Dai-me paciência!

daime paciencia

  • Akim… hoje você vai se irritar comigo.

  • Ah é, porque?

  • Eu recaí novamente.

  • Entendi, o que aconteceu?

  • Ah… peguei a gúria lá de novo, não aguentei.

  • E o resultado?

  • O de sempre.

  • Ok. Bem, antes de entender a recaída, me diga: porque vou ficar irritado com isso?

  • Ah… a gente trabalha um monte e eu não mudo.

  • Hum, entendi. Mas veja, o simples fato de perceber que ficar com ela é uma “recaída” já é muito bom pra mim.

  • É… você sempre tem isso de olhar para o lado bom.

  • Você está mudando o comportamento, porque não deveria olhar para isso?

  • Mas foi muito tempo para entender isso.

  • Foi o seu tempo… talvez você esteja irritado com você não é mesmo?

  • É… talvez seja mais isso… eu sabia que ia dar errado… mas fiz de novo sabe?

  • Sei… e não te censuro por isso, acho que a sua dor já te basta.

Acredito que quase todo mundo já teve esta necessidade na vida: ter paciência. Muitas são as piadas com isso “dai-me paciência porque se me der força eu mato” ou “dai-me paciência, mas me dê agora!”. Porém a questão é sempre a mesma: como gerar este estado?

O primeiro engano é achar que devemos nos sentir neutros ou ignorar o que está acontecendo. Porque? Porque para ignorar eu preciso, primeiro, perceber e me incomodar. Ignorar é um esforço para tornar algo que está na minha percepção menos valorizado, porém o fato é que aquilo que me incomoda fica sempre na percepção o que, também, gera incomodo. Ser neutro é algo de outra esfera física, Ao humano não é possível “ser neutro”, ou seja, se algo mexe com a gente, simplesmente aceite isso e lide com a sua reação, este é o caminho para começar a ter paciência. E, por fim, é um engano porque as pessoas que são pacientes não são neutras e nem ignoram o que está ocorrendo, elas tem uma outra reação.

A estrutura da paciência requer que você perceba o que está acontecendo, de valor para o que incomoda. No entanto, quando digo dar valor, é importante saber “qual” valor dar. Pessoas pacientes entendem os elementos que as incomodam como algo que não é delas. Ou seja, o vizinho chato não é um “problema meu”, ELE é chato, neste sentido, ele tem um problema. Ao perceber a situação dessa maneira existe uma sensação de “estar de fora”, esta sensação causa uma tranquilidade.

Outro fator importante na elaboração do estado de paciência é observar o comportamento ao longo do tempo, para isso, a primeira condição (acima citada) é importante. Ao estar distante do comportamento posso entender a pessoa ao longo de sua história de vida. Vendo desta perspectiva ampla o comportamento que está sendo exibido saí do “momento” e entra na “história”, com isso é mais fácil perceber que a pessoa não está sendo assim “com você”, ela, simplesmente, é assim. Isso também ajuda a não levar para o lado pessoal, outra característica da paciência.

Ao ver o comportamento como algo construído ao longo do tempo, também é possível se colocar num papel diferente. Se eu não sou o alvo dessa pessoa maligna e sim, mas um com o qual ela se relaciona desta maneira, que posso ser? Posso ser um professor, posso ser alguém com quem ela poderá ter uma surpresa, posso ser uma pessoa que (finalmente) vai entendê-la, ou encará-la. Assumir este papel é lidar com o comportamento e não com a pessoa. Uma vez que esta perspectiva é assumida “ser paciente” não é algo com a pessoa e sim com a maneira dela se comportar. Isso cria um desapego em relação à mudar a pessoa o que culmina numa paciência mais estruturada.

Em resumo, podemos dizer que a paciência se organiza quando a pessoa percebe o comportamento como intrínseco da pessoa e dá atenção ao comportamento e não à pessoa (ou seja, não faz juízo moral dela e não leva para o lado pessoal), percebe este comportamento como algo gerado ao longo do tempo, se coloca numa atitude positiva frente ao comportamento e não assume como seu o problema, apenas a postura que irá assumir frente à ele.

E aí, ajudo ou tenho que ter paciência?

Abraço

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