Não é estranho?
25/04/2014

MNLOGO

 

  • Eu não sei o que fazer com as minhas meninas… elas não me respeitam!

  • É muito interessante ouvir você dizendo isso sabia?

  • Ah é, porque?

  • Bem, até onde você me conta de você, na sua empresa você é respeitadíssimo não é mesmo?

  • Sim… lá eu sou, mas em casa…

  • O que você faz na empresa que não faz em casa?

  • Imponho respeito?

  • Sim, mas, de que forma?

  • Ah… sei lá… pensando bem… no trabalho eu sou claro com as regras e quero vê-las cumpridas, já em casa sou meio manteiga derretida sabe?

  • Claro que sim, derrete todo o respeito que elas poderiam ter com você não é mesmo?

  • É… bem…

  • A sua família precisa de você meu caro! Precisa saber que você quer ser respeitado, tem boas ideias com regras boas para serem seguidas. Suas filhas precisam da sua orientação, e não estão dando o respeito à você, porque você não está entregando isso à elas!

  • Entendi… só fazer a mesma coisa do trabalho em casa?

  • Só assumir o seu papel de “merecedor de respeito” e aí sim fazer a mesma coisa, que tal?

  • Parece bom… vou fazer!!

 

Não é estranho que tem pessoas que tem comportamentos ótimos no trabalho e não em casa? Ou até, pessoas que organizam a vida pessoal, de um marido e mais três filhos, mas não desenvolvem a sua vida profissional por “falta de organização”? Não é interessante que temos comportamentos muito bons em uma área os quais deixamos só lá sem levar para as outras?

Se você se identificou com isso, este post é para você!

Pensemos no seguinte: em primeiro lugar o contexto no qual estamos faz toda a diferença para nós. Muitas pessoas aprendem que trabalho é lugar para trabalhar e em casa para descansar. Obviamente com esta concepção fica difícil levar comportamentos do trabalho para casa e vice-versa. Esta crença limita o “tráfego” de comportamentos e recursos mesmo que sejam úteis. Assim pare um minuto para pensar sobre como você pensa os diferentes ambientes nos quais vive. Casa é lugar para fazer o que? Trabalho? Clube? Biblioteca? Café? Como você pensa cada um dos lugares poderá dar uma dica preciosa do que te faz não levar ou trazer alguns comportamentos importantes de um lugar para outro.

Pode ser o caso, também, da pessoa se identificar de maneiras diferentes. Lá no meu trabalho eu sou “o rei do pedaço”, mas em casa minha mulher me trata como seu eu fosse “o cara que joga o lixo para fora”. Ou então, “no meu trabalho as minhas colegas me respeitam pelas minhas conquistas”, mas meu marido me diz que eu sou “a mulherzinha” dele. Como numa peça de teatro, diferentes identidades – ou papéis – pedem comportamentos específicos para quem o interpreta. Se a pessoa “veste” o personagem, também será difícil ter o mesmo comportamento em contextos diferentes. Quem é você em casa? No trabalho?

Outro caso não tem a ver com o comportamento, mas sim pela forma pela qual ele é executado. Um sargento aposentado, por exemplo, pode ter problemas em se adaptar à sua casa se ele achar que irá dar ordens à mulher e aos filhos. Porém se o comportamento de “ordem e disciplina” for ajustado às regras da vida civil ele poderá ter uma bela oficina em casa, poderá ajudar a mulher à organizar as compras do mercado, arrumar as roupas e a organização com maestria o churrasco da família.

É importante, também, dar um parâmetro importante sobre este tema: o mais importante não é comportamento em si, mas sim o benefício que ele irá trazer à pessoa e às pessoas com quem ela convive depois de executado. Foi como eu disse ao pai do exemplo: as filhas estava precisando dele, mas ele não estava dando à elas algo importante: limites. Se ele o fizesse todos teriam muito à lucrar na situação. Esta noção de ganho é importante de ser pensada, pois, muitas vezes as pessoas não tem um comportamento adequado por comodismo, ou seja, se criaram num ambiente em que o comportamento não era executado e nunca pararam para pensar no quanto ele poderia ser útil e necessário. No caso do pai acima isso era verdadeiro: seu pai nunca lhe dera bons limites e ele nunca entendeu a função disso para a criação de filhos, embora ele mesmo tenha se tornado uma pessoa com bons limites.

