Desistir ou continuar?
31/10/2014

duvidas

  • Não sei mais se estou querendo fazer isso…

  • Ah é? Que coisa, você estava tão empolgado.

  • Pois é…

  • O que você está sentindo em relação à tua escolha?

  • Eu estou meio… com preguiça eu acho sabe? Não sei se vai ser tão legal.

  • Entendo… o que será que está motivando essa preguiça?

  • E preguiça tem motivação?

  • Tem… me diga assim ó: qual a dificuldade você está enfrentando?

  • Nossa… bem sei lá… sabe que eu vou ter que lidar muito com pessoas né?

  • Sim, qual o problema?

  • Esse… não gosto muito disso.

  • E não pode aprender a lidar com isso ao invés de largar?

  • É…

 

Sempre digo que mudanças trazem mudanças. Às vezes as pessoas não executam mudanças em suas vidas não porque não sabem o que querem, mas sim porque não querem ou não sabem enfrentar as mudanças que sua mudança irá trazer.

Frente à pequenas mudanças que por vezes precisam fazer as pessoas acabam desistindo de suas escolhas. É importante desenvolver critérios bem definidos para saber quando realmente vale à pena abdicar de uma escolha feita em detrimento de uma mudança que você precisará fazer para sustentá-la. Em geral, no entanto, esta escolha não trata apenas de fatores como aquisição de comportamentos novos, ela também pode ter relação com processos inconscientes da pessoa que a impedem de se haver com temas que ela não consegue sustentar sozinha.

Um exemplo comum tem a ver com não perder o “conforto da casa dos pais” que é um substituto muito interessante para a relação de dependência que se tem com os mesmos pais. Em outras palavras, a pessoa que deseja sair de casa, mas não o faz porque não quer começar a lavar sua roupa e fazer sua comida – perder o aconchego do lar – pode estar falando, na verdade, de como ela é dependente de seus pais e da relação que tem com eles.

Desta maneira além de aprender a lavar, passar, fazer comida e cuidar da casa ela também irá ter que se haver com o rompimento da relação dependente e da sua posição de dependência em relação à seus pais. A dependência é antes de mais nada um posicionamento psíquico, ou seja, a pessoa se enxerga como dependente e se coloca desta maneira nas suas relações com as pessoas e consigo mesmo.

Perceber-se capaz de sustentar suas ideias, posicionamentos e escolhas é algo complicado para a estrutura de dependência. Sempre que ela imagina uma ação no futuro busca por referências de outros que lhe darão suporte ou que vão tentar impedi-la. De uma forma ou de outra ela não consegue se perceber sem este outro na execução de seus propósitos pessoais e isso a impede de ter atitudes simples que irão ajudá-la a resolver seus problemas.

O primeiro desafio é desenvolver seus critérios e aprender a sustentar estes critérios de maneira independente. Aprender a ter uma relação com o outro na qual a pessoa pode sozinha ter definições. Ao perceber-se de maneira independente ela conseguirá também  entender que pode ter respostas sozinha e, com isso, enfrentar seus problemas. Este arranjo envolve não apenas a aquisição de comportamentos como já disse, envolve, também, uma mudança na identidade da pessoa que passa a se perceber de maneira distinta de seus pais e pares, desenvolvimento de crenças que apontem para uma resolução individual – algo como “sim, eu posso fazer isso sozinho”, “isso é minha responsabilidade – e junto com isso comportamentos também que são a manifestação de todo este processo interior.

O que realmente tem impedido você de seguir com suas decisões?

Abraço

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Colapso
19/09/2014

cupido

  • E foi nesta semana que eu percebi o que aconteceu comigo.

  • Hum, me conte.

  • Sabe… as coisas aconteceram tão rápido e com uma intensidade tão grande…

  • Sim.

  • Eu não estava me sentindo direito… agora só que eu percebo o quanto que eu me larguei… a verdade? Eu não aguentava mais.

  • Exato. Também via isso.

  • Eu queria continuar… estava fazendo isso… mas não conseguia mais… estava demolida por dentro, mas não conseguia nem perceber.

  • Sim… isso acontece quando estamos demolidos por dentro… nem percebemos.

  • É… esta semana foi que percebi isso sabe?

  • Que bom, agora você pode se cuidar melhor então não é?

  • Sim…

 

O tema de hoje é como a foto: duro e chocante.

Stanley Keleman nos fala sobre as “agressões à forma” que todos nós sofremos e que são importantes para o nosso desenvolvimento. São elas que nos ajudam a usar o nosso corpo, nossa mente e emoções de maneiras diversas para crescermos. Porém, em algumas situações as agressões são muito intensas ou muito repetidas ou ainda não temos as habilidades necessárias para lidar com elas de maneira que nossa forma – usando a linguagem de Keleman – começa a sofrer danos mais consideráveis.

Existe um continuum, ou seja, estágios pelos quais a forma passa enquanto está sofrendo estas agressões. O último destes estágios é o colapso. É quando o organismo assume um nível basal de existência apenas para manter as funções básicas existindo. Há uma diminuição de tudo no organismo para “ficar menor” e assim buscar evitar a agressão ou receber o menor impacto possível dela. Este último refúgio é muito danoso ao aspecto emocional e psíquico.

