Como você sabe que sabe?
19/08/2015

Como você sabe que sabe

  • Mas sabe, eu não sinto que sou querida lá no grupo.

  • Ah é, o que te faz saber disso?

  • Ah, não sei, o pessoal não fica falando com você sabe?

  • Sim.

  • Então, é isso.

  • E você fala com eles?

  • Também não né?

  • Porque?

  • Porque eles não falam comigo.

  • Hum, então se eles não falam é porque não te querem bem. Então, usando a sua lógica você não os quer bem.

  • Não, nada a ver!

  • Mas você não fala com eles.

  • Hum… é verdade…

  • Será que eles não falam com você porque são tímidos? Porque são “curitibocas”? Ou simplesmente porque você também não fala?

  • Pode ser…

  • Será que necessariamente eles não falarem com você tem que significar que não te querem bem?

  • Não… pensando assim não…

 

Dizer que a realidade é subjetiva não quer dizer que ela não possa ser conhecida. O que faz você saber que o real é real?

Esta pergunta parece estranha na primeira vez que nos fazemos ela. Nunca paramos para pensar no que nos faz saber daquilo que afirmamos saber. Muitas vezes, nossos problemas estão exatamente aí. O que nos acontece está ligado com a maneira pela qual vemos isso. Nossa percepção não é passiva, mas ativa. Isso significa que bloqueamos pedaços de informação e damos valor à outros. Estas preferências é o que, de fato, constitui a nossa percepção do mundo e, com isso, criamos a nossa realidade.

A questão é que a maneira pela qual nossas lentes estão ajustadas nem sempre está consciente para nós e tomamos nossas decisões com base naquilo que percebemos. Assim sendo podemos ter feito ajustes inadequados em nossas lentes e, com isto estar vendo demais, de menos, com distorções, de maneira opaca ou nebulosa. É quando nos perguntamos “como sabemos que sabemos disso” que começamos a perceber com que tipo de lente estamos vendo o mundo.

Os critérios que usamos para viver a experiência, nossas prioridades e com isso nos comportarmos no mundo. Como você sabe que é amado, por exemplo? Quais são os detalhes da sua experiência com alguém que te permitem dizer “sou amado”? São comportamentos, expectativas de comportamento que nos fazem perceber que alguém nos ama. Afinal de contas, nunca temos acesso direto às emoções de ninguém – nem das nossas às vezes.

Como você sabe que pode confiar em você? Quais são os detalhes do teu comportamento, da maneira pela qual você cria e segue as suas regras que te fazem sentir que pode confiar no seu próprio comportamento? Estes trechos tem a ver não apenas com a ação, mas com a congruência entre a ação e o pensamento, ou seja, se penso, ajo e sinto de uma mesma maneira. A convergência destes três elementos, em geral nos traz a sensação de confiança, pois atingimos nossos resultados e sabemos que eles tem a ver com a nossa moral.

Determinar “como sei que sei” é determinar todos estes critérios e perceber se eles estão convergindo ou divergindo da sua experiência de vida. Ou seja, se pretendo descansar, mas marco um final de semana cheio de atividades, não estou convergindo para aquilo que percebo como uma experiência de tranquilidade. Da mesma maneira as pessoas vivem suas vidas inteiras buscando algo, mas sem estar atento aos critérios que realmente são importantes para atingir estas metas.

Abraço

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Complexidade emocional
12/08/2015

varias emoções

  • Eu estou muito puto com ele.

  • Sei… me fale mais dessa raiva.

  • Cara… como que ele pode fazer isso?

  • Você esperava outra reação dele?

  • Lógico, nunca pensei que fosse fazer isso!

  • Está frustrado ou decepcionado com ele?

  • Sim!

  • O que veio primeiro: a raiva ou a decepção?

  • Hum… acho que a decepção.

  • Sentir isso influencia na sua amizade com ele?

  • Sim.

  • E como você se sente com isso?

  • Triste sabe? Tipo… nossa… foi muito ruim isso tudo. (chora)

 

Você sabe qual a diferença entre emoção e sentimento? Antonio Damásio nos diz – à grosso modo – que enquanto a emoção é algo que tem a ver com o movimento, com a ação, o sentimento é algo que tem a ver com a percepção. Enquanto uma nos coloca na ação a outra é a percepção desta ação.

