Escolher e perder
18/05/2015

540x293_20140207_1e3fc5728481966b61fe26a4c6659fbc_png

 

  • Eu acho que não fiz uma boa escolha.

  • O que te faz pensar isso?

  • Ah… é que, depois que eu cheguei em casa eu me senti sozinho sabe?

  • Sim, terminar com alguém implica em solidão.

  • É… mas não esperava por isso.

  • Hum… como você está encarando esta emoção?

  • De que eu fiz a escolha errada.

  • Entendi. Algo como: se você escolher certo vai ficar super feliz e não ficar assim vai ficar triste?

  • É! Não é isso?

  • Não. Nem sempre nossas escolhas nos deixam felizes e nem por isso são más escolhas.

  • Nossa… que estranho isso!

 

Um dos pontos poucos enfatizados na nossa sociedade de escolhas é que toda escolha implica em perdas. A propaganda que se faz, no entanto, é justamente contrária à esta realidade intuitiva.

O que se tem culturalmente falando é que devemos fazer a maior e melhor quantidade de escolhas possíveis. Coloca-se nessa “capacidade” de fazer várias escolhas o caminho que nos levará à felicidade. Este pensamento é fruto de uma época em que haviam poucas escolhas. Neste momento a ideia de expandir a quantidade de escolhas disponíveis era válida e é fato que entre ter um caminho disponível e mais caminhos a possibilidade de ter mais caminhos pode ajudar a pessoa a escolher algo que se ajusta melhor à ela.

Por outro lado uma diversidade muito grande de caminhos atrapalha tanto quanto a escassez deles. Associada à uma ideia de que você “tem que” experimentar a diversidade não apenas atrapalha como aprisiona. A partir do momento em que a pessoa se identifica como aquele que deve fazer várias escolhas e experimentar todas as opções disponíveis ele já não escolhe por desejo, mas sim porque tem que escolher, por vontade e não pode desejo.

A diferença? Muito evidente: o desejo constrói sentido para a escolha, a vontade não. Daí que temos, no campo das relações humanas, várias pessoas que ficam, transam e mantém tipos de relações com várias pessoas sem ter um desejo de fato por nenhuma delas. Apenas “experimentam” humanos como se estivessem provando sapatos. O que torna isso um problema é a concepção de que se “deve” fazer isso e não de se escolher, ou seja, envolver-se no desejo de ter experiências. O desejo leva à frustração o dever não.

Daí que paradoxalmente, na nossa sociedade quanto mais as pessoas tem escolhas disponíveis e mais sentem-se na obrigação de provas todas estas opções, mais elas não estão escolhendo de fato. Porque a escolha implica em desejar e isso implica em abrir mão de outras opções em detrimento de uma o que leva à frustração de uma certa forma. Veja que não se trata de estar ou não feliz com a escolha que se fez, mas sim de saber que, ao optar por um determinado caminho, abre-se mão dos outros. Viver com esta consciência é algo que a nossa sociedade de consumo não consegue suportar.

Psicologicamente falando as pessoas se defendem dessa realidade justamente tornando todas as suas escolhas “neutras”. O famoso discurso “ah, se não der, não deu” que, muitas vezes, apenas mascara um falso desprendimento em relação àquilo que se deseja e mostra uma dificuldade enorme em lidar com a possibilidade de se frustrar frente à sua própria escolha e, além disso, de lidar com a “perda de liberdade”. Coloco as aspas porque liberdade significa escolher os limites que você vai ter e não o poder de escolher qualquer coisa de qualquer jeito em qualquer momento seguindo os impulsos e sem viver nenhuma consequência – poder este apregoado pela nossa cultura.

No entanto o sentido e o “tesão” das escolhas está justamente nessa tensão gerada quando sabemos que estamos escolhendo algo e que isso significa a renúncia de algumas coisas em detrimento de outras e a possibilidade de fracasso. É isso que aguça nossos sentidos de maneira vital e saudável ao invés da maneira neurótica que temos vivido hoje sempre correndo atrás de uma opção que nos trará satisfação garantida.

