Planejo e não faço…
03/08/2015

Planejo e não faço

 

  • Então Akim… não fiz ainda…

  • O que você ainda não fez do seu plano?

  • Nada.

  • Hum… o que aconteceu?

  • Na hora olhei para aquilo e pensei… ah, não deve ser pra mim isso.

  • Ah é? E o que, em você, não te permite “ser para isso”?

  • Não sei… eu me senti envergonhado de querer essa promoção.

  • Qual o motivo para vergonha de querer isso?

  • Não sei… é tipo: “vocêeeee quer isso?”

  • Sim, entendi… parece que você está se dando um limite: promoções não são para você. Perfeito, porém o que te coloca do lado de lá do círculo dos que merecem uma promoção?

  • Me vem a voz do meu pai na cabeça me dizendo que eu não sou bom o suficiente.

 

 

Em geral tenho observado alguns comportamentos comuns em pessoas que planejam mas não executam seus planejamentos. Um deles é uma motivação inadequada que não mexe com a vontade da pessoa em executar suas tarefas, outra é uma incapacidade de perceber uma relação causal entre o comportamento dela e a concretização dos planos e uma última é a percepção do futuro desejado como algo irreal.

A motivação inadequada surge quando a pessoa não encaixa o plano que criou no seu estilo motivacional. Cada um de nós tem uma maneira própria de evocar a motivação para executar planos e desejos, no entanto, muitas vezes os objetivos são de uma natureza contrária a da motivação. Para dar um exemplo, o estilo motivacional da pessoa pode ser de afastamento de coisas ruins, ou seja, ela se motiva à ação quando precisa afastar-se da possibilidade de algo nocivo à ela.

Desta forma, pode trabalhar para não ficar sem água ou luz em casa. Pode cuidar da saúde após ter uma doença, ou seja cuida da saúde não para adquirir mais saúde e sim para evitar uma doença. Quando em estilo como este se depara com um objetivo que vá exigir o seu esforço em prol de algo que vai lhe trazer algo bom, mas não causará dano é comum que a pessoa emperre. Por exemplo, não é um estilo motivacional bom para pensar em algo como conseguir uma promoção. Porque? Porque a promoção envolve buscar algo positivo que é o contrário. Adequar o estilo motivacional, numa situação como esse seria algo como: “se eu não conseguir esta promoção posso perder a chance de subir na empresa e eu não quero ficar o resto da vida neste cargo, isso seria horrível”. “Conseguir a promoção” se torna “não ficar mais neste cargo horrível o resto da vida” e, com este discurso a pessoa consegue motivar-se. Obviamente o estilo motivacional não é fixo e pode ser aprendido também.

A incapacidade de perceber uma ligação entre o comportamento e as consequências dele é algo que tem se tornado cada vez mais comum. Parece simples compreender que quando tenho um comportamento ele terá uma consequência e essa é o que me interessa. Porém, por diversos fatores as pessoas não fazem esta ligação e, então, a ideia de comportar-se para atingir um determinado objetivo parece insossa, afinal de contas “para que me mexer se não sei se isso terá algum efeito?”. Este último é o discurso padrão quando a pessoa não tem a relação bem estabelecida.

É muito comum que pessoas com este comportamento sejam colecionadores de fracassos e arrependimentos. O que é importante fazer neste caso é ligar a ação que elas tiveram no passado com os resultados que obtiveram. Este exercício pode ajudar a pessoa a estabelecer uma ligação e, a partir disso já ter delineado o tipo de comportamento que elas não querem. A partir disso pode-se inferir sobre o tipo de comportamento que levaria elas à execução dos planos e aos resultados que isso lhe traria. Quando se junta este elemento com a motivação adequada temos um bom propulsor para execução das tarefas e desejos.

Por fim, quando a pessoa faz um plano, um bom plano diga-se de passagem, ela cria para si o que chamamos de futuro propulsor. Este é aquela visão de um futuro no qual atingi meus objetivos e, neste cenário, sinto-me bem. Porém este futuro, por melhor que seja, nem sempre é visualizado como “possível” ou como “real” pelas pessoas. Os dois problemas acima podem ser a fonte deste terceiro, ou seja o futuro criado pode ser ótimo, mas não mexe na motivação da pessoa, logo ela o vê como irreal ou, então, ela percebe o futuro como desejado, mas não faz ligação entre o seu comportamento e a criação deste futuro, ele parece-lhe, assim, inalcançável.

Porém, algumas pessoas estão com ambos elementos bem organizados e ainda assim não vão atrás do plano, o futuro ainda parece irreal. É o caso de começar questionando-se se você merece este futuro. Neste último caso as pessoas não caminham em direção ao futuro desejado porque não sentem-se merecedoras, é uma questão de auto estima, na qual a pessoa não se vê como alguém digno de um futuro como esse. Fácil imaginar que as causas podem ser várias, mas é importante, em todas elas questionar a crença no não-merecimento, ou seja: o que faz com que você não seja digno? Este “não merecer” é uma punição ou um limite imposto? Determinar isso ajuda a libertar-se e construir o merecimento que basicamente é a ligação entre comportar-se e conseguir o que se quer.

