Archive for março \31\UTC 2015

Pique esconde
31/03/2015

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Procrastinação e dependência
30/03/2015

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  • Não sei mais se quero.

  • Entendi… imaginei que você poderia sentir-se assim.

  • Porque?

  • Porque você acha?

  • Não sei…

  • Eu acho que você deve ter, no mínimo, um palpite.

  • (silêncio) Eu acho… que… não queria mesmo antes.

  • Sim… continue

  • Eu meio que disse… para ver…

  • O que?

  • O que você ia achar.

  • Sim… mas será que não é o que você acha o que realmente conta?

  • Deveria ser…

  • O que torna isso difícil para você?

  • Não consigo decidir de verdade… me sinto… fraco… daí fico sempre pulando de uma escolha para outra sabe?

  • Sim.

 

Muito se fala em procrastinação, várias são as teorias e explicações sobre o comportamento. Uma das que tenho percebido em minha prática clínica é a ligação entre procrastinação e dependência.

O ato de procrastinar pode, muitas vezes, estar aliado à uma identidade dependente que espera por alguém que venha lhe ajudar a realizar algo, dar “apoio emocional” (entendido pela pessoa como garantia de sucesso), fazer por ela ou simplesmente estar do seu lado (para ela não sentir que deve bancar só o seu próprio desejo).

Nathaniel Branden tem uma frase que usa com seus clientes e que eu adotei para empregar nestas situações: “ninguém está vindo”. Ou seja, não se pode esperar por alguém que virá lhe salvar do seu próprio “destino” – sua vida. É interessante notar que a pessoa faz uma defesa contra a identidade dependente em muitos casos. Assim embora esteja aguardando desesperadamente por suporte ela se percebe e tenta agir como uma pessoa independente, super bem resolvida e que não precisa de ninguém.

É importante a pessoa estabelecer uma conexão concreta com a realidade e com os seus próprios desejos. A procrastinação é uma atitude muito mental e é muito fácil perceber a pessoa se perdendo em pensamentos e devaneios, criando mil e uma explicações para o porque fazer e o porque não fazer, o que deve ser feito ou não, criar planos e desculpas. Desta maneira usa-se muita energia mental neste sentido e pouca no sentido da realidade, da concretude do que de fato fazer e do que de fato não fazer. É no ato de realizar que a procrastinação termina.

Junto com isso aprender a lidar com o próprio desejo também se faz necessário. Muitas vezes procrastinar significa não saber direito aquilo que se deseja, em outras não saber dizer “não” ao que não se quer. No caso da dependência a pessoa não sabe ao certo como formatar o seu desejo e sustentá-lo, daí busca apoio e enquanto não o acha posterga-o. Fantasias de onipotência são comuns para ajudar a lidar com a angústia gerada pela percepção daquilo que a pessoa diz querer e não realiza.

Se você procrastina pergunte-se se não está esperando por alguém vir e te ajudar. Essa pessoa não virá. Que tal você começar a se ajudar?

Abraço

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Vida de gado
29/03/2015

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Ditadura(burra?) da beleza
28/03/2015

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Aceitação e admiração
27/03/2015

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  • Estou com medo.

  • Medo de que?

  • Ah, de que ele vai me deixar sabe?

  • E porque isso iria acontecer?

  • Ah… sei lá…

  • “Sei lá”?

  • É que tipo… não tenho mais conseguido dar para ele a atenção que eu dava sabe?

  • Sei

  • E daí… tipo… isso era o meu diferencial sabe?

  • Ah sim… tipo margarina com alto teor de atenção?

  • Ai Akim…

  • Você está se colocando dessa forma… me diga: o que ele está achando da sua “falta de atenção”?

  • Não sei…

  • Não perguntou e nem sequer conversou com ele sobre isso né?

  • Não…

  • Então você bem sabe: são tuas fantasias dizendo que você vai perdê-lo… que tal confrontar isso e ver o que ele realmente pensa?