Pela teoria de Keleman podemos pensar no colapso de duas maneiras: a primeira como uma estrutura que já vem com a pessoa desde muito cedo em detrimento de suas histórias familiares e de vida como um todo. Trata-se, neste caso, de um colapso à longo termo que faz parte de como a pessoa funciona no mundo, percebe o mundo, as pessoas e à si própria. A segunda maneira é de perceber o colapso como reação à uma agressão ocorrida num determinado momento da vida, como um sequestro, por exemplo. É sobre este segundo aspecto que vou falar porque ele é super comum em minha prática clínica.

O colapso vem quando a agressão é demasiada forte, muito prolongada ou quando a pessoa não possui as habilidades para se defender adequadamente. Ela faz, então, uma retirada estratégica do mundo, diminui sua libido assim como sua sexualidade, ela começa a orbitar as relações humanas, busca por auxílio mesmo sem estar em contato, ou seja, quer suporte, mesmo se isolando. Toda a energia da pessoa – e ela possui – fica represada dentro dela, não há motivo para ir para o mundo, “não vale a pena” é o que ela pensa.

Esta frase “não vale à pena” mostra uma completa resignação, obediência e falta de esperança não apenas em relação ao mundo, mas à si mesmo. O desespero, sensação de abandono, fraqueza são alguns dos estados emocionais comuns neste momento. Apatia, falta de interesse, desejo de contato e medo de contato ao mesmo tempo, se mostram numa busca por estar vivo e ao mesmo tempo medo desta experiência – que já se mostrou tão danosa.

Quando uma pessoa se encontra em colapso, tudo aquilo que move um ser humano em direção à felicidade foi tão severamente punido que ele teme este impulso e precisa jogá-lo para dentro de si, ao mesmo tempo que anseia colocar este impulso para fora a pessoa também o teme. Este é o grande drama até porque ela não sente – e muitas vezes não possui – a força necessária para suportar esta energia.

Assim quando o colapso ocorre o erro é desejarmos sair dele. Porque é um erro? Porque se a pessoa tivesse os recursos  necessários para sair ela não teria entrado em primeiro lugar. O que precisamos fazer é dar suporte num primeiro momento, ajudar a reconhecer o colapso e a partir disso ajudar a pessoa a – na linguagem de Keleman novamente – a inflar, a se tornar ereta e crescer. O apoio à auto estima, ajudar a pessoa a reconhecer seus ritmos e desejos, sentir e conter a excitação emocional para gerar a energia e a estrutura que ela precisa para dar seus passos.

O principal ponto em relação à estrutura colapsada não é o “fazer”, mas sim desenvolver dentro dela um recipiente que possibilite que a energia transite no corpo, dê ao mesmo sustentação, excitação e tensão suficientes para suportar o contato com seus desejos e com o mundo. Restaurar a pulsação e o contato com o interno e o externo é o que vai ajudar a pessoa a perceber que “é possível” e que “pode valer à pena”. Isso é muito mais importante do que o ato de “fazer qualquer coisa para parecer bem” que é o que a maior parte das pessoas deseja fazer. Pois é a partir desta restauração que a pessoa conseguirá dar seus passos e fazer algo, mas o grande drama do colapso não é fazer ou não fazer, mas sim se permitir sentir novamente e perceber que vale à pena ir para a vida.

Abraço

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Perdendo o controle
09/07/2014

redbullstratos

  • Eu estou me cansando já daquele rapaz!

  • Ah é, porque?

  • Oras… eu faço um monte de coisas e ele continua insistindo nesse jeito babaca de ser.

  • Entendo… o que você sente com isso?

  • Me sinto uma otária.

  • E como você lida com esta emoção?

  • Bem… em geral eu ficava meio raivosa e daí continuava querendo fazer ele entrar na minha entende?

  • Claro e agora?

  • Agora… eu tenho percebido que é importante para mim ter a companhia de pessoas… mas que eu posso escolher melhor com quem ter esta companhia.

  • Entendo e concordo! Deixa ele um pouco pra lá então?

  • Deixa!

  • Como você se sente ao fazer isso?

  • Muito mais leve e estranhamente mais “dona de mim” sabe?

  • Ô!

 

A necessidade de controlar está em geral associada ao medo. Faço uma distinção arbitrária entre controlar e administrar quando  trabalho com as pessoas para focar duas sensações internas distintas.

A primeira, o controle, está relacionada ao medo de se entregar, me de que as “coisas deem errado”, vontade de que tudo saia do meu jeito – porque se não sair eu não sei o que fazer e tenho medo disso. A rigidez é muito presente, a atenção enorme aos detalhes, a insatisfação constante com qualquer elemento que esteja “saindo do planejado”, a sensação – consciente ou não – de insegurança e a tensão física e emocional.

Controlar significa criar as regras fazer os outros jogarem de acordo com elas. Isso é importante numa linha de produção, por exemplo, porém em uma relação torna-se algo complicado e que destrói os laços. Para que uma pessoa precisa “criar as regras’? Porque não compreende direito as regras que existem, porque teme as pessoas, porque não se sente segura sobre a sua evolução pessoal. Todos estes relatos são o que ouço em consultório quando as pessoas começam a questionar a sua necessidade de controlar.

O problema é que o controle é uma estratégia que à longo prazo é muito custosa de ser mantida e pouco eficaz. Para que a pessoa tenha um controle pleno da situação ela precisa ser dona da situação e esse é o problema. Num casamento o exemplo clássico é o marido inseguro que para controlar a esposa utiliza a questão financeira sendo o provedor da casa. Ora, manter esta estrutura num período de dois anos é uma coisa, manter isso durante 50 anos é outra, ainda mais nos dias de hoje.

Outro exemplo é na relação entre pais e filhos onde um ou ambos os pais precisam que os filhos sejam subalternos e dependentes para que eles sintam-se seguros. Manter este controle além de deteriorar a vida pessoal dos filhos é extremamente custoso no sentido de que os pais envolvem-se em destruir continuamente a livre expressão dos filhos assim como sua capacidade de autonomia. Entretanto, este é o preço do controle, pois para controlar é necessário que tudo fique sempre da mesma maneira, que as regras sejam seguidas sempre não importa o que aconteça.

E esse é o ponto onde controlar torna-se complicado: numa linha de produção, por exemplo, tudo irá sair sempre do mesmo jeito, esta é a natureza daquela atividade. Uma relação, um trabalho e a vida de uma maneira geral não funciona assim, ela está em permanente mutação e evolução. Aquilo que servia antes, não serve mais. Em um exemplo da economia: o Brasil quando saiu da inflação para o plano real teve muitas empresas que faliram porque as regras do jogo mudaram completamente. Elas eram organizadas para lucrar com a inflação, quando a estabilidade veio não conseguiram se estabilizar junto e então faliram.

Refletir sobre isso é aprender a sair do controle. A vida muda, as regras mudam, as situações e pessoas evoluem, assim, como vou, neste novo cenário conseguir aquilo que é importante para mim?

É neste tipo de raciocínio que meus clientes controladores começam a perceber que não precisam controlar o mundo, mas sim administrar as suas necessidades pessoais. O primeiro passo é perceber a ineficiência do controle, além de seu alto custo e da sua inadequação à vida; o segundo passo consiste em perceber quais as suas reais necessidades pessoais e o terceiro em como garantir para você, com as suas atitudes estas necessidades.

A passagem é de controlar o mundo para administrar as suas próprias reações, o seu próprio desejo e as suas necessidades pessoais. Ao assumir a responsabilidade pelo que se deseja a pessoa começa a ser mais competente porque verifica em si e para si o que fazer para conseguir sentir-se bem, daí a necessidade de controlar o mundo diminui e ela fica mais atenta à si. Administrar torna-se algo flexível porque acompanha o processo vital da pessoa e as mudanças em sua percepção de mundo e de si mesma, foca sempre a pessoa e o que ela pode fazer para conseguir aquilo que deseja, não cria regras para os outros, mas sim para a pessoa seguir. A atenção aos detalhes diminui e fica restrita aos que são realmente importantes, as “falhas” passam a ser encaradas como aprendizados e a pessoa torna-se mais leve com isso.

Um outra mudança importante é a relação da pessoa com a sensação de insegurança. No controle esta sensação é tida como inimiga, quando se administra a própria vida ela se torna aliada. Porque? Pelo fato de que a insegurança faz parte de qualquer pessoa de bom senso: visto que o futuro é sempre imprevisível, não se pode ter certeza absoluta de nada, assim sendo um nível mínimo de insegurança faz parte quando nos lançamos em nossos projetos pessoais. Ela, inclusive, ajuda a pessoa a ficar atenta ao que está fazendo e a perceber se os resultados que deseja estão vindo ou não. A insegurança torna-se parte do processo de criar segurança, num continuum insegurança – aprendizado – segurança.

E você o que prefere: manter a ilusão de que você pode controlar um mundo que não é controlável ou aprender a buscar para si a sua paz de espírito?

Abraço

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Intensidade amedrontadora
04/07/2014

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  • Eu não sei porque ele fica falando isso para mim sabe? Me irrita!!

  • Sim, sei sim. Entendo a sua irritação e concordo com ela.

  • Pois é! Parece que quer ficar espinhando minhas coisas!! Me deixa!

  • Você sente um medo grande das tuas “minhas coisas” né?

  • Ai… você também?!

  • Eu o que?

  • Falando disso?

  • Bem, sou seu terapeuta não? Prefere falar da Copa?

  • Não… mas ai… não gosto disso…

  • Não gosta ou teme?

  • Você sabe…

  • Será que se você se permitisse tocar nisso, seria tão doloroso quanto você acha que é?

  • Não sei!

  • Sabe… quando tentamos controlar o medo ele fica maior porque temos que dar mais atenção à ele.

  • E daí?

  • Daí que muitas vezes fugimos de coisas que não são tão grandes assim…

  • Tenho medo sabe? Sei lá…. parece que é uma coisa maior que eu…

  • Mas está dentro de você, então não pode ser maior… vamos juntos?

  • Tá…

 

Stanley Keleman foi o autor que me chamou a atenção pela primeira vez para o fato de que a intensidade de uma emoção pode ser tão agressiva e amedrontadora quanto um assaltante violento.