Daí que quando percebemos colocamos nossas funções cognitivas para trabalhar e uma emoção pode dar origem não apenas a sentimentos, como também a outras emoções. É o que tentei descrever neste caso acima. A emoção de decepção gera a tristeza e gera a raiva. Ao mesmo tempo a pessoa sente estas emoções nela, uma após a outra e combinando sentimentos e emoções ao longo do tempo. Toda pessoa que passou por uma morte, desastre ou experiência de roubo, guerra ou até mesmo perda de patrimônio ou divórcio sabe que várias emoções podem ocorrer ao mesmo tempo.

A emoção está vinculada ao que pensamos e percebemos, ou seja, embora as emoções não são “puras”, elas tem uma relação profunda com como percebemos o mundo e nós mesmos. No exemplo acima, temos uma pessoa que tinha expectativas à respeito do comportamento do amigo. O que o amigo fez com ele só foi algo ruim por causa desta expectativa, a emoção de tristeza – de ter perdido algo, no caso a confiança – ocorreu em detrimento do fato do meu cliente sentir que não poderia mais confiar no amigo por causa daquilo que ele fez. E se as expectativas fossem diferentes?

Neste mesmo caso a raiva é uma emoção que surgiu por um outro fato: ele, no fundo não sabia e nem desejava dizer ao amigo que não queria mais relacionar-se com ele. Estes dois eventos dentro do meu cliente geraram um estado complexo: o amigo lhe causou um dano, manter a amizade poderia lhe trazer mais danos, ele não queria dizer que desejava afastar-se do amigo, portanto sua própria maneira de ser poderia lhe causar mais danos. Como esta era a única resposta que ele tinha no momento ele ficou ansioso em saber que poderia estar se causando mais danos e, daí, a raiva.

Aquilo que sentimos pode ser algo muito complexo como o exemplo mostra: a percepção de uma decepção torna-se tristeza e essa mesma tristeza desperta a raiva. Todas as emoções estão unidas frente à um mesmo evento e dizem de aspectos diferentes sobre este evento. Lidar com cada uma delas é importante para abraçar o evento como um todo e não apenas como parte. Além disso podemos ter emoções que nem sempre se manifestam claramente, surgem apenas como vontades “que não sabemos da onde vem”, ou que surgem depois do evento, mas estão relacionadas à ele.

Preste atenção naquilo que sente, você poderá encontrar muitas respostas aí.

Abraço

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Quando fugir prende
07/08/2015

?

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-Então Akim… estou meio preguiçoso.

  • Sei… o que está te incomodando?

  • Ah, um pouco de tudo na real…

  • Um pouco de tudo… o que é esse “tudo”?

  • Faculdade, namoro…

  • Reduziu bem já não é?

  • É… ah, sei lá…

  • Você está preguiçoso ou simplesmente não quer lidar com o que está acontecendo?

  • É… meio que a segunda sabe?

 

Fugir ou esquivar-se de uma situação são duas das várias respostas que nós podemos dar à um evento que nos é desagradável ou pode nos causar dano de alguma forma. Porém a fuga e esquiva nem sempre são uma boa solução, você sabe quando esquivar-se e fugir de uma situação pode ser prejudicial para você?

Quando fugir é importante? Quando percebemos que a situação está além do que podemos responder e irá nos prejudicar. Neste caso pode ser uma opção mais sábia dar um passo para trás do que tentar enfrentar uma situação desprovido de recursos. Como diz o dito militar romano: “o bom general sabe quando lutar e quando se retirar”. Esta estratégia, no entanto, vem com um adendo: a necessidade do aprendizado. Fugir ou esquivar uma situação nos mostra que, naquele momento, não sabíamos o que fazer, portanto, é necessária que a retirada seja estratégica, para agrupar novos comportamentos e aprendizados e retornar à “batalha”.

O problema que temos é que as pessoas tendem a fugir e assumem isso como um comportamento padrão. Frente àquilo que é “perigoso” ou à situações que “exigem” aprendizado a pessoa tende, cada vez mais a se esquivar, postergar e fugir. O problema com isso é que ela não aprende, mantém-se sempre no mesmo patamar de aprendizado emocional e comportamental o que acaba levando-a para um fim triste: o isolamento.

