Sobre (in)satisfação
24/04/2015

IMGP0197

  • Mas daí eu fiquei muito chateado, não se faz isso sabe?

  • O que você fez com isso?

  • Ainda nada, mas vou sair fora do curso.

  • Entendi (seguido de silêncio)

  • Não tem mais nada a dizer?

  • Não, me parece que você tomou uma decisão, deve saber o que está fazendo não é?

  • Não é assim… é que eu acho que ela foi longe demais com aquele comentário.

  • Você acha ou tem certeza disso?

  • Não se fala assim com as pessoas!

  • Pode ser, você acha ou tem certeza de que ela passou dos limites?

  • Ah tá… sei lá até certo ponto sim, mas às vezes acho que é só raiva minha mesmo.

  • Pode ser também. Você quer que eu te ajude com algo nesta escolha ou apenas está me informando sobre ela?

  • Não sei ao certo… estou um pouco confuso sobre o que senti e não sei se devo ao certo sair do curso.

  • O curso não está lá para agradar você em tudo o que você quer, muito menos a professora. Já pensou nisso?

  • É… sei lá…

 

Vivemos em uma sociedade de consumo. Uma das regras fundamentais deste tipo de sociedade é viver sem que exista contato com a frustração e muito menos com a insatisfação. O resultado? Pessoas que não sabem lidar com uma realidade da vida: de que as coisas nem sempre dão certo do jeito que a gente quer.

Não, não significa que você fez algo errado, que tem que fazer alguma coisa, que deve montar uma ONG para isso não acontecer à outras pessoas e nem recorrer aos altos escalões. Muitas (muitas mesmo) vezes uma frustração e uma insatisfação é somente  um limite do mundo real para você.

Fugir da insatisfação é fugir desta percepção. Vivemos num mundo carente de segurança, a emoção da insatisfação e da frustração tornam-se um tanto intoleráveis nestes tempos justamente por causa disso. Porém aprender a lidar com estas emoções faz parte de inteligência emocional de todos os seres humanos. É necessário que se aprenda a se frustrar, falhar e sentir insatisfação para que a pessoa aprenda a crescer.

O que tem de bom nisso? A pergunta é inadequada e típica de uma sociedade de consumo que pensa apenas no que vem de bom a partir de uma determinada escolha. A questão com a insatisfação é justamente esta: não virá nada de bom. O que você não queria, não aconteceu e ponto. E isso “o que vem de bom”, este é “lucro” que você pode tirar desta lição. Aprender a não ter. Aprender um papel que é típico aos mortais: o da falta de onipotência, em outras palavras, saber que você não poderá tudo, não conseguirá tudo.

Não saber lidar com isso pode afastar a pessoa de desafios importantes porque ela não deseja sentir a insatisfação, também afeta as relações entre as pessoas que cada vez mais ficam carregadas de necessidades à serem supridas e cria uma perspectiva falsa sobre a vida que promete que apenas coisas boas devem acontecer. Isso não é verdade. A vida é, sim, feita de perdas e frustrações também ignorar isso é fingir que uma parte da vida não existe.

É importante frustrar as pessoas, dar à elas insatisfação e um pouco de perdas nesses dias. Acho que estas emoções nos ajudam a perceber melhor a nossa humanidade justamente porque nos coloca em contato com o sentimento de potência e não de impotência. Daquilo que é possível e não do que é impossível.

E você, ainda achando que nunca terá nenhum revés?

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

Permanência
20/04/2015

download (17)

  • Mas Akim… ele não quer fazer comigo!

  • Eu já entendi isso, ele não precisa, você sabe disso também.

  • Mas o que eu faço?

  • Você está criando um problema para você… quer manipular a vontade dele.

  • Tá… mas…

  • Feche seus olhos e pense no que o exercício vai trazer para você, sem incluir ele.

  • Ok.

  • Sinta os benefícios em seu corpo e sua mente… deixe isso se intensificar dentro de você.

  • Ok.

  • Enquanto sente isso tudo, me diga o que fazer com seu namorado se ele não quer ir com você?

  • Nada… Eu é quem tenho que ir…

 

Muitas vezes a vida nos pede flexibilidade. Outras vezes ela solicita permanência.

Saber manter-se num determinado objetivo ou meta é uma arte. Exige esforço, constância e saber manter-se motivado. Essas qualidades não são muito bem elaboradas em nossa cultura que preza pelo prazer imediato e pela satisfação.

Ao contrário do que se pensa a verdadeira determinação e esforço são uma atitude que não desgasta a pessoa, pelo contrário, a mantém vigorosa. No entanto, existe uma explicação simples para o porque de muitas pessoas sentirem que devem fazer um esforço, um martírio para manter-se em suas metas.