Um último adendo é que muitas pessoas simplesmente não conseguem porque não agem. Agir é importante porque um bom plano é apenas isso, um bom plano. Então, se você já planejou, aja ou então seu plano será apenas mais uma bela história que você não viveu.

Abraço

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Horários
27/07/2015

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  • Não sei mais Akim… tô muito perdido sabe?

  • Sim, entendo.

  • Está difícil para eu me manter nos meus horários, esqueço uma coisa, chego atrasado em outras…

  • Sim… o que tem a ver com você isso?

  • O que?

  • A dificuldade para determinar teus horários tem tudo a ver com você nesse momento.

  • Hum… não sei direito… eu também não estou muito feliz ultimamente.

  • Sim. Não sei, mas me parece que estes “atrasos” querem dizer algo sobre as atividades que você está fazendo.

  • Pode ser… não sei direito se quero fazer o que estou fazendo.

  • Imagino… quais as tuas prioridades neste momento?

 

Administrar o tempo, ao contrário do que se diz e se pensa é muito mais do administrar um conjunto de horas dentro de um dia. Tem a ver com a sua pessoa e o seu estilo de vida. A pergunta que sempre faço é: o que te motiva a usar teu tempo – que é limitado – nisso que você escolhe?

O tempo que temos é finito e não sabemos exatamente quando ira acabar. Isso faz dele algo único, o tempo de hoje não pode ser mais usado amanhã. Desta maneira quando escolhemos usar o tempo para determinadas atividades estamos, com isso, moldando a nossa vida de uma determinada maneira. Atrasos, como no caso acima podem ser uma indefinição à respeito do que fazer com o tempo ou da maneira pela qual a pessoa lida com suas escolhas.

Assim “atrasar-se” não é apenas uma questão de acaso, mas de estilo de vida. Porque sempre postergo aquilo que escolho, ao invés de resolver as coisas “na hora” é uma pergunta válida, por exemplo. Atrasar, neste aspecto, é uma escolha que deixo um pouco para depois – vale lembrar que neste posto falo sobre o comportamento de quem se atrasa sempre e não de um ou outro atraso ocasional.

Em terapia já atendi muitas pessoas que dizem: “mas não consigo chegar no horário, meu trabalho me prende”. Torna-se evidente logo mais que essas pessoas sempre deixam as suas escolhas pessoais para depois também, colocam-se em segundo plano em tudo. Assim, não tiram férias por causa dos filhos, não fazem seu lazer por causa da mulher – ou do marido, e não chegam no horário por causa do trabalho. O que eles estão realmente dizendo é que preferem deixar o tempo reservado para suas escolhas com outras pessoas e tarefas. “Se você esperar o mundo dar tempo para fazer o que quer, vai esperar sentado”.

Assim o uso que damos ao tempo está intimamente ligado à nossa personalidade e à maneira pela qual lidamos com nossas atividades e escolhas. É importante ver quais as prioridades que temos na vida e saber que a não ser que criemos a brecha na qual iremos fazer nossas atividades, o mundo irá sempre nos trazer demandas. Criar esta brecha e escolher usar o seu tempo para algo que você deseja significa não fazer outras coisas, por esta razão é que é importante que suas prioridades estejam bem organizadas, se não estiverem, vale usar um pouco de tempo para fazer isso.

E aí, que horas você vai viver a sua vida?

Abraço

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Me encontrar
20/07/2015

se encontrar

  • Mas Akim… como que eu vou saber o que fazer se nem sei quem sou?

  • Qual o problema?

  • Esse! Se não sei quem sou, não sei o quero não é lógico?

  • É. Porém… saber que não sabe quem é implica em saber quem se é.

  • Como?

  • Para você saber que não sabe quem é você precisa ter um modelo de quem você é para comparar o modelo com quem você é hoje e afirmar: isto não sou eu.

  • Hum…

  • Em outras palavras: como você sabe que não sabe quem é?

  • Eu deveria ser mais… sei lá… corajoso.

  • Então você é covarde ou está com medo?

  • Sim.

  • E você sabe disso? Reconhece isso aí na sua experiência?

  • Sim.

  • Ótimo, você é isso! Agora sabe “quem” é: neste momento, a experiência do medo.

  • Que louco isso…

 

Se encontrar. Este parece ser um grande desejo das pessoas hoje em dia. “Ser eu mesmo”. Porém, como fazê-lo? Talvez o primeiro passo seja pensando de uma maneira útil na questão.

Quando pensamos em “nos encontrar” temos que compreender que o nosso “eu” já está aí, pronto em algum lugar apenas esperando para ser descoberto. Uma maneira muito cartesiana de refletir, inclusive. A verdade (ou o “eu”) está na natureza, apenas precisamos capturar isso, compreender isso e tudo estará resolvido. O problema que surge, então é: procurar aonde?

As pessoas, com isso vão atrás das respostas disponíveis. Em nossa cultura, o consumo é a grande resposta e hoje ele aparece transvestido de várias maneiras: o consumo de amigos, de relações, de festas assim como o clássico consumo de produtos em sua grande infinidade. Outras pessoas aparentemente com um pouco mais de consciência buscam psicoterapia ou outras formas de auto descoberta. No entanto, muitas delas continuam com o paradigma de se encontrar em algum lugar (talvez, neste workshop, eu consiga). Ledo engano.