Muitas pessoas possuem sentimentos muito fortes, tão fortes que a intensidade incomoda, amedronta e a pessoa prefere não sentir a emoção. As estratégias para “fugir da emoção” são várias: desde a racionalização, passando pela negação até uma crise psicossomática.

Quando a pessoa foge de suas emoções ela vai ter que, invariavelmente, criar um mecanismo de controle sobre ela. Este mecanismo é o grande problema. Quanto mais a pessoa precisa controlar a emoção, mais ela precisa focar na mesma. Quando se faz isso aumenta-se o foco na emoção, é como ver algo com uma lente de aumento.

As pesquisas mostram que quanto mais a pessoa tenta controlar pior fica a sensação de descontrole frente à emoção e este é o motivo pelo qual ela se torna agressiva: a pessoa sente que não consegue controlá-la e que ela, por isso, vai “assumir o controle” ou vai maltratar a pessoa. Assim sendo quanto mais controle, na verdade, menos controle. A expressão da emoção no sentido da catarse muitas vezes também não é uma alternativa interessante visto que muitas pesquisas também mostram que esta técnica possui um alcance limitado e, em geral, mantém o problema depois da descarga de energia.

Então, o que fazer?

É importante perceber que, em geral, a sensação que a pessoa teme não é apenas a da emoção, mas a do descontrole causado pela emoção. O primeiro ponto é ajudar a pessoa a perceber que determinadas reações são fortes, mas não são destrutivas, elas podem parecer “grandes demais”, mas “fazem parte”. Algumas vezes precisamos até mesmo treinar a pessoa em relação a como reagir sobre as reações fisiológicas causadas pelas emoções para que ela sinta-se mais “dona de si” quando essas sensações surgirem.

Em segundo lugar começamos a ajudar a pessoa a compreender melhor a emoção que ela mesmo sente, ou seja, a emoção intensa e amedrontadora. Com isso a pessoa pode compreender a mensagem que a emoção tem para passar para ela. Cada emoção nos envia uma mensagem sobre nosso momento, sobre uma determinada situação ou sobre algo que queremos fazer. Aprender a ouvir esta mensagem e organizar respostas adequadas para ela é um fator fundamental no sucesso com as emoções.

Estes dois passos simples ajudam muito para diminuir o medo em relação à intensidade emocional. Eles ajudam a pessoa a retirar um pouco a lente de aumento e a perceber a emoção de uma maneira mais útil, menos amedrontadora e com isso ela passa a fazer as pazes com sua própria intensidade emocional.

Abraço

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Insuficiência
07/05/2014

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  • Mas não sei de verdade se é isso que eu quero?

  • Não sabe ou não quer assumir?

  • Ah Akim… sei lá… parece que é tão bobo querer isso.

  • Bem, se você tratar o seu desejo desta maneira, assim será…

  • É né?…

  • O que te faz tratá-lo assim?

  • É que… não sei se basta eu querer entende?

  • Sim, como se você tivesse que querer e fazer mais alguma coisa… o que é?

  • Ah, não sei…

  • O que te permitiria ir atrás daquilo que quer?

  • Hum… talvez se eu tivesse alguém que me dissesse que está certo o que eu quero.

  • Você não consegue julgar isso por você mesmo?

  • Quem sou eu para fazer isso?

  • Quem é você para não fazer?!

 

 

Em momentos como esse pensamos: “nossa… é mesmo”. A questão é sou ou não sou “suficiente”?

Em geral as pessoas desejam ter uma aprovação dos pais ou do grupo ao qual pertencem, isso é algo saudável  natural ao ser humano. O problema surge quando esta aprovação assume o caráter de permissão à respeito do que a pessoa irá fazer ou deixar de fazer.

Quando isso ocorre a aprovação não é apenas uma questão de “gostei ou não gostei”, ela assume um caráter que dita se a pessoa está fazendo as coisas de maneira correta, se não está e se ela é competente para realizar isso ou não. Porque isso é um problema? Porque muitas vezes o grupo, pais ou família podem não considerar uma competência que é muito importante, porém não é valorizada naquele ambiente. Ou então a família pode ter determinadas crenças limitantes que acabam sendo incorporadas pela pessoa e tratadas como verdade e paralisam a ação (você já ouviu um pai dizer ao filho “homem não chora”?).

Outra questão um pouco mais profunda tem a ver com a identidade da pessoa. Muitas vezes a necessidade de aprovação e a dinâmica familiar guiam a pessoa a se compreender como alguém que “deve” (nos dois sentidos da palavra) ser subalterno, por exemplo. Quando a aprovação recai nas competências a pessoa precisa de alguém que diga que o que ela faz é algo bom; quando recai na identidade ela precisa de alguém que diga que “ela” é boa. A noção de quem somos se torna um grande problema para nós porque ao mesmo tempo que nos define age contra nós ao nos manter com comportamentos inadequados e em situações de risco.

Quando os dois problemas se misturam temos uma questão grave pois a pessoa não mais se entende “suficiente” para dar conta de sua própria vida, além de ser alguém “ruim” é, também, “incompetente”. O traço mais claro de quando estamos numa situação como essa é esse que vimos acima: a negação da validade do próprio desejo. Em geral o desejo é negado quando a pessoa e sua noção de identidade foram negadas, ridicularizadas ou rejeitadas por pais e família. A pessoa aprende que aquilo que ela se diz que é e que quer não é digno de nota, esconde esta auto imagem junto com os desejos e assume uma nova mais condizendo com aquilo que se espera, porém a outra parte permanece irrompendo em momentos de estresse, por exemplo.

É neste momento em que a pessoa precisa aprender a rever seus conceitos sobre si mesma e a reavaliar os resultados que tem conseguido ao longo de sua vida nas suas empreitadas. Isso é um começo para ajudar a pessoa a redefinir quem ela é e o que pode ou não fazer.

Abraço

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O “seu” processo
07/03/2014

– Mas eu tenho medo de que, se eu relaxar, a coisa toda se solte.

– Entendo, o que te faz ter esse medo?

– Ah, isso já aconteceu antes sabe?

– Perfeito, gostaria que se lembrasse de uma dessas situações e que entre em contato com você naquela época, pense o que pensava, sinta o que sentia.

– Certo.

– Olhando daqui para o que você sentiu e o que motivou as suas ações lá me diga: você estava em contato e paz contigo?

– Não.

– Ótimo.

– Na verdade… pensando bem… eu estava ansioso nessa situação e pensando no que eu deveria fazer… eu me sentia relaxado, mas era como se fosse só o corpo sabe?

– Claro.

– Perfeito… agora eu quero que você entre em contato com esta sensação de estar em paz consigo e busque no seu passado momentos em que você se sentiu assim e tomou decisões e me conte se foram boas decisões.

– Ok… Eu estou me lembrando de várias vezes que eu estava bem comigo mesmo… olhando daqui me dá até uma saudades não só da sensação sabe?

– Do que mais?

– De estar sendo quem eu era naquele momento… calmo, em paz, certo do que estava fazendo… centrado em mim entende?

– Claro que sim! Perfeito, quero que entre em contato com este seu “eu”, como se você fosse ele agora e permita observar a sua vida, hoje, com aqueles olhos.

– É muito bom.

– Dá uma sensação de confiança?

– Sim, dá sim.

Por vezes as pessoas temem estar em contato com elas porque tiveram algumas experiências ruins no passado. Mas elas também tiveram boas experiências.

O medo é de que o processo da pessoa a leve para algo ruim, mas, por que temer isso?

Embora a pergunta pareça estranha, vale a pena refletir sobre ela. O medo de “seguir a sua intuição e “se dar mal” embora comum, precisa ser revisto.

Em primeiro lugar é importante perceber se realmente estamos em contato com nós mesmos. Muitas pessoas entendem que “estar em contato consigo” é “não estar em contato com as expectativas dos outros”, mas isso não é verdade. “Não fazer o que o outro quer” não significa que estou fazendo o que quero, significa agir em desacordo com o outro. Enquanto a pessoa está fazendo isso pode, ainda, não estar levando em consideração aquilo que deseja. Afrontar o outro não é, necessariamente, afirmar o seu desejo, eu e processo de evolução.

Em segundo lugar é importante entender que o “erro” o “se dar mal” é um resultado que indica, apenas, que você encontrou uma forma de não fazer o que você quer, ou que, naquele dado contexto, você precisa fazer diferente. Sendo assim existem duas formas básicas de encarar o “erro”: como um fracasso – e se colocar como uma vítima ou uma pessoa sem capacidade de fazer o que quer – ou como um resultado – e se colocar como uma pessoa ativa na própria vida, refletindo o que fez, como fez, os resultados que atingiu e o que pode fazer de novo para atingir os resultados que deseja.

Em terceiro lugar, o “erro” pode ser duro, porém será, ainda assim, uma manifestação de quem você é. Neste caso, em geral, as pessoas podem até não atingir suas metas, mas olham para o passado com gratidão de forma a perceberem o esforço em atingir o que desejam. Como a ênfase recai no esforço e na tentativa sente-se tristes por não terem conseguido e, ao mesmo tempo, felizes de terem se usado de uma maneira que achavam adequada. É o famoso “eu tentei”.

Quando unimos estes três elementos temos uma poderosa fórmula contra aquele medo e percebemos que ele é infundado. Podemos, com isso nos soltar ainda mais para viver quem somos e refletir sobre o que fazemos e os resultados que temos. A questão não é “não ligar para o que vai acontecer”, mas sim poder encarar os resultados e pensar ativamente se eles foram bons ou não para nós mesmos.

Ainda com medo?

Abraço

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Quando pensar atrapalha
16/10/2013

– Então, eu pensei um monte já sobre isso.

– E?

– E o que?

– O que você acabou por fazer?

– Ah, não sei sabe? Eu pensei que eu deveria ir lá e dizer para ela o que eu queria, depois pensei que era melhor eu esperar um pouco para falar no final de semana, mas daí eu resolvi não estragar o final de semana porque…

– Ah tá, ficou se enrolando então, é isso?

– Não… não é isso. É que eu tenho que pensar bem antes de dizer sabe?

– Sim, é claro, mas acho que isso já está mais do que pensado não é mesmo?

– Mas será que não tem um jeito melhor ainda do que esse?

– Como você pode saber que esse já não é bom o suficiente?

– É que… sei lá, vai que eu falo e ela fica braba?

