Complexidade emocional
12/08/2015

varias emoções

  • Eu estou muito puto com ele.

  • Sei… me fale mais dessa raiva.

  • Cara… como que ele pode fazer isso?

  • Você esperava outra reação dele?

  • Lógico, nunca pensei que fosse fazer isso!

  • Está frustrado ou decepcionado com ele?

  • Sim!

  • O que veio primeiro: a raiva ou a decepção?

  • Hum… acho que a decepção.

  • Sentir isso influencia na sua amizade com ele?

  • Sim.

  • E como você se sente com isso?

  • Triste sabe? Tipo… nossa… foi muito ruim isso tudo. (chora)

 

Você sabe qual a diferença entre emoção e sentimento? Antonio Damásio nos diz – à grosso modo – que enquanto a emoção é algo que tem a ver com o movimento, com a ação, o sentimento é algo que tem a ver com a percepção. Enquanto uma nos coloca na ação a outra é a percepção desta ação.

Daí que quando percebemos colocamos nossas funções cognitivas para trabalhar e uma emoção pode dar origem não apenas a sentimentos, como também a outras emoções. É o que tentei descrever neste caso acima. A emoção de decepção gera a tristeza e gera a raiva. Ao mesmo tempo a pessoa sente estas emoções nela, uma após a outra e combinando sentimentos e emoções ao longo do tempo. Toda pessoa que passou por uma morte, desastre ou experiência de roubo, guerra ou até mesmo perda de patrimônio ou divórcio sabe que várias emoções podem ocorrer ao mesmo tempo.

A emoção está vinculada ao que pensamos e percebemos, ou seja, embora as emoções não são “puras”, elas tem uma relação profunda com como percebemos o mundo e nós mesmos. No exemplo acima, temos uma pessoa que tinha expectativas à respeito do comportamento do amigo. O que o amigo fez com ele só foi algo ruim por causa desta expectativa, a emoção de tristeza – de ter perdido algo, no caso a confiança – ocorreu em detrimento do fato do meu cliente sentir que não poderia mais confiar no amigo por causa daquilo que ele fez. E se as expectativas fossem diferentes?

Neste mesmo caso a raiva é uma emoção que surgiu por um outro fato: ele, no fundo não sabia e nem desejava dizer ao amigo que não queria mais relacionar-se com ele. Estes dois eventos dentro do meu cliente geraram um estado complexo: o amigo lhe causou um dano, manter a amizade poderia lhe trazer mais danos, ele não queria dizer que desejava afastar-se do amigo, portanto sua própria maneira de ser poderia lhe causar mais danos. Como esta era a única resposta que ele tinha no momento ele ficou ansioso em saber que poderia estar se causando mais danos e, daí, a raiva.

Aquilo que sentimos pode ser algo muito complexo como o exemplo mostra: a percepção de uma decepção torna-se tristeza e essa mesma tristeza desperta a raiva. Todas as emoções estão unidas frente à um mesmo evento e dizem de aspectos diferentes sobre este evento. Lidar com cada uma delas é importante para abraçar o evento como um todo e não apenas como parte. Além disso podemos ter emoções que nem sempre se manifestam claramente, surgem apenas como vontades “que não sabemos da onde vem”, ou que surgem depois do evento, mas estão relacionadas à ele.

Preste atenção naquilo que sente, você poderá encontrar muitas respostas aí.

Abraço

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Me encontrar
20/07/2015

se encontrar

  • Mas Akim… como que eu vou saber o que fazer se nem sei quem sou?

  • Qual o problema?

  • Esse! Se não sei quem sou, não sei o quero não é lógico?

  • É. Porém… saber que não sabe quem é implica em saber quem se é.

  • Como?

  • Para você saber que não sabe quem é você precisa ter um modelo de quem você é para comparar o modelo com quem você é hoje e afirmar: isto não sou eu.

  • Hum…

  • Em outras palavras: como você sabe que não sabe quem é?

  • Eu deveria ser mais… sei lá… corajoso.

  • Então você é covarde ou está com medo?

  • Sim.

  • E você sabe disso? Reconhece isso aí na sua experiência?

  • Sim.

  • Ótimo, você é isso! Agora sabe “quem” é: neste momento, a experiência do medo.

  • Que louco isso…

 

Se encontrar. Este parece ser um grande desejo das pessoas hoje em dia. “Ser eu mesmo”. Porém, como fazê-lo? Talvez o primeiro passo seja pensando de uma maneira útil na questão.

Quando pensamos em “nos encontrar” temos que compreender que o nosso “eu” já está aí, pronto em algum lugar apenas esperando para ser descoberto. Uma maneira muito cartesiana de refletir, inclusive. A verdade (ou o “eu”) está na natureza, apenas precisamos capturar isso, compreender isso e tudo estará resolvido. O problema que surge, então é: procurar aonde?

As pessoas, com isso vão atrás das respostas disponíveis. Em nossa cultura, o consumo é a grande resposta e hoje ele aparece transvestido de várias maneiras: o consumo de amigos, de relações, de festas assim como o clássico consumo de produtos em sua grande infinidade. Outras pessoas aparentemente com um pouco mais de consciência buscam psicoterapia ou outras formas de auto descoberta. No entanto, muitas delas continuam com o paradigma de se encontrar em algum lugar (talvez, neste workshop, eu consiga). Ledo engano.

O problema é que o “eu” que buscamos não pode ser encontrado por estas vias. Em primeiro lugar porque o “eu” não é uma coisa, ele não é uma substância que pode ser encontrada em algum lugar assim como encontramos as chaves do carro que esquecemos na cômoda. Assim sendo o “eu” não está em algum lugar, muito menos ele está “pronto” e esperando por ser descoberto por nós. O que seria até um certo contra-senso: como eu posso me achar em algum lugar se não sei quem sou? (Sei o que minhas chaves do carro são, por isso posso encontrá-las, mas como não sei quem sou, como vou me achar em algum lugar – mesmo que o eu pudesse ser encontrado eu não o veria)

Para resolver o problema talvez tenhamos que voltar ao oráculo de Delfos para compreender a questão do “eu” de uma maneira mais útil. “Conhece-te a ti mesmo” diz o oráculo. Ora, embora o conselho pareça óbvio, ele se torna mais enigmático à medida em que adentramos na sua elaboração. Conhece-te a ti mesmo tem uma implicação um tanto desconfortável para nós ocidentais. Implica que não somos um “eu” inteiro, ou seja, temos um eu que “é” e um que o “conhece”. Como?

Para que eu conheça algo é preciso observar este algo, compreender de alguma maneira. Mesmo que isso se dê na relação, a relação implica dois seres. Assim sendo o eu que “conhece” é diferente do eu que é conhecido. Quando o oráculo diz “conhece-te a ti mesmo” ele está dizendo que o “eu” que manifestamos é apenas mais uma experiência e não “a” experiência, como gostamos de achar no ocidente. Se conhecer está, então envolvido em experimentar aquilo que dizemos que somos e compôr um conhecimento sobre esta experiência. Saber que esta experiência é apenas mais uma é, por fim, a grande sacada à respeito do ato de “se encontrar”.

De outra forma: quando pequeno experimentava quem sou através das brincadeiras com outras crianças, por exemplo. Quando adulto posso seguir a mesma linha e me perceber no convívio com outras pessoas em bares e festas. No entanto, também posso experimentar quem sou no meu trabalho. O encontro com o “eu” se dá quando se percebe que o “eu” é a experiência e não uma coisa ou entidade. Se encontrar, então, tem muito mais à ver com experimentar aquilo que acho que sou, compreender o que e como vivi isso e, com base nesta experiência e na compreensão extraída dela, decidir o que se continuará fazendo.

Nós temos a tendência de nos identificar com as nossas experiências e dizermos que somos elas. Isto leva à um engessamento que pode ser proveitoso para algumas coisas e prejudicial quando as situações requerem comportamentos novos. Quando é possível ampliar ou modificar o que chamamos de eu, podemos ter uma compreensão ainda maior do que “somos”, ou seja, do processo que usamos para dar à nós uma identidade capaz de ser concretizada no mundo.

Mas enfim, como se encontrar? Preste atenção à sua experiência. Ao que já ocorre com você, em você, ao como você sente, pensa e age. Isso é a experiência que você se permite ter daquilo que você considera ser você. O encontro está exatamente aí. Não em algo externo, e acabado, mas em algo interno e em constante processo de “vir-a-ser”.

Abraço

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Decidir e agir
19/06/2015

Decidir e agir

  • Mas cara… é muito difícil!

  • O que?

  • Negar… tipo… quando a guria vem e me dá bola…

  • Entendo. No que você pensa quando isso ocorre?

  • Ah… já penso em dar uns amassos sabe?

  • Sim, e é muito bom isso não é?

  • É!

  • E a ressaca moral do outro dia?

  • É uma bosta…

  • Claro. E a sensação de ter estragado mais uma relação?

  • Hum… foda…

  • E de se sentir um piá quando você já é, em teoria, um adulto?

  • Tá, entendi.

  • Ok, agora quero que você imagine isso tudo, que sinta tudo isso enquanto imagina a menina dando bola pra ti.

  • É uma droga, dá vontade de virar a cara.

 

Muitas pessoas me perguntam como trabalhar para manter as decisões tomadas. Tomar uma decisão e agir implica em muitos fatores que precisam estar alinhados para serem atingidos, uma vez que eles estejam alinhados passamos à prática e, nela, o que fazer?

Pois bem, muitas pessoas se beneficiam de uma maneira de organizar o pensamento que lhes proporciona rapidez, solidez e facilidade ao tomar uma decisão além de uma recompensa quase que imediata quando fazemos “o que precisamos fazer”. Como já disse existe toda uma preparação necessária para ser feita antes deste passo. É sempre importante lembrar isso para não deixar você na expectativa de que é só seguir alguns passos e pronto, não, devemos ter consciência de fatores tais como a motivação da mudança para que estas dicas que estou deixando aqui sejam de fato úteis.

Se você está alinhado com sua decisão um dos pontos importantes é definir os comportamentos que você deverá ter afim de chegar onde deseja. Este é um ponto fundamental para quem deseja mudar hábitos e atingir metas: a crença de que os resultados da sua vida dependem de você. Obviamente você pode objetar e dizer que existem muitas coisas fora do seu controle e eu irei concordar com isso, porém, a maneira pela qual você encara e lida com isso é de sua alçada.

Crer nisso ajuda a pessoa a perceber e compreender como o que ela faz a ajuda a conquistar aquilo que deseja. Quando esta relação de “causa-efeito” se estabelece é que ela começa a se responsabilizar por si. Uma vez que isto esteja organizado a pessoa pode imaginar um futuro no qual ela não cuidou de si, no qual ela fez todos os comportamentos que a afastam do seu objetivo. Se for, por exemplo, mudar hábitos alimentares, pode se imaginar comendo em excesso, não fazendo atividade física e não respeitando seu colesterol durante 10 ou 20 anos. imaginar-se no pior cenário que o seu próprio comportamento conseguiu construir.

O segundo passo é imaginar o que o seu comportamento pode construir de bom. No mesmo exemplo, se você estiver atento à sua alimentação, realizar práticas esportivas, ter discernimento para quando comer alimentos gordurosos o que pode advir de melhor no futuro? Imaginar este lado “positivo” e o lado “negativo” do resultado do seu comportamento de maneiras bem distintas irá ajudar você a perceber o que você está construindo com as suas atitudes no dia a dia.

Assim, estas duas imagens devem ser como se fossem dois caminhos entre você aqui e agora e você amanhã. Como se você colocasse você no meio e estas duas imagens cada uma de um lado. Assim, todas as vezes que vai tomar uma decisão simplesmente olha para onde deseja ir. Este par binário é importante de ser construído desta forma para facilitar a escolha. Quando imaginamos e sentimos o que é bom e o que é ruim para nós é fácil escolher (obviamente, se toda a preparação anteriormente citada já tiver sido feita).

Desta maneira todos os comportamentos úteis são colocados de um lado e todos os comportamentos que atrapalham do outro. No dia a dia é só perceber o que você está fazendo e sua mente classifica isso automaticamente. No começo pode parecer “forçado”, mas com o passar dos dias você irá perceber que está alcançando suas metas e isso irá ajudar você a sentir-se orgulhoso de você mesmo. Este orgulho irá tornar isso “natural”.

Abraço

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Amadurecer
08/05/2015

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  • Meu pai me diz que eu sou muito imatura!

  • E o que você acha disso?

  • Ah… ele não tá certo! Eu não sou assim!

  • Quando foi isso?

  • Ele me disse isso anteontem… acabou com o meu dia.

  • Você imagina ao que, especificamente, ele se referiu quando disse que você é imatura?

  • Não!! Nem quero!

  • Hum… E o que é uma pessoa madura?

  • (silêncio… me observa) O que você está querendo dizer com isso?

  • Para você discordar do seu pai, deve ter uma opinião própria sobre o que é uma pessoa madura não deve?

  • Não sei… e daí?

Estar maduro é estar pronto. Maturidade significa isso: prontidão. Mas como compreender se estamos maduros ou não?

A maturidade não se restringe à um fenômeno apenas. Podemos ser maduros intelectualmente, mas sermos profissionais iniciantes e imaturos. Estar bem desenvolvido em uma área não pressupõe a maturidade em outras áreas da vida, assim é difícil perceber especificamente o que nos torna maduros.

Um dos critérios que utilizo tem a ver com as emoções. Porque? As emoções são vividas em todas as áreas da vida, a profissional, pessoal, espiritual, social e conjugal. Emoções tem a ver com nossa percepção do mundo e com nossa auto estima. Elas também influenciam diretamente nossos comportamentos o que faz com que saber manejar as emoções seja um dos pontos mais fundamentais da vida humana.

Qual o critério que uso? Quanto a pessoa é capaz de permitir ou não que uma determinada emoção se alastre por todas as áreas da sua vida. Esta capacidade, na minha percepção, demonstra um alto grau da maturidade de uma maneira geral. Existem emoções que trazem grandes danos quando se espalham por todas as áreas de sua vida e outras que trazem benefícios. A capacidade de permitir isso envolve muitas outras habilidades.

A primeira é de aceitar uma emoção. Se não aceito a emoção presente, não posso permitir ou não que ela se alastre. A segunda de saber discernir se esta emoção é útil de ser alastrada ou não. Saber isso envolve ter um bom conhecimento de suas emoções para saber se a emoção sentida é específica à um evento ou área ou não. Por exemplo: existem pessoas que acordam, tem uma briga ou uma leve discussão com o conjugue e pronto, o seu dia todo, todas as suas atividades ficam com esta mancha e a pessoa irá ter um péssimo dia. A raiva ou irritação sentida não é uma boa emoção para levar consigo à todas as áreas de sua vida. Diferente de, por exemplo, ter uma bela manhã com seu conjugue e sentir que isso lhe enche de uma energia positiva, ou de tranquilidade ou de força. Essas são emoções interessantes para levar consigo.

“Levar consigo”, significa saber manter um estado emocional, evocar as emoções – sim isso é possível e saber como colocá-las em ambientes diferentes. Além disso significa saber quem se é. Com uma boa auto estima a pessoa sabe que ela pode até estar tendo problemas em casa, mas que ela pode, por exemplo, soltar-se mais no trabalho e usar o seu dia de trabalho para limpar aquela emoção e munir-se de uma energia boa para chegar em casa e resolver a situação. Não parece interessante esta perspectiva?

Para fazer isso uma outra capacidade é indispensável: saber administrar emoções conflitantes. Sentir raiva é uma coisa. Sentir raiva, amor e tranquilidade ao mesmo tempo é outra. Um exemplo simples é estar no trabalho respondendo à um chefe chato e incompreensível ao mesmo tempo em que seu conjugue envia uma mensagem mostrando uma foto do seu filho com o primeiro dentinho na mão enquanto seu secretário lhe diz que o problema do dia anterior foi resolvido. Todas estas situações provocam emoções distintas e saber administrar isso tudo requer muita energia e auto conhecimento.

Espero que esse post possa ajudar você a perceber também como está o seu próprio amadurecimento. É óbvio que este critério é um dos que eu emprego, então, por favor, busque outros para complementar a sua experiência. Porém, é um critério muito bacana e que envolve você em todas as áreas da sua vida, aproveite.

Abraço

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O poder de aceitar
22/04/2015

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  • Não gosto de agir assim.

  • Eu sei, imagino que não é nem um pouco bom para você não é?

  • É bem isso… nunca mais quero fazer isso.

  • Fazer o que?

  • Brigar com as pessoas.

  • Isso é muito bom, mas, o que te motiva a brigar com elas?

  • Elas me provocam oras.

  • Perfeito, porém, como você sabe que estão te provocando?

  • Ah… até me dizem, às vezes, que eu levo tudo muito para o pessoal sabe? Que não sei “brincar”.

  • Entendo. Sua educação foi muito rígida não foi?

  • Sim, o pai era duro, mas foi bom, me formei bem enquanto homem.

  • Claro que sim, um profissional exemplar. Agora, será que esta imagem sua não é dura demais?

  • Como assim?

  • Bem, às vezes somos tão bem formados que não ficamos muito flexíveis não é?

  • É… verdade…

  • E aí, qualquer comentário pode soar como um ataque e não como uma brincadeira ou crítica.

  • É… me parece que é um pouco o que eu penso.

  • Sim, então, me diga, que tal imaginar que você não precisa defender a imagem que seu pai o ajudou a criar, que ela não está sob ataque?

  • Se eu imaginasse isso poderia relaxar.

  • Se pudesse relaxar, brigaria mais com as pessoas?

  • Não, muito menos… e comigo também!

 

Em minha prática de terapia eu sempre questiono meus clientes em relação aquilo que desejam “jogar fora”, ou que querem “eliminar” desuas vidas. Porque?

Ocorre que o ser humano não tem nenhuma característica por mero acaso. Características, emoções e comportamentos não são entidades fantasmagóricas que ficam voando por aí e entram no corpo da gente, elas são produto da nossa vida, decisões e contexto. Sendo assim “livrar-se” delas é, também, livrar-se da sua história.

Parto de um outro pressuposto também para agir desta maneira: todo comportamento pode ser adequado em um determinado contexto. Ao afirmar isso quero dizer que é importante avaliar com a pessoa onde aquilo que ela faz de “errado” pode ser vivido como “certo”. Muitas pessoas são preguiçosas, por exemplo. A preguiça é errada? Se o que você precisa fazer é agir sim, porém, depois de comer com tempo para dormir, porque não?

A questão é que se insiste num comportamento que não dá os resultados que desejamos. Ou seja a pessoa insiste em trabalhar com preguiça, ao invés de buscar motivação para o trabalho e preguiça para os momentos de folga. Ajudar as pessoas a pensar na adequação de seus comportamento diminui muito a necessidade de “eliminá-los”.

Além disso o mais importante não é eliminar aquilo que se faz de “errado”, mas sim aprender a fazer o “correto”. Ou seja, se coloco muita farinha no bolo e ele fica duro eu não tenho que parar de por farinha, mas sim aprender o quanto colocar. Quando se aprende aquilo que é mai adequado de se fazer também aprendemos a não ter tantos problemas com nossas características.

O ponto do post de hoje é aceitação, o que tudo isso tem a ver com a aceitação? Ocorre que como eu afirmei antes: nenhum comportamento existe ao acaso. Assim sendo, quando queremos nos livrar de algo que fazemos, na verdade estamos falando dos resultados que se comportar de determinada maneira nos traz, em geral, é disso que queremos nos livrar.

Porém, para aprender o que fazer é importante aceitar aquilo que fazemos “errado” para compreender exatamente o que precisamos mudar, o que nos estimula a agir de determinada forma e como proceder. Enquanto você não aceita aquilo que faz de “errado” você briga com a característica, tenta atuar e fingir que nada está acontecendo, isso é gera um desgaste e um desperdício de sua energia que poderia ser canalizada para algo mais interessante e “produtivo”: conhecer você mesmo, do jeito que é, com a história que possui e, a partir disso começar a operar mudanças em sua vida.

O que você nega em você?

Abraço

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Onde está o caminho?
04/03/2015

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-Eu fico em dúvida daí sabe?

  • Sei sim. Entre um e outro, no que você pensa?

  • Ah eu fico pensando que se eu pensar de um jeito eu posso não conseguir me sentir livre para falar o que eu preciso.

  • E se pensar de outro?

  • Posso não gostar do que eu vou falar.

  • Me parece que você perde de um jeito ou de outro não?

  • Pois é!

  • E o que você tem a ganhar, já pensou nisso?

  • Hum… sinceridade de um lado e polidez do outro.

  • Qual o mais importante para você nesse momento?

  • Acho que eu posso ser sincero e polido sabe? É só arranjar um jeito de dizer as coisas…

  • Do mesmo jeito, qual você acha que é mais importante para você?

  • Polidez… preciso aprender a dizer o que eu quero ao invés de ficar só vomitando o que me vem na telha.

  • Perfeito.

 

Como saber qual o caminho seguir? Que decisão tomar? Ouço esta pergunta sempre no consultório. Talvez uma das perguntas mais feitas na humanidade seja essa: “o que fazer?” É óbvio que não posso afirmar existir uma fórmula mágica para resolver esta pergunta já que ela sempre é feita em contextos diferentes. Porém tenho seguido um princípio que parece ajudar muito as pessoas em suas dúvidas.

Em geral quando as pessoas estão em dúvidas sobre que caminho seguir  elas tentam verificar o caminho que irá causar menos problemas. A tendência é buscando algo para “não errar”. Aí mora um perigo: “não errar” é algo que não tem como se garantir quando se está pensando no futuro. Porque? Porque o futuro é incerto, não temos todos os dados disponíveis para saber  o que esperar do futuro, sendo assim é impossível realizar um planejamento com 100% de certeza.

Desta maneira refletir sobre o que não se deseja e aquilo que se teme é uma forma de evitar a criação de uma resposta. Aqui vai a segunda dica: as pessoas em geral pensam que existe uma “resposta certa”, como se ela fosse uma borboleta voando por aí e você tivesse que capturar “a” resposta certa. Assim perguntam-se: “será que estou tomando a decisão certa?”. O engano se dá porque a resposta assim como as perguntas são criadas, ou seja, não existe uma resposta certa “a princípio”.

Buscar a “resposta certa” e “não errar” são dois focos que fazem com que as pessoas se paralisem porque a tensão aumenta muito. Mas então, o que fazer? Uma das maneiras que tenho utilizado quando ocorre a paralisia na busca de uma resposta sobre o que fazer é pedir à pessoa que veja aquilo que ela tem à ganhar ao responder as suas perguntas, ou aquilo que ela deseja conseguir.

Este foco tira a pessoa de uma responsabilidade moral à respeito do “certo ou errado” e a coloca no campo da experiência pessoal sobre o que vai ajudá-la a se formar melhor enquanto ser humano. Quando se começa a focar desta maneira existe mais liberdade para o pensamento e a criação de um foco em prol do qual se mover. É assim que se cria motivação, ou seja, o motivo para a ação. Só decide-se o que fazer depois que se possui um objetivo em relação à isso e esse objetivo tem a ver com o momento da pessoa e o que ela está formando dentro dela naquele momento. Por este motivo a mesma pergunta sobre  a mesma situação pode ter respostas diferentes ao longo da vida de uma pessoa.

Note que guio a pessoa não pelo caminho onde ela irá “ganhar mais”, mas sim, pelo caminho que tem a ver com ela naquele momento. Muitas vezes isso significa, inclusive, perder. Perder o orgulho e pedir perdão, por exemplo. Assim o raciocínio é checar aquilo que você deseja formar com a resposta e não buscar a resposta certa. Toda resposta é criada e essa criação tem a ver com a vida da pessoa, com o momento dela e esses fatores podem ser levados em consideração. Assim as respostas começam a mostrar qual o caminho que irá me guiar para aquilo que desejo formar e assim a mente trabalha melhor.

E você? O que vai fazer?

Abraço

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Ambiguidades
27/02/2015

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  • Estou me sentindo muito estranha.

  • Fale mais sobre esse estranho

  • É como se eu não fosse eu de verdade…

  • Hum… De que maneira você sente isso?

  • Eu me sinto mais dona de mim entende? Daí eu não tenho mais sentido culpa.

  • Ah, entendo.

  • Eu sinto certeza do que eu quero fazer e ao mesmo tempo sinto como se fosse estranho me sentir assim.

  • Sim, como você está lidando com esta estranheza?

  • Não sei… eu meio que tento deixar ela de lado, fingir que não está ali.

  • O que acontece se ela pudesse ficar ali, o que ela te diria?

  • Hum… não sei… acho que diria algo “não esquenta comigo”.

  • Me parece um bom conselho, como seria seguir ele e sentir a ambiguidade?

  • Não sei… é estranho.

 

Tolerar a ambiguidade emocional é sinal de maturidade e crescimento. Ao mesmo tempo pode ser uma experiência muito angustiante e desnorteadora para muitas pessoas.

Uma das principais razões disso é que todos nós temos uma “identidade emocional”, ou seja, um estado emocional com o qual nos identificamos. “Sou triste”, “sou alegre”, “sou quieto”, estas frases indicam um estado de emoção no qual a pessoa “sabe quem é”. Tanto isso faz sentido que pessoas quietas, em geral, não gostam de muito barulho ou de festas muito barulhentas porque colocam-na num estado que é distante daquele que ela se identifica.

Uma vez que começa-se a fazer mudanças a identidade emocional é afetada. A pessoa passa a sentir emoções e estados diferentes do habitual e começa a gostar destes estados, começa a integrá-los dentro de si e reconhecê-los. Estas ações fazem com que a pessoa se perceba de maneiras diferentes, muitas vezes antagônicas. Daí a possibilidade da angustia da pessoa que sente-se como se estivesse “perdendo a sua identidade”.

Nada mais longe da realidade, ela está, na verdade, ampliando e tornando a sua percepção de “eu” ainda mais rica, visto que ela pode contar com mais de um estado emocional para se definir e é óbvio: ninguém vive só uma emoção a vida toda. Aqui está, inclusive, um norte para lidar com a sensação de angústia que deriva do fato de perceber estas mudanças em si: a noção de ampliação da sua identidade.

Assim ao invés de se questionar sobre “este não é o meu normal”, que tal refletir sobre o que você pode aprender ainda mais de você neste estado? Que novos elementos você pode trazer para você na sua rotina habitual a partir deste estado? Que coisas você pode rever, descartar, e começar a fazer que vão tornar sua vida ainda melhor?

Temer o estado de ambiguidade coloca a pessoa numa escolha ingrata que é de escolher um estado afetivo ou outro, esta maneira excludente de escolher não é útil à um processo de mudança pelo fato de que corta uma parte da equação que não pode ser cortada. A pessoa veio de um estado o qual possui bons recursos e é útil em muitas situações, então para que jogá-lo fora? Ir para o novo não significa descartar o antigo, pode-se pensar, por exemplo, em redefinir e redimensionar, ou seja, dar ao antigo novas proporções e um novo lugar ou até mesmo fazê-lo de uma nova maneira e com isso aprofundar a mudança e integrar ainda mais partes de si.

O que você tem medo de experimentar?

Abraço

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Sobre atuar
23/02/2015

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  • Sinto como se eu estivesse preso sabe?

  • Sim. Quem prendeu você?

  • Não sei…

  • Será que você está realmente preso?

  • Não… é só jeito de dizer…

  • Sim, é claro, porém, se você não fosse o “preso”, quem você poderia ser nessa situação?

  • Sei lá… eu poderia ser o livre!

  • Hum… como livre, o que você poderia fazer que o prisioneiro não pode?

  • Eu poderia escolher fazer alguma coisa!

  • E você não pode?

  • Posso… eu acho…

  • Que escolha, então, você faria que você não está fazendo ou nem sequer cogitando em fazer?

Ter relacionamentos é um fato inequívoco na vida de todo ser humano. Não há como não se relacionar da mesma maneira que não há como não se comunicar. O cérebro humano é uma “máquina” de criar relações, com outros seres humanos, com o meio ambiente, com ideias e sensações que vem de dentro do próprio corpo humano. Um tema que é importante dentro de uma relação é: quem sou dentro desta relação?

Este tema nos leva à questão do papel e da identidade da pessoa frente à relação. A identidade é uma característica interessante de ser estudada porque ela pode assumir várias facetas em contextos diferentes. Assim, sempre que estou trabalhando com um cliente a pergunta “quem é você em relação à” é uma constante.

É importante a pessoa perceber “quem é” quando pensa em si, no seu papel profissional, no seu relacionamento com filhos e conjugue, na sua família de origem e mesmo frente à um determinado problema. A maneira pela qual a pessoa de identifica quando pensa nas situações que vive faz muita importância em relação à como ela percebe o problema, a situação e ao que ela irá se permitir fazer nessa situação.

Por exemplo, quando uma pessoa diz “me sinto presa nessa situação”, ela pode estar se identificando como um prisioneiro. Ora, se ela é um prisioneiro, quem é a situação? O carcereiro? A prisão? O juiz que a colocou na prisão? Enquanto a pessoa se percebe como um preso é importante refletir se ela tem culpa em estar presa, ninguém deveria ser preso por acaso. Se ela está presa e está cumprindo pena, de quanto tempo será esta pena? A metáfora da identidade que a pessoa se dá frente às situações a faz refletir em uma ou em outra direção, assim, é importante refletir se a metáfora é adequada. Será que “preso” é realmente o que está acontecendo com você? Alguém te prendeu ou você escolheu mal?

Isso porque questionar a identidade com a qual entramos numa determinada situação é questionar, também, o nosso papel dentro dela. Papeis são definidos pelas funções que a pessoa desempenha. Assim, a cozinheira – que é a identificação e o papel – é aquela que cozinha. Pode-se ser cozinheira de várias maneiras distintas, porém a essência permanece. Ao questionarmos o papel questiona-se o que a pessoa faz, a maneira pela qual ela age na sua vida.

Ao questionar o papel da pessoa, questiona-se, também, o papel do outro e da situação. Afinal se o meu papel me dá uma função, o papel do outro também tem uma função, atribuída por mim. Em outras palavras, se eu me percebo como o prisioneiro na situação, a situação é meu carrasco e a função desta situação é me manter preso – muitos casamentos funcionam assim, por exemplo. Porém, se me torno uma pessoa “livre”, posso escolher o que faço e aí, a situação também, muda, ela pode tornar-se, por exemplo, um desafio evolutivo, um professor ou até mesmo um colega. Muito mais interessante relacionar-se com um colega do que com um carcereiro.

Que papel você se dá nas várias áreas e relações de sua vida? Que papel atribui ao outro e às situações?

Abraço

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O eu no outro
12/02/2015

cubo

  • Eu não entendi o porque ele fez isso comigo.

  • Imagino que não. Como você imaginava que ele agiria?

  • Bem… esperava que fosse falar comigo sabe? Algo mais justo do que simplesmente sumir e ponto.

  • Você imaginava que ele faria isso porque?

  • Porque ele gostava de mim?

  • Entendo. Esta percepção estava alicerçada sobre o que?

  • Bem… ele dizia isso não?

  • Sim, mas agia de acordo?

  • Não…

  • Eu sei que você sabe que não. Porém uma esperança ainda restava de que você tivesse um lugar na vida dele. Você percebe que foi esta esperança quem te frustrou e não ele em si?

  • Sim… mas ele não agiu certo não é?

  • Deixo o julgamento de certo ou não para você. Você aprecia esta maneira de agir?

  • Não.

  • Então, como prefere agir frente à este tipo de comportamento?

  • Acho que vou me afastar também sabe?

  • Sim.

 

Um dos aspectos que denotam uma auto estima bem estruturada é saber reconhecer a maneira pela qual nos vemos e a maneira pela qual os outros nos veem sem elaborar um julgamento moral sobre isso. Essa descrição resume a experiência “não levar para o lado pessoal”.

Todos temos uma percepção do outro. É frente à esta percepção, inclusive que reagimos às pessoas. A boa auto estima nos ajuda a perceber se a nossa percepção do outro é factual ou apenas projeções de nossa parte. Da mesma maneira que faz com o outro, faz conosco também. Ter uma boa auto estima, muitas vezes significa perceber que não nos gostamos tanto quanto achamos que gostamos.

Quando a pessoa tem um ego inflado – o popular “se acha” – ela pode estar se defendendo de uma auto imagem negativa demais, por exemplo. Neste caso, perceber-se “um pouco pior” é um sinal sadio que informa que a pessoa aceita perceber seus defeitos e, com base nisso, começar a criar uma auto estima verdadeira.

As outras pessoas também nos veem da maneira própria delas. Isso é importante de ser frisado porque perceber o real lugar que temos na vida das pessoas faz parte de uma vida mental saudável. Ao invés de nos iludirmos, percebemos quem somos e quem somos para os outros. Isso exige maturidade para perceber o lugar e para não levar esta percepção para o lado pessoal, ou seja, julgar por “pessoa má” aquelas que não nos dão a prioridade. Nem mesmo se forem aquelas pessoas mais próximas.

Porque? Porque tem a ver com a maneira que elas nos observam. “Não levar para o lado pessoal” é saber que o outro lida com a gente não pelo que somos, mas sim pela maneira que ele nos vê. Algumas vezes damos a sorte de ter por perto pessoas que nos vêem de uma maneira muito próxima daquela que nos vemos e ainda mais. Mesmo essas pessoas ainda reagem àquilo que veem e não ao que “somos de fato”. Quando percebemos esta realidade, podemos aprender a nos cuidar de uma outra maneira, a maneira sincera.

Não se trata do “outro ser ruim”, mas sim de que aquele comportamento nos trouxe tristeza, de que sentimos determinada ação como perda de algo importante ou como uma ameça ao nosso bem-estar. O foco passa para as nossas ações, significados e emoções. Isso não significa que precisa-se manter contato com pessoas que nos trazem mal, pelo contrário, decidir se afastar de pessoas que cometem atos que nos são nocivos fica mais fácil porque não culpamos o outro, apenas assumimos a responsabilidade pelo nosso bem-estar.

Quem você acha que é para os outros?

Abraço

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Definir-se
02/02/2015

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  • Não vou fazer o curso.

  • Ah é, porque?

  • Ah, é que meu pai tá me enchendo para fazer sabe?

  • Sei… bem, não chega a ser exatamente um motivo não?

  • Ah meu, é o suficiente.

  • Se você tivesse 14 anos concordo… mas você está com 21 já, não seria momento de uma atitude mais madura?

  • Orra…

  • Orra… depois vai dizer “aí, deveria ter ouvido meu pai”.

  • (silêncio com cabeça baixa)

  • Vamos lá meu caro, não é que você tenha que fazer o curso, mas dar à você mesmo, um motivo adequado e um norte pra ti!

  • Entendi… é que é difícil sabe?

  • Sei, mas deixar isso de lado só vai deixar cada vez mais difícil…

 

Sempre digo que a pergunta “como expressar quem somos” é mais complexa do que definir quem somos. Uma está ligada à outra e a primeira significa a execução de uma ideia que nem sempre conseguirá se expressar da maneira previamente pensada, então exige um novo refletir, aquisição de competências, percepção do meio ambiente em que se encontra e avaliação de resultados. É uma tarefa árdua, porém o preço da liberdade é a eterna vigilância.

Existem dois momentos importantes deste processo, o momento que eu brinco no consultório que é o momento “modernista” (Não sabemos o que queremos, mas sabemos aquilo que não queremos) que se traduz nos momentos em que os filhos usualmente começam a não desejar mais obedecer os preceitos da família, desejam criar a sua própria identidade, é um momento de antagonização, ou seja, um momento de luta contra o que estava previamente estabelecido, de falar do que há de ruim no “sistema atual”.

O segundo momento é aquele em que a pessoa precisa formar algo próprio, ou seja, fazer escolhas e se comprometer com elas. Neste momento não basta dizer  o que não deseja, mas sim afirmar aquilo que se quer. Esta fase é mais realista e precisa que a pessoa, como disse acima, tenha aprendido a avaliar ela própria assim como sua vida e atitudes. Este momento não antagoniza, mas sim cria, avalia, é atento, perspicaz e busca por respostas para perguntas, é um momento de criação de formas e competências.

Atualmente as pessoas andam um tanto confusas sobre isso porque desejam ser tudo. A ideia de comprometer-se com um determinado tipo de forma é assustadora porque a maior parte da população olha para as perdas que isso poderá ter, à saber, todas as outras escolhas. Porém, sabe-se na psicologia que um número maior de escolhas só é benéfico até certo ponto, depois disso prejudica a capacidade de decidir e a pessoa acaba se afastando. Em outras palavras escolhas em excesso são prejudiciais à nossa saúde – muito embora todo o discurso atual seja ao contrário.

Assim, não é de se espantar, que cada vez mais as pessoas adiem decisões e sintam-se frustradas perante elas. Ao realizarem uma escolha e verem numa propaganda uma pessoa feliz com uma outra opção o coração já palpita “terei feito a escolha errada?” Neste sentido este post vem para dizer: “não”. Mais importante do que fazer uma escolha é a maneira pela qual você irá viver esta escolha. A ilusão que se vende é que existe uma escolha – ou mais de uma – que tornará a sua vida perfeita, porém a sua vida será bem vivida não por causa da escolha em si, mas por causa da maneira que você irá ou não viver esta escolha.

Desta maneira a escolha realizada pela pessoa precisará ser expressa no mundo, vivenciada. Neste momento a pessoa irá entrar em contato com outras pessoas, com tarefas e com a realidade social. Todas estas experiências vão trazer o que Stanley Keleman chama de “desafios à forma” e estes desafios são benéficos porque são eles que oferecem à “forma” a possibilidade de “testar-se” e definir-se no real. Ou seja, é como pintar um quadro, você pode ter a ideia, mas realizá-la é o grande desafio. E é neste processo de realizá-la que o seu projeto vai definir-se de fato, porém é quando estes desafios surgem que as pessoas, em geral, largam seus projetos.

Assim sendo lembre-se: mais importante que o projeto em si é como você irá lidar com ele à ponto de torná-lo real, vivo e bem vivido para você.

Abraço

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