Vítima
18/08/2014

fotos_1338_A proxima Vitima

  • Tenho uma novidade ótima pra te contar!

  • Oba, me conte então!

  • Lembra que trabalhamos para eu não me colocar como vítima né?!

  • Sim!

  • Consegui!

  • Opa!! Parabéns!! Me conte como foi?

  • Eu entrei lá, respirei fundo e comecei a pensar no meu futuro e em quem eu realmente sou: uma profissional com um sonho.

  • Ótimo.

  • Sim, e daí, a reunião toda fiquei em contato com isso e todas as coisas que ele falou para mim não me fizeram mal…

  • Que ótimo!

  • Na verdade… até me deram um certo estímulo sabe? Eu sai mesmo do papel Akim!!

  • Parabéns!! Mereces!!!

 

Muitas pessoas passam por situações difíceis na vida e conseguem passar por estas situações de uma maneira altiva, mesmo sofrendo humilhações, privações e até mesmo violência física e moral. Ela sofrem, se entristecem, sentem raiva assim como qualquer pessoa, porém nunca se identificam como a vítima da situação. Isto faz toda a diferença.

Não se trata de fingir que esta numa situação diferente da que se está ou de achar que não se está sendo molestado. Aceita-se estes fatos, porém não existe a identificação com o papel que a situação está demandando. O que significa “não se identificar” com o papel de vítima?

Podemos entender isso como se fosse um teatro: existe o papel de vítima e tudo aquilo pelo qual a vítima terá que passar. A pessoa pode até passar pelas situações, mas dentro dela ela não se diz – por exemplo – “sou uma vítima”, “porque comigo?” ou “o que fiz para merecer isso?”. Identificar-se é quando assumimos uma identidade e, com ela, um determinado papel, que envolve uma forma de sentir, de pensar e de agir.

A identificação com o papel de vítima é o que realmente transforma a pessoa em uma. A partir disso ela passará a ver o que ela faz e o que ocorre com ela sob esta perspectiva e então estará “presa” nesta “fantasia” que envolve o papel. Uma vez nesta fantasia ela passa a ver o outro como seu carrasco, ela como vítima e a situação como uma prisão frente à qual ela é impotente – visto que é vítima.

As pessoas que não adentram no papel passam pela mesma situação, porém se identificam, por exemplo, com o papel do “sobrevivente” e se dizem: “não importa o que está ocorrendo agora, eu vou sobreviver à isto e ter uma vida boa mais tarde”. Temos entendido que este compromisso com o planejamento de um futuro é fundamental para a vivência no momento não se tornar tão traumática.

Este compromisso faz com que a pessoa viva as injustiças como o que são: injustiças. Um dos maiores trabalhos que a maior parte dos psicólogos tem que fazer com pessoas vitimas de injustiças e violências é, justamente, retirar delas a culpa sobre o que lhes aconteceu visto que é muito comum que as pessoas tentem assumir a responsabilidade pela injustiça que lhes causam, porém isto é contraprodutivo e, também, errado visto que uma injustiça é sempre uma injustiça.

Assim como quando a pessoa se identifica com o papel de vítima ela passa a ver tudo sob esta ótica, quando ela sai deste papel e se identifica com um mais adequado para a situação ela também dá um novo sentido ao que lhe acontece e à quem é. Esta mudança é o que pode ser a sua salvação, aquilo que irá dar à ela a percepção do que lhe aconteceu.

Abraço

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Desqualificação
17/07/2013

– E daí, toda vez que eu falo ele troca de assunto sabe? Parece que nem está ouvindo o que eu disse.

– Hum… e o que você faz nessa situação?

Desqualificação é, literalmente, tirar a qualidade de algo, minar a qualidade de algo ou alguém.

Todos estamos sujeitos à atitude de desqualificação.

Como isso é possível alguém ser desqualificado? Ela torna-se possível de duas formas: quando a pessoa não sabe dar o valor para o que deseja, suas características ou quando o valor advém do outro e não dela, em ambas as situações ela torna-se vítima fácil da desqualificação. Quando a pessoa não sabe dar o devido valor à si, seus comportamentos, desejos e atitudes ela acaba dando um valor pequeno ou inadequado assim quando uma outra pessoa também dá um valor pequeno ou inadequado ocorre uma “sinergia” entre os dois valores – ou seja o valor dado pelo outro é o mesmo que a pessoa se dá – assim sendo a pessoa sente-se desqualificada e acaba aceitando o valor atribuído.

Já quando a pessoa precisa que o outro atribua valor para o que ela quer ou faz fica fácil de entender: se o outro atribuir um valor pequeno a pessoa irá aceitar o valor pequeno visto que é o outro quem atribui este valor. O problema surge quando uma pessoa dá um valor pequeno e outra dá um valor grande: em quem acreditar? A pessoa desqualificada fica numa “sinuca de bico” emocional porque fica “evidente que alguém está mentindo” o que traz muitos problemas para a relação.

O que fazer? Como se defender?

Lidar com a desqualificação exige dois níveis de competência: intrapessoal e interpessoal. A interpessoal envolve as atitudes que a pessoa vai ter para com aquele que a desqualificou, como vai reagir à pessoa. Aqui estão envolvidos os comportamentos de dar limites, ignorar, fazer brincadeira com a pessoa, demonstrar descontentamento, solicitar desculpas e até mesmo desvinculamento. É importante saber que tipo de resposta queremos dar para a pessoa que nos desqualifica o objetivo, em geral, é demonstrar que aquilo à que você dá valor vai continuar tendo aquele valor e que a tentativa de desvalorização do outro nada mais é do que a opinião do outro sobre aquilo. Não se trata de criar um jogo de poder – quem pode mais – pelo contrário: de criar um jogo no qual ambos são iguais: cada um com sua diferença. Esta estrutura gera respeito.

A parte interna lida com a forma pela qual a pessoa se valoriza – ou não – e do grau de dependência que ela tem das outras pessoas. Sem esta parte fica muito difícil lidar com a outra porque se a pessoa não estiver segura dos valores que sustenta ela poderá abraçar rapidamente os valores de terceiros. E aqui gera-se um problema complexo pois embora a pessoa saiba que esta sendo desqualificada ela aceita a desqualificação o que gera raiva, pois a pessoa sabe que está se permitindo ser violada. A questão fundamental é como a pessoa se valoriza? Ela precisa aprender a dar o valor e sustentar o valor agregado ao que ela quer, ao que ela faz e a quem ela é. E fazer isso sabendo dos seus defeitos, afinal valorizar-se e qualificar-se não significa tapar os olhos para as partes que não gostamos em nós e é possível ter um bom valor pessoal e uma auto-estima bem estruturada sabendo dos defeitos – na verdade a auto-estima bem estruturada só existe quando os levamos em consideração.

Pergunte-se: porque isto é importante para mim? Quanto é importante para mim? Como faço para sustentar este elemento em minha vida?

Ao entender o porque, quanto e como fazer para sustentar você estará dando já os primeiros passos para manter-se livre da desqualificação!

Abraço

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Bullying
22/10/2012

– E aí fica me ligando e me chamando de gorda, doida, falsa sabe? O que eu faço?!

– Entendi. Muito bem, tem várias coisas para fazer, vamos começar com a “básica” ok?

– Tá.

– Como você reage que a pessoa liga e te chama de gorda?

– No começo não liguei muito, mas agora fico chateada, quero revidar, mas não sei como. Na verdade não sei se consigo e isso me frustra!

– Entendi. Porque você acha que não consegue revidar?

– (…) no fundo é porque tem coisas que a pessoa fala que eu também falo para mim mesma sabe?

– Humm, entendi, por exemplo?

– Doida e falsa eu sei que não sou, mas o “gorda” me pega…

– Entendi. Bom, vamos lá: o que seria um peso ideal para você? Como vocês saberia que está num peso bom?

– Hum… difícil dizer… mas acho que se eu tivesse um manequim 40 estaria muito bom.

– Perfeito! O que seria um manequim de gorda?

– Algo em torno de um 56, 58 eu acho!

– E o seu está aonde?

– Estou vestindo um 44.

– Beem longe de um 56 não é?

– É.

– Ótimo, agora eu quero que você faça assim: Crie duas telas de tv na sua frente e imagine em uma a imagem de uma pessoa com manequim 56 que para você é a gorda, na outra a do manequim ideal para você: 40 e entre elas a sua no manequim 44.

– Ok, já fiz.

– Ótimo, agora imagine ele te ligando e dizendo que você tem o manequim da tela de 56 e compare com o que você é e decida por si só: ele está dizendo a verdade ou está “viajando”?

– Viajando completamente!

– Perfeito, como você reage com uma pessoa que está viajando completamente?

– (Risos) Eu tenho uma atitude cômica, acho engraçado quando alguém “viaja” e “viajo” junto sabe?

– Sei, humor é ótimo nesses momentos.

– Eu diria algo sem nexo assim como ele está dizendo para mim sabe? Tipo: daí seu ouriço do mar, tudo bem?

– Ótimo, o importante é você manter esta distinção e responder de acordo entende?

– Entendi sim. Ele pode me chamar do que ele quiser, mas só me afeta se bater com o que eu mesma penso de mim.

– Isso aí.

 

Bullying é algo que sempre existiu e vai continuar existindo. Todos os seres humanos degradam outros seres humanos em suas falas e atos é só ver os horários políticos para checar isso. A grande questão à respeito de como tratar a violência não é “proibi-la” como tem se feito propaganda, mas sim instrumentalizar as pessoas para que elas saibam como reagir à violência, como dar limites, como não se identificar com o que o agressor diz, como buscar ajuda quando necessário, como responder à uma acusação falsa, como manter sua auto-confiança e auto-estima. Isso sim nos ajudará a lidar com o bullying e não ficar falando “feio” para aquele que comete o bullying – até porque quem comete o faz, geralmente, porque também é vítima! A grande resposta para a violência não é proibi-la, mas sim dar ao violento novas formas de poder conviver com suas dificuldades pessoais que é a causa real da violência – genericamente falando.

No exemplo acima, foi trabalho exatamente isso: competência. O cliente aprendeu a ter um critério próprio sobre seu peso e a defender esta percepção, no próxima semana quando perguntei sobre a pessoa que fazia as ligações o cliente me disse que falou “e aí ouriço-do-mar” a pessoa ficou muda do outro lado da linha, desligou e não ligou novamente. Aprender a se defender, ter competências sociais ao invés de vitimizarmos ainda mais as vítimas de bullying é o caminho.

Abraço

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