O problema é que o “eu” que buscamos não pode ser encontrado por estas vias. Em primeiro lugar porque o “eu” não é uma coisa, ele não é uma substância que pode ser encontrada em algum lugar assim como encontramos as chaves do carro que esquecemos na cômoda. Assim sendo o “eu” não está em algum lugar, muito menos ele está “pronto” e esperando por ser descoberto por nós. O que seria até um certo contra-senso: como eu posso me achar em algum lugar se não sei quem sou? (Sei o que minhas chaves do carro são, por isso posso encontrá-las, mas como não sei quem sou, como vou me achar em algum lugar – mesmo que o eu pudesse ser encontrado eu não o veria)

Para resolver o problema talvez tenhamos que voltar ao oráculo de Delfos para compreender a questão do “eu” de uma maneira mais útil. “Conhece-te a ti mesmo” diz o oráculo. Ora, embora o conselho pareça óbvio, ele se torna mais enigmático à medida em que adentramos na sua elaboração. Conhece-te a ti mesmo tem uma implicação um tanto desconfortável para nós ocidentais. Implica que não somos um “eu” inteiro, ou seja, temos um eu que “é” e um que o “conhece”. Como?

Para que eu conheça algo é preciso observar este algo, compreender de alguma maneira. Mesmo que isso se dê na relação, a relação implica dois seres. Assim sendo o eu que “conhece” é diferente do eu que é conhecido. Quando o oráculo diz “conhece-te a ti mesmo” ele está dizendo que o “eu” que manifestamos é apenas mais uma experiência e não “a” experiência, como gostamos de achar no ocidente. Se conhecer está, então envolvido em experimentar aquilo que dizemos que somos e compôr um conhecimento sobre esta experiência. Saber que esta experiência é apenas mais uma é, por fim, a grande sacada à respeito do ato de “se encontrar”.

De outra forma: quando pequeno experimentava quem sou através das brincadeiras com outras crianças, por exemplo. Quando adulto posso seguir a mesma linha e me perceber no convívio com outras pessoas em bares e festas. No entanto, também posso experimentar quem sou no meu trabalho. O encontro com o “eu” se dá quando se percebe que o “eu” é a experiência e não uma coisa ou entidade. Se encontrar, então, tem muito mais à ver com experimentar aquilo que acho que sou, compreender o que e como vivi isso e, com base nesta experiência e na compreensão extraída dela, decidir o que se continuará fazendo.

Nós temos a tendência de nos identificar com as nossas experiências e dizermos que somos elas. Isto leva à um engessamento que pode ser proveitoso para algumas coisas e prejudicial quando as situações requerem comportamentos novos. Quando é possível ampliar ou modificar o que chamamos de eu, podemos ter uma compreensão ainda maior do que “somos”, ou seja, do processo que usamos para dar à nós uma identidade capaz de ser concretizada no mundo.

Mas enfim, como se encontrar? Preste atenção à sua experiência. Ao que já ocorre com você, em você, ao como você sente, pensa e age. Isso é a experiência que você se permite ter daquilo que você considera ser você. O encontro está exatamente aí. Não em algo externo, e acabado, mas em algo interno e em constante processo de “vir-a-ser”.

Abraço

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Dai-me paciência!
13/07/2015

daime paciencia

  • Akim… hoje você vai se irritar comigo.

  • Ah é, porque?

  • Eu recaí novamente.

  • Entendi, o que aconteceu?

  • Ah… peguei a gúria lá de novo, não aguentei.

  • E o resultado?

  • O de sempre.

  • Ok. Bem, antes de entender a recaída, me diga: porque vou ficar irritado com isso?

  • Ah… a gente trabalha um monte e eu não mudo.

  • Hum, entendi. Mas veja, o simples fato de perceber que ficar com ela é uma “recaída” já é muito bom pra mim.

  • É… você sempre tem isso de olhar para o lado bom.

  • Você está mudando o comportamento, porque não deveria olhar para isso?

  • Mas foi muito tempo para entender isso.

  • Foi o seu tempo… talvez você esteja irritado com você não é mesmo?

  • É… talvez seja mais isso… eu sabia que ia dar errado… mas fiz de novo sabe?

  • Sei… e não te censuro por isso, acho que a sua dor já te basta.

Acredito que quase todo mundo já teve esta necessidade na vida: ter paciência. Muitas são as piadas com isso “dai-me paciência porque se me der força eu mato” ou “dai-me paciência, mas me dê agora!”. Porém a questão é sempre a mesma: como gerar este estado?

O primeiro engano é achar que devemos nos sentir neutros ou ignorar o que está acontecendo. Porque? Porque para ignorar eu preciso, primeiro, perceber e me incomodar. Ignorar é um esforço para tornar algo que está na minha percepção menos valorizado, porém o fato é que aquilo que me incomoda fica sempre na percepção o que, também, gera incomodo. Ser neutro é algo de outra esfera física, Ao humano não é possível “ser neutro”, ou seja, se algo mexe com a gente, simplesmente aceite isso e lide com a sua reação, este é o caminho para começar a ter paciência. E, por fim, é um engano porque as pessoas que são pacientes não são neutras e nem ignoram o que está ocorrendo, elas tem uma outra reação.

