Planejo e não faço…
03/08/2015

Planejo e não faço

 

  • Então Akim… não fiz ainda…

  • O que você ainda não fez do seu plano?

  • Nada.

  • Hum… o que aconteceu?

  • Na hora olhei para aquilo e pensei… ah, não deve ser pra mim isso.

  • Ah é? E o que, em você, não te permite “ser para isso”?

  • Não sei… eu me senti envergonhado de querer essa promoção.

  • Qual o motivo para vergonha de querer isso?

  • Não sei… é tipo: “vocêeeee quer isso?”

  • Sim, entendi… parece que você está se dando um limite: promoções não são para você. Perfeito, porém o que te coloca do lado de lá do círculo dos que merecem uma promoção?

  • Me vem a voz do meu pai na cabeça me dizendo que eu não sou bom o suficiente.

 

 

Em geral tenho observado alguns comportamentos comuns em pessoas que planejam mas não executam seus planejamentos. Um deles é uma motivação inadequada que não mexe com a vontade da pessoa em executar suas tarefas, outra é uma incapacidade de perceber uma relação causal entre o comportamento dela e a concretização dos planos e uma última é a percepção do futuro desejado como algo irreal.

A motivação inadequada surge quando a pessoa não encaixa o plano que criou no seu estilo motivacional. Cada um de nós tem uma maneira própria de evocar a motivação para executar planos e desejos, no entanto, muitas vezes os objetivos são de uma natureza contrária a da motivação. Para dar um exemplo, o estilo motivacional da pessoa pode ser de afastamento de coisas ruins, ou seja, ela se motiva à ação quando precisa afastar-se da possibilidade de algo nocivo à ela.

Desta forma, pode trabalhar para não ficar sem água ou luz em casa. Pode cuidar da saúde após ter uma doença, ou seja cuida da saúde não para adquirir mais saúde e sim para evitar uma doença. Quando em estilo como este se depara com um objetivo que vá exigir o seu esforço em prol de algo que vai lhe trazer algo bom, mas não causará dano é comum que a pessoa emperre. Por exemplo, não é um estilo motivacional bom para pensar em algo como conseguir uma promoção. Porque? Porque a promoção envolve buscar algo positivo que é o contrário. Adequar o estilo motivacional, numa situação como esse seria algo como: “se eu não conseguir esta promoção posso perder a chance de subir na empresa e eu não quero ficar o resto da vida neste cargo, isso seria horrível”. “Conseguir a promoção” se torna “não ficar mais neste cargo horrível o resto da vida” e, com este discurso a pessoa consegue motivar-se. Obviamente o estilo motivacional não é fixo e pode ser aprendido também.

A incapacidade de perceber uma ligação entre o comportamento e as consequências dele é algo que tem se tornado cada vez mais comum. Parece simples compreender que quando tenho um comportamento ele terá uma consequência e essa é o que me interessa. Porém, por diversos fatores as pessoas não fazem esta ligação e, então, a ideia de comportar-se para atingir um determinado objetivo parece insossa, afinal de contas “para que me mexer se não sei se isso terá algum efeito?”. Este último é o discurso padrão quando a pessoa não tem a relação bem estabelecida.

É muito comum que pessoas com este comportamento sejam colecionadores de fracassos e arrependimentos. O que é importante fazer neste caso é ligar a ação que elas tiveram no passado com os resultados que obtiveram. Este exercício pode ajudar a pessoa a estabelecer uma ligação e, a partir disso já ter delineado o tipo de comportamento que elas não querem. A partir disso pode-se inferir sobre o tipo de comportamento que levaria elas à execução dos planos e aos resultados que isso lhe traria. Quando se junta este elemento com a motivação adequada temos um bom propulsor para execução das tarefas e desejos.

Por fim, quando a pessoa faz um plano, um bom plano diga-se de passagem, ela cria para si o que chamamos de futuro propulsor. Este é aquela visão de um futuro no qual atingi meus objetivos e, neste cenário, sinto-me bem. Porém este futuro, por melhor que seja, nem sempre é visualizado como “possível” ou como “real” pelas pessoas. Os dois problemas acima podem ser a fonte deste terceiro, ou seja o futuro criado pode ser ótimo, mas não mexe na motivação da pessoa, logo ela o vê como irreal ou, então, ela percebe o futuro como desejado, mas não faz ligação entre o seu comportamento e a criação deste futuro, ele parece-lhe, assim, inalcançável.

Porém, algumas pessoas estão com ambos elementos bem organizados e ainda assim não vão atrás do plano, o futuro ainda parece irreal. É o caso de começar questionando-se se você merece este futuro. Neste último caso as pessoas não caminham em direção ao futuro desejado porque não sentem-se merecedoras, é uma questão de auto estima, na qual a pessoa não se vê como alguém digno de um futuro como esse. Fácil imaginar que as causas podem ser várias, mas é importante, em todas elas questionar a crença no não-merecimento, ou seja: o que faz com que você não seja digno? Este “não merecer” é uma punição ou um limite imposto? Determinar isso ajuda a libertar-se e construir o merecimento que basicamente é a ligação entre comportar-se e conseguir o que se quer.

Um último adendo é que muitas pessoas simplesmente não conseguem porque não agem. Agir é importante porque um bom plano é apenas isso, um bom plano. Então, se você já planejou, aja ou então seu plano será apenas mais uma bela história que você não viveu.