A explicação é que boa parte das pessoas reflete sobre o que está perdendo enquanto faz aquilo que deseja. Por exemplo, muitas pessoas quando iniciam uma dieta passam horas refletindo sobre as comidas que não vão mais se permitir comer. Isso é uma tortura mental e não ajuda, desgasta a pessoa e torna aquilo que ela deseja: emagrecer, um verdadeiro martírio.

Essa forma de pensar além de fazer com que você olhe a conquista pelo lado da perda também cria um conflito interno de difícil administração. A pergunta óbvia que nossa mente se faz é “porque o esforço?”. A pergunta é justa porque a mente pensa que está fazendo um esforço enorme para perder algo… não faz sentido faz? Assim o conflito que cresce dentro da pessoa tem a ver com o que ela deseja, a estrutura fica parecida com “eu quero essa coisa que me faz mal e me faz perder outras coisas boas”.

Permanecer dentro de um objetivo tem muito a ver com encontrar uma imagem que motive você sem esforço. Esforço, aqui deve ser entendido como uma fluidez de ideias na mente que o direcionam ao que você deseja. Em outras palavras: ao invés de criar uma imagem do que estou perdendo, imaginar o que vou ganhar. Quando penso naquilo que perco, a imagem faz com que eu me esforce porque tenho que olhar para o que “tenho que fazer”, para o que estou perdendo e então agir, isso não é fluidez, isso é colocar obstáculos na sua frente. Ao elaborar uma imagem daquilo que vou ganhar o obstáculo some, a auto punição desaparece e começo a agir.

Aqui existe o esforço no sentido de fazer, ou seja, usar a sua energia para agir e não o esforço mental de se controlar para fazer algo. O controle não é uma boa estratégia, mas sim a fluidez que o impele à agir. O faz desejar agir. Então surge a arte de saber elaborar uma imagem que o toque desta maneira assim como de saber defender esta imagem dos ataques que o dia a dia trará.

Voltando ao exemplo da dia o final de ano é uma “guerra”, ou seja, são vários os fatores com os quais a pessoa precisa lidar afim de manter o seu desejo. Quando eu comecei o meu processo, por exemplo, disse que nunca pararia de ir em pizzarias e nem à churrascarias para uma eventual comilança. A questão é apenas organizar isso dentro de uma rotina que me guia ao peso adequado, não há luta, mas sim integração e harmonia entre as facetas aparentemente opostas.

Como você cria a sua determinação? Pensa no que vai perder? No quanto é difícil fazer? Ou pensa no que vai ganhar? No que há de bom no horizonte?

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

Envelhecer
17/04/2015

download (21)

  • Sabe… acho que já não sou mais o mesmo.

  • Porque?

  • Eu não tenho mais o pique de antes sabe?

  • Sei… aprendendo a envelhecer é?

  • Ai credo…

  • Credo?

  • É… na verdade você está certo, mas… ai… dói pensar nisso…

  • Dói mesmo… dói as juntas (risos)

  • (Risos) O pior é que é verdade…

  • É… tem uma época em que os nossos hormônios nos ajudam e depois disso é o que nós fazemos para nos ajudar!

 

Envelhecer. Algo que ocorre com todos o tempo todo. Uma verdade tão intrínseca que tememos pensar nela. Nossa sociedade atual, com seus valores teme ainda mais a ideia de envelhecer. O lugar do idoso precisa ser revisitado em nossa sociedade de consumo.

Psicologicamente falando o envelhecer lida muito com o tema das perdas e da expectativa de futuro. Envelhecer significa em certa parte, perder para o tempo a nossa juventude, beleza – no sentido atual que valoriza a beleza juvenil, energia, as maravilhas que o hormônio de crescimento faz por nossos corpos além de relações, momentos como “a época da faculdade”, “a época das baladas” ou qualquer momento que vivemos anteriormente. Percebemos o envelhecer junto com estas perdas.

Perder estas coisas para muitas pessoas pode ser um grande fardo quando estas vivências não foram vividas em sua plenitude. Aqui vale um adendo importante: não é se a pessoa viveu as fases que todos viveram ou não, mas sim se as fases que ela viveu foram vividas na sua plenitude. Ou seja, talvez ela não tenha sido uma pessoa “baladeira”, mas o que ela viveu neste momento foi vivido com entrega? Com plenitude? Se não foi a tendência é que a pessoa olhe para estes momentos do seu passado com um saudosismo que reitera o desejo de voltar atrás.

Outra maneira é ter vivido bem essas fases e ter medo de ir para as próximas. O medo de encarar os novos desafios da vida faz com que muitas pessoas mantenham-se presas em fases anteriores de suas vidas e sintam raiva de terem que deixá-las – quando o fazem – para irem para novos desafios – seja eles quais forem, não entendo que “novos desafios” precisem ser o tradicional “casar e ter filhos”. Este tipo de problema com as perdas é muito difícil porque em geral a pessoa procura manter-se presa, então cultiva comportamentos que não ajudam ela à crescer.

