Ditadura do “estar bem”
10/06/2015

risada-falsa

  • Mas sabe… é só uma coisa que aconteceu sabe?

  • Claro…

  • Ou você acha que pode ser algo ruim isso?

  • O que você acha?

  • Não… acontece…

  • Porque a dúvida então?

  • Não é dúvida… é só… te perguntando… você sabe melhor né?

  • Não. Do que acontece aí dentro eu não sei melhor, quem sabe é você.

  • (silêncio)

  • O que me parece, na verdade, olhando para você nesse momento é que isso incomodou mais do que você consegue ou gostaria de admitir.

  • Mas é que tipo… tá indo tudo bem na minha vida… um negócio como esse não pode atrapalhar.

  • Não “pode”? Creio que se você está  pensando nisso…

  • Tá certo… tá certo… eu gosto de negar essas coisas… já trabalhamos isso…

 

Nathaniel Branden um dos psicólogos que pesquisa a auto estima afirma que um dos problemas que enfrentamos com a auto estima hoje em dia é o excesso de propagando em torno dela. Estranho não é? Na verdade não.

Ocorre que existe uma diferença abissal entre desenvolver uma auto estima positiva e ser obrigado a desenvolver uma auto estima positiva. A propagando que temos hoje em dia coloca tanto foco no “estar bem” que sentir-se triste, por exemplo, torna-se uma prova de fracasso. Em outras palavras valorizar excessivamente um aspecto de nossas vidas acaba por prejudicar o seu próprio desenvolvimento por colocar uma pressão muito grande sobre ele. Chamamos isso de ditadura do bem estar, ou da auto estima, como preferir.

No consultório percebo isso vendo as pessoas buscando desesperadamente maquiar sensações desagradáveis, desejando imensamente dizer que algo que incomoda não incomoda ou – a pior versão disso – entendendo qualquer emoção que possa causar desprazer ou falta de prazer imediato como algo ruim e nocivo à “auto estima”. Essa versão é a mistura da propaganda excessiva com a sociedade de consumo na qual vivemos que dita que temos que ter prazer o tempo todo.

Auto estima não tem a ver com prazer ou com apreciação estética, deixe-me deixar isto bem claro. A auto estima tem a ver com a construção de um sentimento de valor próprio que inclui a sensação de sentir-se preparado para encarar a vida e merecedor de respeito e felicidade. No entanto, a pessoa com auto estima verdadeira sabe que precisa construir isso para ela, que a vida vai lhe trazer desafios enquanto ela busca concretizar seus sonhos. Sentir-se preparado para isso é o que a auto estima verdadeira constrói.

Neste trajeto ela não exclui as sensações de tristeza caso perca algo que considera importante, mas atém-se à ela e usa esta emoção para compreender o que realmente importa para ela na vida (às vezes só aprendemos o que é importante depois de perder). Também não é avessa à emoção de arrependimento, remorso ou culpa. Aprende com estas emoções que não adianta burlar seus valores pessoais em busca de “crescimento fácil” ou para aproveitar a “onda do momento”, compromete-se com o seus sistema de valores. Sentir-se incomodado também não é algo par ser descartado, mas sim uma emoção que deve ser valorizada por nos mostrar que temos que mexer em algum aspecto de nossas vidas.

Neste breve exemplo podemos ver que emoções ditas negativas (particularmente não concordo com esta classificação e acho-a contraproducente) podem ser muito positivas e nos ajudar muito em nossas vidas.

Que emoções você oculta?

Abraço

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O que fica para trás?
27/06/2014

deixar_pra_tras

 

  • E eu não sei exatamente o que eu quero sabe?

  • Sei… é difícil afirmar não é?

  • Sim…

  • Mas digamos que você soubesse plenamente: será que isso iria simplificar teus problemas?

  • Hum… a princípio era para ser sim, mas acho que não… estranho né?

  • Não… não muito… o que iria acontecer se você decidisse qual quer?

  • Eu teria que ir atrás dele e me empenhar.

  • Sim, claro que sim. E o que mais iria… ou melhor, não iria mais acontecer?

  • O outro?

  • É né? Como você lida com as perdas das escolhas que você faz?

  • Eu acho que eu não gosto muito do que fica para trás…

 

Muitas vezes o nosso maior problema não é no que vamos adquirir, mas sim no que vamos perder, ou no que vamos “deixar para trás”. Ao escolhermos uma opção – seja do que for – deixamos para trás todas as outras escolhas. Se a pessoa “anda para o futuro de costas” sua atenção irá se fixar completamente naquilo que foi deixado e não naquilo que está sendo buscado.

O medo do arrependimento, ficar horas remoendo as fantasias imaginando como teria sido “se…” faz qualquer pessoa sofrer em demasia, é uma auto tortura. Lidar com a realidade já é bastante complexo, lidar com as fantasias ainda mais e elas são, em geral, muito impiedosas e cruéis. No entanto, tudo isso se justifica quando se pensa que ninguém sabe, exatamente como será o futuro ou se fez a melhor escolha, em outras palavras o arrependimento não é algo que e impossível. Então, o que fazer com isso?

Uma das respostas que gosto de usar para trabalhar com este tema é de que o nosso compromisso não é exatamente com a realização do que nos comprometemos, mas sim com o nosso processo interno de desenvolvimento. O “vir à ser” é algo mais importante do que o fato de concretizar ou não uma determinada meta. Porque trabalho com esta noção?

Existe uma outra eventualidade da vida que levo em consideração neste momento: a morte. Não existe hora para morrer, podemos morrer à qualquer momento e que realmente importa é o que conseguimos viver. Ora, se o que realmente importa é o que conseguimos viver, se estamos vivendo a realização de um sonho, mesmo que este não esteja completo, e morremos, estamos dentro disso, dentro desta energia.Os indígenas americanos nas guerras contra o homem branco usavam uma expressão forte: “é um bom dia para morrer”. A expressão manifesta exatamente este compromisso não com uma meta, mas sim com uma experiência de vida.

Outro argumento que uso para dar suporte à esta visão é sobre vários casos de pessoas que deprimem após conseguirem atingir grandes metas. É exatamente o mesmo efeito: elas, ao atingirem o sonho, deixaram de ter pelo que sonhar. Esta falta de intenção com a vida nos deprime e precisamos de uma nova meta para vivermos bem. Ele corrobora com a ideia de que o ato de criar é mais importante emocionalmente do que o ato de concretizar em si.

Lidar com o arrependimento é lidar com a vida. Escolher e ter errado é menos importante do que não ter escolhido, do que não ter vivido. Se o arrependimento é doloroso a dúvida “e se eu tivesse feito” é destruidora. Isso se deve exatamente por este motivo de que quando estamos fazendo parte de nossa história contribuindo de maneira ativa à ela criamos o nosso ser – ou melhor, o nosso vir à ser – e isso alimenta a alma. Arrepender-se tem a ver com ter vivido e aceitado a vida, aceitado o desejo, mesmo ele não sendo adequado e isso só ter sido percebido posteriormente.

Aquilo que fica para trás, portanto, é aquilo que eu decidi não viver. É o preço que pago por aquilo que escolhi viver, é a minha afirmação do meu ser, do meu vir a ser que se concretiza tanto quando eu realizo meus sonhos, tanto quanto nos sonhos que não realizei. As escolhas que não se faz são, portanto, tão importantes quanto as que faço pois ambas criam a minha realidade, a minha vida, o meu por vir.

Abraço

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Angústia existencial
14/04/2014

– Eu não sei Akim, estou muito ansioso ultimamente.

– Entendo, você consegue perceber em que momentos fica mais ansioso?

– Não sei ao certo… parece que fica o tempo todo assim.

– Ok, e o que você fica pensando quando está assim?

– Bem… um pouco do de sempre: “será que estou fazendo a coisa certa?”, mas parece que é algo mais que isso.

– De fato, o que será?

– Não sei…

– Será que o problema está no “será que é certo” ou em outra questão?

– Que questão?

– Uma como “consigo afirmar – pra mim mesmo – que é isso o que eu quero de verdade?

– Hum… faz sentido.

– Se faz, a pergunta então é assim: “qual o problema em querer  o que você quer?”

– Entendi…

 

Muitas pessoas me dizem que seu problema é “não saber o que querem para si”. No entanto, vale sempre questionar como a pessoa sabe que não sabe o que quer para si. Em algumas situações o problema é real, tais como quando a pessoa encontra-se em uma situação completamente nova para ela e não possui experiência para julgar suas própria decisões. Porém existem outras situações em que o problema de fato não é saber o que é melhor ou não, mas sim assumir que sabe o que é melhor.

Assumir o nosso desejo é um dos trabalhos internos mais importantes. No entanto, é importante falar um pouco sobre a palavra “desejo”.

Desejo, neste contexto, não se trata de comprar o carro do ano, uma casa nova ou renovar o guarda-roupa; estamos falando aqui de desejos que tem a ver com a sua evolução pessoal e não com consumo de bens e/ou serviços. Obviamente quando seguimos nosso desejo podemos acabar percebendo que a aquisição de alguns bens e/ou serviços podem ter tudo à ver com o nosso caminho, por exemplo, o desejo de evolução pode levar a pessoa a entender que chegou a hora de realizar aquele intercâmbio à muito sonhado, ou que chegou a hora de enfrentar  medo de crescer e sair da casa dos pais, alugando ou até comprando uma casa nova. A regra, basicamente, é: se a compra é uma ferramenta que complementa a sua evolução pessoal ela estará servindo à seu favor, se ela é a mudança em si, pense novamente.

Porque? Pelo simples fato de que se a compra é mais importante do que a mudança interna você não está, de fato, mudando, está apenas camuflando. É a questão das roupas, por exemplo, se a pessoa possui uma boa auto estima e compra roupas, estas estarão sendo o reflexo da auto estima que ela já possui. Se for o contrário “ai eu comprei essas roupas e agora me sinto linda, com a auto estima lá em cima”, você está fadado a “perder” a sua auto estima assim que a estação mudar e as suas roupas forem classificadas pelos estilistas como “out” ao invés de “in” e daí você precisará ir comprar mais “auto estima” na loja. Se a roupa te dá auto estima, lembre-se que o nome disso não é auto estima, é status.

O desejo de que falo aqui tem a ver com a percepção de quem somos e com a expressão dessa percepção. Não é um desejo – ou impulso – de compra, mas sim uma desejo de mudança de comportamento, de forma de pensar, da maneira de se relacionar, de estilo de vida, de leitura, de vestimenta até ou mais radicalmente do lugar onde vivo. É o desejo que fala do coração, aquela força que te diz para fazer algo novo, para expressar aquelas emoções à tanto tempo reprimidas, para largar as suas amarras emocionais e ir em direção ao que você sente que irá expressar o seu eu mais profundo.

Afirmar este desejo é o que vejo, muitas vezes, como algo difícil para as pessoas. Às vezes por ser algo socialmente não-convencional – o desejo de ser padre ou virar um missionário fora das comunidades religiosas é algo tido como estranho, pois vai contra a ideia de “individualidade” atual, porém não se diz que o desejo de ser um missionário tem tudo de pessoal assim como de ser um alto executivo – outras vezes por exigir coragem de buscar uma vida diferente daquela com a qual estamos acostumados e largar status, comodidades da vida e grupos de relacionamentos já estabelecidos, por outras trata-se de enfrentar um medo simples porém comum à todos os humanos: o de saber que o nosso caminho é apenas mais um caminho.

Aqui não temos “certo” e “errado”, temos o caminho e nada mais. Temos as pegadas na areia, feitas com cada pequenos ou grande passo, e nada mais. Saber disso é o mais complexo teste para a alma humana acostumada com os padrões de certo ou errado porque é uma “liberdade excessiva”. O excesso está no fato de que não existe certo ou errado e que a pessoa poderá, então, simplesmente buscar o seu caminho. A falta do errado a faz estar livre e sem culpas para buscar o seu caminho, a falta do certo a coloca na angústia de ter que verificar a cada escolha se ela está, de fato, exercitando o seu desejo e expressando a sua individualidade neste mundo ou não. Este conjunto de faltas cria a liberdade e também a angústia. Podemos até dizer que o sistema “certo/errado” nos dá a culpa e a segurança, enquanto a falta dele nos dá a liberdade e a angústia de ser livre.

Sentir e viver esta angústia para criar a sua própria vida é, no final, aquilo de que mais fugimos. Ao mesmo tempo, depois que aprendemos a brincar com ela é aquilo que mais desejamos. Escolher brincar ou fugir dela é algo individual e cada um fará a sua própria escolha.

O que você tem escolhido?

Abraço

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Ser “forte”
12/03/2014

– Porque você está falando isso Akim?

– Porque é um fato sobre você e a sua história, estou apenas repetindo o que você me disse, algum problema?

– Não… não tem problemas…

– Não creio que isso seja verdade… o seu rosto está querendo dizer alguma coisa, o que será?

– Como que você está vendo? Ninguém vê isso! Não quero mais falar sobre isso!

– O que está fazendo você não querer mais falar disso?

– Se eu falar eu choro porra! Não quero isso!!

– Ok, ok… vá com calma e me conte do seu incômodo sobre o choro!

– Tá…

Chorar. Se entristecer, magoar-se e ficar uns bons dias deprimido sofrendo pela perda de alguém ou alguma coisa importante, decepcionar-se, desiludir-se. Sofrer.

Muitas pessoas aprenderam que tudo isso significa só uma coisa: fraqueza. Quanta asneira…

Muitas vezes é importante engolir a tristeza e ir em frente, existem situações – como a guerra, épocas de grande recessão em que as perdas se tornam “lugar comum”, situações extremas como em sobreviventes de desastres naturais ou acidentes de navio ou avião, por exemplo – nas quais as pessoas não podem se dar o luxo de parar para sofrer, de viver o luto de uma forma sadia. Nestes momentos é importante… pensou que eu ia dizer “ser forte”? Errou, nestes momentos é importante saber como fazer para engolir a tristeza, criar um olhar muito objetivo do que se tem para fazer, frear o impulso saudável e natural de diminuir o ritmo e seguir em frente com algumas metas bem estabelecidas. Porém…Viver desta maneira não é saudável e muito menos coisa de gente “forte”.

Fora destas situações a resposta mais adequada para a tristeza é simples: se entristecer. Não é à toa que nosso cérebro se organiza para que fiquemos mais quietos e tristes: a emoção da tristeza tem o potencial de fazer com que pensemos no que perdemos, no que era importante e no que poderíamos ter feito diferente. Embora dolorido o objetivo não é a dor, mas sim o aprendizado e a possibilidade de readaptação futura. Quem se entristece de maneira saudável percebe o que perdeu e era bom e aquilo que não pode repetir no futuro e, então, organiza a sua mente e suas atitudes para novos comportamentos que lhe trarão ainda mais felicidade no futuro.

Enfrentar ao invés de fugir é a atitude típica de quem é forte. Os fortes lutam não lutam? Enfrentar a tristeza e o sofrimento significa isso, aprender a perceber o que se perdeu e como se pode ter aquilo novamente – em essência – e então tocar a vida para frente. Muitas vezes recebo em meu consultório pessoas que viveram situações difíceis em relacionamentos, por exemplo, mas nunca se permitiram chorar e se entristecer, estas, quase sempre vem com o discurso: “relacionamentos são coisas ruins, melhor evitar”. Já os que choram e aprendem com a tristeza dizem: “estou vendo hoje onde errei e quero ajuda para não cometer os mesmos erros”.

Você pode até alegar que existem pessoas que se escondem atrás de sua tristeza. Com certeza que há. Porém, assim como os “fortões” elas também não sabem como lidar com a tristeza, não estão vivendo o lado saudável de estar triste, mas sim prolongando algo que não deveria ser prolongado. Quando trabalho com o processo de luto este é sempre um fator ao qual fico atento: se a pessoa está saindo do luto e aprendendo ou se ela está se apegando ao luto e ficando dentro dele. Não é uma questão necessariamente de tempo, mas sim de dinâmica pessoal de mergulhar e sair da tristeza ou de ficar mergulhado nela correndo o risco de se afogar.

A verdadeira força está sempre em ouvir nossas emoções e a reagir adequadamente à elas. Em algumas situações pode ser sábio engolir o choro, em outras poderá ser como engolir veneno. Aprender a distinguir isso e viver de maneira digna o seu próprio processo de desenvolvimento vital é o que as pessoas realmente fortes fazem!

Abraço

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Expectativas e depressão
16/01/2014

Colocar a expectativa de mudança fora de si é a fórmula para a frustração e consequente depressão Charlie!

Dependência emocional
23/10/2013

– Aí que me dei conta que eu estava pedindo desculpas por estar sentindo o que estava sentindo!

– Que loucura não é mesmo?

– Se é! Na verdade fiquei pensando depois: pra que eu fiz isso?

– Pra que? O que estava esperando?

– O pior de tudo é perceber assim: eu sei que não estou errado de sentir aquilo, porém como ela acha que está eu me acho errado.

– Hum… e aí?

– Pois é… e aí… é uma boa pergunta.

– O que isto quer dizer sobre a forma pela qual você lida com suas emoções?

– Que eu fico precisando da aprovação dos outros pelo que eu sinto?

– O que você acha?

– É, parece que é bem isso mesmo…

Dependência emocional é um tema muito forte e complexo.

Basicamente uma pessoa depende de outra ou de alguma coisa quando não consegue, por seu próprio esforço, manter algo que deseja.

Portanto, dependência emocional tem a ver com a pessoa que não consegue sustentar sozinha aquilo que sente, como o exemplo acima mostra.

O que fazer?

O primeiro passo – como sempre – é a percepção e aceitação do problema. Depois que a pessoa percebe o que está fazendo com as emoções dela é  o momento de perguntar o que faz com que ela mantenha a dependência. Pode ser necessidade de afirmação, medo de ficar só, arrependimento por decisões passadas e várias outras causas que levam ao mesmo comportamento: de colocar a percepção do outro na frente da própria pessoa.

Em outras palavras a pessoa precisa compreender do que ela é dependente e como faz para esta dependência se manter. Um exemplo ilustrativo e simples é o do dinheiro: a pessoa é dependente do dinheiro e não tem comportamentos que a levam à ganhar o seu dinheiro, portanto, mantém-se dependente. Quando começa a trabalhar ela passa a ganhar o seu dinheiro e sai da condição de dependente.

Emocionalmente falando o processo é o mesmo: como a pessoa faz para manter a sua dependência, o que deve fazer para sair da mesma? Muitas vezes um sistema de crenças pode estar jogando contra a independência da pessoa: “é egoísmo se deter só às suas emoções”, por exemplo é uma forma de pensar que mantém muitas pessoas afastadas do que sentem buscando sempre uma aprovação para expressar seus sentimentos. A qual dificilmente vem.

Uma auto estima baixa também pode ser a fonte de uma dependência emocional. Se a pessoa não tem um apreço suficientemente alto por ela mesma ter este apreço de outro pode ser fundamental para o equilíbrio psíquico dela e então ela coloca o que sente de lado para buscar sentir tal como se espera que ela sinta.

A pessoa também pode não saber como dar conta do que sente e guiar-se com base no seu raciocínio próprio. Ao invés de dizer algo que sente que é importante a pessoa mantém a boca fechada para “não incomodar” ou porque “sente preguiça” de fazer algo diferente. Também temos uma situação na qual a pessoa simplesmente não sabe o que fazer: “como dizer isso para ele(a)?”, ou então pode ser que nunca se defrontou com a situação e não sente-se seguro de suas emoções frente ao que está vivendo como no clássico exemplo de um pai que sentia-se culpado de sentir ciúmes do filho.

Ser emocionalmente independente não significa “não precisar de ninguém”, mas sim de não precisar que os outros endossem aquilo que sentimos e nem que endossem o que resolvemos fazer com o que sentimos. Não precisar de endosse é diferente de pedir opinião, por exemplo, ou de levar em consideração algo que seja importante de ser considerado sobre os outros. Se a pessoa consegue tomar a sua decisão sozinha e agir assumindo responsabilidade pelo seu comportamento e pela sua interpretação da realidade não existe mal em pedir ajuda ou opiniões, o problema é quando a pessoa busca uma resolução do outro para adotar como sua.

Por isso as atitudes de pensar por si, ser responsável com as conseqüências de seus atos, buscar soluções de forma responsável e criativa, ouvir suas emoções são comportamentos que levam a pessoa à independência emocional enquanto que calar-se pelo medo, esquecer dos seus princípios, assumir pontos de vista de terceiros de forma impensada são atitudes que afastam a pessoa desta independência a qual uma vez conquistada não é conquistada para sempre, mas sim um exercício diário.

Abraço

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Drogadição e anestesia
04/09/2013

– Pois é, agora que estou percebendo que diminui muito!

– Que bom não é mesmo?

– Sim, na verdade, foi algo bem espontâneo, me lembro que eu chegava e pensava em fumar um; daí teve alguns dias que eu pensei “na real nem tô precisando”.

– Ó só que coisa! E porque você não estava precisando mais?

– Cara… não sei te dar uma resposta direta sabe? Mas tipo: minha vida nem está tão ruim mais! Daí pensei que eu podia dormir de boa.

– E conseguia?

– Sim, tanto que fiz isso altas vezes e fiquei bem tranquilo, não tinha aqueles sonhos horríveis.

– Então quer dizer que quanto mais a sua vida melhorou menos você precisou da droga para dormir?

– Sim.

– E o que melhorou na sua vida? E quero saber: o que você começou a fazer de diferente nela?

– Então, todas aquelas conversar que a gente teve: dar limite, me comprometer com  o que eu quero, não mentir pra mim e tal.

– Muito bom né?

– Sim e com a faculdade agora tipo, eu quero ser bom mesmo sabe?

– Sei sim, que ótimo!

– Se é!

Uma metáfora muito útil para se fazer com as drogas é a metáfora da anestesia. É como se a droga funcionasse como uma espécie de anestésico para a alma.

Cada pessoa possui uma forma de anestesiar a dor emocional: algumas preferem letargia, outras querem ficar hiperativas, outra fantasiam; para cada perfil um tipo de droga – algo conhecido dos usuários, afinal não é por acaso que algumas pessoas “gostam” dos efeitos de um tipo de droga, mas não gostam dos efeitos de outra.

Efeitos. Este é um ponto importante para compreender, ninguém gosta de “drogas”, as pessoas consomem a droga pelo seu efeito, relacionar o efeito da droga com o tipo de motivação que a pessoa tem antes de usá-la é fundamental para compreender melhor o que ela está anestesiando e de que forma. Por exemplo: lidar com a tristeza é algo que pode ser feito de muitas formas: buscando esquecer da tristeza, tirá-la de cena e da consciência ou buscando tornar-se hiper forte para “dar conta” de “tudo aquilo”, a pessoa pode buscar pela letargia ou pela hiperatividade, cada um relacionando com tipos de drogas que promovem este tipo de efeito – por exemplo, maconha e cocaína.

Porque isto é importante? O problema da droga só se estabelece de forma mais agravada quando a pessoa possui uma dependência química da substância, neste caso é necessário um tratamento medicamentoso junto com um tratamento psicoterápico; o problema, no entanto, é que a dependência química muitas vezes avança “controla” a pessoa e é, de fato, muito difícil de resistir. Porém, quando temos uma questão que é de cunho emocional e psicológico – situações em que, muitas vezes, nem se entra com medicação, compreender estes gatilhos é que vai solucionar o problema de uma forma verdadeira. Ou seja, o problema mais forte não é o uso da substância, mas sim ajudar a pessoa a construir comportamentos com os quais ela possa viver a sua vida e vencer os seus problemas ao invés de precisar anestesiar a situação toda com drogas. O caso acima, por exemplo, foi um trabalho muito bacana com um jovem que aprendeu a “mostrar quem era” e defender seus sonhos e ideais, com isso pode começar a ter sonhos e sonos mais tranquilos e por isso não precisou mais usar para relaxar ou dormir, estava, finalmente em paz consigo podendo colocar a cabeça tranquila no travesseiro.

Quando uso? O que estou pensando e sentindo quando uso? Como esta droga “me faz bem”? O que acontece quando não a uso? Todas estas perguntas são úteis para ajudar a compreender a relação da dependência emocional com a droga. E a atuação precisa ser realizada sobre estes pontos, ou seja, é tornando a pessoa cada vez mais competente, estruturada e flexível emocionalmente que a relação com o efeito que a droga traz pode se diminuir. O efeito que a pessoa causa em sua própria vida tem que ser igual ou melhor do que aquele que a droga traz senão ela via manter-se nas drogas – por serem mais “eficientes”.

Aos familiares é importante alertar o seguinte: cada família possui uma forma de agir, um “jeitão” de ser. Este “jeitão” pode ajudar ou prejudicar a pessoa em tratamento com drogas e é importante a ajuda de um psicoterapeuta que dê orientações para que a família possa se organizar de uma forma a ajudar de fato a pessoa. Isso deve ser feito sempre em conjunto com o paciente e com o terapeuta, é muito difícil dar orientações de uma forma generalizada nesta questão.

Abraço

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Censura
30/08/2013

– Não sei se consigo mais.

– Porque?

– Estou cansado de tentar cara… eu me sinto muito mal se faço ou se não faço. Se eu não faço acho que deveria ter feito e se faço me sinto mal por fazer.

– Entendo. Que emoção é esse “sinto mal por fazer”?

– Sei lá, é como se eu estivesse cometendo um crime e fosse culpado por isso saca?

– Claro

– E daí ao mesmo tempo, porra: é só o que eu quero fazer meu! Não precisava ser desse jeito!

– Não, não precisava. Me diga: que crime você está cometendo?

– Sei lá… ser eu mesmo?

Muitas pessoas se sentem “presas” como se não devessem ou não pudessem fazer o que querem. O que acontece? Porque algo tão simples quanto o desejo de ser feliz ou de fazer algo bom para si torna-se um problema para alguns de nós?

Obviamente muitas respostas podem ser dadas para resolver esta questão, vamos explorar uma delas.

Algo que vejo com uma certa freqüência no consultório são pessoas que aprenderam a censurar as suas próprias ideias, valores e desejos. Um ato, muitas vezes aprendido com os pais ou com um tutor e que a pessoa passa a reproduzir com uma perfeita semelhança. A atitude básica é a de desejar algo, imaginar alguma coisa para fazer e então começar um processo sistemático de censura deste desejo. A pessoa pode fazer isso de várias formas: pode imaginar as pessoas ficando braba com ela ou desaprovando o que ela fez ou quer fazer, pode pensar que ela seria mais importante em outra atividade, que ela não merece fazer aquilo por algum motivo qualquer, pode dizer-se coisas negativas sobre ela ou sobre o desejo de modo a querer se afastar do desejo, pode lembrar-se do pai, mãe ou figura importante que lhe ensinou a censurar e imaginar essa pessoa censurando.

Uma vez que a pessoa inicia este processo geralmente ela termina em dois caminhos: o primeiro – mais óbvio – é se afastar do desejo, o segundo é fazer e depois culpar-se por ter feito o que desejava. Tanto um quanto o outro geram uma sensação interna de pressão e culpa muito intensas que a pessoa tem que manejar de alguma forma. Uma válvula de escape é a depressão, na qual a pessoa sucumbe e não consegue mais desejar; outra muito comum é começar a servir aos outros muito mais do que a si próprio. Tanto uma quanto a outra, com o tempo, fazem a pessoa “desaprender” a desejar e é muito comum que a sensação de “preguiça” venha quando a pessoa quer fazer alguma  coisa ou pensa em fazer algo; quando não a preguiça temos a culpa e o medo. A culpa é como se ela estivesse devendo algo para alguém ao desejar, o desejo fica associado à algo errado; o medo, torna-se óbvio no mesmo contexto, só que ao invés da culpa a pessoa deseja apenas não ser punida, a expressão “desculpe por existir” resume a sensação de uma certa forma.

É importante aprender a observar de forma precisa a censura: seu conteúdo – o que a pessoa se diz ou pensa -, a forma pela qual ele aparece – é algo que eu me digo, imagino meu pai dizendo isso para mim, me dá uma sensação ruim -, e a nossa reação frente à isso – minto e faço mesmo assim sentindo culpa depois, não faço, finjo para mim mesmo que o desejo não é tão importante? Observar nossas reações nos ajuda a perceber como a censura está estruturada dentro de nós e esse é o primeiro passo para possíveis mudanças.

Uma delas ocorre quando as pessoas começam a olhar o conteúdo do que se dizem e percebem que ele não faz muito sentido para a pessoa hoje. Algumas vezes ficamos com ideias que nos parecem tolas, mas como não as questionamos continuamos seguindo-as e deixamos que uma ideia inadequada seja a linha mestra da nossa vida. Outra ocorre quando a pessoa percebe que ela tem que se dar a “liberdade” ao invés de esperar que alguém venha fazer isso por ela, outras podem ser comportamentos como aprender a dar limites aos outros.

Quando este processo começa a pessoa vai para um outro ponto: começa a valorizar suas necessidades e desejos e com isso passa a agir em prol da melhora da sua qualidade de vida. Obviamente isto também pode tornar-se um ciclo virtuoso – e esse é o objetivo final – dentro do qual estar bem e fazer o bem se tornam os principais objetivos.

Abraço

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Desânimo
16/08/2013

– Não estou mais com tesão disso tudo sabe?
– Sei sim, como você encara isso?
– Como assim?
– O que pensa sobre estar sentindo esta “falta de tesão”?
– Hum, não tinha pensado nisso, mas não é bom não é mesmo?
– Será?
– O que poderia ter de bom em me sentir assim?
– Boa pergunta, o que?
– Não sei Akim, o que?
– Pense no que está “motivando esta desmotivação”.
– Hum… sei lá, tenho visto que o que eu quero na relação não é bem o que ela quer. Vejo que brigamos por causa disso, mas que não temos que brigar porque não tem nada a ver, são apenas desejos diferentes. E, talvez, incompatíveis.
– Hum, perfeito. Então você perdeu a motivação em relação à que, especificamente?
– Acho que de ficar tentando fazer que ela queira o que eu quero.
– E isso é bom ou ruim para a relação?
– Acho que de certa forma é bom, mas não é bom sentir-me assim.
– Não é prazeroso, concordo, porém a sensação vem para de te dizer que estás investindo em algo que não dá futuro! Melhor parar e que sensação melhor para parar do que o desânimo?
– Pensando assim…

Todas as nossas emoções não são sentidas por acaso. Todas possuem um sinal, um alerta ou uma mensagem. Aqueles que dão ouvidos às suas emoções são aquelas pessoas que admiramos como pessoas que vivem de forma íntegra.
O desânimo não foge à regra. Embora uma emoção “chata” de ser sentida, ele carrega consigo mensagens sempre valiosas.

O primeiro passo para entendermos melhor o desânimo é nos perguntarmos o que está motivando o nosso desânimo? Em outras palavras: estamos desmotivados em relação à que? É importante compreender que desanimar-se é sempre em relação à algo, ou seja, a nossa desmotivação não é uma “coisa” que nos pega de surpresa e não possui sentido nenhum. Às vezes as pessoas tem uma certa dificuldade em identificar o que está sendo o alvo da desmotivação, no entanto, é importante sempre pesquisar isso, seu psicólogo pode ajudá-lo neste sentido.
Depois de identificado o alvo da desmotivação é importante perguntar-se se o desânimo está relacionado à coisa em si ou à forma pela qual vivemos alguma coisa. Por exemplo, é muito comum que ao longo de um casamento os conjugues sintam-se desanimados em relação ao casamento, isto, boa parte das vezes, não é prenúncio de divórcio, mas sim um alerta de que a forma pela qual o casal está se relacionando está chata e que está na hora de mudar a relação – viajar mais, voltar a sair com amigos, ver mais filmes, enfim, o que o casal estiver precisando. Outras vezes o desânimo está ligado à coisa em si, ou seja, a pessoa não quer mais trabalhar com um determinado segmento, não quer mais o objeto a coisa em si, quer outra e, por isto, desanima-se.

Se o que lhe causa desânimo é a forma pela qual você está fazendo algo mude, faça algo diferente. Pois a questão do desânimo é reinvestir a energia numa nova forma de agir. Se o desânimo tem a ver com abandonar algo que já não lhe serve mais, busque dentro si a resposta para a pergunta: o que vai me fazer feliz agora? E busque isso.
O desânimo quando usado desta forma é um ótimo “corretor de curso” em nossas vidas, nos ajuda a perceber e agir rapidamente em prol de buscarmos algo mais adequado para nós, seja um emprego, casa ou relacionamento.

Abraço
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Pessimismo
05/08/2013

– Eu fico com essa ansiedade que não passa  sabe?

– Sim, sei bem como é.

– E o pior é que mesmo quando eu consigo fazer algo bom não passa!

– Entendo, porque você acha que não passa?

– Eu não sei, acho que eu tenho que provar mais alguma coisa ainda!

– Será?

– Não sei, o que poderia ser?

– Me diga uma coisa: quando você consegue pensa que conseguiu porque você é bom ou porque se esforçou muito para conseguir aquilo?

– Porque me esforcei, claro.

– E aquilo é algo que aconteceu ali, naquele momento e para os outros você não sabe se vai conseguir ou não, não é?

– É algo assim sim.

– Então quer dizer que quando você é bem sucedido acha que é só uma vez, e que ela não vai garantir nada para você e ainda quer se sentir seguro?

– (risos) É meio complicado né?

– Pois é!

Ter um pensamento pessimista é algo que causa grandes problemas para a pessoa. No caso acima, por exemplo, a ansiedade constante e uma constante insatisfação com o eu são os sintomas, mas existem outros mais severos como auto-depreciação, depressão e problemas de saúde.

O pensamento pessmisita possui uma estrutura a qual deve ser compreendida para que possa ser, aos poucos, modificada.

O pensamento pessimista se caracteriza quando a pessoa julga eventos “negativos” como eventos que “sempre acontecem com ela”, de forma que sua atenção ao longo do tempo enxerga muito mais os eventos negativos do que os outros. Outra característica é que o pessimista pega um problema e o amplia para todos os campos da sua vida, é quando a pessoa tem um revés em uma área e diz, por exemplo: “eu sou uma porcaria”, pronto uma falha na empresa transforma a pessoa numa porcaria e toda a vida dela ira sofrer com isso. Além disso tudo o pessimista costuma se culpar por tudo o que ocorre de ruim, mesmo que seja algo que não fosse possível à ele controlar.

Estas são as características do pensamento pessimista que, com o tempo e a intensidade – algumas pessoas fazem isso muito, outras um pouco menos – começam a destruir a auto-estima, atrapalhar os relacionamentos e até prejudicar a saúde. A saída?

Antes de modificar o pessimismo é importante mostrar que não se deseja que as pessoas não sejam responsáveis por seus erros, mas que saibam como administrar isso e que consigam colocar o que realmente é da sua alçada sobre isso. O pensamento pessimista deve ser vigiado e a pessoa deve começar a modificar a forma pela qual ela encara o que lhe ocorre de negativo buscando sempre contra exemplos do que ela pensa sobre os problemas da vida.

Por exemplo: quando a pessoa pensa que nunca mais vai conseguir algo de bom na vida porque falhou em um determinado teste é importante questionar isso perguntando: “você já falhou antes e conseguiu algo de bom?” Quando a pessoa disser que sim, podemos dizer: “então vai poder conseguir novamente, você é uma boa pessoa, só teve um revés”. Embora possa parece algo simples demais este tipo de intervenção feita sempre pela pessoa começa a reprogramar a sua atenção e direcionar o foco para os eventos mais positivos da vida.

Abraço

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