– Bem, nunca dá para prever 100% a reação de outra pessoa né? Nem que passe a vida toda pensando… o que é algo comum em você não é?

– É… você acha que eu penso demais?

– Não acho nada, estou afirmando!

Pensar é muito importante. Agir de forma pensada empresta força e convicção às nossas ações.

No entanto, as pessoas confundem pensar e racionalizar. Você sabe qual a diferença?

O ato de pensar envolve uma pergunta, um desejo e está focado na realização desse desejo, ou na resposta desta pergunta. Dito de outra forma o pensar envolve uma finalidade. Assim sendo, quando a pessoa está “pensando” ela está procurando uma forma de agir e quando encontra esta forma ela age. Esta ação não tem a garantia de dar certo e a pessoa sabe disso, como todas as ações humanas ela está envolta num nível de risco e a pessoa assume este risco. Assim ela pode testar a hipótese que ela criou sobre o que deveria fazer, obter feedback do mundo externo e aprimorar a sua resposta ou simplesmente colher os louros daquilo que fez. Assim ela constrói mais conhecimento e mais comportamento.

O ato de racionalizar tem a ver com ficar remoendo as várias – e infinitas — hipóteses sobre “o que pode acontecer”. Diferente do ato de pensar o racionalizar não visa uma tomada de atitude, ele visa enumerar e refletir sobre o que poderia ser feito no caso “a”, caso “b”, caso “c”, caso “c.1”, caso “c.2” não chegando ao mundo externo ou definindo uma resposta para a pergunta que a pessoa desejava responder. Ao contrário do que as pessoas pensam racionalizar é se defender contra a experiência e não uma forma de se “preparar melhor” para a experiência ou de “fazer do melhor jeito”. Em geral quando a pessoa racionaliza ela busca uma “resposta perfeita” – que significa uma na qual o outro vá se submeter completamente ao seu desejo, solicitação – a qual não existe na prática, todas as nossas ações podem dar certo ou errado, é sempre um risco que corremos ao nos expôr, quando racionalizamos é porque queremos nos defender deste risco.

Porque nos defendemos contra esta experiência? Geralmente porque não sabemos como lidar com ela.

Isso ocorre por uma auto imagem deturpada: ou se perceber “ruim” demais ou “perfeito” demais. Por não querer perder um lugar na família ou no grupo – a pessoa acha que se der limites, por exemplo, as pessoas não vão mais gostar dela. Baixa auto estima: a pessoa não sente que merece nada melhor do que aquilo e que deve agradecer ao invés de reclamar. Falta de experiência: a pessoa nunca passou por aquela situação e não se sente confiante em lidar com ela. Estes motivos são os que mais encontro na minha prática, existem outros, procure sempre um profissional para te ajudar a definir o que é.

O que se pode fazer com isso?

A primeira coisa é identificar o motivo que te leva a se afastar da experiência – como estes que coloquei acima. Cada motivo deve ser trabalhado de uma forma diferente e envolve aprendizados específicos. Por exemplo, se a pessoa acha que pode perder o seu lugar no grupo é importante se perguntar: até que ponto dar limites faz com que os outros se afastem de você? Será que se dar o respeito afasta as pessoas? Não seria o contrário? Por aí se segue geralmente questões que envolvem o merecimento, fortalecimento da auto estima, definição de objetivos, desejos e a expressão dos mesmos.

O mais importante é a pessoa assumir que está racionalizando e se defendendo da experiência concreta, que ela está postergando uma atitude, um confronto ao invés de achar que está “esperando a melhor oportunidade”, “vendo o melhor jeito de falar/agir” ou “checando para ver se tem realmente razão no que está pensando”. Assumir o desejo de esquivar-se da situação é o primeiro passo, depois disso entender do que está se esquivando e aí sim, começar a trabalhar na causa e aprender a expressar o que precisa expressar.

Abraço

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Devagar e sempre
26/08/2013

– Não mudou nada ainda!

– Hum, pelo que você me contou eu tenho que discordar, mas mesmo assim te pergunto: você sente que nada mudou?

– Sim, me sinto o mesmo otário de sempre.

– Entendi, o que te faz ter esta sensação?

– Eu acho que por ter entendido o que se passa eu já deveria ter mudado as coisas: deveria fazer diferente na minha relação, deveria dar uns limites para a minha família e deveria estar mais forte no trabalho.

– Entendi, no entanto, uma vez que você não está fazendo tudo isso, será que não podemos perceber o que você está fazendo, mesmo que seja menos do que a sua expectativa imaginava?

– É difícil pra mim isso.

– Eu sei, eu sei.

Rapidez. Ao mesmo tempo um benefício e um malefício do mundo pós-moderno.

Mudar, criar novos hábitos de comportamento e de atitude mental é uma atividade que requer um determinado tempo, mas a pergunta é: quanto tempo? À princípio não dá para saber. Porque não? Porque muitas vezes ao entrarmos numa questão outras aparecem atreladas à ela e estas questões “secundárias” são mais complicadas de serem mudadas. Algumas pessoas possuem mais dificuldades que outras numa mesma questão, por esta razão o tempo que usam para fazerem mudanças é maior ou menor, pois os ajustes necessários para que a mudança ocorra são mais fáceis ou mais difíceis de serem negociados.

O tema que acho importante é: não se cobre por estar indo “devagar”. Caso você deseje se cobrar utilize o critério “desleixo”. Funciona assim: uma coisa é você fazer algo de forma lenta porque é difícil para você manejar uma dada questão, outra coisa é você abrir mão e deixar de lado mesmo podendo trabalhar com a questão; à isso damos o nome de desleixo. Um exemplo simples de terapia é dar limites: a pessoa entendeu que precisa dar o limite, surge uma situação mais simples que possibilita à ela dar o limite, mas a pessoa simplesmente deixa tudo como está e finge que nada aconteceu, isto é desleixo. Ela poderia ter feito, mas não faz. O que é muito diferente de tentar dar o limite e não conseguir, por exemplo, ou dar um limite de uma forma desajeitada ou se incomodar para dar o limite, tentar falar algo e não conseguir, que é apenas o “avanço lento”.

Em terapia costumo dizer que a pessoa pode escolher entre duas coisas: mudar rápido ou mudar com qualidade e peço para que ela escolha. Na verdade esta é uma pegadinha porque quando se foca na qualidade a velocidade vem por si só. As mudanças não são “coisas”, são resultados de um processo, portanto quando focamos no processo o resultado começa a vir “por si” e aí temos a velocidade das mudanças. Isso é algo que foi modelado de todas as pessoas que conseguem realizar mudanças de forma rápida em suas vidas, elas não focam no resultado em si, elas sabem onde querem chegar e depois disso esquecem a meta e focam em tudo o que precisam fazer para alcança-lá. As pessoas que ficam muito tempo focadas no tempo acabam ficando ansiosas e esquecem do processo que vai direcioná-las para o fim, com isso terminam se perdendo no meio do caminho e diminuem o ritmo.

Uma questão final é a pergunta: o que é uma “mudança rápida”? Isso é algo complicado de se responder porque cada ser humano é único, assim sendo como podemos criar um parâmetro? Além de cada um ser único ainda temos que levar em consideração que para esta mesma pessoa algumas coisas são mais fáceis e outras mais difíceis, portanto, para algo mais simples ela pode mudar mais rapidamente, enquanto para uma mudança que envolva coisas mais difíceis ela possa demorar mais. O que fazemos geralmente é comparar a nossa velocidade com a de outras pessoas o que é um engano e um processo muito doloroso; engano porque não somos iguais aos outros, portanto a comparação fica sempre à desejar – e se o outro estivesse na nossa pele, teria conseguido? – doloroso porque sempre que nos comparamos tendemos à sofrer com isso – porque eu não consigo se ele consegue? lembre-se de que mais importante do que mudar rápido é saber o que se está fazendo, quando entendemos isso o “rápido” vem por si só.

Abraço

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Porque não mudo?
29/07/2013

– E não tenho feito as mudanças que eu quero sabe?

– Sim, sei sim.

– Pois é, o que eu faço?

– Vamos analisar? O que você faz quando começa a pensar em uma mudança?

– Bem, eu imagino o que vai acontecer?

– Hum… sim, tá… mas de que forma você pensa isso?

– Ai que difícil… bem… eu não sei ao certo… mas é geralmente quando penso nas dificuldades que vou ter que superar.

– Exato… você sempre pensa nelas e no que não vai dar certo, não é mesmo?

– Sim, por aí.

– Como você reage à isso?

– Eu começo a ficar com preguiça ou meio com medo.

– Preguiça e medo são respostas boas para se motivar à fazer algo?

– Não né… que droga!

– Pois é

Muitas pessoas me fazem essa pergunta. Para muitos a resposta é a mesma: falta de atitude.

Mas, o que significa, exatamente, falta de atitude?

Podemos entender por “atitude” a forma pela qual a pessoa usa seus recursos mentais, emocionais e comportamentais para gerar em si mudanças. Dependendo da maneira pela qual ela usa as suas virtudes poderá gerar em si motivação ou medo e essas emoções são determinantes fundamentais sobre a mudança – ou não – da pessoa. Assim sendo, qual a atitude correta para gerar mudança?

Obviamente não existe uma regra específica, mas sim regras individuais. A maior parte das pessoas possui um padrão motivacional que as direciona ou para a preguiça ou para a motivação. Cabe à cada um aprender a perceber como faz para se motivar: de que forma a pessoa pensa quando realiza algo? E como faz quando fica “se enrolando”? Como a pessoa se comporta? O que diz à si mesma nessas situações? Aprender a perceber isso ajudará você a saber como iniciar o seu processo de mudança.

De uma forma geral – para dar dicas – as pessoas se motivam quando se colocam de forma pró-ativa em seus objetivos. Ou seja, enquanto você tenta explicar o problema, justificar o problema ou culpabilizar/responsabilizar terceiros você não irá entrar em estado de pró-atividade e a sua mudança, provavelmente vai demorar. Porque disso? Simples: enquanto a pessoa não se responsabiliza ela não age e mudanças pressupõe ações.

Outro fator fundamental é ter um objetivo bem definido. Obviamente é mais interessante correr atrás de um objetivo que está claro e conciso do que de algo que não sabemos ao certo o que é. Quanto mais preciso, claro e convincente for a sua meta, melhor. Em outro post eu descrevi alguns pontos importantes para a criação de objetivos, sugiro ao leitor que faça a leitura.

Um dos fatores fundamentais do objetivo é o seguinte: o futuro deve ser melhor do que o presente. Parece óbvio, mas muitas pessoas quando pensam em suas metas veem apenas os problemas que terão e não os benefícios que vão adquirir. Se você pensa apenas nos problemas é difícil de se motivar. É como ir para a academia num dia frio: a pessoa sai motivada quando pensa nos benefícios que vai adquiri, e ficar pensando apenas no frio que vai enfrentar fica na cama. Aprender a olhar para o que queremos atingir com nossos objetivos nos ajuda a criar a disposição para mudar.

É altamente empolgante pensar em algo que queremos ou precisamos e podemos conseguir! Outro fator é a crença na mudança. Muitas pessoas emperram aqui. Não dão crédito à ideia de que conseguirão mudar, de que a mudança irá trazer-lhes benefícios e que eles conseguirão dar conta disso. Assim eles até conseguem imaginar um futuro melhor, mas este futuro não lhes parece real e eles acabam ficando com o que já tem, temerosos de perder.

Assim a “falta de atitude” é a falta destes elementos na forma pela qual a pessoa encara o desafio, a mudança que se coloca em à sua frente. Se você tem este problema, imagine o seguinte: pense na sua mudança da sua forma habitual. Agora imagine novamente o futuro e quero que pense somete na “parte boa” dele, diga-se que este futuro é possível que você pode conseguir porque já conseguiu realizar outras metas antes – e quem nunca conseguiu? – imagine-se de maneira ativa na execução desta mudança conseguindo atingir os benefícios da mudança. Agora compare esta sensação com a anterior. Qual lhe deu mais motivação?

Atenção: é possível que você, ao fazer isso, tenha tido mais medo. Neste caso consulte um psicólogo de sua confiança. O aumento do medo se dá – em geral – porque você ainda não possui – ou acha que não – algumas competências para lidar com as mudanças que a sua mudança vai trazer: alguém que quer terminar uma relação, mas não consegue lidar com a raiva do outro ou não consegue ver o outro sofrer tenderá a se afastar do seu desejo, por exemplo. Afinal para todos os elementos da boa motivação que citei aqui podem existir pequenos entraves emocionais que um profissional poderá resolver.

Abraço

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Não consigo!
26/06/2013

– Mas eu não consigo imaginar eu fazendo isso Akim!

– Ok, sem problemas, me diga como você consegue se imaginar

– Eu consigo pensar em mim fazendo o que eu já faço: cedendo sempre, ficando nervoso depois!

– Perfeito… quero que você faça uma experiência comigo ok?

– Sim

– Imagine essa cena na qual você cede e fica nervoso depois.

– Ok.

– Agora quero que você imagine você conseguindo dar limites, por exemplo.

– Ok

– A imagem é a mesma?

– Não… quando penso em colocar limites fica tudo escuro… na verdade não me vem uma imagem clara…

– Ok, e quando imagina cedendo vem uma imagem clara?

– Sim

– Tente deixar a imagem do dar limites igual à outra

– Ok… Hum… nossa… parece que dar limites ficou mais fácil, me sinto mais à vontade com o que vou fazer, sabe como?

– Opa! Que ótimo!

Como você sabe que não consegue fazer algo?

Sempre representamos em nossa mente o que vamos e o que não vamos fazer. Todos nós temos um “modelo” de como somos dentro de nós, quando pensamos, lembramos ou planejamos criamos imagens em nossa mente. A qualidade destas imagens determina – muitas vezes – como nos sentimos em relação ao que estamos imaginando.

Quando nos dizemos “não consigo” fazer alguma coisa ou ter uma dada atitude estamos organizando algumas informações em nossa mente de forma que, ao pensarmos nelas, iremos acessar um estado de baixa-competência. É algo interessante no ser humano que, uma vez que ele é colocado dentro de um certo estado afetivo, algumas ideias que antes eram inconcebíveis despertam, alguns comportamentos “impossíveis” são realizados… esse “algo interessante” é o que chamamos de aprendizado.

Assim sendo, uma das formas de aprendermos “mais rápido” é imaginarmos algo que não conseguimos fazer da mesma forma pela qual imaginamos algo que conseguimos fazer. Isso literalmente força a nossa mente a buscar comportamentos, recursos e atitudes que nos levarão à conseguir exercer o que não conseguimos fazer.

Uma outra forma é buscarmos realizar algo que não conseguimos após realizarmos de forma bem-sucedida algo que conseguimos. Acessando um estado de competência pessoal, de vencer desafios a nossa mente fica mais atenta à alguns detalhes que não estão acessíveis no cotidiano. Como exemplo tenho um cliente que “aprendeu” a dançar de uma forma muito inusitada: ele sempre ficava ansioso até que um dia, após sair de um jogo de futebol no qual ele ganhou e jogou muito bem viu uma propaganda na qual duas pessoas dançavam e disse para si próprio olhando os pés dos dançarinos: “eles só estão andando prá lá e prá cá”. Quando foi dançar novamente lembrou-se disso e começou a “só andar” quando dançava e sua “performance” melhorou vertiginosamente.

E você? O que não consegue?

Abraço

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