Abraço

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Sobre o tempo
24/06/2015

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  • Mas isso é muito chato!

  • Porque?

  • Porque vai acontecer só ano que vem!

  • Eu sei. Mas é o seu desejo não é?

  • Sim… mas eu queria agora!

  • Eu sei… mas não dá!

  • Porque não?!

  • Pergunte à natureza… ela que decidiu que bebes demoram 9 meses pra nascer… porque ao invés de pensar no que não está acontecendo agora você não presta atenção às várias sensações que terá enquanto grávida… será uma aventura inesquecível e, no final, passa rápido.

  • Hummmm

 

Você já pensou em como a sua maneira de perceber o tempo afeta a sua vida? Não, não estou falando de como a sua agenda está apertada, mas sim de como você encara a sua agenda.

O tempo é talvez um dos componentes mais importantes da nossa vida e um dos menos explorados. A única questão que vejo com frequência é que temos pouco tempo e como administrar o tempo. Mas pouco se fala sobre como vivenciamos o que chamamos de tempo. Por exemplo, você já percebeu que tem pessoas com um futuro muito claro à sua frente enquanto outras não sabem o que irão fazer na hora do almoço? Essa diferença é apenas em relação à criação de metas? Não, muitas vezes o problema não é com o desejo e sim em não saber olhar para o futuro.

Muitas pessoas, por exemplo, acham que pensar no futuro não vale à pena porque elas não sabem se vão poder fazer aquilo que desejam. Daí que mantém o futuro escuro, ou seja, sem planos. Pensar à longo prazo e conseguir visualizar um futuro não se trata de se ele irá ou não acontecer, mas sim da competência para fazer isso motivar os seus comportamentos atuais. Em geral pessoas com este pensamento, são, na verdade, reféns do presente. Ou seja, não é que elas não acreditam que podem ter um futuro melhor, mas seu pensamento se limita às sensações que sentem agora.

O outro lado da moeda também é válido. Tem pessoas que estão tão focadas no futuro que sua mente não consegue se deslocar para o aqui e agora e viver algo prazeroso que está acontecendo. Outros são vítimas de seus passados e andam para frente, porém de costas, apenas vendo aquilo que já passou. É a pessoa que está sempre chafurdando suas memórias e eventos passados. Vive dos contos sobre aquilo que lhe aconteceu.

Presente, passado e futuro possuem propriedades importantes para as pessoas e suas evoluções pessoais. O futuro, por exemplo, é um importante motivador da ação. A ideia de um futuro melhor pode nos mover e organizar planos de longo prazo. Ninguém faz um sacrifício se não pensa – pelo menos um pouco – num momento futuro. Já o passado pode ser fonte de aprendizado e gratidão que são importantes para sustentar a pessoa no presente, algo como “vim até aqui, então posso ir à frente”. O presente é onde as coisas realmente acontecem e estar em contato com ele é estar em contato com a vida em si. Um sem o outro não fazem sentido, tornam-se limitantes.

Qual o seu foco? Qual o tipo de ‘tempo’ que você não gosta de perceber? Tudo isso tem relação com o como você organiza o tempo em sua mente e com as competências para fazer isso. Quem não gosta de futuro tem dificuldade em planejar, quem não gosta do passado tem dificuldade em relembrar e quem não gosta do presente não gosta de sentir. Obviamente esta lista não é exaustiva e existem outras razões.

Abraço

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Decidir e agir
19/06/2015

Decidir e agir

  • Mas cara… é muito difícil!

  • O que?

  • Negar… tipo… quando a guria vem e me dá bola…

  • Entendo. No que você pensa quando isso ocorre?

  • Ah… já penso em dar uns amassos sabe?

  • Sim, e é muito bom isso não é?

  • É!

  • E a ressaca moral do outro dia?

  • É uma bosta…

  • Claro. E a sensação de ter estragado mais uma relação?

  • Hum… foda…

  • E de se sentir um piá quando você já é, em teoria, um adulto?

  • Tá, entendi.

  • Ok, agora quero que você imagine isso tudo, que sinta tudo isso enquanto imagina a menina dando bola pra ti.

  • É uma droga, dá vontade de virar a cara.

 

Muitas pessoas me perguntam como trabalhar para manter as decisões tomadas. Tomar uma decisão e agir implica em muitos fatores que precisam estar alinhados para serem atingidos, uma vez que eles estejam alinhados passamos à prática e, nela, o que fazer?

Pois bem, muitas pessoas se beneficiam de uma maneira de organizar o pensamento que lhes proporciona rapidez, solidez e facilidade ao tomar uma decisão além de uma recompensa quase que imediata quando fazemos “o que precisamos fazer”. Como já disse existe toda uma preparação necessária para ser feita antes deste passo. É sempre importante lembrar isso para não deixar você na expectativa de que é só seguir alguns passos e pronto, não, devemos ter consciência de fatores tais como a motivação da mudança para que estas dicas que estou deixando aqui sejam de fato úteis.

Se você está alinhado com sua decisão um dos pontos importantes é definir os comportamentos que você deverá ter afim de chegar onde deseja. Este é um ponto fundamental para quem deseja mudar hábitos e atingir metas: a crença de que os resultados da sua vida dependem de você. Obviamente você pode objetar e dizer que existem muitas coisas fora do seu controle e eu irei concordar com isso, porém, a maneira pela qual você encara e lida com isso é de sua alçada.

