Quando fugir prende
07/08/2015

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-Então Akim… estou meio preguiçoso.

  • Sei… o que está te incomodando?

  • Ah, um pouco de tudo na real…

  • Um pouco de tudo… o que é esse “tudo”?

  • Faculdade, namoro…

  • Reduziu bem já não é?

  • É… ah, sei lá…

  • Você está preguiçoso ou simplesmente não quer lidar com o que está acontecendo?

  • É… meio que a segunda sabe?

 

Fugir ou esquivar-se de uma situação são duas das várias respostas que nós podemos dar à um evento que nos é desagradável ou pode nos causar dano de alguma forma. Porém a fuga e esquiva nem sempre são uma boa solução, você sabe quando esquivar-se e fugir de uma situação pode ser prejudicial para você?

Quando fugir é importante? Quando percebemos que a situação está além do que podemos responder e irá nos prejudicar. Neste caso pode ser uma opção mais sábia dar um passo para trás do que tentar enfrentar uma situação desprovido de recursos. Como diz o dito militar romano: “o bom general sabe quando lutar e quando se retirar”. Esta estratégia, no entanto, vem com um adendo: a necessidade do aprendizado. Fugir ou esquivar uma situação nos mostra que, naquele momento, não sabíamos o que fazer, portanto, é necessária que a retirada seja estratégica, para agrupar novos comportamentos e aprendizados e retornar à “batalha”.

O problema que temos é que as pessoas tendem a fugir e assumem isso como um comportamento padrão. Frente àquilo que é “perigoso” ou à situações que “exigem” aprendizado a pessoa tende, cada vez mais a se esquivar, postergar e fugir. O problema com isso é que ela não aprende, mantém-se sempre no mesmo patamar de aprendizado emocional e comportamental o que acaba levando-a para um fim triste: o isolamento.

Fazendo um paralelo com o título deste post, é neste momento em que a fuga aprisiona. Fugir é um comportamento importante de se ter na manga, porém abusar dele  faz com que a pessoa fique estagnada e tenda a ficar rígida em seu padrão de funcionamento. Isso é problemático porque vivemos num mundo que se move, que muda diariamente e, fatalmente, a pessoa começará a ter perdas desnecessárias. Porque desnecessárias? Porque ela só perde pelo fato de não ter aprendido novos comportamentos para lidar com o mundo e está tendo perdas por causa disso.

Que tal um exemplo mais claro?

Uma pessoa que é, na adolescência, muito famosa na escola por ter uma pseudo auto estima demonstrada na forma de comportamentos rebeldes. Neste momento ela é admirada e desejada, tem status e um lugar de reconhecimento. Porém, quando cresce, mantém-se neste padrão. Não “atualiza” a sua forma de agir e tenta manter-se no mundo da mesma maneira. A pseudo auto estima é, na verdade o propulsor desse comportamento rebelde. O que a rebeldia esconde é uma pessoa com medo de falhar e que, por isso, questiona demais tudo e todos. Torna-se um adulto inoportuno e chato. Ao invés da pessoa assumir seu medo de falhar, ela mantém-se fugindo de  seus fantasmas através do comportamento rebelde, porém, ele tem vida curta e num nicho muito específico. Ocorre que, para sobreviver, ele precisa viver sempre buscando nichos e pessoas que ainda estão na mesma fase evolutiva que ele, à medida que elas crescem, abandonam-no e ele precisa, novamente, correr atrás. Este é um exemplo de como uma fuga pode aprisionar a pessoa, para sempre às vezes, num comportamento que não é útil ao seu crescimento.

Abraço

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Planejo e não faço…
03/08/2015

Planejo e não faço

 

  • Então Akim… não fiz ainda…

  • O que você ainda não fez do seu plano?

  • Nada.

  • Hum… o que aconteceu?

  • Na hora olhei para aquilo e pensei… ah, não deve ser pra mim isso.

  • Ah é? E o que, em você, não te permite “ser para isso”?

  • Não sei… eu me senti envergonhado de querer essa promoção.

  • Qual o motivo para vergonha de querer isso?

  • Não sei… é tipo: “vocêeeee quer isso?”

  • Sim, entendi… parece que você está se dando um limite: promoções não são para você. Perfeito, porém o que te coloca do lado de lá do círculo dos que merecem uma promoção?

  • Me vem a voz do meu pai na cabeça me dizendo que eu não sou bom o suficiente.

 

 

Em geral tenho observado alguns comportamentos comuns em pessoas que planejam mas não executam seus planejamentos. Um deles é uma motivação inadequada que não mexe com a vontade da pessoa em executar suas tarefas, outra é uma incapacidade de perceber uma relação causal entre o comportamento dela e a concretização dos planos e uma última é a percepção do futuro desejado como algo irreal.

A motivação inadequada surge quando a pessoa não encaixa o plano que criou no seu estilo motivacional. Cada um de nós tem uma maneira própria de evocar a motivação para executar planos e desejos, no entanto, muitas vezes os objetivos são de uma natureza contrária a da motivação. Para dar um exemplo, o estilo motivacional da pessoa pode ser de afastamento de coisas ruins, ou seja, ela se motiva à ação quando precisa afastar-se da possibilidade de algo nocivo à ela.

