Como você sabe que sabe?
19/08/2015

Como você sabe que sabe

  • Mas sabe, eu não sinto que sou querida lá no grupo.

  • Ah é, o que te faz saber disso?

  • Ah, não sei, o pessoal não fica falando com você sabe?

  • Sim.

  • Então, é isso.

  • E você fala com eles?

  • Também não né?

  • Porque?

  • Porque eles não falam comigo.

  • Hum, então se eles não falam é porque não te querem bem. Então, usando a sua lógica você não os quer bem.

  • Não, nada a ver!

  • Mas você não fala com eles.

  • Hum… é verdade…

  • Será que eles não falam com você porque são tímidos? Porque são “curitibocas”? Ou simplesmente porque você também não fala?

  • Pode ser…

  • Será que necessariamente eles não falarem com você tem que significar que não te querem bem?

  • Não… pensando assim não…

 

Dizer que a realidade é subjetiva não quer dizer que ela não possa ser conhecida. O que faz você saber que o real é real?

Esta pergunta parece estranha na primeira vez que nos fazemos ela. Nunca paramos para pensar no que nos faz saber daquilo que afirmamos saber. Muitas vezes, nossos problemas estão exatamente aí. O que nos acontece está ligado com a maneira pela qual vemos isso. Nossa percepção não é passiva, mas ativa. Isso significa que bloqueamos pedaços de informação e damos valor à outros. Estas preferências é o que, de fato, constitui a nossa percepção do mundo e, com isso, criamos a nossa realidade.

A questão é que a maneira pela qual nossas lentes estão ajustadas nem sempre está consciente para nós e tomamos nossas decisões com base naquilo que percebemos. Assim sendo podemos ter feito ajustes inadequados em nossas lentes e, com isto estar vendo demais, de menos, com distorções, de maneira opaca ou nebulosa. É quando nos perguntamos “como sabemos que sabemos disso” que começamos a perceber com que tipo de lente estamos vendo o mundo.

Os critérios que usamos para viver a experiência, nossas prioridades e com isso nos comportarmos no mundo. Como você sabe que é amado, por exemplo? Quais são os detalhes da sua experiência com alguém que te permitem dizer “sou amado”? São comportamentos, expectativas de comportamento que nos fazem perceber que alguém nos ama. Afinal de contas, nunca temos acesso direto às emoções de ninguém – nem das nossas às vezes.

Como você sabe que pode confiar em você? Quais são os detalhes do teu comportamento, da maneira pela qual você cria e segue as suas regras que te fazem sentir que pode confiar no seu próprio comportamento? Estes trechos tem a ver não apenas com a ação, mas com a congruência entre a ação e o pensamento, ou seja, se penso, ajo e sinto de uma mesma maneira. A convergência destes três elementos, em geral nos traz a sensação de confiança, pois atingimos nossos resultados e sabemos que eles tem a ver com a nossa moral.

Determinar “como sei que sei” é determinar todos estes critérios e perceber se eles estão convergindo ou divergindo da sua experiência de vida. Ou seja, se pretendo descansar, mas marco um final de semana cheio de atividades, não estou convergindo para aquilo que percebo como uma experiência de tranquilidade. Da mesma maneira as pessoas vivem suas vidas inteiras buscando algo, mas sem estar atento aos critérios que realmente são importantes para atingir estas metas.

Abraço

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Complexidade emocional
12/08/2015

varias emoções

  • Eu estou muito puto com ele.

  • Sei… me fale mais dessa raiva.

  • Cara… como que ele pode fazer isso?

  • Você esperava outra reação dele?

  • Lógico, nunca pensei que fosse fazer isso!

  • Está frustrado ou decepcionado com ele?

  • Sim!

  • O que veio primeiro: a raiva ou a decepção?

  • Hum… acho que a decepção.

  • Sentir isso influencia na sua amizade com ele?

  • Sim.

  • E como você se sente com isso?

  • Triste sabe? Tipo… nossa… foi muito ruim isso tudo. (chora)

 

Você sabe qual a diferença entre emoção e sentimento? Antonio Damásio nos diz – à grosso modo – que enquanto a emoção é algo que tem a ver com o movimento, com a ação, o sentimento é algo que tem a ver com a percepção. Enquanto uma nos coloca na ação a outra é a percepção desta ação.

Daí que quando percebemos colocamos nossas funções cognitivas para trabalhar e uma emoção pode dar origem não apenas a sentimentos, como também a outras emoções. É o que tentei descrever neste caso acima. A emoção de decepção gera a tristeza e gera a raiva. Ao mesmo tempo a pessoa sente estas emoções nela, uma após a outra e combinando sentimentos e emoções ao longo do tempo. Toda pessoa que passou por uma morte, desastre ou experiência de roubo, guerra ou até mesmo perda de patrimônio ou divórcio sabe que várias emoções podem ocorrer ao mesmo tempo.

