Estilo

13/08/2015 - Leave a Response

Calvin - Gravata

Complexidade emocional

12/08/2015 - Leave a Response

varias emoções

  • Eu estou muito puto com ele.

  • Sei… me fale mais dessa raiva.

  • Cara… como que ele pode fazer isso?

  • Você esperava outra reação dele?

  • Lógico, nunca pensei que fosse fazer isso!

  • Está frustrado ou decepcionado com ele?

  • Sim!

  • O que veio primeiro: a raiva ou a decepção?

  • Hum… acho que a decepção.

  • Sentir isso influencia na sua amizade com ele?

  • Sim.

  • E como você se sente com isso?

  • Triste sabe? Tipo… nossa… foi muito ruim isso tudo. (chora)

 

Você sabe qual a diferença entre emoção e sentimento? Antonio Damásio nos diz – à grosso modo – que enquanto a emoção é algo que tem a ver com o movimento, com a ação, o sentimento é algo que tem a ver com a percepção. Enquanto uma nos coloca na ação a outra é a percepção desta ação.

Daí que quando percebemos colocamos nossas funções cognitivas para trabalhar e uma emoção pode dar origem não apenas a sentimentos, como também a outras emoções. É o que tentei descrever neste caso acima. A emoção de decepção gera a tristeza e gera a raiva. Ao mesmo tempo a pessoa sente estas emoções nela, uma após a outra e combinando sentimentos e emoções ao longo do tempo. Toda pessoa que passou por uma morte, desastre ou experiência de roubo, guerra ou até mesmo perda de patrimônio ou divórcio sabe que várias emoções podem ocorrer ao mesmo tempo.

A emoção está vinculada ao que pensamos e percebemos, ou seja, embora as emoções não são “puras”, elas tem uma relação profunda com como percebemos o mundo e nós mesmos. No exemplo acima, temos uma pessoa que tinha expectativas à respeito do comportamento do amigo. O que o amigo fez com ele só foi algo ruim por causa desta expectativa, a emoção de tristeza – de ter perdido algo, no caso a confiança – ocorreu em detrimento do fato do meu cliente sentir que não poderia mais confiar no amigo por causa daquilo que ele fez. E se as expectativas fossem diferentes?

Neste mesmo caso a raiva é uma emoção que surgiu por um outro fato: ele, no fundo não sabia e nem desejava dizer ao amigo que não queria mais relacionar-se com ele. Estes dois eventos dentro do meu cliente geraram um estado complexo: o amigo lhe causou um dano, manter a amizade poderia lhe trazer mais danos, ele não queria dizer que desejava afastar-se do amigo, portanto sua própria maneira de ser poderia lhe causar mais danos. Como esta era a única resposta que ele tinha no momento ele ficou ansioso em saber que poderia estar se causando mais danos e, daí, a raiva.

Aquilo que sentimos pode ser algo muito complexo como o exemplo mostra: a percepção de uma decepção torna-se tristeza e essa mesma tristeza desperta a raiva. Todas as emoções estão unidas frente à um mesmo evento e dizem de aspectos diferentes sobre este evento. Lidar com cada uma delas é importante para abraçar o evento como um todo e não apenas como parte. Além disso podemos ter emoções que nem sempre se manifestam claramente, surgem apenas como vontades “que não sabemos da onde vem”, ou que surgem depois do evento, mas estão relacionadas à ele.

Preste atenção naquilo que sente, você poderá encontrar muitas respostas aí.

Abraço

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Burocracia

11/08/2015 - Leave a Response

Mafalda - Burocracia

Objetividade e frieza

10/08/2015 - Leave a Response

coracao-gelado

  • O que eu não entendo é porque ele ficou tão brabo comigo depois.

  • Hum… você acha que ele não deveria ter ficado assim?

  • Claro. Eu só falei os fatos para ele.

  • Sim. Você descreveu algo que você vê nele.

  • Pois é! Porque ficar tão brabo comigo por isso?

  • Porque não?

  • Ué, ele deveria pensar sobre aquilo e pronto… não vejo para que se emocionar.

  • Como você é dura!

  • (Pausa) Porque diz isso?

  • Você sentiu algo quando eu falei isso?

  • (Pausa) Sim.

  • Segundo você, você não deveria ter sentido… deveria apenas ter pensado sobre o que eu falei.

  • Hum…

 

Ser objetivo é importante em nossas vidas. Esta capacidade serve para tomar decisões e avaliar com realismo nossos resultados. Porém existe outra característica que é confundida com objetividade que é a frieza.

Ser objetivo é uma característica que tem a ver com a maneira pela qual a pessoa lida com os fatos. Diz-se do objetivo a pessoa que consegue raciocinar em cima de dados e fatos, tirando conclusões a partir da realidade e elaborando ações para esta realidade. O contrário do objetivo é a pessoa que já tem uma versão da realidade e busca adaptar os fatos às suas teorias. A objetividade, assim sendo considerada, é uma característica que pode acompanhar diversos tipos de emoções. A curiosidade, inclusive, é um estado afetivo que liga-se muito bem à objetividade.

Frieza é outro departamento. Quando fala-se em frieza aponta-se para a maneira pela qual a pessoa valoriza os estados emocionais. Frieza não está ligado à não sentir determinada emoção e sim à desvalorizar a presença da emoção em si e nos outros. “Tratar com frieza” é uma expressão que usamos quando percebemos que alguém está deliberadamente ignorando expressões afetivas. É possível ser frio e objetivo sim, porém as características não são sinônimos.

Ambas as habilidades tem sua importância em nossas vidas. Ser frio assim como ser objetivo são características que podem ser úteis dependendo do contexto e dos objetivos da pessoa. Podem também ser utilizadas de maneira inadequada quando, por exemplo, tenta-se se frio sempre que o contexto provoca emoções. Ora, lidar com emoções através da frieza pode ser útil, porém não será útil sempre. Existem situações em que lidar com os fatos é importante, porém, quando estamos criando, muitas vezes temos que torcer a realidade e deturpá-la para conseguirmos criar algo novo.

Em geral o que vejo no consultório é que existem dois problemas em relação à estes temas: ter a frieza como resposta padrão para estados emocionais e ser objetivo com tudo. O primeiro caso tem a ver com uma baixa capacidade de lidar com as emoções. Em geral a pessoa teme perder o controle ou – numa acepção errônea do termo – não ser “objetivo”. É importante aprender a desenvolver uma maleabilidade emocional afim de entender que cada emoção possui uma função e que isso não prejudica, mas sim adapta a percepção da realidade ou, até mesmo, chama atenção à determinados elementos do real.

O segundo caso é o típico “chato” que não consegue relaxar e se soltar numa conversa porque tudo para ele precisa de evidências, justificativas e provas. Ser objetivo o tempo enche a pessoa de um conhecimento prático da vida, por outro lado, muita praticidade torna a vida seca e áspera. É necessária uma certa dose de subjetividade que é o que dá cor aos dados e ao lado prático da vida. Afinal mesmo aquilo que chamamos de objetivo possui o fato de ser visto por um humano que tem uma visão sempre limitada do real e, portanto, é subjetivo.

Abraço

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Férias e realidade

09/08/2015 - Leave a Response

Mafalda - volta das férias

Barbaridades

08/08/2015 - Leave a Response

Mafalda - barbaridade

Quando fugir prende

07/08/2015 - Leave a Response
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-Então Akim… estou meio preguiçoso.

  • Sei… o que está te incomodando?

  • Ah, um pouco de tudo na real…

  • Um pouco de tudo… o que é esse “tudo”?

  • Faculdade, namoro…

  • Reduziu bem já não é?

  • É… ah, sei lá…

  • Você está preguiçoso ou simplesmente não quer lidar com o que está acontecendo?

  • É… meio que a segunda sabe?

 

Fugir ou esquivar-se de uma situação são duas das várias respostas que nós podemos dar à um evento que nos é desagradável ou pode nos causar dano de alguma forma. Porém a fuga e esquiva nem sempre são uma boa solução, você sabe quando esquivar-se e fugir de uma situação pode ser prejudicial para você?

Quando fugir é importante? Quando percebemos que a situação está além do que podemos responder e irá nos prejudicar. Neste caso pode ser uma opção mais sábia dar um passo para trás do que tentar enfrentar uma situação desprovido de recursos. Como diz o dito militar romano: “o bom general sabe quando lutar e quando se retirar”. Esta estratégia, no entanto, vem com um adendo: a necessidade do aprendizado. Fugir ou esquivar uma situação nos mostra que, naquele momento, não sabíamos o que fazer, portanto, é necessária que a retirada seja estratégica, para agrupar novos comportamentos e aprendizados e retornar à “batalha”.

O problema que temos é que as pessoas tendem a fugir e assumem isso como um comportamento padrão. Frente àquilo que é “perigoso” ou à situações que “exigem” aprendizado a pessoa tende, cada vez mais a se esquivar, postergar e fugir. O problema com isso é que ela não aprende, mantém-se sempre no mesmo patamar de aprendizado emocional e comportamental o que acaba levando-a para um fim triste: o isolamento.

Fazendo um paralelo com o título deste post, é neste momento em que a fuga aprisiona. Fugir é um comportamento importante de se ter na manga, porém abusar dele  faz com que a pessoa fique estagnada e tenda a ficar rígida em seu padrão de funcionamento. Isso é problemático porque vivemos num mundo que se move, que muda diariamente e, fatalmente, a pessoa começará a ter perdas desnecessárias. Porque desnecessárias? Porque ela só perde pelo fato de não ter aprendido novos comportamentos para lidar com o mundo e está tendo perdas por causa disso.

Que tal um exemplo mais claro?

Uma pessoa que é, na adolescência, muito famosa na escola por ter uma pseudo auto estima demonstrada na forma de comportamentos rebeldes. Neste momento ela é admirada e desejada, tem status e um lugar de reconhecimento. Porém, quando cresce, mantém-se neste padrão. Não “atualiza” a sua forma de agir e tenta manter-se no mundo da mesma maneira. A pseudo auto estima é, na verdade o propulsor desse comportamento rebelde. O que a rebeldia esconde é uma pessoa com medo de falhar e que, por isso, questiona demais tudo e todos. Torna-se um adulto inoportuno e chato. Ao invés da pessoa assumir seu medo de falhar, ela mantém-se fugindo de  seus fantasmas através do comportamento rebelde, porém, ele tem vida curta e num nicho muito específico. Ocorre que, para sobreviver, ele precisa viver sempre buscando nichos e pessoas que ainda estão na mesma fase evolutiva que ele, à medida que elas crescem, abandonam-no e ele precisa, novamente, correr atrás. Este é um exemplo de como uma fuga pode aprisionar a pessoa, para sempre às vezes, num comportamento que não é útil ao seu crescimento.

Abraço

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Expectativas

06/08/2015 - Leave a Response

Zero - Expectativas

Quem é seu terapeuta?

05/08/2015 - 2 Respostas

terapia-mulher

  • Akim… não sei mais o que te dizer.

  • Não sabe ou não quer?

  • Acho que o segundo.

  • E o seu não querer é porque não deseja tratar disso ou porque não sabe se deve falar isso para mim?

  • O segundo também…

  • O que motiva essa sensação?

  • Não sei… parece que está diferente aqui na terapia.

  • Sim, diferente como para você?

  • Eu… te vejo diferente.

  • Como me vê?

  • Antes eu te via meio que como um guru sabe?

  • Sim.

  • Agora te vejo mais como eu… como um humano sabe? (risos)

  • Sim… e é difícil confiar em humanos não é?

  • Nossa… verdade…

 

Este post pode parecer escrito para quem já faz terapia, porém ele serve para ambos os lados. Ocorre que todos temos uma certa imagem dos profissionais – assim como de qualquer pessoa – e a imagem que temos do psicólogo é algo que tanto pessoas que fazem quanto as que não fazem terapia tem. É óbvio que estou colocando o foco sobre o psicólogo que trabalha com psicoterapia – é a minha área – mas existem várias outras ocupações para o psicólogo.

Quando se começa a fazer terapia – digo por experiência própria – temos uma certa percepção do profissional que irá nos atender, isso tem a ver com aquilo que apreendemos da pessoa com quem nos relacionamos. Outra coisa tem a ver com aquilo que projetamos sobre ele, ou seja, aquilo que desejamos que o profissional seja para nós, tem a ver com nossos desejos e expectativas. E uma terceira influência é sobre como nos relacionamos com a pessoa de fato, ou seja, a maneira pela qual criamos vínculo com o terapeuta.

Porque falar disso é importante para você que faz terapia?

A maneira pela qual nos vinculamos ao terapeuta diz muito sobre nós e a maneira pela qual nos relacionamos com as pessoas no mundo. “Ah Akim, mas o psicólogo é um profissional e eu o vejo assim”. Esta é uma das formas e essa maneira de encarar o psicólogo – não como um humano, mas sim como uma “entidade” chamada “profissional” – diz muito sobre a pessoa. Poderia perguntar a mesma pergunta que  fiz na consulta citada acima. Poderia trabalhar, também, com o porque de ela precisar de uma “entidade” para se abrir? É medo? Quer alguém que seja “neutro”? A maneira pela qual você vê o terapeuta diz muito sobre você, como você encara o seu terapeuta?

A maneira pela qual nos vinculamos é outra história. O vínculo fala das nossas necessidades com aquele relacionamento. Existem vínculos mais ansiosos, que demonstram um certo tipo de medo ou incerteza, insegurança em relação à pessoa com quem se está relacionando. Outro pedem aprovação, contato ou afeto. Pode-se vincular com um terapeuta a partir da agressão, é o tipo de pessoa que, por exemplo, sempre desconfia, questiona e desaprova aquilo que está sendo dito. Ela agride para ver se será “aceita mesmo assim”, a agressão é uma forma de se defender e ao mesmo tempo um pedido de afeto nesse caso. Agride-se para se afastar da possibilidade de ser excluído, mas deseja-se, verdadeiramente, o afeto e a inclusão.

Aquilo que apreendemos de nossos terapeutas é uma mescla daquilo que necessitamos com aquilo que vemos. A percepção nunca é “pura”, está sempre vinculada aos nossos filtros. Desta maneira constituímos quem o nosso terapeuta é para nós. Este é um processo que fazemos com todas as pessoas com quem nos vinculamos. Tratar disso em terapia é tratar a maneira pela qual se cria vínculo, que se percebe o outro e, principalmente, as questões que motivam cada um de nós a criar o vínculo desta maneira.

Uma pessoa que vê os outros como possíveis agressores, por exemplo, pode buscar no terapeuta um porto seguro, um confidente ou querer comprovar que nem mesmo os terapeutas são confiáveis. Todas essas percepções refletem o mesmo drama sobre como ela percebe as pessoas do mundo e o seu lugar com essas pessoas. É com isso que ela irá organizar o seu papel. Uma vez que possa tratar disso usando a relação terapêutica como recurso ela poderá rever estas crenças sobre relacionamentos e mudar aquilo que julgar adequado mudar.

Quem é o seu terapeuta?

Abraço

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