O outro tema que faz com que o envelhecer seja precário é quando a pessoa não consegue organizar uma visão positiva de um futuro idosa. Quando ficar idoso se torna sinônimo de morte e decadência é óbvio que a pessoa não irá desejar envelhecer. Toda vez que o nosso futuro é pior que o presente, desejamos nos manter no presente. O grande problema é: não há como evitar o envelhecer. Assim sendo as pessoas passam a ter comportamentos de esquiva em relação à velhice principalmente na área visual.

Estes dias vi a foto de uma colega no facebook dando “boas vindas” as suas rugas e pés de galinha. Que tal pudéssemos celebrar aquilo que sabemos que virá para todo ser humano ao invés de temer? Aproveitar alguns elementos da velhice como a sabedoria e o desprendimento em relação à questões banais do dia a dia podem ser estratégias tão importantes quanto ser jovem e produtivo. Como dar valor à isso poderia influenciar o rumo de nossa sociedade atual? Como aprender a aceitar aquilo que podemos desfrutar com altivez ao invés de temor? Lidar com as perdas e entender que este é um universo onde o tempo passa e as perdas são inevitáveis, mas não é por isso que sua vida precisa perder o valor.

Talvez aprender a nos identificarmos com o nosso processo ao invés de uma identidade estática e imutável seja um bom caminho para começar. Você envelhecer significa, também, que você muda! Pense nisso.

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

O tempo cura! (cura?)
15/04/2015

download (22)

  • Ah Akim… eu não sei direito…

  • É difícil este tema pra ti né? Está sentindo isso como uma perda?

  • Sim! Eu perdi ela mesmo… não percebi o que estava acontecendo… mas sei lá… deixa assim… uma hora passa.

  • Sei… é um jeito de encarar.

  • O tempo sabe? Acredito muito nisso.

  • No que?

  • Que o tempo ajuda a curar as coisas.

  • Sim, ou a gangrenar também… afinal você ficou um bom tempo sem perceber o que aconteceu na sua relação e ela terminou.

  • Pô… precisa falar assim?

  • Para te colocar em contato com o real? Sim! Não gosto, mas preciso…

  • Tá… é foda, mas você tá certo… é que eu não gosto disso…

  • Eu sei, eu sei….

 

O tempo cura. Ouvi esta frase inúmeras vezes na clínica ao longo dos anos. Conclusões? Sim, algumas que compartilho com o leitor aqui.

O tempo cura? Não!

O que o tempo faz? Várias coisas e elas podem ajudar você a se curar ou a se enterrar ainda mais profundamente. Em primeiro lugar precisamos entender  o que se quer dizer com “o tempo cura”: não é o “tempo” em si, porque o “tempo” não é uma entidade metafísica que se materializa e bate na sua cabeça te curando de alguma coisa. Assim o que se quer dizer com esta frase é que a passagem do tempo cura, ou seja, o passar dos dias, meses e anos tem um efeito curativo e/ou terapêutico. Se isso fosse verdade não existiriam traumas! O que acontece na infância ou na adolescência seria “curado” e todos viveriam felizes depois de um mês ou dois. Obviamente a vida não é assim.

O passar do tempo é algo que proporciona alguns elementos: perspectiva e tempo de habituação. A passagem do tempo faz com que consigamos ver um determinado acontecimento em perspectiva temporal distinta. Olhar para uma briga que tivemos ontem no dia de hoje é diferente de olhar a mesma briga daqui a um ano. Os elementos que realmente ficam em evidência são distintos e muitas vezes aprendemos algo ao longo do caminho que classifica a briga como idiota.

A habituação é o efeito de tornarmos comum uma determinada rotina ao longo do tempo. Sabemos que hábitos, por exemplo, precisam de um tempo de pelo menos 3 meses para se solidificarem. Assim sendo quanto mais passa o tempo, mais tendemos a assumir um determinado comportamento ou ponto de vista caso a repetição deste comportamento esteja presente.

E é aí que afirmo que o tempo não cura. Habituar-se e ter perspectiva de longo prazo podem ser elementos que servem tanto para o “bem” (ou “cura”) quanto para o “mal” (ou “ferida”). Pode-se, por exemplo, criar o hábito ao longo do tempo de remoer a dor que se sentiu durante uma briga. Assim todos os dias penso na dor que senti quando uma pessoa me feriu e crio este hábito. Junto com isso a pessoa pode ficar vendo a perspectiva de longo prazo prestando atenção em quanto tempo faz que a pessoa o feriu “e nem me pediu desculpas ainda”. Obviamente esta maneira de “passar o tempo” não vai ajudar a curar nada!