Fazendo um paralelo com o título deste post, é neste momento em que a fuga aprisiona. Fugir é um comportamento importante de se ter na manga, porém abusar dele  faz com que a pessoa fique estagnada e tenda a ficar rígida em seu padrão de funcionamento. Isso é problemático porque vivemos num mundo que se move, que muda diariamente e, fatalmente, a pessoa começará a ter perdas desnecessárias. Porque desnecessárias? Porque ela só perde pelo fato de não ter aprendido novos comportamentos para lidar com o mundo e está tendo perdas por causa disso.

Que tal um exemplo mais claro?

Uma pessoa que é, na adolescência, muito famosa na escola por ter uma pseudo auto estima demonstrada na forma de comportamentos rebeldes. Neste momento ela é admirada e desejada, tem status e um lugar de reconhecimento. Porém, quando cresce, mantém-se neste padrão. Não “atualiza” a sua forma de agir e tenta manter-se no mundo da mesma maneira. A pseudo auto estima é, na verdade o propulsor desse comportamento rebelde. O que a rebeldia esconde é uma pessoa com medo de falhar e que, por isso, questiona demais tudo e todos. Torna-se um adulto inoportuno e chato. Ao invés da pessoa assumir seu medo de falhar, ela mantém-se fugindo de  seus fantasmas através do comportamento rebelde, porém, ele tem vida curta e num nicho muito específico. Ocorre que, para sobreviver, ele precisa viver sempre buscando nichos e pessoas que ainda estão na mesma fase evolutiva que ele, à medida que elas crescem, abandonam-no e ele precisa, novamente, correr atrás. Este é um exemplo de como uma fuga pode aprisionar a pessoa, para sempre às vezes, num comportamento que não é útil ao seu crescimento.

Abraço

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Me encontrar
20/07/2015

se encontrar

  • Mas Akim… como que eu vou saber o que fazer se nem sei quem sou?

  • Qual o problema?

  • Esse! Se não sei quem sou, não sei o quero não é lógico?

  • É. Porém… saber que não sabe quem é implica em saber quem se é.

  • Como?

  • Para você saber que não sabe quem é você precisa ter um modelo de quem você é para comparar o modelo com quem você é hoje e afirmar: isto não sou eu.

  • Hum…

  • Em outras palavras: como você sabe que não sabe quem é?

  • Eu deveria ser mais… sei lá… corajoso.

  • Então você é covarde ou está com medo?

  • Sim.

  • E você sabe disso? Reconhece isso aí na sua experiência?

  • Sim.

  • Ótimo, você é isso! Agora sabe “quem” é: neste momento, a experiência do medo.

  • Que louco isso…

 

Se encontrar. Este parece ser um grande desejo das pessoas hoje em dia. “Ser eu mesmo”. Porém, como fazê-lo? Talvez o primeiro passo seja pensando de uma maneira útil na questão.

Quando pensamos em “nos encontrar” temos que compreender que o nosso “eu” já está aí, pronto em algum lugar apenas esperando para ser descoberto. Uma maneira muito cartesiana de refletir, inclusive. A verdade (ou o “eu”) está na natureza, apenas precisamos capturar isso, compreender isso e tudo estará resolvido. O problema que surge, então é: procurar aonde?

As pessoas, com isso vão atrás das respostas disponíveis. Em nossa cultura, o consumo é a grande resposta e hoje ele aparece transvestido de várias maneiras: o consumo de amigos, de relações, de festas assim como o clássico consumo de produtos em sua grande infinidade. Outras pessoas aparentemente com um pouco mais de consciência buscam psicoterapia ou outras formas de auto descoberta. No entanto, muitas delas continuam com o paradigma de se encontrar em algum lugar (talvez, neste workshop, eu consiga). Ledo engano.

O problema é que o “eu” que buscamos não pode ser encontrado por estas vias. Em primeiro lugar porque o “eu” não é uma coisa, ele não é uma substância que pode ser encontrada em algum lugar assim como encontramos as chaves do carro que esquecemos na cômoda. Assim sendo o “eu” não está em algum lugar, muito menos ele está “pronto” e esperando por ser descoberto por nós. O que seria até um certo contra-senso: como eu posso me achar em algum lugar se não sei quem sou? (Sei o que minhas chaves do carro são, por isso posso encontrá-las, mas como não sei quem sou, como vou me achar em algum lugar – mesmo que o eu pudesse ser encontrado eu não o veria)

Para resolver o problema talvez tenhamos que voltar ao oráculo de Delfos para compreender a questão do “eu” de uma maneira mais útil. “Conhece-te a ti mesmo” diz o oráculo. Ora, embora o conselho pareça óbvio, ele se torna mais enigmático à medida em que adentramos na sua elaboração. Conhece-te a ti mesmo tem uma implicação um tanto desconfortável para nós ocidentais. Implica que não somos um “eu” inteiro, ou seja, temos um eu que “é” e um que o “conhece”. Como?