A emoção está vinculada ao que pensamos e percebemos, ou seja, embora as emoções não são “puras”, elas tem uma relação profunda com como percebemos o mundo e nós mesmos. No exemplo acima, temos uma pessoa que tinha expectativas à respeito do comportamento do amigo. O que o amigo fez com ele só foi algo ruim por causa desta expectativa, a emoção de tristeza – de ter perdido algo, no caso a confiança – ocorreu em detrimento do fato do meu cliente sentir que não poderia mais confiar no amigo por causa daquilo que ele fez. E se as expectativas fossem diferentes?

Neste mesmo caso a raiva é uma emoção que surgiu por um outro fato: ele, no fundo não sabia e nem desejava dizer ao amigo que não queria mais relacionar-se com ele. Estes dois eventos dentro do meu cliente geraram um estado complexo: o amigo lhe causou um dano, manter a amizade poderia lhe trazer mais danos, ele não queria dizer que desejava afastar-se do amigo, portanto sua própria maneira de ser poderia lhe causar mais danos. Como esta era a única resposta que ele tinha no momento ele ficou ansioso em saber que poderia estar se causando mais danos e, daí, a raiva.

Aquilo que sentimos pode ser algo muito complexo como o exemplo mostra: a percepção de uma decepção torna-se tristeza e essa mesma tristeza desperta a raiva. Todas as emoções estão unidas frente à um mesmo evento e dizem de aspectos diferentes sobre este evento. Lidar com cada uma delas é importante para abraçar o evento como um todo e não apenas como parte. Além disso podemos ter emoções que nem sempre se manifestam claramente, surgem apenas como vontades “que não sabemos da onde vem”, ou que surgem depois do evento, mas estão relacionadas à ele.

Preste atenção naquilo que sente, você poderá encontrar muitas respostas aí.

Abraço

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Raiva do terapeuta
29/07/2015

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  • Então é isso!

  • É isso?… Bem, vamos tomar um café e ir embora então? Porque estamos no começo da sessão (risos).

  • Ah é! (risos)… eu não tenho mais nada que eu queira falar sabe?

  • Sim… mas tem algo que você está sentindo… isso posso dizer.

  • Tem… mas não quero falar disso agora.

  • Se eu palpitar certo você fala?

  • Falo…

  • Vou falar assim: não tem problema isso que você está sentindo em relação à mim, pode sentir e pode falar o que você quiser… eu aguento, não vou te julgar por sentir isso, vou ajudar você com esta emoção.

(Silêncio)

  • Eu tô com raiva de você! É isso! Pronto, falei!

  • Ótimo! Me conte o que aconteceu?!

  • É que eu to com raiva porque você fica falando de mim… e me elogia… e me incomoda isso!

  • Eu imagino… que bom que você pode falar da tua raiva, de que maneira falar de ti ou eu te elogiar é agressivo?

  • Eu não sei o que você quer com isso! Porque você me elogia?

  • Quando vejo que uma pessoa tem uma atitude digna de ser elogiada eu o faço.

  • Mas eu tô fazendo algo assim!?

  • Sim, vez ou outra você faz e então elogio o seu comportamento.

  • E você faz isso com todo mundo?

  • Sim, aqui no consultório e na minha vida pessoal também. Não faço bajulação, apenas elogio.

  • Entendi…

  • Que tal trabalharmos melhor com esta raiva e essa dificuldade de falar de si e de ser elogiada?

  • Acho bom.

  • Eu também…

 

A raiva é uma emoção que tem a ver com a sensação de impotência e ameaça. Junte estes dois elementos e terá a raiva. Para que ela serve? Para mobilizar força e foco para lutar ou fugir. A raiva, em si, não é boa ou má, o que fazemos com ela pode se tornar útil ou improdutivo para nós.

Na terapia muitas emoções surgem naquilo que chamamos de “relação terapêutica”. É comum sentir amor, raiva, cumplicidade, amizade, ternura e nojo do seu próprio terapeuta. Todas as emoções que vivemos com outros humanos podemos reproduzir na relação com o nosso terapeuta, pelo simples fato de ele ser, também – e incrivelmente, apenas um humano.

Quando a  emoção da raiva aparece na relação terapêutica é importante que a pessoa consiga comunicar isso. A raiva pode se manifestar por vários motivos, um deles, inclusive significa que a terapia está dando certo. Porque? Porque muitas vezes o processo terapêutico mexe em nossas feridas e incompetências, nossas deficiências – sim você, eu e todo ser humano possui alguma em algum nível. Essa percepção pode ser consciente ou inconsciente, ou seja a pessoa pode estar consciente de que está sentindo raiva ou não, mas ela está lá.

