Pressão e desejo
10/04/2015

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  • Mas sabe… o estranho é que eu estou fazendo algo que eu gosto.

  • Entendo… você faz algo que gosta, mas não está gostando de fazer é isso?

  • É! Estranho né?

  • O que tem de estranho nisso?

  • Eu deveria gostar…o normal, sei lá, seria isso!

  • Sim… é comum a gente ter desilusões em relação ao que gostamos de fazer.

  • Sim eu sei disso, mas é algo mais… é quase um desânimo.

  • Sabe… quando a gente faz algo obrigado, mesmo aquilo que gostamos pode se tornar uma obrigação chata.

  • Hum…

  • Estou certo no meu palpite?

  • Sim… acho que sim… eu me cobro muito mesmo…

 

Existem dois tipos básicos de motivação: aquela que te direciona à algo e aquela que o afasta de algo. Estas duas maneiras não são certas e nem erradas, mas cada uma delas provoca um efeito diferente em nossa mente e emoções, compreender isso é fundamental para manter nossos sonhos e desejos ativos.

O desejo de ir em busca de algo reflete iniciativa e conquista. É o tipo de motivação que te impulsiona à construir, imaginar um futuro melhor do que o presente e gerar competência para criá-lo. Usar a motivação desta maneira gera interesse, curiosidade e resistência à frustração. Existe o cansaço porém, em geral, vem associado com uma sensação de conquista, é o famoso: “cansado mas feliz”. As pessoas que usam a motivação assim conseguem ver de maneira clara um progresso – mesmo que seja pequeno – em suas vidas.

Afastar-se de algo implica num desejo de não ir em direção à um determinado futuro. É a evitação de algo ruim no futuro, o desejo de manter o presente tal como está. O efeito é de ansiedade pelo fato de que o futuro é pior do que o presente e a busca é de manter o presente da mesma maneira. A pessoa assume uma postura mais defensiva e passiva no sentido de “esperar o futuro” e verificar se a situação não mudou. Tende-se a ser meticuloso e altamente irritável por precisar perceber cada pequeno detalhe e não permitir que ele mude.

Ambas formas de motivação são úteis dependendo da situação em que você se encontra. Compreender qual o melhor para você é muito importante. Algumas vezes é preciso e sábio tentar manter a situação do mesmo jeito porque o futuro pode, de fato, ser pior. E outras é melhor buscar criar o futuro ao invés de esperá-lo chegar. Se o que você deseja é algo diferente do que existe hoje, em geral a melhor saída é buscar construir o seu próprio futuro ao invés de tentar manter o presente. Por outro lado, se você deseja manter ou reforçar o “status quo” da sua vida pode ser melhor a evitação da mudança.

Ocorre que as pessoas fazem a escolha contrária, por exemplo: desejam ter novas competências e focam no erro. Algo muito comum, mas que mina a iniciativa, motivação e o desejo. Se desejo adquirir novas competências devo imaginar um futuro melhor do que tenho hoje e abrir-me para criar este futuro, o erro é parte do processo de aprendizado. Se foco no erro estou buscando mudar sem que nada mude, ou seja, adquirir uma nova competência sem a possibilidade de erro, o que é quase impossível no caso de aprendizagem.

Desta maneira embora estejam fazendo aquilo que desejam fazer estão, também contribuindo contra o seu processo. É como acelerar o carro com o freio de mão puxado. Faço aquilo que quero, estou construindo o meu futuro, porém mantenho o foco naquilo que está mudando e desejo manter o presente do mesmo jeito que está. Enquanto foco para manter o presente – não mudar – desejo a mudança. Dá para perceber o paradoxo assim como o problema que isso gera, é como fazer força para a esquerda e para a direita ao mesmo tempo. Não funciona bem. “Não funcionar bem” não significa que a pessoa não consegue ir adiante, porém o custo emocional é maior e muitas vezes gera um problema desnecessário de pressão e estresse.

E você: está indo do jeito “certo” na direção “certa”?

Abraço

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Assumir o sucesso
20/01/2014

-Pois Akim, finalmente as coisas estão acontecendo.

– Sim, é bom quando elas começam a se acontecer. Fico feliz por você!

– Estou numa maré de sorte!

– Sorte é?

– É né? As coisas acontecendo desse jeito!

– Bem, é sempre importante ter sorte, mas será que você não fez nada?!

– Ah, não sei…

– Bem, deixe te lembrar: em primeiro lugar passou a dar limites no seu trabalho, não foi?

– Foi.

– Depois redefiniu o que queria do trabalho e começou a se dedicar ao invés de ficar procrastinando e se sabotando

– É verdade…

– Depois disso, na área afetiva, finalmente se colocou de verdade mostrando e exigindo aquilo que julga importante.

– É…

– E me diz que não fez nada?!

– Pois é né?

– Acho que está mais do que na hora de você assumir isso para você!!

 

Martin Seligman, em seu livro “Otimismo aprendido” fala sobre a estrutura do pessimismo e do otimismo. Uma das características das pessoas pessimistas é que elas associam as coisas boas que acontecem na vida dela à terceiros ou à sorte e nunca à elas e seus esforços.

Sempre que a pessoa coloca o seu sucesso nas mãos do acaso, da sorte ou de terceiros ela está desprezando suas competências, está denegrindo a sua auto confiança. Assim sendo, obviamente, ela sente-se sempre com medo do sucesso, pois este pode ir embora logo, como diz o ditado: “vem fácil, vai fácil”.

É importante aprender a comemorar as escolhas que nos guiaram à bons resultados. Junto com isso aprender a assumir o que se fez e assumir o sucesso decorrente disso. Esta atitude é a que dá origem à sensação de auto confiança e segurança pessoal. É a percepção de que temos capacidade de atuar no mundo e ter os resultados que desejamos ter o que nos impulsiona a crer em nossas competências e na nossa atitude de assumi-las e não o contrário.

Sempre trabalho com meus clientes este importante tema. Faz parte de terapia perceber o que dá certo e como fazemos o que dá certo. Perceber isso e aprender a sentir confiança nisso fazem parte da construção de uma boa auto-estima.

Abraço

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Humilhação
30/10/2013

– Me senti humilhado…

– Imagino…

– O que eu faço?

– O que você já fez com isso?

– Na hora não consegui fazer muita coisa, continuei como se nada tivesse acontecido.

– E agora, o que está fazendo?

– Nada.

– Então continua agindo como se nada tivesse acontecido?

– Parece que sim né?

– Pois é… mas se você agir assim, como vai se dizer que algo aconteceu?

– Acho que daí não me digo né?

– Não… o que você quer fazer com o que viveu?

– Quero aprender…

– O que?

– A não passar por aquilo novamente

– Não dá para dizer se você vai ou não passar por situação semelhante, não tem como prever, mas quem sabe não viver aí dentro aquilo novamente?

– É, acho que tem razão… eu até estava começando a me culpar hoje, mesmo sabendo que eu não tenho culpa nenhuma!

– Pois é… quando a gente finge de forma verdadeira a mentira vira verdade!

– Quero aprender a me defender daquilo e se tiver que passar por isso de novo que eu aja diferente! Chega de ser humilhado e ficar quieto, vou tomar atitudes!

– Perfeito!

Sentir-se humilhado e colocar-se no papel de humilhado são duas coisas muito diferentes.

Ser humilhado por alguém é estar em uma situação a qual ou na qual a dignidade da pessoa é atacada de forma cruel e sem possibilidade de defesa. É importante destacar isso, porque muitas vezes a “humilhação” é simplesmente uma falta de competência da pessoa em se defender, porém quando a possibilidade de defesa é negada por coerção a pessoa está sendo, de fato, humilhada.

Colocar-se no papel de humilhado, por outro lado, é algo muito mais sutil e que tem a ver com a capacidade da pessoa de compreender o que está acontecendo com ela, suas possibilidades de ação no contexto, a atitude e competência em tomar estas ações, com sua habilidade em manter sua integridade e com a sua auto imagem.

Os judeus nos campos de concentração são um exemplo rico para trabalhar com esta questão. Obviamente as condições nas quais eles estavam e o contexto eram não apenas de humilhação, mas de degradação da própria condição humana. Eram escravos ou pior. Muitos judeus, no entanto, não perderam a sua dignidade, mesmo em meio à toda esta desgraça, como pode?

A maior parte das pessoas que não deterioraram a sua auto estima trabalharam com os elementos que citei acima:

Compreender o que está acontecendo com ela: a pessoa coloca-se em contato com a realidade, sabe o que está acontecendo e dá a dimensão real para o que lhe acontece.

