Quando fugir prende
07/08/2015

?

?

-Então Akim… estou meio preguiçoso.

  • Sei… o que está te incomodando?

  • Ah, um pouco de tudo na real…

  • Um pouco de tudo… o que é esse “tudo”?

  • Faculdade, namoro…

  • Reduziu bem já não é?

  • É… ah, sei lá…

  • Você está preguiçoso ou simplesmente não quer lidar com o que está acontecendo?

  • É… meio que a segunda sabe?

 

Fugir ou esquivar-se de uma situação são duas das várias respostas que nós podemos dar à um evento que nos é desagradável ou pode nos causar dano de alguma forma. Porém a fuga e esquiva nem sempre são uma boa solução, você sabe quando esquivar-se e fugir de uma situação pode ser prejudicial para você?

Quando fugir é importante? Quando percebemos que a situação está além do que podemos responder e irá nos prejudicar. Neste caso pode ser uma opção mais sábia dar um passo para trás do que tentar enfrentar uma situação desprovido de recursos. Como diz o dito militar romano: “o bom general sabe quando lutar e quando se retirar”. Esta estratégia, no entanto, vem com um adendo: a necessidade do aprendizado. Fugir ou esquivar uma situação nos mostra que, naquele momento, não sabíamos o que fazer, portanto, é necessária que a retirada seja estratégica, para agrupar novos comportamentos e aprendizados e retornar à “batalha”.

O problema que temos é que as pessoas tendem a fugir e assumem isso como um comportamento padrão. Frente àquilo que é “perigoso” ou à situações que “exigem” aprendizado a pessoa tende, cada vez mais a se esquivar, postergar e fugir. O problema com isso é que ela não aprende, mantém-se sempre no mesmo patamar de aprendizado emocional e comportamental o que acaba levando-a para um fim triste: o isolamento.

Fazendo um paralelo com o título deste post, é neste momento em que a fuga aprisiona. Fugir é um comportamento importante de se ter na manga, porém abusar dele  faz com que a pessoa fique estagnada e tenda a ficar rígida em seu padrão de funcionamento. Isso é problemático porque vivemos num mundo que se move, que muda diariamente e, fatalmente, a pessoa começará a ter perdas desnecessárias. Porque desnecessárias? Porque ela só perde pelo fato de não ter aprendido novos comportamentos para lidar com o mundo e está tendo perdas por causa disso.

Que tal um exemplo mais claro?

Uma pessoa que é, na adolescência, muito famosa na escola por ter uma pseudo auto estima demonstrada na forma de comportamentos rebeldes. Neste momento ela é admirada e desejada, tem status e um lugar de reconhecimento. Porém, quando cresce, mantém-se neste padrão. Não “atualiza” a sua forma de agir e tenta manter-se no mundo da mesma maneira. A pseudo auto estima é, na verdade o propulsor desse comportamento rebelde. O que a rebeldia esconde é uma pessoa com medo de falhar e que, por isso, questiona demais tudo e todos. Torna-se um adulto inoportuno e chato. Ao invés da pessoa assumir seu medo de falhar, ela mantém-se fugindo de  seus fantasmas através do comportamento rebelde, porém, ele tem vida curta e num nicho muito específico. Ocorre que, para sobreviver, ele precisa viver sempre buscando nichos e pessoas que ainda estão na mesma fase evolutiva que ele, à medida que elas crescem, abandonam-no e ele precisa, novamente, correr atrás. Este é um exemplo de como uma fuga pode aprisionar a pessoa, para sempre às vezes, num comportamento que não é útil ao seu crescimento.

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

Anúncios

Quem é seu terapeuta?
05/08/2015

terapia-mulher

  • Akim… não sei mais o que te dizer.

  • Não sabe ou não quer?

  • Acho que o segundo.

  • E o seu não querer é porque não deseja tratar disso ou porque não sabe se deve falar isso para mim?

  • O segundo também…

  • O que motiva essa sensação?

  • Não sei… parece que está diferente aqui na terapia.

  • Sim, diferente como para você?

  • Eu… te vejo diferente.

  • Como me vê?

  • Antes eu te via meio que como um guru sabe?

  • Sim.

  • Agora te vejo mais como eu… como um humano sabe? (risos)

  • Sim… e é difícil confiar em humanos não é?

  • Nossa… verdade…

 

Este post pode parecer escrito para quem já faz terapia, porém ele serve para ambos os lados. Ocorre que todos temos uma certa imagem dos profissionais – assim como de qualquer pessoa – e a imagem que temos do psicólogo é algo que tanto pessoas que fazem quanto as que não fazem terapia tem. É óbvio que estou colocando o foco sobre o psicólogo que trabalha com psicoterapia – é a minha área – mas existem várias outras ocupações para o psicólogo.

Quando se começa a fazer terapia – digo por experiência própria – temos uma certa percepção do profissional que irá nos atender, isso tem a ver com aquilo que apreendemos da pessoa com quem nos relacionamos. Outra coisa tem a ver com aquilo que projetamos sobre ele, ou seja, aquilo que desejamos que o profissional seja para nós, tem a ver com nossos desejos e expectativas. E uma terceira influência é sobre como nos relacionamos com a pessoa de fato, ou seja, a maneira pela qual criamos vínculo com o terapeuta.

Porque falar disso é importante para você que faz terapia?

A maneira pela qual nos vinculamos ao terapeuta diz muito sobre nós e a maneira pela qual nos relacionamos com as pessoas no mundo. “Ah Akim, mas o psicólogo é um profissional e eu o vejo assim”. Esta é uma das formas e essa maneira de encarar o psicólogo – não como um humano, mas sim como uma “entidade” chamada “profissional” – diz muito sobre a pessoa. Poderia perguntar a mesma pergunta que  fiz na consulta citada acima. Poderia trabalhar, também, com o porque de ela precisar de uma “entidade” para se abrir? É medo? Quer alguém que seja “neutro”? A maneira pela qual você vê o terapeuta diz muito sobre você, como você encara o seu terapeuta?

A maneira pela qual nos vinculamos é outra história. O vínculo fala das nossas necessidades com aquele relacionamento. Existem vínculos mais ansiosos, que demonstram um certo tipo de medo ou incerteza, insegurança em relação à pessoa com quem se está relacionando. Outro pedem aprovação, contato ou afeto. Pode-se vincular com um terapeuta a partir da agressão, é o tipo de pessoa que, por exemplo, sempre desconfia, questiona e desaprova aquilo que está sendo dito. Ela agride para ver se será “aceita mesmo assim”, a agressão é uma forma de se defender e ao mesmo tempo um pedido de afeto nesse caso. Agride-se para se afastar da possibilidade de ser excluído, mas deseja-se, verdadeiramente, o afeto e a inclusão.

Aquilo que apreendemos de nossos terapeutas é uma mescla daquilo que necessitamos com aquilo que vemos. A percepção nunca é “pura”, está sempre vinculada aos nossos filtros. Desta maneira constituímos quem o nosso terapeuta é para nós. Este é um processo que fazemos com todas as pessoas com quem nos vinculamos. Tratar disso em terapia é tratar a maneira pela qual se cria vínculo, que se percebe o outro e, principalmente, as questões que motivam cada um de nós a criar o vínculo desta maneira.

Uma pessoa que vê os outros como possíveis agressores, por exemplo, pode buscar no terapeuta um porto seguro, um confidente ou querer comprovar que nem mesmo os terapeutas são confiáveis. Todas essas percepções refletem o mesmo drama sobre como ela percebe as pessoas do mundo e o seu lugar com essas pessoas. É com isso que ela irá organizar o seu papel. Uma vez que possa tratar disso usando a relação terapêutica como recurso ela poderá rever estas crenças sobre relacionamentos e mudar aquilo que julgar adequado mudar.

Quem é o seu terapeuta?

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

Problemas que ocultam problemas
24/07/2015

images23

 

– Mas ela não me deixa em paz sabe?

– Sim… sei como é.

– Então! Eu já conversei com ela, mas ela não muda!!

– Eu sei… e foi você quem escolheu ela… porque será né?

– Não sei!

– O que você faria se escolhesse uma mulher que sabe o que quer. Independente…

– Seria bem melhor!

-… que é como você: sai quando quer, não fica dando satisfação…

– (silêncio) é… me parece meio estranho pensando assim…

 

Algo que impressiona quando lidamos com humanos é a nossa capacidade de gerar problemas. Problemas que ocultam problemas é uma variante muito interessante deste comportamento.

Em relacionamentos é algo muito comum que um dos conjugues tenha um problema qualquer, por exemplo, baixa auto-estima, que aprender a lidar nas relações com outras pessoas usando o outro não para resolver o seu problema, mas sim para mascarar o seu problema. É fácil não lidar com uma questão pessoal quando temos outros afazeres, ou quando achamos que temos outros afazeres.

Neste caso, por exemplo, a pessoa pode na sua maneira de se comportar projetar um comportamento muito seguro e forte, por exemplo, e com isso estar sempre cobrando o outro, dizendo-lhe o quanto ele é preguiçoso, devagar, que ele deveria cuidar melhor de sua vida. O outro acaba sentindo-se muito para baixo e tem medo de perder o seu amado. Com isso pode, por exemplo, ter crises de ciúmes o que o obriga o conjugue a ter que lidar com este problema.

Uma outra forma é a pessoa que é muito forte, porém sente medo de sua força ou culpa por ser assim. Dessa forma vive se colocando em situações de apuros ou tendo comportamentos inadequados. Relaciona-se com uma outra pessoa que ou gosta de cuidar, ou acha que deve ajudar uma pessoa inadequada ou é mandona. Nesta relação a pessoa forte começa a achar que está sendo sufocada pelo outro que está sempre no seu pé.

Em um caso ou em outro o efeito é o mesmo: um problema que surge (no primeiro caso os ataques de ciúmes e no segundo caso o “sufoco”) são problemas criados por uma dinâmica e não um problema “de fato”. Este problema serve para mascarar e evitar que um – ou ambos – dos conjugues entre em contato com uma questão pessoal e assim, tenha que dar conta dela.

O que geralmente ocorre é que o conjugue problemático acaba indo à terapia e faz um processo de evolução pessoal. Neste processo aprende a lidar com o conjugue de uma maneira diferente, deixando-o livre para ser responsável por si só. Quando isso ocorre a relação entra em crise e a pessoa que se esconde atrás dos problemas pode, enfim aprender com eles.

Obviamente exige coragem sair do lugar de “poderoso” para ir ao lugar de “problemático” – é assim que boa parte das pessoas encaram pelo menos. Mas quando percebem que não estão fazendo esta inversão de papeis, mas sim dando conta de uma questão pessoal importante, etas pessoas aprendem que podem, então, serem ainda mais felizes.

E você? Anda escondendo-se atrás de algo?

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

Os erros do passado
22/07/2015

 

Erros do passado

  • Mas então… eu sei que não vai dar certo.

  • Porque não?

  • Porque eu já tentei e não consegui antes.

  • Entendi.

  • Daí, melhor ficar de fora né?

  • Se a tua conclusão é de que o erro do passado irá necessariamente se repetir, sim.

  • E não vai?

  • Não sei… o que você aprendeu quando errou no seu passado?

  • Nada ué… só fiquei triste.

  • Então é provável que vá se repetir. Agora… porque você não aprende com o que fez ao invés de se tornar vítima do seu erro?

  • Como assim?

 

É muito comum que as pessoas tentem realizar algo e não consigam, errem, não tenham 100% de desempenho. Também é comum na nossa cultura que isso seja entendido como um fracasso e um sinal de que é melhor você ficar longe daquilo porque pode lhe trazer problemas. O erro do passado se torna, então, destino futuro. A marca indelével do seu fracasso e o atestado da sua incompetência. inclusive muitas pessoas lutam anos a fio com estas cenas tentando deletar da memória aqueles momentos de tristeza e vergonha.

O que é um erro? O erro é um comportamento que não atingiu o resultado previsto. Como diz o ditado apenas erra quem está tentando, quem deseja conseguir ou aprender algo. Assim sendo, o erro representa, também, a tentativa da pessoa em conseguir algo que almeja. O erro pode ser, também, uma fase de um aprendizado ou adequação frente à uma situação/ aprendizagem que a pessoa não tem.

Encarar o erro como uma fase do aprendizado é o que fazem os grandes cientistas e inventores. Eles não pensam em erro nos mesmos termos que nós. Reconhecem o erro, mas valorizam este evento como mais uma marca importante do seu aprendizado. Eles ignoram o ato de desistir frente ao erro e reconhecem a importância de refletir sobre o que fizeram afim de modificarem a próxima tentativa com mais sabedoria.

E é este o ponto que eu gostaria de trazer no post de hoje. O mais importante com um erro depois que ele ocorre é o como tratamos este erro. Se o colocamos na esfera moral e passamos a nos tratar como incompetentes que não merecem uma segunda chance ele se torna restritivo da nossa evolução, passamos a temer o erro porque ele significa portas fechadas sempre. Se, por outro lado, não nos enfraquecemos e buscamos no erro o próximo passo, estaremos aprendendo a criar auto confiança (sim, ela existe mesmo no erro) e a gerar novos aprendizados a partir da nossa experiência, o que se chama por aí de auto conhecimento.

Assim sendo, se você tem um erro que o impede ainda hoje de tentar algo novamente e você deseja tentar, faça o seguinte. Relembre a cena do erro, o contexto no qual você estava vivendo e quem você era naquela situação. Pense em tudo o que você fez buscando compreender o que fez com que você tivesse errado e não chego no resultado desejado. Depois, pense no que poderia ter feito para garantir um novo resultado, pense em várias situações possíveis, pelo menos três estratégias diferentes. Se não sabe, pergunte à alguém que saiba como fazer, alguém que já passou pela experiência e se deu bem.

Imagine-se fazendo “a coisa certa” com vários comportamentos à disposição, no caso da opção A não dar certo. Faça isso até sentir que “aprendeu” com o seu erro. Uma vez que isso tenha acontecido, imagine-se no futuro tentado realizar a mesma coisa novamente, agora de posse destes novos aprendizados. Veja como se sente. Vale a pena tentar de novo?

Óbvio, estas dicas não devem ser utilizadas em casos de erros que podem colocar sua vida em risco, ou que podem ser potencialmente danosos. São linhas gerais de comportamento que as pessoas usam para aprender com seus problemas, use estas ideias com parcimônia e busque auxilio e um profissional caso sinta que isso é necessário.

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

Me encontrar
20/07/2015

se encontrar

  • Mas Akim… como que eu vou saber o que fazer se nem sei quem sou?

  • Qual o problema?

  • Esse! Se não sei quem sou, não sei o quero não é lógico?

  • É. Porém… saber que não sabe quem é implica em saber quem se é.

  • Como?

  • Para você saber que não sabe quem é você precisa ter um modelo de quem você é para comparar o modelo com quem você é hoje e afirmar: isto não sou eu.

  • Hum…

  • Em outras palavras: como você sabe que não sabe quem é?

  • Eu deveria ser mais… sei lá… corajoso.

  • Então você é covarde ou está com medo?

  • Sim.

  • E você sabe disso? Reconhece isso aí na sua experiência?

  • Sim.

  • Ótimo, você é isso! Agora sabe “quem” é: neste momento, a experiência do medo.

  • Que louco isso…

 

Se encontrar. Este parece ser um grande desejo das pessoas hoje em dia. “Ser eu mesmo”. Porém, como fazê-lo? Talvez o primeiro passo seja pensando de uma maneira útil na questão.

Quando pensamos em “nos encontrar” temos que compreender que o nosso “eu” já está aí, pronto em algum lugar apenas esperando para ser descoberto. Uma maneira muito cartesiana de refletir, inclusive. A verdade (ou o “eu”) está na natureza, apenas precisamos capturar isso, compreender isso e tudo estará resolvido. O problema que surge, então é: procurar aonde?

As pessoas, com isso vão atrás das respostas disponíveis. Em nossa cultura, o consumo é a grande resposta e hoje ele aparece transvestido de várias maneiras: o consumo de amigos, de relações, de festas assim como o clássico consumo de produtos em sua grande infinidade. Outras pessoas aparentemente com um pouco mais de consciência buscam psicoterapia ou outras formas de auto descoberta. No entanto, muitas delas continuam com o paradigma de se encontrar em algum lugar (talvez, neste workshop, eu consiga). Ledo engano.

O problema é que o “eu” que buscamos não pode ser encontrado por estas vias. Em primeiro lugar porque o “eu” não é uma coisa, ele não é uma substância que pode ser encontrada em algum lugar assim como encontramos as chaves do carro que esquecemos na cômoda. Assim sendo o “eu” não está em algum lugar, muito menos ele está “pronto” e esperando por ser descoberto por nós. O que seria até um certo contra-senso: como eu posso me achar em algum lugar se não sei quem sou? (Sei o que minhas chaves do carro são, por isso posso encontrá-las, mas como não sei quem sou, como vou me achar em algum lugar – mesmo que o eu pudesse ser encontrado eu não o veria)

Para resolver o problema talvez tenhamos que voltar ao oráculo de Delfos para compreender a questão do “eu” de uma maneira mais útil. “Conhece-te a ti mesmo” diz o oráculo. Ora, embora o conselho pareça óbvio, ele se torna mais enigmático à medida em que adentramos na sua elaboração. Conhece-te a ti mesmo tem uma implicação um tanto desconfortável para nós ocidentais. Implica que não somos um “eu” inteiro, ou seja, temos um eu que “é” e um que o “conhece”. Como?

Para que eu conheça algo é preciso observar este algo, compreender de alguma maneira. Mesmo que isso se dê na relação, a relação implica dois seres. Assim sendo o eu que “conhece” é diferente do eu que é conhecido. Quando o oráculo diz “conhece-te a ti mesmo” ele está dizendo que o “eu” que manifestamos é apenas mais uma experiência e não “a” experiência, como gostamos de achar no ocidente. Se conhecer está, então envolvido em experimentar aquilo que dizemos que somos e compôr um conhecimento sobre esta experiência. Saber que esta experiência é apenas mais uma é, por fim, a grande sacada à respeito do ato de “se encontrar”.

De outra forma: quando pequeno experimentava quem sou através das brincadeiras com outras crianças, por exemplo. Quando adulto posso seguir a mesma linha e me perceber no convívio com outras pessoas em bares e festas. No entanto, também posso experimentar quem sou no meu trabalho. O encontro com o “eu” se dá quando se percebe que o “eu” é a experiência e não uma coisa ou entidade. Se encontrar, então, tem muito mais à ver com experimentar aquilo que acho que sou, compreender o que e como vivi isso e, com base nesta experiência e na compreensão extraída dela, decidir o que se continuará fazendo.

Nós temos a tendência de nos identificar com as nossas experiências e dizermos que somos elas. Isto leva à um engessamento que pode ser proveitoso para algumas coisas e prejudicial quando as situações requerem comportamentos novos. Quando é possível ampliar ou modificar o que chamamos de eu, podemos ter uma compreensão ainda maior do que “somos”, ou seja, do processo que usamos para dar à nós uma identidade capaz de ser concretizada no mundo.

Mas enfim, como se encontrar? Preste atenção à sua experiência. Ao que já ocorre com você, em você, ao como você sente, pensa e age. Isso é a experiência que você se permite ter daquilo que você considera ser você. O encontro está exatamente aí. Não em algo externo, e acabado, mas em algo interno e em constante processo de “vir-a-ser”.

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

A importância da flexibilidade
17/07/2015

Flexibilidade

– Mas Akim, o que você quer dizer?

– Que você está muito rígido, não consegue flexibilizar o comportamento.

– Quer que eu não faça nada, é isso? Deixe ela montar em mim!

– Não, nada a ver com isso.

– Então o que?

– Simples: de que outras maneiras você pode ser atendido no que é importante para você?

– Como assim?

– Você quer que ela seja “companheira”, ok, mas ela deixou claro que estar o tempo todo disponível à você não é uma opção. De que outra maneira você pode senti-la como companheira que não essa?

 

A flexibilidade é uma característica importante para nossas vidas, mas compreender o que de fato é ser flexível é igualmente importante para que não se cometam erros de comportamento que prejudicam a vida ao invés de ajudá-la.

A primeira coisa que ser flexível não é, é ficar “engolindo sapo”. Em geral quando dizemos à alguém: “seja flexível”, a réplica vem à galope: “você quer que eu fique quieto frente à isso?” ou “não quer que eu faça nada?”. Este tipo de atitude vem de uma falta de compreensão sobre o que é flexibilidade e confunde flexibilidade com falta de atitude. Bem, flexibilidade é tudo, menos falta de atitude. Muito pelo contrário, para se ter esta característica é importante estar muito bem fundamentado em suas crenças e prioridades.

Em geral, o que ocorre é que as pessoas encontram uma forma de atender suas necessidades e desejos e se fincam nesta maneira como a única possível de obterem o que querem. Início do desastre. Porque? Porque ou elas levam sorte ou terão uma vida muito pouco rica. Em geral pessoas que são muito rígidas nas suas maneiras de atingir seus objetivos são mais infelizes e brigam muito com os outros por causa desta rigidez. Elas, também, não adquirem um auto conhecimento bom o suficiente para saber de que outras maneiras podem se satisfazer.

Flexibilidade é a habilidade que lhe permite ter vários comportamentos para atingir o mesmo fim. Ter flexibilidade, portanto, significa saber muito bem o que se quer. Saber o que é importante naquilo que se quer e entender quais são as maneiras possíveis de atingir este fim. A pessoa, para desenvolver a flexibilidade precisa ser criativa e ter foco firme (ou seja, longe da ideia de ser fraca ou não saber o que deseja). O foco é onde ela precisa chegar, a criatividade é o que a faz ter vários meios para atingir isso.

O primeiro passo é conhecer muito profundamente aquilo que queremos. As pessoas, em geral, tem noções vagas do que querem e do que é importante para elas nisso. Por exemplo: dizemos que queremos pessoas companheiras. Porém “companheira” se dá de que forma? Para que isso é, realmente importante? Uma coisa é uma pessoa que vá com você fazer compras, outra é uma pessoa que compartilhe suas emoções. Estes dois comportamentos bem distantes podem ser sinônimos de “companheira” e é muito óbvio imaginar que estes dois estilos de companheira atendem necessidades muito específicas.

O caso acima, por exemplo, traz uma pessoa que desejava disponibilidade integral além de exclusividade como sinônimos de “companheira”. Fácil perceber que eram critérios difíceis de serem atendidos. Porém, indo afundo percebemos que estes dois elementos eram uma forma de dizer que ele queria ser reconhecido por quem era. Ora, isso é mais fácil que disponibilidade integral, porém, de que maneiras perceber que ele poderia ser reconhecido? Começamos a compreender que ele poderia ter uma pessoa que soubesse elogiar e validar positivamente seus comportamentos em casa – onde ele era mais sensível – como fazer café e arrumar a cama.

Assim sendo passamos de uma pessoas que precisava ser o tempo todo disponível e gostar “apenas” dele para uma pessoa que soubesse elogiar seus movimentos. Isso é ser flexível. Além disso, ele expandiu seu repertório e começou a perceber que poderia ser elogiado no trabalho e em situações sociais, quando passou a dar valor à estas experiências a própria necessidade de recebe-las diminuiu e ele compreendeu que ele mesmo poderia se elogiar e, com isso, aprendeu a se dar valor. Isso é flexibilidade!

E você: rígido ou flexível?

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

 

Aparência e essência
08/07/2015

download (23)

  • Mas eu não sei o que fazer com ele.

  • Eu sei, mas definir se você vai contratar ou não é irrelevante.

  • Como assim irrelevante? Eu fico super ansioso com isso!

  • Eu sei, mas a questão, de fato, é se você vai conseguir dizer “sim” ao seu instinto de não fazê-lo.

  • É difícil para mim isso.

  • Eu sei. Esqueça um momento dele, pense em dizer sim à você e veja como se sente.

  • Me sinto melhor… me parece o certo à fazer.

  • Ótimo.

 

Quando uma pessoa fala sobre algo que é um problema para ela é importante perceber se aquilo à que ela está se referindo é o problema de fato ou apenas a aparência do problema.

A aparência de um problema e a sua essência estão ligados. A aparência é o como o problema se mostra, a sua estética, a essência, por outro lado é a engrenagem do problema, a sua ética. Uma está ligada à outra de maneira que o problema da pessoa pode ser manifestar de variadas formas – e geralmente o faz – e estas formas estão falando sobre uma mesma engrenagem embora de maneiras diferentes.

Isso que estou dizendo é um fato super conhecido dentro da psicologia. Ocorre que quando percebemos um problema estamos, em geral, pensando no problema em si e não na estrutura que nos permitiu tornar aquilo em problema. Em outras palavras: tem coisas que são um problema para uma pessoa e não o é para outra. O que faz com isso seja possível? A maneira pela qual a pessoa percebe o que ocorre à ela e as respostas que ela tem para lidar com isso. Isso que acabei de descrever é a essência do “problema”.

O interessante é que, quando começamos a falar da essência, deixamos de falar do problema em si. Começamos a falar de como a pessoa cria o seu mundo interno, como ela percebe e valoriza determinadas coisas em detrimento de outras e como ela reage à tudo isso. Quando estes elementos entram em cena é que começa-se a mexer na estrutura que gera a percepção da pessoa. Uma vez que isso seja alterado mudanças começarão a ocorrer na vida da pessoa e na maneira pela qual ela lida com seus problemas.

Uso a palavra aparência e essência fazendo uma alusão à ética e à estética. A estética nasce da ética. A ética é aquilo que dá forma ao nosso mundo. O conjunto de valores pelos quais discernimos o certo de errado, o bom do mal e o belo do feio. A ética cria as bases do pensamento, o foco da percepção e daquilo que desejamos nos aproximar e nos afastar. A estética, então, é aquilo que vemos e criamos através dos valores julgados pela ética.

A estética ou roupagem dos nossos problemas são criadas na nossa ética pessoal, na maneira pela qual verificamos o organizamos o mundo. Um exercício interessante que gosto de fazer com meus clientes é o de tentar imaginar o mesmo problema com o foco de uma outra pessoa. Pegue algo que você considera um problema e pense num amigo ou num inimigo que pensa bem diferente de você. Permita-se assumir a maneira pela qual aquela pessoa vê o mundo. Como ela veria o seu problema? O que ela faria com o seu problema?

Este exercício nos conduz à perceber o mundo de formas diferentes e, com isso, aprender que podemos resolver os nossos problemas assumindo novas perspectivas éticas. Ao ver um fenômeno de um determinado ponto de vista ele se torna outra coisa e, aí, podemos organizar um comportamento adequado para trabalhar com aquilo.

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com

Não basta emagrecer
06/07/2015

Não basta emagrecer

  • Mas Akim… é muito difícil.

  • O que é difícil?

  • Ai… resistir sabe? Tipo, olhar aquele docinho e não comer? É muito sacrifício!

  • Entendo… mas discordo.

  • Porque? Não acha sacrifício?

  • Depende de como você olha… o que está sendo sacrificado, de fato?

  • Como assim?

  • Se você não come está adiando o momento de sentir o sabor daquele doce, que é tudo o que ele tem à oferecer não é?

  • Sim.

  • Se você come está adiando o momento de olhar para a balança e ver o seu peso certo. O momento em que você vai estar com o diabetes sob controle, o momento de vestir aquelas roupas que você me disse que quer, de sentir orgulho do seu corpo e do seu atuo domínio… o que você está, realmente sacrificando?

  • Hum… olhando desse jeito…

 

Perder peso é um tema constante na vida de milhões de pessoas. Um dos grandes problemas à respeito da perda de peso é que o mais comum naquelas pessoas que perdem peso é que elas “ganham” o peso novamente. Este “iô-iô diet” frustra e cansa muitas pessoas que terminam por desistir ou nem mais começar uma nova dieta. No entanto, este efeito é apenas reflexo de uma cultura da dieta que mostra marcas acentuadas de fracasso a cada dia que passa e o pior? Continua forte como nunca.

O título deste post afirma o problema com as dietas. O grande foco da indústria da dieta é na perda de peso, no entanto, este é o pior foco possível para lidar com o problema. Porque? Porque está lidando justamente com o resultado do problema e não com a causa. Mas a causa não é que a pessoa come mais calorias do que gasta? Não. A causa é o que motiva ela e ter este tipo de comportamento e a validar este comportamento como adequado para ela.

Estudos nos mostram que as pessoas “naturalmente magras” não fazem esforço para não comer demais, por exemplo, elas desenvolvem uma sensibilidade à satisfação e ligam esta sensação ao momento de interromper a alimentação. Em outra palavras, elas não se forçam a comer mais do que precisam apenas pelo gosto da comida. Esta é, inclusive, outro tema interessante que mostra que essas pessoas tendem a degustar mais a comida do que os gordinhos. Elas apreciam mais o paladar da comida saciando, assim o seu gosto pelo sabor dos alimentos.

Pessoas naturalmente magras também olham para o futuro e imaginam-se com o mesmo peso. O peso que elas tem está, de certa forma, associado à identidade delas, assim a ideia de sair do peso causa uma sensação de estranheza para elas. Também tem relações muito fortes entre o peso e o estilo de vida. Assim sendo pessoas naturalmente magras tendem a ver o peso não como uma causa ou um problema, mas sim como a consequência de um estilo de vida, algo que lhes dizem sobre quem são.

Este é o foco que não é abordado pela indústria da dieta. Emagrecer não basta porque emagrecer não é saudável. Sim, é isso mesmo, deixe-me repetir: emagrecer não é saudável. A perda de peso é algo que nos diz que estamos doentes ou com falta de comida. O emagrecimento força o organismo a funcionar num ritmo que não é o seu ritmo natural. Infelizmente, quando a pessoa está obesa ela precisa deste recurso drástico para tentar voltar à um funcionamento saudável, afinal de contas o sobrepeso também não é um ritmo adequado para o nosso organismo.

Assim o foco não deve ser em emagrecer, mas sim em encontrar um ritmo que lhe ofereça o seu “peso ideal” e o mantenha nele. Pessoas naturalmente magras, tem a capacidade de comerem o que quiserem, não fazem restrições alimentares afim de manter o peso. Elas apenas sentem a comida e quando comem algo com mais calorias ou comem um pouco menos, ou equilibram a quantidade de calorias ingeridas ao longo do dia. Por exemplo, nada impede de ir à um rodízio de pizza se ao longo do dia e no dia seguinte você ter uma alimentação bem leve e com poucas calorias.

Este “ritmo” que oferece o peso ideal tem a ver com a saúde do corpo e da mente. Assim sendo, o peso nada mais é do que um reflexo de como você tem vivido a sua vida (isso, eu, como ex gordinho, posso garantir). Quanto mais a pessoa foca em ter uma vida como um todo saudável, mais fácil é para ela ter o peso ideal. Porque? Porque ela não fica focada num número da balança ou da calça, mas sim em ter todo um conjunto de atividades e experiências que deixam a própria vida mais saudável. Daí o peso começa a se tornar algo “lógico” certo começa a se tornar algo lógico.

Assim o convite que faço ao leitor é que reflita não apenas no peso, mas em sua vida como um todo em relação ao estilo de vida que leva em todas as esferas. Um dos passos que trabalho com meus clientes é que nunca lutem contra o peso, mas sim desejem ele. Desta maneira o peso ideal se torna algo natural, algo da identidade da pessoa e os caminhos que o fazem chegar nele não são “lutas” ou “sacrifícios”, mas sim atitudes de saúde, satisfação e orgulho, marcas registradas de quem atinge seu peso ideal.

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

O problema da rotina
01/07/2015

rotina-exercicios-01g

  • Eu sei, mas… sabe como é?

  • O que?

  • Eu não posso pegar o meu marido e dar uma saída “assim” com ele.

  • Porque não?

  • Tenho filhos!

  • E um casamento que está se permitindo acabar por causa deles.

  • É…

  • Você sabe, muito bem que o problema não são seus filhos. Eles tem amigunihos onde passar uma noite e pais que já te disseram que aceitam eles lá.

  • Eu sei… é que… eu reclamo, mas não consigo sair disso sabe?

  • Sei. Esta na hora de imaginar um novo futuro para vocês dois. Quero que imagine esta semana e pense, em três atividades que você irá realizar que estão fora da rotina de vocês.

  • Ai… é difícil!

  • Sim e fundamental também!

 

Rotina é ter uma programação de atividades dentro de um período de tempo afim de alcançar metas. Estas metas, em geral são importantes para nós de alguma maneira. Porque reclamamos tanto da rotina então?

A mente humana opera com três tempos: presente, passado e futuro. Cada um deles tem função importante no desenvolvimento de nossa psique. O futuro é o mundo das possibilidades. Sua função é organizar o nosso comportamento no presente em direção à algo. Ou seja, quando empregamos o futuro de uma maneira adequada sentimos motivação, esperança e desejo de ir em frente. O futuro é sempre possibilidades de coisas diferentes ou daquilo que realmente queremos.

Por ser possibilidade o futuro tem, também, um certo “escape” no sentido de que é nele que podemos sonhar como as coisas poderiam ser ou o que poderíamos fazer com nossas vidas. Esta função é importante para manter a mente criativa acesa. Não é exatamente o fato de acontecer ou não, mas, inicialmente, de ter a capacidade de sonhar e desejar. Este comportamento por si só já ajuda a pessoa a sentir-se bem consigo mesma.

O problema da rotina está quando estamos tão focados nela que o futuro perde a sua função de possibilidades. É quando a pessoa olha para o seu próprio futuro e todos os pequenos detalhes dele já estão programados. É como se ela já soubesse o que irá acontecer à ela todos os dias. Essa sensação é sufocante porque retira do futuro a sua função primordial que é de ser o tempo no qual podemos criar e/ou depositar novas possibilidades de vida.

Essa dinâmica faz com que a mente criativa da pessoa fique desligada e a lógica mantém-se apenas oferecendo mais do mesmo. O problema, é importante evidenciar, não está no “mais do mesmo” ou seja, nas atividades rotineiras, mas sim na ausência do novo e, principalmente, na impossibilidade de ousar o novo, de imaginá-lo, deixando o futuro cinza e o presente um fardo.

Ousar significa imaginar onde você irá poder quebrar o ciclo da rotina e inserir pequenos comportamentos distintos que possam fazer você ter uma experiência diferente com a vida. Algo ousado, algo engraçado, algo tranquilo podem ser saídas interessantes para você. A questão é que quando a rotina começa a atrapalhar a vida da pessoa existe um comodismo de parte dela em não se permitir mais sonhar e ousar. A vida é sua e será vivida apenas uma vez. Ouse, crie uma rotina que inclua saídas da rotina!

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

Desejo de ter… medo de perder
22/06/2015

Desejo de ter medo de perder

  • Akim, eu amo ela!

  • Eu sei… mas como você sabe disso?

  • Só de pensar que eu posso perder ela, me dá medo.

  • Ah, então no que você está focando: amor ou medo?

  • Hum… parece que é no medo né?

  • Sim.

  • E aí, o que eu faço?

  • Bem… pode refletir, por exemplo, o que significa perder ela para você?

  • Não sei direito… meio que uma coisa de fracasso.

  • Então o que você realmente não quer é sentir-se fracassado?

  • Seria ruim perder mais um relacionamento.

  • “Perder mais um”, pois é… no entanto, não me parece que você está preocupado com a qualidade da relação, mas apenas em não acumular “mais um fracasso”.

  • É…

 

Ao amar o simples fato de se pensar sem a pessoa amada nos faz sentir um frio na barriga. Porém, o medo de perder a pessoa pode ser algo mais forte do que a relação em si. Isso pode trazer problemas.

Quais?

É importante compreender primeiro que existem duas maneiras básicas de se motivar à algo. Uma delas é por aproximação de alguma coisa que desejamos ter, sentir ou conquistar. A segunda é de afastamento, na qual desejamos manter algo ruim longe ou nos afastar de algo que não desejamos.

Quando uma relação se baseia em aproximação as pessoas envolvidas possuem planos bem claros daquilo que desejam ter de um relacionamento. Seja lá o que for, elas buscam criar com o seu comportamento o cenário que tem dentro de suas mentes. Na aproximação a busca é por algo que se quer e que irá fazer bem à pessoa. Coloca-se a relação em consonância com o desejo.

Já no caso do afastamento os envolvidos projetam seus medos na relação e a tem como uma forma de evitar esses cenários negativos. O exemplo mais clássico é o medo de solidão, no qual as pessoas não querem sentir-se sozinhas, pensam que estar só é igual a ser fracassado ou abandonado ou indigno de amor e, com a presença do outro sentem que este mal esta afastado. Perceba que o mal não foi evitado para sempre, apenas está distante.

E é justamente por este motivo que o medo continua existindo. Pegando o exemplo do medo da solidão, esta continua possível, apenas está – neste momento – distante da pessoa pelo fato de estar na relação. Se ela sair da relação ou se esta acabar por algum motivo o elemento temido poderá vir à tona novamente. É isto o que se deseja evitar.

O medo de perder a pessoa está, em geral, vinculada à um outro medo que está projetado na pessoa. Ao invés de se lidar com o medo da solidão, imagina-se com medo de perder o conjugue. Compreender o medo que está projetado no parceiro – ou na relação em si – é o primeiro passo para ajudar-se. Ao perceber que tenho medo de solidão, por exemplo, posso começar a questionar o que é estar só. Estar só é igual à não ter ninguém como companhia ou estar me servindo de companhia para eu mesmo?

O desejo de estar com a pessoa não gera medos, pelo contrário, gera uma expectativa prazerosa que mistura a relação com a criação de coisas boas, que ambos desejam. Este encontro é uma feliz construir-se e reconstruir-se todo o tempo almejando sempre novos patamares de conquistas, satisfação e orgulho. Se estes sentimentos estão distantes de você, talvez o que você realmente sinta é simplesmente o medo de perder a relação ou o conjugue. E se este for o caso, pense seriamente no que isso significa para você. Talvez você – e a relação – poderão “lucrar” mais com uma investigação profunda e sincera de sua própria mente do que em simplesmente estarem juntos porém sem qualidade – e talvez sem desejo.

Abraço

Visite nosso site: http://www.akimneto.com.br

%d blogueiros gostam disto: