Tão você
24/09/2014

 

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  • Eu descobri uma coisa sobre o meu término

  • O que foi?

  • Que o pior não foi ter terminado.

  • Não… o que foi?

  • Eu já não estava muito bem antes.

  • Sei.

  • E isso foi o pior, porque eu entendi algo que me deixou bem mal

  • O que?

  • Que eu tinha me deixado… muito antes de ter sido deixada.

  • Hum… cruel não?

  • Sim e até percebo que ele não poderia me amar mais mesmo, porque eu me abandonei… não era mais uma pessoa “apaixonável”

  • Sim… entendo…

 

Quando entramos em um relacionamento é natural que a nossa identidade se dissolva levemente na identidade do outro e na relação em si. Isso é um processo natural, normal e que é saudável para a manutenção e crescimento da relação. É quando começamos a nos pensar em relação ao outro e em relação à nossa própria relação. Quando uma decisão é refletida a partir do nosso querer e do que é melhor com relação à um terceiro e à relação que tenho com esta pessoa.

Quando a pessoa, no entanto, passa a refletir tudo apenas em relação ao outro existe um problema. O que não é saudável é quando a relação e o outro são colocados em primeiro lugar e/ou sempre em primeiro lugar. Porque isso é danoso? Pelo fato de que isso coloca as necessidades pessoais de quem age assim sempre em segundo plano e elas não podem estar sempre em segundo plano, outro efeito colateral é sentir culpa pelo fato de desejar alguma coisa que é tão danoso quanto o primeiro.

Se o conjugue se torna o único da relação não existe mais relação. Tudo o que ocorre passa a ser um pedido desesperado por afeto e aprovação. Esta humilhação desgasta qualquer pessoa e qualquer relação, é apenas quando existe um parceiro com quem interagir que algo pode ocorrer. Você pode dançar sozinho, mas não pode dizer que está dançando de dois enquanto dança sozinho. A pessoa que coloca o outro sempre em primeiro lugar está fazendo exatamente isso, deixando o outro dançar sozinho. É uma forma de abandono porque quando a pessoa se abandona ela deixa o outro sem ela e é uma dor muito difícil e estranha de ser sentida.

Para reverter o quadro não basta voltar a fazer as coisas que você gosta de fazer. Isto é importante e necessário e faz parte de um processo que é aprender a se recolocar perante si mesmo em primeiro lugar. Este é o processo mais importante. Aprender a merecer novamente apenas por si, dizer “nãos”, colocar a sua vontade e, por vezes, fazer algo sozinho. A relação lucra muito quando ambos conseguem ter vidas próprias além da vida em conjunto. Novamente, como eu disse existe algo saudável em deixar sua identidade se fundir com o outro e com a relação, porém os limites precisam ser estabelecidos e o limite é quando eu sei que eu ainda sou eu e tenho esta diferença bem posicionada. É quando sei que amo o outro e mesmo assim sei que não preciso concordar com ele em tudo e que não preciso ceder à tudo para ser amado por ele.

É importante que fique registrado que o fundamental não é o afastamento do outro, mas sim a aproximação consigo. Não se trata de não fazer porque é o outro quem está pedindo, mas sim de não fazer – por exemplo – porque é algo que me agride, com o que não concordo radicalmente. Ou então, de se permitir fazer algo que seu conjugue sugeriu porque lhe parece uma boa dica. Sempre coloco para alguns clientes que você só se perde numa relação caso se abandone, não é o outro – neste sentido – que nos abandona, mas sim, inicialmente, nós mesmos. A dor de perder alguém que amamos só pode ser comparada à dor de perdermos a nós mesmos. A boa notícia é que estamos aqui para podermos reatar o contato conosco, para isso, precisamos abrir o peito e ousar novamente.

Abraço

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Justificativas
20/09/2013

– Daí tive que ficar falando sobre o que eu fiz entende?
– Sim.
– Eu não aguento mais isso.
– Porque o faz então?
– Porque tem que né?
– Tem?
(silêncio)
– Você acha que eu não tenho?
– Me diga você, porque crê que deve explicações para as pessoas?
– Não sei…
– Será que você ainda precisa justificar tudo o que faz? Em que papel isso te coloca?
– Naquele que eu detesto né?
– Pois é…
– Preciso mudar isso Akim… não posso passar a vida tendo que justificar cada passo que dou! Isso não é vida!
– Eu concordo com você, fica complicado não é mesmo?
– Sim…
– Qual o primeiro passo?
– Parar de temer… eu justifico porque eu mesmo tenho medo, receio… tipo… não acredito plenamente no que eu faço… Acho que quando eu confiar 100% eu não vou mais precisar dar justificativas… vai mudar o meu jeito de pensar.
– Perfeito, vamos lá então!

Você já precisou se justificar? Justificar é dar um valor à um dado comportamento ou pensamento, validar a sua existência.
Quando precisamos fazer isso significa que o comportamento em si possui uma dúvida latente, ou seja, é possível de ter sido equivocado, feito de má fé ou então significar algo danoso.

Como se lida com isso?