  • Ai… é difícil… mas eu sei que eu tenho que fazer mesmo…

 

Muitas pessoas dizem que desejam ser aceitas por seus grupos, parceiros ou família. Existe, contudo, uma diferença entre aceitação e admiração, assim como aos valores que atribuímos à essas duas características.

Aceitar tem a ver com dar o valor de existências. Em outras palavras quando se aceita algo ou alguém dá-se à pessoa ou a característica a noção de que ela existe. É comum dizer: “eu aceito o seu jeito de ser”, queremos dizer, com isso, que sabemos da existência de um determinado jeito de agir. Aceitar não implica gostar ou desejar, também não implica em concordância com aquilo que se aceita. É possível dizer que aceitamos determinada característica e não concordamos com ela, algo que dizemos, por exemplo, assim: “eu sei que você gosta de música alta (aceitação), mas eu não consigo estudar com música alta”.

A aceitação é, também, a base da auto estima. Aceitar as características que percebemos em nós mesmos é o que nos fornece a matéria-prima para formarmos nosso caráter e as nossa maneira de reagir ao mundo. Não aceitar significa negar a existência. Quando percebemos algo em nós e dizemos “não”, negamos a existência de algo que está ali. A característica não desaparece por isso, mas mantém-se afastada da nossa consciência de maneira que nada podemos fazer com ela a não sermos “vítimas” de sua influência.

Admirar tem uma outra conotação. A admiração pressupõe a aceitação, ou seja perceber que uma determinada característica existe, e empresta àquilo que se percebe um valor. A admiração não é pessoal, ela se restringe à características da pessoa. Por incrível que pareça não admiramos “alguém”, mas sim as competências que percebemos nesse alguém. Mesmo quando dizemos “admiro você enquanto pessoa” é porque admiramos a maneira pela qual determinada pessoa age no campo pessoal.

A admiração não implica em gostar da pessoa que admiramos, ela também não implica um valor moral. Aquilo que se admira não é “bom” ou “mal”, é apenas admirável. Assim é possível admirarmos uma competência de um inimigo. Também não implica em concordância com a competência, é possível admirar a competência de uma pessoa com artes marciais e ser contra a violência, por exemplo. A admiração, no entanto, traz consigo um lugar de destaque à pessoa que detém a competência, ela se torna uma referência para aquilo.

Neste sentido é que admirar se diferencia novamente de aceitar. Aceitação não implica em valorização, admiração sim. O que ocorre com muitas pessoas é uma confusão entre a valorização adquirida através de uma determinada competência em um grupo e o desejo de ser amado e aceito. O raciocínio é  de que ao ser admirado – pela sua competência – a pessoa será amada – pelo que é, pelo seu “ser”. Este raciocínio é enganoso justamente pelo fato de que a admiração não visa o “eu”, mas sim o comportamento e a competência da pessoa.

É óbvio afirmar que é possível que ambos ocorram, ou seja, é possível amar e admirar a mesma pessoa. Porém o problema é quando se imagina que a admiração é necessária para se conseguir um lugar na relação. Torna-se um problema porque como a admiração possui um valor a pessoa passa a brigar e pode sentir-se insegura em relação à sua competência o que compromete a sua segurança na relação.

Se acredito que sou amado e tenho o meu lugar pelo meu intelecto, por exemplo, posso sentir qualquer pessoa que detenha um conhecimento que eu não tenho como um rival. Também posso sentir-me usado pelo fato de entender que a pessoa “só me ama pelo que sei”. Esta confusão se dá por confundir admiração e aceitação. Confundir uma competência da sua pessoa com a sua pessoa.

Você é mais do que apenas o que sabe fazer.

Abraço

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Micos maternais
26/03/2015

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Importância do realismo
25/03/2015

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  • Daí o que acontece? Fico todo sem saber como agir!

  • Não sabe como agir frente à que?

  • Não sei se retruco, me defendo, se saio, se xingo

  • O que te faz não saber qual a melhor alternativa?