Frente à percepção disso é um mecanismo de defesa comum a projeção de culpa. Assim a pessoa pode ficar braba com seu terapeuta por que na relação com ele, ela descobriu incompetências suas que ela própria não gosta de lidar. Se a raiva não é manifesta é comum que a pessoa termine por abandonar o tratamento porque irá sentir-se mal durante as sessões ou pode até mesmo sentir-se exposta ou até mesmo cobrada pelo terapeuta.

Esta maneira de responder provavelmente é a mesma que ela usa em sua vida diária com todas as pessoas ou uma reação específica ao terapeuta em quem ela deposita muita confiança. Neste último caso a pessoa pode sentir-se “traída” pelo terapeuta ao sentir que ele percebeu suas deficiências ou até mesmo sentir-se ameaçada pelo fato de ele pode descartá-la pelo fato de não ser “perfeita”. A raiva na terapia é sempre um bom sinal porque nos ajuda a perceber onde temos que trabalhar. Assim, explorar a raiva deverá sempre ser um motivo de aprendizado para a pessoa assim como para o terapeuta. Aprenda a falar sobre sua raiva para compreendê-la. A relação com o terapeuta e com a terapia só tem a ganhar quando a pessoa abre suas emoções.

Com raiva?  Explore-a! Aprenda! Transforme-se!

Abraço

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Problemas que ocultam problemas
24/07/2015

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– Mas ela não me deixa em paz sabe?

– Sim… sei como é.

– Então! Eu já conversei com ela, mas ela não muda!!

– Eu sei… e foi você quem escolheu ela… porque será né?

– Não sei!

– O que você faria se escolhesse uma mulher que sabe o que quer. Independente…

– Seria bem melhor!

-… que é como você: sai quando quer, não fica dando satisfação…

– (silêncio) é… me parece meio estranho pensando assim…

 

Algo que impressiona quando lidamos com humanos é a nossa capacidade de gerar problemas. Problemas que ocultam problemas é uma variante muito interessante deste comportamento.

Em relacionamentos é algo muito comum que um dos conjugues tenha um problema qualquer, por exemplo, baixa auto-estima, que aprender a lidar nas relações com outras pessoas usando o outro não para resolver o seu problema, mas sim para mascarar o seu problema. É fácil não lidar com uma questão pessoal quando temos outros afazeres, ou quando achamos que temos outros afazeres.

Neste caso, por exemplo, a pessoa pode na sua maneira de se comportar projetar um comportamento muito seguro e forte, por exemplo, e com isso estar sempre cobrando o outro, dizendo-lhe o quanto ele é preguiçoso, devagar, que ele deveria cuidar melhor de sua vida. O outro acaba sentindo-se muito para baixo e tem medo de perder o seu amado. Com isso pode, por exemplo, ter crises de ciúmes o que o obriga o conjugue a ter que lidar com este problema.

Uma outra forma é a pessoa que é muito forte, porém sente medo de sua força ou culpa por ser assim. Dessa forma vive se colocando em situações de apuros ou tendo comportamentos inadequados. Relaciona-se com uma outra pessoa que ou gosta de cuidar, ou acha que deve ajudar uma pessoa inadequada ou é mandona. Nesta relação a pessoa forte começa a achar que está sendo sufocada pelo outro que está sempre no seu pé.

Em um caso ou em outro o efeito é o mesmo: um problema que surge (no primeiro caso os ataques de ciúmes e no segundo caso o “sufoco”) são problemas criados por uma dinâmica e não um problema “de fato”. Este problema serve para mascarar e evitar que um – ou ambos – dos conjugues entre em contato com uma questão pessoal e assim, tenha que dar conta dela.

O que geralmente ocorre é que o conjugue problemático acaba indo à terapia e faz um processo de evolução pessoal. Neste processo aprende a lidar com o conjugue de uma maneira diferente, deixando-o livre para ser responsável por si só. Quando isso ocorre a relação entra em crise e a pessoa que se esconde atrás dos problemas pode, enfim aprender com eles.

Obviamente exige coragem sair do lugar de “poderoso” para ir ao lugar de “problemático” – é assim que boa parte das pessoas encaram pelo menos. Mas quando percebem que não estão fazendo esta inversão de papeis, mas sim dando conta de uma questão pessoal importante, etas pessoas aprendem que podem, então, serem ainda mais felizes.

E você? Anda escondendo-se atrás de algo?

Abraço

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Os erros do passado
22/07/2015

 

Erros do passado

  • Mas então… eu sei que não vai dar certo.

  • Porque não?

  • Porque eu já tentei e não consegui antes.

  • Entendi.

  • Daí, melhor ficar de fora né?