Crer nisso ajuda a pessoa a perceber e compreender como o que ela faz a ajuda a conquistar aquilo que deseja. Quando esta relação de “causa-efeito” se estabelece é que ela começa a se responsabilizar por si. Uma vez que isto esteja organizado a pessoa pode imaginar um futuro no qual ela não cuidou de si, no qual ela fez todos os comportamentos que a afastam do seu objetivo. Se for, por exemplo, mudar hábitos alimentares, pode se imaginar comendo em excesso, não fazendo atividade física e não respeitando seu colesterol durante 10 ou 20 anos. imaginar-se no pior cenário que o seu próprio comportamento conseguiu construir.

O segundo passo é imaginar o que o seu comportamento pode construir de bom. No mesmo exemplo, se você estiver atento à sua alimentação, realizar práticas esportivas, ter discernimento para quando comer alimentos gordurosos o que pode advir de melhor no futuro? Imaginar este lado “positivo” e o lado “negativo” do resultado do seu comportamento de maneiras bem distintas irá ajudar você a perceber o que você está construindo com as suas atitudes no dia a dia.

Assim, estas duas imagens devem ser como se fossem dois caminhos entre você aqui e agora e você amanhã. Como se você colocasse você no meio e estas duas imagens cada uma de um lado. Assim, todas as vezes que vai tomar uma decisão simplesmente olha para onde deseja ir. Este par binário é importante de ser construído desta forma para facilitar a escolha. Quando imaginamos e sentimos o que é bom e o que é ruim para nós é fácil escolher (obviamente, se toda a preparação anteriormente citada já tiver sido feita).

Desta maneira todos os comportamentos úteis são colocados de um lado e todos os comportamentos que atrapalham do outro. No dia a dia é só perceber o que você está fazendo e sua mente classifica isso automaticamente. No começo pode parecer “forçado”, mas com o passar dos dias você irá perceber que está alcançando suas metas e isso irá ajudar você a sentir-se orgulhoso de você mesmo. Este orgulho irá tornar isso “natural”.

Abraço

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Permanência
20/04/2015

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  • Mas Akim… ele não quer fazer comigo!

  • Eu já entendi isso, ele não precisa, você sabe disso também.

  • Mas o que eu faço?

  • Você está criando um problema para você… quer manipular a vontade dele.

  • Tá… mas…

  • Feche seus olhos e pense no que o exercício vai trazer para você, sem incluir ele.

  • Ok.

  • Sinta os benefícios em seu corpo e sua mente… deixe isso se intensificar dentro de você.

  • Ok.

  • Enquanto sente isso tudo, me diga o que fazer com seu namorado se ele não quer ir com você?

  • Nada… Eu é quem tenho que ir…

 

Muitas vezes a vida nos pede flexibilidade. Outras vezes ela solicita permanência.

Saber manter-se num determinado objetivo ou meta é uma arte. Exige esforço, constância e saber manter-se motivado. Essas qualidades não são muito bem elaboradas em nossa cultura que preza pelo prazer imediato e pela satisfação.

Ao contrário do que se pensa a verdadeira determinação e esforço são uma atitude que não desgasta a pessoa, pelo contrário, a mantém vigorosa. No entanto, existe uma explicação simples para o porque de muitas pessoas sentirem que devem fazer um esforço, um martírio para manter-se em suas metas.

A explicação é que boa parte das pessoas reflete sobre o que está perdendo enquanto faz aquilo que deseja. Por exemplo, muitas pessoas quando iniciam uma dieta passam horas refletindo sobre as comidas que não vão mais se permitir comer. Isso é uma tortura mental e não ajuda, desgasta a pessoa e torna aquilo que ela deseja: emagrecer, um verdadeiro martírio.

Essa forma de pensar além de fazer com que você olhe a conquista pelo lado da perda também cria um conflito interno de difícil administração. A pergunta óbvia que nossa mente se faz é “porque o esforço?”. A pergunta é justa porque a mente pensa que está fazendo um esforço enorme para perder algo… não faz sentido faz? Assim o conflito que cresce dentro da pessoa tem a ver com o que ela deseja, a estrutura fica parecida com “eu quero essa coisa que me faz mal e me faz perder outras coisas boas”.

Permanecer dentro de um objetivo tem muito a ver com encontrar uma imagem que motive você sem esforço. Esforço, aqui deve ser entendido como uma fluidez de ideias na mente que o direcionam ao que você deseja. Em outras palavras: ao invés de criar uma imagem do que estou perdendo, imaginar o que vou ganhar. Quando penso naquilo que perco, a imagem faz com que eu me esforce porque tenho que olhar para o que “tenho que fazer”, para o que estou perdendo e então agir, isso não é fluidez, isso é colocar obstáculos na sua frente. Ao elaborar uma imagem daquilo que vou ganhar o obstáculo some, a auto punição desaparece e começo a agir.

Aqui existe o esforço no sentido de fazer, ou seja, usar a sua energia para agir e não o esforço mental de se controlar para fazer algo. O controle não é uma boa estratégia, mas sim a fluidez que o impele à agir. O faz desejar agir. Então surge a arte de saber elaborar uma imagem que o toque desta maneira assim como de saber defender esta imagem dos ataques que o dia a dia trará.