  • Não sei…

  • Qual a tua expectativa frente à resposta que vai dar?

  • Eu quero sempre que seja uma resposta muito foda! Que termine de vez com o assunto.

  • Hum… e se, por acaso, não conseguir?

  • Daí sei lá… fracasso total.

  • Algo do tipo, ou respondo perfeitamente ou sou um retardado que não sabe se portar no social?

  • Exato!

  • Não acha meio exagerado isso? Uma necessidade de acertar tudo sempre?

  • Agora que você falou… parece meio assim né?

 

O problema de ideais é que algumas vezes eles não nos ajudam, pelo contrário, nos atrapalham. Quando que um ideal atrapalha?

Quando a ideia é  tão exigente que aprisiona a pessoa e a deixa sem respostas para lidar com o cotidiano é o parâmetro que eu uso. Um ideal não me parece útil quando aprisiona a pessoa ou a deixa sem poder agir em situações simples. Na verdade a função do ideal é ajudar a pessoa a construir respostas, mas quando este ideal é muito extremista ele perde esta capacidade.

Neste sentido o ideal passa a ser uma ilusão, uma fantasia e essa fantasia passa a prejudicar a pessoa. Fantasias como essa tem a ver com a formação da pessoa e o desenvolvimento de sua personalidade assim como o seu lugar em família e nos grupos de que participa. Ninguém mantém uma fantasia que a prejudica à toa. Em geral, aprendemos na família que ela é “real” – no contexto da família a pessoa pode ser reforçada a agir de determinada forma, porém esta forma pode perder-se ao longo do tempo dentro da própria família ou, com certeza, no mundo.

Nossa civilização judaico-cristã padece de três tipos de ilusões que afeta muitas pessoas. Estas ilusões são a onipotência, onisciência e onipresença. Sim, você conhece pessoas que querem saber de tudo, querem poder tudo e querem estar em todos os lugares ao mesmo tempo. E o pior: se cobram disso. Ora, quando um ser mortal se cobra poderes de seres mitológicos e divinos a coisa se complica.

A onisciência, poder de tudo saber, em geral pretende colocar a pessoa num patamar em que ela nunca tomará uma decisão errada, nunca irá pensar errado, ou seja, em geral, traduz-se como uma defesa contra a possibilidade de errar. Mas quem não erra, não aprende. Assim sendo a pessoa que se previne de tomar decisões erradas também se previne de viver uma vida mais aberta e de aprender muito com sua experiência. Nem é preciso dizer que em geral ela não confia na sua própria experiência e torna-se dependente de estudos técnicos para “saber”.

A onipotência tem a ver com a capacidade de conseguir tudo. É o ideal da pessoa que diz que com ela tudo se resolve, que ela irá sempre conseguir resolver algum problema. A fantasia neste caso previne contra o fracasso e o que isso significa para a pessoa. Alguém com um histórico de pais muito poderosos ou muito fracassados pode seguir este tipo de ilusão buscando sempre um ultra sucesso e se cobrando por conseguir coisas que não são possíveis.

A onipresença que é o poder de estar em todos os lugares ao mesmo tempo surge da necessidade de tomar decisões. Ao invés de eu tomar uma decisão e aceitar um limite – no caso o físico – de estar em um só lugar, pretendo estar em vários lugares atendendo à vários compromissos. Em geral a dificuldade é de dizer não e de escolher um determinado grupo/atividade em relação à outra, a pessoa não sabe elencar prioridades para ela e busca, então estar presente em todos os lugares. Fórmula de fracasso iminente.

Aprender a ser realista e entender que não é possível saber tudo e que, por isso, aprender é necessário; que não se pode estar em todos os lugares e por isso é importante aprender a priorizar e, por fim, que ninguém tudo pode e que, por isso devemos saber onde investimos nossas forças e aprender a lidar com fracassos e frustrações é fundamental para uma mente mais realista. Note que por realismo não digo pessimismo de achar que não se consegue nada, não se sabe de nada e que nada é possível – o oposto das três ilusões citadas acima que é tão enganoso quanto elas – mas sim de adequar nossas capacidades humanas limitas ao mundo que vivemos. Obviamente as pessoas podem ousar se tornar mais competentes, porém sempre com a noção de que mais competência é, ainda, um outro limite.

