Aceitação
08/09/2014

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  • Mas e daí? O que você está me dizendo é que não importa se meu pai me quer ou não?

  • Na verdade sim. Porém não é se ele “te quer”, mas sim se ele “te aceita”.

  • E qual a diferença?

  • Bem, aceitar é uma coisa, querer é outra. A primeira tem a ver com percepção e a segunda, com o desejo.

  • Hum… mas e daí, se ele não me aceitar, então, o que eu tenho que fazer?

  • Isso: fazer sozinho. Ele não vai ser o único a não aceitar características suas sabe?

  • Como assim?

  • Você vai viver isso várias vezes na vida: não ter características suas aceitas.

  • Hum… é complicado isso.

  • É meio chatinho mesmo… porém libertador.

  • Porque?

  • Já que você sabe que será não aceito… o que tem que fazer?

  • Me aceitar sozinho né?

  • Pois é… este é o primeiro passo… sempre!

 

 

Um dos temas fundamentais em terapia é a aceitação. Aceitar é dar valor de existência à algo que existe em nós, seja este “algo” um comportamento, uma emoção, um desejo ou um pensamento.

Em geral o tema se apresenta no pedido de que o outro me aceite: “queria que meus pais me aceitassem” ou “quero ser aceito pelas pessoas”. Então as pessoas passam a relatar todo o trabalho que tem para alcançar este fim: agradam os outros, são gentis com os outros, engolem sapos pelos outros e não conseguem a tal aceitação.

O problema central desta estratégia é que “fazer pelos outros” não é algo que garante aceitação. Quando faço algo por alguém posso estar garantindo que eu gosto de fazer coisas por aquela pessoa, mas isso não tem nada a ver com ela aceitar minhas características (a não ser, esta de fazer pelos outros). A frustração e decepção são sempre enormes, porém infundadas visto que a estratégia escolhida não alcança a meta proposta.

A questão é que para algo poder receber o valor de existência, precisa, primeiro, ser demonstrado. Se eu não mostro minha tristeza, por exemplo, como poderão aceitar que eu estou triste? Se não mostro minhas qualidades, como podem aceitá-las? No entanto, para fazer isso é necessário que eu mesmo aceite aquilo que existe dentro de eu mesmo. Assim sendo a tal da “auto aceitação” é o fundamento da aceitação do outro. O mais interessante é que, quando eu aceito aquilo que há em mim não existe mais necessidade do outro aceitar. Esse é, inclusive, o referencial que eu uso para compreender que a aceitação realmente ocorreu.

A não aceitação das nossas características pelos outros torna-se, a partir daí, um problema para o outro e não mais para nós mesmos. É aquela situação em que a pessoa lhe diz que não gosta daquilo que você faz e você diz que sabe disso e entende. Você “aceita” a percepção de negação do outro, embora não precise concordar com ela. Isto faz com que as relações cresçam em qualidade porque começa a “obrigar” o outro a buscar a aceitação. Quando uma das partes não se aceita e precisa da aceitação do outro ela está pedindo para existir e ninguém pode fazer isso por ninguém.

Aceitação envolve percepção de seu comportamento, de seus pensamentos, de seus desejos e emoções. Ninguém pode fazer isso por você, podem até apontar, porém você precisará focar a sua atenção no que os outros apontam. A aceitação muitas vezes se torna difícil por causa da auto imagem que temos de nós mesmos. Muitas vezes aquela imagem que temos de nós fica tão forte que não conseguimos ver o que “realmente” há por debaixo dela, ou o que mais há junto com ela. Aquilo que “sai da regra” é colocado de lado.

Aceitar-se, por outro lado, pode ser duro para a auto imagem. E esta é outra habilidade que a pessoa deve conseguir ter: aprender a suportar as suas incoerências internas. Esse trabalho requer maturidade para ver aquilo que não considero “eu” como parte de mim e dar valor de existência à isso. Requer sabedoria para conseguir integrar esta nova porção recém-descoberta de si à sua auto imagem expandindo-a, mudando-a. E se isso tudo se somar à noção de que poderemos ser nós mesmos enquanto incorporamos elementos que não reconhecemos como “eu” estaremos indo numa direção de muita riqueza pessoal.

Abraço

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Diferenças
17/03/2014

Talvez um dos pontos mais nevrálgicos no desenvolvimento humano seja a aceitação das diferenças. Muito embora seja óbvio que somos seres diferentes, a aceitação deste fato implica em algo que preferimos não pensar ou sequer dizer: a aceitação do perigo. Porque perigo? Toda a diferença traz consigo um perigo, pois tudo o que é diferente de mim não é eu e, sendo assim, não controlo.

Esta falta de controle sobre o que é o outro – e, principalmente, o que ele pode fazer – é o perigo que vem associado à ideia de diferença. O diferente tem valores, morais e comportamentos distintos do meu e, assim sendo, oferecem um risco permanente. Não vou jogar contra esta ideia neste post, vou aceitá-la.

Ao aceitar, no entanto, deixo em aberto o problema: o que fazer com o perigo?

O “perigo”, em primeiro lugar, se trata trabalhando a noção de “controle” x “conhecimento”. O ser humano não controla  as forças da natureza, ele as conhece e, uma vez fazendo isso, aprende formas de lidar com elas. Saber a época certa de plantar, por exemplo, não é controle da natureza, mas sim conhecimento sobre ela. Controle, de fato, seria fazer as plantas nascerem quando queremos do jeito que queremos é a imposição da vontade sobre a coisa.

No que tange aos humanos e seus relacionamentos o conhecimento do outro é fundamental. Aprender quem é o outro ao invés de querer controlá-lo é a grande saída e o “antídoto” contra o “perigo” da diferença. Ao conhecer e se interessar pelo diferente podemos compreender e perceber com mais clareza como podemos nos relacionar com ele. É como quando os filhos se tornam adolescentes: é uma nova vida, o adolescente é muito diferente da criança e os pais precisam conhecer quem é esta nova pessoa que está ali na sua frente.

Aprender isso é aprender a “dançar” com as mudanças das pessoas. Aprender a aceitar o momento de cada um e refletir sobre como aquele momento pode se envolver – se é que pode – com o restante do grupo. Adaptar o indivíduo ao grupo e o grupo ao indivíduo é como uma dança de roda em que cada um vem com o seu ritmo próprio ao mesmo tempo em que acompanha o ritmo do outro. As mudanças tanto do grupo quanto de cada um precisam ser processadas pelo grupo e pelas pessoas para que a dança continue. Outras vezes, porém, é importante perceber que a dança não vai mais ser possível visto que as mudanças são muito grandes. Novas negociações são necessárias.

Ao invés de julgar a diferença, porque não conhecer mais sobre a diferença? Deixo a pergunta!

Abraço

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Dar o melhor
11/11/2013

– Mas esta semana eu larguei tudo.

– Sério? Uau, fiquei impressionado agora, você estava tão empolgada.

– Pois é, mas é que neste final de semana acabei saindo várias vezes e to meio que gripada porque peguei sereno e tal.

– Entendi

– E junto com isso tem a semana de provas que começou, então não consegui tempo para fazer o que eu precisava.

– Sei, mas assim o que foi largar tudo?

– Bem, eu não fiz quase nada, fiz o que deu sabe assim?

– Sei, mas então não largou, apenas fez menos do que quando está bem e com tempo.

– É…

– Deu o melhor que tinha dentro do que tinha para dar?

– Dá para falar isso sim.

“Dar o nosso melhor” é algo importante. Porém é importante também saber que o nosso melhor não é uma constante.

Num dia estamos mais empolgados, no outro estamos doentes, em alguns com problemas de família, inúmeras situações que podem tornar o “melhor” algo um pouco “menos” do que ontem. O melhor que podemos dar é o que está disponível no dia. Obviamente isso não serve de desculpa para não fazer nada, pelo contrário: dar o melhor é dar o melhor e não se afastar da responsabilidade. Porém aprendendo a perceber qual o melhor naquele dia.

Para que dar o melhor?

Dar o melhor não tem muito a ver com o resultado em si, mas sim em empenhar a sua vontade, suas forças e virtudes em prol de algo que você deseja. Portanto o “melhor” não é dado para algo ou alguém, mas sim à você mesmo. O que vale aqui é o compromisso com a sua própria evolução e a com a sua auto-expressão. Não se trata de conseguir ou não conseguir no final das contas, mas sim de ter expresso quem você é através do que você faz, pensa e sente.

Dar o melhor tem a ver com criar auto-confiança, auto-estima, sensação de merecimento e orgulho frente à sua disponibilidade com o que você acredita  e acha importante. Portanto, sempre que “damos” o melhor estamos, na verdade, “recebendo” de nós o nosso melhor e isso nos faz mais fortes, mais confiantes e orgulhosos  de quem somos e do que fazemos.

Quando não fazemos isso o prejudicado somos nós mesmos. Não pelos resultados que não apresentamos à empresa ou porque não fizemos as nossas obrigações, mas pelo fato de que ao julgarmos nossa conduta acabamos nos avaliando de forma negativa. Uma parte de nós sabe que não demos o nosso melhor e que não nos realizamos tal como somos. Embora possa ser uma parte pequena e invisível para as outras pessoas, ela é fundamental para nós, porque o nosso auto-julgamento é o único que realmente importa.

O que você pode dar hoje de si mesmo para expressar quem é? Expressar suas ideias, seu entusiasmo, suas críticas, seu desejo?

Lembre-se de que a expressão é de você para você!

Abraço

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Gostar x importar-se
02/08/2013

– Já não sei o que fazer, ela fica me dizendo que eu não me importo com as coisas que ela gosta sabe?

– Sei, me de um exemplo

– Tem uma banda lá que ela gosta, mas eu não curto entende?

– Claro que sim, mas você precisa, necessariamente gostar?

– Como assim?

– Veja o que ela pede é que você goste ou que você se importe com algo que é importante para ela?

– Ela reclama que eu não me importo, mas pra mim dá na mesma.

– Qual a diferença entre gostar e se importar?

– Não sei!

E você, sabe?

Gostar é uma apreciação, é quando apreciamos algo de uma forma positiva, mostrando o nosso agrado por algo ou alguém; já importar-se é mostrar apreço por algo, demonstrar consideração.

O gostar envolve uma apreciação pessoal, na qual a pessoa se envolve ativamente ao experimentar, aprovando e gozando de algo que a faz sentir-se bem, é extremamente pessoal, pois, como a origem da palavra diz, envolve o “gosto” de cada um.

Importar tem a ver com uma avaliação de importância que não precisa ser pessoal. Sabemos que algo é importante, mas não precisamos, necessariamente gostar disso.

O que isto tudo tem a ver com o caso acima?

Uma das questões cruciais em uma relação é a capacidade dos conjugues conseguirem dar importância ao que é importante ao outro. Esta “importância compartilhada” gera uma sensação de aprovação e de intimidade fundamental para os relacionamentos. O tema tem se tornado cada vez mais importante nos últimos tempos uma vez que as pessoas tem se tornado cada vez mais egoístas em suas relações. O individualismo – favor não confundir com individualidade – tem se tornado um verdadeiro câncer para as relações uma vez que questões simples – acredite é simples – como essa não são mais tão claras para as pessoas.

Como aprender a se importar com algo que não gostamos?

Em primeiro lugar é importante entender que o fato de não gostarmos não significa que a coisa não possua valor, ela simplesmente não empresta uma experiência boa à nós. Uma vez que a coisa possui valor a pergunta é simples: a pessoa que amo dá valor à isto, posso atribuir valor à isto como uma forma de honrá-la e respeitá-la? Se a pergunta à essa resposta for sucessivamente “não”, sugiro outra: porque estou me relacionando com esta pessoa?

Aprendermos com o universo do outro permitindo que ele faça parte de nossas vidas é uma das condições básicas para uma boa relação. Conhecer e dar importância àquilo que é importante para o outro é fator fundamental para a intimidade, sem isto é muito difícil que os laços se estreitem. Obviamente talvez não seja possível realizar a tarefa para todos os aspectos da vida do outro, porém um mínimo é necessário para que o respeito e admiração se tornem algo comum ao casal.

O respeito por algo que é importante ao conjugue é um dos fatores fundamentais dos casais de sucesso segundo as várias pesquisas de John Gottman, pesquisador americano que trabalha exclusivamente com o tema. Além deste existem outros que vamos trazer ao longo dos dias, não perca!

Abraço

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Pare a briga
14/06/2013

(no meio de um exercício no qual apenas pedi para a pessoa respirar profundamente e prestar atenção à sua respiração)

– Eu não sei exatamente o que acontece comigo… parece que eu vou viver a vida toda com esta inquietação sabe?

– Sim, continue respirando e preste atenção nesta inquietação.

– É um incomodo que não incomoda sabe?

– Como assim?

– É… eu não gosto de ficar preocupado, gosto de agir apenas, mas como sempre tive uma vida confortável nunca vi muitos motivos para agir, sempre usei as coisas de acordo com o que eu tinha.

– E?

– E… de certa forma… as pessoas se incomodavam com isso porque eu estava “tranquilo”, “na minha”… sem me preocupar e acabei entendendo que não ficar preocupado era errado.

– Hum e o que isso tem a ver com você hoje?

– Tem a ver que toda a vez que sinto que posso relaxar e ficar tranquilo me sinto culpado como se eu não soubesse viver, não soubesse o que esperar da vida e estivesse fazendo besteira.

– Hum… entendi… e se você relaxar o que acontece?

– Ai Deus… eu acabo ficando mais atento… mais crítico, não crítico chato sabe? Mas crítico e reajo mais na hora.

– Hum…

– Tenho que parar de brigar com o que tenho dentro de mim Akim…

– Também acho…

Muitas vezes as pessoas me dizem que tem problemas e defeitos. Ficam ansiosas com isso e querem mudar.

Muitas vezes, também, em meio à terapia ela simplesmente entendem que aquilo que pensam ser um defeito é simplesmente algo que chamaram de defeito e não um defeito em si.

Existe uma palavra para isso: aceitação. Aceitar não significa gostar, mas significa parar de brigar com o que percebemos, sentimos, desejamos e dar valor de existência àquilo. Uma vez que fazemos isso podemos, de fato, começar a nos relacionar com “a coisa”. E ao fazer isso é que podemos entender, compreender e mudar – caso necessário – ou começar a dar um novo uso para aquilo tudo.

A respiração é um exercício ótimo para começar isso. Respirar e ficar atento à sensação, ideia ou pensamento. Porque? Todos temos tensões musculares que são profundamente ligadas às nossas tensões emocionais e psicológicas, quando respiramos sem buscar intervir começamos a relaxar as tensões ou a colocar tônus em músculos que estão frouxos demais, isso regula a pessoa e re-equilibra as tensões. Daí quando as tensões começam a se equilibrar mudanças psicológicas e emocionais começam a acontecer.

Outra forma é criar um diálogo com aquilo que não conseguimos aceitar, imaginar a coisa como um interlocutor e começar a conversar, fazer perguntas e imaginar a resposta. É um exercício de criação e fantasia bem interessante e que geralmente dá bons resultados. Conversar com aquilo que queremos esconder é um bom começo para pararmos de brigar.

Abraço

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Amor Próprio
13/02/2013

– Eu não sei se eu me amo sabe?

– Sei sim, que bom que tocou no assunto.

– Pois é… eu percebo que eu faço coisas pelos outros, mas não por mim.

– E é assim que você percebe que não se ama?

– Sim, eu sou uma pessoa de atos entende?

– Entendo. E o que você quer fazer com esta percepção?

– Fiquei pensando nisso durante a última semana. Acho que é simples: quero aprender a me amar.

– É uma escolha bacana não é?

– Sim, eu acho!

– O que você precisa fazer para se amar?

– Ai é que está a pergunta boa… eu não sei ao certo…

– Pense em alguém que você ama e me conte como você sabe que tem amor por ela

– Eu faço coisas por esta pessoa, deixo de fazer coisas por mim, penso nela antes de pensar em mim, antecipo as necessidades dela…

– Perfeito, agora, quero que pense em você e tente se imaginar fazendo as mesmas coisas por você

– É difícil pensar nisso… fico com um certo receio…

– Isso… o que torna isso difícil?

– Eu fazer por mim sem pedir para ninguém sabe?

– Ah, claro! Quer dizer: para fazer pelos outros você não precisa de permissão, mas para fazer por si, você precisa ter a permissão de alguém, é isso?

– Sim.

– De alguma forma esta atitude que você quer tomar iria prejudicar você mesma ou outra pessoa importante para você?

– Não

– Quem poderia lhe dar esta permissão?

– Quando eu era pequena era meu pai quem dava…

– Imagine ele, agora, sorrindo e lhe permitindo fazer isso do jeito mais amoroso que ele conseguiria.

– Ok.

– Imagine que ele te explica porque está lhe permitindo e te dizendo o quanto isso é importante.

– Ok.

– Agora imagine você mesma num espelho se dizendo isso e, quando você fala, o tom da voz é o do seu pai.

– Que sensação estranha…

– Me conte

– É como se… ele estivesse dentro de mim agora, me autorizando a ser feliz (lágrimas caem dos olhos fechados)

– Ótimo, que presentão ele te deu hein? Vejo que isso te emociona muito!

– Sim

– Perfeito… agora gostaria que você tentasse se imaginar fazendo por si o que acha que deveria fazer

– Agora eu consigo…

– Perfeito, me diga: ao fazer qual a sensação que isso te causa?

– De estar me cuidando, eu mesma dando cuidados à mim.  É ótimo isso… libertador sabe?

– Com certeza!

 

 

Amar. Talvez um dos maiores mistérios e desejos da humanidade. Amar e ser amado, um tema básico pelo qual todos passamos em várias fases de nossa vida.

Cada pessoa tem a sua fórmula, a sua percepção de amor por isso definir o que é amor é um tanto complicado.

Na verdade, hoje entende-se que mais importante do que definir teoricamente o que é o amor o mais importante para as pessoas é que elas tenham a experiência do amor em suas vidas.

Sentir-se amado, sentir que ama, ter a experiência termina por ser mais importante do que definir previamente o que é amar, na verdade, como diz o poeta, “amar se aprende amando”.

No entanto, muitas vezes temos travas em relação à isso, no exemplo acima a pessoa podia amar os outros, mas não podia se amar. Não se sentia livre para fazer isso como se precisasse de uma permissão, quando conseguiu a permissão ela sentiu-se livre, como se algo dentro dela que desejasse sair agora pudesse ir para o mundo e se manifestar. Para esta pessoa o amor tem muito a ver com liberdade e com cuidado, agir de forma a sentir essas emoções.

O drama de “não poder” é um dos que ajudam a manter o amor próprio preso dentro de si. Existem outros como o “não mereço”, “não consigo” e um dos que, para mim é muito triste: “não importa”.

Este último drama tem a ver com a pessoa entender-se como incapaz de amar a si e terminar por dizer à si própria: “não vou esquentar a cabeça com isso, não consigo mudar nada mesmo”. É a sensação de incompetência, incapacidade em perceber que as ações que ela tem fazem diferença em sua própria vida. Muitas pessoas passam por isso durante anos sempre achando que as ações que poderiam ter não iriam valer de nada. Terminam por não mais agir e por não mais sonhar, desejar ou sequer se importar consigo próprias, “vão levando” (o que e para onde não se sabe) e se distanciam de seus próprios afetos, uma vida cinza.

Amar a si tem a ver com conseguir direcionar para você mesmo os mesmos afetos, comportamentos, atitudes que direcionaria para qualquer pessoa que você diria que ama. É literalmente imaginar se o que fazemos e pensamos cria em nós a sensação do amor-próprio – que, como já disse, é diferente para cada pessoa – e ter estas atitudes e a sensação como guia para manter ou descartar comportamentos e pensamentos. Até hoje nunca conheci alguém que não soubesse como se amar, apenas conheci pessoas que não usam para si os comportamentos que tem com outras pessoas em relação ao amor seja por não sentir que merece, que não vai conseguir, que não pode ou que não se importa e, uma vez que essas barreiras caem por chão elas começam a dizer: “ah… é só isso?” e eu adoro dizer: “sim, é só isso”. Amar, ao que me parece é simples o que é complexo é sabermos exatamente o que e como fazer e, uma vez de posse desses elementos fazer.

Não se permita manter crenças que vão contra você, “não merecer”, “não conseguir”, “não poder”, “não se importar” são ideias que limitam o que você pode fazer com você mesmo, amplie, permita-se, faça!

Que tal dizer para essas ideias limitantes: “hoje vou te dar férias e viver sem você por apenas um dia” e ver o que acontece? Experimente, quem faz sempre as mesmas coisas tem sempre os mesmos resultados!

 

Abraço

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Espontaneidade
04/02/2013

– Ai Akim, eu acho um saco isso manja?

– Manjo?

– Porra meu, eu não posso nem assoviar em paz que lá vem: blablabla, nhenhenhé!

– Você está realmente nervoso não?

– Cara, esta gúria TOLHE a minha individualidade! Ela não quer que eu seja eu!!!

– É complicado mesmo… me faz lembrar daquela vez que ela ficou braba contigo porque queria ler na cama durante a noite e você queria dormir e ela disse algo do tipo: “mas eu preciso ler um pouco antes de dormir para pegar no sono”.

– (silêncio breve) Você quer dizer algo com isso?

– O que você acha?

– Bom, você sempre quer… e eu acho que entendi… é algo do tipo: eu tenho coisas que enchem o saco dela e vice-versa?

– Algo do tipo… encheção de saco não é exclusividade de ninguém né?

– (risos) Entendi…

– A questão meu caro, é como você vai lidar com isso, negociar o seu assovio entendendo que é uma expressão da sua individualidade, que você pode fazer isso a hora que quiser, porém, a sua namorada simplesmente e espontaneamente não gosta de assovio.

– Entendi…
A espontaneidade é uma característica muito desejada pelas pessoas nos seus relacionamentos. Tanto querem ser espontâneas quanto desejam que o outro seja espontâneo com elas. No entanto, a espontaneidade assumiu ao longo dos anos uma valorização que não lhe é adequada e isso tem causado muitos conflitos.

Espontâneo é aquilo que ocorre de forma livre, sem artifícios, poderíamos dizer: que é natural da pessoa. Porém pense: duas pessoas se juntam e uma delas “espontaneamente” adora assoviar enquanto que a outra “espontaneamente odeia o som estridente do assovio. Elas começam a se relacionar e, de repente, aquela que gosta de assoviar começa a assoviar, obviamente, com o tempo a outra se irrita.

Ser espontâneo em uma relação não quer dizer que o parceiro deve assumir tudo o que é seu. Ele pode gostar ou não do que é “natural” à você. E isso não significa tolher a individualidade de ninguém, mas sim que duas pessoas diferentes possuem gostos e preferências “espontaneamente” diferentes e nem sempre elas podem coincidir, pelo contrário, muitas vezes podem ir e direções totalmente opostas.

Agora, quando ocorre a união destas características temos um momento mágico, divertido, descontraído. Momentos que sempre são lembrados com saudades e desejo que ocorra novamente. Quando duas pessoas espontaneamente possuem desejos semelhantes, características, manias semelhantes isso é uma verdadeira delícia. É um encontro.

Lembrando Pearls da Gestalt: “não vim à este mundo para satisfazer as suas expectativas, você não veio à este mundo para satisfazer as minhas expectativas. Se nos encontramos é lindo, senão, não há nada a fazer.”

Abraço

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Fora do centro
29/10/2012

– Então ele disse que ia sair com a namorada!!

– Hum, complicado né?

– Muito! Onde já se viu ele nos trocar por aquela menina!

– É… complicado mesmo… as pessoas tem a mania de crescerem e começarem a fazer escolhas próprias não é?

– Como assim?

– Ora, o que você está me dizendo é que seu filho cresceu, aprendeu a pensar sobre a vida e agora está fazendo escolhas.

– Hum…

– Esta escolha em específico te deixou um pouco braba, mas enfim, é uma escolha.

– Ai… não gostei mesmo dessa escolha dele…

– A questão é que agora você não é mais o centro da vida dele não é mesmo?

– Não  me fale isso… eu sei… é isso mesmo…

– Pois é… mas veja lá, esta é uma oportunidade riquíssima para vocês. Ser mãe, agora pode significar algo novo se você souber lidar com as novas escolhas dele.

– É… é verdade… mas como fazer?

– O que te incomoda mais nessa escolha dele?

– Ele não vai estar próximo de nós sabe? Está indo…

– Sim, entendo perfeitamente. Agora: esta distância é, necessária e exclusivamente ruim? Estar “longe” não pode ser bem aproveitado também?

– Hum… se eu for pensar dessa forma… acho que sim né?

– Claro. Você e o seu marido não ficam grudados o tempo todo não é?

– Não.

– E isso acabou com a relação de vocês?

– (risos) Não, não. É até bom porque tem o que conversar depois sabe?

– Perfeito! Que tal usar essa mesma ideia com o seu “pequeno”?

– Vou tentar!

 

Os momentos em que os filhos começam a se tornar mais responsáveis é muito conturbado e muito rico. Conturbado porque todo um esquema familiar precisa ser revisto, modificado e rico pelas mesmas razões. Pense numa plantação: o que iria acontecer se o agricultor cuidasse das plantas sempre do mesmo jeito? Se ele não fizesse uma distinção entre os momentos de limpar a terra, plantar, regar, adubar e depois colher? E se ele resolvesse cuidar das plantas sempre arando e limpando a terra?

Não iria dar muito certo, obviamente. Pois isso é o que muitas famílias – na melhor das intenções – fazem com seus filhos: os tratam como sementes quando eles já estão dando frutos. É óbvio que os pais, quando olham para os filhos conseguem ver a criança que ele foi, o bebê que ela foi, no entanto, trocar esta lembrança pela realidade é um erro atroz.

A principal tarefa de uma família quando os filhos começam a crescer é ser capaz de rever as regras de conduta, abrir espaço para a nova individualidade da “criança”, aprender a colocar limites negociando-os e aprender a lidar com a distância que essas fases começam a trazer.

O grande problema surge quando a individualidade não é levada à sério. Os novos desejos, ideias e atividades devem ser encaradas como as primeiras tentativas da pessoa rumo à uma grau cada vez maior de responsabilidade. É nesse cenário que criam-se mágoas como a do exemplo acima: “você está me trocando”. Injetar culpa, raiva ou mágoa nas primeiras tentativas de independência de uma pessoa é minar toda a auto-confiança que ela possa vir a desenvolver.

Portanto, aprenda a distanciar-se de uma forma saudável. Quando uma pessoa começa a desejar ser mais responsável é necessário que os pais entendam o recado sem levarem isso para o lado pessoal. E se levarem, é importante buscar ajuda para compreender o porque disso.

Abraço

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O amor e o medo
17/10/2012

(Esposa) – Eu só queria que ele assim… me respeitasse sabe?

(Esposo) – Mas eu respeito você meu amor! Tenho uma super consideração por você!

(Ambos se olham e ficam em silêncio durante alguns segundos)

(Akim) – Que interessante não é? O que um quer o outro está querendo dar, mas me parece que a entrega não consegue ser feita não?

(Ambos) – Pois é!

(Akim) – Desde que começamos o trabalho aqui, percebo que cada um de vocês senta em um lado do sofá, existe um limite bem definido entre vocês dois aqui (aponto com a mão o espaço entre os dois).

(Eles olham para o espaço, olham-se e dão uma risada suave)

(Akim) – Será que este espaço pode estar atrapalhando a comunicação de vocês? Será que quando um fala alguma coisa ela “se transforma” ao longo deste espaço e chega do outro lado diferente?

(Esposa) – Eu acho que sim Akim, para mim, pelo menos, faz todo o sentido.

(Esposo) – Nunca tinha pensado nisso desse jeito, mas não tenho o que dizer ao contrário… de fato, acho que não consigo mostrar para ela o quanto ela é importante para mim.

(Akim) – E o que será que está atrapalhando a comunicação então?

(Eles se olham e ela vira e diz): “Eu acho que, para mim, é medo”.

(Ele faz que “sim” com a cabeça e dá uma leve olhada para o lado, ela baixa a cabeça. Lentamente eles se olham “de canto de olho” e dão um sorriso suave)

(Akim) – Eu concordo com vocês… acho que estes medos que não são ditos – nem mesmo de vocês para vocês – acabam criando um abismo entre vocês, mesmo tendo amor de um lado e de outro. Que tal começarmos a tentar construir uma ponte nesse buraco?

(Ambos acenam “que sim” com a cabeça)

Muitas pessoas entendem que o oposto de amor é raiva ou ódio. Em meus atendimentos tenho visto que seu oposto está mais para o medo do que para a raiva.

O medo paralisa a ação, desvirtua a comunicação e acaba por criar exatamente o que ele mais teme. Medo desgasta, empobrece a relação é ele quem, de fato, retira a espontaneidade e robotiza as pessoas. Ou então começa – para se “proteger” – a agir de maneira agressiva com o outro, responder-lhe com agressões, insultos e ironia. Nesse momento o respeito começa a ser quebrado e a sensação de “desamor” começa a se instalar.

Daí para diante viver à dois é complicado e doloroso. A sensação de estar “pisando em ovos” é constante. Essa dinâmica acentua o medo ainda mais e temos, então, um ciclo vicioso e doloroso para os dois – e, quando é o caso, para os filhos, amigos e parentes.

Vencer o medo e aumentar a auto-estima são fatores fundamentais para começar a dizer o que precisa e aprender a cuidar do outro, de si e da relação de uma maneira a criar um ambiente que consiga acolher as emoções sem julgá-las e, ao mesmo tempo, dando um “encaminhamento” para o que acontece entre os dois.

Quando podemos expressar livre e responsavelmente as emoções começamos a criar um ambiente no qual o amor possa florescer e que o medo seja acolhido e transformado em conhecimento e profundidade no casal.

Abraço

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Educando filhos
21/09/2012

– Ele está desrespeitoso sabe?

– Sim. E como, especificamente ele desrespeita?

– Ele vai na casa dos amigos e vê como a família da pessoa é. Daí chega em casa e fala: “é, mas na casa do meu amigo não é essa chatisse”!

– Hum… quer dizer que ele está tendo novas experiências?

– É… pode ser isso

– Pois é… qual o papel de pais de filhos adultos?

– Como assim?

– Ora, o que é ser pai de um filho quando ele está se tornando adulto?

– Hum…

A pergunta qual o papel de um pai é muito ampla. De que pais estamos falando? Pais de recém-nascidos ou pais de filhos adultos ou de adolescentes? Cada fase envolve novos desafios para pais e filhos, aprender quais são os desafios da nova fase evita que pais e filhos criem problemas durante a evolução normal de cada um.

Os pais ficam mais velhos ao longo do tempo – acredite se quiser – assim como os filhos. O pai daquela criança recém-nascida, que na época tinha seus 30 anos agora está com 50 e o “neném” está com 20. Será que ser pai, agora, é a mesma coisa que antigamente? Dificilmente.

Identificar as fases da vida, os principais desafios de cada uma delas e a melhor maneira para desenvolver estas fases juntos é o melhor caminho para pais e filhos.

Abraço

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