Archive for abril \30\UTC 2015

Repetições
30/04/2015

tiras-peanuts02g

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Renúncia
29/04/2015

let-go

 

  • Sabe o que é? Tô de saco cheio de ficar fazendo tudo o que ela quer!

  • Entendo isso.

  • Então o que eu faço? Tô achando que deveria terminar com ela!

  • Esta é uma opção…

  • Qual a outra?

  • Compreender o que te faz estar tão chateado com “ficar fazendo tudo o que ela quer”.

  • Como assim?

  • Bem, você não faz tudo-o-que-ela-quer-o-tempo-todo-sem-nunca-ter-um-tempo-ou-escolha-própria faz?

  • Não, não é bem assim…

  • Pois é… então você está de saco cheio do que?

  • De me sentir obrigado à fazer as coisas que ela quer.

  • É uma obrigação ou é uma escolha?

  • É… pensando desse jeito…

  • E se você escolhe, o que motiva você à fazer isso?

  • Pois é… aí que tá! Não sei sabe? Sempre vi meu pai meio que cachorrinho da minha mãe…

  • E?

  • Sei lá… tenho medo de ficar do mesmo jeito sabe?

  • Sim, sei sim.

  • Mas será que ser parceiro de sua mulher o torna um “cachorrinho” dela?

  • Não deveria ser…

  • Que tal pensar o que te faz um cachorrinho e o que te faz parceiro para você poder saber a diferença?

  • Uma boa…

 

Toda relação implica renúncia. Embora isso possa ser um choque numa cultura que acredita que devemos fazer apenas aquilo que desejamos fazer a renúncia se mostra fundamental para a possibilidade de convívio.

Por este motivo boa parte da população confunde a ideia de parceria com a ideia de se subjugar ao outro. Nada mais esperado numa sociedade que briga o tempo todo pelo poder e que não possui uma “filosofia” adequada em relação à este tema nas relações conjugais. Uma das maneiras que as pessoas tem de lidar com esta situação é criar uma lista mental de vezes em que um ou outro cederam e tentar “equilibrar a balança”. “Eu cedi aqui, agora ele cede ali” é o pensamento que norteia esta resolução.

Uma outra solução é a famosa briga pelo poder onde o casal através das mais variadas técnicas luta para hierarquizar a relação e definir quem manda. Neste caso um adendo super importante é que nem sempre o mais “frágil” é quem é submisso. A aparência frágil não afasta a capacidade de manipulação e, como a terapia sistêmica nos mostra, é muito comum vermos num casal que a parte “fraca” da relação (e quando digo “parte fraca” me refiro tanto ao homem quanto à mulher visto que isso não é uma questão apenas de gênero) manipula e torna a vida do outro um inferno de ruminações.

A terceira solução mais comum é o distanciamento frio quando se percebe que existe uma impossibilidade de negociação. Os dois lados assumem o outro como uma pessoa mesquinha e inflexível e começam a se afastar de maneira a não colocar mais seus desejos na relação. A distância implica na possibilidade de uma convivência sem intimidade o que pode culminar numa separação ou em atos de traição de ambos os lados.

A renúncia não implica em ter que lutar para “estar por cima”, nem em quitar dívidas de renúncia e nem em distanciar-se. O ato implica confiança e intimidade. Confiança e intimidade asseguram que as necessidades e desejos de um lado e de outro estão na mesa e são respeitados por ambos. Quando isso ocorre é possível abir mão de algo não porque se sabe que mais tarde o dividendo será cobrado, mas sim porque se respeita o desejo do outro e sabe-se que o seu próprio desejo é, também, respeitado.

Esta dupla: confiança e intimidade asseguram a segurança de se entregar ao desejo do outro sabedor de que isso significa investir na própria relação que também respeita os seus próprios desejos. É como se ao renunciar à algo que se deseja estivesse ao mesmo tempo investindo em algo que também se deseja. Por este motivo não existem hierarquias: ambos os lados saem ganhando, por esta mesma razão não há lutas pelo poder. E, finalmente, não existem dívidas porque a renúncia é, de forma sublimada, um ganho.

E você, brigando para saber “quem manda” ou buscando respeitar e ser respeitado?

Abraço

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Ética e progresso
28/04/2015

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Medo de se perder
27/04/2015

vontade

  • Eu acho que vou terminar.

  • Porque?

  • Eu não sei… está bom, mas me sinto meio cobrada sabe?

  • Cobrada pelo que?

  • Eu não sei… parece que não preciso me esconder dele, nem mentir.

  • Sim… e o que isso te cobra?

  • Ser eu mesma sabe? Com ele eu sinto que posso ser assim.

  • E qual o problema?

  • Este! Eu tenho medo de me envolver demais

  • Você sabe definir os seus limites quando está tudo bem ou só quando você briga com alguém?

  • Acho que a segunda opção…

  • Entendi… vamos re organizar isso então!