  • Se a tua conclusão é de que o erro do passado irá necessariamente se repetir, sim.

  • E não vai?

  • Não sei… o que você aprendeu quando errou no seu passado?

  • Nada ué… só fiquei triste.

  • Então é provável que vá se repetir. Agora… porque você não aprende com o que fez ao invés de se tornar vítima do seu erro?

  • Como assim?

 

É muito comum que as pessoas tentem realizar algo e não consigam, errem, não tenham 100% de desempenho. Também é comum na nossa cultura que isso seja entendido como um fracasso e um sinal de que é melhor você ficar longe daquilo porque pode lhe trazer problemas. O erro do passado se torna, então, destino futuro. A marca indelével do seu fracasso e o atestado da sua incompetência. inclusive muitas pessoas lutam anos a fio com estas cenas tentando deletar da memória aqueles momentos de tristeza e vergonha.

O que é um erro? O erro é um comportamento que não atingiu o resultado previsto. Como diz o ditado apenas erra quem está tentando, quem deseja conseguir ou aprender algo. Assim sendo, o erro representa, também, a tentativa da pessoa em conseguir algo que almeja. O erro pode ser, também, uma fase de um aprendizado ou adequação frente à uma situação/ aprendizagem que a pessoa não tem.

Encarar o erro como uma fase do aprendizado é o que fazem os grandes cientistas e inventores. Eles não pensam em erro nos mesmos termos que nós. Reconhecem o erro, mas valorizam este evento como mais uma marca importante do seu aprendizado. Eles ignoram o ato de desistir frente ao erro e reconhecem a importância de refletir sobre o que fizeram afim de modificarem a próxima tentativa com mais sabedoria.

E é este o ponto que eu gostaria de trazer no post de hoje. O mais importante com um erro depois que ele ocorre é o como tratamos este erro. Se o colocamos na esfera moral e passamos a nos tratar como incompetentes que não merecem uma segunda chance ele se torna restritivo da nossa evolução, passamos a temer o erro porque ele significa portas fechadas sempre. Se, por outro lado, não nos enfraquecemos e buscamos no erro o próximo passo, estaremos aprendendo a criar auto confiança (sim, ela existe mesmo no erro) e a gerar novos aprendizados a partir da nossa experiência, o que se chama por aí de auto conhecimento.

Assim sendo, se você tem um erro que o impede ainda hoje de tentar algo novamente e você deseja tentar, faça o seguinte. Relembre a cena do erro, o contexto no qual você estava vivendo e quem você era naquela situação. Pense em tudo o que você fez buscando compreender o que fez com que você tivesse errado e não chego no resultado desejado. Depois, pense no que poderia ter feito para garantir um novo resultado, pense em várias situações possíveis, pelo menos três estratégias diferentes. Se não sabe, pergunte à alguém que saiba como fazer, alguém que já passou pela experiência e se deu bem.

Imagine-se fazendo “a coisa certa” com vários comportamentos à disposição, no caso da opção A não dar certo. Faça isso até sentir que “aprendeu” com o seu erro. Uma vez que isso tenha acontecido, imagine-se no futuro tentado realizar a mesma coisa novamente, agora de posse destes novos aprendizados. Veja como se sente. Vale a pena tentar de novo?

Óbvio, estas dicas não devem ser utilizadas em casos de erros que podem colocar sua vida em risco, ou que podem ser potencialmente danosos. São linhas gerais de comportamento que as pessoas usam para aprender com seus problemas, use estas ideias com parcimônia e busque auxilio e um profissional caso sinta que isso é necessário.

Abraço

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A importância da flexibilidade
17/07/2015

Flexibilidade

– Mas Akim, o que você quer dizer?

– Que você está muito rígido, não consegue flexibilizar o comportamento.

– Quer que eu não faça nada, é isso? Deixe ela montar em mim!

– Não, nada a ver com isso.

– Então o que?

– Simples: de que outras maneiras você pode ser atendido no que é importante para você?

– Como assim?

– Você quer que ela seja “companheira”, ok, mas ela deixou claro que estar o tempo todo disponível à você não é uma opção. De que outra maneira você pode senti-la como companheira que não essa?

 

A flexibilidade é uma característica importante para nossas vidas, mas compreender o que de fato é ser flexível é igualmente importante para que não se cometam erros de comportamento que prejudicam a vida ao invés de ajudá-la.

A primeira coisa que ser flexível não é, é ficar “engolindo sapo”. Em geral quando dizemos à alguém: “seja flexível”, a réplica vem à galope: “você quer que eu fique quieto frente à isso?” ou “não quer que eu faça nada?”. Este tipo de atitude vem de uma falta de compreensão sobre o que é flexibilidade e confunde flexibilidade com falta de atitude. Bem, flexibilidade é tudo, menos falta de atitude. Muito pelo contrário, para se ter esta característica é importante estar muito bem fundamentado em suas crenças e prioridades.

Em geral, o que ocorre é que as pessoas encontram uma forma de atender suas necessidades e desejos e se fincam nesta maneira como a única possível de obterem o que querem. Início do desastre. Porque? Porque ou elas levam sorte ou terão uma vida muito pouco rica. Em geral pessoas que são muito rígidas nas suas maneiras de atingir seus objetivos são mais infelizes e brigam muito com os outros por causa desta rigidez. Elas, também, não adquirem um auto conhecimento bom o suficiente para saber de que outras maneiras podem se satisfazer.

Flexibilidade é a habilidade que lhe permite ter vários comportamentos para atingir o mesmo fim. Ter flexibilidade, portanto, significa saber muito bem o que se quer. Saber o que é importante naquilo que se quer e entender quais são as maneiras possíveis de atingir este fim. A pessoa, para desenvolver a flexibilidade precisa ser criativa e ter foco firme (ou seja, longe da ideia de ser fraca ou não saber o que deseja). O foco é onde ela precisa chegar, a criatividade é o que a faz ter vários meios para atingir isso.

O primeiro passo é conhecer muito profundamente aquilo que queremos. As pessoas, em geral, tem noções vagas do que querem e do que é importante para elas nisso. Por exemplo: dizemos que queremos pessoas companheiras. Porém “companheira” se dá de que forma? Para que isso é, realmente importante? Uma coisa é uma pessoa que vá com você fazer compras, outra é uma pessoa que compartilhe suas emoções. Estes dois comportamentos bem distantes podem ser sinônimos de “companheira” e é muito óbvio imaginar que estes dois estilos de companheira atendem necessidades muito específicas.

O caso acima, por exemplo, traz uma pessoa que desejava disponibilidade integral além de exclusividade como sinônimos de “companheira”. Fácil perceber que eram critérios difíceis de serem atendidos. Porém, indo afundo percebemos que estes dois elementos eram uma forma de dizer que ele queria ser reconhecido por quem era. Ora, isso é mais fácil que disponibilidade integral, porém, de que maneiras perceber que ele poderia ser reconhecido? Começamos a compreender que ele poderia ter uma pessoa que soubesse elogiar e validar positivamente seus comportamentos em casa – onde ele era mais sensível – como fazer café e arrumar a cama.

Assim sendo passamos de uma pessoas que precisava ser o tempo todo disponível e gostar “apenas” dele para uma pessoa que soubesse elogiar seus movimentos. Isso é ser flexível. Além disso, ele expandiu seu repertório e começou a perceber que poderia ser elogiado no trabalho e em situações sociais, quando passou a dar valor à estas experiências a própria necessidade de recebe-las diminuiu e ele compreendeu que ele mesmo poderia se elogiar e, com isso, aprendeu a se dar valor. Isso é flexibilidade!

E você: rígido ou flexível?

Abraço

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Não abra mão!
15/07/2015

Nao abra mão

 

  • Ah Akim, mas é difícil… quando eu vejo aqueles doces todos…

  • O que acontece?

  • Eu logo penso em comer aquelas delícias!

  • Sim, o que acontece se você ao olhar aquelas delícias, pensar em você frustrado com o peso acima do normal?

  • Eu penso duas vezes em comer…

  • E se além disso, pensar no seu diabetes finalmente estourando e você tendo que realizar seu medo de se tornar dependente de insulina?

  • … mas é ruim pensar em doces assim!

  • Claro, mas no seu caso é real também não é? Os doces não vão trazer apenas o sabor não?

  • É… é verdade…

  • Além disso, pensar em doces como algo ruim faz sentido nesse momento não?

  • Também…

  • Que tal pensar assim quando estiver “frente a frente” com os “temíveis doces deliciosos provedores de diabetes”?

 

Quando falamos em mudanças as pessoas, em geral, focam na aquisição de um determinado comportamento, ou seja, em aprender a exibir um comportamento, ter uma atitude específica para alcançar um resultado. Pouco se fala, por exemplo, em sustentar este comportamento. A questão é que, a não ser que você precise de um ato apenas em um momento e nunca mais, a parte mais importante é sustentar e não, exatamente, ter um comportamento novo.

O que quero dizer é que “mudar” é fácil, é simples ter um comportamento novo de maneira aleatória, a maior parte dos clientes que atendi já fizeram o que querem “aprender a fazer” uma vez ou outra. Qual o problema então? A falta de consistência da atitude que desejam incorporar à sua identidade. Esta falta é que faz com que a pessoa não sustente um novo comportamento e, por este motivo, não consiga se manter fazendo aquilo que já sabe fazer, mesmo que isso seja melhor para ela.

Um exemplo clássico é a perda de peso. Sempre que as pessoas me procuram com este tema e eu pergunto o que querem a resposta é a mesma: quero perder peso. Já começou errado, perder peso é fácil! As pessoas que estão sempre fazendo dieta sabem disso, se somarem quantos quilos já perderam ao longo dos anos em que fazem dietas já teriam chego ao peso ideal á muito tempo. A questão não é: “como faço para perder peso”, mas sim “como fazer para manter um peso “x” ao longo da minha vida?”.

Quando fazemos a pergunta desta maneira a coisa muda de figura. O quero perder peso assume um caráter novo, à saber, um projeto para a vida (e não é isso que as pessoas realmente querem? Um novo peso para o resto da vida?). O mesmo vale para a aquisição de um novo comportamento, ou, para uma “mudança”: “como sustentarei este novo comportamento o resto da vida?” Nesta pergunta surge o importante elemento de “não abrir mão”, ou seja, existem momentos em que nossos comportamentos são “testados” (situações que, para cada um de nós, manter o comportamento é mais difícil). No exemplo de manutenção de peso, um teste comum são festas de final de ano. E aí, como fazer para “não abrir mão?”

O ponto é ter seus critérios muito bem estabelecidos. Ou seja, é importante quando fazemos uma mudança saber o que nos permite abrir mão de nosso comportamento e o que não nos permite. Por incrível que pareça ter os limites de “quando abrir mão” bem definidos ajuda a manter o comportamento e a “não abrir mão dele”. Em geral, aconselho meus clientes a assumirem um critério geral no qual aquilo que me fará abir mão deve ter um valor maior do que a manutenção do meu comportamento no mesmo nível de aplicação de critério.

Por exemplo: no caso da manutenção de peso o critério empregado é saúde, assim mantenho uma rotina alimentar com base na ideia de que cuidar da manutenção do meu peso significa cuidar da minha saúde. Isso quer dizer que a escolha do que e de quanto comer não é um fim em si mesma, mas sim uma ferramenta para eu ter mais saúde. Logo apenas me permito abrir mão do meu comportamento quando algo no mesmo nível de critério – saúde – surge como uma oportunidade de abrir mão do meu comportamento. Por exemplo, posso me permitir comer à mais no meu almoço se sei que farei uma viagem ou estarei envolvido numa atividade durante a qual não poderei comer e, para manter minha energia, devo comer um pouco mais em uma refeição afim de não passar fome e comer à mais de maneira descontrolada mais tarde.

Quando temos este critério bem definido para cada área de nossa vida é fácil descobrir o que devemos fazer: é simplesmente comparar aquilo que se apresenta com as possibilidades. Se “bater” a oportunidade com a possibilidade, segue-se com a nova escolha senão fica-se com o comportamento antigo. E aí, vai abrir mão da sua felicidade?

Abraço

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Odiar e terminar… funciona?
10/07/2015

Odiar e terminar...funcioa

  • Eu vou dizer isso pra ele… ele vai me odiar e vai me deixar em paz.

  • Pra que?

  • Pra que o que?

  • Pra que complicar? Porque não diz, simplesmente, que não quer mais?

  • Eu já disse, mas ele não desgruda.

  • Disse… e depois voltou e voltou de novo… você realmente sabe o que quer?

  • Não quero mais ele.

  • Sim, mas e que tipo de relação quer? Quem não sabe o que quer, fica com o que não quer!

  • Ai… é sempre assim tuas terapias né? Deus!!

  • É… pois é…

  • Tá! Eu não sei o quero direito… tenho que pensar nisso né?

  • Sim, para saber que não adianta ir para cama com ele… você não tem o que você quer para uma boa relação. E ele já deixou isso claro.

  • É… é verdade… eu sempre fico nessa de jogar fora o que não quero, mas nunca sei direito o que quero…

  • Verdade…

 

Umas das estratégias mais famosas usadas para terminar uma relação é criar ódio, raiva e aversão em relação ao outro para terminar com a pessoa. Mas esta estratégia funciona?

Antes de responder, vamos analisar o ato de terminar uma relação e, então, a estratégia e o que ela provoca. Ora, é comum confundir a relação com o cônjuge. Porém cônjuge e relação são coisas diferentes e é importante compreender isso, porque não se termina “com alguém” e sim termina-se uma relação. O fato das pessoas procurarem conversar e se entender revela isso. O problema não é, especificamente, o outro, mas sim a relação que foi criada. Se a relação mudar continua-se com a pessoa. Portanto, por incrível que pareça o outro, neste sentido, é menos importante do que a relação.