Por outro lado, quando percebo que a pessoa busca compreender a sua situação atual e adaptar-se à ela, sei que o tempo irá ajudar. Quando busca olhar o passado e tentar aprender com ele e enriquecer a sua vida e suas experiências, entendo que a pessoa está criando um hábito que ira ajudar: aprender e evoluir. Muitas pessoas fazem isso: olham para o passado com uma “distância quente” e buscam novos pontos de vista sobre ele que possam ajudar ela a crescer e a compreender a sua própria história. Quando fazem isso o tempo ajuda e muito, pois estes hábitos tendem a se solidificar, como já afirmei acima, e, com isso, a pessoa desenvolve e solidifica um hábito muito positivo.

E você? Se afunda na dor ou busca novos horizontes mesmo no seu passado?

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

Pressão e desejo
10/04/2015

184b7cb84d7b456c96a0bdfbbeaa5f14_XL

  • Mas sabe… o estranho é que eu estou fazendo algo que eu gosto.

  • Entendo… você faz algo que gosta, mas não está gostando de fazer é isso?

  • É! Estranho né?

  • O que tem de estranho nisso?

  • Eu deveria gostar…o normal, sei lá, seria isso!

  • Sim… é comum a gente ter desilusões em relação ao que gostamos de fazer.

  • Sim eu sei disso, mas é algo mais… é quase um desânimo.

  • Sabe… quando a gente faz algo obrigado, mesmo aquilo que gostamos pode se tornar uma obrigação chata.

  • Hum…

  • Estou certo no meu palpite?

  • Sim… acho que sim… eu me cobro muito mesmo…

 

Existem dois tipos básicos de motivação: aquela que te direciona à algo e aquela que o afasta de algo. Estas duas maneiras não são certas e nem erradas, mas cada uma delas provoca um efeito diferente em nossa mente e emoções, compreender isso é fundamental para manter nossos sonhos e desejos ativos.

O desejo de ir em busca de algo reflete iniciativa e conquista. É o tipo de motivação que te impulsiona à construir, imaginar um futuro melhor do que o presente e gerar competência para criá-lo. Usar a motivação desta maneira gera interesse, curiosidade e resistência à frustração. Existe o cansaço porém, em geral, vem associado com uma sensação de conquista, é o famoso: “cansado mas feliz”. As pessoas que usam a motivação assim conseguem ver de maneira clara um progresso – mesmo que seja pequeno – em suas vidas.

Afastar-se de algo implica num desejo de não ir em direção à um determinado futuro. É a evitação de algo ruim no futuro, o desejo de manter o presente tal como está. O efeito é de ansiedade pelo fato de que o futuro é pior do que o presente e a busca é de manter o presente da mesma maneira. A pessoa assume uma postura mais defensiva e passiva no sentido de “esperar o futuro” e verificar se a situação não mudou. Tende-se a ser meticuloso e altamente irritável por precisar perceber cada pequeno detalhe e não permitir que ele mude.

Ambas formas de motivação são úteis dependendo da situação em que você se encontra. Compreender qual o melhor para você é muito importante. Algumas vezes é preciso e sábio tentar manter a situação do mesmo jeito porque o futuro pode, de fato, ser pior. E outras é melhor buscar criar o futuro ao invés de esperá-lo chegar. Se o que você deseja é algo diferente do que existe hoje, em geral a melhor saída é buscar construir o seu próprio futuro ao invés de tentar manter o presente. Por outro lado, se você deseja manter ou reforçar o “status quo” da sua vida pode ser melhor a evitação da mudança.

Ocorre que as pessoas fazem a escolha contrária, por exemplo: desejam ter novas competências e focam no erro. Algo muito comum, mas que mina a iniciativa, motivação e o desejo. Se desejo adquirir novas competências devo imaginar um futuro melhor do que tenho hoje e abrir-me para criar este futuro, o erro é parte do processo de aprendizado. Se foco no erro estou buscando mudar sem que nada mude, ou seja, adquirir uma nova competência sem a possibilidade de erro, o que é quase impossível no caso de aprendizagem.

Desta maneira embora estejam fazendo aquilo que desejam fazer estão, também contribuindo contra o seu processo. É como acelerar o carro com o freio de mão puxado. Faço aquilo que quero, estou construindo o meu futuro, porém mantenho o foco naquilo que está mudando e desejo manter o presente do mesmo jeito que está. Enquanto foco para manter o presente – não mudar – desejo a mudança. Dá para perceber o paradoxo assim como o problema que isso gera, é como fazer força para a esquerda e para a direita ao mesmo tempo. Não funciona bem. “Não funcionar bem” não significa que a pessoa não consegue ir adiante, porém o custo emocional é maior e muitas vezes gera um problema desnecessário de pressão e estresse.

E você: está indo do jeito “certo” na direção “certa”?

