Complexidade emocional
12/08/2015

varias emoções

  • Eu estou muito puto com ele.

  • Sei… me fale mais dessa raiva.

  • Cara… como que ele pode fazer isso?

  • Você esperava outra reação dele?

  • Lógico, nunca pensei que fosse fazer isso!

  • Está frustrado ou decepcionado com ele?

  • Sim!

  • O que veio primeiro: a raiva ou a decepção?

  • Hum… acho que a decepção.

  • Sentir isso influencia na sua amizade com ele?

  • Sim.

  • E como você se sente com isso?

  • Triste sabe? Tipo… nossa… foi muito ruim isso tudo. (chora)

 

Você sabe qual a diferença entre emoção e sentimento? Antonio Damásio nos diz – à grosso modo – que enquanto a emoção é algo que tem a ver com o movimento, com a ação, o sentimento é algo que tem a ver com a percepção. Enquanto uma nos coloca na ação a outra é a percepção desta ação.

Daí que quando percebemos colocamos nossas funções cognitivas para trabalhar e uma emoção pode dar origem não apenas a sentimentos, como também a outras emoções. É o que tentei descrever neste caso acima. A emoção de decepção gera a tristeza e gera a raiva. Ao mesmo tempo a pessoa sente estas emoções nela, uma após a outra e combinando sentimentos e emoções ao longo do tempo. Toda pessoa que passou por uma morte, desastre ou experiência de roubo, guerra ou até mesmo perda de patrimônio ou divórcio sabe que várias emoções podem ocorrer ao mesmo tempo.

A emoção está vinculada ao que pensamos e percebemos, ou seja, embora as emoções não são “puras”, elas tem uma relação profunda com como percebemos o mundo e nós mesmos. No exemplo acima, temos uma pessoa que tinha expectativas à respeito do comportamento do amigo. O que o amigo fez com ele só foi algo ruim por causa desta expectativa, a emoção de tristeza – de ter perdido algo, no caso a confiança – ocorreu em detrimento do fato do meu cliente sentir que não poderia mais confiar no amigo por causa daquilo que ele fez. E se as expectativas fossem diferentes?

Neste mesmo caso a raiva é uma emoção que surgiu por um outro fato: ele, no fundo não sabia e nem desejava dizer ao amigo que não queria mais relacionar-se com ele. Estes dois eventos dentro do meu cliente geraram um estado complexo: o amigo lhe causou um dano, manter a amizade poderia lhe trazer mais danos, ele não queria dizer que desejava afastar-se do amigo, portanto sua própria maneira de ser poderia lhe causar mais danos. Como esta era a única resposta que ele tinha no momento ele ficou ansioso em saber que poderia estar se causando mais danos e, daí, a raiva.

Aquilo que sentimos pode ser algo muito complexo como o exemplo mostra: a percepção de uma decepção torna-se tristeza e essa mesma tristeza desperta a raiva. Todas as emoções estão unidas frente à um mesmo evento e dizem de aspectos diferentes sobre este evento. Lidar com cada uma delas é importante para abraçar o evento como um todo e não apenas como parte. Além disso podemos ter emoções que nem sempre se manifestam claramente, surgem apenas como vontades “que não sabemos da onde vem”, ou que surgem depois do evento, mas estão relacionadas à ele.

Preste atenção naquilo que sente, você poderá encontrar muitas respostas aí.

Abraço

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Planejo e não faço…
03/08/2015

Planejo e não faço

 

  • Então Akim… não fiz ainda…

  • O que você ainda não fez do seu plano?

  • Nada.

  • Hum… o que aconteceu?

  • Na hora olhei para aquilo e pensei… ah, não deve ser pra mim isso.

  • Ah é? E o que, em você, não te permite “ser para isso”?

  • Não sei… eu me senti envergonhado de querer essa promoção.

  • Qual o motivo para vergonha de querer isso?

  • Não sei… é tipo: “vocêeeee quer isso?”

  • Sim, entendi… parece que você está se dando um limite: promoções não são para você. Perfeito, porém o que te coloca do lado de lá do círculo dos que merecem uma promoção?

  • Me vem a voz do meu pai na cabeça me dizendo que eu não sou bom o suficiente.

 

 

Em geral tenho observado alguns comportamentos comuns em pessoas que planejam mas não executam seus planejamentos. Um deles é uma motivação inadequada que não mexe com a vontade da pessoa em executar suas tarefas, outra é uma incapacidade de perceber uma relação causal entre o comportamento dela e a concretização dos planos e uma última é a percepção do futuro desejado como algo irreal.

A motivação inadequada surge quando a pessoa não encaixa o plano que criou no seu estilo motivacional. Cada um de nós tem uma maneira própria de evocar a motivação para executar planos e desejos, no entanto, muitas vezes os objetivos são de uma natureza contrária a da motivação. Para dar um exemplo, o estilo motivacional da pessoa pode ser de afastamento de coisas ruins, ou seja, ela se motiva à ação quando precisa afastar-se da possibilidade de algo nocivo à ela.