Desta forma, pode trabalhar para não ficar sem água ou luz em casa. Pode cuidar da saúde após ter uma doença, ou seja cuida da saúde não para adquirir mais saúde e sim para evitar uma doença. Quando em estilo como este se depara com um objetivo que vá exigir o seu esforço em prol de algo que vai lhe trazer algo bom, mas não causará dano é comum que a pessoa emperre. Por exemplo, não é um estilo motivacional bom para pensar em algo como conseguir uma promoção. Porque? Porque a promoção envolve buscar algo positivo que é o contrário. Adequar o estilo motivacional, numa situação como esse seria algo como: “se eu não conseguir esta promoção posso perder a chance de subir na empresa e eu não quero ficar o resto da vida neste cargo, isso seria horrível”. “Conseguir a promoção” se torna “não ficar mais neste cargo horrível o resto da vida” e, com este discurso a pessoa consegue motivar-se. Obviamente o estilo motivacional não é fixo e pode ser aprendido também.

A incapacidade de perceber uma ligação entre o comportamento e as consequências dele é algo que tem se tornado cada vez mais comum. Parece simples compreender que quando tenho um comportamento ele terá uma consequência e essa é o que me interessa. Porém, por diversos fatores as pessoas não fazem esta ligação e, então, a ideia de comportar-se para atingir um determinado objetivo parece insossa, afinal de contas “para que me mexer se não sei se isso terá algum efeito?”. Este último é o discurso padrão quando a pessoa não tem a relação bem estabelecida.

É muito comum que pessoas com este comportamento sejam colecionadores de fracassos e arrependimentos. O que é importante fazer neste caso é ligar a ação que elas tiveram no passado com os resultados que obtiveram. Este exercício pode ajudar a pessoa a estabelecer uma ligação e, a partir disso já ter delineado o tipo de comportamento que elas não querem. A partir disso pode-se inferir sobre o tipo de comportamento que levaria elas à execução dos planos e aos resultados que isso lhe traria. Quando se junta este elemento com a motivação adequada temos um bom propulsor para execução das tarefas e desejos.

Por fim, quando a pessoa faz um plano, um bom plano diga-se de passagem, ela cria para si o que chamamos de futuro propulsor. Este é aquela visão de um futuro no qual atingi meus objetivos e, neste cenário, sinto-me bem. Porém este futuro, por melhor que seja, nem sempre é visualizado como “possível” ou como “real” pelas pessoas. Os dois problemas acima podem ser a fonte deste terceiro, ou seja o futuro criado pode ser ótimo, mas não mexe na motivação da pessoa, logo ela o vê como irreal ou, então, ela percebe o futuro como desejado, mas não faz ligação entre o seu comportamento e a criação deste futuro, ele parece-lhe, assim, inalcançável.

Porém, algumas pessoas estão com ambos elementos bem organizados e ainda assim não vão atrás do plano, o futuro ainda parece irreal. É o caso de começar questionando-se se você merece este futuro. Neste último caso as pessoas não caminham em direção ao futuro desejado porque não sentem-se merecedoras, é uma questão de auto estima, na qual a pessoa não se vê como alguém digno de um futuro como esse. Fácil imaginar que as causas podem ser várias, mas é importante, em todas elas questionar a crença no não-merecimento, ou seja: o que faz com que você não seja digno? Este “não merecer” é uma punição ou um limite imposto? Determinar isso ajuda a libertar-se e construir o merecimento que basicamente é a ligação entre comportar-se e conseguir o que se quer.

Um último adendo é que muitas pessoas simplesmente não conseguem porque não agem. Agir é importante porque um bom plano é apenas isso, um bom plano. Então, se você já planejou, aja ou então seu plano será apenas mais uma bela história que você não viveu.

Abraço

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Raiva do terapeuta
29/07/2015

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  • Então é isso!

  • É isso?… Bem, vamos tomar um café e ir embora então? Porque estamos no começo da sessão (risos).

  • Ah é! (risos)… eu não tenho mais nada que eu queira falar sabe?

  • Sim… mas tem algo que você está sentindo… isso posso dizer.

  • Tem… mas não quero falar disso agora.

  • Se eu palpitar certo você fala?

  • Falo…

  • Vou falar assim: não tem problema isso que você está sentindo em relação à mim, pode sentir e pode falar o que você quiser… eu aguento, não vou te julgar por sentir isso, vou ajudar você com esta emoção.

(Silêncio)

  • Eu tô com raiva de você! É isso! Pronto, falei!

  • Ótimo! Me conte o que aconteceu?!

  • É que eu to com raiva porque você fica falando de mim… e me elogia… e me incomoda isso!

  • Eu imagino… que bom que você pode falar da tua raiva, de que maneira falar de ti ou eu te elogiar é agressivo?

  • Eu não sei o que você quer com isso! Porque você me elogia?

  • Quando vejo que uma pessoa tem uma atitude digna de ser elogiada eu o faço.

  • Mas eu tô fazendo algo assim!?

  • Sim, vez ou outra você faz e então elogio o seu comportamento.

  • E você faz isso com todo mundo?

  • Sim, aqui no consultório e na minha vida pessoal também. Não faço bajulação, apenas elogio.

  • Entendi…

  • Que tal trabalharmos melhor com esta raiva e essa dificuldade de falar de si e de ser elogiada?