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

Importância do realismo
25/03/2015

22828_855565827837708_4400658995181248802_n

  • Daí o que acontece? Fico todo sem saber como agir!

  • Não sabe como agir frente à que?

  • Não sei se retruco, me defendo, se saio, se xingo

  • O que te faz não saber qual a melhor alternativa?

  • Não sei…

  • Qual a tua expectativa frente à resposta que vai dar?

  • Eu quero sempre que seja uma resposta muito foda! Que termine de vez com o assunto.

  • Hum… e se, por acaso, não conseguir?

  • Daí sei lá… fracasso total.

  • Algo do tipo, ou respondo perfeitamente ou sou um retardado que não sabe se portar no social?

  • Exato!

  • Não acha meio exagerado isso? Uma necessidade de acertar tudo sempre?

  • Agora que você falou… parece meio assim né?

 

O problema de ideais é que algumas vezes eles não nos ajudam, pelo contrário, nos atrapalham. Quando que um ideal atrapalha?

Quando a ideia é  tão exigente que aprisiona a pessoa e a deixa sem respostas para lidar com o cotidiano é o parâmetro que eu uso. Um ideal não me parece útil quando aprisiona a pessoa ou a deixa sem poder agir em situações simples. Na verdade a função do ideal é ajudar a pessoa a construir respostas, mas quando este ideal é muito extremista ele perde esta capacidade.

Neste sentido o ideal passa a ser uma ilusão, uma fantasia e essa fantasia passa a prejudicar a pessoa. Fantasias como essa tem a ver com a formação da pessoa e o desenvolvimento de sua personalidade assim como o seu lugar em família e nos grupos de que participa. Ninguém mantém uma fantasia que a prejudica à toa. Em geral, aprendemos na família que ela é “real” – no contexto da família a pessoa pode ser reforçada a agir de determinada forma, porém esta forma pode perder-se ao longo do tempo dentro da própria família ou, com certeza, no mundo.

Nossa civilização judaico-cristã padece de três tipos de ilusões que afeta muitas pessoas. Estas ilusões são a onipotência, onisciência e onipresença. Sim, você conhece pessoas que querem saber de tudo, querem poder tudo e querem estar em todos os lugares ao mesmo tempo. E o pior: se cobram disso. Ora, quando um ser mortal se cobra poderes de seres mitológicos e divinos a coisa se complica.

A onisciência, poder de tudo saber, em geral pretende colocar a pessoa num patamar em que ela nunca tomará uma decisão errada, nunca irá pensar errado, ou seja, em geral, traduz-se como uma defesa contra a possibilidade de errar. Mas quem não erra, não aprende. Assim sendo a pessoa que se previne de tomar decisões erradas também se previne de viver uma vida mais aberta e de aprender muito com sua experiência. Nem é preciso dizer que em geral ela não confia na sua própria experiência e torna-se dependente de estudos técnicos para “saber”.

A onipotência tem a ver com a capacidade de conseguir tudo. É o ideal da pessoa que diz que com ela tudo se resolve, que ela irá sempre conseguir resolver algum problema. A fantasia neste caso previne contra o fracasso e o que isso significa para a pessoa. Alguém com um histórico de pais muito poderosos ou muito fracassados pode seguir este tipo de ilusão buscando sempre um ultra sucesso e se cobrando por conseguir coisas que não são possíveis.

A onipresença que é o poder de estar em todos os lugares ao mesmo tempo surge da necessidade de tomar decisões. Ao invés de eu tomar uma decisão e aceitar um limite – no caso o físico – de estar em um só lugar, pretendo estar em vários lugares atendendo à vários compromissos. Em geral a dificuldade é de dizer não e de escolher um determinado grupo/atividade em relação à outra, a pessoa não sabe elencar prioridades para ela e busca, então estar presente em todos os lugares. Fórmula de fracasso iminente.

Aprender a ser realista e entender que não é possível saber tudo e que, por isso, aprender é necessário; que não se pode estar em todos os lugares e por isso é importante aprender a priorizar e, por fim, que ninguém tudo pode e que, por isso devemos saber onde investimos nossas forças e aprender a lidar com fracassos e frustrações é fundamental para uma mente mais realista. Note que por realismo não digo pessimismo de achar que não se consegue nada, não se sabe de nada e que nada é possível – o oposto das três ilusões citadas acima que é tão enganoso quanto elas – mas sim de adequar nossas capacidades humanas limitas ao mundo que vivemos. Obviamente as pessoas podem ousar se tornar mais competentes, porém sempre com a noção de que mais competência é, ainda, um outro limite.

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

Da necessidade de mudar
20/03/2015

tumblr_lhsz5qqhJS1qga4in (1)

  • Mas não sei o que fazer com isso Akim.

  • Primeiro você tem que ver se quer fazer alguma coisa.