No caso que mostrei acima, por exemplo, temos que a própria pessoa não tem confiança plena em seus comportamentos e, por isso, sente-se – ela mesma – culpada ou arrependida ou até mesmo insegura com relação ao que fez. Este é um dos casos mais comuns no qual a pessoa não gosta, porém sente-se compelida à justificar seus atos e quando é cobrada piora a situação.
O problema é que a sensação de culpa acaba sendo vista pelas pessoas com quem ela se relaciona e nós seres humanos geralmente percebemos e julgamos o comportamento do outro com base nisso. Assim sendo é muito fácil uma pessoa fazer algo certo e ser julgada como se tivesse feito algo de errado. Obviamente isso causa arrependimentos e indignação!

A questão central parece ser aprender a avaliar de forma própria o seu comportamento. Para isso é necessária uma boa auto-percepção, um conjunto de valores próprios bem organizados, a competência para defender estes valores e uma boa dose de auto-aceitação. Tudo isso cria na pessoa um “mix” para poder avaliar o seu comportamento com base em seus próprios valores, desejos e metas. Obviamente a pessoa consegue fazer a avaliação com base nos parâmetros de outras pessoas, porém a diferença é que ela sabe que são de outra pessoa e pode optar de forma consciente – por escolha – a usá-los ou não.

O contrário envolve uma confusão entre os valores próprios e os valores de terceiros, nos quais a pessoa tenta – sempre sem sucesso – agradar à gregos e troianos, buscando satisfazer os seus desejos e os do outro ao mesmo tempo, fatalmente não conseguirá e irá sentir-se culpada ou “esquisita com ela própria” quase que sempre: de um lado por fazer o que devia fazer, porém não ter agradado o outro e, de outro lado, ao ter agradado ao outro, porém ao preço da sua própria felicidade e satisfação. Em algumas situações isso não causará danos maiores, porém como a atitude se repete ao longo do tempo, fatalmente trará problemas.

Abraço
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Dependência
31/05/2013

– Percebi então o seguinte: eu recebia a grana do meu pai e achava que, por causa daquela grana, eu não estava construindo o meu futuro.

– Hum e o que você fez?

– Bom, daí eu entendi o seguinte: o dinheiro que eu recebia dele eu poderia simplesmente guardar e viver apenas daquilo que eu ganhava.

– Hum e então?

– E então que caiu a ficha: Eu já estou cuidando da minha vida… uma coisa não tem nada a ver com a outra.

– E como foi perceber isso?

– Cara… foi uma coisa do tipo: meu, você demorou tudo isso para perceber o óbvio? (risos) Mas foi bom, libertador e assustador ao mesmo tempo, como toda boa liberdade eu acho.

– Com certeza.

As pessoas criam relações de dependência. Depender de alguém de forma concreta – assim como o bebe depende de alguém que cuide dele – é uma coisa, porém a dependência emocional nada tem a ver com a dependência concreta, a prova disso é que muitas das pessoas dependentes são as que cuidam dos outros.

A dependência possui uma característica importante no que tange à forma pela qual o dependente percebe o mundo: ele coloca o outro como mais importante do que ele, mais capaz, superior ou detentor de algum tipo de dívida à qual o dependente deve sanar. O traço básico da dependência que percebo em vários clientes é este.

Uma vez que a pessoa consegue colocar o outro num lugar mais adequado e se colocar em primeiro lugar a dependência começa a perder a sua força e a pessoa passa a “se impôr”. A pessoa pode depender da outra de várias formas, mas uma que tenho tido especial atenção é quando a pessoa identifica-se no papel de dependente. Este caso é particularmente interessante, pois é o caso no qual o julgamento da pessoa sobre si é o de dependente. Por exemplo: “não presto para nada mesmo”, “preciso dos outros”; são algumas das frases que tenho visto.

O caso do rapaz acima é um deles. Ele já ganhava o seu dinheiro, ganhava mais do que o pai mandava para ela, mas mesmo assim continuar a “agir como” um dependente, continuava se vendo no espelho como um garoto e não como um homem e, daí tinha atitudes de garoto e não de homem. Ele já possuía várias competências e habilidades para se virar na vida, mas enquanto percebia-se como dependente ele não ousava usar a sua forma de ser no mundo de forma plena e integrada ficando sempre com uma sensação de que tinha deixado de fazer algo importante.

Um tema que gosto de começar é pelas competências da pessoa (quais as suas?) ajudando-a a perceber como ela é boa no que faz e no que ela é boa. Também começamos a trabalhar com a noção de quais suas forças e quais forças seria bom desenvolver. Isso dá mais auto-confiança.

Depois disso passo para trabalhar a auto-estima da pessoa para ajudá-la a perceber o seu lugar no mundo, algo como “mereço ser feliz”. Esse merecimento é importante de ser sentido. A auto-estima precisa ser aumentada de acordo com as necessidades da pessoa fazendo com que ela crie um senso daquilo que é importante para ela e daquilo que a machuca enquanto ser humano. Também trabalhamos com a aceitação pois sem ela não existe auto-estima.

E finalmente vamos para a parte da identidade, ajudar a pessoa a alicerçar uma nova visão de eu. Gosto do processo desta forma porque quando chegamos na etapa final muito do trabalho já está pronto e é mais fácil para a pessoa identificar-se com uma visão de si se ela já viveu algumas das experiências benéficas e então entramos no trabalho da integridade: ser um só com o que você pensa, age e sente.

Este rapaz teve esta sacada neste momento da terapia  dele. Foi assim que ele começou a olhar-se no espelho e ver um homem adulto.

E você… o que vê no espelho?

Abraço

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