Velhos temas, novas descobertas
17/08/2015

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  • Mas Akim… de novo isso!?

  • Sim… de novo…

  • Eu não aguento mais voltar para o tema da insegurança.

  • Eu entendo, porém é ele que sempre se apresenta. O que você tem refletido e feito de fato sobre este tema?

  • Na verdade… sei lá… eu prefiro evitar… já entendi que é isso sabe?

  • Sim, porém entender é uma parte, agora, mudar é a que realmente faz diferença.

  • É… bem… eu sei… mas é difícil

  • Fale mais sobre isso

 

Um fenômeno comum em terapia é as pessoas sempre voltarem à um determinado tema. A maior parte das pessoas acham que a terapia não está indo adiante quando percebem isso, esperam que tenham cada vez mais temas e temas diferentes. No entanto, nada poderia ser mais distante da verdade. Quando a pessoa percebe que está rodando em torno de um tema, em geral, isso significa que ela está tocando o cerne do problema estrutural que a trouxe à terapia.

Em outros posts já falei que nossas questões possuem “níveis”, ou seja, uma tristeza, pode ser apenas o sintoma de um outro problema mais profundo. Assim, quando, no processo a pessoa começa a chegar sempre no mesmo ponto, isso pode significar que ela está em níveis mais profundos daquilo que ela acha que é o problema. Com isso quero dizer que boa parte de nós quando entramos em terapia temos um foco do problema, percebemos o sintoma, porém não sabemos identificar ainda a dinâmica que gera este tipo de sintoma.

Perceber que você está rondando o mesmo tema é um indicativo de que a ansiedade diminuiu e que todos os temas levam ao mesmo lugar, ou seja, à dinâmica psíquica que gera a problemática. Ao invés de achar que sua terapia não está dando certo tente perceber o que faz com que todos estes temas estejam ligados. Buscar pelos elos entre os temas que o levam ao mesmo lugar é uma das maneiras de conseguir compreender a dinâmica.

Quando digo “dinâmica”, o que quero dizer é que nossa vida emocional não é um circuito fechado no qual apertamos um botão e uma luz se acende. É mais parecido com um computador em que todas as áreas estão ligadas umas às outras e compartilham de uma história que é vivida no dia a dia. Assim sendo elementos do seu passado assim como expectativas do seu futuro interferem no seu presente afetando, por exemplo, a sua motivação, mas isso pode interferir em outras áreas como o seu relacionamento. A vivência diária dessa maneira de lidar consigo mesmo cria “dinâmicas”, ou “jeitões de ser e de pensar” que se repetem e fazem com que a pessoa tenha sempre uma vida muito parecida.

Compreender esta dinâmica é o fundamento de terapias mais “profundas” ou seja, de níveis distintos. Ela é o gerador de novos hábitos e comportamentos. Ao compreendê-la, compreendemos, também a origem de nossos comportamentos e pensamentos assim como a chave para conseguir mudar e até especificar exatamente aquilo que desejamos realmente mudar.

Abraço

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Objetividade e frieza
10/08/2015

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  • O que eu não entendo é porque ele ficou tão brabo comigo depois.

  • Hum… você acha que ele não deveria ter ficado assim?

  • Claro. Eu só falei os fatos para ele.

  • Sim. Você descreveu algo que você vê nele.

  • Pois é! Porque ficar tão brabo comigo por isso?

  • Porque não?

  • Ué, ele deveria pensar sobre aquilo e pronto… não vejo para que se emocionar.

  • Como você é dura!

  • (Pausa) Porque diz isso?

  • Você sentiu algo quando eu falei isso?

  • (Pausa) Sim.

  • Segundo você, você não deveria ter sentido… deveria apenas ter pensado sobre o que eu falei.

  • Hum…

 

Ser objetivo é importante em nossas vidas. Esta capacidade serve para tomar decisões e avaliar com realismo nossos resultados. Porém existe outra característica que é confundida com objetividade que é a frieza.

Ser objetivo é uma característica que tem a ver com a maneira pela qual a pessoa lida com os fatos. Diz-se do objetivo a pessoa que consegue raciocinar em cima de dados e fatos, tirando conclusões a partir da realidade e elaborando ações para esta realidade. O contrário do objetivo é a pessoa que já tem uma versão da realidade e busca adaptar os fatos às suas teorias. A objetividade, assim sendo considerada, é uma característica que pode acompanhar diversos tipos de emoções. A curiosidade, inclusive, é um estado afetivo que liga-se muito bem à objetividade.

Frieza é outro departamento. Quando fala-se em frieza aponta-se para a maneira pela qual a pessoa valoriza os estados emocionais. Frieza não está ligado à não sentir determinada emoção e sim à desvalorizar a presença da emoção em si e nos outros. “Tratar com frieza” é uma expressão que usamos quando percebemos que alguém está deliberadamente ignorando expressões afetivas. É possível ser frio e objetivo sim, porém as características não são sinônimos.

Ambas as habilidades tem sua importância em nossas vidas. Ser frio assim como ser objetivo são características que podem ser úteis dependendo do contexto e dos objetivos da pessoa. Podem também ser utilizadas de maneira inadequada quando, por exemplo, tenta-se se frio sempre que o contexto provoca emoções. Ora, lidar com emoções através da frieza pode ser útil, porém não será útil sempre. Existem situações em que lidar com os fatos é importante, porém, quando estamos criando, muitas vezes temos que torcer a realidade e deturpá-la para conseguirmos criar algo novo.

Em geral o que vejo no consultório é que existem dois problemas em relação à estes temas: ter a frieza como resposta padrão para estados emocionais e ser objetivo com tudo. O primeiro caso tem a ver com uma baixa capacidade de lidar com as emoções. Em geral a pessoa teme perder o controle ou – numa acepção errônea do termo – não ser “objetivo”. É importante aprender a desenvolver uma maleabilidade emocional afim de entender que cada emoção possui uma função e que isso não prejudica, mas sim adapta a percepção da realidade ou, até mesmo, chama atenção à determinados elementos do real.

O segundo caso é o típico “chato” que não consegue relaxar e se soltar numa conversa porque tudo para ele precisa de evidências, justificativas e provas. Ser objetivo o tempo enche a pessoa de um conhecimento prático da vida, por outro lado, muita praticidade torna a vida seca e áspera. É necessária uma certa dose de subjetividade que é o que dá cor aos dados e ao lado prático da vida. Afinal mesmo aquilo que chamamos de objetivo possui o fato de ser visto por um humano que tem uma visão sempre limitada do real e, portanto, é subjetivo.

Abraço

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Planejo e não faço…
03/08/2015

Planejo e não faço

 

  • Então Akim… não fiz ainda…

  • O que você ainda não fez do seu plano?

  • Nada.

  • Hum… o que aconteceu?

  • Na hora olhei para aquilo e pensei… ah, não deve ser pra mim isso.

  • Ah é? E o que, em você, não te permite “ser para isso”?

  • Não sei… eu me senti envergonhado de querer essa promoção.

  • Qual o motivo para vergonha de querer isso?

  • Não sei… é tipo: “vocêeeee quer isso?”

  • Sim, entendi… parece que você está se dando um limite: promoções não são para você. Perfeito, porém o que te coloca do lado de lá do círculo dos que merecem uma promoção?

  • Me vem a voz do meu pai na cabeça me dizendo que eu não sou bom o suficiente.

 

 

Em geral tenho observado alguns comportamentos comuns em pessoas que planejam mas não executam seus planejamentos. Um deles é uma motivação inadequada que não mexe com a vontade da pessoa em executar suas tarefas, outra é uma incapacidade de perceber uma relação causal entre o comportamento dela e a concretização dos planos e uma última é a percepção do futuro desejado como algo irreal.

A motivação inadequada surge quando a pessoa não encaixa o plano que criou no seu estilo motivacional. Cada um de nós tem uma maneira própria de evocar a motivação para executar planos e desejos, no entanto, muitas vezes os objetivos são de uma natureza contrária a da motivação. Para dar um exemplo, o estilo motivacional da pessoa pode ser de afastamento de coisas ruins, ou seja, ela se motiva à ação quando precisa afastar-se da possibilidade de algo nocivo à ela.

Desta forma, pode trabalhar para não ficar sem água ou luz em casa. Pode cuidar da saúde após ter uma doença, ou seja cuida da saúde não para adquirir mais saúde e sim para evitar uma doença. Quando em estilo como este se depara com um objetivo que vá exigir o seu esforço em prol de algo que vai lhe trazer algo bom, mas não causará dano é comum que a pessoa emperre. Por exemplo, não é um estilo motivacional bom para pensar em algo como conseguir uma promoção. Porque? Porque a promoção envolve buscar algo positivo que é o contrário. Adequar o estilo motivacional, numa situação como esse seria algo como: “se eu não conseguir esta promoção posso perder a chance de subir na empresa e eu não quero ficar o resto da vida neste cargo, isso seria horrível”. “Conseguir a promoção” se torna “não ficar mais neste cargo horrível o resto da vida” e, com este discurso a pessoa consegue motivar-se. Obviamente o estilo motivacional não é fixo e pode ser aprendido também.

A incapacidade de perceber uma ligação entre o comportamento e as consequências dele é algo que tem se tornado cada vez mais comum. Parece simples compreender que quando tenho um comportamento ele terá uma consequência e essa é o que me interessa. Porém, por diversos fatores as pessoas não fazem esta ligação e, então, a ideia de comportar-se para atingir um determinado objetivo parece insossa, afinal de contas “para que me mexer se não sei se isso terá algum efeito?”. Este último é o discurso padrão quando a pessoa não tem a relação bem estabelecida.

É muito comum que pessoas com este comportamento sejam colecionadores de fracassos e arrependimentos. O que é importante fazer neste caso é ligar a ação que elas tiveram no passado com os resultados que obtiveram. Este exercício pode ajudar a pessoa a estabelecer uma ligação e, a partir disso já ter delineado o tipo de comportamento que elas não querem. A partir disso pode-se inferir sobre o tipo de comportamento que levaria elas à execução dos planos e aos resultados que isso lhe traria. Quando se junta este elemento com a motivação adequada temos um bom propulsor para execução das tarefas e desejos.

Por fim, quando a pessoa faz um plano, um bom plano diga-se de passagem, ela cria para si o que chamamos de futuro propulsor. Este é aquela visão de um futuro no qual atingi meus objetivos e, neste cenário, sinto-me bem. Porém este futuro, por melhor que seja, nem sempre é visualizado como “possível” ou como “real” pelas pessoas. Os dois problemas acima podem ser a fonte deste terceiro, ou seja o futuro criado pode ser ótimo, mas não mexe na motivação da pessoa, logo ela o vê como irreal ou, então, ela percebe o futuro como desejado, mas não faz ligação entre o seu comportamento e a criação deste futuro, ele parece-lhe, assim, inalcançável.

Porém, algumas pessoas estão com ambos elementos bem organizados e ainda assim não vão atrás do plano, o futuro ainda parece irreal. É o caso de começar questionando-se se você merece este futuro. Neste último caso as pessoas não caminham em direção ao futuro desejado porque não sentem-se merecedoras, é uma questão de auto estima, na qual a pessoa não se vê como alguém digno de um futuro como esse. Fácil imaginar que as causas podem ser várias, mas é importante, em todas elas questionar a crença no não-merecimento, ou seja: o que faz com que você não seja digno? Este “não merecer” é uma punição ou um limite imposto? Determinar isso ajuda a libertar-se e construir o merecimento que basicamente é a ligação entre comportar-se e conseguir o que se quer.

Um último adendo é que muitas pessoas simplesmente não conseguem porque não agem. Agir é importante porque um bom plano é apenas isso, um bom plano. Então, se você já planejou, aja ou então seu plano será apenas mais uma bela história que você não viveu.

Abraço

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Horários
27/07/2015

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  • Não sei mais Akim… tô muito perdido sabe?

  • Sim, entendo.

  • Está difícil para eu me manter nos meus horários, esqueço uma coisa, chego atrasado em outras…

  • Sim… o que tem a ver com você isso?

  • O que?

  • A dificuldade para determinar teus horários tem tudo a ver com você nesse momento.

  • Hum… não sei direito… eu também não estou muito feliz ultimamente.

  • Sim. Não sei, mas me parece que estes “atrasos” querem dizer algo sobre as atividades que você está fazendo.

  • Pode ser… não sei direito se quero fazer o que estou fazendo.

  • Imagino… quais as tuas prioridades neste momento?

 

Administrar o tempo, ao contrário do que se diz e se pensa é muito mais do administrar um conjunto de horas dentro de um dia. Tem a ver com a sua pessoa e o seu estilo de vida. A pergunta que sempre faço é: o que te motiva a usar teu tempo – que é limitado – nisso que você escolhe?

O tempo que temos é finito e não sabemos exatamente quando ira acabar. Isso faz dele algo único, o tempo de hoje não pode ser mais usado amanhã. Desta maneira quando escolhemos usar o tempo para determinadas atividades estamos, com isso, moldando a nossa vida de uma determinada maneira. Atrasos, como no caso acima podem ser uma indefinição à respeito do que fazer com o tempo ou da maneira pela qual a pessoa lida com suas escolhas.

Assim “atrasar-se” não é apenas uma questão de acaso, mas de estilo de vida. Porque sempre postergo aquilo que escolho, ao invés de resolver as coisas “na hora” é uma pergunta válida, por exemplo. Atrasar, neste aspecto, é uma escolha que deixo um pouco para depois – vale lembrar que neste posto falo sobre o comportamento de quem se atrasa sempre e não de um ou outro atraso ocasional.

Em terapia já atendi muitas pessoas que dizem: “mas não consigo chegar no horário, meu trabalho me prende”. Torna-se evidente logo mais que essas pessoas sempre deixam as suas escolhas pessoais para depois também, colocam-se em segundo plano em tudo. Assim, não tiram férias por causa dos filhos, não fazem seu lazer por causa da mulher – ou do marido, e não chegam no horário por causa do trabalho. O que eles estão realmente dizendo é que preferem deixar o tempo reservado para suas escolhas com outras pessoas e tarefas. “Se você esperar o mundo dar tempo para fazer o que quer, vai esperar sentado”.

Assim o uso que damos ao tempo está intimamente ligado à nossa personalidade e à maneira pela qual lidamos com nossas atividades e escolhas. É importante ver quais as prioridades que temos na vida e saber que a não ser que criemos a brecha na qual iremos fazer nossas atividades, o mundo irá sempre nos trazer demandas. Criar esta brecha e escolher usar o seu tempo para algo que você deseja significa não fazer outras coisas, por esta razão é que é importante que suas prioridades estejam bem organizadas, se não estiverem, vale usar um pouco de tempo para fazer isso.

E aí, que horas você vai viver a sua vida?

Abraço

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Os erros do passado
22/07/2015

 

Erros do passado

  • Mas então… eu sei que não vai dar certo.

  • Porque não?

  • Porque eu já tentei e não consegui antes.

  • Entendi.

  • Daí, melhor ficar de fora né?

  • Se a tua conclusão é de que o erro do passado irá necessariamente se repetir, sim.

  • E não vai?

  • Não sei… o que você aprendeu quando errou no seu passado?

  • Nada ué… só fiquei triste.

  • Então é provável que vá se repetir. Agora… porque você não aprende com o que fez ao invés de se tornar vítima do seu erro?

  • Como assim?

 

É muito comum que as pessoas tentem realizar algo e não consigam, errem, não tenham 100% de desempenho. Também é comum na nossa cultura que isso seja entendido como um fracasso e um sinal de que é melhor você ficar longe daquilo porque pode lhe trazer problemas. O erro do passado se torna, então, destino futuro. A marca indelével do seu fracasso e o atestado da sua incompetência. inclusive muitas pessoas lutam anos a fio com estas cenas tentando deletar da memória aqueles momentos de tristeza e vergonha.

O que é um erro? O erro é um comportamento que não atingiu o resultado previsto. Como diz o ditado apenas erra quem está tentando, quem deseja conseguir ou aprender algo. Assim sendo, o erro representa, também, a tentativa da pessoa em conseguir algo que almeja. O erro pode ser, também, uma fase de um aprendizado ou adequação frente à uma situação/ aprendizagem que a pessoa não tem.

Encarar o erro como uma fase do aprendizado é o que fazem os grandes cientistas e inventores. Eles não pensam em erro nos mesmos termos que nós. Reconhecem o erro, mas valorizam este evento como mais uma marca importante do seu aprendizado. Eles ignoram o ato de desistir frente ao erro e reconhecem a importância de refletir sobre o que fizeram afim de modificarem a próxima tentativa com mais sabedoria.

E é este o ponto que eu gostaria de trazer no post de hoje. O mais importante com um erro depois que ele ocorre é o como tratamos este erro. Se o colocamos na esfera moral e passamos a nos tratar como incompetentes que não merecem uma segunda chance ele se torna restritivo da nossa evolução, passamos a temer o erro porque ele significa portas fechadas sempre. Se, por outro lado, não nos enfraquecemos e buscamos no erro o próximo passo, estaremos aprendendo a criar auto confiança (sim, ela existe mesmo no erro) e a gerar novos aprendizados a partir da nossa experiência, o que se chama por aí de auto conhecimento.

Assim sendo, se você tem um erro que o impede ainda hoje de tentar algo novamente e você deseja tentar, faça o seguinte. Relembre a cena do erro, o contexto no qual você estava vivendo e quem você era naquela situação. Pense em tudo o que você fez buscando compreender o que fez com que você tivesse errado e não chego no resultado desejado. Depois, pense no que poderia ter feito para garantir um novo resultado, pense em várias situações possíveis, pelo menos três estratégias diferentes. Se não sabe, pergunte à alguém que saiba como fazer, alguém que já passou pela experiência e se deu bem.

Imagine-se fazendo “a coisa certa” com vários comportamentos à disposição, no caso da opção A não dar certo. Faça isso até sentir que “aprendeu” com o seu erro. Uma vez que isso tenha acontecido, imagine-se no futuro tentado realizar a mesma coisa novamente, agora de posse destes novos aprendizados. Veja como se sente. Vale a pena tentar de novo?

Óbvio, estas dicas não devem ser utilizadas em casos de erros que podem colocar sua vida em risco, ou que podem ser potencialmente danosos. São linhas gerais de comportamento que as pessoas usam para aprender com seus problemas, use estas ideias com parcimônia e busque auxilio e um profissional caso sinta que isso é necessário.

Abraço

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Intimidade e poder
03/07/2015

Couple Relaxing in Bed --- Image by © Laura Doss/CORBIS

  • Mas eu estou insatisfeito.

  • Sim, percebo, agora, porque não abrir isso para a sua esposa?

  • Não dá…

  • Porque não?

  • Porque depois ela usa isso contra mim. Vai ficar me enchendo o saco por causa disso!

  • Entendo… Então é melhor manter o controle do que se abrir?

  • Algo assim.

  • Que relação estranha não?

  • É… pensando assim… parece uma briga né?

  • Parece

Num post anterior falei sobre a intimidade como a habilidade de tornar familiar algo entre duas ou mais pessoas. Pensando num casal, a intimidade traz consigo vários benefícios, pois, com ela, a  sensação de empatia, pertencimento e entrega aumentam. Junto com isso tem-se maior facilidade para negociar os aspectos do dia a dia assim como confiança naquilo que o parceiro é capaz ou não de fazer.

Na intimidade descobre-se os novos rumos do casal e pode-se discutir com mais eficiência a relação quando isso é necessário pois a quantidade de informações disponíveis sobre o outro é maior. Conhecer mais o outro e permitir-se ser conhecido é algo que aumenta o desejo pela criação do novo, então ao invés de diminuir, o mistério aumenta. Porém este aumento de mistério é algo que atrai pelo fato de existir um porto seguro entre os dois.

Porém a criação de intimidade vem com o preço da diminuição da briga pelo poder. Toda pessoa ao entrar em uma relação possui alguns medo e desejos. Ao longo da relação começam a ficar evidentes alguns medo que podem acontecer e alguns desejos que não serão realizados. Assim começa a briga pelo poder. A maneira de uma pessoa buscar garantir que seus desejos serão satisfeitos é através do poder que exerce sobre o outro.

Porém o poder termina com a intimidade. Um dos pontos do poder é o segredo, ou seja, a retenção de informações sobre eu mesmo afim de poder manipular o outro ou de não permitir ao outro ciência sobre o que me aflige. Uma vez que há disputa pelo poder não existe o desejo de “tornar familiar”, mas sim o desejo de conquistar e reter, manter, dominar o outro para que a relação se torne aquilo que eu desejo. O desejo pelo poder na relação acaba com o desejo de entrega e isso faz com que a intimidade desapareça.

O efeito mais interessante, entretanto, é que na briga pelo poder muitas vezes os casais realizam seus piores medos através dos comportamentos que assumem. Ou seja, quanto mais lutam contra o parceiro para que seus medos não se concretizem, mais se comportam de uma maneira que influencia a pessoa a se comportar da maneira que eles não querem e temem. A briga pelo poder não constrói as condições para a reflexão sincera e, por esta razão, não faz com que ambos cheguem a entendimentos sobre si e sobre a relação que é o que pode, de fato, fazer com que se crie uma relação em prol do que a pessoa quer e não uma que evite o que ela não quer.

Assim, ao invés de negar medos é interessante revelar medos. Mais interessante ainda é revelar aquilo que se deseja da relação com um foco positivo: o que eu espero de fato. Isso é o que “cura” o medo. Se a pessoa tem medo de segredos, por exemplo, deve buscar construir uma relação com foco na sinceridade e transparência e saber como lidar com estes aspectos.

Ser íntimo é mais do que saber fatos sobre a pessoa. É ter a habilidade e a relação na qual existe espaço e desejo de ouvir e ser ouvido, compartilhar informações, emoções, vivências e desejos sabendo que eles serão respeitados e incluídos na relação. É ter um sentimento de aceitação de si e do outro ao invés de medo daquilo que vem do outro. E é uma delícia.

Abraço

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Desejo de ter… medo de perder
22/06/2015

Desejo de ter medo de perder

  • Akim, eu amo ela!

  • Eu sei… mas como você sabe disso?

  • Só de pensar que eu posso perder ela, me dá medo.

  • Ah, então no que você está focando: amor ou medo?

  • Hum… parece que é no medo né?

  • Sim.

  • E aí, o que eu faço?

  • Bem… pode refletir, por exemplo, o que significa perder ela para você?

  • Não sei direito… meio que uma coisa de fracasso.

  • Então o que você realmente não quer é sentir-se fracassado?

  • Seria ruim perder mais um relacionamento.

  • “Perder mais um”, pois é… no entanto, não me parece que você está preocupado com a qualidade da relação, mas apenas em não acumular “mais um fracasso”.

  • É…

 

Ao amar o simples fato de se pensar sem a pessoa amada nos faz sentir um frio na barriga. Porém, o medo de perder a pessoa pode ser algo mais forte do que a relação em si. Isso pode trazer problemas.

Quais?

É importante compreender primeiro que existem duas maneiras básicas de se motivar à algo. Uma delas é por aproximação de alguma coisa que desejamos ter, sentir ou conquistar. A segunda é de afastamento, na qual desejamos manter algo ruim longe ou nos afastar de algo que não desejamos.

Quando uma relação se baseia em aproximação as pessoas envolvidas possuem planos bem claros daquilo que desejam ter de um relacionamento. Seja lá o que for, elas buscam criar com o seu comportamento o cenário que tem dentro de suas mentes. Na aproximação a busca é por algo que se quer e que irá fazer bem à pessoa. Coloca-se a relação em consonância com o desejo.

Já no caso do afastamento os envolvidos projetam seus medos na relação e a tem como uma forma de evitar esses cenários negativos. O exemplo mais clássico é o medo de solidão, no qual as pessoas não querem sentir-se sozinhas, pensam que estar só é igual a ser fracassado ou abandonado ou indigno de amor e, com a presença do outro sentem que este mal esta afastado. Perceba que o mal não foi evitado para sempre, apenas está distante.

E é justamente por este motivo que o medo continua existindo. Pegando o exemplo do medo da solidão, esta continua possível, apenas está – neste momento – distante da pessoa pelo fato de estar na relação. Se ela sair da relação ou se esta acabar por algum motivo o elemento temido poderá vir à tona novamente. É isto o que se deseja evitar.

O medo de perder a pessoa está, em geral, vinculada à um outro medo que está projetado na pessoa. Ao invés de se lidar com o medo da solidão, imagina-se com medo de perder o conjugue. Compreender o medo que está projetado no parceiro – ou na relação em si – é o primeiro passo para ajudar-se. Ao perceber que tenho medo de solidão, por exemplo, posso começar a questionar o que é estar só. Estar só é igual à não ter ninguém como companhia ou estar me servindo de companhia para eu mesmo?

O desejo de estar com a pessoa não gera medos, pelo contrário, gera uma expectativa prazerosa que mistura a relação com a criação de coisas boas, que ambos desejam. Este encontro é uma feliz construir-se e reconstruir-se todo o tempo almejando sempre novos patamares de conquistas, satisfação e orgulho. Se estes sentimentos estão distantes de você, talvez o que você realmente sinta é simplesmente o medo de perder a relação ou o conjugue. E se este for o caso, pense seriamente no que isso significa para você. Talvez você – e a relação – poderão “lucrar” mais com uma investigação profunda e sincera de sua própria mente do que em simplesmente estarem juntos porém sem qualidade – e talvez sem desejo.

Abraço

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Ditadura do “estar bem”
10/06/2015

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  • Mas sabe… é só uma coisa que aconteceu sabe?

  • Claro…

  • Ou você acha que pode ser algo ruim isso?

  • O que você acha?

  • Não… acontece…

  • Porque a dúvida então?

  • Não é dúvida… é só… te perguntando… você sabe melhor né?

  • Não. Do que acontece aí dentro eu não sei melhor, quem sabe é você.

  • (silêncio)

  • O que me parece, na verdade, olhando para você nesse momento é que isso incomodou mais do que você consegue ou gostaria de admitir.

  • Mas é que tipo… tá indo tudo bem na minha vida… um negócio como esse não pode atrapalhar.

  • Não “pode”? Creio que se você está  pensando nisso…

  • Tá certo… tá certo… eu gosto de negar essas coisas… já trabalhamos isso…

 

Nathaniel Branden um dos psicólogos que pesquisa a auto estima afirma que um dos problemas que enfrentamos com a auto estima hoje em dia é o excesso de propagando em torno dela. Estranho não é? Na verdade não.

Ocorre que existe uma diferença abissal entre desenvolver uma auto estima positiva e ser obrigado a desenvolver uma auto estima positiva. A propagando que temos hoje em dia coloca tanto foco no “estar bem” que sentir-se triste, por exemplo, torna-se uma prova de fracasso. Em outras palavras valorizar excessivamente um aspecto de nossas vidas acaba por prejudicar o seu próprio desenvolvimento por colocar uma pressão muito grande sobre ele. Chamamos isso de ditadura do bem estar, ou da auto estima, como preferir.

No consultório percebo isso vendo as pessoas buscando desesperadamente maquiar sensações desagradáveis, desejando imensamente dizer que algo que incomoda não incomoda ou – a pior versão disso – entendendo qualquer emoção que possa causar desprazer ou falta de prazer imediato como algo ruim e nocivo à “auto estima”. Essa versão é a mistura da propaganda excessiva com a sociedade de consumo na qual vivemos que dita que temos que ter prazer o tempo todo.

Auto estima não tem a ver com prazer ou com apreciação estética, deixe-me deixar isto bem claro. A auto estima tem a ver com a construção de um sentimento de valor próprio que inclui a sensação de sentir-se preparado para encarar a vida e merecedor de respeito e felicidade. No entanto, a pessoa com auto estima verdadeira sabe que precisa construir isso para ela, que a vida vai lhe trazer desafios enquanto ela busca concretizar seus sonhos. Sentir-se preparado para isso é o que a auto estima verdadeira constrói.

Neste trajeto ela não exclui as sensações de tristeza caso perca algo que considera importante, mas atém-se à ela e usa esta emoção para compreender o que realmente importa para ela na vida (às vezes só aprendemos o que é importante depois de perder). Também não é avessa à emoção de arrependimento, remorso ou culpa. Aprende com estas emoções que não adianta burlar seus valores pessoais em busca de “crescimento fácil” ou para aproveitar a “onda do momento”, compromete-se com o seus sistema de valores. Sentir-se incomodado também não é algo par ser descartado, mas sim uma emoção que deve ser valorizada por nos mostrar que temos que mexer em algum aspecto de nossas vidas.

Neste breve exemplo podemos ver que emoções ditas negativas (particularmente não concordo com esta classificação e acho-a contraproducente) podem ser muito positivas e nos ajudar muito em nossas vidas.

Que emoções você oculta?

Abraço

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Respeite suas dúvidas
01/06/2015

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  • Não quero muito saber disso.

  • Entendo. Não quer ou tem medo?

  • É… tipo… sabe aquela coisa que você não sabe se quer saber?

  • Sei sim.

  • Então… eu fico me perguntando se estou no caminho certo, mas não sei direito.

  • Tem medo de descobrir que não?

  • É… tipo… medo, na verdade, de ver que joguei boa parte de minha vida fora.

  • E não respondendo corre o risco de jogar a outra parte… será que não é uma pergunta que vale à pena?

  • Olhando por este viés…

 

Muitas vezes queremos fugir das perguntas que nos veem à mente. Desejamos que elas não falem e nos incomodem. Enquanto lutamos contra elas gastamos uma boa dose de boa energia em coisas erradas. Ao invés de evitar as perguntas, porque não buscar compreendê-las? Em geral tememos as perguntas porque não buscamos compreendê-las. Tememos as respostas que podem trazer ou o que precisaremos fazer ao encontrar as respostas.

Algumas vezes nos fazemos perguntas num estilo “ou vai ou racha”, ou seja são perguntas cuja resposta é “sim” ou “não” e elas, em geral, nos fazem ter medo da resposta. No entanto, poucas coisas na vida são radicias assim. Em geral estas perguntas falam de alguma coisa específica ou alguma outra reflexão que a pessoa deve aprofundar para compreender, verdadeiramente, qual a pergunta que deseja se fazer. Perguntas podem ser mal feitas e uma pergunta assim pode levar à problemas.

Assim sendo, o que fazer com nossas perguntas? Um dos primeiros pontos que busco tratar é compreender, verdadeiramente o significado da pergunta, ou seja, para que ela é importante? Porque esta pergunta e não outra? De que tema ela verdadeiramente está falando? Muitas vezes as pessoas projetam seus problemas e uma pergunta do tipo “será que meu casamento me faz feliz?” pode ser simplesmente uma projeção da certeza de que o seu trabalho não o está deixando feliz.

Compreender o tema e a importância da reposta (para que ela serve) nos guia para um fator importante quando nos fazemos uma pergunta: onde, realmente, queremos chegar. Saber que tipo de resposta desejamos nos leva a elaborar melhor as perguntas e encontrar soluções para nossos anseios. É no como faço a pergunta que reside o verdadeiro problema e não apenas na pergunta em si.

O que realmente responde as suas perguntas? Buscar compreender isso é buscar o significado como mencionei acima. A pergunta “Meu casamento me faz feliz?” Pode ter várias respostas e elas podem não responder a pergunta. Então um simples “sim” ou “não”, por exemplo, pode não ser a resposta efetiva. Algumas vezes a pessoa quer outra coisa com a pergunta, esta do casamento, por exemplo, pode estar precisando de uma reposta sobre as escolhas da pessoa, assim uma pergunta mais adequada seria “escolhi bem minha relação?” e isso pode levar à “faço bem minhas escolhas?” que pode terminar, por fim em uma reflexão tal como: estou precisando viver minha vida de forma diferente, as escolhas que fiz não me servem inteiramente mais, então preciso de novas escolhas, horizontes desafios. E isso pode não ter nada a ver com a pergunta original.

Aprender a fazer esta progressão de profundidade no tema que se está trabalhando é fundamental para fazer boas perguntas, espero que este artigo tenha ajudado você com as suas.

Abraço

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