Abraço

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Ninho vazio
03/07/2013

– Estou meio chateada com o meu filho sabe? Meio desesperada com muitas coisas na verdade…

– Me conte o que ocorre com ele

– Ele não para mais em casa… na verdade… neste último feriado ele nem ficou com a gente, foi lá para a casa da namorada sabe?

– Sei… aquela namorada que convidou ele para morar junto com ela?

– Essa mesma! Ele não tem idade para isso… E ele fica me enfrentando sabe?

– Sei sim… porque será?

– Porque ele é um mal-agradecido, fiz tudo por ele, dediquei a minha vida e agora recebo isso: jantar na casa da namorada!

– E a sua vida, como está?

– Como assim?

– A SUA vida… sabe, aquela que não tem a ver com o seu filho…

– Ah Akim, nem sei mais o que é isso… depois que eles nasceram, nunca mais tive vida própria…

– Então, acho que o seu filho está dizendo que está na hora de você voltar à ter

– Ele me disse isso

– Porque não encarar isso como um elogio? Sabe: ele foi tão bem educado que agora está conseguindo ir sozinho para a vida, alçar voo do ninho da águia mãe para fazer o dele e a águia mãe é você! Quem sabe ela não merece uma recompensa – dada por ela mesma – nesta fase da vida para comemorar o sucesso?

– Hum… nunca pensei desse jeito…

Eu faço uma comparação tosca – tosca mesmo – entre filhos e empresas. Se uma empresa depois de uns 4, 5 anos ainda precisa do fundador do mesmo jeito que precisava no primeiro ano alguma coisa está errada, com filhos é a mesma coisa: se a criança mantém a dependência dos pais enquanto o tempo vai passando, algo está errado, pois a ideia é que ela vá se tornar cada vez mais independente.

Os filhos crescem e se desenvolvem e quanto melhor o trabalho for feito, mais eles terão vontades próprias, mais eles terão desejos e mais eles vão concretizar os seus sonhos. Isso no entanto, culminará em um momento no qual o filho diz aos pais: “vou voar”. E aí o tal do “ninho” fica com um passarinho à menos.

Esta é uma fase importante e que gera um certo estresse no sentido de que toda a família precisa se adaptar à nova fase. Muitas famílias tendem à sabotar o processo, colocar dificuldades e desqualificar as iniciativas pessoais da pessoa o que é problemático. Famílias que trabalham bem com este momento geralmente possuem uma percepção clara de que o fato do filho desejar sair de casa não tem relação pessoal com os progenitores, apenas faz parte do processo.

No caso que citei acima coloquei uma redefinição que acho muito útil nestes momentos que diz que o filho sair de casa deve ser algo comemorado, pois quer dizer que tudo está correndo muito bem. Assim como o dono da empresa pode relaxar e ir atrás de outros horizontes quando a empresa anda sem ele! Apoiar o filho em suas primeiras tentativas fora de casa é algo importante. Apoiar não quer dizer “fazer por”, mas sim estar presente como um porto seguro, como um conselheiro, como alguém com quem contar e permitir que a pessoa faça o seu caminho. Poder sair de casa sem raiva, sem culpa e sabendo que estão todos torcendo por você é a melhor forma de fazê-lo. Mas… e quem fica?