 

Esta imagem pareceu perfeita para este tema. Relacionar-se com outras pessoas é um desejo humano profundo. Enquanto terapeuta tenho observado que as relações que mais mexem com o ser humano não são as neuróticas e doentes, mas sim as saudáveis.

As relações saudáveis mexem com o ser humano pelo fato de abrirem os caminhos para que a pessoa se desenvolva. Ao contrário das relações doentes em que as pessoas se protegem atrás de armaduras emocionais que conhecem à anos, as relações saudáveis oferecem espaço para retirar esta armadura, sair do castelo e aproveitar o mundo. Desenvolver-se, embora pareça tentador, envolve lidar com nossos medos reais e mais profundos. Este é o preço de evoluir.

Um dos medos que percebo nesse tipo de relação é o medo de se perder no outro. Um medo que pode parecer estranho, mas que é super comum à todos nós. Relações nos propiciam contato, mudamos ao nos relacionar, aprendemos manias, desenvolvemos comportamentos e desejamos a outra pessoa ao nosso lado. Quando as coisas estão ruins nos protegemos disso, temos distância e nessa distância uma certa “segurança”, um limite bem claro de onde um e outro terminam. Porém, quando as coisas estão bem, porque distanciar-se? Porque buscar segurança? Porque não “dissolver-se” no outro?

O medo, no entanto, é sempre uma fantasia. A fantasia, neste caso, é de que se me envolver “demais” perderei a identidade, serei engolfado pelo outro e me perderei. A fantasia que gera o medo tem outra característica: não sabemos como reagir à situação. Se não sei onde “frear” o contato com o outro, por exemplo, ou onde estão os meus limites terei medo em me entregar. Por esta razão as relações saudáveis assustam: não há nenhum fator do outro que freie o seu desejo de mais intimidade. O que fazer?

A intimidade é um campo vasto. Paradoxalmente quanto mais intimidade e entrega, mais fronteiras com o outro. Porque? Porque a intimidade significa tornar algo familiar e para tornar algo familiar este “algo” precisa ser, antes, não-familiar, ou seja, de outra pessoa. Assim, quanto mais se conhece e se envolve com a pessoas mais ela própria se torna concreta e isso significa que sabe-se cada vez mais quem é o outro e quem é você. O desenvolvimento e os problemas de cada um se tornam cada vez mais diferentes aos olhos do próprio casal.

Aprender a criar este tipo de intimidade é aquilo que nos afasta do medo de nos entregarmos.

Abraço

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Ecologia
26/04/2015

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Infância (?)
25/04/2015

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Sobre (in)satisfação
24/04/2015

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  • Mas daí eu fiquei muito chateado, não se faz isso sabe?

  • O que você fez com isso?

  • Ainda nada, mas vou sair fora do curso.

  • Entendi (seguido de silêncio)

  • Não tem mais nada a dizer?

  • Não, me parece que você tomou uma decisão, deve saber o que está fazendo não é?

  • Não é assim… é que eu acho que ela foi longe demais com aquele comentário.

  • Você acha ou tem certeza disso?

  • Não se fala assim com as pessoas!

  • Pode ser, você acha ou tem certeza de que ela passou dos limites?

  • Ah tá… sei lá até certo ponto sim, mas às vezes acho que é só raiva minha mesmo.

  • Pode ser também. Você quer que eu te ajude com algo nesta escolha ou apenas está me informando sobre ela?

  • Não sei ao certo… estou um pouco confuso sobre o que senti e não sei se devo ao certo sair do curso.

  • O curso não está lá para agradar você em tudo o que você quer, muito menos a professora. Já pensou nisso?

  • É… sei lá…

 

Vivemos em uma sociedade de consumo. Uma das regras fundamentais deste tipo de sociedade é viver sem que exista contato com a frustração e muito menos com a insatisfação. O resultado? Pessoas que não sabem lidar com uma realidade da vida: de que as coisas nem sempre dão certo do jeito que a gente quer.

Não, não significa que você fez algo errado, que tem que fazer alguma coisa, que deve montar uma ONG para isso não acontecer à outras pessoas e nem recorrer aos altos escalões. Muitas (muitas mesmo) vezes uma frustração e uma insatisfação é somente  um limite do mundo real para você.

Fugir da insatisfação é fugir desta percepção. Vivemos num mundo carente de segurança, a emoção da insatisfação e da frustração tornam-se um tanto intoleráveis nestes tempos justamente por causa disso. Porém aprender a lidar com estas emoções faz parte de inteligência emocional de todos os seres humanos. É necessário que se aprenda a se frustrar, falhar e sentir insatisfação para que a pessoa aprenda a crescer.

O que tem de bom nisso? A pergunta é inadequada e típica de uma sociedade de consumo que pensa apenas no que vem de bom a partir de uma determinada escolha. A questão com a insatisfação é justamente esta: não virá nada de bom. O que você não queria, não aconteceu e ponto. E isso “o que vem de bom”, este é “lucro” que você pode tirar desta lição. Aprender a não ter. Aprender um papel que é típico aos mortais: o da falta de onipotência, em outras palavras, saber que você não poderá tudo, não conseguirá tudo.

Não saber lidar com isso pode afastar a pessoa de desafios importantes porque ela não deseja sentir a insatisfação, também afeta as relações entre as pessoas que cada vez mais ficam carregadas de necessidades à serem supridas e cria uma perspectiva falsa sobre a vida que promete que apenas coisas boas devem acontecer. Isso não é verdade. A vida é, sim, feita de perdas e frustrações também ignorar isso é fingir que uma parte da vida não existe.

É importante frustrar as pessoas, dar à elas insatisfação e um pouco de perdas nesses dias. Acho que estas emoções nos ajudam a perceber melhor a nossa humanidade justamente porque nos coloca em contato com o sentimento de potência e não de impotência. Daquilo que é possível e não do que é impossível.

E você, ainda achando que nunca terá nenhum revés?

Abraço

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Mares digitais
23/04/2015

tirinha1530

O poder de aceitar
22/04/2015

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  • Não gosto de agir assim.

  • Eu sei, imagino que não é nem um pouco bom para você não é?

  • É bem isso… nunca mais quero fazer isso.

  • Fazer o que?

  • Brigar com as pessoas.

  • Isso é muito bom, mas, o que te motiva a brigar com elas?

  • Elas me provocam oras.

  • Perfeito, porém, como você sabe que estão te provocando?

  • Ah… até me dizem, às vezes, que eu levo tudo muito para o pessoal sabe? Que não sei “brincar”.

  • Entendo. Sua educação foi muito rígida não foi?

  • Sim, o pai era duro, mas foi bom, me formei bem enquanto homem.

  • Claro que sim, um profissional exemplar. Agora, será que esta imagem sua não é dura demais?

  • Como assim?

  • Bem, às vezes somos tão bem formados que não ficamos muito flexíveis não é?

  • É… verdade…

  • E aí, qualquer comentário pode soar como um ataque e não como uma brincadeira ou crítica.

  • É… me parece que é um pouco o que eu penso.

  • Sim, então, me diga, que tal imaginar que você não precisa defender a imagem que seu pai o ajudou a criar, que ela não está sob ataque?

  • Se eu imaginasse isso poderia relaxar.

  • Se pudesse relaxar, brigaria mais com as pessoas?

  • Não, muito menos… e comigo também!

 

Em minha prática de terapia eu sempre questiono meus clientes em relação aquilo que desejam “jogar fora”, ou que querem “eliminar” desuas vidas. Porque?

Ocorre que o ser humano não tem nenhuma característica por mero acaso. Características, emoções e comportamentos não são entidades fantasmagóricas que ficam voando por aí e entram no corpo da gente, elas são produto da nossa vida, decisões e contexto. Sendo assim “livrar-se” delas é, também, livrar-se da sua história.

Parto de um outro pressuposto também para agir desta maneira: todo comportamento pode ser adequado em um determinado contexto. Ao afirmar isso quero dizer que é importante avaliar com a pessoa onde aquilo que ela faz de “errado” pode ser vivido como “certo”. Muitas pessoas são preguiçosas, por exemplo. A preguiça é errada? Se o que você precisa fazer é agir sim, porém, depois de comer com tempo para dormir, porque não?

A questão é que se insiste num comportamento que não dá os resultados que desejamos. Ou seja a pessoa insiste em trabalhar com preguiça, ao invés de buscar motivação para o trabalho e preguiça para os momentos de folga. Ajudar as pessoas a pensar na adequação de seus comportamento diminui muito a necessidade de “eliminá-los”.

Além disso o mais importante não é eliminar aquilo que se faz de “errado”, mas sim aprender a fazer o “correto”. Ou seja, se coloco muita farinha no bolo e ele fica duro eu não tenho que parar de por farinha, mas sim aprender o quanto colocar. Quando se aprende aquilo que é mai adequado de se fazer também aprendemos a não ter tantos problemas com nossas características.

O ponto do post de hoje é aceitação, o que tudo isso tem a ver com a aceitação? Ocorre que como eu afirmei antes: nenhum comportamento existe ao acaso. Assim sendo, quando queremos nos livrar de algo que fazemos, na verdade estamos falando dos resultados que se comportar de determinada maneira nos traz, em geral, é disso que queremos nos livrar.

Porém, para aprender o que fazer é importante aceitar aquilo que fazemos “errado” para compreender exatamente o que precisamos mudar, o que nos estimula a agir de determinada forma e como proceder. Enquanto você não aceita aquilo que faz de “errado” você briga com a característica, tenta atuar e fingir que nada está acontecendo, isso é gera um desgaste e um desperdício de sua energia que poderia ser canalizada para algo mais interessante e “produtivo”: conhecer você mesmo, do jeito que é, com a história que possui e, a partir disso começar a operar mudanças em sua vida.

O que você nega em você?

Abraço

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Novos mercados
21/04/2015

tirinha1370

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