e eu a minha própria faz o mesmo.

Isso é o que ocorre em terapia. A relação terapêutica é a base do processo e ver o outro como um ser e ajudar este outro a me compreender como um ser faz com que a intimidade possa ocorrer e, com ela, uma verdadeira relação – no sentido latino da palavra “religare” que significa ligar de novo. Ligar o que? Eu ao meu próprio processo de crescimento através da relação com um outro ser que, como eu também está no seu desenvolvimento.

E você, muito incomodado porque o outro é diferente? Que tal viver esta diferença e se transformar?

Abraço

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Dentro e fora
12/01/2015

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Todo comportamento está dentro de um contexto. O significado desta frase é que tudo está em relação, ou seja, os pensamentos que temos e chamamos de nossos possuem uma relação com o mundo no qual vivemos. Mesmo as ideias originais e revolucionárias tem relação à algo que existe ou à falta de algo que não existe ou ainda a algo que “não existe”, mas seria muito bom de existir “aqui”.

Saber disso não é tornar-se uma vítima do social ou compreender que apenas pensamos o que os outros querem. Essa reflexão leva para uma lei de causalidade, a saber: o outro e/ou o mundo causam meus pensamentos. Esta ideia não se sustenta porque se o outro determina o que penso, quem determina o que o outro deseja que eu pense? Somente um “outro” “outro” poderia fazer isso, mas e quem faz isso por ele? E assim entra-se numa regressão infinita buscando pela “causa primeira”.

Compreender isso é saber que o comportamento busca uma relação no mundo externo e uma resposta deste mundo. Ou seja, ninguém se comporta “por acaso”. Todo comportamento está ligado à fenômenos e se relaciona com eles. Dessa maneira evita-se a regressão acima colocada porque dá à pessoa a responsabilidade de relacionar-se de alguma maneira com o meio, há um envolvimento do indivíduo e do meio também. Ao não se negar nenhum dos envolvidos entende-se que a ideia de inter relação é a que melhor explica – até agora – os nossos comportamentos.

Ao dizer isso ao leitor quero chamar para a seguinte reflexão: o que você espera dos comportamentos que tem tido? Pergunta ampla? Sim, extremamente. Quando faço uma pergunta assim busco deixar o foco em aberto para que a pessoa o busque por si só ou, então, que a amplitude seja o foco.

Neste caso a pergunta assume um caráter de reflexão mais existencial que o levará para as perguntas: o que tenho esperado da minha vida? O que imagino que vou conseguir correndo tanto como corro? Respeito? Amor? Dinheiro? Para que isso é importante para mim nesse momento? É algo que estou conquistando ou algo que simplesmente promete tapar algum buraco em minhas emoções?

Quando nos perguntamos à serviço do que está o nosso comportamento a reflexão faz um balanço entre o dentro e o fora, ou seja, entre aquilo que penso, sinto e digo à mim e aquilo que realmente quero do ambiente e aquilo que tenho obtido. Muitas pessoas querem ter amigos e seu comportamento não leva ela à isso, ela pode dizer-se que as pessoas não a entendem. Mas, como seria se, ao perceber que deseja mais amigos ela pudesse brincar com seu próprio comportamento e ousar outras atitudes? Ou ainda mudar a explicação que dá para si de sua solidão? Ou ainda questionar para que deseja amigos?

A intenção dessas reflexões não é julgar como bom ou ruim, mas sim tomar consciência. Porque isso é importante? Porque é a partir do momento que percebemos algo e que esse “algo” passa a existir em nossa consciência que se pode tomar alguma atitude frente à esse “algo”, enquanto não se faz isso ele permanece em nosso mundo, nos incomodando porém sem termos poder de ação sobre ele.

O convite de hoje, então, é: amplie sua consciência compreendendo o seu comportamento além da barreira da sua pele buscando seu significado no mundo mais amplo que o cerca e, quem sabe, isso possa lhe trazer ótimas respostas?

Abraço

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Poder e motivação
03/12/2014

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“Cuidado com o que deseja, pois podes obter” provérbio grego

 

  • Eu me senti muito estranho ontem.

  • O que aconteceu?

  • Então, nenhum daqueles meninos que eu tô saindo me mandaram mensagem o dia todo!

  • Sério?

  • Sim.

  • E o que você sentiu?

  • Ah, foi estranho… foi como se eu não prestasse…

  • Nossa… que duro isso!