Voltando ao exemplo da dia o final de ano é uma “guerra”, ou seja, são vários os fatores com os quais a pessoa precisa lidar afim de manter o seu desejo. Quando eu comecei o meu processo, por exemplo, disse que nunca pararia de ir em pizzarias e nem à churrascarias para uma eventual comilança. A questão é apenas organizar isso dentro de uma rotina que me guia ao peso adequado, não há luta, mas sim integração e harmonia entre as facetas aparentemente opostas.

Como você cria a sua determinação? Pensa no que vai perder? No quanto é difícil fazer? Ou pensa no que vai ganhar? No que há de bom no horizonte?

Abraço

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Coisas que escondemos
09/03/2015

Marianne-Costa-esconder

 

  • Tenho me sentido estranho quando venho aqui.

  • O que te faz sentir isso?

  • É como se eu estivesse falando de um problema, mas, na verdade, tenho que falar de outra coisa.

  • Você sabe o que coisa poderia ser?

  • Não.

  • Qual a emoção que sente ao pensar sobre isso?

  • Sinto medo.

  • Você poderia ter coisas guardadas sobre você das quais se arrepende ou sente culpado?

  • (silêncio) Sim… eu acho que sim…

  • Talvez essas coisas estejam pedindo para serem revistas.

  • É… mas é complicado sabe?

  • Sim, eu acredito. Esse tipo de “coisa” é algo que deve ser vista com cuidado, você gostaria de ver isso com cuidado?

  • Eu acho que sim…

 

Nem sempre decisões são simples de serem tomadas. Algumas vezes decidir envolve fazer coisas que não temos certeza ou que não concordamos plenamente. Dessa maneira é comum que deixemos algumas perguntas sem resposta ou algumas emoções “guardadas” em nossa mente quando passamos por momentos difíceis.

A terapia, muitas vezes é um lugar onde estas coisas escondidas aparecem. E elas aparecem “do nada”, na verdade, aparecem porque se deu um tempo e um lugar para que elas possam emergir. Em geral com nossas vidas atribuladas enfiamos a cabeça nas atividades práticas da vida e deixamos de lado a parte emocional, usamos uma energia considerável para manter estes conteúdos abafados e então, o que fazer quando eles emergem?

A tendência das pessoas é tentar guardá-los novamente, afinal a situação “já passou” e elas não desejam reviver nada daquilo. Porém, existe um significado para que determinadas lembranças retornem à nossa mente: aprender com elas. Desta maneira a dor que elas podem evocar torna-se menor frente ao problema de não trabalhar com elas que é de poder repetir as mesmas situações novamente ou sentir-se culpado por algo que não se tem culpa o resto de suas vidas.

Assim não pense que a situação já passou. Emocionalmente falando ela só “passa” quando se está “bem resolvido” com ela. Esta meta é um tanto subjetiva e envolve o padrão moral da pessoa. Em geral os relatos giram em torno da ideia de “leveza” em relação ao assunto. Ou seja, é como se “estar bem resolvido” fosse quando a pessoa pensa no assunto e tem uma emoção que vai de alívio, leveza até agradecimento, aprendizado ou alegria. Buscar por isso é algo que pode parecer impossível ou aterrorizante no começo, mas é uma bela meta.

O segundo passo é compreender que você não vai falar “apenas” da situação, mas sim de como você se organizou frente à ela. Não é exatamente o que passamos que nos afeta, mas a maneira pela qual no organizamos para passar pela situação. O importante é compreender a maneira pela qual você viu a situação, pela qual você se vê nela como vê o que viveu e o que faz com isso hoje. Com estes dados pode-se começar a compreender o que você aprendeu e, então, começar a trabalhar sobre isso.

A partir daqui temos um leque muito amplo e recomendo que busque fazer isso com um terapeuta que possa lhe ajudar a rever as organizações que você criou tempos atrás para ver se elas foram ou se ainda são uteis e como construir novas formas de refletir e agir frente ao que lhe causa problemas.

Abraço

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Com quem será?
09/02/2015

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  • Akim… nem te conto.

  • Eu imagino o que tem para me contar.

  • O que você acha?

  • A sua namorada… você está tendo surpresas sobre ela?

  • É… cara… tá, bem… é que ela não é bem o que eu achei que era.

  • Hum, diga lá, o que aconteceu?

  • Bem… ela acabou se mostrando meio fresca sabe? Tipo que não quer sair com meus amigos e ir nos barecos que a gente vai.

  • Sim, eu imaginei isso… na verdade estava claro que ela não iria.

  • Como você sabia? Porque não me falou?

  • Eu sabia por causa de coisas que você me disse sobre ela: onde ela saia, onde você a encontrou, o tipo de conversa que ela tem. Eu observei ela através dos seus olhos e vi. Ela nunca me pareceu uma moça de bareco, mas sim uma lady.

  • É né? Acho que eu deixei meio quieto porque ela é muito gata!

  • Sim… e porque você também tem algo disso em você não é mesmo? Como que te chamam na sua casa mesmo? O principezinho?

  • Ah… é… mas é que eu… sei lá…

 

A escolha do parceiro é um tema importantíssimo dentro de uma terapia pessoal ou de casal. Este post não vai ensiná-lo como achar o parceiro-ideal-com-quem-você-nunca-brigará-e-sempre-será-feliz-sem-esforço, mas sim ajudá-lo a perceber um pouco sobre a realidade sobre a escolha que todos fazemos em algum momento da vida.

Existem aqueles aspectos que podemos chamar de conscientes e que são a nossa reflexão sobre o que uma pessoa deve ser para nós. Aspectos físicos, sociais, financeiros, todas as características que conseguimos elencar através do nosso raciocínio. Elas são úteis e falam à respeito de algo importante: aquilo que percebemos como nosso desejo.

Podemos seguir uma linha direta com o nosso desejo e buscar exatamente aquilo que queremos ou podemos ter uma linha mais tortuosa. Esta linha tortuosa se dá pelo fato de que nem apenas de consciência vive o homem, possuímos, também uma parte inconsciente que dirige muito de nossas escolhas. Assim, aquilo que dizemos querer conscientemente pode, por vezes, ser uma defesa contra aquilo que sentimos que realmente queremos – daí a estranheza em dizer que quer algo, mas só buscar e se apaixonar pelo seu oposto ou diferente.

Estes aspectos tem a ver com nossa história de vida, os aprendizados que tivemos e o papel que assumimos na relação com nossos pais. Não se trata apenas da mãe ou do pai, mas sim da relação que tivemos com nosso pai e com nossa mãe e do papel que assumimos como o “terceiro da relação” e ainda aquilo que vimos da relação dos dois. Ou seja, não é algo simples como dizer “ele tem que ser engraçado e rico”, o processo de escolha não evolve apenas a adequação de características, envolve, principalmente, a estruturação de uma forma de se relacionar e funcionar no mundo com papéis, emoções, desejos e comportamentos.

Quando trabalho com as pessoas no consultório, em geral trabalho solicitando uma lista de como uma “relação perfeita” deve ser. Com isso começamos a acessar os desejos conscientes e a verificar se eles coincidem com o que a pessoa tem escolhido para si. Você, leitor, por exemplo, sabe como identificar as qualidades que deseja em alguém? Sabe como criar em uma relação aquilo que diz desejar? É muito comum que as pessoas desejem alguém “parceiro” e uma relação “leve”, porém não sabem identificar estas qualidades nas pessoas e muito menos criar leveza numa relação. Resultado? Frustração e a péssima lição de que é o destino quem escolhe por nós.

Com essas perguntas podemos acessar a camada secundária em que se localiza aquilo que não é consciente e podemos trabalhar com o significado dos desejos previamente estabelecidos. Isso nos ajuda a perceber a maneira pela qual a própria pessoa se relaciona e então fazer inferências sobre o motivador de seus desejos. Aqui muitas vezes a pessoa pode se libertar e ir atrás do que deseja de fato, perceber que o seu desejo não é tão importante assim ou até mesmo a entender que o desejo é uma defesa e, então, aprender a se defender melhor.

Pense nas escolhas que fez ao longo da vida e sobre o que as motivou. Refletir sobre aquilo que desejávamos e aquilo que acabamos, de fato, escolhendo nos ajuda a perceber as diferenças e as semelhanças e com isso perceber os reais motivadores de nossa dinâmica de relacionamento. Isso nos ajuda a ter mais consciência do como escolhemos e isso nos liberta.

Abraço

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Definir-se
02/02/2015

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  • Não vou fazer o curso.

  • Ah é, porque?

  • Ah, é que meu pai tá me enchendo para fazer sabe?

  • Sei… bem, não chega a ser exatamente um motivo não?

  • Ah meu, é o suficiente.

  • Se você tivesse 14 anos concordo… mas você está com 21 já, não seria momento de uma atitude mais madura?

  • Orra…

  • Orra… depois vai dizer “aí, deveria ter ouvido meu pai”.

  • (silêncio com cabeça baixa)

  • Vamos lá meu caro, não é que você tenha que fazer o curso, mas dar à você mesmo, um motivo adequado e um norte pra ti!

  • Entendi… é que é difícil sabe?

  • Sei, mas deixar isso de lado só vai deixar cada vez mais difícil…

 

Sempre digo que a pergunta “como expressar quem somos” é mais complexa do que definir quem somos. Uma está ligada à outra e a primeira significa a execução de uma ideia que nem sempre conseguirá se expressar da maneira previamente pensada, então exige um novo refletir, aquisição de competências, percepção do meio ambiente em que se encontra e avaliação de resultados. É uma tarefa árdua, porém o preço da liberdade é a eterna vigilância.

Existem dois momentos importantes deste processo, o momento que eu brinco no consultório que é o momento “modernista” (Não sabemos o que queremos, mas sabemos aquilo que não queremos) que se traduz nos momentos em que os filhos usualmente começam a não desejar mais obedecer os preceitos da família, desejam criar a sua própria identidade, é um momento de antagonização, ou seja, um momento de luta contra o que estava previamente estabelecido, de falar do que há de ruim no “sistema atual”.

O segundo momento é aquele em que a pessoa precisa formar algo próprio, ou seja, fazer escolhas e se comprometer com elas. Neste momento não basta dizer  o que não deseja, mas sim afirmar aquilo que se quer. Esta fase é mais realista e precisa que a pessoa, como disse acima, tenha aprendido a avaliar ela própria assim como sua vida e atitudes. Este momento não antagoniza, mas sim cria, avalia, é atento, perspicaz e busca por respostas para perguntas, é um momento de criação de formas e competências.