A estrutura da paciência requer que você perceba o que está acontecendo, de valor para o que incomoda. No entanto, quando digo dar valor, é importante saber “qual” valor dar. Pessoas pacientes entendem os elementos que as incomodam como algo que não é delas. Ou seja, o vizinho chato não é um “problema meu”, ELE é chato, neste sentido, ele tem um problema. Ao perceber a situação dessa maneira existe uma sensação de “estar de fora”, esta sensação causa uma tranquilidade.

Outro fator importante na elaboração do estado de paciência é observar o comportamento ao longo do tempo, para isso, a primeira condição (acima citada) é importante. Ao estar distante do comportamento posso entender a pessoa ao longo de sua história de vida. Vendo desta perspectiva ampla o comportamento que está sendo exibido saí do “momento” e entra na “história”, com isso é mais fácil perceber que a pessoa não está sendo assim “com você”, ela, simplesmente, é assim. Isso também ajuda a não levar para o lado pessoal, outra característica da paciência.

Ao ver o comportamento como algo construído ao longo do tempo, também é possível se colocar num papel diferente. Se eu não sou o alvo dessa pessoa maligna e sim, mas um com o qual ela se relaciona desta maneira, que posso ser? Posso ser um professor, posso ser alguém com quem ela poderá ter uma surpresa, posso ser uma pessoa que (finalmente) vai entendê-la, ou encará-la. Assumir este papel é lidar com o comportamento e não com a pessoa. Uma vez que esta perspectiva é assumida “ser paciente” não é algo com a pessoa e sim com a maneira dela se comportar. Isso cria um desapego em relação à mudar a pessoa o que culmina numa paciência mais estruturada.

Em resumo, podemos dizer que a paciência se organiza quando a pessoa percebe o comportamento como intrínseco da pessoa e dá atenção ao comportamento e não à pessoa (ou seja, não faz juízo moral dela e não leva para o lado pessoal), percebe este comportamento como algo gerado ao longo do tempo, se coloca numa atitude positiva frente ao comportamento e não assume como seu o problema, apenas a postura que irá assumir frente à ele.

E aí, ajudo ou tenho que ter paciência?

Abraço

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Sobre o tempo
24/06/2015

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  • Mas isso é muito chato!

  • Porque?

  • Porque vai acontecer só ano que vem!

  • Eu sei. Mas é o seu desejo não é?

  • Sim… mas eu queria agora!

  • Eu sei… mas não dá!

  • Porque não?!

  • Pergunte à natureza… ela que decidiu que bebes demoram 9 meses pra nascer… porque ao invés de pensar no que não está acontecendo agora você não presta atenção às várias sensações que terá enquanto grávida… será uma aventura inesquecível e, no final, passa rápido.

  • Hummmm

 

Você já pensou em como a sua maneira de perceber o tempo afeta a sua vida? Não, não estou falando de como a sua agenda está apertada, mas sim de como você encara a sua agenda.

O tempo é talvez um dos componentes mais importantes da nossa vida e um dos menos explorados. A única questão que vejo com frequência é que temos pouco tempo e como administrar o tempo. Mas pouco se fala sobre como vivenciamos o que chamamos de tempo. Por exemplo, você já percebeu que tem pessoas com um futuro muito claro à sua frente enquanto outras não sabem o que irão fazer na hora do almoço? Essa diferença é apenas em relação à criação de metas? Não, muitas vezes o problema não é com o desejo e sim em não saber olhar para o futuro.

Muitas pessoas, por exemplo, acham que pensar no futuro não vale à pena porque elas não sabem se vão poder fazer aquilo que desejam. Daí que mantém o futuro escuro, ou seja, sem planos. Pensar à longo prazo e conseguir visualizar um futuro não se trata de se ele irá ou não acontecer, mas sim da competência para fazer isso motivar os seus comportamentos atuais. Em geral pessoas com este pensamento, são, na verdade, reféns do presente. Ou seja, não é que elas não acreditam que podem ter um futuro melhor, mas seu pensamento se limita às sensações que sentem agora.

O outro lado da moeda também é válido. Tem pessoas que estão tão focadas no futuro que sua mente não consegue se deslocar para o aqui e agora e viver algo prazeroso que está acontecendo. Outros são vítimas de seus passados e andam para frente, porém de costas, apenas vendo aquilo que já passou. É a pessoa que está sempre chafurdando suas memórias e eventos passados. Vive dos contos sobre aquilo que lhe aconteceu.

Presente, passado e futuro possuem propriedades importantes para as pessoas e suas evoluções pessoais. O futuro, por exemplo, é um importante motivador da ação. A ideia de um futuro melhor pode nos mover e organizar planos de longo prazo. Ninguém faz um sacrifício se não pensa – pelo menos um pouco – num momento futuro. Já o passado pode ser fonte de aprendizado e gratidão que são importantes para sustentar a pessoa no presente, algo como “vim até aqui, então posso ir à frente”. O presente é onde as coisas realmente acontecem e estar em contato com ele é estar em contato com a vida em si. Um sem o outro não fazem sentido, tornam-se limitantes.