Desta forma, pode trabalhar para não ficar sem água ou luz em casa. Pode cuidar da saúde após ter uma doença, ou seja cuida da saúde não para adquirir mais saúde e sim para evitar uma doença. Quando em estilo como este se depara com um objetivo que vá exigir o seu esforço em prol de algo que vai lhe trazer algo bom, mas não causará dano é comum que a pessoa emperre. Por exemplo, não é um estilo motivacional bom para pensar em algo como conseguir uma promoção. Porque? Porque a promoção envolve buscar algo positivo que é o contrário. Adequar o estilo motivacional, numa situação como esse seria algo como: “se eu não conseguir esta promoção posso perder a chance de subir na empresa e eu não quero ficar o resto da vida neste cargo, isso seria horrível”. “Conseguir a promoção” se torna “não ficar mais neste cargo horrível o resto da vida” e, com este discurso a pessoa consegue motivar-se. Obviamente o estilo motivacional não é fixo e pode ser aprendido também.

A incapacidade de perceber uma ligação entre o comportamento e as consequências dele é algo que tem se tornado cada vez mais comum. Parece simples compreender que quando tenho um comportamento ele terá uma consequência e essa é o que me interessa. Porém, por diversos fatores as pessoas não fazem esta ligação e, então, a ideia de comportar-se para atingir um determinado objetivo parece insossa, afinal de contas “para que me mexer se não sei se isso terá algum efeito?”. Este último é o discurso padrão quando a pessoa não tem a relação bem estabelecida.

É muito comum que pessoas com este comportamento sejam colecionadores de fracassos e arrependimentos. O que é importante fazer neste caso é ligar a ação que elas tiveram no passado com os resultados que obtiveram. Este exercício pode ajudar a pessoa a estabelecer uma ligação e, a partir disso já ter delineado o tipo de comportamento que elas não querem. A partir disso pode-se inferir sobre o tipo de comportamento que levaria elas à execução dos planos e aos resultados que isso lhe traria. Quando se junta este elemento com a motivação adequada temos um bom propulsor para execução das tarefas e desejos.

Por fim, quando a pessoa faz um plano, um bom plano diga-se de passagem, ela cria para si o que chamamos de futuro propulsor. Este é aquela visão de um futuro no qual atingi meus objetivos e, neste cenário, sinto-me bem. Porém este futuro, por melhor que seja, nem sempre é visualizado como “possível” ou como “real” pelas pessoas. Os dois problemas acima podem ser a fonte deste terceiro, ou seja o futuro criado pode ser ótimo, mas não mexe na motivação da pessoa, logo ela o vê como irreal ou, então, ela percebe o futuro como desejado, mas não faz ligação entre o seu comportamento e a criação deste futuro, ele parece-lhe, assim, inalcançável.

Porém, algumas pessoas estão com ambos elementos bem organizados e ainda assim não vão atrás do plano, o futuro ainda parece irreal. É o caso de começar questionando-se se você merece este futuro. Neste último caso as pessoas não caminham em direção ao futuro desejado porque não sentem-se merecedoras, é uma questão de auto estima, na qual a pessoa não se vê como alguém digno de um futuro como esse. Fácil imaginar que as causas podem ser várias, mas é importante, em todas elas questionar a crença no não-merecimento, ou seja: o que faz com que você não seja digno? Este “não merecer” é uma punição ou um limite imposto? Determinar isso ajuda a libertar-se e construir o merecimento que basicamente é a ligação entre comportar-se e conseguir o que se quer.

Um último adendo é que muitas pessoas simplesmente não conseguem porque não agem. Agir é importante porque um bom plano é apenas isso, um bom plano. Então, se você já planejou, aja ou então seu plano será apenas mais uma bela história que você não viveu.

Abraço

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Problemas que ocultam problemas
24/07/2015

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– Mas ela não me deixa em paz sabe?

– Sim… sei como é.

– Então! Eu já conversei com ela, mas ela não muda!!

– Eu sei… e foi você quem escolheu ela… porque será né?

– Não sei!

– O que você faria se escolhesse uma mulher que sabe o que quer. Independente…

– Seria bem melhor!

-… que é como você: sai quando quer, não fica dando satisfação…

– (silêncio) é… me parece meio estranho pensando assim…

 

Algo que impressiona quando lidamos com humanos é a nossa capacidade de gerar problemas. Problemas que ocultam problemas é uma variante muito interessante deste comportamento.

Em relacionamentos é algo muito comum que um dos conjugues tenha um problema qualquer, por exemplo, baixa auto-estima, que aprender a lidar nas relações com outras pessoas usando o outro não para resolver o seu problema, mas sim para mascarar o seu problema. É fácil não lidar com uma questão pessoal quando temos outros afazeres, ou quando achamos que temos outros afazeres.

Neste caso, por exemplo, a pessoa pode na sua maneira de se comportar projetar um comportamento muito seguro e forte, por exemplo, e com isso estar sempre cobrando o outro, dizendo-lhe o quanto ele é preguiçoso, devagar, que ele deveria cuidar melhor de sua vida. O outro acaba sentindo-se muito para baixo e tem medo de perder o seu amado. Com isso pode, por exemplo, ter crises de ciúmes o que o obriga o conjugue a ter que lidar com este problema.