E você, ainda correndo atrás da cenoura dourada?

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

Felicidade, porque não?
03/08/2014

download (7)

  • Tenho me sentido mal, perdido.

  • Entendo.

  • Como se nada mais fizesse sentido, como se eu não prestasse sabe?

  • Sei sim.

  • To triste mesmo…

  • Me lembro que você estava baixando um monte de músicas novas esses dias, tem ouvido elas?

  • Não.

  • Porque?

  • Ah, sei lá… devem ser brega…

  • E se forem, mas você gostar delas, qual o problema?

  • Ah… não sei… não tem problema?

  • Me diga você.

  • Acho que não né?

  • Também acho… Você tem se dado várias propostas, mas não tem feito elas não é mesmo?

  • Sim… você sabe disso…

  • Sei sim, também sei que provavelmente isso é o porque você está se sentindo perdido!

  • É… eu fico criando mil planos e depois não faço né?

  • Tá lá!

 

Uma das coisas mais complicadas sobre a felicidade é a noção de que ela já está acessível agora para qualquer um.

Nossa sociedade costuma colocar muitos obstáculos para a felicidade, que ela dá trabalho e é difícil, mas, na verdade, quando se para e analisa pessoas que são felizes percebemos que elas estão num estado muito pacífico com elas mesmas, que a felicidade não é algo difícil, mas sim algo que a pessoa não consegue se pensar sem. O que é difícil, não é, portanto, a felicidade, mas sim desvincular-se de algumas crenças que limitam o acesso que temos ao que já está bem em nós, agora, sem que mudemos absolutamente nada, você conhece algumas dessas crenças?

“Quando eu…” Esta crença pressupõe que a felicidade virá num momento futuro, quando a pessoa emagrecer, ganhar dinheiro, passar num concurso, casar ou qualquer outra. O fato é que a felicidade se dá no presente e não no futuro. O problema com esta crença é que foca a pessoa num futuro que ainda não ocorreu enquanto ela torna-se negligente com o presente que está ocorrendo de fato.

“Eu não sou bom suficiente” Entender que não somos bons suficientes em algo tem um efeito devastador sobre a nossa auto estima e pode nos impedir de apreciar aquilo que fazemos, o que pensamos e até mesmo o que sentimos. Ao não fazer isso, negligenciamos elementos importantes de nossa própria percepção e, com isto, obviamente no afastamos da nossa própria felicidade.

“As pessoas me dizem que…” Ouvir as opiniões dos outros pode ser importante para o nosso desenvolvimento quando temos a nossa própria opinião para nos dar suporte. Quando apenas seguimos os outros sem pensar podemos estar cometendo graves erros porque a felicidade é, de fato, um tanto individual e mesmo com a melhor das intenções uma pessoa próxima à nós pode não saber exatamente no que consiste ser feliz para nós.

Pessoas que são felizes em geral aprendem a confiar em seus instintos ao mesmo tempo que sabem ouvir os outros. Aprendem a verificar aquilo que funciona para elas não importando muito a procedência – afinal o que importa é o resultado. Elas também possuem uma noção clara de propósitos pessoais com os quais se identificam e utilizam suas virtudes pessoais para cumprir com estes propósitos. São pessoas que também se vinculam à propostas maiores do que elas mesmas servindo à propósitos que vão além dos seus desejos pessoais apenas. A noção daquilo que precisam fazer para estar em contato com sua felicidade é sempre clara para elas e quando não está elas realmente se inquietam com isso, não são da turma do “deixa para depois”, elas agem ao invés de esperarem a resposta cair do céu.

“Estou envolvido com”, “gosto disso em mim”, “adoro fazer isso”, “conversar e trocar ideias é algo que me faz bem” são coisas que ouço das pessoas à medida em que elas se entregam cada vez mais àquilo que as conecta com a sua felicidade. Que tal você começar também?

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

 

Qualidades
22/11/2013

– Mas eu não entendo Akim, para que falar sobre o que eu faço bem? Não tenho que falar da parte ruim para melhorar?