  • Como assim?

  • Ora, você está se dando conta de uma característica sua, ninguém disse que tem que mudar ela ou fazer alguma coisa.

  • Sei… mas não acho que seja bom para mim me manter desse jeito.

  • Ok, o que você realmente quer?

  • Quero poder reagir às críticas de um jeito mais humano sabe? Acabei de entender que fico querendo ser perfeito, não sou assim.

  • Sim

  • E também quero ser mais livre, ouvir a crítica e ficar livre dela sabe? Refletir sobre o que a pessoa falou sem me martirizar!

  • Claro, muito bem, vamos trabalhar com isso!

 

Fala-se muito em mudança hoje em dia. Que mudar é importante porque nada permanece do mesmo jeito, porque o mercado exige, porque você não pode ficar estacionado. A verdade é que mudanças são elementos muito importantes e não devem ser tratados da maneira leviana que se tem tratado. Toda pessoa que já fez uma reforma em casa sabe o quanto de tempo, investimento e energia se usa em uma mudança. Afirmar que temos que mudar tudo o tempo todo é irrealista e só é dito por alguém que não entende de mudanças.

Para que mudar? Essa é a pergunta correta. A mudança foca no futuro, assim sendo, não pode-se buscar a resposta no passado. Daí que a prerrogativa de que “tudo sempre muda” é errônea para se falar de mudanças. Tudo mudou pode-se afirmar, porém ninguém sabe sobre o futuro. Em meus atendimentos as pessoas se dão conta de suas características e percebem a ligação disso com fatos do seu presente e passado. Normal de terapia as pessoas se perguntarem o que fazer com aquilo. Ora, a princípio nada. Apenas a percepção já é muita coisa.

Daí é que entra a motivação, o “para que” você quer fazer algo com isso? Muitas vezes as pessoas querem fazer mudanças pelos outros, porque é “feio” ser de um determinado jeito ou porque ouviram que tem que mudar. Mas isso não sustenta a mudança, nem sequer motiva ou empolga. A mudança é algo que precisa ser intrínseco à pessoa, ou seja, ela precisa desejar aquilo e para isso, a mudança precisa fazer sentido.

Qual é a função de mudar algo em você? De adquirir um novo comportamento, de pensar de forma diferente, de rever seus conceitos e valores? Isso tudo dá um belo trabalho é importante que a pessoa tenha “no mínimo” dignidade em saber porque isso é importante para ela. E esse é um dos princípios de quem trabalha com mudanças, identificar esta necessidade da mudança e ajudar a pessoa a manter-se alinhada com ela.

Você pode começar pensando: o que muda na minha vida com a mudança? Para que isso é importante para mim? Essas duas perguntas vão ajudar você a começar a perceber se os motivos são pessoais ou dado por outras pessoas, se a mudança faz sentido para você ou não e o que você realmente quer com a mudança. Isso tudo norteia a mudança e dá sentido à ela.

Quer mudar o que?

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

O que fizeram de mim?
16/03/2015

imagens arlkamfksa

  • E eu tenho uma…não é direito raiva sabe? É como uma revolta.

  • Sente-se indignado em relação à sua família?

  • Não à pessoa deles, mas ao que vivi com eles.

  • Pensa que poderia ter sido diferente não é?

  • Sim… em tudo o que eu não precisava ter vivido.

  • Um sentimento esperado.

  • Esperado?

  • Sim, é comum olharmos para trás e querer não ter vivido as partes ruins de nossa vida.

  • É… mas sei lá… isso me faz mal entende?

  • Claro e você, o que entende disso?

  • Bem… não sei direito… eu sinto revolta e indignação, mas sinto que o mais adequado não é brigar com eles.

  • Então, o que seria melhor?

  • Como na música dos engenheiros: “perdoe o que puder ser perdoado, esquece o que não tiver perdão”.

  • Entendo. Isso é maduro, todos erram e você irá errar com seus filhos, esteja certo. Perdoar é, também, seguir a sua vida em frente.

  • Sim

 

A vida não é justa. A vida é cruel. A vida é a vida.

Sempre cito o pensamento existencialista de “o que vou fazer com o que fizeram comigo?”. Este pensamento é uma espécie de crença que ajuda a olharmos para frente, aceitando o passado e buscando nos (re) criar com ele.

Porém, nem sempre é fácil olhar para o passado de uma maneira que nos permita usá-lo à nosso favor. Muitas vezes as pessoas vivem o que se passou à 20 ou 30 anos atrás como algo ainda presente. Esta maneira de encarar o passado traz duas consequências nefastas ao desenvolvimento do “eu”: a primeira que faz com que a pessoa mantenha o foco no passado e olhando apenas para trás não é possível ir para frente. A segunda se refere ao fato de que olhar para o passado como se estivesse ainda acontecendo faz com que você se mantenha identificado com quem foi e não com quem é, muito menos com que poderá vir à ser.

É muito comum, por exemplo, que pessoas que foram obesas na infância e adolescência ainda se vejam como obesas mesmo estando no peso ideal. Também é comum que pessoas que viveram privações de comida, por exemplo, façam grandes estoques de comida mesmo tendo disponibilidade. Enfim, tudo aquilo que vivemos torna-se um aprendizado. O que foi aprendido e a identidade que criamos para ter este aprendizado é que pode ser a nossa real prisão.

A questão é que aquilo que aprendemos precisa ser mantido para continuar gerando o seu efeito. Quando as pessoas fazem terapia elas tem acesso à novos aprendizados , vivem novas experiências e, com isso, podem decidir se vão manter seus novos aprendizados ou os antigos. Quando algumas pessoas mudam, sentem-se rancorosas em relação ao passado e é importante modificar isso para que ela possa seguir livre com suas novas escolhas.

Isso se dá porque muitas vezes o novo aprendizado pode ser uma espécie de “birra” contra o que se viveu. Por um lado a pessoa muda, por outro, precisa manter o passado vivo em sua memória e lutar contra ele. A motivação da mudança é a luta o que mantém a pessoa num constante estado de tensão e isso à longo prazo não é saudável.

Assim, perdoar o que se passou compreendendo que o passado faz parte de nossas vidas e que, por pior que tenha sido é o que nos fez nós. Aprender a se amar envolve aprender a aceitar o que nos aconteceu – aceitar é diferente de gostar e de achar correto, diga-se de passagem. Manter o passado em perspectiva é aquilo que pode nos ajudar a nos diferenciar de quem fomos e compreender quem somos e o que estamos nos tornando. Este é o processo evolutivo do self.

Quando você irá deixar o seu passado no passado?

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

Construção
05/03/2015

O-que-voce-precisa-saber-antes-de-construir

  • Mas ele não se mexe Akim!

  • Eu sei. Porque ele tem que se mexer?

  • Você sempre vem com isso… ele é meu parceiro!

  • E?

  • E daí que ele sabe das coisas que eu gosto de fazer!

  • E?

  • Como assim “e”?

  • Ora, ele está aqui neste mundo para ficar satisfazendo suas expectativas?

  • Deveria!

  • Só não sei se ele assinou este contrato quando encarnou aqui!

  • Ai…

  • Você fica irritada com isso, percebe?

  • Sim.

  • Irritação é algo que, de alguma forma, nos machuca. O que está te machucando ou incomodando?

  • Essa coisa de ele não fazer e eu querer…

  • Pois é, junto com isso, o fato de ele não ter responsabilidade por isso… sei que você sabe disso. Porém isso coloca você numa posição que você não gosta, qual é?

  • Eu ter que pegar e fazer né?

  • Exato!

 

Em terapia sempre busco trabalhar com meus clientes o que eles desejam. Usa-se muito tempo nisso, compreender o que desejo e onde estou são fatores fundamentais para que a pessoa possa (1) saber onde está, (2) saber onde deseja chegar e (3) compreender o que precisa fazer para chegar lá.

Um dos grandes entraves para que o item 3 seja concluído é quando a pessoa não possui as habilidades necessárias para “chegar lá”. A tendência mais comum do ser humano é culpabilizar terceiros ou se colocar como incompetente. É famosa a frase “ah, mas eu sou assim”, como se uma mudança pudesse alterar a personalidade da pessoa ou fosse algo inatingível.

A frase, porém, não se trata de uma mera desculpa esfarrapada, mas é constituinte de toda uma formação de identidade que conduz a pessoa para este raciocínio sobre ela, seus desejos e o mundo. Quando a pessoa se percebe como “credora” ela deseja ser ressarcida do seu investimento. Assim o seu trabalho é desejar e não construir. Idealistas são, muitas vezes, pessoas com esta dinâmica: projetam, mas não concretizam, desejam, mas não fazem, existe um hiato entre o pensamento e a ação.

Uma das causas de tal hiato é a incompetência que a pessoa tem em lançar-se ao mundo e construir. Esta incompetência pode ser simplesmente uma incompetência de fato – ou seja, a pessoa realmente não sabe como fazer – ou pode ser algo aprendido – ela aprendeu que não pode, não consegue e passa a seguir esta crença interna, mesmo sendo competente.

Aprender a desenvolver competências é fundamental para ambos. Existe uma diferença entre o imaginar e o agir. A experiência cria conexões neuronais de uma maneira distinta da imaginação. Esta experiência precisa ser validada para a pessoa para que ela compreenda a dinâmica da intenção.