Uma outra forma é a pessoa que é muito forte, porém sente medo de sua força ou culpa por ser assim. Dessa forma vive se colocando em situações de apuros ou tendo comportamentos inadequados. Relaciona-se com uma outra pessoa que ou gosta de cuidar, ou acha que deve ajudar uma pessoa inadequada ou é mandona. Nesta relação a pessoa forte começa a achar que está sendo sufocada pelo outro que está sempre no seu pé.

Em um caso ou em outro o efeito é o mesmo: um problema que surge (no primeiro caso os ataques de ciúmes e no segundo caso o “sufoco”) são problemas criados por uma dinâmica e não um problema “de fato”. Este problema serve para mascarar e evitar que um – ou ambos – dos conjugues entre em contato com uma questão pessoal e assim, tenha que dar conta dela.

O que geralmente ocorre é que o conjugue problemático acaba indo à terapia e faz um processo de evolução pessoal. Neste processo aprende a lidar com o conjugue de uma maneira diferente, deixando-o livre para ser responsável por si só. Quando isso ocorre a relação entra em crise e a pessoa que se esconde atrás dos problemas pode, enfim aprender com eles.

Obviamente exige coragem sair do lugar de “poderoso” para ir ao lugar de “problemático” – é assim que boa parte das pessoas encaram pelo menos. Mas quando percebem que não estão fazendo esta inversão de papeis, mas sim dando conta de uma questão pessoal importante, etas pessoas aprendem que podem, então, serem ainda mais felizes.

E você? Anda escondendo-se atrás de algo?

Abraço

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Não abra mão!
15/07/2015

Nao abra mão

 

  • Ah Akim, mas é difícil… quando eu vejo aqueles doces todos…

  • O que acontece?

  • Eu logo penso em comer aquelas delícias!

  • Sim, o que acontece se você ao olhar aquelas delícias, pensar em você frustrado com o peso acima do normal?

  • Eu penso duas vezes em comer…

  • E se além disso, pensar no seu diabetes finalmente estourando e você tendo que realizar seu medo de se tornar dependente de insulina?

  • … mas é ruim pensar em doces assim!

  • Claro, mas no seu caso é real também não é? Os doces não vão trazer apenas o sabor não?

  • É… é verdade…

  • Além disso, pensar em doces como algo ruim faz sentido nesse momento não?

  • Também…

  • Que tal pensar assim quando estiver “frente a frente” com os “temíveis doces deliciosos provedores de diabetes”?

 

Quando falamos em mudanças as pessoas, em geral, focam na aquisição de um determinado comportamento, ou seja, em aprender a exibir um comportamento, ter uma atitude específica para alcançar um resultado. Pouco se fala, por exemplo, em sustentar este comportamento. A questão é que, a não ser que você precise de um ato apenas em um momento e nunca mais, a parte mais importante é sustentar e não, exatamente, ter um comportamento novo.

O que quero dizer é que “mudar” é fácil, é simples ter um comportamento novo de maneira aleatória, a maior parte dos clientes que atendi já fizeram o que querem “aprender a fazer” uma vez ou outra. Qual o problema então? A falta de consistência da atitude que desejam incorporar à sua identidade. Esta falta é que faz com que a pessoa não sustente um novo comportamento e, por este motivo, não consiga se manter fazendo aquilo que já sabe fazer, mesmo que isso seja melhor para ela.

Um exemplo clássico é a perda de peso. Sempre que as pessoas me procuram com este tema e eu pergunto o que querem a resposta é a mesma: quero perder peso. Já começou errado, perder peso é fácil! As pessoas que estão sempre fazendo dieta sabem disso, se somarem quantos quilos já perderam ao longo dos anos em que fazem dietas já teriam chego ao peso ideal á muito tempo. A questão não é: “como faço para perder peso”, mas sim “como fazer para manter um peso “x” ao longo da minha vida?”.

Quando fazemos a pergunta desta maneira a coisa muda de figura. O quero perder peso assume um caráter novo, à saber, um projeto para a vida (e não é isso que as pessoas realmente querem? Um novo peso para o resto da vida?). O mesmo vale para a aquisição de um novo comportamento, ou, para uma “mudança”: “como sustentarei este novo comportamento o resto da vida?” Nesta pergunta surge o importante elemento de “não abrir mão”, ou seja, existem momentos em que nossos comportamentos são “testados” (situações que, para cada um de nós, manter o comportamento é mais difícil). No exemplo de manutenção de peso, um teste comum são festas de final de ano. E aí, como fazer para “não abrir mão?”

O ponto é ter seus critérios muito bem estabelecidos. Ou seja, é importante quando fazemos uma mudança saber o que nos permite abrir mão de nosso comportamento e o que não nos permite. Por incrível que pareça ter os limites de “quando abrir mão” bem definidos ajuda a manter o comportamento e a “não abrir mão dele”. Em geral, aconselho meus clientes a assumirem um critério geral no qual aquilo que me fará abir mão deve ter um valor maior do que a manutenção do meu comportamento no mesmo nível de aplicação de critério.

Por exemplo: no caso da manutenção de peso o critério empregado é saúde, assim mantenho uma rotina alimentar com base na ideia de que cuidar da manutenção do meu peso significa cuidar da minha saúde. Isso quer dizer que a escolha do que e de quanto comer não é um fim em si mesma, mas sim uma ferramenta para eu ter mais saúde. Logo apenas me permito abrir mão do meu comportamento quando algo no mesmo nível de critério – saúde – surge como uma oportunidade de abrir mão do meu comportamento. Por exemplo, posso me permitir comer à mais no meu almoço se sei que farei uma viagem ou estarei envolvido numa atividade durante a qual não poderei comer e, para manter minha energia, devo comer um pouco mais em uma refeição afim de não passar fome e comer à mais de maneira descontrolada mais tarde.

Quando temos este critério bem definido para cada área de nossa vida é fácil descobrir o que devemos fazer: é simplesmente comparar aquilo que se apresenta com as possibilidades. Se “bater” a oportunidade com a possibilidade, segue-se com a nova escolha senão fica-se com o comportamento antigo. E aí, vai abrir mão da sua felicidade?

Abraço

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Dai-me paciência!
13/07/2015

daime paciencia

  • Akim… hoje você vai se irritar comigo.

  • Ah é, porque?

  • Eu recaí novamente.

  • Entendi, o que aconteceu?

  • Ah… peguei a gúria lá de novo, não aguentei.

  • E o resultado?

  • O de sempre.

  • Ok. Bem, antes de entender a recaída, me diga: porque vou ficar irritado com isso?

  • Ah… a gente trabalha um monte e eu não mudo.

  • Hum, entendi. Mas veja, o simples fato de perceber que ficar com ela é uma “recaída” já é muito bom pra mim.

  • É… você sempre tem isso de olhar para o lado bom.

  • Você está mudando o comportamento, porque não deveria olhar para isso?

  • Mas foi muito tempo para entender isso.

  • Foi o seu tempo… talvez você esteja irritado com você não é mesmo?

  • É… talvez seja mais isso… eu sabia que ia dar errado… mas fiz de novo sabe?

  • Sei… e não te censuro por isso, acho que a sua dor já te basta.

Acredito que quase todo mundo já teve esta necessidade na vida: ter paciência. Muitas são as piadas com isso “dai-me paciência porque se me der força eu mato” ou “dai-me paciência, mas me dê agora!”. Porém a questão é sempre a mesma: como gerar este estado?

O primeiro engano é achar que devemos nos sentir neutros ou ignorar o que está acontecendo. Porque? Porque para ignorar eu preciso, primeiro, perceber e me incomodar. Ignorar é um esforço para tornar algo que está na minha percepção menos valorizado, porém o fato é que aquilo que me incomoda fica sempre na percepção o que, também, gera incomodo. Ser neutro é algo de outra esfera física, Ao humano não é possível “ser neutro”, ou seja, se algo mexe com a gente, simplesmente aceite isso e lide com a sua reação, este é o caminho para começar a ter paciência. E, por fim, é um engano porque as pessoas que são pacientes não são neutras e nem ignoram o que está ocorrendo, elas tem uma outra reação.

A estrutura da paciência requer que você perceba o que está acontecendo, de valor para o que incomoda. No entanto, quando digo dar valor, é importante saber “qual” valor dar. Pessoas pacientes entendem os elementos que as incomodam como algo que não é delas. Ou seja, o vizinho chato não é um “problema meu”, ELE é chato, neste sentido, ele tem um problema. Ao perceber a situação dessa maneira existe uma sensação de “estar de fora”, esta sensação causa uma tranquilidade.

Outro fator importante na elaboração do estado de paciência é observar o comportamento ao longo do tempo, para isso, a primeira condição (acima citada) é importante. Ao estar distante do comportamento posso entender a pessoa ao longo de sua história de vida. Vendo desta perspectiva ampla o comportamento que está sendo exibido saí do “momento” e entra na “história”, com isso é mais fácil perceber que a pessoa não está sendo assim “com você”, ela, simplesmente, é assim. Isso também ajuda a não levar para o lado pessoal, outra característica da paciência.

Ao ver o comportamento como algo construído ao longo do tempo, também é possível se colocar num papel diferente. Se eu não sou o alvo dessa pessoa maligna e sim, mas um com o qual ela se relaciona desta maneira, que posso ser? Posso ser um professor, posso ser alguém com quem ela poderá ter uma surpresa, posso ser uma pessoa que (finalmente) vai entendê-la, ou encará-la. Assumir este papel é lidar com o comportamento e não com a pessoa. Uma vez que esta perspectiva é assumida “ser paciente” não é algo com a pessoa e sim com a maneira dela se comportar. Isso cria um desapego em relação à mudar a pessoa o que culmina numa paciência mais estruturada.

Em resumo, podemos dizer que a paciência se organiza quando a pessoa percebe o comportamento como intrínseco da pessoa e dá atenção ao comportamento e não à pessoa (ou seja, não faz juízo moral dela e não leva para o lado pessoal), percebe este comportamento como algo gerado ao longo do tempo, se coloca numa atitude positiva frente ao comportamento e não assume como seu o problema, apenas a postura que irá assumir frente à ele.

E aí, ajudo ou tenho que ter paciência?

Abraço

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Não basta emagrecer
06/07/2015

Não basta emagrecer

  • Mas Akim… é muito difícil.

  • O que é difícil?

  • Ai… resistir sabe? Tipo, olhar aquele docinho e não comer? É muito sacrifício!

  • Entendo… mas discordo.

  • Porque? Não acha sacrifício?

  • Depende de como você olha… o que está sendo sacrificado, de fato?

  • Como assim?

  • Se você não come está adiando o momento de sentir o sabor daquele doce, que é tudo o que ele tem à oferecer não é?

  • Sim.

  • Se você come está adiando o momento de olhar para a balança e ver o seu peso certo. O momento em que você vai estar com o diabetes sob controle, o momento de vestir aquelas roupas que você me disse que quer, de sentir orgulho do seu corpo e do seu atuo domínio… o que você está, realmente sacrificando?

  • Hum… olhando desse jeito…

 

Perder peso é um tema constante na vida de milhões de pessoas. Um dos grandes problemas à respeito da perda de peso é que o mais comum naquelas pessoas que perdem peso é que elas “ganham” o peso novamente. Este “iô-iô diet” frustra e cansa muitas pessoas que terminam por desistir ou nem mais começar uma nova dieta. No entanto, este efeito é apenas reflexo de uma cultura da dieta que mostra marcas acentuadas de fracasso a cada dia que passa e o pior? Continua forte como nunca.

O título deste post afirma o problema com as dietas. O grande foco da indústria da dieta é na perda de peso, no entanto, este é o pior foco possível para lidar com o problema. Porque? Porque está lidando justamente com o resultado do problema e não com a causa. Mas a causa não é que a pessoa come mais calorias do que gasta? Não. A causa é o que motiva ela e ter este tipo de comportamento e a validar este comportamento como adequado para ela.

Estudos nos mostram que as pessoas “naturalmente magras” não fazem esforço para não comer demais, por exemplo, elas desenvolvem uma sensibilidade à satisfação e ligam esta sensação ao momento de interromper a alimentação. Em outra palavras, elas não se forçam a comer mais do que precisam apenas pelo gosto da comida. Esta é, inclusive, outro tema interessante que mostra que essas pessoas tendem a degustar mais a comida do que os gordinhos. Elas apreciam mais o paladar da comida saciando, assim o seu gosto pelo sabor dos alimentos.

Pessoas naturalmente magras também olham para o futuro e imaginam-se com o mesmo peso. O peso que elas tem está, de certa forma, associado à identidade delas, assim a ideia de sair do peso causa uma sensação de estranheza para elas. Também tem relações muito fortes entre o peso e o estilo de vida. Assim sendo pessoas naturalmente magras tendem a ver o peso não como uma causa ou um problema, mas sim como a consequência de um estilo de vida, algo que lhes dizem sobre quem são.

Este é o foco que não é abordado pela indústria da dieta. Emagrecer não basta porque emagrecer não é saudável. Sim, é isso mesmo, deixe-me repetir: emagrecer não é saudável. A perda de peso é algo que nos diz que estamos doentes ou com falta de comida. O emagrecimento força o organismo a funcionar num ritmo que não é o seu ritmo natural. Infelizmente, quando a pessoa está obesa ela precisa deste recurso drástico para tentar voltar à um funcionamento saudável, afinal de contas o sobrepeso também não é um ritmo adequado para o nosso organismo.

Assim o foco não deve ser em emagrecer, mas sim em encontrar um ritmo que lhe ofereça o seu “peso ideal” e o mantenha nele. Pessoas naturalmente magras, tem a capacidade de comerem o que quiserem, não fazem restrições alimentares afim de manter o peso. Elas apenas sentem a comida e quando comem algo com mais calorias ou comem um pouco menos, ou equilibram a quantidade de calorias ingeridas ao longo do dia. Por exemplo, nada impede de ir à um rodízio de pizza se ao longo do dia e no dia seguinte você ter uma alimentação bem leve e com poucas calorias.

Este “ritmo” que oferece o peso ideal tem a ver com a saúde do corpo e da mente. Assim sendo, o peso nada mais é do que um reflexo de como você tem vivido a sua vida (isso, eu, como ex gordinho, posso garantir). Quanto mais a pessoa foca em ter uma vida como um todo saudável, mais fácil é para ela ter o peso ideal. Porque? Porque ela não fica focada num número da balança ou da calça, mas sim em ter todo um conjunto de atividades e experiências que deixam a própria vida mais saudável. Daí o peso começa a se tornar algo “lógico” certo começa a se tornar algo lógico.

Assim o convite que faço ao leitor é que reflita não apenas no peso, mas em sua vida como um todo em relação ao estilo de vida que leva em todas as esferas. Um dos passos que trabalho com meus clientes é que nunca lutem contra o peso, mas sim desejem ele. Desta maneira o peso ideal se torna algo natural, algo da identidade da pessoa e os caminhos que o fazem chegar nele não são “lutas” ou “sacrifícios”, mas sim atitudes de saúde, satisfação e orgulho, marcas registradas de quem atinge seu peso ideal.

Abraço

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Decidir e agir
19/06/2015

Decidir e agir

  • Mas cara… é muito difícil!

  • O que?

  • Negar… tipo… quando a guria vem e me dá bola…

  • Entendo. No que você pensa quando isso ocorre?

  • Ah… já penso em dar uns amassos sabe?

  • Sim, e é muito bom isso não é?

  • É!

  • E a ressaca moral do outro dia?

  • É uma bosta…

  • Claro. E a sensação de ter estragado mais uma relação?

  • Hum… foda…

  • E de se sentir um piá quando você já é, em teoria, um adulto?

  • Tá, entendi.

  • Ok, agora quero que você imagine isso tudo, que sinta tudo isso enquanto imagina a menina dando bola pra ti.

  • É uma droga, dá vontade de virar a cara.

 

Muitas pessoas me perguntam como trabalhar para manter as decisões tomadas. Tomar uma decisão e agir implica em muitos fatores que precisam estar alinhados para serem atingidos, uma vez que eles estejam alinhados passamos à prática e, nela, o que fazer?

Pois bem, muitas pessoas se beneficiam de uma maneira de organizar o pensamento que lhes proporciona rapidez, solidez e facilidade ao tomar uma decisão além de uma recompensa quase que imediata quando fazemos “o que precisamos fazer”. Como já disse existe toda uma preparação necessária para ser feita antes deste passo. É sempre importante lembrar isso para não deixar você na expectativa de que é só seguir alguns passos e pronto, não, devemos ter consciência de fatores tais como a motivação da mudança para que estas dicas que estou deixando aqui sejam de fato úteis.

Se você está alinhado com sua decisão um dos pontos importantes é definir os comportamentos que você deverá ter afim de chegar onde deseja. Este é um ponto fundamental para quem deseja mudar hábitos e atingir metas: a crença de que os resultados da sua vida dependem de você. Obviamente você pode objetar e dizer que existem muitas coisas fora do seu controle e eu irei concordar com isso, porém, a maneira pela qual você encara e lida com isso é de sua alçada.

Crer nisso ajuda a pessoa a perceber e compreender como o que ela faz a ajuda a conquistar aquilo que deseja. Quando esta relação de “causa-efeito” se estabelece é que ela começa a se responsabilizar por si. Uma vez que isto esteja organizado a pessoa pode imaginar um futuro no qual ela não cuidou de si, no qual ela fez todos os comportamentos que a afastam do seu objetivo. Se for, por exemplo, mudar hábitos alimentares, pode se imaginar comendo em excesso, não fazendo atividade física e não respeitando seu colesterol durante 10 ou 20 anos. imaginar-se no pior cenário que o seu próprio comportamento conseguiu construir.

O segundo passo é imaginar o que o seu comportamento pode construir de bom. No mesmo exemplo, se você estiver atento à sua alimentação, realizar práticas esportivas, ter discernimento para quando comer alimentos gordurosos o que pode advir de melhor no futuro? Imaginar este lado “positivo” e o lado “negativo” do resultado do seu comportamento de maneiras bem distintas irá ajudar você a perceber o que você está construindo com as suas atitudes no dia a dia.

Assim, estas duas imagens devem ser como se fossem dois caminhos entre você aqui e agora e você amanhã. Como se você colocasse você no meio e estas duas imagens cada uma de um lado. Assim, todas as vezes que vai tomar uma decisão simplesmente olha para onde deseja ir. Este par binário é importante de ser construído desta forma para facilitar a escolha. Quando imaginamos e sentimos o que é bom e o que é ruim para nós é fácil escolher (obviamente, se toda a preparação anteriormente citada já tiver sido feita).

Desta maneira todos os comportamentos úteis são colocados de um lado e todos os comportamentos que atrapalham do outro. No dia a dia é só perceber o que você está fazendo e sua mente classifica isso automaticamente. No começo pode parecer “forçado”, mas com o passar dos dias você irá perceber que está alcançando suas metas e isso irá ajudar você a sentir-se orgulhoso de você mesmo. Este orgulho irá tornar isso “natural”.

Abraço

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Tristeza
15/06/2015

Tristeza

  • Eu não ando muito bem.

  • O que acontece?

  • Eu estou deprimida sabe? Preciso me livrar logo disso!

  • Deprimida? O que acontece?

  • Depois lá que bonitinho me de um pé na bunda eu fiquei assim, mas não posso ficar assim.

  • Porque não?

  • Porque é errado ficar chorando por causa de homem.

  • Ah é? Hum… bem e por causa de sentimento pode?

  • Como assim?

  • Chorar por homem é errado, ok, mas e chorar por causa do que você sentiu por este homem pode?

  • Não sei… acho que não também.

  • Então você não pode ficar triste por perder algo que você achava que era importante, bom pra ti?

  • Não sei também.

  • É que me pergunto: se você não pode se entristecer – e não “deprimir” como você está colocando – por causa disso, pelo que poderia?

 

A tristeza é uma das emoções mais importantes que sentimos. Ela nos fala daquilo que nos é importante e foi perdido. No entanto, culturalmente é uma das emoções que menos podemos expressar e que mais possui pre conceitos em cima.

O trecho acima foi escolhido porque fala de vários deles. O primeiro e mais comum atualmente é a confusão imensa que se tem feito entre estar deprimido e estar triste. Tristeza não é doença, depressão é. Ponto. Quem está triste porque perdeu emprego, alguém morreu, levou um pé na bunda não é um doente, logo não está “deprimido” e não precisa “sair logo dessa”. Existe o que se chama de “estado deprimido” o que é muito diferente de dizer que se está com depressão. Estado deprimido também é algo natural, não é doença e é um estado que acompanha a tristeza. Ficamos mais deprimidos justamente para criarmos um estado de introspecção maior e refletir sobre aquilo que perdemos, muitos psicólogos e pesquisadores dizem que esta é a função da tristeza: nos dar o estado emocional adequado para realizarmos o luto.

“Sair logo dessa” é o desejo da nossa cultura atual que acha que, em primeiro lugar, tristeza é doença (porque é depressão) e ninguém quer ficar doente, óbvio. Em segundo, porque como ninguém é ensinado a viver o luto e a tristeza as pessoas simplesmente não sabem como lidar com esta emoção e temem que ela possa “dominar a pessoa”. Nada mais errado, a tristeza apenas “domina” a pessoa se ela não aprender a lidar com ela e fugir  dela ou fingir que está tudo bem são os comportamentos menos adequados para aprender a lidar com ela.

O terceiro preconceito é de que ela é inútil. O famoso ditado “não adianta chorar sobre o leite derramado”. Novamente mostra uma infeliz falta de conhecimento sobre o que é ficar triste. Ninguém chora porque o choro irá trazer algo de volta, é justamente pelo contrário que se chora, para fazer o luto pelo que se perdeu. É pela mesma  razão que se fica triste, uma espécie de despedida daquilo que foi. Este ditado, hoje com uma releitura, tem a ver com nossa cultura de reclamações que nos induz a achar que se reclamarmos bastante podemos ter algo novamente. Tristeza não tem a ver com isso, tem a ver com a aceitação da perda, logo este preconceito é ignorante dos motivos da tristeza, ao fazer o luto adequadamente os “benefícios” são que a pessoa passa para a próxima fase mais sábia sobre si e sem carregar fantasmas do seu passado como muitos que não choram, mas também não evoluem.

Estar triste, então, é simplesmente a emoção que é despertada quando constatamos que algo importante para nós foi perdido. Nada mais. Pode-se viver bem esta tristeza, aprender com ela – e muitas vezes isso muda a vida das pessoas – e pode-se viver mal a tristeza – seja aumentando ela desnecessariamente ou negando-a veementemente. Ambos os jeitos são equivocados e demonstram falta de competência em lidar com este afeto. Se você tem algum destes comportamentos sugiro que busque um psicólogo para ajudá-lo.

Abraço

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Ditadura do “estar bem”
10/06/2015

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  • Mas sabe… é só uma coisa que aconteceu sabe?

  • Claro…

  • Ou você acha que pode ser algo ruim isso?

  • O que você acha?

  • Não… acontece…

  • Porque a dúvida então?

  • Não é dúvida… é só… te perguntando… você sabe melhor né?

  • Não. Do que acontece aí dentro eu não sei melhor, quem sabe é você.

  • (silêncio)

  • O que me parece, na verdade, olhando para você nesse momento é que isso incomodou mais do que você consegue ou gostaria de admitir.

  • Mas é que tipo… tá indo tudo bem na minha vida… um negócio como esse não pode atrapalhar.

  • Não “pode”? Creio que se você está  pensando nisso…

  • Tá certo… tá certo… eu gosto de negar essas coisas… já trabalhamos isso…

 

Nathaniel Branden um dos psicólogos que pesquisa a auto estima afirma que um dos problemas que enfrentamos com a auto estima hoje em dia é o excesso de propagando em torno dela. Estranho não é? Na verdade não.

Ocorre que existe uma diferença abissal entre desenvolver uma auto estima positiva e ser obrigado a desenvolver uma auto estima positiva. A propagando que temos hoje em dia coloca tanto foco no “estar bem” que sentir-se triste, por exemplo, torna-se uma prova de fracasso. Em outras palavras valorizar excessivamente um aspecto de nossas vidas acaba por prejudicar o seu próprio desenvolvimento por colocar uma pressão muito grande sobre ele. Chamamos isso de ditadura do bem estar, ou da auto estima, como preferir.

No consultório percebo isso vendo as pessoas buscando desesperadamente maquiar sensações desagradáveis, desejando imensamente dizer que algo que incomoda não incomoda ou – a pior versão disso – entendendo qualquer emoção que possa causar desprazer ou falta de prazer imediato como algo ruim e nocivo à “auto estima”. Essa versão é a mistura da propaganda excessiva com a sociedade de consumo na qual vivemos que dita que temos que ter prazer o tempo todo.

Auto estima não tem a ver com prazer ou com apreciação estética, deixe-me deixar isto bem claro. A auto estima tem a ver com a construção de um sentimento de valor próprio que inclui a sensação de sentir-se preparado para encarar a vida e merecedor de respeito e felicidade. No entanto, a pessoa com auto estima verdadeira sabe que precisa construir isso para ela, que a vida vai lhe trazer desafios enquanto ela busca concretizar seus sonhos. Sentir-se preparado para isso é o que a auto estima verdadeira constrói.

Neste trajeto ela não exclui as sensações de tristeza caso perca algo que considera importante, mas atém-se à ela e usa esta emoção para compreender o que realmente importa para ela na vida (às vezes só aprendemos o que é importante depois de perder). Também não é avessa à emoção de arrependimento, remorso ou culpa. Aprende com estas emoções que não adianta burlar seus valores pessoais em busca de “crescimento fácil” ou para aproveitar a “onda do momento”, compromete-se com o seus sistema de valores. Sentir-se incomodado também não é algo par ser descartado, mas sim uma emoção que deve ser valorizada por nos mostrar que temos que mexer em algum aspecto de nossas vidas.

Neste breve exemplo podemos ver que emoções ditas negativas (particularmente não concordo com esta classificação e acho-a contraproducente) podem ser muito positivas e nos ajudar muito em nossas vidas.

Que emoções você oculta?

Abraço

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Preguiça (de viver melhor)
29/05/2015

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  • Pois é Akim, mas me dá uma preguiça de fazer isso!

  • Eu sei, eu sei…

  • E daí, o que eu faço?

  • O que tem que fazer!

  • Mas e a preguiça?

  • É simples: você ficar deitada no sofá te ajuda como a atingir os teus objetivos?

  • De jeito nenhum…

  • Então tens que pensar na preguiça ou no quão bom será quando “chegar lá”?

  • É…

 

Todos já sentimos a sensação de preguiça. Sabemos como ela pode ser incapacitante em determinados momentos e gerar muito culpa depois assim como pode ser muito prazerosa em outros e gerar um bem-estar. O que faz com que uma ou outra ocorra?

A palavra “preguiça” tem dois significados distintos dentro de nossa cultura. Ela pode se referir a sensação que temos quando temos uma atividade para fazer e não nos sentimos dispostos para realizar esta atividade. Pode, também, fazer menção à um desejo de ficar deitado, descansando quando não há nada a fazer. Obviamente traçar a linha que distingue estes dois estados é, algumas vezes, um exercício metafísico, mas vamos tentar seguir alguns princípios.

O primeiro deles é que justamente o sentido. Há uma diferença entre a preguiça como um estado fisiológico de baixa energia ou até mesmo necessidade de sono (como depois de um almoço reforçado) e a preguiça mental onde o corpo possui energia e a mente está ágil, mas a pessoa simplesmente não quer fazer alguma coisa. Típico de quando um pai pede aos filhos ajudarem na louça e todos “estão com preguiça”, mas se no momento seguinte diz “então vamos passear no shopping e ver um filme”, por exemplo, todos pulam do sofá prontos para sair.

Seguindo esta primeira distinção é importante notar que a preguiça possui uma estrutura na qual aquilo que está sendo feito é muito mais prazeroso do que aquilo que deve ser feito ou então menos pior. Esta mesma frase já oferece mais um elemento da preguiça: a ação que temos preguiça de fazer “deve” ser feita e o dever na nossa cultura não é algo bem visto. Assim temos que a pessoa sente-se obrigada a fazer algo que irá trazer um futuro pior do que o presente.

Como resolver isso?

O primeiro ponto é trocar a palavra eu “tenho que”, “devo”, “preciso” por “quero”. Dizer, por exemplo, tenho que levantar cedo para ir à academia evoca uma emoção diferente de “eu quero acordar cedo para ir à academia”. O simples fato de modificar a estrutura do pensamento (não é só dizer a frase, é modificar a maneira de pensar no tema “ir à academia” e “levantar cedo” é um ajuste de percepção) já organiza a pessoa a buscar o motivo de ir à academia. “Porque quero acordar cedo para ir à academia”? Porque quero emagrecer, poque quero me sentir mais forte, melhorar a respiração… o motivo dá vida à ação e precisa ser mais forte do que aquilo que você está fazendo – no caso estar dormindo.

Isso fará com que o foco de afastar-se de algo bom seja modificado para aproximar-se de algo melhor ainda. Daí que tem algumas pessoas que não são preguiçosas e tem uma energia contagiante. Sua estratégia de motivação sempre lhes diz que estão saindo de algo bom para ir à algo ainda melhor, já pensou em como ficar pode ficar preguiçoso com isso em mente?

Sim. Existe uma maneira e, então, diga-se de passagem, a preguiça será algo maravilhoso para você. O momento em que você realmente não tem nada para fazer e o seu desejo é realmente tirar uma pestana e repousar. Adoro o exemplo de uma preguiça pós-almoço (que é a que mais gosto).

E aí, vai ficar de preguiça?

Abraço

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