Perceber as possibilidades de ação no contexto: muitos judeus dizem que escaparam da degradação moral com o pensamento de que aquilo tudo iria terminar e quando isso acontecesse eles iriam reconstruir suas vidas. A possibilidade deles no contexto era apenas esta sonhar e manter a esperança, não culparam-se pelo que lhes aconteceu, apenas seguiam da forma que era possível (real).

Manter a integridade e a auto imagem: uma terapeuta viveu nos campos de concentração e disse que quando pegavam o seu sangue para fazer experiências ela se dizia: podem pegar, sou contra a guerra então o meu sangue vai atrapalhar vocês”. Esta forma de encarar a situação mantinha a integridade dela mesmo no meio de todo aquele caos.

A parte fundamental é a seguinte: existe uma parte da humilhação que é provocada pela própria pessoa que “é humilhada” quando ela aceita a humilhação e se coloca no papel de “ser” humilhado. Quando a sua auto imagem se transforma na imagem de um ser que pode sofrer este tipo de ação, ela não irá mais manter seus sonhos, esperanças, não vai perceber a realidade de uma forma clara, não irá se colocar no contexto de forma adequada e irá se colocar de forma à receber a humilhação.

O contra-exemplo é um que vejo muito em consultório. Dentro dos padrões de nossa sociedade um homem branco na faixa dos 35 anos com um bom emprego não é um alvo fácil de humilhação, porém na realidade vejo muitos homens com esta descrição com uma auto estima frágil que os coloca como alvos fáceis – deles mesmo – de se colocarem em papel de “passivo de humilhação”.

Para sairmos da humilhação é importante termos a coragem de seguir nosso coração. Isso significa termos nossos critérios e nossa auto imagem bem definidos para que mesmo que nos encontremos numa situação humilhante podermos sair de “cabeça erguida”.

Abraço

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Vaidade
18/09/2013

– Aí eu fui lá e postei né?
– Sim.
– Depois eu fui com um amigo meu dar uma volta no parque e esqueci o telefone em casa, quando cheguei fui ver quantos tinham curtido
– E aí?
– Tragédia né? Cara… ninguém deu um likezinho sequer!!
– Ah é? E aí?
– Ah, daí tirei aquela porcaria de lá!
– Ah é? Hum… e porque isso?
– Simples: se ninguém quer ver, porque coloco isso lá?
– Porque, de fato? Porque você posta o que posta?
– Porque você está me perguntando desse jeito?
– Você sabe porque, não sabe?
– Hum… tem a ver com minha auto-estima?
– O que você acha? Pare e pense: eu tiro as coisas do MEU facebook porque os outros não dão like it. Fico pensando o dia que você tiver uma casa como será feita a decoração dela…
– Tá… é verdade… entendi… Porra, mas porque é tão difícil para mim isso?
– Qual o problema em não receber as curtidas?
– Sei lá, parecia uma falha minha entende?
– Entendo, mas é, de fato uma falha? Uma falha no que?
– Porque daí eu não sou olhado com desejo e eu acho que eu… preciso disso sabe?
– Sei, mas quem é que precisa se desejar?
– Eu sei, sou eu não é?

“Fazer algo que eu não quero, para mostrar para pessoas com quem eu não me importo que sou uma pessoa que eu não sou”.
A frase forte parece fazer total sentido hoje em dia, mas porque a vaidade tem se tornado tão forte?

Nossa sociedade tornou o indivíduo o ponto mais importante da sua cultura, tudo gira em torno do indivíduo: suas opções de vida, seus afetos, suas compras, sua auto-imagem. O ponto benéfico disso foi que deu-se valor à pessoa, aos desejos individuais, aprendemos a ter liberdade para agir conforme desejamos. O que vemos, no entanto, é que isso está valorizado de uma forma desproporcional, ao ponto em que inverte-se o quadro que existia antigamente: se antes tínhamos a sociedade em primeiro lugar e o indivíduo em segundo, temos hoje o individual em primeiro e o social em segundo e isso abre espaço para a vaidade tal como está hoje.

Ocorre que a imagem do indivíduo torna-se muito mais importante do que realmente é. Portanto a vaidade torna-se uma arma e uma “necessidade” social. Aparecer – e aparecer dentro do que se considera aparecer “bem” – torna-se algo vital para as pessoas. As redes sociais são exemplo disso quando as pessoas dão ou tiram valor de suas próprias atividades mediante à quantidade de “like it” (“curtir”) que suas postagens possuem. Como no caso acima: “vou parar com isso porque não recebi likes”. A imagem projetada e “curtida” torna-se mais importante do que a experiência interna da pessoa, ou pior: apenas torna-se adequada mediante aos “curtir” recebidos. Paradoxalmente isso faz com que o excesso de individualismo nos traga uma versão repaginada e atualizada da importância que o social possuía anos atrás.

O que fazer com a vaidade?

Vamos entender que a vaidade é a forma pela qual a pessoa lida com a imagem que possui. A quantidade de atenção e a qualidade de atenção dedicada à auto-imagem, ao que aparece e que não aparece desta auto-imagem. Apenas isso, sem julgamentos morais.
Entendida desta forma precisamos checar inicialmente qual o foco da auto-imagem: interno ou externo. Ou seja, a preocupação da pessoa é com o que ela deseja ver ou com o que os outros desejam ver? Este primeiro ponto é importante para entendermos a direção com a qual a pessoa filtra quem ela é.
Um segundo ponto importante é: qual o objetivo da minha auto-imagem? Emocionalmente falando sempre mostramos facetas de quem somos de maneira à gerar um resultado. Mesmo que isso seja feito de forma inconsciente ainda assim é muito poderoso. Aí então entra a pergunta para refletirmos se desejamos alcançar uma percepção mais limpa e adequada de nós mesmos, mostrando quem somos para nos relacionarmos melhor ou se nossa preocupação está em sempre mostrar alguém perfeito e sem defeitos para ser amado por todos o tempo todo.

Estas duas perguntas são um “start” para você aprender a se posicionar em relação à sua auto-imagem: interna ou externa? “Sincera” ou buscando aprovação? Estes dois elementos são fundamentais para saber se você precisa trabalhar com a sua vaidade e auto-imagem. Quando a balança pende demais para o externo e busca de aprovação é importante checar a sua auto-estima porque, provavelmente ela está precisando de ajuda.

Abraço
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Educando pais
19/09/2012

– Pois então Akim, fiz o que combinamos e está dando muito certo sabe?

– Ah, é, que beleza, me conte mais sobre isso

– Então, eu comecei a tratar meus pais de forma diferente, comecei mesmo a ensinar para eles que eu estou ficando adulto.

– Perfeito, e como você fez isso?

– Esta semana comecei com duas coisas: consegui não explodir com eles quando eles me criticavam ou quando me davam um corte, sentei e conversei com eles “adultamente” sobre o que estava acontecendo.

– Opa, olhe que maravilha! E o que mais?

– Então, junto com isso eu comecei a falar sobre os meus planos para o futuro, foi bem legal, eles deram algumas dicas para mim e me perguntaram bastante coisa.

– Olhe só hein? Show de bola!

– Pois é, estou me sentindo bem mais adulto com isso (risos)

– Eu imagino.

Tornar-se um adulto é um processo. O adulto é aquele que é responsável por suas decisões e pelas conseqüências destas. Muitas vezes este processo é turbulento tanto para pais quanto para filhos. E porque não seria? Afinal de contas existem uns 15, 20 anos de hábitos enraizados que, de uma hora para outra, precisam mudar.

Daí que o “adultecer” deve ser aprendido tanto por pais, quanto por filhos. Com os jovens tenho trabalho no sentido de “educarem os pais” de que eles estão se tornando adultos. Como educar? A partir da mudança de comportamento, atitude, valores do jovem. Geralmente o que ocorre é o que o jovem quer que o seu jeito seja aceito de uma forma impositiva: “vocês tem que me aceitar”! Não que isso seja errado, no entanto, não é uma forma que funciona em sociedade. A pessoa precisa, então, aprender a ser responsável – primeira tarefa do adultecer – que neste caso significa aprender formas de encarar a situação para conquistar o que se deseja: o respeito. Além disso o processo envolve aceitar a família como ela é e reconhecer que – muitas vezes – o que existem são, simplesmente diferenças entre o novo adulto e os pais e que negociar um meio termo até que o novo adulto possa se manter sozinho faz toda a diferença – isso, obviamente, envolve ouvir, negociar, entender o lado da outra pessoa se colocar no lugar dela, habilidades tão necessárias no mundo de hoje.

Estes dois processos são básicos, existem outros obviamente, mas estes tem sido os que mais tem ajudado os meus clientes a adultecer de forma saudável. Aguardo ansioso por comentários sobre outros temas importantes!

Abraço

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P.S: no próximo sairá a segunda parte: o trabalho dos pais.

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