O erro mais comum é que achamos que estamos terminando com a pessoa. O que ocorre, de fato, é que queremos um determinado tipo de relação que não é possível com aquela pessoa. Portanto, uma outra maneira de encarar o término de uma relação é compreender que na verdade se está buscando uma relação mais adequada ao que a pessoa deseja e que a relação criada até momento não é aquilo que irá deixar pelo menos um dos dois feliz e satisfeito.

Obviamente, isso pressupõe que as pessoas envolvidas na relação saibam aquilo que desejam o que nem sempre – quase nunca – ocorre. O mais comum é se iniciar uma relação por causa do outro – e não por causa do seu desejo de criar uma relação. Assim começa-se “errado”, porque os critérios empregados não são condizentes de uma relação que a pessoa queira. Canso de ouvir : “ele/ela é perfeito/a”. E eu digo “perfeito/a para que?” Uma pessoa bonita, educada, inteligente e sociável pode ser muito atraente quando pensamos nos esterótipos culturais, porém pode não ser isso o que a pessoa quer.

Então surge o momento do término e a pessoa não sabe “como se livrar dele/a” ou como dizer para ele/a. A estratégia do ódio surge neste contexto com a seguinte intenção: se eu o odiar, ele não terá valor para mim ou terá um valor negativo e, então, será simples me livrar. Muitas pessoas conseguem fazer isso, odiar e, a partir disso, terminar. O problema com este tipo de estratégia é que é necessário manter o ódio aceso, afinal de contas se o ódio desaparecer você poderá ter um grande arrependimento. Além disso esta estratégia pode criar desavenças e mágoas desnecessárias visto que ela visa denegrir o outro para que ele perca o valor e com isso torne-se descartável. Cruel não?

Outra maneira de terminar uma relação é compreender que o problema não é outro e sim o seu desejo de relação. Esse é o problema sempre, no final das contas. Assim não é necessário denegrir o outro, apenas compreender que os desejos de ambos não combinam e que é melhor buscar outras pessoas para construir uma relação mais interessante e dentro dos critérios de cada um. Assim é possível terminar sem precisar odiar. Este tipo de término, no entanto, é, para algumas pessoas, mais dolorido, porque ele é mais honesto. Diz-se cruamente o que é, sem rodeios ou xingamentos. Não é mais uma briga, é o fim de uma relação.

Abraço

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O problema da rotina
01/07/2015

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  • Eu sei, mas… sabe como é?

  • O que?

  • Eu não posso pegar o meu marido e dar uma saída “assim” com ele.

  • Porque não?

  • Tenho filhos!

  • E um casamento que está se permitindo acabar por causa deles.

  • É…

  • Você sabe, muito bem que o problema não são seus filhos. Eles tem amigunihos onde passar uma noite e pais que já te disseram que aceitam eles lá.

  • Eu sei… é que… eu reclamo, mas não consigo sair disso sabe?

  • Sei. Esta na hora de imaginar um novo futuro para vocês dois. Quero que imagine esta semana e pense, em três atividades que você irá realizar que estão fora da rotina de vocês.

  • Ai… é difícil!

  • Sim e fundamental também!

 

Rotina é ter uma programação de atividades dentro de um período de tempo afim de alcançar metas. Estas metas, em geral são importantes para nós de alguma maneira. Porque reclamamos tanto da rotina então?

A mente humana opera com três tempos: presente, passado e futuro. Cada um deles tem função importante no desenvolvimento de nossa psique. O futuro é o mundo das possibilidades. Sua função é organizar o nosso comportamento no presente em direção à algo. Ou seja, quando empregamos o futuro de uma maneira adequada sentimos motivação, esperança e desejo de ir em frente. O futuro é sempre possibilidades de coisas diferentes ou daquilo que realmente queremos.

Por ser possibilidade o futuro tem, também, um certo “escape” no sentido de que é nele que podemos sonhar como as coisas poderiam ser ou o que poderíamos fazer com nossas vidas. Esta função é importante para manter a mente criativa acesa. Não é exatamente o fato de acontecer ou não, mas, inicialmente, de ter a capacidade de sonhar e desejar. Este comportamento por si só já ajuda a pessoa a sentir-se bem consigo mesma.

O problema da rotina está quando estamos tão focados nela que o futuro perde a sua função de possibilidades. É quando a pessoa olha para o seu próprio futuro e todos os pequenos detalhes dele já estão programados. É como se ela já soubesse o que irá acontecer à ela todos os dias. Essa sensação é sufocante porque retira do futuro a sua função primordial que é de ser o tempo no qual podemos criar e/ou depositar novas possibilidades de vida.

Essa dinâmica faz com que a mente criativa da pessoa fique desligada e a lógica mantém-se apenas oferecendo mais do mesmo. O problema, é importante evidenciar, não está no “mais do mesmo” ou seja, nas atividades rotineiras, mas sim na ausência do novo e, principalmente, na impossibilidade de ousar o novo, de imaginá-lo, deixando o futuro cinza e o presente um fardo.