– Claro que sim e vamos falar sobre isso, mas faça um esforço, me conte sobre o que você é bom.

– (Silêncio) É difícil sabe? Eu não sei direito falar sobre isso.

– Sim, é bem mais fácil para você falar sobre o que você não gosta em você não é mesmo?

– Sim.

– Mas se você só olha para isso o tempo todo, como você se vê enquanto pessoa?

– Um fracassado.

– E você gosta de se ver assim?

– Não, óbvio.

– E como você reage à esse jeito de se ver?

– Eu me escondo né? Foi o que vimos semana passada.

– Exato, você se esconde e não quer que ninguém veja isso, fica na defensiva.

– Sim.

– E como você se defende?

– Fugindo.

– Que é a parte “ruim” não é mesmo?

– É.

– E se você tivesse coisas boas para falar sobre você, será que precisaria se esconder tanto? Ou fugir tanto?

– Acho que não… talvez eu enfrentasse mais as coisas… se eu acreditasse nisso…

– Exato…

Água parada mata.

Sempre digo esta frase para meus clientes. Uma qualidade não reconhecida e não empregada causa tanto – ou mais – dano que um “defeito”. A questão é que culturalmente somos educados para tentar “melhorar” aprimorando nossos defeitos ao invés de “ir além” utilizando nossas qualidades.

É comum as pessoas se apegarem aos defeitos e não usarem suas forças e virtudes em detrimento disto o que é um grande erro. Ora, se a pessoa é ótima em matemática, por exemplo, mas não é tão boa em língua portuguesa porque ela deve inutilizar seu conhecimento em matemática por causa da falta de conhecimento em língua portuguesa? Não deve, pelo contrário, as facilidades devem ser utilizadas e comemoradas.

A ideia comum é que temos que ter um ser humano completo: o que adianta tirar 10 em matemática e 5 em línguas? É o argumento comum. Bem, à meu ver adianta muito afinal de contas existem inúmeras situações – e profissões – nas quais a matemática é muito mais importante do que o conhecimento em línguas. Além disso nenhuma pessoa torna-se excelente em tudo, em geral, tendemos a buscar mais conhecimento sobre algo que nos é importante.

O mesmo vale para as forças e virtudes humanas. O ser não precisa ser excelente em todas as virtudes existentes, ele pode viver uma vida muito rica e completa com poucas – os especialistas falam em 5. O grande problema é que ao não usarmos nossas virtudes deixamos de expressar quem somos, ao fazê-lo não valorizamos o nosso eu e com isso destruímos a auto-estima e isso pode causar graves problemas.

Me lembro de um rapaz que atendi: ele era muito bom escritor, porém não era bom em matemática. O pai era o contrário, porém a cobrança – por motivos óbvios – recaia sobre o estudo da matemática. Durante anos este rapaz se culpou por não ser bom em matemática o que lhe fazia não ter tempo para se ocupar em escrever e valorizar o que escrevia. Durante sua terapia incentivei-o a escrever e parar de se ocupar tanto da culpa por não ser bom em matemática. Algum tempo depois ele escreveu um livro e com o sucesso resolveu iniciar outro projeto, sentia-se muito feliz e integrado consigo por estar  fazendo “algo que sempre deveria ter feito”.

Cada ser humano possui as suas qualidades e partes suas que não são tão bem desenvolvidas. Tão importante quanto melhorar algumas das partes não desenvolvidas para melhorar a qualidade de vida é se dar a qualidade de vida com base no que a pessoa já faz bem, nas qualidades que ela já possui. Não fazer isso causa dois problemas: ter que segurar as qualidades dentro de si e se culpar por “não ser tão bom em…”.

Quais são as suas qualidades, forças e virtudes? Como você tem usado elas no seu trabalho, nos seus relacionamentos, na sua vida em geral?

Não deixe o que existe de bom dentro de você morrer ou ficar jogado de lado, cada parte de si que você deixa de lado é uma parte da sua felicidade que morre dentro de você.

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

Felicidade Ansiosa
25/09/2013

– Estou muito feliz hoje

– Oba! E como está sendo isso?

