Briguinhas
24/09/2012

– E daí ele já começou com aquele jeitão tosco dele…

– Sim, sim… e você, o que fez daí?

– Ah, o que eu posso fazer Akim? Fiquei lá e ouvi ele falar, daí depois peguei e dei uma nele também.

– Como assim?

– Eu lembrei de uma vez que eu também queria ir num lugar e ele não, falei isso para ele.

– Ah tá, entendi e aí?

– Aí ele se defendeu e ficou dizendo que era uma situação diferente

– E você?

– Eu falei que não tinha nada de diferente, que foi assim naquele dia e daí lembrei de mais umas situações e joguei na mesa também.

– E aí, ele retrucou puxando situações em que você também tinha agido assim não é?

– É, ele começou com isso e depois ficou falando do “meu jeito chato de ser”.

– Sei… e aí você falou do dele?

– Claro né? Não podia perder para ele…

– Perder? Como assim? Era uma guerra aquilo ali? Um tipo de julgamento?

– (risos) É, não era para ser, mas parece que sim…

William Uri começa o seu artigo com esta pergunta. Você já tentou responder essa pergunta?

Se tentou, pense de novo porque seu relacionamento está ficando complicado. A questão é uma pegadinha no sentido de que negociar não é competir. Se existe uma competição e algum dos dois sente que “ganhou” ou “perdeu” a coisa está começando a ficar complicada porque disputas irão ser criadas, comportamentos serão exigidos e tudo, no final, irá virar uma disputa pelo poder.

No exemplo acima, busquei ir compreendendo o padrão de comunicação do casal o qual possui um bem comum: limpando a lixeira. Este não é o nome técnico, mas é como eu chamo quando duas pessoas começam a remoer todas as “derrotas” que sofreram ao longo da relação e não fazem o mais importante: negociam a situação atual.

O que faz isso ocorrer? São vários os fatores, vou colocar aqui os que tenho visto mais vezes no consultório:

Expectativas. Este é de longe o mais comum e mais destruidor de todos. É muito simples de se entender também: consiste em um desejo que eu tenho sobre o outro e que este outro é incapaz de me dar. Em outras palavras: quero muito um conjugue que me elogie e incentive os meus projetos pessoais e daí escolho uma pessoa altamente crítica para me relacionar e que não consegue nem elogiar os seus próprios projetos. Passo, então, a cobrar e ficar brabo com esta pessoa quando ela faz o que ela SEMPRE FEZ. É como brigar com um cão porque queríamos que ele miasse.

Falta de decisão. Este outro fator é muito complicado. Quando você vai negociar algo tem que saber o que quer e quais os limites que você está disposto à ceder e quais são inegociáveis. O problema é que muitas pessoas quando estão negociando ficam brincando com as metas e dizem coisas “só para ver a reação dele (a)”. Porque isso é um problema? Simples: não se negocia assim o nome disso é manipulação, vou checando e confundindo o “alvo” até ele ser pego em alguma fraqueza, então ataco! Se você precisa atacar é porque seu relacionamento está baseado num sistema ganha-perde, cuidado, ele já é uma batalha.

Baixa habilidade em negociações. Decorrência do fator acima a baixa habilidade envolve pessoas que não sabem ser flexíveis, pessoas que não sabem se impôr – ficam com culpa quando o fazem – e ao invés de negociar situações e circunstâncias levam tudo para o lado pessoal e acham que qualquer negociação é uma afronta ao seu “eu”.

Esperança de ganhos futuros. Geralmente as pessoas cedem não porque estão, da fato, cedendo, mas porque esperam que isso vá lhes trazer benefícios no futuro. “Ah, mas eu fui no seu evento chato, agora você tem que vir no meu”; “Mas eu faço tudo o que você quer, porque você não faz o que eu quero?” Estabelecem uma dívida – não informada ao conjugue, porque ela é “óbvia” – toda vez que fazem uma concessão.

Estes são alguns dos pontos que trabalho com a maior parte dos clientes que tem problemas com “briguinhas” nas suas relações. Espero que tenha sido útil para você ter este conhecimento.

Abraço

Visite nosso site e veja o artigo de William Uri:

http://www.akimneto.com.br/index.php/artigos/detalhes/wiliam-ury-quem-esta-ganhando-seu-casamento

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