  • É, mas foi como eu me senti.

  • Duro ficar só contigo né?

  • É… é como se eu tivesse ouvido meu pai me dizendo: “você nunca vai ser amada por ninguém”.

  • Sim… eu imagino. O que você pode perceber nessa situação para te ajudar a evoluir?

  • Que eu tenho que ver mais o medo que eu senti ontem.

  • Ótimo… o que tem ele?

  • O medo que eu senti de ficar só, a sensação de “eu não presto”… eu acho que tenho criado o meu “poder pessoal” para fugir disso.

  • Sei…

  • E, na verdade… acabo não definido o que eu realmente quero buscar, daí quando essas muletas caem eu me desespero sabe?

  • Entendi, perfeitamente!

 

Ter poder é “ter potência para”, ou seja é ter capacidade de realizar algo, é a resposta para a pergunta: “Você pode? Sim, eu posso”.

Poder é diferente do que motiva o poder. Assim várias pessoas podem ter o mesmo tipo de poder e terem motivos completamente diferentes para tê-lo assim como ideias distintas sobre para que aquele poder serve. Isso é algo extremamente importante quando se trata do tema do poder porque é com base nesta motivação que a pessoa fará suas escolhas assim como irá julgar os seus resultados.

A canção “O preço” do Engenheiros do Hawaii diz: “agora eu pago os meus pecados por ter acreditado que só se vive uma vez”. Esta frase deixa claro que o que motivou ele foi a concepção de que “só se vive uma vez” e, em detrimento deste pensamento ele “fez os seus pecados” os quais, agora ele “paga”. O que o fez usar o seu “poder” foi aquela noção de vida e isso o faz se arrepender agora.

O poder, em si, não é certo ou errado, ele esta acima daquilo que chamamos de “moral”. Ele se torna moral ou não moral quando o empregamos com determinadas concepções. Daí que muitas vezes em consultório o trabalho que desenvolvo não é de ajudar a pessoa a gerar novas competências, mas apenas de adequar motivações. Ao fazer isso o mesmo comportamento assume um aspecto completamente distinto do anterior e a pessoa sente-se melhor com ele e consigo mesma. É o famoso “fazer a mesma coisa de outro jeito” ondo o “outro jeito” pode ser lido como com outra motivação. Conversar com alguém porque queremos e por obrigação ilustra bem o fato e mostra como podemos ter o mesmo comportamento com noções bem distintas.

Para que faço isso? O que espero, de fato, conseguir com isso?

Estas duas perguntas nos ajudam a determinar a motivação do que estamos fazendo. Quando nos perguntamos isso buscamos o resultado esperado das nossas ações. A resposta à esta pergunta pode ser algo como “não quero mais me sentir mal” ou algo como “busco uma melhor qualidade de vida para mim”. A ideia é poder especificar cada vez mais até que a ideia geral se torne mais concreta. “Buscar uma melhor qualidade de vida” pode significar quero ter saúde física, quero me sentir em paz com minhas escolhas, quero ter certeza do que faço ou várias outras. “Não quero mais me sentir mal” pode ter uma conotação de não querer sentir determinada emoção ou passar por determinadas situações.

Para que isso é importante?

Quando nos perguntamos para que isso é importante estamos querendo compreender qual o valor daquilo para a pessoa, ou o que ela espera que virá a partir daquilo. Então se desejo “melhor qualidade de vida” onde isso significa “me sentir em paz com minhas escolhas” pode-se dar à isso uma grande importância ou uma pequena importância. Ainda mais: a coisa pode ser importante por significar um valor de “liberdade”, ou seja, se estou em paz com minhas escolhas sou livre, senão me sinto preso. Sentir-se em paz com suas escolhas pode, ainda, significar “ter feito pelos motivos certos”, então se a pessoa sente paz, sabe que está “fazendo a coisa certa” e isso a deixa em paz pois “fazer o certo” é algo importante para ela.

Compreender aquilo que nos motiva é importante pois dá o poder de nos conhecer melhor assim como de mudar o curso de nossas ações. Foi como havia colocado: muitas vezes a ação pode permanecer a mesma, mas a motivação e a sensação interna podem mudar drasticamente. No caso acima, por exemplo, tudo o que a pessoa desejava era mostrar ao pai que tinham muitas pessoas atrás dela. Nos valores familiares o valor quantidade era importante e assim, ela compreendeu que se tivessem muitas pessoas atrás dela isso provaria que estava sendo amada.