  • Acho bom.

  • Eu também…

 

A raiva é uma emoção que tem a ver com a sensação de impotência e ameaça. Junte estes dois elementos e terá a raiva. Para que ela serve? Para mobilizar força e foco para lutar ou fugir. A raiva, em si, não é boa ou má, o que fazemos com ela pode se tornar útil ou improdutivo para nós.

Na terapia muitas emoções surgem naquilo que chamamos de “relação terapêutica”. É comum sentir amor, raiva, cumplicidade, amizade, ternura e nojo do seu próprio terapeuta. Todas as emoções que vivemos com outros humanos podemos reproduzir na relação com o nosso terapeuta, pelo simples fato de ele ser, também – e incrivelmente, apenas um humano.

Quando a  emoção da raiva aparece na relação terapêutica é importante que a pessoa consiga comunicar isso. A raiva pode se manifestar por vários motivos, um deles, inclusive significa que a terapia está dando certo. Porque? Porque muitas vezes o processo terapêutico mexe em nossas feridas e incompetências, nossas deficiências – sim você, eu e todo ser humano possui alguma em algum nível. Essa percepção pode ser consciente ou inconsciente, ou seja a pessoa pode estar consciente de que está sentindo raiva ou não, mas ela está lá.

Frente à percepção disso é um mecanismo de defesa comum a projeção de culpa. Assim a pessoa pode ficar braba com seu terapeuta por que na relação com ele, ela descobriu incompetências suas que ela própria não gosta de lidar. Se a raiva não é manifesta é comum que a pessoa termine por abandonar o tratamento porque irá sentir-se mal durante as sessões ou pode até mesmo sentir-se exposta ou até mesmo cobrada pelo terapeuta.

Esta maneira de responder provavelmente é a mesma que ela usa em sua vida diária com todas as pessoas ou uma reação específica ao terapeuta em quem ela deposita muita confiança. Neste último caso a pessoa pode sentir-se “traída” pelo terapeuta ao sentir que ele percebeu suas deficiências ou até mesmo sentir-se ameaçada pelo fato de ele pode descartá-la pelo fato de não ser “perfeita”. A raiva na terapia é sempre um bom sinal porque nos ajuda a perceber onde temos que trabalhar. Assim, explorar a raiva deverá sempre ser um motivo de aprendizado para a pessoa assim como para o terapeuta. Aprenda a falar sobre sua raiva para compreendê-la. A relação com o terapeuta e com a terapia só tem a ganhar quando a pessoa abre suas emoções.

Com raiva?  Explore-a! Aprenda! Transforme-se!

Abraço

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Horários
27/07/2015

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  • Não sei mais Akim… tô muito perdido sabe?

  • Sim, entendo.

  • Está difícil para eu me manter nos meus horários, esqueço uma coisa, chego atrasado em outras…

  • Sim… o que tem a ver com você isso?

  • O que?

  • A dificuldade para determinar teus horários tem tudo a ver com você nesse momento.

  • Hum… não sei direito… eu também não estou muito feliz ultimamente.

  • Sim. Não sei, mas me parece que estes “atrasos” querem dizer algo sobre as atividades que você está fazendo.

  • Pode ser… não sei direito se quero fazer o que estou fazendo.

  • Imagino… quais as tuas prioridades neste momento?

 

Administrar o tempo, ao contrário do que se diz e se pensa é muito mais do administrar um conjunto de horas dentro de um dia. Tem a ver com a sua pessoa e o seu estilo de vida. A pergunta que sempre faço é: o que te motiva a usar teu tempo – que é limitado – nisso que você escolhe?

O tempo que temos é finito e não sabemos exatamente quando ira acabar. Isso faz dele algo único, o tempo de hoje não pode ser mais usado amanhã. Desta maneira quando escolhemos usar o tempo para determinadas atividades estamos, com isso, moldando a nossa vida de uma determinada maneira. Atrasos, como no caso acima podem ser uma indefinição à respeito do que fazer com o tempo ou da maneira pela qual a pessoa lida com suas escolhas.

Assim “atrasar-se” não é apenas uma questão de acaso, mas de estilo de vida. Porque sempre postergo aquilo que escolho, ao invés de resolver as coisas “na hora” é uma pergunta válida, por exemplo. Atrasar, neste aspecto, é uma escolha que deixo um pouco para depois – vale lembrar que neste posto falo sobre o comportamento de quem se atrasa sempre e não de um ou outro atraso ocasional.

Em terapia já atendi muitas pessoas que dizem: “mas não consigo chegar no horário, meu trabalho me prende”. Torna-se evidente logo mais que essas pessoas sempre deixam as suas escolhas pessoais para depois também, colocam-se em segundo plano em tudo. Assim, não tiram férias por causa dos filhos, não fazem seu lazer por causa da mulher – ou do marido, e não chegam no horário por causa do trabalho. O que eles estão realmente dizendo é que preferem deixar o tempo reservado para suas escolhas com outras pessoas e tarefas. “Se você esperar o mundo dar tempo para fazer o que quer, vai esperar sentado”.