Quem fica – os pais – devem saber que este momento chegará e o que ele representa para eles agora. A saída dos filhos pode ser entendida como a fase na qual as pessoas vão começar a modificar a forma de viver. Quanto mais os pais abdicaram da vida pessoal e marital em função dos filhos maiores serão os problemas para quem fica, pois a sua identidade de “pai” ou “mãe” acaba ficando muito forte, muito enraizada e a pessoa sofre muito com a saída dos filhos, acha-os injustos e fica com raiva de um processo que é natural. Para estas pessoas é importante lembrar que sair de casa é algo esperado e que ele deve sempre tomar conta de sua própria vida: ter hobbies, atividades, amigos, interesses pessoais independente dos filhos. Para quem é muito enraizado nos filhos pense da seguinte forma: o que aconteceria se seu filho morresse? – Não, não desejo isso para ninguém, é apenas exercício mental – quando alguém morre temos que retomar nossas vidas, reencontrar nosso sentido de viver por mais difícil que isso seja.

Assim, para todas as famílias é importante de pensar antecipadamente neste momento para que ele seja o que é: a demonstração de que o filho cresceu e o sistema familiar pode comemorar isso! Os pais devem sempre ter as suas vidas particulares e maritais para que a saída do filho seja meno dolorosa possível e mais alegre possível!

Abraço

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A vida da família
22/02/2013

Marido (Mo) – Pois é Akim, agora estou entendo o que você está me dizendo… e concordo contigo sabe? A gente não teve muito tempo mesmo para ser marido e mulher…

Esposa (Es) – É… o nosso filho veio bem cedo… eu… a gente ama ele, de verdade, mas nunca tivemos mesmo o tempo para nós dois nos curtirmos… até os noivinhos do nosso bolo de casamento: a noiva estava grávida no bolo!

– Pois é… e agora o garotão está numa fase de abrir as asas e alçar voo não é?

Mo – É…

Es – Sim… e agora, como nós ficamos?

– Então gente, o que vocês entendem que devem fazer agora? Os conflitos de vocês tem a ver com a vida natural da família: os filhos crescem e se vão, logo, os pais devem fazer o que?

Mo – bom… acho que se a gente não se aproveitou antes está na hora de fazer isso agora não é?

– O que vocês acham?

Es – Eu acho que vai ser um tanto difícil, mas acho que é isso mesmo… eu fiquei muito tempo como mãe… nem sei se sei ser mulher de novo!

Mo – Sabe sim… a gente aprende junto!

– Opa, que bacana! É isso mesmo, gostei que você falou isso (esposa), vai ser um desafio de fato o importante é vocês buscarem nesse desafio a intimidade de vocês.

Es – É, eu entendo acho até que com o tempo vai ficar divertido.

Falamos de fases da vida… geralmente pensamos em pessoas quando pensamos isso, no entanto famílias também possuem “fases da vida”. Cada fase marcada por “tarefas” específicas que devem ser realizadas quando buscamos a criação de um ambiente e um relacionamento saudável e feliz.

A família que apresentei aqui estava em uma fase na qual o filho estava “alçando voo”, ou seja, indo criar o seu mundo. Os problemas da família decorriam disso porque precisavam renegociar o estilo de vida que levavam até agora, questões como dormir fora de casa, dinheiro, casa própria, trabalho se tornam importantes neste momento da vida e é importante que sejam discutidas e negociadas.

Junto com isso um outro fator: o casal que até então tinham sido muito “pai e mãe” agora poderiam ser mais “marido e mulher”. É interessante, mas aqui também existem novas negociações e novos limites: cada um dos dois envelheceu, teve novos aprendizados e talvez deseje elementos diferentes de uma relação do que à 20 anos atrás. Tudo isso faz o casal precisar desenvolver uma nova intimidade, novas atividades e interesses.

Qual a fase na qual a sua família se encontra? Começando a vida à dois? Bebe à caminho? Filhos pequenos ou já crescidinhos? Filhos indo embora? Pense na sua família como se fosse uma pessoa e você vai começar a perceber que ela possui fases e que cada fase precisa de um cuidado específico isso ajuda muito a entender e resolver pequenos problema do cotidiano.

Abraço

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