O outro e a mudança
15/08/2012

– E então eu entendi que ele queria isso de mim sabe?

– Sei e você, o que fez?

– Ah Akim, não sei ao certo. Fico pensando nisso de me adaptar aos desejos dele sabe?

– Sim, como é isso para você?

– Ah, é complicado sabe? Não quero ficar mudando toda a minha rotina por causa dele, não quero me adaptar à ele o tempo todo.

– Entendo, mas me diga: é isso que está sendo exigido de você?

– Como assim?

– Ele está querendo que você mude o tempo todo se adaptando à todos os desejos dele?

– É, tipo, não é bem isso, mas é que eu fico com medo de que seja sabe?

– Sei sim, me diga: como se comportar frente aos desejos dele de uma forma que seja boa para ele e para você?

– Hum… não sei

– Então vamos pensar um pouco…

– (pensando) Hum, talvez se eu pensar se o que ele quer é bom para mim ou ruim para mim e decidir a partir disso?

– Como se você estivesse avaliando: se eu fizer essa mudança, estarei mantendo minha integridade ou estarei perdendo-a?

– Isso, bem isso.

– Me parece uma boa estratégia para usar, que te parece de usar ao longo de umas duas semanas e me contar o resultado?

– Ótimo, vou fazer.

Quando o tema é uma cobrança de mudança de comportamento exigida pelo relacionamento geralmente as pessoas ficam em dois extremos: ou não mudam nada, nunca, por ninguém ou mudam tudo o tempo todo. Ambos os casos são forçados e envolvem uma falta de compromisso com a relação, ambos nunca negociam o primeiro o faz nunca dando espaço para as necessidades do parceiro (limite excessivo), o segundo nunca dando espaço para as suas necessidades (falta de limites).

Mudar “pelo outro” é algo que deve ser avaliado com critério. Qual critério? O da manutenção da sua integridade. A mudança em si, o comportamento à ser mudado ou adquirido é o que menos importa nesse momento. De fato o que importa é se essa mudança estará violando você. O mais irônico é que podemos falhar com a nossa integridade mesmo sem a cobrança de mudança do nosso parceiro: podemos fazer uma escolha que vai contra os nossos princípios e valores e, com isso, estaremos quebrando a nossa integridade. Coloco esse fato para a reflexão de que não é a escolha do comportamento o que é mais importante, mas sim se este está de acordo com seus valores, princípios e desejos.

Reflita: se eu fizer essa mudança estarei me mantendo “ético” comigo mesmo? Estarei mantendo minha integridade, meus valores e princípios?

Se a resposta for “sim”, isso significa que a mudança não vale a pena. Tente negociar ou então aprenda a dizer o “não” mostrando que você não tem nada contra o desejo do outro, mas que essa mudança – para você – não é “ecológica”.
Se a resposta for “não” significa que a mudança não lhe afetará enquanto pessoa, se esse for o caso, porque não mudar? Adote uma atitude curiosa em relação à mudança que está sendo exigida e procure aprender com ela.

Abraço

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