A importância da flexibilidade
17/07/2015

Flexibilidade

– Mas Akim, o que você quer dizer?

– Que você está muito rígido, não consegue flexibilizar o comportamento.

– Quer que eu não faça nada, é isso? Deixe ela montar em mim!

– Não, nada a ver com isso.

– Então o que?

– Simples: de que outras maneiras você pode ser atendido no que é importante para você?

– Como assim?

– Você quer que ela seja “companheira”, ok, mas ela deixou claro que estar o tempo todo disponível à você não é uma opção. De que outra maneira você pode senti-la como companheira que não essa?

 

A flexibilidade é uma característica importante para nossas vidas, mas compreender o que de fato é ser flexível é igualmente importante para que não se cometam erros de comportamento que prejudicam a vida ao invés de ajudá-la.

A primeira coisa que ser flexível não é, é ficar “engolindo sapo”. Em geral quando dizemos à alguém: “seja flexível”, a réplica vem à galope: “você quer que eu fique quieto frente à isso?” ou “não quer que eu faça nada?”. Este tipo de atitude vem de uma falta de compreensão sobre o que é flexibilidade e confunde flexibilidade com falta de atitude. Bem, flexibilidade é tudo, menos falta de atitude. Muito pelo contrário, para se ter esta característica é importante estar muito bem fundamentado em suas crenças e prioridades.

Em geral, o que ocorre é que as pessoas encontram uma forma de atender suas necessidades e desejos e se fincam nesta maneira como a única possível de obterem o que querem. Início do desastre. Porque? Porque ou elas levam sorte ou terão uma vida muito pouco rica. Em geral pessoas que são muito rígidas nas suas maneiras de atingir seus objetivos são mais infelizes e brigam muito com os outros por causa desta rigidez. Elas, também, não adquirem um auto conhecimento bom o suficiente para saber de que outras maneiras podem se satisfazer.

Flexibilidade é a habilidade que lhe permite ter vários comportamentos para atingir o mesmo fim. Ter flexibilidade, portanto, significa saber muito bem o que se quer. Saber o que é importante naquilo que se quer e entender quais são as maneiras possíveis de atingir este fim. A pessoa, para desenvolver a flexibilidade precisa ser criativa e ter foco firme (ou seja, longe da ideia de ser fraca ou não saber o que deseja). O foco é onde ela precisa chegar, a criatividade é o que a faz ter vários meios para atingir isso.

O primeiro passo é conhecer muito profundamente aquilo que queremos. As pessoas, em geral, tem noções vagas do que querem e do que é importante para elas nisso. Por exemplo: dizemos que queremos pessoas companheiras. Porém “companheira” se dá de que forma? Para que isso é, realmente importante? Uma coisa é uma pessoa que vá com você fazer compras, outra é uma pessoa que compartilhe suas emoções. Estes dois comportamentos bem distantes podem ser sinônimos de “companheira” e é muito óbvio imaginar que estes dois estilos de companheira atendem necessidades muito específicas.

O caso acima, por exemplo, traz uma pessoa que desejava disponibilidade integral além de exclusividade como sinônimos de “companheira”. Fácil perceber que eram critérios difíceis de serem atendidos. Porém, indo afundo percebemos que estes dois elementos eram uma forma de dizer que ele queria ser reconhecido por quem era. Ora, isso é mais fácil que disponibilidade integral, porém, de que maneiras perceber que ele poderia ser reconhecido? Começamos a compreender que ele poderia ter uma pessoa que soubesse elogiar e validar positivamente seus comportamentos em casa – onde ele era mais sensível – como fazer café e arrumar a cama.

Assim sendo passamos de uma pessoas que precisava ser o tempo todo disponível e gostar “apenas” dele para uma pessoa que soubesse elogiar seus movimentos. Isso é ser flexível. Além disso, ele expandiu seu repertório e começou a perceber que poderia ser elogiado no trabalho e em situações sociais, quando passou a dar valor à estas experiências a própria necessidade de recebe-las diminuiu e ele compreendeu que ele mesmo poderia se elogiar e, com isso, aprendeu a se dar valor. Isso é flexibilidade!

E você: rígido ou flexível?

Abraço

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Vítima ou vilão?
13/03/2015

gato-de-botas

  • Mas e porque eu deveria fazer diferente?

  • Não estou dizendo que você deve, apenas que poderia. Se fizesse, o que teria de bom para você?

  • Não sei… afinal de contas foi ele quem errou comigo.

  • Não tiro a sua razão, mas talvez esperar emburrado que isso vá mudar não seja uma resposta útil para você.

  • É… pode ser…

  • A não ser que você esteja querendo se vitimizar.

  • Droga… imaginei que poderia estar fazendo isso novamente.

  • Sim. Vamos gerar competência ao invés de culpabilizar seu amigo?

  • Verdade…

Muitas pessoas encenam em suas vidas o papel de vítima. A cultura judaico-cristã influencia este comportamento ao valorizar o papel dos mártires. Porém o preço que se paga ao tornar-se uma vítima é muito grande.

A vítima é aquela pessoa que não pode se defender e sofre uma agressão por causa disso. Assumir o papel de vítima é comportar-se como uma pessoa que “não fez nada de errado” e que está sofrendo punições e agressões das quais não consegue ou não pode desvincilhar-se. Este papel é funcional em muitas famílias que adotam o sistema da vítima – carrasco ou da vítima – salvador como padrões de relacionamento.

No primeiro caso tem-se uma vítima e um carrasco, ou seja, aquela pessoa que irá ferir a vítima, que lhe causará dano. Já no segundo caso temos aquele que vem salvar a pessoa e dar-lhe um lugar de valor na vida. Em ambos o papel da vítima precisa ser mantido para que a relação exista.

A pessoa que assume o papel da vítima sofre o dano, é engrandecida por isto, tendo um lugar na relação, porém, mantém-se, para sempre incompetente. E este é o custo do papel de vítima. Se a pessoa assume a identidade de uma vítima ela não pode defender-se e nem mesmo agredir ou se salvar, isso a tira do papel de vítima cujo único comportamento aceitável é sobreviver aos perjúrios que sofre e contar a sua história mais tarde – para que um salvador venha ajudá-la.

Assumir a responsabilidade é o que tira a vítima do seu papel. Ser responsável significa criar respostas para os problemas que se tem e para aquilo que se almeja realizar. Assim o responsável é aquele que tem respostas e/ou as busca. Ao fazer este movimento a pessoa se retira de si a incompetência inerente à vítima e passa a agir em sua própria defesa. Defender-se e agir de maneira à buscar as respostas para as suas demandas é a ação contrária da vítima.

É importante perceber que isso de que se fala é a sensação interior. A pessoa pode estar sendo vitimada, mas não se identifica com o papel. Assim, mesmo em uma situação em que ela “é vítima”, não se coloca como tal. Ela pode inclusive compreender que foi vitimada, porém, psicológica e emocionalmente não se identifica à esse papel. Saber fazer essa não-identificação é fundamental para que a pessoa aprenda com os problemas que surgem em sua vida.

 

Bloqueios
06/09/2013

– Mas é difícil isso para mim.

– Você quer dizer que é difícil para você dizer que é bom em algo que é bom?

– Sim, parece estranho, mas é isso sim.

– Ok, sem problemas. me diga: o que aconteceria se você conseguisse fazer isso?

– (pensativo) Acho que eu iria ter muitas brigas.

– Ah é? Com quem e por qual razão?

– Acho que com minha família principalmente, agora porque eu não sei dizer ao certo… parece que… é como se eu fosse traí-los.

– E como uma competência pode ser uma traição?

– Não sei… acho que porque se eu acreditasse mesmo eu teria ido morar em outra cidade para estudar melhor o assunto sabe?

– Hum… então você está traindo ou saindo de perto?

– Para a minha família dá no mesmo.

– Entendo, e se você pudesse ir para outra cidade sem problemas com eles, será que você continuaria escondendo esta qualidade de você?

– Acho que não… na verdade, não mesmo!

 

Muita pessoas dizem: tenho um bloqueio nesta ou naquela área, mas o que isso significa e o que fazer com isso?

 

Um ponto para começar é diferenciar três frases: “não consigo”, “não posso” e “não quero”.

“Não consigo” é algo que usamos para nos referirmos à falta de competência. Quando a pessoa diz “não consigo” ela está querendo mostrar que ela não sabe como fazer alguma coisa, que a competência dela, naquela área é restrita e que, por isso, ela não consegue. É algo como “não consigo nadar”, “não consigo dar limites”.

“Não posso” é algo a ver com permissão. A pessoa, por algum motivo não tem a permissão para executar algo, para aprender algo, para pensar ou sentir algum pensamento ou emoção. Neste caso estamos focando nos valores e crenças, na censura e na permissão que a pessoa tem é um tema que envolve a flexibilidade moral da pessoa.

“Não quero” tem a ver com o desejo. Portanto, se a pessoa diz não quero ela não possui um bloqueio, ela está apenas fazendo uma escolha. Aí trabalhamos com a aceitação e validação do desejo de não fazer algo, diferenciando “não querer” de ter um bloqueio.

 

Obviamente “não consigo” e “não posso” podem estar correlacionados, por exemplo: “não consigo falar sobre o que não sei porque acho que isso não é certo”; ou seja, a pessoa não consegue, não tem a competência e considera esta falta de competência algo ético – mesmo que ela soubesse não o faria. Um outro exemplo é o do cliente acima: “ele tem boas capacidades intelectuais e gostaria de trabalhar muito mais com elas fazendo um mestrado em outra cidade, porém ele não se permite, pois ao fazer isso entraria em conflito com sua família; neste caso temos uma pessoa que consegue realizar algo, mas não se permite.

