Raiva do terapeuta
29/07/2015

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  • Então é isso!

  • É isso?… Bem, vamos tomar um café e ir embora então? Porque estamos no começo da sessão (risos).

  • Ah é! (risos)… eu não tenho mais nada que eu queira falar sabe?

  • Sim… mas tem algo que você está sentindo… isso posso dizer.

  • Tem… mas não quero falar disso agora.

  • Se eu palpitar certo você fala?

  • Falo…

  • Vou falar assim: não tem problema isso que você está sentindo em relação à mim, pode sentir e pode falar o que você quiser… eu aguento, não vou te julgar por sentir isso, vou ajudar você com esta emoção.

(Silêncio)

  • Eu tô com raiva de você! É isso! Pronto, falei!

  • Ótimo! Me conte o que aconteceu?!

  • É que eu to com raiva porque você fica falando de mim… e me elogia… e me incomoda isso!

  • Eu imagino… que bom que você pode falar da tua raiva, de que maneira falar de ti ou eu te elogiar é agressivo?

  • Eu não sei o que você quer com isso! Porque você me elogia?

  • Quando vejo que uma pessoa tem uma atitude digna de ser elogiada eu o faço.

  • Mas eu tô fazendo algo assim!?

  • Sim, vez ou outra você faz e então elogio o seu comportamento.

  • E você faz isso com todo mundo?

  • Sim, aqui no consultório e na minha vida pessoal também. Não faço bajulação, apenas elogio.

  • Entendi…

  • Que tal trabalharmos melhor com esta raiva e essa dificuldade de falar de si e de ser elogiada?

  • Acho bom.

  • Eu também…

 

A raiva é uma emoção que tem a ver com a sensação de impotência e ameaça. Junte estes dois elementos e terá a raiva. Para que ela serve? Para mobilizar força e foco para lutar ou fugir. A raiva, em si, não é boa ou má, o que fazemos com ela pode se tornar útil ou improdutivo para nós.

Na terapia muitas emoções surgem naquilo que chamamos de “relação terapêutica”. É comum sentir amor, raiva, cumplicidade, amizade, ternura e nojo do seu próprio terapeuta. Todas as emoções que vivemos com outros humanos podemos reproduzir na relação com o nosso terapeuta, pelo simples fato de ele ser, também – e incrivelmente, apenas um humano.

Quando a  emoção da raiva aparece na relação terapêutica é importante que a pessoa consiga comunicar isso. A raiva pode se manifestar por vários motivos, um deles, inclusive significa que a terapia está dando certo. Porque? Porque muitas vezes o processo terapêutico mexe em nossas feridas e incompetências, nossas deficiências – sim você, eu e todo ser humano possui alguma em algum nível. Essa percepção pode ser consciente ou inconsciente, ou seja a pessoa pode estar consciente de que está sentindo raiva ou não, mas ela está lá.

Frente à percepção disso é um mecanismo de defesa comum a projeção de culpa. Assim a pessoa pode ficar braba com seu terapeuta por que na relação com ele, ela descobriu incompetências suas que ela própria não gosta de lidar. Se a raiva não é manifesta é comum que a pessoa termine por abandonar o tratamento porque irá sentir-se mal durante as sessões ou pode até mesmo sentir-se exposta ou até mesmo cobrada pelo terapeuta.

Esta maneira de responder provavelmente é a mesma que ela usa em sua vida diária com todas as pessoas ou uma reação específica ao terapeuta em quem ela deposita muita confiança. Neste último caso a pessoa pode sentir-se “traída” pelo terapeuta ao sentir que ele percebeu suas deficiências ou até mesmo sentir-se ameaçada pelo fato de ele pode descartá-la pelo fato de não ser “perfeita”. A raiva na terapia é sempre um bom sinal porque nos ajuda a perceber onde temos que trabalhar. Assim, explorar a raiva deverá sempre ser um motivo de aprendizado para a pessoa assim como para o terapeuta. Aprenda a falar sobre sua raiva para compreendê-la. A relação com o terapeuta e com a terapia só tem a ganhar quando a pessoa abre suas emoções.

Com raiva?  Explore-a! Aprenda! Transforme-se!

Abraço

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Intimidade e poder
03/07/2015

Couple Relaxing in Bed --- Image by © Laura Doss/CORBIS

  • Mas eu estou insatisfeito.

  • Sim, percebo, agora, porque não abrir isso para a sua esposa?

  • Não dá…

  • Porque não?

  • Porque depois ela usa isso contra mim. Vai ficar me enchendo o saco por causa disso!

  • Entendo… Então é melhor manter o controle do que se abrir?

  • Algo assim.

  • Que relação estranha não?

  • É… pensando assim… parece uma briga né?