Abraço

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O tempo e a alma
24/03/2015

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Diferenças
23/03/2015

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  • Simplesmente não dá para aturar sabe?

  • Sei, é difícil não é?

  • É! Ele faz tudo ao contrário, onde é para ser rápido, demora, onde é para demorar faz rápido… meu… qual é a dele!?

  • Não sei… mas sei que foi ele que te ajudou naquela situação lá do empréstimo que foi enviado errado né?

  • É… ele me ajudou mesmo!

  • Você já percebeu que toda a vez que fala dele, aponta apenas para aquilo que te irrita?

  • Sim.

  • E que você fala exaustivamente sobre isso, descrevendo cada grão de informação sobre um pequeno ponto?

  • Também… faço isso sempre…

  • Sempre?

  • Sempre que vejo algo que é ruim!

  • Ruim ou diferente?

  • Tá… diferente…

  • Gostaria de saber o que iria ocorrer se você pudesse ver o lado “bom” tanto quanto o “ruim”

 

Acredito que um dos grandes desafios da vida humana é como criar harmonia entre as várias facetas daquilo que os seres humanos vivem. Não se trata de achar uma fórmula sobre como lidar, mas sim do como, em cada dia gerar harmonia.

A diferença parece ser um dos grandes impeditivos deste processo. Porque? Não por causa das diferenças em si, mas sim pelo fato de como lidamos com elas. Em geral as pessoas tendem a polarizar o mundo em bom e ruim – pode parecer piegas, mas é só você olhar os noticiários do mundo todo, sempre existe este pólo de oposição entre aquilo que faz o mundo um lugar bom em oposição com o que o torna um lugar ruim.

Esta polarização nos faz ver mais um lado da equação do que o outro e pior: fazemos um julgamento moral sobre toda uma parcela das pessoas. Sempre que há uma generalização – e sim, isso é uma generalização – existe um empobrecimento do modelo de mundo que criamos. Este empobrecimento se dá pelo fato de não levar em consideração que o mesmo resultado pode ser atingido de várias formas e que a partir do mesmo início você pode chegar a lugares diferentes. Chama-se isso de equifinalidade.

Quando se ignora isso, passa-se a achar que todos que tiveram determinado começo serão de determinada forma. E que todos que estão em determinada situação é porque trilharam o mesmo caminho. Com isso as pessoas perdem de perceber a infinita miríade de possibilidades de comportamentos humanos. E ainda classificam moralmente o caminho que consideram como “errado”. Dito isso é somente guerra o que se segue.

Foi Milton Santos quem disse: “a força da alienação vem dessa fragilidade dos indivíduos que apenas conseguem identificar o que os separa e não o que os une”. Esta frase de profunda sabedoria e força me diz o seguinte: ok, somos diferentes, o que temos de igual? Onde existe a possibilidade para que nos aproximemos? Esta é a pergunta que gera harmonia. Ela só pode existir – à meu ver – quando os vários pólos de oposição com os quais vivemos conseguem ser equilibrados dentro de um mesmo conjunto cooperativo.

De onde tirei isso? De ver as pessoas em meu consultório. Quando elas atingem este ponto em que conseguem aceitar nelas tudo o que há de “certo” e “errado” e começam, ao invés de lutar contra si próprias, a integrar as várias facetas delas mesmas conseguem harmonizar-se. Aprendem seus limites e as funções verdadeiras de seus atos. Aprendem a negociar consigo e com o outro e, principalmente, param ver o outro como um inimigo. Quando se está em paz consigo o outro não é um problema, é só um outro.

Abraço

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Mestres de antigamente
22/03/2015

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