A armadilha é que aquilo não combinava com seus valores pessoais. Assim, mesmo tendo o poder e tendo o sucesso na empreitada, sentia-se de alguma forma “mal”. Não conseguia engajar numa relação mais duradoura ou abrir-se nelas. Deveria ser aquela pessoa que “capta” pessoas para orbitarem ao seu redor, mas abrir-se era algo que não estava incluso nos planos e justamente o que essa pessoa sentiu, mais tarde, ser o que ela desejava. Quando pode assumir esta motivação ela passou a fazer o que já fazia, mas com uma outra perspectiva.

Abraço

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Tão você
24/09/2014

 

use

  • Eu descobri uma coisa sobre o meu término

  • O que foi?

  • Que o pior não foi ter terminado.

  • Não… o que foi?

  • Eu já não estava muito bem antes.

  • Sei.

  • E isso foi o pior, porque eu entendi algo que me deixou bem mal

  • O que?

  • Que eu tinha me deixado… muito antes de ter sido deixada.

  • Hum… cruel não?

  • Sim e até percebo que ele não poderia me amar mais mesmo, porque eu me abandonei… não era mais uma pessoa “apaixonável”

  • Sim… entendo…

 

Quando entramos em um relacionamento é natural que a nossa identidade se dissolva levemente na identidade do outro e na relação em si. Isso é um processo natural, normal e que é saudável para a manutenção e crescimento da relação. É quando começamos a nos pensar em relação ao outro e em relação à nossa própria relação. Quando uma decisão é refletida a partir do nosso querer e do que é melhor com relação à um terceiro e à relação que tenho com esta pessoa.

Quando a pessoa, no entanto, passa a refletir tudo apenas em relação ao outro existe um problema. O que não é saudável é quando a relação e o outro são colocados em primeiro lugar e/ou sempre em primeiro lugar. Porque isso é danoso? Pelo fato de que isso coloca as necessidades pessoais de quem age assim sempre em segundo plano e elas não podem estar sempre em segundo plano, outro efeito colateral é sentir culpa pelo fato de desejar alguma coisa que é tão danoso quanto o primeiro.

Se o conjugue se torna o único da relação não existe mais relação. Tudo o que ocorre passa a ser um pedido desesperado por afeto e aprovação. Esta humilhação desgasta qualquer pessoa e qualquer relação, é apenas quando existe um parceiro com quem interagir que algo pode ocorrer. Você pode dançar sozinho, mas não pode dizer que está dançando de dois enquanto dança sozinho. A pessoa que coloca o outro sempre em primeiro lugar está fazendo exatamente isso, deixando o outro dançar sozinho. É uma forma de abandono porque quando a pessoa se abandona ela deixa o outro sem ela e é uma dor muito difícil e estranha de ser sentida.

Para reverter o quadro não basta voltar a fazer as coisas que você gosta de fazer. Isto é importante e necessário e faz parte de um processo que é aprender a se recolocar perante si mesmo em primeiro lugar. Este é o processo mais importante. Aprender a merecer novamente apenas por si, dizer “nãos”, colocar a sua vontade e, por vezes, fazer algo sozinho. A relação lucra muito quando ambos conseguem ter vidas próprias além da vida em conjunto. Novamente, como eu disse existe algo saudável em deixar sua identidade se fundir com o outro e com a relação, porém os limites precisam ser estabelecidos e o limite é quando eu sei que eu ainda sou eu e tenho esta diferença bem posicionada. É quando sei que amo o outro e mesmo assim sei que não preciso concordar com ele em tudo e que não preciso ceder à tudo para ser amado por ele.

É importante que fique registrado que o fundamental não é o afastamento do outro, mas sim a aproximação consigo. Não se trata de não fazer porque é o outro quem está pedindo, mas sim de não fazer – por exemplo – porque é algo que me agride, com o que não concordo radicalmente. Ou então, de se permitir fazer algo que seu conjugue sugeriu porque lhe parece uma boa dica. Sempre coloco para alguns clientes que você só se perde numa relação caso se abandone, não é o outro – neste sentido – que nos abandona, mas sim, inicialmente, nós mesmos. A dor de perder alguém que amamos só pode ser comparada à dor de perdermos a nós mesmos. A boa notícia é que estamos aqui para podermos reatar o contato conosco, para isso, precisamos abrir o peito e ousar novamente.

Abraço

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