– Eu estou me sentindo meio estranho com isso na verdade.

– Estranho? Como assim?

– É que… não sei… parece que não é muito certo eu ficar feliz sabe?

– Hum… entendo, e como você chegou nessa conclusão?

– Não sei ao certo, mas fico incomodado quando estou me sentindo bem.

– Você acha que você merece sentir-se feliz?

– (silêncio) acho que não…

 

Nathaniel Branden é um excelente autor na área da auto-estima, um dos temas que ele aborda é a “felicidade ansiosa”, ou seja, a pessoa que ao sentir-se feliz ao mesmo tempo fica incomodada com a felicidade que sente, muitas vezes isso é um problema com a auto-estima dela.

 

Quando pergunto ao cliente se ele “merece” sentir-se feliz estou checando este elemento, pois, em geral, a pessoa que sente esta felicidade ansiosa possui um problema no entendimento de merecer ser feliz. É alguém que, por vários motivos, não consegue “se convencer” de que merece ser feliz e sentir-se bem consigo mesmo. Muitas vezes a pessoa consegue perceber o direito do ser humano em ser feliz, porém não consegue realizar o mesmo exercício para si.

A falha em perceber que merece tem a ver com o nosso auto-respeito. Este é gerado quando seguimos de forma adequada as regras que criamos para nós mesmos, é quando temos uma avaliação positiva sobre nós mesmos. Vejo em consultório dois problemas básicos com este aspecto da vida das pessoas: quando não conseguem seguir suas regras e quando as regras não são muito adequadas para o mundo – ou, por vezes não foram criadas pela própria pessoa.

 

Quando o problema está na pessoa não seguir as ideias e fundamentos que julga adequado à sua própria vida é importante que ela comece a fazer o movimento contrário e buscar identificar e valorizar os seus desejos e ideais para que, com isso, ela consiga seguir suas regras. Algumas vezes, também, é uma questão da pessoa desenvolver novas competências que a auxiliem a expressar quem é.

Quando o problema está na inadequação das regras temos que buscar entender o real valor e a origem da ideia e procurar flexibilizá-la para que ela seja mais adequada à pessoa, seus desejos e ao mundo no qual ela vive. Esta flexibilização é importante de ser atingida para que a pessoa possa se libertar da ideia de que é culpada pelo próprio infortúnio ou de que merece sentir dor, pois, de alguma forma, ela é uma “criminosa” para ela mesma.

 

Trabalhar com estes elementos ajuda a pessoa a construir uma sensação de merecer ser feliz e poder se entregar à felicidade. Obviamente existem vários aspectos que necessitam ser trabalhados junto com estes para que o processo se desenrole de forma adequada, porém o cerne é a melhora da auto-estima e a sensação de orgulho e satisfação com as suas obras e com a sua felicidade ao invés da sensação de felicidade ansiosa.

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

 

 

 

 

Infelicidade: um crime?
15/05/2013

– Eu me sinto muito mal sabe?

– Porque?

– Porque eu tenho tudo o que uma pessoa poderia querer, mas não me sinto feliz!

– Hum… você sente-se mal por não ser feliz e supostamente ter que ser assim?

– É… e não é supostamente… eu tenho tudo sabe?

– Sei… mas me parece que esse “tudo” para você não é o que realmente te traz felicidade.

– (silencio)

– Você realmente crê que você deveria ser feliz por causa de tudo isso que você tem?

– Eu não sei… é confuso… eu gosto de todas as coisas que eu tenho e da grana que eu posso usar, mas sei lá… às vezes parece que falta alguma coisa… não é que eu seja mal-agradecido… mas é que tem algo além disso tudo que é o que eu quero, você me entende?

– Eu entendo, mas e você: se permite viver esta percepção que você tem da sua vida?

– Eu não sei… acho que não. Ninguém entende quando eu digo isso, na verdade até tiram sarro: “ah cara, você tem de tudo, não pode ser infeliz!”

– Pois é… que tal se permitir o direito de ser infeliz apesar do que você tem?