Qual o seu foco? Qual o tipo de ‘tempo’ que você não gosta de perceber? Tudo isso tem relação com o como você organiza o tempo em sua mente e com as competências para fazer isso. Quem não gosta de futuro tem dificuldade em planejar, quem não gosta do passado tem dificuldade em relembrar e quem não gosta do presente não gosta de sentir. Obviamente esta lista não é exaustiva e existem outras razões.

Abraço

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Dia dos namorados?
12/06/2015

 

Dia dos namorados

Não vou celebrar o dia dos namorados!

 

Dar aos namorados um dia é dar valor aos namorados, ou seja, àqueles que namoram. Isto significa dizer que celebro o papel daqueles que namoram.

Ao celebrar o título “namorado” em primeiro lugar excluo todos que não namoram – motivo de muitas dores no dia dos namorados – e em segundo dou crédito à ideia de que o título de namorado (a) é mais importante do que o namorar. Indo na contramão da contracultura, diria que o comércio está certo em dizer que você deve presentear no dia dos namorados, afinal é um reconhecimento à pessoa e ao título que ela carrega o que se está celebrando, assim sendo, porque não presentear? É como aqueles eventos em que damos um troféu para o melhor “alguma coisa” do ano. Damos um presente, um troféu para a pessoa por ser uma namorada (e, em muitos casos por aturar tanto tempo quem presenteia).

 

Não vou celebrar isso, isso não me representa.

 

Quem sabe, então, uma vertente mais abrangente do que o dia dos namorados pode ser?

Quem sabe poderíamos celebrar o dia do “enamorar-se”?

 

Quando falo do namorado, me refiro à pessoa, ao título. Quando falo do “enamorar-se” me refiro ao que acontece quando os olhos se encontram, quando a barriga esfria e a respiração prende. Quando nossa alma se percebe fisgada como que por uma magia por outra alma. Falo da experiência, falo do sentir, falo daquilo que é o que realmente nos faz, mais tarde, nos tornarmos namorados de alguém, noivos e conjugues.

Não quero celebrar “alguém” ou o meu título com este alguém porque existe algo muito maior entre nós dois e foi isso o que nos fez e faz estarmos juntos. Não é que o outro não seja importante ou eu mesmo, mas que o título não faz sentido nenhum sem a experiência – acredito que quase todo mundo já passou pela insossa experiência de estar junto com alguém, mas sem estar enamorado desse alguém, o que é, simplesmente, um tédio, frente ao qual, preferimos a morte.

A experiência é o que dá a base, é ela e a partir dela, que estruturamos relações e não sem ela. Mesmo nos casamentos arranjados existe uma grande preocupação com isso. Ninguém quer viver a vida ao lado de alguém sem nunca sentir paixão.

 

Desta maneira, convido o leitor à fazer um exercício muito pouco comum. Entre em contato com o momento em que percebeu a paixão pela pessoa com quem você está hoje. Pode ter sido no cruzamento de um olhar, no meio de uma dança, entre um copo e outro de cerveja, numa sala de aula, no cinema, shopping, lembre-se. Lembre-se da sensação que você sentiu, aquela “coisa estranha”, que nos fere porque abre uma ferida que só pode ser preenchido pela mesma coisa que causa esta ferida, lembre-se do seu sorriso – aberto ou contido – da pulsação do seu coração. Lembre-se disso. Agora esqueça um pouco do seu parceiro e fique em contato com a sua emoção. Entre em contato com este enamorar-se. Perceba o tamanho e o poder desta energia. Sua vivacidade, o que ela causa em você – e nos outros.

 

Pronto. Isto é o que eu acho que deveríamos celebrar. Esta energia. Este enamorar-se.

 

É perfeito – para mim, pelo menos – porque é como se relacionar: é algo que é seu, mas não é só seu. É algo que te envolve e está envolvido por você ao mesmo tempo. É algo que acontece com a gente, mas só enquanto acontece fora da gente também. É algo que está no meio de um nós. É como aquilo que acontece quando as palmas das mãos se encontram: uma não se torna a outra, mas permanece envolvida pela outra. São uma e ao mesmo tempo são duas. E é isso que vale a pena no namorar. Sem isso o namoro vira tédio, sem isso a vida não segue. Sem isso sobrevivemos, mas com isso vivemos.

 

Também vem com a vantagem de não excluir ninguém! Todos sentem o poder do enamorar-se. Não se trata mais de quem tem título e de quem não o tem, é uma celebração à energia que nos faz nos unir em torno de algo que é além de nós. Que por este motivo causa admiração pela força que possui e medo pela situação que nos coloca. Celebrar o dia dos namorados, para mim, é chinfrim. Celebrar a energia de enamorar-se não. E daí o interessante é que é meio estranho dar presentes à uma experiência. Se celebrarmos a experiência o que vamos fazer é buscá-la. Porque não buscar neste dia a experiência de apaixonar-se, de entregar-se à esse poder? Não, não falo de sexo (não apenas, claro). Falo daquele arrebatamento que sentimos. Creio que se isso fosse o mais importante, poderíamos até comprar coisas, mas como ferramentas, meios de chegar nesta emoção e não como um fim em si mesmo.

 

Antes que você diga algo contra sabemos que as emoções podem sim ser evocadas. Na verdade, fazemos isso o tempo todo, só que não dominamos isso em nós. Ouvir uma música pode evocar muitas emoções, ir à um lugar  ou simplesmente recordar e imaginar uma determinada cena nos provoca emoções. Então, fica já a dica de como fazer.

Isso me representa. Celebrar a emoção do enamorar-se, “sentir na pele esta emoção”, evocá-la e, então, poder usufruir dessa energia com uma pessoa, que dentre tantos bilhões de pessoas nessa terra tornou-se especial para nós por causa de um olhar, tarde de uma noite qualquer, numa rua qualquer da cidade, com um copo de uma bebida qualquer… que, no meio de tantos “qualquer” tornou-se “alguém que se quer”.

 

 

Já não mais sou este coração,

este olhar, este respirar.

Já não sou mais estes planos,

estas ideias, estes horizontes.

 

Agora vivo numa interrogação.

Dúvida contínua, insegurança perfeita.

Consumo o meu tempo buscando

Aquilo que mantém o meu tormento.

 

Observar-te dormindo.

Imaginar se dali um momento irá

Sorrir, bocejar

Ou me notar, convidando para um abraço.

 

O futuro só isso pode oferecer:

a dúvida de como vai ser.

E tendo encontrado ele em nós

Nunca mais desejo a certeza conhecer.

 

Identidade e foco
27/05/2015

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  • Tive uma semana péssima.

  • Sério? O que aconteceu?

  • Ah… lá no trabalho que eu tive uma discussão com um colega.

  • Sei, mas o que aconteceu?

  • Discussão sobre projeto, me exaltei, ele também… depois nos resolvemos, mas… chato né?

  • Sim. O que mais?

  • Como assim?

  • “Semana péssima”?

  • Ah, não, só isso na verdade…

  • Ah… só isso? Hum… puxa… interessante que “só isso” equivale à “semana toda” né?

  • (Risos) É verdade… pior que se você me perguntar da minha semana, isso salta nos olhos e o resto é quase como se não me lembrasse.

  • Sim… foco né?

  • É… eu sou meio assim mesmo.

 

Existe uma profunda relação entre aquilo com o que nos identificamos e aquilo que damos atenção e foco em nossas vidas. Compreender que o foco não é uma atividade passiva é fundamental para ajudar você a  perceber o seu foco assim como a modificá-lo, caso queira.

Ocorre que prestar atenção em determinado fenômeno ao invés de outro parte da noção de que temos ideias pré-concebidas à respeito daquilo que observamos. O olhar funciona da mesma maneira. Ver não é um fenômeno passível no qual a luz entra em nossos olhos e então vemos. O processamento daquilo que será armazenado no cérebro e visto pelo olho é ativo, ou seja, existe intenção no olhar. Ao olhar algo a pessoa busca determinadas informações ao invés de outras.

O foco em nossa mente é idêntico à este processo. A mente, uma vez estabelecido “o que deve ser visto, valorizado”, busca ativamente por estes detalhes nas memórias, em sensações, experiências assim como no próprio raciocínio. Várias vezes na clínica as pessoas dizem que o pensamento está “emperrado”, ou seja, não importa por onde elas comecem a pensar, o raciocínio sempre cai na mesma lógica e no mesmo final. Valorizam-se determinados estados emocionais em detrimento dos outros, determinadas experiências e memórias, assim como sensações, usando os mesmos dados da mesma forma e no mesmo contexto não é de se admirar que a conclusão seja a mesma.

A pessoa quando estabelece este foco passa a identificar-se com o tipo de experiência que resulta dele. Ela assume que “aquilo é para ela”. Quando a identificação acontece, tudo aquilo que não é igual (idêntico) ao que a pessoa imagina sobre si não passa pelo crivo e não é percebido. Assim, no caso acima, por exemplo, o resumo da semana daquela pessoa era a briga, ela não se lembrava – de fato – do restante porque apenas aquele evento tem a ver com a identificação que a pessoa tem de si.

Obviamente, cria-se uma roda viva na qual um elemento alimenta o outro. Quanto mais a identidade é forte, mais forte os crivos pelos quais a percepção se dá e mais rígido torna-se o padrão de raciocínio. Isso ocorre com todos nós. Porém existem maneiras de reflexão que não são úteis e algumas são até mesmo nocivas para algumas pessoas. Assim é importante conhecer este processo e poder interferir nele. De que maneira? A mais rápida e eficiente é se propor novas experiências que consigam colocar em cheque os pressupostos antigos. Desta maneira abre-se uma brecha no raciocínio que estará sendo alimentado por outros dados conflitantes com os anteriores, deste conflito pode nascer uma nova maneira de perceber você mesmo e o mundo.

Abraço

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O paradoxo do medo
14/05/2015

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  • Eu não sei mais o que fazer!