Assim o uso que damos ao tempo está intimamente ligado à nossa personalidade e à maneira pela qual lidamos com nossas atividades e escolhas. É importante ver quais as prioridades que temos na vida e saber que a não ser que criemos a brecha na qual iremos fazer nossas atividades, o mundo irá sempre nos trazer demandas. Criar esta brecha e escolher usar o seu tempo para algo que você deseja significa não fazer outras coisas, por esta razão é que é importante que suas prioridades estejam bem organizadas, se não estiverem, vale usar um pouco de tempo para fazer isso.

E aí, que horas você vai viver a sua vida?

Abraço

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Não abra mão!
15/07/2015

Nao abra mão

 

  • Ah Akim, mas é difícil… quando eu vejo aqueles doces todos…

  • O que acontece?

  • Eu logo penso em comer aquelas delícias!

  • Sim, o que acontece se você ao olhar aquelas delícias, pensar em você frustrado com o peso acima do normal?

  • Eu penso duas vezes em comer…

  • E se além disso, pensar no seu diabetes finalmente estourando e você tendo que realizar seu medo de se tornar dependente de insulina?

  • … mas é ruim pensar em doces assim!

  • Claro, mas no seu caso é real também não é? Os doces não vão trazer apenas o sabor não?

  • É… é verdade…

  • Além disso, pensar em doces como algo ruim faz sentido nesse momento não?

  • Também…

  • Que tal pensar assim quando estiver “frente a frente” com os “temíveis doces deliciosos provedores de diabetes”?

 

Quando falamos em mudanças as pessoas, em geral, focam na aquisição de um determinado comportamento, ou seja, em aprender a exibir um comportamento, ter uma atitude específica para alcançar um resultado. Pouco se fala, por exemplo, em sustentar este comportamento. A questão é que, a não ser que você precise de um ato apenas em um momento e nunca mais, a parte mais importante é sustentar e não, exatamente, ter um comportamento novo.

O que quero dizer é que “mudar” é fácil, é simples ter um comportamento novo de maneira aleatória, a maior parte dos clientes que atendi já fizeram o que querem “aprender a fazer” uma vez ou outra. Qual o problema então? A falta de consistência da atitude que desejam incorporar à sua identidade. Esta falta é que faz com que a pessoa não sustente um novo comportamento e, por este motivo, não consiga se manter fazendo aquilo que já sabe fazer, mesmo que isso seja melhor para ela.

Um exemplo clássico é a perda de peso. Sempre que as pessoas me procuram com este tema e eu pergunto o que querem a resposta é a mesma: quero perder peso. Já começou errado, perder peso é fácil! As pessoas que estão sempre fazendo dieta sabem disso, se somarem quantos quilos já perderam ao longo dos anos em que fazem dietas já teriam chego ao peso ideal á muito tempo. A questão não é: “como faço para perder peso”, mas sim “como fazer para manter um peso “x” ao longo da minha vida?”.

Quando fazemos a pergunta desta maneira a coisa muda de figura. O quero perder peso assume um caráter novo, à saber, um projeto para a vida (e não é isso que as pessoas realmente querem? Um novo peso para o resto da vida?). O mesmo vale para a aquisição de um novo comportamento, ou, para uma “mudança”: “como sustentarei este novo comportamento o resto da vida?” Nesta pergunta surge o importante elemento de “não abrir mão”, ou seja, existem momentos em que nossos comportamentos são “testados” (situações que, para cada um de nós, manter o comportamento é mais difícil). No exemplo de manutenção de peso, um teste comum são festas de final de ano. E aí, como fazer para “não abrir mão?”

O ponto é ter seus critérios muito bem estabelecidos. Ou seja, é importante quando fazemos uma mudança saber o que nos permite abrir mão de nosso comportamento e o que não nos permite. Por incrível que pareça ter os limites de “quando abrir mão” bem definidos ajuda a manter o comportamento e a “não abrir mão dele”. Em geral, aconselho meus clientes a assumirem um critério geral no qual aquilo que me fará abir mão deve ter um valor maior do que a manutenção do meu comportamento no mesmo nível de aplicação de critério.

Por exemplo: no caso da manutenção de peso o critério empregado é saúde, assim mantenho uma rotina alimentar com base na ideia de que cuidar da manutenção do meu peso significa cuidar da minha saúde. Isso quer dizer que a escolha do que e de quanto comer não é um fim em si mesma, mas sim uma ferramenta para eu ter mais saúde. Logo apenas me permito abrir mão do meu comportamento quando algo no mesmo nível de critério – saúde – surge como uma oportunidade de abrir mão do meu comportamento. Por exemplo, posso me permitir comer à mais no meu almoço se sei que farei uma viagem ou estarei envolvido numa atividade durante a qual não poderei comer e, para manter minha energia, devo comer um pouco mais em uma refeição afim de não passar fome e comer à mais de maneira descontrolada mais tarde.

Quando temos este critério bem definido para cada área de nossa vida é fácil descobrir o que devemos fazer: é simplesmente comparar aquilo que se apresenta com as possibilidades. Se “bater” a oportunidade com a possibilidade, segue-se com a nova escolha senão fica-se com o comportamento antigo. E aí, vai abrir mão da sua felicidade?

Abraço

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Amar não basta
26/06/2015

Amar não basta

  • O problema é que eu amo ele!

  • Amor não é problema.

  • Se eu não amasse ele não estaria nessa situação.