– Ai… seria difícil assumir isso…

– Para quem? Para você ou para os outros?

– Para os outros eu acho… Para mim é um pouco, porque daí eu vou ter que bater mais de frente ainda: uma de falar que eu estou infeliz e outra de buscar a minha felicidade com outras coisas.

– Pois é… mas e a “recompensa” de viver de forma autêntica, será que não conta?

– É…

Nossa sociedade de consumidores possui uma exigência: seja feliz. E se você não for?

A infelicidade possui hoje uma sentença criminal, ou seja, o infeliz na nossa sociedade é um pária, alguém que “deu errado” e que, por esta razão, está cometendo um certo tipo de “crime” contra a sociedade na qual vive. A situação se torna ainda mais dramática quando “o infeliz” possui recursos e bens, este não pode “mesmo” ser infeliz ou sentir esta emoção – como se dinheiro e posses fossem vacinas contra a infelicidade.

Existe dois temas importantes, à meu ver, um deles é uma questão pessoal: da pessoa assumir a vida que deseja buscar, verificar a possibilidade de sua realização e então buscar os recursos necessários para criá-la. A outra, um pouco mais profunda e difícil de perceber é a questão social.

Sobre a questão social: o consumo é a marca registrada de nossa sociedade, mas dizer isso apenas é muito superficial, pois existe todo uma cultura por detrás disto que embasa esta sociedade. A cultura consumista está baseada na livre escolha, ou seja, na crença de que todas as pessoas são livres para escolherem e criarem os seus caminhos tal como desejam. Esta crença não encontra um respaldo direto e concreto no mundo real, no entanto é tido como se fosse possível. Para alcançar estas metas o que a pessoa deve fazer? Buscar as ferramentas: as coisas que ela vai comprar para realizar o seu “sonho” de “ser quem é”, de construir um “eu”. Daí que, segundo a cultura consumista, se “querer é poder” e o “poder” é vendido em lojas e por experts, porque não ser feliz? O infeliz é um criminoso duplo: ele vai contra as normas sociais e não cria para si o que deveria estar criando, ou seja, é infeliz e incapaz. Esta incapacidade é que é o seu crime, pois, nos moldes da cultura consumista só é incapaz “quem quer”. Ao refletirmos desta forma nos tornamos cegos aos inúmeros desafios que todos passamos na busca pela felicidade: defini-la (o que é felicidade para mim?), saber como desfrutá-la, conseguir manter o seu posicionamento perante aos outros e ainda lidar com a sua evolução, pois a felicidade hoje pode ser acionada por algo diferente do que será amanhã, a felicidade não é fixa e permanente, exige trabalho e dedicação. Desta forma, quando criminalização uma pessoa por um sentimento socialmente não aceito, tratando-o (a pessoa e o sentimento) como algo “nocivo” ou “errado” (você tem que ser feliz!) estamos, na verdade, empurrando para mais longe a possibilidade desta pessoa realmente encontrar a sua felicidade.

Sobre a questão pessoal: é importante que a pessoa possa sentir-se livre para sentir o que está sentindo. Aceitar um sentimento é o primeiro passo para lidar com ele. Enquanto você não pode aceitar uma emoção, ela não pode existir e se não pode existir como é que vou pensar sobre ela e buscar alternativas? Após aceitar é importante enfrentar o que se está sentido de forma adequada. No caso acima, por exemplo, a pessoa “tinha tudo”, porém desde quando que “ter tudo” = felicidade? Quem disse isso? As pesquisas mostram que a relação entre dinheiro e felicidade é muito frágil: ele ajuda até um certo ponto (o ponto da saciação das necessidades básicas e daí em diante ele tem pouca influência sobre a felicidade). Quando ele conseguiu enfrentar a sua emoção e dizer que não estava feliz conseguiu começar a pensar no que lhe traria felicidade, este rapaz tinha uma mentalidade mais criativa e empreendedora: era um fazedor, um produtor e, portanto, passar tardes ocioso, sem fazer nada, apenas seguindo o papel de “filho de pai rico” gastando grana com baladas e amigos não lhe era suficiente. Quando percebeu isso, interessou-se por um curso de fotografia e começou a fazer algumas fotos, logo estava com um trabalho nesta área o qual a família era contra porque “era muito pouco” para ele, mais adiante o negócio expandiu e ele conseguiu sentir-se muito feliz com o que estava fazendo e com o rumo que estava dando à sua vida.