Atualmente as pessoas andam um tanto confusas sobre isso porque desejam ser tudo. A ideia de comprometer-se com um determinado tipo de forma é assustadora porque a maior parte da população olha para as perdas que isso poderá ter, à saber, todas as outras escolhas. Porém, sabe-se na psicologia que um número maior de escolhas só é benéfico até certo ponto, depois disso prejudica a capacidade de decidir e a pessoa acaba se afastando. Em outras palavras escolhas em excesso são prejudiciais à nossa saúde – muito embora todo o discurso atual seja ao contrário.

Assim, não é de se espantar, que cada vez mais as pessoas adiem decisões e sintam-se frustradas perante elas. Ao realizarem uma escolha e verem numa propaganda uma pessoa feliz com uma outra opção o coração já palpita “terei feito a escolha errada?” Neste sentido este post vem para dizer: “não”. Mais importante do que fazer uma escolha é a maneira pela qual você irá viver esta escolha. A ilusão que se vende é que existe uma escolha – ou mais de uma – que tornará a sua vida perfeita, porém a sua vida será bem vivida não por causa da escolha em si, mas por causa da maneira que você irá ou não viver esta escolha.

Desta maneira a escolha realizada pela pessoa precisará ser expressa no mundo, vivenciada. Neste momento a pessoa irá entrar em contato com outras pessoas, com tarefas e com a realidade social. Todas estas experiências vão trazer o que Stanley Keleman chama de “desafios à forma” e estes desafios são benéficos porque são eles que oferecem à “forma” a possibilidade de “testar-se” e definir-se no real. Ou seja, é como pintar um quadro, você pode ter a ideia, mas realizá-la é o grande desafio. E é neste processo de realizá-la que o seu projeto vai definir-se de fato, porém é quando estes desafios surgem que as pessoas, em geral, largam seus projetos.

Assim sendo lembre-se: mais importante que o projeto em si é como você irá lidar com ele à ponto de torná-lo real, vivo e bem vivido para você.

Abraço

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Ano novo (promessa antiga)
26/12/2014

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  • Akim… todo ano me prometo a mesma coisa…

  • E nunca faz né?

  • Sim…

  • Pra que você quer isso?

  • Ah… é uma coisa boa cuidar da saúde!

  • Entendi porque você não faz…

  • Porque?

  • Essa motivação já me deu preguiça de começar (risos)

  • O que eu tenho que dizer então?

  • Não é algo que você tenha que dizer, mas tem que ser algo que realmente te motive, faça sentido para você.

  • Mas saúde é importante.

  • Concordo, porém se não faz sentido para você, pode ser a coisa mais importante do mundo, você não a fará.

 

Promessas de final de ano são um tema super comum. E hilário. Inicialmente porque “prometer” não é o termo mais adequado. “Resoluções” então, que tal? Pior ainda: você é um ser humano ou uma empresa? “Metas”? Hum, ótimo, já colocou a sua vida numa planilha para levar à reunião?

Mas o que então Akim?

Bem, obviamente, esta é a minha percepção sobre as promessas, resoluções ou metas de início de ano… Tem muitas pessoas que usam estes termos e se dão muito bem. O ponto fundamental, me parece é que seja algo que lhe faz sentido. Quando digo “fazer sentido” não se trata de algo aceito socialmente ou que tenha uma boa argumentação, mas sim de algo que faça o seu corpo se mexer, a sua mente se inquietar e torne a sua vontade indomável.

A maior parte das vezes em que trabalho com pessoas que não conseguem alcançar suas metas este ponto é um dos fundamentais e, muitas vezes, ao resolvê-lo, resolve-se todo o restante. Ocorre que as pessoas não sabem criar motivações poderosas em suas mentes para mudarem suas rotinas e criarem novos hábitos de vida e sem isso não tem plano que saia do papel.

Em  primeiro lugar é importante saber o que você vai ter de benefícios quando estiver realizando a sua meta. Para motivar-se à fazer algo é importante que você se perceba no futuro de uma maneira melhor do que no presente. No quesito saúde, por exemplo, eu me vejo no futuro, com meus 90 anos, tendo força para andar sozinho e me movimentar pela minha casa e pela cidade pela força do meu próprio corpo, imagino meus pulmões respirando com facilidade e sentindo uma boa energia dentro de mim para o meu dia a dia com disposição. Isso é muito mais interessante (para mim) do que dizer “saúde é importante”. Sim, ela é, mas como, especificamente para você?

O segundo passo é compreender isso como um processo ao longo do tempo em que cada pequeno momento e escolha te distancia ou te aproxima do que você deseja. Assim, cada momento é vivido de maneira mais íntegra em relação ao que queremos. É diferente dizer que estou fazendo dieta para perder “x” quilos e dizer, “estou comprometido em ter um peso “x” até o fim da minha vida”. Isso não impede você de fazer nada, mas coloca cada escolha como perspectiva. Nos meus planos em relação à manutenção de peso, por exemplo, tenho previsto as idas aos rodízios de pizza e churrascaria sem problemas ou culpas, mas o dia antes e o dia depois também estão ali previstos.