Distinguir estas duas frases é importante para que compreendamos com mais precisão aonde está o “bloqueio” da pessoa: em ter competência, em uma questão moral ou numa relação entre as duas. Assim podemos definir “bloqueio” como “algo que nos impede de fazer ou perceber outra coisa”, esta “outra coisa” pode ser consciente ou não assim como o “algo que nos impede”. Definindo se o problema é “não consigo” ou “não posso” ou uma mistura entre os dois conseguimos saber o que fazer com o tal “bloqueio”.

 

Ocorre que se o problema for “não consigo” teremos que trabalhar com a competência da pessoa, ajudá-la a desenvolver recursos, comportamentos, atitudes mentais para conseguir executar algo. Aqui vale lembrar sempre das metas, das razões pelas quais a pessoas deseja conseguir e o que “conseguir” aquilo significa para a pessoa.

Se a questão for “não posso” teremos que ajudar a pessoa a se permitir realizar o que quer. Teremos que trabalhar com seus valores, crenças e ajudar a flexibilizar suas perspectivas para que ela tenha uma permissão interna de realizar o que deseja. Aqui trabalhamos também com conflitos familiares e competências interpessoais que muitas vezes são a verdadeira causa do “não posso”: dizer não para pais, dar limites em amigos ou conjugues e até mesmo em filhos faz parte de aprender a lidar com o “não posso”. Outras vezes estamos falando simplesmente de uma flexibilização moral: tem pessoas que se sobram em demasia nos campos éticos da vida e acabam assumindo responsabilidades que não são suas.

Outras vezes trabalhamos com os dois lados ajudando a pessoa a permitir-se e a saber como se faz alguma coisa. Parece óbvio que por não se permitir a pessoa não saiba como se faz, uma vez que nunca fez antes. Assim sendo o processo torna-se mais comprido e – ao mesmo tempo – mais enriquecedor – porque a pessoa aprende duas coisa de uma só vez.

 

E você: não pode ou não consegue? Liberte-se!

 

Abraço

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Confiar em si
24/10/2012

– Eu não sei se consigo nem mesmo viver direito!

– Entendi. Me diga uma coisa: o que você sabe fazer bem?

– NADA!

– Hum, me parece que você consegue sem problemas falar não é mesmo?

– Ã? Como assim?

– Falar, você está falando comigo agora não está?

– Sim…

– Falar, andar, ver horário, chegar no horário…

– Sim… sim… mas tipo… não é disso que eu estou falando.

– E do que você está falando?

– Estou falando de vencer na vida entendeu? De conseguir chegar lá!

– Claro, mas “chegar lá” – seja onde for – requer pequenos comportamentos não é mesmo? Sem eles ninguém “chega lá”.

– Hum…

– Na sua profissão, por exemplo, falar é fundamental e você faz isso muito bem.

– Tá, entendi… se eu não conseguir valorizar os pequenos passos…

– Exato.

As pessoas falam muito sobre auto-confiança, mas não percebem como ela é simples.

A auto-confiança tem a ver com valorizarmos as nossas competências de acordo com critérios pessoais, por exemplo: Me sinto confiante em fazer uma macarronada. Porque? Porque sei como fazer, tenho as competências necessárias. Já para pilotar um avião eu não me sinto confiante, não sei como se faz.

Quais as armadilhas que impedem as pessoas a constituírem uma boa auto-confiança?

1. Critérios muito perfeccionistas:

“Eu não posso errar”. Este é um destruidor-nato de auto-confiança pois quem nunca pode errar e comete um pequeno erro não se   acha competente, portanto, não vai sentir confiança em relação ao que errou, no entanto errar faz parte, não é o erro que define uma incompetência.

2. Critérios muito amplos:

“Ainda não cheguei lá”. As pessoas tem metas de vida e é preciso checar cada pequena parte das mates. Se você já fez as fundações da casa, por exemplo, ainda não está com a casa pronta, mas já deu um passo importante. Quando a pessoa avalia apenas a meta final e de forma ampla é muito difícil sentir-se confiante, se ela, por outro lado, dividir a meta em pequenos passos e checar cada um deles será diferente. Inclusive ajudará a identificar os pontos que ela precisa crescer e desenvolver.

3. Falta de aceitação:

Muitos de nós sabem que fazem coisas boas, apenas não reconhecem. Por timidez ou vergonha não se permitem dizer (se): “faço isso bem”. Quem não aceita isso não permite que essa competência “exista” em sua mente e o que não existe não pode ser valorizado, logo a auto-confiança não se cria.

Aceite suas qualidades, pense nos pequenos processos e crie critérios de avaliação de acordo com suas necessidades.

E se eu não souber nada, como faço para me manter auto-confiante?

Simples: todo ser humano aprende, logo você e todo o ser humano tem a competência para, numa situação totalmente desconhecida manter uma percepção aberta ao aprendizado e conseguir entender o que precisa fazer e então, fazer!

Abraço

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