  • Porque?

  • Tudo aquilo que eu temia tá acontecendo sabe?

  • Sim…

  • Ele não está mais aguentando ficar perto de mim.

  • Sim… como você tem contribuído para isso?

  • Nossa… como  assim?

  • Eu sei que este é um medo seu e respeito isso, por outro lado você tem contribuído para ele se concretizar, já falamos disso antes.

  • Tá… eu sei… eu fico em cima o tempo todo, fico desconfiando de tudo o que ele faz… para mim ele já tem outra pessoa!

  • Sim e são estas fantasias que organizam o que você tem feito… você perguntou: o que fazer… o que você acha?

  • Mas eu tenho medo de não ficar controlando ele.

  • Sim, eu sei, mas a sua forma atual de lidar com a situação não está ajudando está?

  • É… não está…

 

Talvez um dos maiores paradoxos com os quais eu já tive contato foi a “profecia que se auto realiza”. Embora ela não precise estar calcada no medo, em geral está. É, de forma simplista, quando a pessoa teme algo de uma maneira que o seu comportamento acaba criando a situação que ela própria teme.

O medo em geral faz com que a pessoa tenda a se afastar do objeto que desperta a emoção. No entanto, muitas vezes a pessoa tende a se afastar da própria emoção. Em vários posts já coloquei que o medo tem a ver com algo que não sabemos como lidar e que, por este motivo, fantasiamos que pode nos causar um dano maior do que o que podemos suportar. Desta maneira, quando nos afastamos da emoção do medo nos afastamos, também do aprendizado que poderíamos ter e então, passamos a querer controlar.

O controle é uma das respostas básicas ao medo. Ao invés de se tornar mais competente para lidar com o mundo a pessoa deseja tornar o mundo um lugar em que ela consiga viver de acordo com suas limitações. Para isso passa a cercear e a sabotar a si e aos outros para que todos os comportamentos e situações vividas se encaixem dentro de um modelo de mundo “seguro” porém extremamente limitado.

É neste movimento em que a pessoa começa a causar para si o dano que tanto teme. O exemplo mais clássico é a pessoa que tem medo de ser trocada ou traída e passa, com isso, a cercear todas as amizades do conjugue, minar todo e qualquer comportamento de sair de casa em lugares onde terão contato com outras pessoas, criticar pessoas novas que o conjugue possa conhecer, tentar ser mais do que suficiente para a pessoa superprotegendo ela e a relação.

Ao longo do tempo estes comportamentos começam a sufocar o conjugue que começa a sentir a prisão na qual entrou. Inicialmente a pessoa pensa que se trata apenas de uma forma de relação “apaixonada” e que será possível viver outras experiências. Logo depois começa a entender que o conjugue está deliberadamente tentando mante-lo preso e finalmente se rebela. No momento em que um se rebela, o outro enfrenta o seu medo.

Assim sendo o melhor caminho para não criar para si o próprio medo é aprender com ele. Aceitar a emoção, compreender suas motivações inconscientes, aprender papel que você interpreta com ela e, com isso começar a mudar de dentro para fora. Mudar o seu sistema de crenças, seus comportamentos e atitudes e então, aprender, de fato, a lidar com o medo e com a situação.

Você tem medo de que?

Abraço

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Motivando-se
11/05/2015

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  • Eu ando meio desmotivado

  • Em relação à que?

  • Aos meus estudos sabe?

  • Hum, o que faz com que você se sinta assim?

  • Eles não estão andando direito…

  • E o que você faz que permite que eles sigam assim?

  • É… eu não sei sabe? Parece que quando eu vi o dia já passou.

  • Bem, precisa se organizar melhor não é?

  • Sim…

  • O que mais?

  • Parece que eles estão meio distante de mim sabe?

  • Claro que sei… veja, você sabe que quer isso, porém, quando não faz você se acostuma, de fato, a não estar próximo.

  • Como se cada vez que eu não faço me distancio mais?

  • Sim, exatamente! Colocando-se mais próximo e executando você via poder sentir motivação novamente. E se não, podemos tratar disso!

 

Motivar-se é uma ciência e uma arte. Já discuti em posts anteriores sobre a estrutura da motivação advinda dos trabalhos de Leslie Cameron-Bandler. Relembrando brevemente a motivação é uma emoção cuja estrutura pressupõe a visualização de um futuro que a pessoa perceba melhor do que o presente, altamente desejável e que a própria pessoa sinta que tem as competências, o desejo e a permissão interna para criar. Ao contrário do que se pensa a motivação não é uma emoção de alta intensidade, mas sim moderada (aqui percebemos a diferença de motivados e empolgados, diga-se de passagem).

Porém a motivação no dia a dia requer algo mais do que esta visualização. O hábito de estar motivado requer comportamentos como, por exemplo, lembrar-se diariamente daquilo que se deseja. Ora, muitas pessoas até sabem aquilo que desejam – o seu “motivador” – porém, não evocam este elemento, ou o fazem apenas nos dias de folga o que deixa o desejo muito ao léu e ele é facilmente esquecido desmotivando a pessoa que sente que tem que começar tudo do zero sempre que lembra-se de suas metas. Assim um dos pontos importantes é organizar um momento do seu dia para retomar aquilo que deseja. Isso é manter a motivação ativa, o desejo “queimando”.

