Hábitos
13/12/2013

– Esta semana foi uma semana ruim.

– O que aconteceu?

– Ah, aconteceu que eu me desorganizei toda.

– Ah é? Me conte.

– Pois foi o seguinte: eu tive uma briga com o meu namorado e daí acabei não fazendo nada direito ao longo da semana.

– Sei.

– Mas o que mais me doeu foi que eu estava consciente disso sabe? Eu entendi o que eu estava fazendo, sabia que não era bom, mas fiz.

– Entendi. Bem, se você percebeu isso te pergunto: a “rotina” antes da briga estava boa?

– Sim, era o que eu estava precisando, até isso tem a ver com a briga.

– Eu imagino que sim, então por onde começar a voltar à sua rotina?

– Deixe-me pensar

– Deixo…

Nosso cotidiano é composto de hábitos. Sempre acho graça quando as pessoas dizem que “não tem rotina”, claro que tem! “Não ter rotina” é uma forma de dizer que a pessoa faz coisas diferentes sempre, porém, “fazer sempre a mesma coisa” é uma rotina.

A questão é se os hábitos que compõem esta rotina nos favorecem ou tornam nossa vida penosa e chata. Desde a forma de acordar, se exercitar, conversar, trabalhar, comer, enfim, todos os pequenos detalhes que criam um dia em nossas vidas. Você já experimentou acordar de um jeito diferente? Como seria escovar os dentes com a outra mão? E comer uma comida totalmente atípica pela manhã?

Todos os hábitos que cultivamos ajudam a criar quem somos. Em geral quando não estamos muito satisfeitos conosco é importante modificar alguns hábitos que mantemos próximos de nós. Desta forma podemos criar novos resultados em nossas vidas e mantê-los também. Quando começamos a ter hábitos mais saudáveis para nós torna-se mais difícil voltar atrás e, quando o fazemos, em geral, nos sentimos mal.

Começar a criar um novo hábito tem como ponto de partida clarificar para nós aquilo que queremos. Sem isto em mente é muito mais difícil saber que hábitos devemos modificar e quais devemos criar. O que você deseja hoje, para a sua vida, que depende inteiramente do seu comportamento? Como você poderia colocar isso na sua rotina diária?

O segundo passo é fazer, a ação cria memória, nosso cérebro e nosso corpo registram a atividade e as conseqüências benéficas que ela nos traz, fator que aumenta a chance de realizarmos o mesmo comportamento novamente. Quanto mais fazemos, tendo bons resultados, mais desejamos fazer, rapidamente ficamos “viciados” em fazer o que é bom para nós.

Obviamente podemos ter aquele “medinho” inicial. Este é o momento de pensar muito forte naquilo que desejamos como resultado final de nossas ações. Me lembro de um cliente que disse: não tem sabor no mundo que valha mais do que a minha tranquilidade quando me peso. Toda vez que ele desejava comer à mais lembrava-se da sensação conquistada de bem-estar frente à balança e isso o ajudava a manter seu peso e comportamento, com o tempo, isso automatizou-se dentro dele.

Porque não dar uma chance à você mesmo? Tente, experimente, crie hábitos para o seu desenvolvimento!

Abraço

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Descobertas
01/04/2013

– Dei um limite para ela; eu disse assim: “eu já te convidei o que quer dizer que eu quero que você venha! Agora é contigo”. Daí ela ficou fazendo manha um pouco, mas eu só fiquei quieto esperando ela dizer se ia ou não.

– Muito bem hein!?

– É né? Eu acho também…

– E depois disso, como está?

– Eu creio que eu não dei só esse limite nela sabe? Mas esse é o que eu mais me lembro!

– Imagino, como está se sentindo com isso?

– Muito mais aliviado. Parece que saiu um peso de cima dos meus ombros.

– Ótimo e a sensação que você sempre traz de incompetência pessoal nos relacionamentos como ficou?

– Parando para pensar agora, me sinto mais confiante! Há esperança!! (Risos)

– Claro que tem! Mais do que esperança: resultado! Você percebe que toda a vez em que você consegue dar um limite para proteger a sua integridade você se sente assim?

– É?

– Sim, dessa vez com a sua namorada, naquela outra com o seu pai e na outra com o seu chefe você se lembra de como se sentiu?

– Nossa… verdade!

– O que será que ocorre que te faz sentir-se bem?

– Eu sei… é que eu estou me cuidando e isso me faz sentir mais homem até! Mais capaz, mais adulto!

– Ótimo, é isso mesmo! Toda vez que você protege a sua integridade você “cresce”, e quando não o faz se culpa!

– Bem isso!

 

Terapia é um espaço para descobertas pessoais. Compreender nosso comportamento, conseguir perceber nossas emoções, pensamentos, tomarmos uma certa distância deles para conseguirmos perceber como um todo o que fazemos em nossas vidas/com nossas vidas e então tomar a coragem para realizar modificações ou entender que podemos simplesmente relaxar um pouco mais pois já estamos indo no caminho certo.

Creio que um processo terapêutico de qualidade sempre passa por vários desses momentos, em alguns percebe-se uma parte do processo, em outro mais uma parte até que se consiga perceber um todo coerente. O que fazer com isso vai depender de cada um: do seu momento de vida, objetivos, aprendizados e disponibilidade para mudança.

É importante aprendermos a observar nossa vida como se fosse um filme que estivesse sendo colocado em nossa frente. Como se fosse uma daquelas fotos panorâmicas nas quais conseguimos ver todo o horizonte. Creio que esta capacidade é importante de ser adquirida para que se possa perceber o desenrolar dos nossos comportamentos e hábitos, muitas vezes as pessoas focam em uma parte de um processo, mas se esquecem do que vem antes e do que ocorreu depois e isso é sempre fundamental para nos compreendermos e para mudarmos. Geralmente o foco fica “onde dói mais”, no entanto, é função da terapia ajudar a pessoa a afastar este foco e perceber mais sobre si própria, este “afastamento de foco” é o que nos possibilita “olhar além da dor” e perceber nossas dificuldades e o caminho para que consigamos suplantá-las.

Abraço

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Pequenos prazeres
07/09/2012

– Eu estou bem melhor Akim, me sinto até estranha às vezes.

– Porque?

– Porque agora, eu entendo que o que me faz bem não eram aquelas coisas todas que eu achava que precisava fazer para sentir prazer: sair todo dia, ir sempre em teatro, cinema, bar, restaurante chique.

– Ah não?

– Não, pelo menos neste momento da minha vida estou curtindo muito mais passear com o meu cachorro no final do dia, ir na feira da rua comer um pastel com café, ler um livro em casa sabe?

– Sei sim.

– Parece que agora eu estou conseguindo aproveitar mais cada momento.

– Perfeito. É como se você conseguisse extrair mais prazer de cada coisa que você faz, é isso?

– É, bem assim mesmo.

– E isso, geralmente, acalma a agente não é?

– Bem dessa, me sinto mais calma sim. Parece que eu não preciso… parece não: eu não preciso mais fazer mil coisas para ficar bem, apenas uma de cada vez.

– Ótimo! Agora que aprendeu isso começa uma nova fase para você não é?

– É, me sinto assim!

Aprender a sentir prazer é uma arte complexa que envolve aprender a sentir o que está ocorrendo. Ela é complexa porque o prazer está intimamente ligado com nossos sentidos (visão, audição, tato, olfato e gosto) e os nossos sentidos tendem a se habituar com o que é repetido eles criam uma “habituação” em relação ao estímulo. Por exemplo, eu adoro pizza, mas se eu comer pizza todos os dias, logo nem estarei mais sentido o gosto, estarei comendo mecanicamente. Daí o desafio.

Podemos aprender a criar períodos de tempo longo entre os prazeres para evitar isso, podemos aprender a misturar os prazeres tendo um e depois outro para não permitir que nos habituemos e podemos também aprender a relaxar e aproveitar o momento o máximo possível nos “entregando à experiência” e prestando atenção à cada sensação. Todas estas dicas ajudam à aumentar o prazer que sentimos com nossas atividades, extraindo dela os estímulos que nos dão prazer que nos fazem sentir melhor.

E não tem a ver com um tipo específico de atividade, qualquer atividade pode trazer isso. A sacada é em você aprender a ter competência suficiente com os seus sentidos para aproveitar e extrair o máximo de cada atividade.

Abraço

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