  • Parece

Num post anterior falei sobre a intimidade como a habilidade de tornar familiar algo entre duas ou mais pessoas. Pensando num casal, a intimidade traz consigo vários benefícios, pois, com ela, a  sensação de empatia, pertencimento e entrega aumentam. Junto com isso tem-se maior facilidade para negociar os aspectos do dia a dia assim como confiança naquilo que o parceiro é capaz ou não de fazer.

Na intimidade descobre-se os novos rumos do casal e pode-se discutir com mais eficiência a relação quando isso é necessário pois a quantidade de informações disponíveis sobre o outro é maior. Conhecer mais o outro e permitir-se ser conhecido é algo que aumenta o desejo pela criação do novo, então ao invés de diminuir, o mistério aumenta. Porém este aumento de mistério é algo que atrai pelo fato de existir um porto seguro entre os dois.

Porém a criação de intimidade vem com o preço da diminuição da briga pelo poder. Toda pessoa ao entrar em uma relação possui alguns medo e desejos. Ao longo da relação começam a ficar evidentes alguns medo que podem acontecer e alguns desejos que não serão realizados. Assim começa a briga pelo poder. A maneira de uma pessoa buscar garantir que seus desejos serão satisfeitos é através do poder que exerce sobre o outro.

Porém o poder termina com a intimidade. Um dos pontos do poder é o segredo, ou seja, a retenção de informações sobre eu mesmo afim de poder manipular o outro ou de não permitir ao outro ciência sobre o que me aflige. Uma vez que há disputa pelo poder não existe o desejo de “tornar familiar”, mas sim o desejo de conquistar e reter, manter, dominar o outro para que a relação se torne aquilo que eu desejo. O desejo pelo poder na relação acaba com o desejo de entrega e isso faz com que a intimidade desapareça.

O efeito mais interessante, entretanto, é que na briga pelo poder muitas vezes os casais realizam seus piores medos através dos comportamentos que assumem. Ou seja, quanto mais lutam contra o parceiro para que seus medos não se concretizem, mais se comportam de uma maneira que influencia a pessoa a se comportar da maneira que eles não querem e temem. A briga pelo poder não constrói as condições para a reflexão sincera e, por esta razão, não faz com que ambos cheguem a entendimentos sobre si e sobre a relação que é o que pode, de fato, fazer com que se crie uma relação em prol do que a pessoa quer e não uma que evite o que ela não quer.

Assim, ao invés de negar medos é interessante revelar medos. Mais interessante ainda é revelar aquilo que se deseja da relação com um foco positivo: o que eu espero de fato. Isso é o que “cura” o medo. Se a pessoa tem medo de segredos, por exemplo, deve buscar construir uma relação com foco na sinceridade e transparência e saber como lidar com estes aspectos.

Ser íntimo é mais do que saber fatos sobre a pessoa. É ter a habilidade e a relação na qual existe espaço e desejo de ouvir e ser ouvido, compartilhar informações, emoções, vivências e desejos sabendo que eles serão respeitados e incluídos na relação. É ter um sentimento de aceitação de si e do outro ao invés de medo daquilo que vem do outro. E é uma delícia.

Abraço

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Controle e amor
06/05/2015

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  • Eu amo ela!

  • Eu sei. Não estou descrente disso.

  • Então…

  • O que estou questionando é o tipo de resultado que a sua forma de amar atinge.

  • Como assim?

  • Você mesmo me disse que é a terceira mulher com que você tem relação que acaba do mesmo jeito.

  • Sim!

  • Elas te dizem: “estamos sufocadas, não conseguimos viver com você assim”.

  • Então… elas não entendem o meu jeito de amar.

  • Eu acho que elas entendem sim, quem parece não entender é você mesmo.

  • O que eu não entendo?

  • O que ela dizem: você sufoca!

  • Então eu devia deixar elas mais soltas?! É isso?

  • Pode ser um começo não acha?

  • (Silêncio)

  • Como você se sentiria em deixar elas “soltas”, algo como não ligar para elas quatro vezes ao dia como você diz que faz.

  • Mas como eu fico sem saber como elas estão? O que fizeram?

  • Boa pergunta!

 

Na história do amor – ou daquilo que chamamos de amor – muitas vezes temos o embate entre o amor e o medo, o ciúme e o controle. O grande problema destes embates é que todos os seus antagonistas são como o deus asgardiano Loki: eles vem camuflados de amor, quando suas pretensões são, na verdade outras.

O que torna a confusão possível? O fato da pessoa que “ama” de fato sentir um apreço e valorizar o outro. Assim suas iniciativas possuem uma tônica de afeto, mesmo que construído em bases diversas. A base é o fundamento, como se percebe a base? Em primeiro lugar checando onde a pessoa quer chegar com os seus comportamentos e o que ocorre se esta finalidade não se cumprir.

É muito comum que as pessoas digam “faço porque amo”. No entanto, esquecem-se de que existem diversas maneiras de “amar” e que cada uma delas provoca resultados bem distintos para as pessoas envolvidas assim como para a relação. Refletindo sobre isso, podemos pensar no caso citado acima, onde um dos comportamentos era de ligar quatro vezes ao dia todos os dias para “saber da pessoa”. Ora, “importar-se” é aceito culturalmente como um comportamento ligado ao ato de amar e importante para um bom relacionamento. Porém, o tornava este “importar-se” um comportamento que “sufocava” as pessoas?

Podemos perceber que existe uma frequência rígida do comportamento: quatro ligações diárias, todos os dias. A intenção declarada era de “saber como as pessoas estavam”. Porém quando pergunta-se o que acontece se ele não faz as ligações, temos a indagação “como que eu fico sem saber?”. Existe, aqui, uma grande diferença entre uma coisa e outra. O comportamento visa, na verdade, algo que ele quer para si: informações sobre o que elas estavam ou não fazendo. A real intenção do comportamento e criar um roteiro diário delas para que ele possa controlar as ações que elas tem. Quando não fazia isso ou quando elas não atendiam as ligações a emoção resultante era de ansiedade e angústia.

Desta maneira o ato de “se importar” tornava-se o ato de “controlar”. Através de uma atitude à princípio carinhosa a pessoa organizava uma lista das coisas que o outro estava fazendo e mentalmente estruturava uma rotina. As ligações passavam a ser um “follow up” desta rotina mentalmente criada. Qualquer comportamento fora da linha seria uma afronta.

O que motiva este tipo de comportamento? Inúmeros fatores podem ser “a causa”. Muito embora não gosto de usar esta expressão. Prefiro entender isso como uma dinâmica que a pessoa usa ao invés de pensar em termos de causa-efeito. Existem vários fatores que contribuem para que este tipo de dinâmica ocorra: baixa auto-estima, ter tido relações na infância com os pais de muitas brigas e hostilidades que tornam a pessoa insegura em relação ao afeto, não saber dar limites, ter limites muito rígidos, falta de maturidade emocional e muito medo em relações.

Todos estes componentes organizam diversas dinâmicas cujo objetivo fundamental é de “prender” o outro. O apego, capacidade de estar vinculado à alguém, é confundido com estar preso à alguém. Esta “prisão” não é clara, mas sim obscura. Ela se mostra na tentativa de minar qualquer comportamento que mantenha a pessoa livre, solta e espontânea. Sensação, esta última, que é sempre um motivo de medo quando a pessoa não sabe ser assim ou não sabe como lidar com a espontaneidade do outro. Por esta razão, busca controlar.

Espero que o artigo tenha ajudado você a compreender melhor quando o “amor” tem “agendas secundárias”.

Abraço

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Renúncia
29/04/2015

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  • Sabe o que é? Tô de saco cheio de ficar fazendo tudo o que ela quer!

  • Entendo isso.

  • Então o que eu faço? Tô achando que deveria terminar com ela!

  • Esta é uma opção…

  • Qual a outra?

  • Compreender o que te faz estar tão chateado com “ficar fazendo tudo o que ela quer”.

  • Como assim?

  • Bem, você não faz tudo-o-que-ela-quer-o-tempo-todo-sem-nunca-ter-um-tempo-ou-escolha-própria faz?

  • Não, não é bem assim…

  • Pois é… então você está de saco cheio do que?

  • De me sentir obrigado à fazer as coisas que ela quer.

  • É uma obrigação ou é uma escolha?

  • É… pensando desse jeito…

  • E se você escolhe, o que motiva você à fazer isso?

  • Pois é… aí que tá! Não sei sabe? Sempre vi meu pai meio que cachorrinho da minha mãe…

  • E?

  • Sei lá… tenho medo de ficar do mesmo jeito sabe?

  • Sim, sei sim.

  • Mas será que ser parceiro de sua mulher o torna um “cachorrinho” dela?

  • Não deveria ser…

  • Que tal pensar o que te faz um cachorrinho e o que te faz parceiro para você poder saber a diferença?

  • Uma boa…

 

Toda relação implica renúncia. Embora isso possa ser um choque numa cultura que acredita que devemos fazer apenas aquilo que desejamos fazer a renúncia se mostra fundamental para a possibilidade de convívio.

Por este motivo boa parte da população confunde a ideia de parceria com a ideia de se subjugar ao outro. Nada mais esperado numa sociedade que briga o tempo todo pelo poder e que não possui uma “filosofia” adequada em relação à este tema nas relações conjugais. Uma das maneiras que as pessoas tem de lidar com esta situação é criar uma lista mental de vezes em que um ou outro cederam e tentar “equilibrar a balança”. “Eu cedi aqui, agora ele cede ali” é o pensamento que norteia esta resolução.

Uma outra solução é a famosa briga pelo poder onde o casal através das mais variadas técnicas luta para hierarquizar a relação e definir quem manda. Neste caso um adendo super importante é que nem sempre o mais “frágil” é quem é submisso. A aparência frágil não afasta a capacidade de manipulação e, como a terapia sistêmica nos mostra, é muito comum vermos num casal que a parte “fraca” da relação (e quando digo “parte fraca” me refiro tanto ao homem quanto à mulher visto que isso não é uma questão apenas de gênero) manipula e torna a vida do outro um inferno de ruminações.

A terceira solução mais comum é o distanciamento frio quando se percebe que existe uma impossibilidade de negociação. Os dois lados assumem o outro como uma pessoa mesquinha e inflexível e começam a se afastar de maneira a não colocar mais seus desejos na relação. A distância implica na possibilidade de uma convivência sem intimidade o que pode culminar numa separação ou em atos de traição de ambos os lados.

A renúncia não implica em ter que lutar para “estar por cima”, nem em quitar dívidas de renúncia e nem em distanciar-se. O ato implica confiança e intimidade. Confiança e intimidade asseguram que as necessidades e desejos de um lado e de outro estão na mesa e são respeitados por ambos. Quando isso ocorre é possível abir mão de algo não porque se sabe que mais tarde o dividendo será cobrado, mas sim porque se respeita o desejo do outro e sabe-se que o seu próprio desejo é, também, respeitado.

Esta dupla: confiança e intimidade asseguram a segurança de se entregar ao desejo do outro sabedor de que isso significa investir na própria relação que também respeita os seus próprios desejos. É como se ao renunciar à algo que se deseja estivesse ao mesmo tempo investindo em algo que também se deseja. Por este motivo não existem hierarquias: ambos os lados saem ganhando, por esta mesma razão não há lutas pelo poder. E, finalmente, não existem dívidas porque a renúncia é, de forma sublimada, um ganho.

E você, brigando para saber “quem manda” ou buscando respeitar e ser respeitado?

Abraço

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Aceitação e admiração
27/03/2015

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  • Estou com medo.

  • Medo de que?

  • Ah, de que ele vai me deixar sabe?

  • E porque isso iria acontecer?

  • Ah… sei lá…

  • “Sei lá”?

  • É que tipo… não tenho mais conseguido dar para ele a atenção que eu dava sabe?

  • Sei

  • E daí… tipo… isso era o meu diferencial sabe?

  • Ah sim… tipo margarina com alto teor de atenção?

  • Ai Akim…

  • Você está se colocando dessa forma… me diga: o que ele está achando da sua “falta de atenção”?

  • Não sei…

  • Não perguntou e nem sequer conversou com ele sobre isso né?

  • Não…

  • Então você bem sabe: são tuas fantasias dizendo que você vai perdê-lo… que tal confrontar isso e ver o que ele realmente pensa?

  • Ai… é difícil… mas eu sei que eu tenho que fazer mesmo…

 

Muitas pessoas dizem que desejam ser aceitas por seus grupos, parceiros ou família. Existe, contudo, uma diferença entre aceitação e admiração, assim como aos valores que atribuímos à essas duas características.

Aceitar tem a ver com dar o valor de existências. Em outras palavras quando se aceita algo ou alguém dá-se à pessoa ou a característica a noção de que ela existe. É comum dizer: “eu aceito o seu jeito de ser”, queremos dizer, com isso, que sabemos da existência de um determinado jeito de agir. Aceitar não implica gostar ou desejar, também não implica em concordância com aquilo que se aceita. É possível dizer que aceitamos determinada característica e não concordamos com ela, algo que dizemos, por exemplo, assim: “eu sei que você gosta de música alta (aceitação), mas eu não consigo estudar com música alta”.

A aceitação é, também, a base da auto estima. Aceitar as características que percebemos em nós mesmos é o que nos fornece a matéria-prima para formarmos nosso caráter e as nossa maneira de reagir ao mundo. Não aceitar significa negar a existência. Quando percebemos algo em nós e dizemos “não”, negamos a existência de algo que está ali. A característica não desaparece por isso, mas mantém-se afastada da nossa consciência de maneira que nada podemos fazer com ela a não sermos “vítimas” de sua influência.

Admirar tem uma outra conotação. A admiração pressupõe a aceitação, ou seja perceber que uma determinada característica existe, e empresta àquilo que se percebe um valor. A admiração não é pessoal, ela se restringe à características da pessoa. Por incrível que pareça não admiramos “alguém”, mas sim as competências que percebemos nesse alguém. Mesmo quando dizemos “admiro você enquanto pessoa” é porque admiramos a maneira pela qual determinada pessoa age no campo pessoal.

A admiração não implica em gostar da pessoa que admiramos, ela também não implica um valor moral. Aquilo que se admira não é “bom” ou “mal”, é apenas admirável. Assim é possível admirarmos uma competência de um inimigo. Também não implica em concordância com a competência, é possível admirar a competência de uma pessoa com artes marciais e ser contra a violência, por exemplo. A admiração, no entanto, traz consigo um lugar de destaque à pessoa que detém a competência, ela se torna uma referência para aquilo.

Neste sentido é que admirar se diferencia novamente de aceitar. Aceitação não implica em valorização, admiração sim. O que ocorre com muitas pessoas é uma confusão entre a valorização adquirida através de uma determinada competência em um grupo e o desejo de ser amado e aceito. O raciocínio é  de que ao ser admirado – pela sua competência – a pessoa será amada – pelo que é, pelo seu “ser”. Este raciocínio é enganoso justamente pelo fato de que a admiração não visa o “eu”, mas sim o comportamento e a competência da pessoa.

É óbvio afirmar que é possível que ambos ocorram, ou seja, é possível amar e admirar a mesma pessoa. Porém o problema é quando se imagina que a admiração é necessária para se conseguir um lugar na relação. Torna-se um problema porque como a admiração possui um valor a pessoa passa a brigar e pode sentir-se insegura em relação à sua competência o que compromete a sua segurança na relação.

Se acredito que sou amado e tenho o meu lugar pelo meu intelecto, por exemplo, posso sentir qualquer pessoa que detenha um conhecimento que eu não tenho como um rival. Também posso sentir-me usado pelo fato de entender que a pessoa “só me ama pelo que sei”. Esta confusão se dá por confundir admiração e aceitação. Confundir uma competência da sua pessoa com a sua pessoa.

Você é mais do que apenas o que sabe fazer.

Abraço

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Informações perigosas
11/02/2015

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  • E ele fez Akim! Ele sabia que eu ia ficar braba com ele!

  • Como ele sabia?

  • Ah… tem que saber essas coisas né?

  • Hum… não me parece que ele deve ter que adivinhar que você tem uma rixa antiga com a sua prima.

  • Mas Akim… eu ajo diferente com ela! Será que ele não percebeu?

  • Talvez o contexto da festa tenha ajudado ele a não perceber não é?

  • Você quer me dizer que eu tinha que ter dito à ele que não gosto da minha prima?

  • Claro. Porque não?

  • Porque… Ah… sei lá, ele tem que perceber essas coisas… isso é parceria. Ele foi muito sacana comigo.

  • Em geral ser gentil com parentes do seu conjugue é um sinal de respeito e não de “sacanagem”, como ele não tinha a informação de que você tinha uma rixa com sua prima, como ele poderia saber que isso seria um desrespeito?

  • Ele não tinha que saber?

  • Só se ele tiver uma bola de cristal. Agora, qual o seu problema em falar?

 

“Porque eu tenho que dizer para ele(a)?” Ouvi muitas vezes essa pergunta no consultório e já a fiz algumas vezes na minha própria vida pessoal. Este post é para esta pergunta que sei que muitos leitores também devem fazer.

Nossa cultura tem como ideal de um relacionamento o amor romântico, porém este “romântico” já foi deturpado ao longo dos anos e transformado em um depósito sem fim de expectativas irrealistas. A expectativa da “leitura mental” é uma das mais comuns. Ela pressupõe que o conjugue tem o “dever” de saber como você está se sentindo e como está pensando. Obviamente, uma armadilha visto que até hoje não se conseguiu quebrar o que chamamos de “privacidade do mental”.

Isto em geral é confundido com a experiência de empatia em que duas pessoas sentem-se muito próximas e conseguem “saber” o que o outro está pensando. Ledo engano, neste tipo de experiência não se tem acesso ao mental do outro, o que ocorre é que o casal experimenta uma empatia muito forte de modo que a imitação do comportamento se torna tão sinérgica que ambos sentem a mesma coisa, porém essa sensação é produzida individualmente. Em termos chulos é como se eu comesse um morango junto com outra pessoa e dissesse: você está sentindo algo ácido e adocicado em sua boca?

Quando percebemos esta falácia é que entendemos que aquilo que sentimos, desejamos e percebemos deve ser comunicado caso desejemos que o outro saiba como se portar com nós. A falta da informação resulta de que o outro não pode ser culpabilizado pelos seus atos. Se, por exemplo, você percebe que alguém está um pouco mal e pergunta para a pessoa se ela quer ajuda e ela diz que não, ela está assumindo a responsabilidade por isso. Caso ela piore não poderá culpabilizar você pelo fato de não ter ficado próximo à ela. A escolha de ficar ou não é influenciada pela informação de estar ou não mal e desejar que o outro esteja por perto.

Em geral, o que fazemos? Ao invés de ser claro em nossos desejos e expectativas agimos como se nada estivesse acontecendo apenas para depôr contra o outro quando ele “pisar na bola” – visto que como ele não sabia que iria fazer isso, não pode ser responsabilizado por isso. Isso é um sinal, inclusive, de baixa auto estima: não se perceber merecedor de colocar de maneira clara aquilo que deseja e precisa, enfim, de impôr limites.

Auto estima envolve o cuidado consigo. Dizer “não” ao outro, demonstrar suas necessidades e feridas afim de organizar de solicitar cuidado é um sinal de que você percebe que pode e deve ser cuidado além de cuidar-se. É como se você soubesse que pode falar porque você sente que merece a atenção e cuidado dos outros. Sabe que o outro lhe tem apreço e afeto e, por esta razão, deve ser informado sobre como proceder com você e, assim, que souber, irá realizar o comportamento de maneira adequada ao invés de feri-lo. Sem a informação o outro pode até escolher algo que machuque a pessoa, porém não pode ser responsabilizado, ele pode pedir desculpas caso seja uma pessoa muito empática, porém não culpa.

Você fala sobre o que te machuca ou fica esperando os outros te machucarem para se afastar deles depois?

Abraço

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Coisas pequenas
06/02/2015

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  • Eu não aguento mais Akim!

  • O que?

  • A minha namorada que fica sempre colocando a droga da toalha em cima da cama.

  • Hum… problemático não?

  • Sim!!

  • Como você se sente quando ela faz isso?

  • Negligenciado é a palavra!

  • Entendo. Como se as suas necessidades não fossem atendidas?

  • Nem sequer percebidas.

  • Isso ocorre apenas nesta situação ou em outras também?

  • Em outras pensando bem…

  • Mas com esta que você se permite demonstrar a raiva.

  • Sim. Eu odeio a toalha… para mim é o cúmulo.

  • Sim, o cúmulo. Então aqui você estoura e deixa as outras situações passarem.

  • É… parece meio bobo?

  • Sim e não… como você deu à toalha um valor enorme e aos outros um valor pequeno você está agindo de acordo com que tem como valores.

  • Mas… sei lá… a toalha é ruim…

  • Mas?

  • Mas tem coisa mais complicada que isso…

  • Eu também acho… que tal reavaliar isso e aprender a agir de uma maneira diferente?

  • Eu acho uma boa… sabe que… de repente eu não vou ficar mais tão puto com a toalha…

  • Concordo.

 

Comportamentos dificilmente são apenas comportamentos. Nada está fora de contexto, portanto cada comportamento que temos assume um significado próprio. Cada um de nós dá aos comportamentos um significado e cada relação também dá ao comportamento algum significado e é aí que começam os desentendimentos.

Cada pessoa pode ter um valor específico para um determinado comportamento, porém dentro da relação esse comportamento não é apenas “de um ou de outro” ele tem um significado específico para aquelas pessoas envolvidas naquela relação. Um exemplo simples, beijar na boca como um gesto de cumprimentar alguém. O brasileiro entende que beijo na boca não é um comportamento para cumprimentar, porém os russos entendem que sim. Como meu pai é russo, aprendi que um homem beijar outro na boca é válido como um sinal de “oi”. No entanto, quando estou nos meus relacionamentos com amigos não os beijo na boca para dar “oi” porque para eles este comportamento tem outro significado.

O que dizer, então dos milhares de comportamento que vivemos em nossas relações cotidianas? Desde acordar e dar um beijo de oi no conjugue, jogar toalhas molhadas em cima da cama, divisão de tarefas, lidar com finanças, criar filhos, pagar a conta, abrir a porta do carro, frequência sexual, enfim, muitos e muitos comportamentos que possuem, cada um, um significado próprio para cada um do casal e dentro da própria relação.

As relações são jogos e esses jogos conseguem atribuir um valor específico à um dado comportamento. É muito comum que as pessoas vivenciem uma relação na qual um dado comportamento incomoda muito, e o mesmo comportamento em outra não incomoda nada, passa até desapercebido. Isso é por causa da força do jogo que se estabelece entre as duas pessoas.

Quando um comportamento passa a incomodar é importante se perguntar o que ele significa para você e o que esse comportamento pode estar significando para a relação. Apreender o significado do comportamento é fundamental. O significado dá o valor do comportamento, assim o fato de como a pessoa aperta a pasta de dentes pode significar falta de cuidado para com o outro. Quando se apreende o significado do comportamento pode-se modificar a maneira de ver este comportamento e até mesmo de dar um novo valor à ele (a pasta de dente realmente mostra afeto?)

Além de fazer um trabalho pessoal, muitas vezes é importante verificar o que o outro acha sobre o comportamento. Não é incomum que uma pessoa dê muita atenção à um determinado comportamento e o conjugue nenhum. Assim criam-se problemas imensos através de coisas “pequenas”, porque o problema não é a coisa em si, mas o valor que ela assume.

E você, dando muito valor para coisas pequenas?

Abraço

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Quem não te conhece…
04/02/2015

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  • Nossa Akim, foi um saco a saída.

  • Sério? Porque?

  • Ah… a menina quis ir numa festa lá para ficar a noite toda dançando.

  • E daí?

  • Daí que eu não curto dançar, você sabe.

  • Sei… esse foi o problema?

  • Não só… tipo eu tive que ficar lá falando com os amigos dela e tal.

  • E?

  • Eu não gosto disso… você sabe que eu sou meio anti social.

  • Entendo… bem, me parece que é importante você dizer isso para ela.

  • Porque?

  • Porque é quem você é. A opção é ficar fingindo que você gosta de fazer isso.

  • Putz… mais essa!

 

Talvez um dos pontos mais importantes e menos discutidos sobre relacionamentos seja o dos defeitos. Hoje venho trazer ao leitor à reflexão: o que fazer com os seus defeitos?

Um trabalho que tenho desenvolvido vem na linha de aprender a deixar claro à pessoa com que você se relaciona os seus defeitos assim como a maneira de lidar com eles. Em outras palavras – mais assustadoras talvez – dizer claramente para o outro quais os seus defeitos e problemas.

Isso não deve ser feito numa alegação de vitimização “ó… eu sou assim, mas me compreenda, eu sofri quando criança” e nem em uma situação que espera ganhar poder através disso “eu te avisei que sou assim, agora me aguente”. Deve ser feito compreendendo que um problema é um problema e que é importante o outro saber disso para administrar melhor a relação com você, porém a responsabilidade sobre o problema continua sua.

A atitude é mais ou menos assim “eu tenho este problema, sei que sou difícil e você tem a liberdade de me avisar quando estiver sendo assim. Algumas vezes vou escutar e em outras, quando eu não conseguir me conter, prometo que vou sair de perto para me acalmar e depois a gente conversa, é um limite meu.” Isso garante que o outro não se torna responsável pelo seu defeito e, ao mesmo tempo, compartilha dele na convivência com você. Ao mostrar como lidar com o problema você assegura a sua responsabilidade frente ao seu problema.

O grande problema para isso ocorrer é que ninguém que assumir e muito menos falar abertamente sobre os seus defeitos. E o problema com isso é: não dá para esconder os nossos defeitos, mais cedo ou mais tarde, em um ou outro tipo de situações eles sempre se mostram. A ideia de falar abertamente – e cedo – sobre eles é deixar claro para a pessoa se ela topa conviver com estes defeitos. Num outro post escrevi sobre esta necessidade do mundo atual: falar sobre os defeitos da relação.

Nossa obsessão com a satisfação é o que faz com que criemos expectativas irrealistas sobre nós, os outros e as relações humanas. Não quero dizer, com isso, que você deve viver numa relação ruim para você, mas sim que todas as relações possuem problemas. John Gottman um estudioso de relacionamentos humanos em seu livro “Os 7 princípios para o casamento dar certo” afirma  que existem problemas que não são solucionáveis num casamento, ou seja, serão problemas que vão acompanhar o casal para sempre e ainda afirma que a ideia de que um casamento bom é aquele no qual as pessoas resolveram todos os seus conflitos e seguem sem nenhum problema é  falsa. Assim sendo a afirmação do problema e a negociação para viver com o problema e em harmonia é a chave para um casamento realmente satisfatório e não a completa exclusão de problemas.

Porque viver numa relação com problemas você pode ser perguntar. Em primeiro lugar porque o mundo não está aqui para satisfazer as nossas necessidades. Em segundo lugar porque viver a vida é aprender a lidar com problemas e não a não viver com eles, problemas nos fazem crescer. E em terceiro lugar, porque não? Afinal se relações tem problemas a vida também os tem!

E ai, quando você vai marcar aquela conversa sincera com o seu conjugue?

Abraço

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Relacionamentos quebrados?
28/01/2015

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  • Eu não sei mais o que fazer!

  • Sei… como é isso para você?

  • Esta situação? Horrível!!

  • Não, o fato de você saber que não sabe o que fazer.

  • Hum… não sei ao certo… é ruim…

  • Como você lida com esta sensação?

  • Ah… sei lá… acho que não lido… penso que a culpa é dela mesmo…

  • Entendo… e se você parasse de culpabilizar e tentasse buscar uma forma de reagir ao problema?

  • Não posso mudá-la!

  • Eu sei, não disse que você vai mudá-la, disse uma forma de reagir ao problema. Em lidar com ele!

-Hum… não sei… acho que eu teria que pensar sobre como agir…

  • Me parece mais saudável e para você?

  • Não sei… tenho que tentar…

 

Sobre verificar quais os defeitos com os quais você sabe lidar em uma relação numa questão de competência pessoal e não de o outro tem que ser o que eu quero.

 

Quais os defeitos das pessoas com os quais você sabe lidar?

Pergunta interessante? É muito peculiar perceber que sabemos que todos nós temos defeitos, porém, que não pensamos à respeito de como reagimos aos “defeitos” dos outros. Em geral, tendemos a fazer uma lista de quantos defeitos a pessoa tem e se ficar grande excluímos a pessoa de nossas vidas. Seria isso “humano”?

Entendo que é difícil lidar com alguns problemas de vez em quando, porém, também sei que existem pessoas que são absurdamente “curtas” de “jogo de cintura” e terminam por excluir de suas vidas pessoas não porque elas são “chatas”, mas pelo fato de que não sabem lidar com elas. Em suma o que estou querendo dizer é que muitas vezes o problema não é o defeito do outro, mas sim a falta de competência da pessoa em lidar com pessoas.

Quando esta perspectiva vai para os relacionamentos afetivos conjugais a pergunta é: “quais os defeitos que você sabe lidar e deseja lidar com um conjugue”? Como assim Akim, você está me pedindo para escolher os defeitos do meu futuro conjugue? Sim. Escolhemos as virtudes, porque não os defeitos também? Ou você realmente acha que irá conseguir achar alguém sem eles?

Quando digo escolher os defeitos, no entanto, a perspectiva recai sobre nós, ou seja, sobre a nossa capacidade de lidar com problemas. Existem aqueles que sabemos como lidar e aqueles que não sabemos. Assim é importante você, ao escolher alguém, estar ciente dos limites que você tem em relação à como lidar com os possíveis problemas que o outro tenha na sua relação.

Como lidar com chatisse? Com ciúmes? Com dependência? Enfim, com vários outros problemas? Como você lida com eles? Você sabe, por exemplo, manter a calma e puxar a situação para um clima de conversa sincera ou parte para cima e cria ainda mais confusão? Você sabe dar limites adequados e ter mão firme quando isso é necessário? Sabe “esfriar a cabeça”? Todas essas competências são necessárias para lidar com conflitos e se você não sabe fazer isso, quando os defeitos aparecerem você não vai saber lidar com eles e, aí estragar uma relação que poderia ser muito boa.

Para fechar, há uma poetisa que me esqueço o nome que disse certa vez que viver não é a arte de viver sem problemas e sim com eles. Quanto mais rico em respostas uma pessoa é, menos ela tem problemas com os problemas dos outros. Assim, fica a pergunta: quanto você sabe lidar com problemas?

Abraço

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Relações de coração
26/01/2015

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  • Estou com vergonha.

  • Do que?

  • Bem… eu acabei indo na festa do meu namorado.

  • Ah… aquela “perda de tempo” de semana passada?

  • É.

  • E porque está com vergonha?

  • Porque foi bom!

  • E porque envergonhar-se disso?

  • Bem… é que eu fui muito chata e hipócrita com ele.

  • Ah, bem, disso sim sentir vergonha… mas uma boa vergonha… de aprendizado não?

  • É… verdade… ele tem muito à me ensinar.

 

Há um pensador que diz que quando entramos em uma discussão verdadeiramente, não sabemos como ela terminará. Eu acho que esta frase fala muito sobre as relações de hoje. Porque?

Vivemos num momento em que as relações – assim como as pessoas – parecem existir apenas para satisfazer aquelas ideias pré concebidas que temos à respeito do mundo, de nós e da própria vida. Criamos um “como deve ser” em nossa mente e temos entendido que o resto da criação deve atender à esta criação. Ledo engano.

Se uma pessoa faz isso, a outra também o faz e aí o que ocorre? Em meu consultório o que vejo são brigas intermináveis porque nenhum dos lados sabe como lidar com a frustração e muito menos com o “outro” enquanto ser humano. Porém além disso nenhum dos dois sabe lidar com a relação de uma maneira não-comercial, ou seja, de uma maneira humana.

Ocorre que quando dois seres se juntam eles se misturam de uma certa maneira, a relação é algo vivo que acaba por transformar os envolvidos, porém essa transformação só ocorre quando é permitida. Em geral não se permite pois esta permissão é vista como algo negativo, as pessoas não tem desejado alguém que as toque e mexa com elas, mas sim alguém que, simplesmente, atenda aos seus desejos e impulsos.

Quando o outro deixa de ser um produto para satisfazer os meus desejos de “como as coisas devem ser”, passo a reconhecer como ele é, o que pensa, sonha e deseja, aprender a lidar com ele, aceitar as características e, principalmente, redefinir aquilo que penso que uma relação é. Ela deixa de ser um simples acordo de satisfação mútua de desejos e passa a ser um processo de desenvolvimento pessoal e de transformação onde a individualidade de um me afeta, me muda e eu a minha própria faz o mesmo.

Isso é o que ocorre em terapia. A relação terapêutica é a base do processo e ver o outro como um ser e ajudar este outro a me compreender como um ser faz com que a intimidade possa ocorrer e, com ela, uma verdadeira relação – no sentido latino da palavra “religare” que significa ligar de novo. Ligar o que? Eu ao meu próprio processo de crescimento através da relação com um outro ser que, como eu também está no seu desenvolvimento.

E você, muito incomodado porque o outro é diferente? Que tal viver esta diferença e se transformar?

Abraço

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