Outro fator importante é programar o seu desejo como parte de sua rotina. Todos os dias a pessoa deve estar lidando com o que deseja afim de manter-se motivada. Aqui, pode-se pensar em “mínimos” e “máximos”, ou seja, alguns desejos são mais simples e rapidamente resolvidos. Outros são mais complexos e demoram mais tempo. Assim todos os dias a pessoa deve ter um contato “mínimo” com o seu desejo, ou seja, ter algum tipo de comportamento relativo à execução daquilo que deseja. Pode se estabelecer um “máximo” também afim de não se perder apenas na sua meta e deixar de lado outros fatores importantes da vida.

O que nos leva à mais um elemento fundamental para manter a motivação acesa que é saber organizar seus planos em várias etapas. Quanto maior é o plano, mais você precisará disso. Aprender a dividir a meta em pequenos pedaços e comemorar a realização de cada um deles por mais inócuo que ele pareça ajuda nosso cérebro a entender que estamos mais próximos daquilo que desejamos e isso melhora a sensação de motivação.

Programar-se para eventuais problemas no ritmo de seu trabalho também é algo importante. É ingenuidade achar que tudo aquilo que planjamos ocorre exatamente como pensamos. Às vezes isso até ocorre, noutras, principalmente em projetos de longo prazo é mais difícil de ocorrer. Assim é importante deixar espaços livres para eventuais problemas que possam surgir, programar-se sobre o que fazer no caso de um problema financeiro, antecipar alguma eventual viagem ou problema de saúde podem ser “planos b” necessários e quem já está preparado enfrenta com mais tranquilidade isso além de ficar ainda mais tranquilo no próprio trabalho.

Estas dicas são para você viver bem o seu desejo, espero que te ajudem a se motivar sempre!

Abraço

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Auto domínio
01/05/2015

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  • Eu não sei se quero isso realmente.

  • Hum… e porque está colocando a sua escolha em dúvida?

  • Ah… é que eu não sei direito se vale o esforço.

  • Me pareceu uma ótima escolha, porque não valeria?

  • Bem… eu não sei… tem que fazer tudo sabe?

  • Sei, é claro. Você tem algum problema em relação à isso?

  • É… tipo… eu não sei se consigo direito.

  • O que te impede?

  • Eu meio que largo as coisas sabe? Não termino aquilo que quero…

  • Entendo.

 

Um dos medos comuns ao se enfrentar o futuro e as nossas escolhas é o medo de falhar. Porém, este pode ser apenas a aparência de um outro problema, de uma dinâmica mais profunda.

Quando perguntamos às pessoas o que as faz terem medo de falhar é comum que chegar à compreensão de que problema, de fato, não é o medo da falha, mas sim uma falta de confiança da pessoa em relação à sua própria capacidade de manter-se firme nos seus desígnios. A pessoa teme, neste caso, organizar um objetivo, começar a fazer renúncias para alcançá-lo e, no meio do caminho, simplesmente desviar de sua meta. E não porque uma atividade mais interessante ou mais adequada surgiu, mas simplesmente por sair, trocar o desejo por qualquer outra coisa, quase uma fuga.

O sentimento de auto domínio é a sensação de que aquilo que ocorre dentro de você não são vozes selvagens às quais você não tem algum controle e deverá se curvar. É o que as pessoas sentem quando relatam que tem mais consciência de si, quando percebem seus padrões de comportamento e sentem-se livres para inferir sobre ele, quando fazem planos e os tocam em frente. Sentir auto domínio é perceber-se como “dono de si”, uma sensação da qual muitas pessoas carecem.

O desenvolvimento do auto domínio passa pelas atitudes de determinar-se uma meta e buscá-la. Pelo ato de fazer renúncias ao longo da jornada, manter-se no foco daquilo que se deseja, estando atento ao seu interior. Envolve a capacidade de perceber desejos contrários, emoções “estranhas” e dar conta de manter-se no seu rumo enquanto verifica o que ocorre consigo próprio. É a sensação de confiar no seu próprio processo interno ao invés de sentir medo de que “algo me sabote” ou de que “eu me sabote”.

Aprender a manter um estado de tensão saudável é importante para desenvolver o auto domínio. Tensão demais é hipertensão e mantém a pessoa rígida demais, dura, ela quebra rapidamente. Tensão de menos é hipotensão e a pessoa se torna uma geleia que não se movimenta. A tensão saudável é aquela que mantém a pessoa ativa e ainda assim flexível o suficiente para fazer mudanças necessárias em seus planos. Note que usei a expressão “necessárias”, ou seja, quando se tem auto domínio possuímos a flexibilidade para mudar e, junto com isso, o julgamento de verificar a necessidade desta mudança – assim como sua importância.

Desenvolver este estado é aquilo que serve como resposta ao problema de não se sentir capaz de alcançar um objetivo pelo medo de se perder ou de se sabotar no meio do caminho. Que tal começar hoje?

Abraço

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