Gostaria de deixar claro que eu não faço odes à infelicidade, no entanto, também não acho que ela é um crime ou algo que deva ser “combatido”, pelo contrário: é uma emoção humana e como tal mereço o seu lugar e direito à existir. Todas as emoções são “alarmes” que nos dizem de nós mesmos, são a forma mais rápida e poderosa de percebemos algo que está acontecendo com a gente e reagir, rapidamente à isso.

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

“Flow”
27/08/2012

– Hoje eu acordei e me senti diferente. Ontem eu havia acordado e tido um sonho no qual alguém me dizia: “calma, você está no caminho certo!”. Daí percebi que eu estava mais calmo ontem sabe?

– Sim, perfeito.

– E hoje quando eu acordei senti que eu não estava pensando muito na vida como eu sempre faço, estava mais concentrado no que eu estava fazendo. As coisas pareciam mais simples, sabe quando você tem aquela sensação de que o tempo para?

– Sim, é uma sensação muito boa não é?

– É sim, eu tive isso o dia todo e agora percebo que estou simplesmente concentrado, não estou fazendo força entende?

– Sim, entendo sim. Você tem feito um trabalho no sentido de se dedicar mais ao que realmente importa à você não tem?

– É, a minha terapia se resume nisso: “isso é importante para mim?”

– Muito bem colocado! Aí você tem me descrito que ao longo das semanas e meses a sua atenção tem se voltado para o que você tem feito e para os resultados que você tem atingido.

– É.

– E também me diz que tem se sentido mais confiante em relação ao que você tem feito, à você  mesmo enquanto pessoa não é?

– Pois é, é bem isso.

– Então, parabéns. Essa sensação é parte dos resultados que você vem colhendo. Você consegue estar mais relaxado, porém atento, alerta e as coisas parecem mais simples para você porque são as importantes e você está 100% ligado nelas. Cansado, mas feliz.

– Sim, é bem isso mesmo.

– Perfeito, você já ouviu falar de “estado de ‘flow'”?

– Não, o que é isso?

Martin Seligman em seu livro “Felicidade Autêntica” fala sobre a pesquisa de Mihaly Csikszentmihalyi sobre o que fez com que alguns de seus compatriotas, frente à destruição causada pela guerra, sucumbissem à depressão e angústia enquanto outros mantinham leveza e alegria. Suas pesquisas o levaram ao conceito de “flow” que tem a ver com uma gratificação profunda pelo que se está fazendo ou vivendo.

Algumas das características principais do estado de Flow são: uma tarefa desafiadora e que exige habilidade, existe concentração, objetivos são claros, feedback é imediato, o envolvimento é intenso e natural, existe um senso de controle, a consciência do “eu” desaparece e o tempo “para”. Um adendo importante: não existe emoção positiva em estado de flow. Segundo a pesquisa, emoção e consciência estão lá para corrigir a trajetória, quando o que você faz está perfeito, não há necessidade delas.

Em terapia quando as pessoas começam a se alinhar frente aos seus desejos mais profundos, comprometer-se com suas necessidades e desejos frequentemente começamos a ouvir este tipo de relato no qual a ansiedade cede lugar à uma calma controlada, o fazer se torna mais importante que as preocupações e existe uma gratidão frente ao que a pessoa já possui e ao que já está fazendo. Resultado de um processo no qual o crescimento pessoal continua, porém de uma forma diferente em que se cobrar cede lugar ao se envolver consigo.

Para mais informações leia o livro “Felicidade Autêntica” de Martin Seligman e/ou a atualização de sua pesquisa; “Florescer”.

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

%d blogueiros gostam disto: