O poder de aceitar
22/04/2015

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  • Não gosto de agir assim.

  • Eu sei, imagino que não é nem um pouco bom para você não é?

  • É bem isso… nunca mais quero fazer isso.

  • Fazer o que?

  • Brigar com as pessoas.

  • Isso é muito bom, mas, o que te motiva a brigar com elas?

  • Elas me provocam oras.

  • Perfeito, porém, como você sabe que estão te provocando?

  • Ah… até me dizem, às vezes, que eu levo tudo muito para o pessoal sabe? Que não sei “brincar”.

  • Entendo. Sua educação foi muito rígida não foi?

  • Sim, o pai era duro, mas foi bom, me formei bem enquanto homem.

  • Claro que sim, um profissional exemplar. Agora, será que esta imagem sua não é dura demais?

  • Como assim?

  • Bem, às vezes somos tão bem formados que não ficamos muito flexíveis não é?

  • É… verdade…

  • E aí, qualquer comentário pode soar como um ataque e não como uma brincadeira ou crítica.

  • É… me parece que é um pouco o que eu penso.

  • Sim, então, me diga, que tal imaginar que você não precisa defender a imagem que seu pai o ajudou a criar, que ela não está sob ataque?

  • Se eu imaginasse isso poderia relaxar.

  • Se pudesse relaxar, brigaria mais com as pessoas?

  • Não, muito menos… e comigo também!

 

Em minha prática de terapia eu sempre questiono meus clientes em relação aquilo que desejam “jogar fora”, ou que querem “eliminar” desuas vidas. Porque?

Ocorre que o ser humano não tem nenhuma característica por mero acaso. Características, emoções e comportamentos não são entidades fantasmagóricas que ficam voando por aí e entram no corpo da gente, elas são produto da nossa vida, decisões e contexto. Sendo assim “livrar-se” delas é, também, livrar-se da sua história.

Parto de um outro pressuposto também para agir desta maneira: todo comportamento pode ser adequado em um determinado contexto. Ao afirmar isso quero dizer que é importante avaliar com a pessoa onde aquilo que ela faz de “errado” pode ser vivido como “certo”. Muitas pessoas são preguiçosas, por exemplo. A preguiça é errada? Se o que você precisa fazer é agir sim, porém, depois de comer com tempo para dormir, porque não?

A questão é que se insiste num comportamento que não dá os resultados que desejamos. Ou seja a pessoa insiste em trabalhar com preguiça, ao invés de buscar motivação para o trabalho e preguiça para os momentos de folga. Ajudar as pessoas a pensar na adequação de seus comportamento diminui muito a necessidade de “eliminá-los”.

Além disso o mais importante não é eliminar aquilo que se faz de “errado”, mas sim aprender a fazer o “correto”. Ou seja, se coloco muita farinha no bolo e ele fica duro eu não tenho que parar de por farinha, mas sim aprender o quanto colocar. Quando se aprende aquilo que é mai adequado de se fazer também aprendemos a não ter tantos problemas com nossas características.

O ponto do post de hoje é aceitação, o que tudo isso tem a ver com a aceitação? Ocorre que como eu afirmei antes: nenhum comportamento existe ao acaso. Assim sendo, quando queremos nos livrar de algo que fazemos, na verdade estamos falando dos resultados que se comportar de determinada maneira nos traz, em geral, é disso que queremos nos livrar.

Porém, para aprender o que fazer é importante aceitar aquilo que fazemos “errado” para compreender exatamente o que precisamos mudar, o que nos estimula a agir de determinada forma e como proceder. Enquanto você não aceita aquilo que faz de “errado” você briga com a característica, tenta atuar e fingir que nada está acontecendo, isso é gera um desgaste e um desperdício de sua energia que poderia ser canalizada para algo mais interessante e “produtivo”: conhecer você mesmo, do jeito que é, com a história que possui e, a partir disso começar a operar mudanças em sua vida.

O que você nega em você?

Abraço

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Aceitação e admiração
27/03/2015

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  • Estou com medo.

  • Medo de que?

  • Ah, de que ele vai me deixar sabe?

  • E porque isso iria acontecer?

  • Ah… sei lá…

  • “Sei lá”?

  • É que tipo… não tenho mais conseguido dar para ele a atenção que eu dava sabe?

  • Sei

  • E daí… tipo… isso era o meu diferencial sabe?

  • Ah sim… tipo margarina com alto teor de atenção?

  • Ai Akim…

  • Você está se colocando dessa forma… me diga: o que ele está achando da sua “falta de atenção”?

  • Não sei…

  • Não perguntou e nem sequer conversou com ele sobre isso né?

  • Não…

  • Então você bem sabe: são tuas fantasias dizendo que você vai perdê-lo… que tal confrontar isso e ver o que ele realmente pensa?

  • Ai… é difícil… mas eu sei que eu tenho que fazer mesmo…

 

Muitas pessoas dizem que desejam ser aceitas por seus grupos, parceiros ou família. Existe, contudo, uma diferença entre aceitação e admiração, assim como aos valores que atribuímos à essas duas características.

Aceitar tem a ver com dar o valor de existências. Em outras palavras quando se aceita algo ou alguém dá-se à pessoa ou a característica a noção de que ela existe. É comum dizer: “eu aceito o seu jeito de ser”, queremos dizer, com isso, que sabemos da existência de um determinado jeito de agir. Aceitar não implica gostar ou desejar, também não implica em concordância com aquilo que se aceita. É possível dizer que aceitamos determinada característica e não concordamos com ela, algo que dizemos, por exemplo, assim: “eu sei que você gosta de música alta (aceitação), mas eu não consigo estudar com música alta”.

A aceitação é, também, a base da auto estima. Aceitar as características que percebemos em nós mesmos é o que nos fornece a matéria-prima para formarmos nosso caráter e as nossa maneira de reagir ao mundo. Não aceitar significa negar a existência. Quando percebemos algo em nós e dizemos “não”, negamos a existência de algo que está ali. A característica não desaparece por isso, mas mantém-se afastada da nossa consciência de maneira que nada podemos fazer com ela a não sermos “vítimas” de sua influência.

Admirar tem uma outra conotação. A admiração pressupõe a aceitação, ou seja perceber que uma determinada característica existe, e empresta àquilo que se percebe um valor. A admiração não é pessoal, ela se restringe à características da pessoa. Por incrível que pareça não admiramos “alguém”, mas sim as competências que percebemos nesse alguém. Mesmo quando dizemos “admiro você enquanto pessoa” é porque admiramos a maneira pela qual determinada pessoa age no campo pessoal.

A admiração não implica em gostar da pessoa que admiramos, ela também não implica um valor moral. Aquilo que se admira não é “bom” ou “mal”, é apenas admirável. Assim é possível admirarmos uma competência de um inimigo. Também não implica em concordância com a competência, é possível admirar a competência de uma pessoa com artes marciais e ser contra a violência, por exemplo. A admiração, no entanto, traz consigo um lugar de destaque à pessoa que detém a competência, ela se torna uma referência para aquilo.

Neste sentido é que admirar se diferencia novamente de aceitar. Aceitação não implica em valorização, admiração sim. O que ocorre com muitas pessoas é uma confusão entre a valorização adquirida através de uma determinada competência em um grupo e o desejo de ser amado e aceito. O raciocínio é  de que ao ser admirado – pela sua competência – a pessoa será amada – pelo que é, pelo seu “ser”. Este raciocínio é enganoso justamente pelo fato de que a admiração não visa o “eu”, mas sim o comportamento e a competência da pessoa.

É óbvio afirmar que é possível que ambos ocorram, ou seja, é possível amar e admirar a mesma pessoa. Porém o problema é quando se imagina que a admiração é necessária para se conseguir um lugar na relação. Torna-se um problema porque como a admiração possui um valor a pessoa passa a brigar e pode sentir-se insegura em relação à sua competência o que compromete a sua segurança na relação.

Se acredito que sou amado e tenho o meu lugar pelo meu intelecto, por exemplo, posso sentir qualquer pessoa que detenha um conhecimento que eu não tenho como um rival. Também posso sentir-me usado pelo fato de entender que a pessoa “só me ama pelo que sei”. Esta confusão se dá por confundir admiração e aceitação. Confundir uma competência da sua pessoa com a sua pessoa.

Você é mais do que apenas o que sabe fazer.

Abraço

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Aceitação
08/09/2014

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  • Mas e daí? O que você está me dizendo é que não importa se meu pai me quer ou não?

  • Na verdade sim. Porém não é se ele “te quer”, mas sim se ele “te aceita”.

  • E qual a diferença?

  • Bem, aceitar é uma coisa, querer é outra. A primeira tem a ver com percepção e a segunda, com o desejo.

  • Hum… mas e daí, se ele não me aceitar, então, o que eu tenho que fazer?

  • Isso: fazer sozinho. Ele não vai ser o único a não aceitar características suas sabe?

  • Como assim?

  • Você vai viver isso várias vezes na vida: não ter características suas aceitas.

  • Hum… é complicado isso.

  • É meio chatinho mesmo… porém libertador.

  • Porque?

  • Já que você sabe que será não aceito… o que tem que fazer?

  • Me aceitar sozinho né?

  • Pois é… este é o primeiro passo… sempre!

 

 

Um dos temas fundamentais em terapia é a aceitação. Aceitar é dar valor de existência à algo que existe em nós, seja este “algo” um comportamento, uma emoção, um desejo ou um pensamento.

Em geral o tema se apresenta no pedido de que o outro me aceite: “queria que meus pais me aceitassem” ou “quero ser aceito pelas pessoas”. Então as pessoas passam a relatar todo o trabalho que tem para alcançar este fim: agradam os outros, são gentis com os outros, engolem sapos pelos outros e não conseguem a tal aceitação.

O problema central desta estratégia é que “fazer pelos outros” não é algo que garante aceitação. Quando faço algo por alguém posso estar garantindo que eu gosto de fazer coisas por aquela pessoa, mas isso não tem nada a ver com ela aceitar minhas características (a não ser, esta de fazer pelos outros). A frustração e decepção são sempre enormes, porém infundadas visto que a estratégia escolhida não alcança a meta proposta.

A questão é que para algo poder receber o valor de existência, precisa, primeiro, ser demonstrado. Se eu não mostro minha tristeza, por exemplo, como poderão aceitar que eu estou triste? Se não mostro minhas qualidades, como podem aceitá-las? No entanto, para fazer isso é necessário que eu mesmo aceite aquilo que existe dentro de eu mesmo. Assim sendo a tal da “auto aceitação” é o fundamento da aceitação do outro. O mais interessante é que, quando eu aceito aquilo que há em mim não existe mais necessidade do outro aceitar. Esse é, inclusive, o referencial que eu uso para compreender que a aceitação realmente ocorreu.

A não aceitação das nossas características pelos outros torna-se, a partir daí, um problema para o outro e não mais para nós mesmos. É aquela situação em que a pessoa lhe diz que não gosta daquilo que você faz e você diz que sabe disso e entende. Você “aceita” a percepção de negação do outro, embora não precise concordar com ela. Isto faz com que as relações cresçam em qualidade porque começa a “obrigar” o outro a buscar a aceitação. Quando uma das partes não se aceita e precisa da aceitação do outro ela está pedindo para existir e ninguém pode fazer isso por ninguém.

Aceitação envolve percepção de seu comportamento, de seus pensamentos, de seus desejos e emoções. Ninguém pode fazer isso por você, podem até apontar, porém você precisará focar a sua atenção no que os outros apontam. A aceitação muitas vezes se torna difícil por causa da auto imagem que temos de nós mesmos. Muitas vezes aquela imagem que temos de nós fica tão forte que não conseguimos ver o que “realmente” há por debaixo dela, ou o que mais há junto com ela. Aquilo que “sai da regra” é colocado de lado.

Aceitar-se, por outro lado, pode ser duro para a auto imagem. E esta é outra habilidade que a pessoa deve conseguir ter: aprender a suportar as suas incoerências internas. Esse trabalho requer maturidade para ver aquilo que não considero “eu” como parte de mim e dar valor de existência à isso. Requer sabedoria para conseguir integrar esta nova porção recém-descoberta de si à sua auto imagem expandindo-a, mudando-a. E se isso tudo se somar à noção de que poderemos ser nós mesmos enquanto incorporamos elementos que não reconhecemos como “eu” estaremos indo numa direção de muita riqueza pessoal.

Abraço

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Impotência
11/12/2013

– Eu não sei o que fazer nessas situações sabe?

– Não sabe? Uma pessoa é agressiva com a outra, o que se faz?

– (Silêncio) se defende?

– O que você acha?

– É…

– É?

– Se defende.

– Perfeito! Muito bom, então você sabe o que fazer! O que te impede de fazer isso nessa situação?

– Não sei, me sinto impotente quando estou na frente dela.

– Entendo, o que te faz ficar impotente?

– Quando ela fala ríspida comigo

– O que acontece daí?

– Me sinto como quando era pequeno com meu pai gritando comigo.

– Entendi… mas se você evocar aquele menininho ele não vai dar conta mesmo não é?

– Pois é.

– Que tal evocar um homem adulto como sei que você é?

– Melhor não é mesmo?

A sensação de impotência talvez seja uma das mais doloridas e difíceis de lidar para o ser humano.

A impotência tem a ver com a nossa incapacidade de realizar algo frente à uma dada situação, a cena clássica é a nossa impotência frente à morte: não há nada à se fazer, somos mortais, portanto, morremos. Esta incapacidade de modificar uma situação é muito deprimente, muitas pesquisas já foram feitas sobre o tema e a incapacidade de adquirir competência é algo altamente frustrante para o ser humano.

A sensação de impotência, muitas vezes é sentida em situações nas quais a pessoa pode ter poder de ação, mas não tem. Nestes casos é importante auxiliar a pessoa a aprender a ter atitudes e comportamentos para lidar com a situação. Algumas pessoas, por exemplo, se cobram demais em uma determinada situação que não tinha outras alternativas, ela fez “o que era possível” fazer e, sendo assim, não era inteiramente impotente, mas talvez as expectativas dela queriam muito mais do que era possível.

Em outros casos, como neste acima a pessoa tem comportamentos que não usa para determinadas situações e acha-se, então, impotente. Esta impotência, porém não é fato, é apenas a falta de tomada de atitude. É mais uma sensação paralisante do que, necessariamente, a impotência de fato. Neste caso, temos  o que chamamos de “identidade impotente”, ou seja, a pessoa que se identifica como “aquela que não sabe/ não pode/ não consegue ter uma atitude”. Este tipo de identificação é altamente nociva para a pessoa e requer que organizemos uma nova forma de se perceber para ajudá-la a vencer seus desafios.

Por último reside a real impotência, como aquela frente à morte. Neste caso o processo é de aceitar o que devemos viver. Envelhecer é um outro processo frente ao qual somos impotentes, porém aceitar tudo isso com tranquilidade é um grande desafio. Em geral as pessoas que lidam bem com a impotência aprendem a fazer a seguinte distinção: se eu posso fazer algo, me responsabilizo por aquilo, se não posso, não me responsabilizo. Esta atitude – para esta situação específica – é altamente positiva: não podemos desejar ter responsabilidade por algo fora de nosso controle – ou mesmo da probabilidade de controle, sendo assim, aceita-se com mais facilidade aquelas situações que não temos nada para fazer.

Abraço

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Não sou eu
09/10/2013

– É que este estado de energia não combina comigo sabe? Estou meio assustado!

– Ah é? Olhe que coisa!

– Mas é Akim, não fale assim… eu não sei mesmo o que está acontecendo comigo.

– O que está acontecendo com você?

– Eu estou dizendo coisas que não dizia, fazendo coisas que não fazia e o pior é que pelo menos no momento eu me sinto muito bem fazendo isso.

– Tem tido mais disposição no dia a dia e se sentido mais leve também?

– Sim!! Pelo menos acho que é isso… eu não sei se não estou tendo tipo uma crise de pânico.

– Longe disso! Você sempre foi o cara mais “pacato” não é mesmo?

– Sim, até meio que por isso que te procurei.

– Pois é! E ao longo do trabalho fomos vendo quantas “travas” você tinhas não é mesmo?

– Sim.

– E você se dispôs a destravar não é mesmo?

– É.

– E agora tá aí o resultado oras! (risos) Você com mais energia, “destravado”, ainda não se reconhece nessa nova atitude e energia?

– Acho que não viu?

– Não tem problema, o tema é: aceite o que estiver vindo!

Muitos clientes me dizem em vários momentos da terapia: “mas isso não sou eu”, “eu não sou assim”, “não é do meu feitio” e frases do tipo.

O que significam? O que podemos fazer com elas?

Em geral uma frase como essa aparece quando a pessoa se deu conta de que fez, sentiu ou pensou algo muito diferente do seu habitual. Uma atitude que não combina com a imagem que ela faz de si mesma e que, portanto a consciência tende à rejeitar. O processo terapêutico em geral ajuda a pessoa a ampliar a sua percepção de eu de modo que cada vez ela possa enxergar mais detalhes sobre o seu jeito de se comportar, pensar, reagir e sentir e este processo, muitas vezes, leva a pessoa a perceber partes que não se encaixam com o que ela pensava de si, que extrapolam a identidade com a qual ela se julgava. Algumas vezes a pessoa percebe coisas que não gosta, outras vezes percebe que tem mais potenciais do que achava ter e em algumas percebe coisas que nem sabe como classificar. Este é um dos passos fundamentais para a mudança.

Porém, resta um segundo passo que é aceitar aquilo que a pessoa está percebendo. Resolvi trazer o caso acima por se tratar de algo diferente do senso comum. Em geral as pessoas acham que temos dificuldade em aceitar aquilo que não gostamos em nós mesmos, mas às vezes é o contrário: temos dificuldade de aceitar coisas boas à nosso respeito também. O rapaz do caso acima, por exemplo, não conseguia imaginar a quantidade de energia disponível que ele tinha guardada dentro de si sem dar uso, quando ele começou a perceber isso, achou que ia ter uma crise de ansiedade! E isso não é de se espantar porque a auto-imagem dele falava que ele era quieto e introspectivo, de “baixa energia” e não uma pessoa “radiante” como mais tarde ele passou a se perceber.

O problema da aceitação está, em primeiro lugar na flexibilidade para alterarmos a nossa concepção de nós mesmos tendo por base a realidade, novos fatos que vem até nós. Muitas pessoas ficam tão arraigadas às suas percepções empobrecidas delas mesmas que não conseguem mudar o ponto de vista, colocar mais elementos, mesmo que seja para uma melhor qualidade de vida. Desejam tapar o sol com a peneira e manter as  suas histórias do jeito como estão.

O respeito pela realidade, pelos fatos é um fundamento da boa auto-estima e é com este respeito que devemos organizar a nossa percepção de “eu”. Me lembro de um outro caso de um rapaz bonito que achava que nenhuma mulher olhava para ele num bar, por exemplo. Ele tinha sido um “gordinho” quando pequeno, mas agora já era um homem muito bem apessoado, no entanto, a sua percepção de si ainda era do gordinho de 20 anos atrás, foi muito interessante ele começar a mudar a sua percepção tomando por base olhares reais que as mulheres davam à ele. Uma vez, me segredou: “achei bizarro quando eu dei uma olhada para trás e vi que elas ainda estavam olhando, não sabia onde enfiar a cara”.

Treinar o nosso respeito pela realidade é buscarmos prestar atenção à nossa experiência tal como ela é hoje, buscar perceber de forma realista os resultados que temos tido com nossas atitudes e para onde, de fato, nossos pensamentos e ações tem nos conduzido. É olhar e ouvir ao invés de fantasiar e “achar que” e começar a usar este tipo de informação como base para construir nossas conclusões e nossas novas ações no mundo e com nós mesmos. Tinha um cliente que começou a fazer isso ao pé da letra e voltou duas semanas depois um tanto assustado: “Akim, metade dos meus problemas se resolveram só com isso, a outra metade dobrou de tamanho”, ele queria dizer que percebeu que muitos problemas que ele achava que eram fundamentais eram apenas uma parte da fantasia dele, a outra parte era a  que realmente importava.

Ao realizar este treinamento com você, pratique o seguinte exercício: busque na sua memória o maior número de situações que você viveu, busque pelas situações antagônicas nas quais você teve um comportamento completamente diferente do outro, lembre-se de você na situação, viva novamente a situação e se diga: isso também sou eu. Anote em uma folha de papel isto e, depois  de fazer o exercício releia tudo o que escreveu se dizendo “isso também sou eu, me aceito com isso”. Lembrando que aceitar e gostar são coisas diferentes, mas que aceitar é o primeiro requisito para mudar afinal o que não aceitamos não existe para nós e nossa mente não se ocupa do que não existe.

Abraço

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Pare a briga
14/06/2013

(no meio de um exercício no qual apenas pedi para a pessoa respirar profundamente e prestar atenção à sua respiração)

– Eu não sei exatamente o que acontece comigo… parece que eu vou viver a vida toda com esta inquietação sabe?

– Sim, continue respirando e preste atenção nesta inquietação.

– É um incomodo que não incomoda sabe?

– Como assim?

– É… eu não gosto de ficar preocupado, gosto de agir apenas, mas como sempre tive uma vida confortável nunca vi muitos motivos para agir, sempre usei as coisas de acordo com o que eu tinha.

– E?

– E… de certa forma… as pessoas se incomodavam com isso porque eu estava “tranquilo”, “na minha”… sem me preocupar e acabei entendendo que não ficar preocupado era errado.

– Hum e o que isso tem a ver com você hoje?

– Tem a ver que toda a vez que sinto que posso relaxar e ficar tranquilo me sinto culpado como se eu não soubesse viver, não soubesse o que esperar da vida e estivesse fazendo besteira.

– Hum… entendi… e se você relaxar o que acontece?

– Ai Deus… eu acabo ficando mais atento… mais crítico, não crítico chato sabe? Mas crítico e reajo mais na hora.

– Hum…

– Tenho que parar de brigar com o que tenho dentro de mim Akim…

– Também acho…

Muitas vezes as pessoas me dizem que tem problemas e defeitos. Ficam ansiosas com isso e querem mudar.

Muitas vezes, também, em meio à terapia ela simplesmente entendem que aquilo que pensam ser um defeito é simplesmente algo que chamaram de defeito e não um defeito em si.

Existe uma palavra para isso: aceitação. Aceitar não significa gostar, mas significa parar de brigar com o que percebemos, sentimos, desejamos e dar valor de existência àquilo. Uma vez que fazemos isso podemos, de fato, começar a nos relacionar com “a coisa”. E ao fazer isso é que podemos entender, compreender e mudar – caso necessário – ou começar a dar um novo uso para aquilo tudo.

A respiração é um exercício ótimo para começar isso. Respirar e ficar atento à sensação, ideia ou pensamento. Porque? Todos temos tensões musculares que são profundamente ligadas às nossas tensões emocionais e psicológicas, quando respiramos sem buscar intervir começamos a relaxar as tensões ou a colocar tônus em músculos que estão frouxos demais, isso regula a pessoa e re-equilibra as tensões. Daí quando as tensões começam a se equilibrar mudanças psicológicas e emocionais começam a acontecer.

Outra forma é criar um diálogo com aquilo que não conseguimos aceitar, imaginar a coisa como um interlocutor e começar a conversar, fazer perguntas e imaginar a resposta. É um exercício de criação e fantasia bem interessante e que geralmente dá bons resultados. Conversar com aquilo que queremos esconder é um bom começo para pararmos de brigar.

Abraço

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Ser interessante
29/05/2013

– Ninguém me olha na escola, mas também… porque iriam?

– Bem você não é invisível não é?

– Ai Akim err… é que eu não tenho nada de interessante, por isso que estou falando.

– Ah é, e o que você considera uma pessoa interessante?

– Eu não tenho um iphone, não sou popular, não sou a garota mais bonita da turma.

– Hum… entendi… você tem uma bela lista do que você não é, não é mesmo?

– É…

– E essas são coisas que você acha interessante? Ou que “fazem sucesso” com o pessoal?

– Ah, eu queria até me arrumar mais, mas não sei, não ligo muito para essas paradas de “a mais mais” da turma ou ter o aparelho super hiper mega da moda… eu gosto de livros, por exemplo…

– Hum… quer dizer se você conhecesse alguém na sua escola que gosta de livros acharia esta pessoa interessante?

– Sim… nossa… que estranho… parece que eu sou interessante então?

– (risos)

– Tem um menino que eu vi mais de uma vez lendo um livro no recreio

– Olhe que legal!

– Pois é… eu já vi ele e até quis ir falar com ele um dia, mas desbaratinei sabe?

– Sim, rebaratine então!

– Vou fazer!

Vivemos em um mundo de consumo. O principal produto em exposição nas prateleiras das lojas e nos sites de compras não são televisores, celulares, smartphones ou carros… são pessoas.

O tema já foi explorado por psicólogos, sociólogos, cientistas sociais e antropólogos e a transformação dos seres humanos em produtos é um tema que organiza a nossa sociedade, pense no sentido do serviço de “marketing pessoal”, por exemplo e entenderá que nossa identidade é um produto à venda. E como qualquer produto o seu teste último é se vende, se as pessoas “compram a ideia”.

É aí que, para o indivíduo, a coisa descamba. O que o “mercado” quer, muitas vezes pode ser algo que ele não considera importante, que não alimenta a sua alma e não o faz alegre, nem feliz e nem perceber um sentido para as suas ações ou vida. Assim sendo, o que fazer?

O ponto é aprender a focar no que queremos para nós, no que realmente nos faz felizes, no que dá sentido à nossa vida, no que traz alegria ao nosso coração. Aí podemos nos fazer uma pergunta simples: “se eu visse uma pessoa na rua com estas qualidades, eu a acharia interessante?”. A resposta quase sempre é um grande “sim”, pois é isso que eu considero de importante para mim. Agora se eu consideraria uma pessoa assim interessante, porque não me considerar interessante com as característica que tenho? Ao fazermos isso podemos começar a usar a nossa percepção para nos guiar em direção à relacionamentos que possuem este tipo de características, para pessoas, lugares e eventos que tem o que nos alimenta.

Ser interessante é importante, em primeiro lugar, para nós mesmos. É de dentro que o aval precisa vir, mas às vezes precisamos de um truque para escrevermos o aval, este é um deles. Aproveitem.

Abraço

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Aceitação
13/03/2013

– Preciso praticar a auto-aceitação Akim…

– Opa, que legal, o que você tem dificuldade de aceitar?

– Como assim?

– Ora, se você precisa praticar a auto-aceitação tem coisas em você que você não aceita não é?

– Hum… verdade… sabe… não sei direito, mas eu tenho dificuldade de dizer “não”, só que eu acho isso horrível em mim.

– Entendi…

– Eu acho que eu deveria ser uma pessoa bem diferente, colocando limites em todos e tal, mas de verdade… sou um bundão.

– (risos) Ah é é? Sei… bem, vamos lá… você consegue perceber situações nas quais você é “bundão”?

– Sim… várias…

– Então consegue reconhecer, perceber e validar que isso faz parte do seu comportamento, de você?

– Sim… acho que sim…

– Ótimo, isto é aceitar.

– Mas eu não gosto disso!

– Aceitar é uma coisa, concordar é outra.

– Hum… então eu não concordo com isso!

– Show, o critério que você me disse que queria expressar era colocar limites em todos! Isso é sempre possível?

– Não muito… às vezes é mais difícil.

– Sim, ao invés de pensar em você como um bundão, como você poderia pensar quando não consegue, visto que é muito difícil mesmo?

– Poderia pensar que tenho o que aprender ainda?

– Pode, como seria se você pensasse isso quando não consegue dar limites ao invés de se ver como um bundão?

– Bem melhor… consigo aceitar e concordar… Assim… em partes, sei que não é errado, mas quero fazer diferente ainda entende?

– Sim, e como te parece esta solução? Melhor que antes?

– Bem melhor mesmo… tira um peso das costas!

Existe uma diferença entre “aceitar” e “concordar”. Muitas pessoas fazem confusão com estas duas nomenclaturas.

Aceitar consiste em perceber algo que está ali da forma que está. Envolve o uso da percepção e da validação. Observo algo e valido que aquilo existe, literalmente coloco o na coisa percebida o valor de “real”, “existente”.

Concordar tem a ver com critérios. Envolve perceber algo, validar algo e avaliar de acordo com critérios pré-estabelecidos se gosto ou não daquilo, se concordo ou não com aquilo, se me faz bem ou não e por aí vai.

Quando falamos em “nos aceitar” estamos trabalhando com a noção de perceber comportamentos, sentimentos, pensamentos e atitudes que temos. Aceitar a forma pela qual vivemos a vida, nossas potencialidades, limitações, frustrações, coisas que gostamos, que não gostamos. Enfim, aceitar tudo o que percebemos de nós e em nós. Por esta razão quando dizemos “me aceitar” precisamo compreender do que estamos falando, pois não conseguimos captar o todo que somos com nossa razão.

No entanto, “aceitar” não significa gostar, concordar e querer manter. Podemos aceitar coisas em nós que não gostamos. Aceitar significa perceber, gostar significa avaliar. Sem a aceitação não é possível a avaliação, porém é importante avaliarmos de forma adequada para não reprimir algo que não gostamos.

Quando nos referimos à sermos aceitos pelos outros precisamos ter estes dois conceitos em mente, pois é possível que nos aceitem e que não gostem da forma pela qual agimos. A pessoa aceita o seu comportamento, ela o percebe e reconhece, mas não o valida. Aprender a lidar com esta dimensão da questão ajuda muito a pessoa a aprender a se relacionar e a lidar com aceitação ou rejeição.

Abraço

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