Em terceiro lugar é importante perceber se o seu objetivo e realizável e se este é o melhor momento para começar a executar seus planos. Muitas pessoas traçam metas que não são realizáveis, ou que o custo de realização é tão grande que ela não vale à pena. Outras vezes a meta é boa, porém o momento não é adequado. É importante saber que você vai usar energia para organizar a sua vida em torno de uma nova maneira de viver, isso dá trabalho, portanto, não se iluda: é importante ter disposição e energia para efetuar uma mudança, ela precisa ser levada à sério e não como algo no estilo “se der deu, se não der não deu”.

Espero que estas três dicas façam você pensar sobre como se motiva e como cria seus planos. Se a motivação não vier saiba: seu objetivo ainda não está do jeito certo para você concretizá-lo.

Abraço

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“Sim” sem culpa
24/10/2014

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  • Eu quero fazer, mas não sei se devo.

  • O que te impede?

  • Meu pai… sei que ele ficará chateado com isso.

  • Sim, muito provável. Mas e o seu desenvolvimento?

  • Ele também ficaria chateado com isso (risos)

  • (Risos) Sim, ficaria mesmo…

  • Então?

  • Então… você está querendo chatear o seu pai? É esta a sua intenção?

  • Não… você sabe que não!

  • Eu sei… tanto sei que não entendo porque você está tornando isso um empecilho pra ti.

  • Hum… verdade… simplesmente vou ter que enfrentar a chateação dele né?

  • Sim… sabe como fazer isso?

  • Acho que é nisso que eu preciso de ajuda

  • Vamos lá!

 

Os gregos diziam “cuidado com o que quer… porque pode conseguir”. Obviamente nada mais estranho aos ouvidos modernos ávidos pela conquista de seus desejos. Porém, em consultório eu vejo o quanto esta frase faz sentido. Ela tem tanta sabedoria que, na maior parte das vezes, as pessoas sequer correm atrás de alguns sonhos e desejos por causa dela.

Um dos pontos que eu vejo muito é que as pessoas nem sempre estão em paz com aquilo que desejam. O desejo pode estar em conflito com os valores da pessoa, com alguma crença específica ou pode estar vindo “no momento errado”. Assim, mesmo cientes de um determinado desejo elas procuram se afastar dele, culpabilizar o mundo por não conseguirem aquilo que querem ou tornam-se apáticas frente aos próprios desejos e sentimentos.

Quando o desejo cria um conflito é muito comum da pessoa sentir a emoção da culpa. A culpa nos mostra que estamos fazendo – ou querendo fazer – algo que vai contra o nosso sistema de crenças. Muitas vezes uma das maneiras de lidar com a culpa é verificar se, efetivamente, estamos ferindo algum de nossos valores. Isso é importante porque muitas vezes o aprendizado que temos nos leva a crer que determinado comportamento ou querer são, por si só, ruins e nem sempre isso é assim.

Um exemplo muito comum na nossa sociedade é o de fazer algo que sabemos que pode ferir, incomodar ou chatear alguém. Em geral, nossa educação nos pede para nunca ter este tipo de atitude para com alguma pessoa, no entanto, na prática logo percebemos que isso é impossível. Não estou defendendo o ato de causar dano à alguém de maneira indiscriminada, mas sim de que algumas vezes chatear outra pessoa poderá ser um dos resultados de um comportamento importante para a pessoa.

Na educação das crianças, por exemplo, chega um momento em que é saudável a mãe não atender de pronto os choros da criança. Tal atitude obviamente faz a criança sofrer, porém é necessária ao desenvolvimento da mesma e sabemos que as crianças que passam por isso em geral crescem melhor por terem que aprender a lidar com a frustração que é comum na vida.

Outro fato é que existe uma diferença entre o desejo de causar chateação e esta ser uma consequência do meu comportamento. A primeira tem a intenção de chatear alguém, é algo programado e pessoal como na frase “eu quero me vingar dele”. Há uma intenção clara de comportamento nesta frase. Já quando a chateação é uma consequência a intenção não é de ferir, seria algo como “sei que ele ficará chateado, mas preciso educá-lo”. A chateação não é a intenção, mas sim educar.

Coloco estes pontos para questionar um dogma central da educação que praticamente todos temos: que pode ser “bom” chatear os outros. Isso não é uma desculpa para ferir os sentimentos dos outros de maneira indiscriminada e cruel, mas sim para compreender que, algumas vezes, esta consequência não pode ser evitada e em outras que ele pode ser benéfica à pessoa. Particularmente tive grandes aprendizados em minha vida após ter sido frustrado e ter ficado chateado com a atitude de algumas pessoas. E não digo isso num sentido de me fechar ao mundo, mas pelo contrário de me abrir à ele de uma nova forma.

Aprender que nem sempre é ruim chatear os outros e que existe uma diferença entre chatear alguém intencionalmente e isso ser o resultado de uma ação sem esta intenção são alguns dos valores e crenças que trabalho no consultório para ajudar as pessoas a  fazerem mais aquilo que desejam. Isto ajuda a pessoa a dizer “sim” ao que quer sem sentir culpa e saber que ela sentir, por exemplo tristeza – sim podemos ficar tristes de ver que alguém ficou ferido em detrimento de algo que fizemos, mas isso é diferente de sentir culpa por isso.