A intenção é algo que vai da mente da pessoa para o mundo. Em outras palavras quando se “intende à algo” a dinâmica é criar algo “dentro” de si e buscar concretizar este algo “fora” de você. Este é o ato da experiência e este papel de “criador” é o que a pessoa não possui. Aprender a “ser” um criador pode ser algo muito interessante e divertido quando o foco é exatamente naquilo que se deseja. Gerar competência, aprender a ter determinados comportamentos e atitudes mentais precisa ser vinculado à identidade da pessoa, à quem ela é – ou como ela se percebe.  Quando isso ocorre ela deixa de ser um credor do mundo, deixa de depositar suas fantasias no universo e começa a depositá-las na sua competência de agir – ou não, encontrando seus limites e podendo refazer suas listas de prioridades.

Você culpa o mundo ou arregaça as mangas?

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

Onde está o caminho?
04/03/2015

images (40)

-Eu fico em dúvida daí sabe?

  • Sei sim. Entre um e outro, no que você pensa?

  • Ah eu fico pensando que se eu pensar de um jeito eu posso não conseguir me sentir livre para falar o que eu preciso.

  • E se pensar de outro?

  • Posso não gostar do que eu vou falar.

  • Me parece que você perde de um jeito ou de outro não?

  • Pois é!

  • E o que você tem a ganhar, já pensou nisso?

  • Hum… sinceridade de um lado e polidez do outro.

  • Qual o mais importante para você nesse momento?

  • Acho que eu posso ser sincero e polido sabe? É só arranjar um jeito de dizer as coisas…

  • Do mesmo jeito, qual você acha que é mais importante para você?

  • Polidez… preciso aprender a dizer o que eu quero ao invés de ficar só vomitando o que me vem na telha.

  • Perfeito.

 

Como saber qual o caminho seguir? Que decisão tomar? Ouço esta pergunta sempre no consultório. Talvez uma das perguntas mais feitas na humanidade seja essa: “o que fazer?” É óbvio que não posso afirmar existir uma fórmula mágica para resolver esta pergunta já que ela sempre é feita em contextos diferentes. Porém tenho seguido um princípio que parece ajudar muito as pessoas em suas dúvidas.

Em geral quando as pessoas estão em dúvidas sobre que caminho seguir  elas tentam verificar o caminho que irá causar menos problemas. A tendência é buscando algo para “não errar”. Aí mora um perigo: “não errar” é algo que não tem como se garantir quando se está pensando no futuro. Porque? Porque o futuro é incerto, não temos todos os dados disponíveis para saber  o que esperar do futuro, sendo assim é impossível realizar um planejamento com 100% de certeza.

Desta maneira refletir sobre o que não se deseja e aquilo que se teme é uma forma de evitar a criação de uma resposta. Aqui vai a segunda dica: as pessoas em geral pensam que existe uma “resposta certa”, como se ela fosse uma borboleta voando por aí e você tivesse que capturar “a” resposta certa. Assim perguntam-se: “será que estou tomando a decisão certa?”. O engano se dá porque a resposta assim como as perguntas são criadas, ou seja, não existe uma resposta certa “a princípio”.

Buscar a “resposta certa” e “não errar” são dois focos que fazem com que as pessoas se paralisem porque a tensão aumenta muito. Mas então, o que fazer? Uma das maneiras que tenho utilizado quando ocorre a paralisia na busca de uma resposta sobre o que fazer é pedir à pessoa que veja aquilo que ela tem à ganhar ao responder as suas perguntas, ou aquilo que ela deseja conseguir.

Este foco tira a pessoa de uma responsabilidade moral à respeito do “certo ou errado” e a coloca no campo da experiência pessoal sobre o que vai ajudá-la a se formar melhor enquanto ser humano. Quando se começa a focar desta maneira existe mais liberdade para o pensamento e a criação de um foco em prol do qual se mover. É assim que se cria motivação, ou seja, o motivo para a ação. Só decide-se o que fazer depois que se possui um objetivo em relação à isso e esse objetivo tem a ver com o momento da pessoa e o que ela está formando dentro dela naquele momento. Por este motivo a mesma pergunta sobre  a mesma situação pode ter respostas diferentes ao longo da vida de uma pessoa.

Note que guio a pessoa não pelo caminho onde ela irá “ganhar mais”, mas sim, pelo caminho que tem a ver com ela naquele momento. Muitas vezes isso significa, inclusive, perder. Perder o orgulho e pedir perdão, por exemplo. Assim o raciocínio é checar aquilo que você deseja formar com a resposta e não buscar a resposta certa. Toda resposta é criada e essa criação tem a ver com a vida da pessoa, com o momento dela e esses fatores podem ser levados em consideração. Assim as respostas começam a mostrar qual o caminho que irá me guiar para aquilo que desejo formar e assim a mente trabalha melhor.

E você? O que vai fazer?

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

%d blogueiros gostam disto: