Respeite suas dúvidas
01/06/2015

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  • Não quero muito saber disso.

  • Entendo. Não quer ou tem medo?

  • É… tipo… sabe aquela coisa que você não sabe se quer saber?

  • Sei sim.

  • Então… eu fico me perguntando se estou no caminho certo, mas não sei direito.

  • Tem medo de descobrir que não?

  • É… tipo… medo, na verdade, de ver que joguei boa parte de minha vida fora.

  • E não respondendo corre o risco de jogar a outra parte… será que não é uma pergunta que vale à pena?

  • Olhando por este viés…

 

Muitas vezes queremos fugir das perguntas que nos veem à mente. Desejamos que elas não falem e nos incomodem. Enquanto lutamos contra elas gastamos uma boa dose de boa energia em coisas erradas. Ao invés de evitar as perguntas, porque não buscar compreendê-las? Em geral tememos as perguntas porque não buscamos compreendê-las. Tememos as respostas que podem trazer ou o que precisaremos fazer ao encontrar as respostas.

Algumas vezes nos fazemos perguntas num estilo “ou vai ou racha”, ou seja são perguntas cuja resposta é “sim” ou “não” e elas, em geral, nos fazem ter medo da resposta. No entanto, poucas coisas na vida são radicias assim. Em geral estas perguntas falam de alguma coisa específica ou alguma outra reflexão que a pessoa deve aprofundar para compreender, verdadeiramente, qual a pergunta que deseja se fazer. Perguntas podem ser mal feitas e uma pergunta assim pode levar à problemas.

Assim sendo, o que fazer com nossas perguntas? Um dos primeiros pontos que busco tratar é compreender, verdadeiramente o significado da pergunta, ou seja, para que ela é importante? Porque esta pergunta e não outra? De que tema ela verdadeiramente está falando? Muitas vezes as pessoas projetam seus problemas e uma pergunta do tipo “será que meu casamento me faz feliz?” pode ser simplesmente uma projeção da certeza de que o seu trabalho não o está deixando feliz.

Compreender o tema e a importância da reposta (para que ela serve) nos guia para um fator importante quando nos fazemos uma pergunta: onde, realmente, queremos chegar. Saber que tipo de resposta desejamos nos leva a elaborar melhor as perguntas e encontrar soluções para nossos anseios. É no como faço a pergunta que reside o verdadeiro problema e não apenas na pergunta em si.

O que realmente responde as suas perguntas? Buscar compreender isso é buscar o significado como mencionei acima. A pergunta “Meu casamento me faz feliz?” Pode ter várias respostas e elas podem não responder a pergunta. Então um simples “sim” ou “não”, por exemplo, pode não ser a resposta efetiva. Algumas vezes a pessoa quer outra coisa com a pergunta, esta do casamento, por exemplo, pode estar precisando de uma reposta sobre as escolhas da pessoa, assim uma pergunta mais adequada seria “escolhi bem minha relação?” e isso pode levar à “faço bem minhas escolhas?” que pode terminar, por fim em uma reflexão tal como: estou precisando viver minha vida de forma diferente, as escolhas que fiz não me servem inteiramente mais, então preciso de novas escolhas, horizontes desafios. E isso pode não ter nada a ver com a pergunta original.

Aprender a fazer esta progressão de profundidade no tema que se está trabalhando é fundamental para fazer boas perguntas, espero que este artigo tenha ajudado você com as suas.

Abraço

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Mundo interno
03/10/2014

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  • Sabe Akim… eu acho que eu estou com medo.

  • Hum… o que te faz “achar” isso?

  • Eu estou querendo algo, mas me sinto recuando, apreensivo com o que quero.

  • Entendo, você sente que pode se ferir de alguma maneira se for atrás desse desejo?

  • Sim.

  • Me parece que o medo está “correto” e muito bem alocado. O que te faz achar que pode se machucar?

  • Bem, eu já me envolvi antes, como você sabe… e foi muito difícil. Eu tenho um certo receio de relações…

  • Claro… vamos trabalhar com este medo então. Que bom que ele veio não é?

  • Sim… eu me lembrei que você disse da última vez que era para eu ir com calma e ouvir meu medo… mas não deu naquele momento…

  • Que bom que agora está dando e você poderá, então, mudar isso em ti!

  • É…

 

Aprender a criar contato com o “mundo interno” talvez seja uma tarefa árdua para muitas pessoas. Nem todos nós vivemos vidas que proporcionaram um desenvolvimento feliz e recompensador desta habilidade.

Quando o nosso desenvolvimento não proporciona os elementos adequados para que este contato seja bem sucedido, a pessoa pode desenvolver uma reação negativa ao que “vem de dentro” passando a negar ou desvalorizar aquilo que sente e que percebe. Obviamente esta é uma receita fácil para muitos problemas emocionais e até mesmo sociais, pois visto que nossas emoções influenciam a escolha de parceiros, delimitação de limites e o próprio desejo, não estar num contato fino com elas podem ocasionar em decisões mal tomadas.

Nestes casos não se pode forçar um contato, porque isso seria mais uma violência com a pessoa. É importante, antes disso que a pessoa entenda que é necessário este resgate e que a vida que viveu não é um determinante da vida que ela poderá levar. Sim, muitas vezes negar nosso mundo interior pode ser a saída para conseguirmos sobreviver emocionalmente, mas viver para sempre assim não é algo saudável e, com o passar do tempo e das experiências, em geral novas oportunidades de relações melhores se apresentam.

Com isto em mente aprender a reconhecer estados sensoriais como frio, fome, calor, dor e prazer é o primeiro passo. Embora possa parecer algo simples, quando se passa muito tempo negando o contato com nossa realidade interna estes elementos se tornam estranhos. Como fazê-lo? Da maneira mais simples e poderosa: a partir da experiência. E é muito interessante porque isso demora um pouco a ocorrer, a pessoa deve passar por mais de uma experiência de tomar um banho quente, por exemplo, para aprender a ter contato com o efeito disso nela. Não se trata de saber que a água esta quente, mas sim de sentir o calor e a sua repercussão no nosso corpo, no nosso estado de espírito.

O contato com a respiração e com o corpo é um segundo passo importante. O corpo é “onde” vivemos, ele é o responsável pelas sensações que temos do mundo, assim sendo, nosso contato com ele é fundamental. A respiração tem uma ligação direta para com nossas emoções e estados psíquicos, assim quanto mais uma pessoa aprende a respirar melhor seu contato com o mundo interno. Novamente não é uma questão de saber, mas sim de perceber e se entregar às sensações.

Aí, então, temos o substrato para que a pessoa consiga falar de suas emoções, percebê-las e poder, lentamente, a agir com elas ao invés de negá-las ou desvalorizá-las buscando sempre uma imagem “forte” – que melhor se traduz por fria – de quem nada sente ou que não precisa se importar com o que sente. É um caminho que envolve ansiedade e um pouco de angústia que vem quando emoções mais fortes ou mais enraizadas começam a ser tocadas, mas que também envolve a descoberta do prazer e a sensação de amizade com as próprias emoções o que gera uma sensação de “eu” mais coesa.

É, também, uma construção. As pessoas costumam usar o termo descoberta, mas eu prefiro o termo construção porque se trata não de descobrir o que há lá dentro, mas sim de como a pessoa irá reagir aquilo e o que ela vai fazer dali em diante. Ela constrói o seu próprio eu ao invés de simplesmente descobrir algo que já está lá dentro (quem teria colocado “aquilo” lá?). Assim além de um desbravador das próprias sensações a pessoa é, também e preferivelmente uma criadora de si. E este processo é lindo de se ver.

Abraço

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Auto-percepção
11/09/2013

– Então, fiz o exercício que você me pediu.
– E aí, como foi?
– Foi meio estranho até, eu fui eu mesmo do jeito que eu sou e fiquei olhando para as pessoas depois que eu agia.
– Isso, muito bom e o que você percebeu?
– Fui vendo que a maneira que eu falo com as pessoas é o mesmo jeito que eu não gosto no meu pai! Foi muito estranho perceber isso.
– Hum, muito bom hein?
– É… não sei se foi bom, foi estranho.
– Claro, é normal sentir estranheza num momento como esse. A percepção foi muito diferente da imagem que você tinha de você?
– Sim. Nunca pensei que eu falava daquele jeito. Agora entendo porque minha namorada fica magoada comigo de vez em quando.
– Perfeito, agora me diga o que você quer fazer com isso?

Perceber o nosso comportamento, pensamento, emoções e suas consequências é o primeiro passo para a mudança.
O trabalho de auto-percepção é um fundamento para qualquer tipo de terapia. Seja o foco o comportamento, os pensamentos ou as emoções é necessário perceber o que acontece conosco e como acontece antes de poder realizar alguma mudança e, muitas vezes, perceber que não existem mudanças a serem feitas.

Como se faz isso?

Existem várias formas para melhorar a sua auto-percepção dependendo do que você quer perceber. Então, o primeiro passo é dar um foco: sobre o que você quer prestar atenção? Um comportamento? Um dado tipo de emoção? Um pensamento? Como você reage à um determinado tipo de situação? O efeito que você causa nos outros com o seu jeito de falar, de andar ou de olhar? A pessoa pode escolher focos muito simples como a sua respiração, que é o que se faz em meditação, por exemplo: ela foca a sua atenção em perceber os movimentos do seu corpo enquanto respira, não faz críticas e nem julgamentos, apenas descreve para si mesma o que está percebendo. Este é o segundo ponto: seja descritivo sem elaborar julgamentos sobre o que está percebendo, não procure mudar ou adaptar o comportamento faça tal como ele é e descreva para si o que percebe.

Uma vez que determine o foco – o “o que” – é importante passar à prática. Se você quer perceber um comportamento seu, coloque-se em situações nas quais ele ocorre, passe a emitir o comportamento e descreva para si o que percebe. Depois de vivenciar o episódio você também pode pensar nele em sua casa, lembrando do que ocorreu e do como ocorreu para aumentar a sua percepção. Pensamentos e emoções também podem ser percebidos desta forma: na hora em que ocorrem ou em retrospecto – como foi da última vez que senti ou pensei isso? o que estava acontecendo no momento?

Elementos que são interessantes de serem percebidos: o seu estado de humor antes e depois, pensamentos que teve antes e depois, como estava a sua semana ou o seu dia naquela situação, se você estava com a saúde em bom estado ou não, se tinha algum tipo de problema em outra área ou não, como fica o seu corpo nestas situações (tensões, prender a respiração, aumento da circulação do sangue, tonturas), os efeitos que foram causados e como você reage á estes efeitos.

Perceber “à nós mesmos” é algo muito importante e complexo, aos poucos vamos encaixando peças e mais peças para formar um modelo maior para informar à nós sobre como nos comportamos porém com dados colhidos de maneira mais assertiva, pesquisada de fato. Desta forma é prazeroso pensar que somos assunto para uma vida toda!

Abraço
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O corpo fala
27/05/2013

– E eu fico muito tenso com isso

– Sim, você tende a se fechar todinho não é mesmo?

– Sim.

– Percebe que a sua respiração trava, os seus olhos ficam vagos e e teu peito se fecha quando acontece isso contigo?

– Agora que você falou… estou sentindo isso agora… parece que eu saio do chão…

– Exato, levante-se então, vamos fazer um exercício…

– Ok.

– Fique de pé, com os pés um do lado do outro e coloque o peso do seu corpo na parte da frente do pé, e use seus dedos como se estivesse agarrando o chão com eles.

– Ok

– Sinta como se você estivesse agarrado ao chão e “empurrando” o seu corpo para cima com sua pernas.

– Certo

– Cruze as mãos atrás da cabeça e incline o seu corpo para frente, usando as pernas para empurrar o seu corpo, sinta a sua coluna se alongando… ótimo… quando a dor do alongamento diminuir um pouco solte as mãos para frente, deixe seus olhos abertos e respire bem profundamente…

– (ele executa)

– Sente suas pernas com um leve tremor?

– Sim

– Ótimo!

– (permanece um tempo na posição)

– Agora suba bem devagar, use suas pernas para levantar o seu corpo, deixe a cabeça relaxada e desenrole a coluna a partir do quadril. Ótimo… como está?

– Nossa… quando eu falei que estava tenso não conseguia perceber a solução do meu problema, agora parece que eu voltei para Terra, relaxei e está claro o que eu tenho que fazer sabe?

– Perfeito!

Nosso corpo não apenas fala, ele respira, se emociona, pensa. Quando ouço o argumento de que é no cérebro que as coisas realmente acontecem eu pergunto: e o cérebro é o que? Um alienígena dentro de nós? Cérebro é corpo, um amontoado de células.

No entanto, saber disso é uma parte do negócio a outra parte está ligada em saber como transformar esta informação em algo concreto, como no exemplo que dei acima. A pessoa estava muito “tensa” e  tinha “saído do chão”, ela não estava mais em contato consigo, precisava defender-se da situação emocional que estava causando aquilo tudo e fazia isso “saindo do chão” e tensionando, como se fosse uma bolha de chumbo flutuando no espaço.

Ao fazer aquele exercício conhecido como “grounding” a ideia foi trazê-lo para terra novamente ao mesmo tempo em que eu o ajudava a relaxar. Ao usar as pernas para se sustentar a pessoa aprende a “dar-se a própria sustentação” e com isso a “solução” começou a ficar mais clara.

A forma pela qual usamos nosso corpo altera nossa percepção, nossa emoção e nosso pensamento. Se você duvida, corra  durante uma hora e perceba como isso altera o seu estado de humor, ou então tensione todo o seu corpo durante um minuto e tente fazer a apreciação de alguma coisa: uma música, um copo de vinho ou de um quadro. Agora faça o contrário: relaxe, faça um groundig e então aprecie. Nossa mente e emoções afetam nosso corpo, a parte bacana disso é que o contrário também é verdadeiro e com isso temos duas vias para o auto-conhecimento e para a mudança!

Um benefício extra que este tipo de visão proporciona é que o seu contato com a sua saúde fica aumentado. Ao perceber mais o seu corpo você se torna naturalmente mais exigente de uma “qualidade somática” de vida. Dificilmente vai ficar inerte ao perceber um excesso de tensão, ou uma falta dela; provavelmente vai querer cuidar mais da sua saúde o que só traz benefícios.

Abraço

Viste nosso site: http://www.akimneto.com.br

P.S: para trazer este conhecimento na prática a Akim Neto Psicologia Clínica estará realizando a partir de junho um Grupo de Consciência Corporal, confira no link:

O que eu quero?
04/03/2013

– Akim eu não quero mais viver desse jeito! Não dá mais!

– Ótimo! Concordo contigo!

– Me ajude a sair dessa!

– Ok, vamos lá então: o que você quer viver?

– Como assim?

– Bem, para sair dessa você precisa saber para onde quer ir! Senão, acaba ficando onde está por ser mais cômodo!

– Hum… sei… bom… eu só sei que eu não quero mais o que estou vivendo!

– O que, especificamente você não quer mais?

– Não quero mais esse marasmo que a minha vida está sabe? Tudo igual o tempo todo! Até a minha angústia já tem hora marcada!

– Entendi… e o que você quer viver ao invés de viver este marasmo?

– Acho que estou precisando de paz…

– Paz? Como é paz para você?

– Sabe… pensando aqui com você o que eu preciso é de um momento no meu dia que eu possa ficar sem fazer nada, só me sentar na poltrona e fazer algo que eu não faço faz anos: sonhar um pouco.

– Hum… como era isso?

– Quando eu era mais piá eu fazia isso: saia da escola, da faculdade e sentava um pouco para sonhar com a minha vida e sabe o que? Desses sonhos que saiu o que eu sou hoje!

– Olhe só que maravilha! Me parece então que você está precisando entrar em contato com seus sonhos novamente… quem sabe para definir o “round 2” da sua vida?

– Cara… é isso mesmo né? Faz todo sentido… filhos indo… vida indo… emprego indo… acho que consegui atingir boa parte do que eu queria e agora? Agora… sonhar de novo!

– Perfeito!

 

 

Aristóteles definia a inteligência como a medida que alcança um objetivo, para ele a lógica aplicada “a nada” não era inteligência, pois, ao final, não atingia um objetivo.

Muitas pessoas me procuram no consultório dizendo que querem viver vidas diferentes, que não aguentam mais as coisas como estão e querem uma solução para isso.

A pergunta: o que você quer? É a pergunta que redireciona a mente e o raciocínio da pessoa para um novo caminho: de buscar seus desejos, de criar o seu caminho.

Saber o que não se quer é o primeiro passo para a mudança o segundo que vai começar a concretizar a mudança é responder: o que eu quero.

Supor que se a pessoa não quer mais um estilo de vida o que ela quer é o contrário é muito simplista, ela pode estar querendo uma outra coisa totalmente diferente.

E é buscando responder a pergunta “o que quero” que ela vai desenvolver a resposta. Uma pessoa pode estar cansada de um emprego, por exemplo, mas supor que ela quer um novo emprego pode ser falso, ao pesquisar dentro de si ela pode compreender que o que a incomoda é a forma pela qual lida com seu atual emprego, e, fazendo mudanças em sua rotina ela vai voltar a apaixonar-se pelo mesmo cargo, na mesma empresa. Outros podem querer mudar de área e alguns podem estar precisando de uma atividade extra que mexa com a sua criatividade e com isso, resolver o “problema do emprego”.

Responder esta pergunta requer conhecer-se, checar seus medos e angústias, crenças que limitam sua percepção, adquirir habilidades, aprender e ir à novos lugares, perceber-se de uma forma nova, confiar nas suas competências e entender o que o desejo que você quer colocar no mundo fala sobre você. Como não tem certo e nem errado é uma das perguntas mais difíceis de ser respondida e causa, geralmente, uma grande angústia pois ao afirmar: “eu quero…” estamos criando um compromisso que precisará de uma resposta.

Muitas pessoas tem medo dos seus desejos, outras acham que não são capazes e terminam por se contentar com o que a vida lhes colocar na frente, porém, mais cedo ou mais tarde, o desejo da pessoa começa a gritar dentro dela buscando expressão. Nesses momentos a pessoa busca aprender novas formas de viver, para expressar este desejo e vivê-lo de forma plena. Deixar o medo guiar seus desejos é colocá-los na gaveta, mas saiba: eles ficarão lá se mexendo e fazendo barulho e, durante a noite, eles vão perturbar o seu sono.

Para fechar quero deixar a seguinte pergunta para o leitor: e você, o que quer?

 

Abraço

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