Para que eu conheça algo é preciso observar este algo, compreender de alguma maneira. Mesmo que isso se dê na relação, a relação implica dois seres. Assim sendo o eu que “conhece” é diferente do eu que é conhecido. Quando o oráculo diz “conhece-te a ti mesmo” ele está dizendo que o “eu” que manifestamos é apenas mais uma experiência e não “a” experiência, como gostamos de achar no ocidente. Se conhecer está, então envolvido em experimentar aquilo que dizemos que somos e compôr um conhecimento sobre esta experiência. Saber que esta experiência é apenas mais uma é, por fim, a grande sacada à respeito do ato de “se encontrar”.

De outra forma: quando pequeno experimentava quem sou através das brincadeiras com outras crianças, por exemplo. Quando adulto posso seguir a mesma linha e me perceber no convívio com outras pessoas em bares e festas. No entanto, também posso experimentar quem sou no meu trabalho. O encontro com o “eu” se dá quando se percebe que o “eu” é a experiência e não uma coisa ou entidade. Se encontrar, então, tem muito mais à ver com experimentar aquilo que acho que sou, compreender o que e como vivi isso e, com base nesta experiência e na compreensão extraída dela, decidir o que se continuará fazendo.

Nós temos a tendência de nos identificar com as nossas experiências e dizermos que somos elas. Isto leva à um engessamento que pode ser proveitoso para algumas coisas e prejudicial quando as situações requerem comportamentos novos. Quando é possível ampliar ou modificar o que chamamos de eu, podemos ter uma compreensão ainda maior do que “somos”, ou seja, do processo que usamos para dar à nós uma identidade capaz de ser concretizada no mundo.

Mas enfim, como se encontrar? Preste atenção à sua experiência. Ao que já ocorre com você, em você, ao como você sente, pensa e age. Isso é a experiência que você se permite ter daquilo que você considera ser você. O encontro está exatamente aí. Não em algo externo, e acabado, mas em algo interno e em constante processo de “vir-a-ser”.

Abraço

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A importância da flexibilidade
17/07/2015

Flexibilidade

– Mas Akim, o que você quer dizer?

– Que você está muito rígido, não consegue flexibilizar o comportamento.

– Quer que eu não faça nada, é isso? Deixe ela montar em mim!

– Não, nada a ver com isso.

– Então o que?

– Simples: de que outras maneiras você pode ser atendido no que é importante para você?

– Como assim?

– Você quer que ela seja “companheira”, ok, mas ela deixou claro que estar o tempo todo disponível à você não é uma opção. De que outra maneira você pode senti-la como companheira que não essa?

 

A flexibilidade é uma característica importante para nossas vidas, mas compreender o que de fato é ser flexível é igualmente importante para que não se cometam erros de comportamento que prejudicam a vida ao invés de ajudá-la.

A primeira coisa que ser flexível não é, é ficar “engolindo sapo”. Em geral quando dizemos à alguém: “seja flexível”, a réplica vem à galope: “você quer que eu fique quieto frente à isso?” ou “não quer que eu faça nada?”. Este tipo de atitude vem de uma falta de compreensão sobre o que é flexibilidade e confunde flexibilidade com falta de atitude. Bem, flexibilidade é tudo, menos falta de atitude. Muito pelo contrário, para se ter esta característica é importante estar muito bem fundamentado em suas crenças e prioridades.

Em geral, o que ocorre é que as pessoas encontram uma forma de atender suas necessidades e desejos e se fincam nesta maneira como a única possível de obterem o que querem. Início do desastre. Porque? Porque ou elas levam sorte ou terão uma vida muito pouco rica. Em geral pessoas que são muito rígidas nas suas maneiras de atingir seus objetivos são mais infelizes e brigam muito com os outros por causa desta rigidez. Elas, também, não adquirem um auto conhecimento bom o suficiente para saber de que outras maneiras podem se satisfazer.

Flexibilidade é a habilidade que lhe permite ter vários comportamentos para atingir o mesmo fim. Ter flexibilidade, portanto, significa saber muito bem o que se quer. Saber o que é importante naquilo que se quer e entender quais são as maneiras possíveis de atingir este fim. A pessoa, para desenvolver a flexibilidade precisa ser criativa e ter foco firme (ou seja, longe da ideia de ser fraca ou não saber o que deseja). O foco é onde ela precisa chegar, a criatividade é o que a faz ter vários meios para atingir isso.

O primeiro passo é conhecer muito profundamente aquilo que queremos. As pessoas, em geral, tem noções vagas do que querem e do que é importante para elas nisso. Por exemplo: dizemos que queremos pessoas companheiras. Porém “companheira” se dá de que forma? Para que isso é, realmente importante? Uma coisa é uma pessoa que vá com você fazer compras, outra é uma pessoa que compartilhe suas emoções. Estes dois comportamentos bem distantes podem ser sinônimos de “companheira” e é muito óbvio imaginar que estes dois estilos de companheira atendem necessidades muito específicas.

O caso acima, por exemplo, traz uma pessoa que desejava disponibilidade integral além de exclusividade como sinônimos de “companheira”. Fácil perceber que eram critérios difíceis de serem atendidos. Porém, indo afundo percebemos que estes dois elementos eram uma forma de dizer que ele queria ser reconhecido por quem era. Ora, isso é mais fácil que disponibilidade integral, porém, de que maneiras perceber que ele poderia ser reconhecido? Começamos a compreender que ele poderia ter uma pessoa que soubesse elogiar e validar positivamente seus comportamentos em casa – onde ele era mais sensível – como fazer café e arrumar a cama.

Assim sendo passamos de uma pessoas que precisava ser o tempo todo disponível e gostar “apenas” dele para uma pessoa que soubesse elogiar seus movimentos. Isso é ser flexível. Além disso, ele expandiu seu repertório e começou a perceber que poderia ser elogiado no trabalho e em situações sociais, quando passou a dar valor à estas experiências a própria necessidade de recebe-las diminuiu e ele compreendeu que ele mesmo poderia se elogiar e, com isso, aprendeu a se dar valor. Isso é flexibilidade!

E você: rígido ou flexível?

Abraço

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Odiar e terminar… funciona?
10/07/2015

Odiar e terminar...funcioa

  • Eu vou dizer isso pra ele… ele vai me odiar e vai me deixar em paz.

  • Pra que?

  • Pra que o que?

  • Pra que complicar? Porque não diz, simplesmente, que não quer mais?

  • Eu já disse, mas ele não desgruda.

  • Disse… e depois voltou e voltou de novo… você realmente sabe o que quer?

  • Não quero mais ele.

  • Sim, mas e que tipo de relação quer? Quem não sabe o que quer, fica com o que não quer!

  • Ai… é sempre assim tuas terapias né? Deus!!

  • É… pois é…

  • Tá! Eu não sei o quero direito… tenho que pensar nisso né?

  • Sim, para saber que não adianta ir para cama com ele… você não tem o que você quer para uma boa relação. E ele já deixou isso claro.

  • É… é verdade… eu sempre fico nessa de jogar fora o que não quero, mas nunca sei direito o que quero…

  • Verdade…

 

Umas das estratégias mais famosas usadas para terminar uma relação é criar ódio, raiva e aversão em relação ao outro para terminar com a pessoa. Mas esta estratégia funciona?

Antes de responder, vamos analisar o ato de terminar uma relação e, então, a estratégia e o que ela provoca. Ora, é comum confundir a relação com o cônjuge. Porém cônjuge e relação são coisas diferentes e é importante compreender isso, porque não se termina “com alguém” e sim termina-se uma relação. O fato das pessoas procurarem conversar e se entender revela isso. O problema não é, especificamente, o outro, mas sim a relação que foi criada. Se a relação mudar continua-se com a pessoa. Portanto, por incrível que pareça o outro, neste sentido, é menos importante do que a relação.

O erro mais comum é que achamos que estamos terminando com a pessoa. O que ocorre, de fato, é que queremos um determinado tipo de relação que não é possível com aquela pessoa. Portanto, uma outra maneira de encarar o término de uma relação é compreender que na verdade se está buscando uma relação mais adequada ao que a pessoa deseja e que a relação criada até momento não é aquilo que irá deixar pelo menos um dos dois feliz e satisfeito.

Obviamente, isso pressupõe que as pessoas envolvidas na relação saibam aquilo que desejam o que nem sempre – quase nunca – ocorre. O mais comum é se iniciar uma relação por causa do outro – e não por causa do seu desejo de criar uma relação. Assim começa-se “errado”, porque os critérios empregados não são condizentes de uma relação que a pessoa queira. Canso de ouvir : “ele/ela é perfeito/a”. E eu digo “perfeito/a para que?” Uma pessoa bonita, educada, inteligente e sociável pode ser muito atraente quando pensamos nos esterótipos culturais, porém pode não ser isso o que a pessoa quer.

Então surge o momento do término e a pessoa não sabe “como se livrar dele/a” ou como dizer para ele/a. A estratégia do ódio surge neste contexto com a seguinte intenção: se eu o odiar, ele não terá valor para mim ou terá um valor negativo e, então, será simples me livrar. Muitas pessoas conseguem fazer isso, odiar e, a partir disso, terminar. O problema com este tipo de estratégia é que é necessário manter o ódio aceso, afinal de contas se o ódio desaparecer você poderá ter um grande arrependimento. Além disso esta estratégia pode criar desavenças e mágoas desnecessárias visto que ela visa denegrir o outro para que ele perca o valor e com isso torne-se descartável. Cruel não?

Outra maneira de terminar uma relação é compreender que o problema não é outro e sim o seu desejo de relação. Esse é o problema sempre, no final das contas. Assim não é necessário denegrir o outro, apenas compreender que os desejos de ambos não combinam e que é melhor buscar outras pessoas para construir uma relação mais interessante e dentro dos critérios de cada um. Assim é possível terminar sem precisar odiar. Este tipo de término, no entanto, é, para algumas pessoas, mais dolorido, porque ele é mais honesto. Diz-se cruamente o que é, sem rodeios ou xingamentos. Não é mais uma briga, é o fim de uma relação.

Abraço

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O problema da rotina
01/07/2015

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  • Eu sei, mas… sabe como é?

  • O que?

  • Eu não posso pegar o meu marido e dar uma saída “assim” com ele.

  • Porque não?

  • Tenho filhos!

  • E um casamento que está se permitindo acabar por causa deles.

  • É…

  • Você sabe, muito bem que o problema não são seus filhos. Eles tem amigunihos onde passar uma noite e pais que já te disseram que aceitam eles lá.

  • Eu sei… é que… eu reclamo, mas não consigo sair disso sabe?

  • Sei. Esta na hora de imaginar um novo futuro para vocês dois. Quero que imagine esta semana e pense, em três atividades que você irá realizar que estão fora da rotina de vocês.

  • Ai… é difícil!

  • Sim e fundamental também!

 

Rotina é ter uma programação de atividades dentro de um período de tempo afim de alcançar metas. Estas metas, em geral são importantes para nós de alguma maneira. Porque reclamamos tanto da rotina então?

A mente humana opera com três tempos: presente, passado e futuro. Cada um deles tem função importante no desenvolvimento de nossa psique. O futuro é o mundo das possibilidades. Sua função é organizar o nosso comportamento no presente em direção à algo. Ou seja, quando empregamos o futuro de uma maneira adequada sentimos motivação, esperança e desejo de ir em frente. O futuro é sempre possibilidades de coisas diferentes ou daquilo que realmente queremos.

Por ser possibilidade o futuro tem, também, um certo “escape” no sentido de que é nele que podemos sonhar como as coisas poderiam ser ou o que poderíamos fazer com nossas vidas. Esta função é importante para manter a mente criativa acesa. Não é exatamente o fato de acontecer ou não, mas, inicialmente, de ter a capacidade de sonhar e desejar. Este comportamento por si só já ajuda a pessoa a sentir-se bem consigo mesma.

O problema da rotina está quando estamos tão focados nela que o futuro perde a sua função de possibilidades. É quando a pessoa olha para o seu próprio futuro e todos os pequenos detalhes dele já estão programados. É como se ela já soubesse o que irá acontecer à ela todos os dias. Essa sensação é sufocante porque retira do futuro a sua função primordial que é de ser o tempo no qual podemos criar e/ou depositar novas possibilidades de vida.

Essa dinâmica faz com que a mente criativa da pessoa fique desligada e a lógica mantém-se apenas oferecendo mais do mesmo. O problema, é importante evidenciar, não está no “mais do mesmo” ou seja, nas atividades rotineiras, mas sim na ausência do novo e, principalmente, na impossibilidade de ousar o novo, de imaginá-lo, deixando o futuro cinza e o presente um fardo.

Ousar significa imaginar onde você irá poder quebrar o ciclo da rotina e inserir pequenos comportamentos distintos que possam fazer você ter uma experiência diferente com a vida. Algo ousado, algo engraçado, algo tranquilo podem ser saídas interessantes para você. A questão é que quando a rotina começa a atrapalhar a vida da pessoa existe um comodismo de parte dela em não se permitir mais sonhar e ousar. A vida é sua e será vivida apenas uma vez. Ouse, crie uma rotina que inclua saídas da rotina!

Abraço

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Amar não basta
26/06/2015

Amar não basta

  • O problema é que eu amo ele!

  • Amor não é problema.

  • Se eu não amasse ele não estaria nessa situação.

  • Na verdade o problema não é amor, mas sim que você criou ilusões sobre ele.

  • É… pois é…

  • Eu me lembro de ter dito à você que aquilo que você estava vendo “nele” era algo que você queria e não ele.

  • Entendo… o que eu faço agora?

  • Tens que ver ele como ele é e aí sim perceber se quer passar  a vida com este homem “real”.

 

Se você se surpreendeu com o título deste post é porque provavelmente crê em ideias como “o amor supera todas as coisas” ou “tendo amor o resto vai”. Convido você para uma reflexão importantíssima sobre o tema.

A ideia de que o amor é o que importa é nova em nossa sociedade. O amor romântico enquanto uma instituição social aceita não tem muito mais do que 200 anos. O amor romântico tem como base uma relação que se estabelece com base no afeto entre duas pessoas. Antes dele tínhamos o amor familiar onde as relações eram constituídas pelas famílias. Para nós do Ocidente atual é difícil compreender, mas existia sim amor neste tipo de arranjos.

O fato é que o amor romântico criou como norma social a ideia de que devemos nos relacionar com pessoas tomando por base nossas emoções, dessas o amor é o que mais nos aproxima de uma outra pessoa. A sensação de paixão e de amor se juntam formando a base pela qual desejamos nos apegar e viver a vida com alguém. A grande abertura que o amor romântico trouxe foi esta de que um plebeu poderia se apaixonar por uma nobre e, por meio do ideal do amor romântico, ele poderia tê-la, seria “moralmente adequado” que eles ficassem juntos. Achou estranho o “moralmente”? Pois bem, é  exatamente esse avanço que o amor romântico traz: uma permissão moral para que casamentos arranjados e casamentos por afeto pudessem ser validados, para que se tenha ideia, o desejo de não casar-se com alguém previamente arranjado pela família, antes, poderia ser alvo de um crime de heresia e adultério (sim, traição para com a família de origem).

No entanto, o que o amor romântico com as baladas de Tristão e Isolda, Romeu e Julieta e outros esqueceu de se importar foi com o que se faz “depois” que o namorico começa. O que temos nas histórias é a luta para que a relação possa acontecer, depois disso ou os amantes morrem como nas histórias citadas acima ou a história termina com um “viverão felizes para sempre”. O ponto é que amar é apenas o começo. Amar não basta.

Porque afirmo que amar não basta? Porque o ponto é que a emoção de amor, ao contrário do que se pensa, nem sempre está calcada na realidade. Algumas vezes ela está, mas quase nunca é o que se vê. As pessoas tendem a amar projeções, fantasias, medos, e desejos que elas tem e colocam em cima da pessoa ou do próprio ato de se relacionar. Daí que sentem a emoção de amor, porém esta emoção com o tempo irá se dissolver por não ser real. Este é só o primeiro ponto, o segundo é que mesmo que o amor esteja calcado em bases reais a emoção de amar e sentir desejo um pelo outro não são coisas “garantidas”, elas precisam ser criadas e re criadas ao longo do tempo. Sim, relacionar-se dá trabalho – e muito – e, para isso a nossa sociedade romântica e consumista não está preparada.

Estamos preparados para nos apaixonar e sermos felizes para sempre sem muito esforço. Porém esta é a minoria dos casamentos – e isso não quer dizer que esta minoria é “especial” ou “melhor”, mas apenas que deram “sorte” de encontrar pessoas extremamente parecidas. Mesmo nessa minoria, entretanto, existem as necessidades de ajustes, conversas e decisões. Assim a questão é que amar é importante, porém saber manter o amor e saber relacionar-se é o que realmente irá fazer o casamento ir mais ou menos para a frente. Falamos em emoções, porém não percebemos que precisamos de competências, saber como se relacionar com as pessoas.

O que vejo no meu consultório hoje é cada vez mais emoção e menos competência. Pessoas que se apaixonam rapidamente, mas que não sabem como construir uma relação. Passado o furor da paixão os casamentos se deterioram rapidamente. Por este motivo escrevo este post, como um alerta, um chamado à consciência e reflexão. Os índices de divórcio não estão aumentando apenas porque as pessoas “são mais livres” para decidir, mas sim porque estamos cada vez menos competentes para nos relacionar com os outros e criar atmosferas onde uma relação entre duas pessoas reais possa, de fato, acontecer.

Abraço

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Sobre o tempo
24/06/2015

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  • Mas isso é muito chato!

  • Porque?

  • Porque vai acontecer só ano que vem!

  • Eu sei. Mas é o seu desejo não é?

  • Sim… mas eu queria agora!

  • Eu sei… mas não dá!

  • Porque não?!

  • Pergunte à natureza… ela que decidiu que bebes demoram 9 meses pra nascer… porque ao invés de pensar no que não está acontecendo agora você não presta atenção às várias sensações que terá enquanto grávida… será uma aventura inesquecível e, no final, passa rápido.

  • Hummmm

 

Você já pensou em como a sua maneira de perceber o tempo afeta a sua vida? Não, não estou falando de como a sua agenda está apertada, mas sim de como você encara a sua agenda.

O tempo é talvez um dos componentes mais importantes da nossa vida e um dos menos explorados. A única questão que vejo com frequência é que temos pouco tempo e como administrar o tempo. Mas pouco se fala sobre como vivenciamos o que chamamos de tempo. Por exemplo, você já percebeu que tem pessoas com um futuro muito claro à sua frente enquanto outras não sabem o que irão fazer na hora do almoço? Essa diferença é apenas em relação à criação de metas? Não, muitas vezes o problema não é com o desejo e sim em não saber olhar para o futuro.

Muitas pessoas, por exemplo, acham que pensar no futuro não vale à pena porque elas não sabem se vão poder fazer aquilo que desejam. Daí que mantém o futuro escuro, ou seja, sem planos. Pensar à longo prazo e conseguir visualizar um futuro não se trata de se ele irá ou não acontecer, mas sim da competência para fazer isso motivar os seus comportamentos atuais. Em geral pessoas com este pensamento, são, na verdade, reféns do presente. Ou seja, não é que elas não acreditam que podem ter um futuro melhor, mas seu pensamento se limita às sensações que sentem agora.

O outro lado da moeda também é válido. Tem pessoas que estão tão focadas no futuro que sua mente não consegue se deslocar para o aqui e agora e viver algo prazeroso que está acontecendo. Outros são vítimas de seus passados e andam para frente, porém de costas, apenas vendo aquilo que já passou. É a pessoa que está sempre chafurdando suas memórias e eventos passados. Vive dos contos sobre aquilo que lhe aconteceu.

Presente, passado e futuro possuem propriedades importantes para as pessoas e suas evoluções pessoais. O futuro, por exemplo, é um importante motivador da ação. A ideia de um futuro melhor pode nos mover e organizar planos de longo prazo. Ninguém faz um sacrifício se não pensa – pelo menos um pouco – num momento futuro. Já o passado pode ser fonte de aprendizado e gratidão que são importantes para sustentar a pessoa no presente, algo como “vim até aqui, então posso ir à frente”. O presente é onde as coisas realmente acontecem e estar em contato com ele é estar em contato com a vida em si. Um sem o outro não fazem sentido, tornam-se limitantes.

Qual o seu foco? Qual o tipo de ‘tempo’ que você não gosta de perceber? Tudo isso tem relação com o como você organiza o tempo em sua mente e com as competências para fazer isso. Quem não gosta de futuro tem dificuldade em planejar, quem não gosta do passado tem dificuldade em relembrar e quem não gosta do presente não gosta de sentir. Obviamente esta lista não é exaustiva e existem outras razões.

Abraço

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