  • Na verdade o problema não é amor, mas sim que você criou ilusões sobre ele.

  • É… pois é…

  • Eu me lembro de ter dito à você que aquilo que você estava vendo “nele” era algo que você queria e não ele.

  • Entendo… o que eu faço agora?

  • Tens que ver ele como ele é e aí sim perceber se quer passar  a vida com este homem “real”.

 

Se você se surpreendeu com o título deste post é porque provavelmente crê em ideias como “o amor supera todas as coisas” ou “tendo amor o resto vai”. Convido você para uma reflexão importantíssima sobre o tema.

A ideia de que o amor é o que importa é nova em nossa sociedade. O amor romântico enquanto uma instituição social aceita não tem muito mais do que 200 anos. O amor romântico tem como base uma relação que se estabelece com base no afeto entre duas pessoas. Antes dele tínhamos o amor familiar onde as relações eram constituídas pelas famílias. Para nós do Ocidente atual é difícil compreender, mas existia sim amor neste tipo de arranjos.

O fato é que o amor romântico criou como norma social a ideia de que devemos nos relacionar com pessoas tomando por base nossas emoções, dessas o amor é o que mais nos aproxima de uma outra pessoa. A sensação de paixão e de amor se juntam formando a base pela qual desejamos nos apegar e viver a vida com alguém. A grande abertura que o amor romântico trouxe foi esta de que um plebeu poderia se apaixonar por uma nobre e, por meio do ideal do amor romântico, ele poderia tê-la, seria “moralmente adequado” que eles ficassem juntos. Achou estranho o “moralmente”? Pois bem, é  exatamente esse avanço que o amor romântico traz: uma permissão moral para que casamentos arranjados e casamentos por afeto pudessem ser validados, para que se tenha ideia, o desejo de não casar-se com alguém previamente arranjado pela família, antes, poderia ser alvo de um crime de heresia e adultério (sim, traição para com a família de origem).

No entanto, o que o amor romântico com as baladas de Tristão e Isolda, Romeu e Julieta e outros esqueceu de se importar foi com o que se faz “depois” que o namorico começa. O que temos nas histórias é a luta para que a relação possa acontecer, depois disso ou os amantes morrem como nas histórias citadas acima ou a história termina com um “viverão felizes para sempre”. O ponto é que amar é apenas o começo. Amar não basta.

Porque afirmo que amar não basta? Porque o ponto é que a emoção de amor, ao contrário do que se pensa, nem sempre está calcada na realidade. Algumas vezes ela está, mas quase nunca é o que se vê. As pessoas tendem a amar projeções, fantasias, medos, e desejos que elas tem e colocam em cima da pessoa ou do próprio ato de se relacionar. Daí que sentem a emoção de amor, porém esta emoção com o tempo irá se dissolver por não ser real. Este é só o primeiro ponto, o segundo é que mesmo que o amor esteja calcado em bases reais a emoção de amar e sentir desejo um pelo outro não são coisas “garantidas”, elas precisam ser criadas e re criadas ao longo do tempo. Sim, relacionar-se dá trabalho – e muito – e, para isso a nossa sociedade romântica e consumista não está preparada.

Estamos preparados para nos apaixonar e sermos felizes para sempre sem muito esforço. Porém esta é a minoria dos casamentos – e isso não quer dizer que esta minoria é “especial” ou “melhor”, mas apenas que deram “sorte” de encontrar pessoas extremamente parecidas. Mesmo nessa minoria, entretanto, existem as necessidades de ajustes, conversas e decisões. Assim a questão é que amar é importante, porém saber manter o amor e saber relacionar-se é o que realmente irá fazer o casamento ir mais ou menos para a frente. Falamos em emoções, porém não percebemos que precisamos de competências, saber como se relacionar com as pessoas.

O que vejo no meu consultório hoje é cada vez mais emoção e menos competência. Pessoas que se apaixonam rapidamente, mas que não sabem como construir uma relação. Passado o furor da paixão os casamentos se deterioram rapidamente. Por este motivo escrevo este post, como um alerta, um chamado à consciência e reflexão. Os índices de divórcio não estão aumentando apenas porque as pessoas “são mais livres” para decidir, mas sim porque estamos cada vez menos competentes para nos relacionar com os outros e criar atmosferas onde uma relação entre duas pessoas reais possa, de fato, acontecer.

Abraço

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Sobre o tempo
24/06/2015

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  • Mas isso é muito chato!

  • Porque?

  • Porque vai acontecer só ano que vem!

  • Eu sei. Mas é o seu desejo não é?

  • Sim… mas eu queria agora!

  • Eu sei… mas não dá!

  • Porque não?!

  • Pergunte à natureza… ela que decidiu que bebes demoram 9 meses pra nascer… porque ao invés de pensar no que não está acontecendo agora você não presta atenção às várias sensações que terá enquanto grávida… será uma aventura inesquecível e, no final, passa rápido.

  • Hummmm

 

Você já pensou em como a sua maneira de perceber o tempo afeta a sua vida? Não, não estou falando de como a sua agenda está apertada, mas sim de como você encara a sua agenda.