Dizer-se “sim, sem culpa” é nos colocarmos como critério para definir o que vamos fazer e verificar se estamos fazendo aquilo que queremos como meio para ferir alguém – o que eu não aconselho fazer em consultório – ou como meio de seguir o nosso caminho pessoal de desenvolvimento e auto expressão – o que apoio por mais difícil que seja a situação.

Abraço

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O boneco
11/07/2014

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  • Tenho sentido muita tristeza nesses dias sobre eu e minha família.

  • Hum e porque?

  • Porque entendi que eu não tenho um lugar lá dentro sabe?

  • Ah é? Mas você mora lá, não mora?

  • Ah sim… mas… “eu” sabe? Eu sinto que “isso” não tem lugar lá!

  • Entendo… E aí dentro de ti, tem?

  • Como assim?

  • Dentro de você, existe lugar para aceitar que você é diferente da sua família?

  • Puxa… não sei… não havia pensado nisso!

  • Hora de pensar então, não é?

  • É!

 

Nathaniel Branden diz que a auto estima no mundo atual é mais do que uma característica boa para se ter, é uma necessidade vital para sobreviver emocionalmente. Esta colocação vai de encontro a ideia de que quanto mais escolhas temos que fazer mais temos que saber sobre nós mesmos afim de sabermos traçar nossas metas com convicção e segurança pessoal o que resulta numa boa qualidade de vida afetiva. A colocação de Branden vale também para os relacionamentos afetivos, visto que quanto mais sabemos sobre nós, melhor fazemos nossas escolhas, colocamos limites, negociamo e amamos.

Mas e o que se faz quando a pessoa tem medo de se colocar? Quando o bálsamo que irá ajudá-la a viver uma vida plena é exatamente aquilo que ela mais teme?

Muitas pessoas aprenderam em suas vidas que elas não são importantes, o que importa é o que se espera delas, a função que elas tem à prestar para família, conjugue, filhos e sociedade. Isso não impede ninguém de se desenvolver bem, ter um bom emprego e ser uma pessoa sociável, porém, atrapalha muito a atitude dela ao colocar as suas emoções e necessidades em várias áreas de sua vida.

Ocorre que quando se pensa que o importante é agradar ao outro, o foco das escolhas e das decisões é a outra pessoa. Isso cria uma hipersensibilidade ao que o outro fala, pensa, sente e deseja e minimiza aquilo que a própria pessoa sente, pensa e deseja. Em alguns casos, inclusive, a pessoa toma o outro em detrimento do seu, ou seja, não é apenas uma minimização, mas sim uma troca de um pelo outro.

O que existe em comum nestes casos é um medo relacionado aos desejos, sentimentos, pensamentos e necessidades pessoais. A pessoa aprende que “o que é dela” é, de alguma maneira errado e por isto além de colocar o outro na frente, ainda teme o que é seu. O primeiro passo é ir direto neste ponto e desmistificar as ideias que sustentam o fato de que “o que é dela é errado”. Ao flexibilizar esta ideia a pessoa pode começar a ver o que é dela e dá certo e é bom e a faz sentir-se bem, essa percepção irá ajudá-la a colocar-se mais em sua vida porque irá produzir a sensação de merecimento e respeito por ela própria.

Um dos medos mais comuns que vem à tona neste momento é o medo da exclusão, abandono ou de ficar só. Este medo é altamente compreensível quando se pensa que a pessoa passou uma vida toda entendendo que o valor dela era proporcional à satisfação dos outros para com ela. Logo o outro assume um papel fundamental em sua vida e a simples noção de “estar só” (que é diferente de ficar só) é aterrorizante.

O medo, no entanto, é uma ilusão de que a pessoa não irá conseguir viver “sozinha”. A fantasia que se cria foca o dia a dia e as relações cotidianas, porém é a metáfora de um medo interno de se assumir e de ficar tranquilo dizendo para si que as escolhas que a pessoa está fazendo são aquelas que ela deseja ter e que são boas para ela e que se não o forem, ela fará novas escolhas. Porque isso causa medo? Porque a pessoa não sabe lidar com isso. Ela se treinou para dar valor ao outro e não a si, logo quando passa a fazer o contrário é esperado que o medo apareça.

Compreender este medo é importante. Saber que o que tememos de fato é assumir a vida que existe dentro de nós com as várias implicações que ela tem. A solidão é um medo fantasioso que, na verdade, se refere à “saída de casa” e ida para o mundo. Quando o cliente me diz “tenho medo porque acho que não tenho um lugar na minha família se eu for mais eu mesmo” o que leio é: “tenho medo de assumir que sou diferente e que o meu caminho pode não ser o mesmo da minha família”. Porém, aceitar este medo e buscar vencê-lo é justamente aquilo que faz a pessoa crescer. No final, não se trata se a família vai ou não aceitá-lo como é, mas sim se ele irá aceitar o seu próprio “destino”.

Existe uma frase que gosto de usar neste momento que é a seguinte: “não existe preço alto quando o assunto é a sua própria alma”. Esta frase é importante para nos lembrar do que é importante: a auto expressão. Não se trata do resultado final, mas sim da sensação de fazer algo que lhe dá vida, que lhe conecta com algo maior do que você mesmo, que te dá sentido de realização pessoal, que te conecta com pessoas que acrescentam para você, que lhe dá prazer, compromisso e orgulho. O resultado final depois de tudo isso é o de menos, é a cereja do bolo.

Assim, que tal assumir mais você?

Abraço

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