Ousar significa imaginar onde você irá poder quebrar o ciclo da rotina e inserir pequenos comportamentos distintos que possam fazer você ter uma experiência diferente com a vida. Algo ousado, algo engraçado, algo tranquilo podem ser saídas interessantes para você. A questão é que quando a rotina começa a atrapalhar a vida da pessoa existe um comodismo de parte dela em não se permitir mais sonhar e ousar. A vida é sua e será vivida apenas uma vez. Ouse, crie uma rotina que inclua saídas da rotina!

Abraço

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Decidir e agir
19/06/2015

Decidir e agir

  • Mas cara… é muito difícil!

  • O que?

  • Negar… tipo… quando a guria vem e me dá bola…

  • Entendo. No que você pensa quando isso ocorre?

  • Ah… já penso em dar uns amassos sabe?

  • Sim, e é muito bom isso não é?

  • É!

  • E a ressaca moral do outro dia?

  • É uma bosta…

  • Claro. E a sensação de ter estragado mais uma relação?

  • Hum… foda…

  • E de se sentir um piá quando você já é, em teoria, um adulto?

  • Tá, entendi.

  • Ok, agora quero que você imagine isso tudo, que sinta tudo isso enquanto imagina a menina dando bola pra ti.

  • É uma droga, dá vontade de virar a cara.

 

Muitas pessoas me perguntam como trabalhar para manter as decisões tomadas. Tomar uma decisão e agir implica em muitos fatores que precisam estar alinhados para serem atingidos, uma vez que eles estejam alinhados passamos à prática e, nela, o que fazer?

Pois bem, muitas pessoas se beneficiam de uma maneira de organizar o pensamento que lhes proporciona rapidez, solidez e facilidade ao tomar uma decisão além de uma recompensa quase que imediata quando fazemos “o que precisamos fazer”. Como já disse existe toda uma preparação necessária para ser feita antes deste passo. É sempre importante lembrar isso para não deixar você na expectativa de que é só seguir alguns passos e pronto, não, devemos ter consciência de fatores tais como a motivação da mudança para que estas dicas que estou deixando aqui sejam de fato úteis.

Se você está alinhado com sua decisão um dos pontos importantes é definir os comportamentos que você deverá ter afim de chegar onde deseja. Este é um ponto fundamental para quem deseja mudar hábitos e atingir metas: a crença de que os resultados da sua vida dependem de você. Obviamente você pode objetar e dizer que existem muitas coisas fora do seu controle e eu irei concordar com isso, porém, a maneira pela qual você encara e lida com isso é de sua alçada.

Crer nisso ajuda a pessoa a perceber e compreender como o que ela faz a ajuda a conquistar aquilo que deseja. Quando esta relação de “causa-efeito” se estabelece é que ela começa a se responsabilizar por si. Uma vez que isto esteja organizado a pessoa pode imaginar um futuro no qual ela não cuidou de si, no qual ela fez todos os comportamentos que a afastam do seu objetivo. Se for, por exemplo, mudar hábitos alimentares, pode se imaginar comendo em excesso, não fazendo atividade física e não respeitando seu colesterol durante 10 ou 20 anos. imaginar-se no pior cenário que o seu próprio comportamento conseguiu construir.

O segundo passo é imaginar o que o seu comportamento pode construir de bom. No mesmo exemplo, se você estiver atento à sua alimentação, realizar práticas esportivas, ter discernimento para quando comer alimentos gordurosos o que pode advir de melhor no futuro? Imaginar este lado “positivo” e o lado “negativo” do resultado do seu comportamento de maneiras bem distintas irá ajudar você a perceber o que você está construindo com as suas atitudes no dia a dia.

Assim, estas duas imagens devem ser como se fossem dois caminhos entre você aqui e agora e você amanhã. Como se você colocasse você no meio e estas duas imagens cada uma de um lado. Assim, todas as vezes que vai tomar uma decisão simplesmente olha para onde deseja ir. Este par binário é importante de ser construído desta forma para facilitar a escolha. Quando imaginamos e sentimos o que é bom e o que é ruim para nós é fácil escolher (obviamente, se toda a preparação anteriormente citada já tiver sido feita).

Desta maneira todos os comportamentos úteis são colocados de um lado e todos os comportamentos que atrapalham do outro. No dia a dia é só perceber o que você está fazendo e sua mente classifica isso automaticamente. No começo pode parecer “forçado”, mas com o passar dos dias você irá perceber que está alcançando suas metas e isso irá ajudar você a sentir-se orgulhoso de você mesmo. Este orgulho irá tornar isso “natural”.

Abraço

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