O tempo é talvez um dos componentes mais importantes da nossa vida e um dos menos explorados. A única questão que vejo com frequência é que temos pouco tempo e como administrar o tempo. Mas pouco se fala sobre como vivenciamos o que chamamos de tempo. Por exemplo, você já percebeu que tem pessoas com um futuro muito claro à sua frente enquanto outras não sabem o que irão fazer na hora do almoço? Essa diferença é apenas em relação à criação de metas? Não, muitas vezes o problema não é com o desejo e sim em não saber olhar para o futuro.

Muitas pessoas, por exemplo, acham que pensar no futuro não vale à pena porque elas não sabem se vão poder fazer aquilo que desejam. Daí que mantém o futuro escuro, ou seja, sem planos. Pensar à longo prazo e conseguir visualizar um futuro não se trata de se ele irá ou não acontecer, mas sim da competência para fazer isso motivar os seus comportamentos atuais. Em geral pessoas com este pensamento, são, na verdade, reféns do presente. Ou seja, não é que elas não acreditam que podem ter um futuro melhor, mas seu pensamento se limita às sensações que sentem agora.

O outro lado da moeda também é válido. Tem pessoas que estão tão focadas no futuro que sua mente não consegue se deslocar para o aqui e agora e viver algo prazeroso que está acontecendo. Outros são vítimas de seus passados e andam para frente, porém de costas, apenas vendo aquilo que já passou. É a pessoa que está sempre chafurdando suas memórias e eventos passados. Vive dos contos sobre aquilo que lhe aconteceu.

Presente, passado e futuro possuem propriedades importantes para as pessoas e suas evoluções pessoais. O futuro, por exemplo, é um importante motivador da ação. A ideia de um futuro melhor pode nos mover e organizar planos de longo prazo. Ninguém faz um sacrifício se não pensa – pelo menos um pouco – num momento futuro. Já o passado pode ser fonte de aprendizado e gratidão que são importantes para sustentar a pessoa no presente, algo como “vim até aqui, então posso ir à frente”. O presente é onde as coisas realmente acontecem e estar em contato com ele é estar em contato com a vida em si. Um sem o outro não fazem sentido, tornam-se limitantes.

Qual o seu foco? Qual o tipo de ‘tempo’ que você não gosta de perceber? Tudo isso tem relação com o como você organiza o tempo em sua mente e com as competências para fazer isso. Quem não gosta de futuro tem dificuldade em planejar, quem não gosta do passado tem dificuldade em relembrar e quem não gosta do presente não gosta de sentir. Obviamente esta lista não é exaustiva e existem outras razões.

Abraço

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Dia dos namorados?
12/06/2015

 

Dia dos namorados

Não vou celebrar o dia dos namorados!

 

Dar aos namorados um dia é dar valor aos namorados, ou seja, àqueles que namoram. Isto significa dizer que celebro o papel daqueles que namoram.

Ao celebrar o título “namorado” em primeiro lugar excluo todos que não namoram – motivo de muitas dores no dia dos namorados – e em segundo dou crédito à ideia de que o título de namorado (a) é mais importante do que o namorar. Indo na contramão da contracultura, diria que o comércio está certo em dizer que você deve presentear no dia dos namorados, afinal é um reconhecimento à pessoa e ao título que ela carrega o que se está celebrando, assim sendo, porque não presentear? É como aqueles eventos em que damos um troféu para o melhor “alguma coisa” do ano. Damos um presente, um troféu para a pessoa por ser uma namorada (e, em muitos casos por aturar tanto tempo quem presenteia).

 

Não vou celebrar isso, isso não me representa.

 

Quem sabe, então, uma vertente mais abrangente do que o dia dos namorados pode ser?

Quem sabe poderíamos celebrar o dia do “enamorar-se”?

 

Quando falo do namorado, me refiro à pessoa, ao título. Quando falo do “enamorar-se” me refiro ao que acontece quando os olhos se encontram, quando a barriga esfria e a respiração prende. Quando nossa alma se percebe fisgada como que por uma magia por outra alma. Falo da experiência, falo do sentir, falo daquilo que é o que realmente nos faz, mais tarde, nos tornarmos namorados de alguém, noivos e conjugues.

Não quero celebrar “alguém” ou o meu título com este alguém porque existe algo muito maior entre nós dois e foi isso o que nos fez e faz estarmos juntos. Não é que o outro não seja importante ou eu mesmo, mas que o título não faz sentido nenhum sem a experiência – acredito que quase todo mundo já passou pela insossa experiência de estar junto com alguém, mas sem estar enamorado desse alguém, o que é, simplesmente, um tédio, frente ao qual, preferimos a morte.

A experiência é o que dá a base, é ela e a partir dela, que estruturamos relações e não sem ela. Mesmo nos casamentos arranjados existe uma grande preocupação com isso. Ninguém quer viver a vida ao lado de alguém sem nunca sentir paixão.

 

Desta maneira, convido o leitor à fazer um exercício muito pouco comum. Entre em contato com o momento em que percebeu a paixão pela pessoa com quem você está hoje. Pode ter sido no cruzamento de um olhar, no meio de uma dança, entre um copo e outro de cerveja, numa sala de aula, no cinema, shopping, lembre-se. Lembre-se da sensação que você sentiu, aquela “coisa estranha”, que nos fere porque abre uma ferida que só pode ser preenchido pela mesma coisa que causa esta ferida, lembre-se do seu sorriso – aberto ou contido – da pulsação do seu coração. Lembre-se disso. Agora esqueça um pouco do seu parceiro e fique em contato com a sua emoção. Entre em contato com este enamorar-se. Perceba o tamanho e o poder desta energia. Sua vivacidade, o que ela causa em você – e nos outros.

 

Pronto. Isto é o que eu acho que deveríamos celebrar. Esta energia. Este enamorar-se.

 

É perfeito – para mim, pelo menos – porque é como se relacionar: é algo que é seu, mas não é só seu. É algo que te envolve e está envolvido por você ao mesmo tempo. É algo que acontece com a gente, mas só enquanto acontece fora da gente também. É algo que está no meio de um nós. É como aquilo que acontece quando as palmas das mãos se encontram: uma não se torna a outra, mas permanece envolvida pela outra. São uma e ao mesmo tempo são duas. E é isso que vale a pena no namorar. Sem isso o namoro vira tédio, sem isso a vida não segue. Sem isso sobrevivemos, mas com isso vivemos.

 

Também vem com a vantagem de não excluir ninguém! Todos sentem o poder do enamorar-se. Não se trata mais de quem tem título e de quem não o tem, é uma celebração à energia que nos faz nos unir em torno de algo que é além de nós. Que por este motivo causa admiração pela força que possui e medo pela situação que nos coloca. Celebrar o dia dos namorados, para mim, é chinfrim. Celebrar a energia de enamorar-se não. E daí o interessante é que é meio estranho dar presentes à uma experiência. Se celebrarmos a experiência o que vamos fazer é buscá-la. Porque não buscar neste dia a experiência de apaixonar-se, de entregar-se à esse poder? Não, não falo de sexo (não apenas, claro). Falo daquele arrebatamento que sentimos. Creio que se isso fosse o mais importante, poderíamos até comprar coisas, mas como ferramentas, meios de chegar nesta emoção e não como um fim em si mesmo.

 

Antes que você diga algo contra sabemos que as emoções podem sim ser evocadas. Na verdade, fazemos isso o tempo todo, só que não dominamos isso em nós. Ouvir uma música pode evocar muitas emoções, ir à um lugar  ou simplesmente recordar e imaginar uma determinada cena nos provoca emoções. Então, fica já a dica de como fazer.

Isso me representa. Celebrar a emoção do enamorar-se, “sentir na pele esta emoção”, evocá-la e, então, poder usufruir dessa energia com uma pessoa, que dentre tantos bilhões de pessoas nessa terra tornou-se especial para nós por causa de um olhar, tarde de uma noite qualquer, numa rua qualquer da cidade, com um copo de uma bebida qualquer… que, no meio de tantos “qualquer” tornou-se “alguém que se quer”.

 

 

Já não mais sou este coração,

este olhar, este respirar.

Já não sou mais estes planos,

estas ideias, estes horizontes.

 

Agora vivo numa interrogação.

Dúvida contínua, insegurança perfeita.

Consumo o meu tempo buscando

Aquilo que mantém o meu tormento.

 

Observar-te dormindo.

Imaginar se dali um momento irá

Sorrir, bocejar

Ou me notar, convidando para um abraço.

 

O futuro só isso pode oferecer:

a dúvida de como vai ser.

E tendo encontrado ele em nós

Nunca mais desejo a certeza conhecer.

 

Identidade e foco
27/05/2015

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  • Tive uma semana péssima.

  • Sério? O que aconteceu?

  • Ah… lá no trabalho que eu tive uma discussão com um colega.

  • Sei, mas o que aconteceu?

  • Discussão sobre projeto, me exaltei, ele também… depois nos resolvemos, mas… chato né?

  • Sim. O que mais?

  • Como assim?

  • “Semana péssima”?

  • Ah, não, só isso na verdade…

  • Ah… só isso? Hum… puxa… interessante que “só isso” equivale à “semana toda” né?

  • (Risos) É verdade… pior que se você me perguntar da minha semana, isso salta nos olhos e o resto é quase como se não me lembrasse.

  • Sim… foco né?

  • É… eu sou meio assim mesmo.

 

Existe uma profunda relação entre aquilo com o que nos identificamos e aquilo que damos atenção e foco em nossas vidas. Compreender que o foco não é uma atividade passiva é fundamental para ajudar você a  perceber o seu foco assim como a modificá-lo, caso queira.

Ocorre que prestar atenção em determinado fenômeno ao invés de outro parte da noção de que temos ideias pré-concebidas à respeito daquilo que observamos. O olhar funciona da mesma maneira. Ver não é um fenômeno passível no qual a luz entra em nossos olhos e então vemos. O processamento daquilo que será armazenado no cérebro e visto pelo olho é ativo, ou seja, existe intenção no olhar. Ao olhar algo a pessoa busca determinadas informações ao invés de outras.

O foco em nossa mente é idêntico à este processo. A mente, uma vez estabelecido “o que deve ser visto, valorizado”, busca ativamente por estes detalhes nas memórias, em sensações, experiências assim como no próprio raciocínio. Várias vezes na clínica as pessoas dizem que o pensamento está “emperrado”, ou seja, não importa por onde elas comecem a pensar, o raciocínio sempre cai na mesma lógica e no mesmo final. Valorizam-se determinados estados emocionais em detrimento dos outros, determinadas experiências e memórias, assim como sensações, usando os mesmos dados da mesma forma e no mesmo contexto não é de se admirar que a conclusão seja a mesma.

A pessoa quando estabelece este foco passa a identificar-se com o tipo de experiência que resulta dele. Ela assume que “aquilo é para ela”. Quando a identificação acontece, tudo aquilo que não é igual (idêntico) ao que a pessoa imagina sobre si não passa pelo crivo e não é percebido. Assim, no caso acima, por exemplo, o resumo da semana daquela pessoa era a briga, ela não se lembrava – de fato – do restante porque apenas aquele evento tem a ver com a identificação que a pessoa tem de si.

Obviamente, cria-se uma roda viva na qual um elemento alimenta o outro. Quanto mais a identidade é forte, mais forte os crivos pelos quais a percepção se dá e mais rígido torna-se o padrão de raciocínio. Isso ocorre com todos nós. Porém existem maneiras de reflexão que não são úteis e algumas são até mesmo nocivas para algumas pessoas. Assim é importante conhecer este processo e poder interferir nele. De que maneira? A mais rápida e eficiente é se propor novas experiências que consigam colocar em cheque os pressupostos antigos. Desta maneira abre-se uma brecha no raciocínio que estará sendo alimentado por outros dados conflitantes com os anteriores, deste conflito pode nascer uma nova maneira de perceber você mesmo e o mundo.

Abraço

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Motivando-se
11/05/2015

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  • Eu ando meio desmotivado

  • Em relação à que?

  • Aos meus estudos sabe?

  • Hum, o que faz com que você se sinta assim?

  • Eles não estão andando direito…

  • E o que você faz que permite que eles sigam assim?

  • É… eu não sei sabe? Parece que quando eu vi o dia já passou.

  • Bem, precisa se organizar melhor não é?

  • Sim…

  • O que mais?

  • Parece que eles estão meio distante de mim sabe?

  • Claro que sei… veja, você sabe que quer isso, porém, quando não faz você se acostuma, de fato, a não estar próximo.

  • Como se cada vez que eu não faço me distancio mais?

  • Sim, exatamente! Colocando-se mais próximo e executando você via poder sentir motivação novamente. E se não, podemos tratar disso!

 

Motivar-se é uma ciência e uma arte. Já discuti em posts anteriores sobre a estrutura da motivação advinda dos trabalhos de Leslie Cameron-Bandler. Relembrando brevemente a motivação é uma emoção cuja estrutura pressupõe a visualização de um futuro que a pessoa perceba melhor do que o presente, altamente desejável e que a própria pessoa sinta que tem as competências, o desejo e a permissão interna para criar. Ao contrário do que se pensa a motivação não é uma emoção de alta intensidade, mas sim moderada (aqui percebemos a diferença de motivados e empolgados, diga-se de passagem).

Porém a motivação no dia a dia requer algo mais do que esta visualização. O hábito de estar motivado requer comportamentos como, por exemplo, lembrar-se diariamente daquilo que se deseja. Ora, muitas pessoas até sabem aquilo que desejam – o seu “motivador” – porém, não evocam este elemento, ou o fazem apenas nos dias de folga o que deixa o desejo muito ao léu e ele é facilmente esquecido desmotivando a pessoa que sente que tem que começar tudo do zero sempre que lembra-se de suas metas. Assim um dos pontos importantes é organizar um momento do seu dia para retomar aquilo que deseja. Isso é manter a motivação ativa, o desejo “queimando”.

Outro fator importante é programar o seu desejo como parte de sua rotina. Todos os dias a pessoa deve estar lidando com o que deseja afim de manter-se motivada. Aqui, pode-se pensar em “mínimos” e “máximos”, ou seja, alguns desejos são mais simples e rapidamente resolvidos. Outros são mais complexos e demoram mais tempo. Assim todos os dias a pessoa deve ter um contato “mínimo” com o seu desejo, ou seja, ter algum tipo de comportamento relativo à execução daquilo que deseja. Pode se estabelecer um “máximo” também afim de não se perder apenas na sua meta e deixar de lado outros fatores importantes da vida.

O que nos leva à mais um elemento fundamental para manter a motivação acesa que é saber organizar seus planos em várias etapas. Quanto maior é o plano, mais você precisará disso. Aprender a dividir a meta em pequenos pedaços e comemorar a realização de cada um deles por mais inócuo que ele pareça ajuda nosso cérebro a entender que estamos mais próximos daquilo que desejamos e isso melhora a sensação de motivação.

Programar-se para eventuais problemas no ritmo de seu trabalho também é algo importante. É ingenuidade achar que tudo aquilo que planjamos ocorre exatamente como pensamos. Às vezes isso até ocorre, noutras, principalmente em projetos de longo prazo é mais difícil de ocorrer. Assim é importante deixar espaços livres para eventuais problemas que possam surgir, programar-se sobre o que fazer no caso de um problema financeiro, antecipar alguma eventual viagem ou problema de saúde podem ser “planos b” necessários e quem já está preparado enfrenta com mais tranquilidade isso além de ficar ainda mais tranquilo no próprio trabalho.

Estas dicas são para você viver bem o seu desejo, espero que te ajudem a se motivar sempre!

Abraço

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