Velhos temas, novas descobertas
17/08/2015

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  • Mas Akim… de novo isso!?

  • Sim… de novo…

  • Eu não aguento mais voltar para o tema da insegurança.

  • Eu entendo, porém é ele que sempre se apresenta. O que você tem refletido e feito de fato sobre este tema?

  • Na verdade… sei lá… eu prefiro evitar… já entendi que é isso sabe?

  • Sim, porém entender é uma parte, agora, mudar é a que realmente faz diferença.

  • É… bem… eu sei… mas é difícil

  • Fale mais sobre isso

 

Um fenômeno comum em terapia é as pessoas sempre voltarem à um determinado tema. A maior parte das pessoas acham que a terapia não está indo adiante quando percebem isso, esperam que tenham cada vez mais temas e temas diferentes. No entanto, nada poderia ser mais distante da verdade. Quando a pessoa percebe que está rodando em torno de um tema, em geral, isso significa que ela está tocando o cerne do problema estrutural que a trouxe à terapia.

Em outros posts já falei que nossas questões possuem “níveis”, ou seja, uma tristeza, pode ser apenas o sintoma de um outro problema mais profundo. Assim, quando, no processo a pessoa começa a chegar sempre no mesmo ponto, isso pode significar que ela está em níveis mais profundos daquilo que ela acha que é o problema. Com isso quero dizer que boa parte de nós quando entramos em terapia temos um foco do problema, percebemos o sintoma, porém não sabemos identificar ainda a dinâmica que gera este tipo de sintoma.

Perceber que você está rondando o mesmo tema é um indicativo de que a ansiedade diminuiu e que todos os temas levam ao mesmo lugar, ou seja, à dinâmica psíquica que gera a problemática. Ao invés de achar que sua terapia não está dando certo tente perceber o que faz com que todos estes temas estejam ligados. Buscar pelos elos entre os temas que o levam ao mesmo lugar é uma das maneiras de conseguir compreender a dinâmica.

Quando digo “dinâmica”, o que quero dizer é que nossa vida emocional não é um circuito fechado no qual apertamos um botão e uma luz se acende. É mais parecido com um computador em que todas as áreas estão ligadas umas às outras e compartilham de uma história que é vivida no dia a dia. Assim sendo elementos do seu passado assim como expectativas do seu futuro interferem no seu presente afetando, por exemplo, a sua motivação, mas isso pode interferir em outras áreas como o seu relacionamento. A vivência diária dessa maneira de lidar consigo mesmo cria “dinâmicas”, ou “jeitões de ser e de pensar” que se repetem e fazem com que a pessoa tenha sempre uma vida muito parecida.

Compreender esta dinâmica é o fundamento de terapias mais “profundas” ou seja, de níveis distintos. Ela é o gerador de novos hábitos e comportamentos. Ao compreendê-la, compreendemos, também a origem de nossos comportamentos e pensamentos assim como a chave para conseguir mudar e até especificar exatamente aquilo que desejamos realmente mudar.

Abraço

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Planejo e não faço…
03/08/2015

Planejo e não faço

 

  • Então Akim… não fiz ainda…

  • O que você ainda não fez do seu plano?

  • Nada.

  • Hum… o que aconteceu?

  • Na hora olhei para aquilo e pensei… ah, não deve ser pra mim isso.

  • Ah é? E o que, em você, não te permite “ser para isso”?

  • Não sei… eu me senti envergonhado de querer essa promoção.

  • Qual o motivo para vergonha de querer isso?

  • Não sei… é tipo: “vocêeeee quer isso?”

  • Sim, entendi… parece que você está se dando um limite: promoções não são para você. Perfeito, porém o que te coloca do lado de lá do círculo dos que merecem uma promoção?

  • Me vem a voz do meu pai na cabeça me dizendo que eu não sou bom o suficiente.

 

 

Em geral tenho observado alguns comportamentos comuns em pessoas que planejam mas não executam seus planejamentos. Um deles é uma motivação inadequada que não mexe com a vontade da pessoa em executar suas tarefas, outra é uma incapacidade de perceber uma relação causal entre o comportamento dela e a concretização dos planos e uma última é a percepção do futuro desejado como algo irreal.

A motivação inadequada surge quando a pessoa não encaixa o plano que criou no seu estilo motivacional. Cada um de nós tem uma maneira própria de evocar a motivação para executar planos e desejos, no entanto, muitas vezes os objetivos são de uma natureza contrária a da motivação. Para dar um exemplo, o estilo motivacional da pessoa pode ser de afastamento de coisas ruins, ou seja, ela se motiva à ação quando precisa afastar-se da possibilidade de algo nocivo à ela.

Desta forma, pode trabalhar para não ficar sem água ou luz em casa. Pode cuidar da saúde após ter uma doença, ou seja cuida da saúde não para adquirir mais saúde e sim para evitar uma doença. Quando em estilo como este se depara com um objetivo que vá exigir o seu esforço em prol de algo que vai lhe trazer algo bom, mas não causará dano é comum que a pessoa emperre. Por exemplo, não é um estilo motivacional bom para pensar em algo como conseguir uma promoção. Porque? Porque a promoção envolve buscar algo positivo que é o contrário. Adequar o estilo motivacional, numa situação como esse seria algo como: “se eu não conseguir esta promoção posso perder a chance de subir na empresa e eu não quero ficar o resto da vida neste cargo, isso seria horrível”. “Conseguir a promoção” se torna “não ficar mais neste cargo horrível o resto da vida” e, com este discurso a pessoa consegue motivar-se. Obviamente o estilo motivacional não é fixo e pode ser aprendido também.

A incapacidade de perceber uma ligação entre o comportamento e as consequências dele é algo que tem se tornado cada vez mais comum. Parece simples compreender que quando tenho um comportamento ele terá uma consequência e essa é o que me interessa. Porém, por diversos fatores as pessoas não fazem esta ligação e, então, a ideia de comportar-se para atingir um determinado objetivo parece insossa, afinal de contas “para que me mexer se não sei se isso terá algum efeito?”. Este último é o discurso padrão quando a pessoa não tem a relação bem estabelecida.

É muito comum que pessoas com este comportamento sejam colecionadores de fracassos e arrependimentos. O que é importante fazer neste caso é ligar a ação que elas tiveram no passado com os resultados que obtiveram. Este exercício pode ajudar a pessoa a estabelecer uma ligação e, a partir disso já ter delineado o tipo de comportamento que elas não querem. A partir disso pode-se inferir sobre o tipo de comportamento que levaria elas à execução dos planos e aos resultados que isso lhe traria. Quando se junta este elemento com a motivação adequada temos um bom propulsor para execução das tarefas e desejos.

Por fim, quando a pessoa faz um plano, um bom plano diga-se de passagem, ela cria para si o que chamamos de futuro propulsor. Este é aquela visão de um futuro no qual atingi meus objetivos e, neste cenário, sinto-me bem. Porém este futuro, por melhor que seja, nem sempre é visualizado como “possível” ou como “real” pelas pessoas. Os dois problemas acima podem ser a fonte deste terceiro, ou seja o futuro criado pode ser ótimo, mas não mexe na motivação da pessoa, logo ela o vê como irreal ou, então, ela percebe o futuro como desejado, mas não faz ligação entre o seu comportamento e a criação deste futuro, ele parece-lhe, assim, inalcançável.

Porém, algumas pessoas estão com ambos elementos bem organizados e ainda assim não vão atrás do plano, o futuro ainda parece irreal. É o caso de começar questionando-se se você merece este futuro. Neste último caso as pessoas não caminham em direção ao futuro desejado porque não sentem-se merecedoras, é uma questão de auto estima, na qual a pessoa não se vê como alguém digno de um futuro como esse. Fácil imaginar que as causas podem ser várias, mas é importante, em todas elas questionar a crença no não-merecimento, ou seja: o que faz com que você não seja digno? Este “não merecer” é uma punição ou um limite imposto? Determinar isso ajuda a libertar-se e construir o merecimento que basicamente é a ligação entre comportar-se e conseguir o que se quer.

Um último adendo é que muitas pessoas simplesmente não conseguem porque não agem. Agir é importante porque um bom plano é apenas isso, um bom plano. Então, se você já planejou, aja ou então seu plano será apenas mais uma bela história que você não viveu.

Abraço

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Ações e reclamações
31/07/2015

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  • Eu não aguento mais a situação!

  • O que você não aguenta mais?

  • Reclamações. O tempo todo alguém me enchendo o saco querendo alguma coisa!

  • Sei. Isso é uma reclamação sua?

  • Sim… eu sou bem reclamona também.

  • Entendo… ensinou todos bem então é?

  • Como assim?

  • Você reclama tanto que deve ter ensinado os seus à reclamarem também.

  • É verdade… não tinha pensado nisso… fica todo mundo tenso ao meu redor tanto em casa quanto no trabalho. Só no clube que não, mas lá eu não fico de “líder” sabe?

  • Sei sim… Será que não está na hora de se dar um novo papel ou desempenhá-lo de uma outra forma em casa e no trabalho?

  • Pode ser…

 

Dentro de relacionamentos reclamar é algo comum. A reclamação tem como estrutura apontar algo com o que não se concorda. Este apontamento tem como intuito classificar determinado comportamento como inadequado buscando a criação de um limite e a mudança de comportamento.

No entanto, o ato de reclamar pode tornar-se um comportamento padrão. Existem pessoas que são “reclamonas” de carteirinha, sempre achando algo para reclamar. Este tipo de conduta, em geral, está associado com uma falta de personalidade na relação. “Falta de personalidade” entenda-se como a seguinte dinâmica: a pessoa foca demais nas outras pessoas e no comportamentos delas. Deixa, com isso de se posicionar de maneira adequada frente àquilo que reclama. Em outras palavras, fica apenas reclamando, mas não toma nenhuma atitude com isso.

Ocorre que reclamar é uma parte do processo, no entanto, a pessoa responsável não fica apenas nisso. Ela busca o seu bem-estar de uma forma ou de outra. Reclamar e propor soluções são temas diferentes. Muitas vezes, numa relação as pessoas disputam por anos sobre um determinado tema apenas porque nenhum dos dois lados propôs uma solução. O conflito gira em torno de verificar quem detém o poder e não em resolver um problema.

Como sair deste ciclo?

Um dos temas é apontar menos para o outro e mais para si. Uma pergunta muito utilizada na psicologia sistêmica – e que muitas vezes causa um nó em nossa mente – é: como contribuo para isso? Ou seja o reclamão, por vezes, contribui para aquilo que reclama de maneiras que nem consegue perceber, porém estão lá. Uma das formas, por exemplo, é quando a pessoa se coloca como passiva na relação frente àquilo que tem problemas, outra maneira típica é ser detalhista demais – e acabar sendo o chato da relação –  e ainda temos outra maneira que é se colocar em situações nas quais já se sabe que o outro irá reagir de maneira negativa para, então, reclamar.

Perceber de que maneira o seu comportamento influencia aquilo que você mesmo reclama abre a porta para a mudança. Perceber, então o que motiva o seu comportamento inadequado é fundamental. A motivação é o que dá a base para o comportamento. Aqui, um ponto importante: pode parecer absurdo que estou motivado para me comportar de uma maneira que, posteriormente, me prejudica. Pode parecer, porém é super comum. Isso ocorre justamente porque a nossa motivação, muitas vezes, nos coloca em situações prejudiciais. E, principalmente, porque nossas ideias, muitas vezes, são diferentes de nossas emoções. Ou seja, por vezes temos um determinado conceito sobre o que queremos e como as coisas devem ser na relação, porém nossa educação emocional nos puxa para outro lado.

Uma vez de posse destes dois elementos: o que faço e o que motiva a minha ação, posso me perguntar à respeito da minha identidade na relação. Quem sou? Muitas vezes somos os mártires, outras somos o eterno incompreendido ou até mesmo o garanhão preso. Daí as perguntas que geram uma cascata de mudanças: quem posso vir à ser? O que posso mudar naquilo que me motiva? O que posso começar a fazer de diferente? Estas ações implicam mudanças não apenas para a pessoa, mas, também, para a relação. Em uma relação, quando um dos dois evolui, em geral o outro também é convidado à evoluir ou a relação começa a perder sentido. E, com isso, concluímos a reclamação que passa a se tornar ação.

Abraço

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Os erros do passado
22/07/2015

 

Erros do passado

  • Mas então… eu sei que não vai dar certo.

  • Porque não?

  • Porque eu já tentei e não consegui antes.

  • Entendi.

  • Daí, melhor ficar de fora né?

  • Se a tua conclusão é de que o erro do passado irá necessariamente se repetir, sim.

  • E não vai?

  • Não sei… o que você aprendeu quando errou no seu passado?

  • Nada ué… só fiquei triste.

  • Então é provável que vá se repetir. Agora… porque você não aprende com o que fez ao invés de se tornar vítima do seu erro?

  • Como assim?

 

É muito comum que as pessoas tentem realizar algo e não consigam, errem, não tenham 100% de desempenho. Também é comum na nossa cultura que isso seja entendido como um fracasso e um sinal de que é melhor você ficar longe daquilo porque pode lhe trazer problemas. O erro do passado se torna, então, destino futuro. A marca indelével do seu fracasso e o atestado da sua incompetência. inclusive muitas pessoas lutam anos a fio com estas cenas tentando deletar da memória aqueles momentos de tristeza e vergonha.

O que é um erro? O erro é um comportamento que não atingiu o resultado previsto. Como diz o ditado apenas erra quem está tentando, quem deseja conseguir ou aprender algo. Assim sendo, o erro representa, também, a tentativa da pessoa em conseguir algo que almeja. O erro pode ser, também, uma fase de um aprendizado ou adequação frente à uma situação/ aprendizagem que a pessoa não tem.

Encarar o erro como uma fase do aprendizado é o que fazem os grandes cientistas e inventores. Eles não pensam em erro nos mesmos termos que nós. Reconhecem o erro, mas valorizam este evento como mais uma marca importante do seu aprendizado. Eles ignoram o ato de desistir frente ao erro e reconhecem a importância de refletir sobre o que fizeram afim de modificarem a próxima tentativa com mais sabedoria.

E é este o ponto que eu gostaria de trazer no post de hoje. O mais importante com um erro depois que ele ocorre é o como tratamos este erro. Se o colocamos na esfera moral e passamos a nos tratar como incompetentes que não merecem uma segunda chance ele se torna restritivo da nossa evolução, passamos a temer o erro porque ele significa portas fechadas sempre. Se, por outro lado, não nos enfraquecemos e buscamos no erro o próximo passo, estaremos aprendendo a criar auto confiança (sim, ela existe mesmo no erro) e a gerar novos aprendizados a partir da nossa experiência, o que se chama por aí de auto conhecimento.

Assim sendo, se você tem um erro que o impede ainda hoje de tentar algo novamente e você deseja tentar, faça o seguinte. Relembre a cena do erro, o contexto no qual você estava vivendo e quem você era naquela situação. Pense em tudo o que você fez buscando compreender o que fez com que você tivesse errado e não chego no resultado desejado. Depois, pense no que poderia ter feito para garantir um novo resultado, pense em várias situações possíveis, pelo menos três estratégias diferentes. Se não sabe, pergunte à alguém que saiba como fazer, alguém que já passou pela experiência e se deu bem.

Imagine-se fazendo “a coisa certa” com vários comportamentos à disposição, no caso da opção A não dar certo. Faça isso até sentir que “aprendeu” com o seu erro. Uma vez que isso tenha acontecido, imagine-se no futuro tentado realizar a mesma coisa novamente, agora de posse destes novos aprendizados. Veja como se sente. Vale a pena tentar de novo?

Óbvio, estas dicas não devem ser utilizadas em casos de erros que podem colocar sua vida em risco, ou que podem ser potencialmente danosos. São linhas gerais de comportamento que as pessoas usam para aprender com seus problemas, use estas ideias com parcimônia e busque auxilio e um profissional caso sinta que isso é necessário.

Abraço

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Não abra mão!
15/07/2015

Nao abra mão

 

  • Ah Akim, mas é difícil… quando eu vejo aqueles doces todos…

  • O que acontece?

  • Eu logo penso em comer aquelas delícias!

  • Sim, o que acontece se você ao olhar aquelas delícias, pensar em você frustrado com o peso acima do normal?

  • Eu penso duas vezes em comer…

  • E se além disso, pensar no seu diabetes finalmente estourando e você tendo que realizar seu medo de se tornar dependente de insulina?

  • … mas é ruim pensar em doces assim!

  • Claro, mas no seu caso é real também não é? Os doces não vão trazer apenas o sabor não?

  • É… é verdade…

  • Além disso, pensar em doces como algo ruim faz sentido nesse momento não?

  • Também…

  • Que tal pensar assim quando estiver “frente a frente” com os “temíveis doces deliciosos provedores de diabetes”?

 

Quando falamos em mudanças as pessoas, em geral, focam na aquisição de um determinado comportamento, ou seja, em aprender a exibir um comportamento, ter uma atitude específica para alcançar um resultado. Pouco se fala, por exemplo, em sustentar este comportamento. A questão é que, a não ser que você precise de um ato apenas em um momento e nunca mais, a parte mais importante é sustentar e não, exatamente, ter um comportamento novo.

O que quero dizer é que “mudar” é fácil, é simples ter um comportamento novo de maneira aleatória, a maior parte dos clientes que atendi já fizeram o que querem “aprender a fazer” uma vez ou outra. Qual o problema então? A falta de consistência da atitude que desejam incorporar à sua identidade. Esta falta é que faz com que a pessoa não sustente um novo comportamento e, por este motivo, não consiga se manter fazendo aquilo que já sabe fazer, mesmo que isso seja melhor para ela.

Um exemplo clássico é a perda de peso. Sempre que as pessoas me procuram com este tema e eu pergunto o que querem a resposta é a mesma: quero perder peso. Já começou errado, perder peso é fácil! As pessoas que estão sempre fazendo dieta sabem disso, se somarem quantos quilos já perderam ao longo dos anos em que fazem dietas já teriam chego ao peso ideal á muito tempo. A questão não é: “como faço para perder peso”, mas sim “como fazer para manter um peso “x” ao longo da minha vida?”.

Quando fazemos a pergunta desta maneira a coisa muda de figura. O quero perder peso assume um caráter novo, à saber, um projeto para a vida (e não é isso que as pessoas realmente querem? Um novo peso para o resto da vida?). O mesmo vale para a aquisição de um novo comportamento, ou, para uma “mudança”: “como sustentarei este novo comportamento o resto da vida?” Nesta pergunta surge o importante elemento de “não abrir mão”, ou seja, existem momentos em que nossos comportamentos são “testados” (situações que, para cada um de nós, manter o comportamento é mais difícil). No exemplo de manutenção de peso, um teste comum são festas de final de ano. E aí, como fazer para “não abrir mão?”

O ponto é ter seus critérios muito bem estabelecidos. Ou seja, é importante quando fazemos uma mudança saber o que nos permite abrir mão de nosso comportamento e o que não nos permite. Por incrível que pareça ter os limites de “quando abrir mão” bem definidos ajuda a manter o comportamento e a “não abrir mão dele”. Em geral, aconselho meus clientes a assumirem um critério geral no qual aquilo que me fará abir mão deve ter um valor maior do que a manutenção do meu comportamento no mesmo nível de aplicação de critério.

Por exemplo: no caso da manutenção de peso o critério empregado é saúde, assim mantenho uma rotina alimentar com base na ideia de que cuidar da manutenção do meu peso significa cuidar da minha saúde. Isso quer dizer que a escolha do que e de quanto comer não é um fim em si mesma, mas sim uma ferramenta para eu ter mais saúde. Logo apenas me permito abrir mão do meu comportamento quando algo no mesmo nível de critério – saúde – surge como uma oportunidade de abrir mão do meu comportamento. Por exemplo, posso me permitir comer à mais no meu almoço se sei que farei uma viagem ou estarei envolvido numa atividade durante a qual não poderei comer e, para manter minha energia, devo comer um pouco mais em uma refeição afim de não passar fome e comer à mais de maneira descontrolada mais tarde.

Quando temos este critério bem definido para cada área de nossa vida é fácil descobrir o que devemos fazer: é simplesmente comparar aquilo que se apresenta com as possibilidades. Se “bater” a oportunidade com a possibilidade, segue-se com a nova escolha senão fica-se com o comportamento antigo. E aí, vai abrir mão da sua felicidade?

Abraço

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Desejo de ter… medo de perder
22/06/2015

Desejo de ter medo de perder

  • Akim, eu amo ela!

  • Eu sei… mas como você sabe disso?

  • Só de pensar que eu posso perder ela, me dá medo.

  • Ah, então no que você está focando: amor ou medo?

  • Hum… parece que é no medo né?

  • Sim.

  • E aí, o que eu faço?

  • Bem… pode refletir, por exemplo, o que significa perder ela para você?

  • Não sei direito… meio que uma coisa de fracasso.

  • Então o que você realmente não quer é sentir-se fracassado?

  • Seria ruim perder mais um relacionamento.

  • “Perder mais um”, pois é… no entanto, não me parece que você está preocupado com a qualidade da relação, mas apenas em não acumular “mais um fracasso”.

  • É…

 

Ao amar o simples fato de se pensar sem a pessoa amada nos faz sentir um frio na barriga. Porém, o medo de perder a pessoa pode ser algo mais forte do que a relação em si. Isso pode trazer problemas.

Quais?

É importante compreender primeiro que existem duas maneiras básicas de se motivar à algo. Uma delas é por aproximação de alguma coisa que desejamos ter, sentir ou conquistar. A segunda é de afastamento, na qual desejamos manter algo ruim longe ou nos afastar de algo que não desejamos.

Quando uma relação se baseia em aproximação as pessoas envolvidas possuem planos bem claros daquilo que desejam ter de um relacionamento. Seja lá o que for, elas buscam criar com o seu comportamento o cenário que tem dentro de suas mentes. Na aproximação a busca é por algo que se quer e que irá fazer bem à pessoa. Coloca-se a relação em consonância com o desejo.

Já no caso do afastamento os envolvidos projetam seus medos na relação e a tem como uma forma de evitar esses cenários negativos. O exemplo mais clássico é o medo de solidão, no qual as pessoas não querem sentir-se sozinhas, pensam que estar só é igual a ser fracassado ou abandonado ou indigno de amor e, com a presença do outro sentem que este mal esta afastado. Perceba que o mal não foi evitado para sempre, apenas está distante.

E é justamente por este motivo que o medo continua existindo. Pegando o exemplo do medo da solidão, esta continua possível, apenas está – neste momento – distante da pessoa pelo fato de estar na relação. Se ela sair da relação ou se esta acabar por algum motivo o elemento temido poderá vir à tona novamente. É isto o que se deseja evitar.

O medo de perder a pessoa está, em geral, vinculada à um outro medo que está projetado na pessoa. Ao invés de se lidar com o medo da solidão, imagina-se com medo de perder o conjugue. Compreender o medo que está projetado no parceiro – ou na relação em si – é o primeiro passo para ajudar-se. Ao perceber que tenho medo de solidão, por exemplo, posso começar a questionar o que é estar só. Estar só é igual à não ter ninguém como companhia ou estar me servindo de companhia para eu mesmo?

O desejo de estar com a pessoa não gera medos, pelo contrário, gera uma expectativa prazerosa que mistura a relação com a criação de coisas boas, que ambos desejam. Este encontro é uma feliz construir-se e reconstruir-se todo o tempo almejando sempre novos patamares de conquistas, satisfação e orgulho. Se estes sentimentos estão distantes de você, talvez o que você realmente sinta é simplesmente o medo de perder a relação ou o conjugue. E se este for o caso, pense seriamente no que isso significa para você. Talvez você – e a relação – poderão “lucrar” mais com uma investigação profunda e sincera de sua própria mente do que em simplesmente estarem juntos porém sem qualidade – e talvez sem desejo.

Abraço

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Decidir e agir
19/06/2015

Decidir e agir

  • Mas cara… é muito difícil!

  • O que?

  • Negar… tipo… quando a guria vem e me dá bola…

  • Entendo. No que você pensa quando isso ocorre?

  • Ah… já penso em dar uns amassos sabe?

  • Sim, e é muito bom isso não é?

  • É!

  • E a ressaca moral do outro dia?

  • É uma bosta…

  • Claro. E a sensação de ter estragado mais uma relação?

  • Hum… foda…

  • E de se sentir um piá quando você já é, em teoria, um adulto?

  • Tá, entendi.

  • Ok, agora quero que você imagine isso tudo, que sinta tudo isso enquanto imagina a menina dando bola pra ti.

  • É uma droga, dá vontade de virar a cara.

 

Muitas pessoas me perguntam como trabalhar para manter as decisões tomadas. Tomar uma decisão e agir implica em muitos fatores que precisam estar alinhados para serem atingidos, uma vez que eles estejam alinhados passamos à prática e, nela, o que fazer?

Pois bem, muitas pessoas se beneficiam de uma maneira de organizar o pensamento que lhes proporciona rapidez, solidez e facilidade ao tomar uma decisão além de uma recompensa quase que imediata quando fazemos “o que precisamos fazer”. Como já disse existe toda uma preparação necessária para ser feita antes deste passo. É sempre importante lembrar isso para não deixar você na expectativa de que é só seguir alguns passos e pronto, não, devemos ter consciência de fatores tais como a motivação da mudança para que estas dicas que estou deixando aqui sejam de fato úteis.

Se você está alinhado com sua decisão um dos pontos importantes é definir os comportamentos que você deverá ter afim de chegar onde deseja. Este é um ponto fundamental para quem deseja mudar hábitos e atingir metas: a crença de que os resultados da sua vida dependem de você. Obviamente você pode objetar e dizer que existem muitas coisas fora do seu controle e eu irei concordar com isso, porém, a maneira pela qual você encara e lida com isso é de sua alçada.

Crer nisso ajuda a pessoa a perceber e compreender como o que ela faz a ajuda a conquistar aquilo que deseja. Quando esta relação de “causa-efeito” se estabelece é que ela começa a se responsabilizar por si. Uma vez que isto esteja organizado a pessoa pode imaginar um futuro no qual ela não cuidou de si, no qual ela fez todos os comportamentos que a afastam do seu objetivo. Se for, por exemplo, mudar hábitos alimentares, pode se imaginar comendo em excesso, não fazendo atividade física e não respeitando seu colesterol durante 10 ou 20 anos. imaginar-se no pior cenário que o seu próprio comportamento conseguiu construir.

O segundo passo é imaginar o que o seu comportamento pode construir de bom. No mesmo exemplo, se você estiver atento à sua alimentação, realizar práticas esportivas, ter discernimento para quando comer alimentos gordurosos o que pode advir de melhor no futuro? Imaginar este lado “positivo” e o lado “negativo” do resultado do seu comportamento de maneiras bem distintas irá ajudar você a perceber o que você está construindo com as suas atitudes no dia a dia.

Assim, estas duas imagens devem ser como se fossem dois caminhos entre você aqui e agora e você amanhã. Como se você colocasse você no meio e estas duas imagens cada uma de um lado. Assim, todas as vezes que vai tomar uma decisão simplesmente olha para onde deseja ir. Este par binário é importante de ser construído desta forma para facilitar a escolha. Quando imaginamos e sentimos o que é bom e o que é ruim para nós é fácil escolher (obviamente, se toda a preparação anteriormente citada já tiver sido feita).

Desta maneira todos os comportamentos úteis são colocados de um lado e todos os comportamentos que atrapalham do outro. No dia a dia é só perceber o que você está fazendo e sua mente classifica isso automaticamente. No começo pode parecer “forçado”, mas com o passar dos dias você irá perceber que está alcançando suas metas e isso irá ajudar você a sentir-se orgulhoso de você mesmo. Este orgulho irá tornar isso “natural”.

Abraço

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Relação e evolução
20/05/2015

Fotografia Psicoterapia

  • Sabe o que está sendo melhor?

  • Não.

  • É que parece que nós dois queremos crescer sabe?

  • Sei.

  • A gente discute um monte e nem sempre concordamos, mas é com um desejo sincero de crescer e não de ficar de briguinha boba sabe?

  • Claro. O que está sendo mais interessante para você?

  • Eu tenho tentado abrir mão da minha possessividade… é difícil, mas tenho tentado

  • Como você tem feito?

  • Já disse para ele que sou assim, mas além disso tenho tentado domar o meu medo de perder ele.

  • Entendo

  • Inclusive é disse que quero falar hoje

  • Vamos lá!

 

Todos temos nossos problemas, traumas, situações mal-resolvidas e temores. Levamos estas características conosco onde quer que vamos, inclusive – e talvez principalmente – para as nossas relações. Nelas podemos encontrar suporte para vencer nossas barreiras ou podemos achar, justamente aquilo que as reforça. Além disso podemos criar para nós mesmos mais barreiras ainda independente da relação ser benéfica ou não.

É muito comum que as pessoas se deem conta durante um processo de terapia que estão usando determinada característica da relação que possuem como uma maneira de equilibrar-se. Não vejo, enquanto terapeuta, problema nisso, desde que este equilíbrio seja saudável para ambos. Porém, quando se percebe isso é muito difícil a pessoa desejar manter esta característica. Em geral, ela deseja mudar isso.

Uma relação pode ajudar você a conhecer seus limites e a buscar superá-los. Porém, para isso, é necessário que exista uma busca pelo auto conhecimento no sentido de perceber que a maneira pela qual você se relaciona está alinhada com a sua identidade, seus medos, desejos e com a sua dinâmica psicológica. Embora possa parecer óbvio, isso, muitas vezes não passa pela nossa cabeça. Tendemos a fazer nossas escolhas no automática, ou melhor dizendo, inconscientemente.

Por exemplo, é muito comum que as pessoas repitam padrões de comportamento em suas relações. O primeiro passo é perceber o padrão, o segundo passo e ligar ele com a sua dinâmica interior, ou seja, o que este comportamento está buscando? Qual a funcionalidade deste comportamento? É comum que as pessoas tenham medo de perder seu conjugue, por exemplo. Tem vários comportamentos no sentido de prevenir que isso ocorra como serem super cuidadosos. Deixar de ser assim, ou exigir mudanças de comportamento do outro pode ser causar muita ansiedade para alguém com esta dinâmica.

O que nos leva ao terceiro passo que é ousar comportamentos diferentes e perceber os resultados na relação. É neste ponto que uma relação pode ajudar, ao proporcionar um ambiente seguro para que o outro se experimente de forma diferente. Por exemplo, o conjugue de posse do conhecimento de que o outro tem medo de ser abandonado pode permitir que a diminuição nos cuidados e a exigência de novos comportamentos sem a ameaça da separação ou melhor ainda, mostrando o quanto isso pode unir ainda mais o casal.

Criar este ambiente no qual a sinceridade é reforçada e que a busca por aprimoramento tem um lugar especial é o que faz com que uma relação seja além de prazerosa evolutiva. Intimidade e sinceridade são elementos fundamentais para a relação, busca pelo auto desenvolvimento e honestidade consigo individualmente.

E aí, céu ou inferno em casa? Decida!

Abraço

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Vulnerável
13/05/2015

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  • Então… não sei se quero falar nisso.

  • Ok. Algum motivo específico?

  • Não me sinto bem falando nisso.

  • O que você sente?

  • Me sinto mal… tipo como se eu fosse fraco de falar nisso sabe?

  • Sim. E ser “fraco” é algo negativo nos seus valores não é?

  • É.

  • Entendo. E se pudéssemos apenas falar de uma característica que existe em você e não que isso representa o teu “eu”?

  • Hum… poderia ser mais possível.

  • Vamos tentar.

 

Nos dias de hoje ninguém deseja ser vulnerável ou frágil. A propaganda é para sermos fortes, destemidos e cada vez mais capazes de tudo. Será isso possível?

Acredito que não. Embora eu seja enquanto pessoa e terapeuta um otimista em relação ao desenvolvimento pessoal, também sou realista e, com isso, percebo os limites que temos. Limite é outro fator que a propaganda cultural atual apregoa como algo ruim, porém, na prática, verificamos exatamente o oposto: quanto mais a pessoa é consciente de suas vulnerabilidades e limites, com mais realismo ela pode lidar com ela mesma. É importante ressaltar que “realismo” não é igual à “pessimismo” e muito menos à acomodação.

Perceber nossos limites é fundamental porque se não os percebermos vamos reagir como se eles não existissem, mas ele existem! É muito mais realista e saudável entender um limite e encontrar maneiras de lidar com ele do que fingir que ele não existe e tentar ser algo que não se é. Buscar ir além dos limites é louvável – quando isso é saudável e possível – porém, para ir além do limite é necessário conhecê-lo.

Conhecer e assumir nossas vulnerabilidades é importante, porém, é igualmente importante saber como fazê-lo. O primeiro passo que sempre verifico e trabalho com meus clientes é retirar qualquer tipo de preconceito e julgamento moral que possa vir junto com a percepção do limite. É comum as pessoas se classificarem pelos limites que tem. Classificam-se moralmente como “boas”, “más”, “legais”, “chatas” através das suas características. Quando o julgamento moral é “bom” em geral as pessoas “gostam” das suas atitudes mesmo que sejam inadequadas, por outro lado, quando o julgamento é “ruim” elas não gostam, mesmo que a característica seja boa. Por esta razão é importante perceber que o limite é apenas isso, um limite, uma vulnerabilidade e ela não faz do teu “eu” algo bom ou ruim apenas por existir.

É verdade, no entanto, que nossas vulnerabilidades podem nos trazer alguns desconfortos ou nos colocar em situações de apuros. Nesse sentido é importante refletir sobre que tipo de “resultados” nossas vulnerabilidades nos predispõem. Novamente deixamos o critério moral de lado e passamos a verificar de fato o que ocorre para sabermos que tipo de mudanças desejamos e precisamos realizar. A partir disso é que podemos começar a nos equipar para saber, por exemplo, como agir numa situação afim de minimizar os danos, ou como nos anteciparmos para não entrarmos em determinadas situações já que sabemos dos nossos limites e até mesmo em que tipo de situação os limites que temos podem ser úteis. Isso se chama adequar a vulnerabilidade. Uma planta é um ser muito vulnerável, porém, num jardim ela está no lugar certo.

Depois disso vamos ao próximo passo: o que precisamos organizar de novo em nós? Aqui é o momento do desenvolvimento de novas competências – ou como alguns dizem: de novos limites. Perceba que não tornamos o limites algo ruim ou desejoso de ser excluído, apenas o colocamos no seu devido lugar e, depois disso, passamos a organizar novas maneiras de ação. Isso é aprender a lidar com as nossas vulnerabilidades. Parece algo muito ruim para você? Para mim não e para os clientes com quem trabalho também não depois que se acostumam com a ideia.

Este é o ponto que gostaria de deixar claro no post de hoje. Precisamos, no mundo de hoje, aprender a ser vulneráveis. Não significa sair na rua fazendo todo tipo de bobagem para se expor, mas sim  aprender a reconhecer os nossos limites e, com isso, reconhecer os dos outros também. Talvez isso seja algo importante para um mundo mais humano.

Abraço

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