Archive for setembro \30\UTC 2014

Medo por atacado
30/09/2014

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Buscar a dúvida
29/09/2014

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  • Eu preciso ter certeza disso.

  • É… eu entendo que seria bom ter certeza

  • Como que eu faço isso?

  • Bem, até onde eu sei não há  como garantir se alguma empreitada vai, com 100% de certeza, dar certo.

  • E como que eu faço?

  • Que tal, ao invés de buscar a certeza, ir na dúvida?

  • Como assim?

  • Bem, a dúvida é algo que é sempre certo e mesmo que você tenha certeza agora, nada garante que você não vai tê-la depois.

  • Tipo pegar e ir… mesmo sem ter certeza?

  • É…

 

A palavra “religião” significa “ligar de novo”. Ligar o ser humano à experiência de estar vivo, ao mistério e essência da vida. A religião, na verdade, ao invés de oferecer respostas, oferece perguntas e desafios, esta é a essência da experiência religiosa ou, melhor dizendo, o seu método através do qual a pessoa entra em contato com este mistério. Particularmente não estou falando aqui de instituições religiosas, mas sim da experiência religiosa.

Hoje perdemos o contato com esta faceta da vida que me parece ser a mais verdadeira de todas: o mistério. Nunca sabemos com certeza absoluta o que virá, estamos sempre sendo colocados frente à frente com novas ideias que desafiam a nossa perspectiva. É aquela frase que adoro: “quando temos as respostas a vida vem e muda as perguntas”. Participar deste processo, deste devir é, na minha opinião, o que nos conecta novamente à vida e esta seria a essência da religião. Aqui cabe uma ressalva também, pois quando falo “vida” não estou colocando-a como uma substância no sentido filosófico da palavra, uma coisa palpável e com personalidade própria, mas sim com uma experiência à qual acabamos dando o nome de vida.

O que isto tem a ver com a conversa acima? Que quanto mais a ciência tem avançado, mais as pessoas tem tido o desejo por um mundo de garantias e certezas. Muito embora um bom cientista – alguém que realmente estuda a ciência enquanto conjunto de saberes e métodos e enquanto um método de pensamento – saiba que a ciência não busca por dogmas, ela vive, também, na pergunta. Quando você dá um fecho à uma questão qualquer e diz “é isto e ponto final” a possibilidade de ciência morre, pois ela nasce do indagar-se sobre um fenômeno, de poder vê-lo sob mais de um prisma, criar e testas hipóteses e refazer os testes com mais recursos e então descobrir mais elementos ainda.

Qual o meu ponto? De que mesmo a ciência, ao contrário do que achamos pelo senso comum que ela é, nos incita à dúvida, ao mistério e não às garantias.

Aprender a viver sem garantias absolutas liberta o homem e torna sua vida mais rica. Isso se deve ao fato de que quando ele pensa que tudo pode ser 100% garantido ele também está se atribuindo um poder onipotente – o de conseguir realizar esta empreitada com 100% de certeza – só que ele não é onipotente. Este “detalhe” o deixa sempre confuso – porque não entende porque seus planos nunca saem 100% de acordo com o planejado – e cansado porque sempre tenta controlar tudo, algo que obviamente não consegue.

Ao libertar-se da ilusão de controlar tudo ele pode começar a se relacionar com o mundo e suas dúvidas e então entender que isso não é errado, pelo contrário, que este “não-saber” é o que, de fato, faz parte da vida. O estado de mistério tem mais a ver com o que poderíamos chamar aqui de nosso estado “natural” do que o estado de “dogma” (que é a certeza absoluta e inquestionável de algo). A experiência da existência não é feita de dogmas, mas sim de provas e desafios, passar por eles – de uma maneira ou de outra – é no que se traduz aquilo que chamamos de vida e o que eu gosto de chamar experiência de estar vivo.

Assim, ao invés de buscar as certezas, porque não aprender a incentivar as pessoas à buscarem pelas dúvidas? Como seria um mundo onde o compromisso não está em ter sempre a certeza absoluta sobre tudo, mas sim o compromisso de estar em contato com a realidade buscando sempre respostas e maneiras saudáveis de se relacionar com esta realidade? Porque ao invés de dizermos às pessoas “tenha certeza de que ele (a) gosta de você antes de assumir uma relação” não dizemos algo como “experiencie esta relação e perceba nesta experiência as possibilidades que ela mesma oferece, aprenda com ela enquanto ela está aí”?

Este tipo de experiência de se envolver novamente no mistério e encarar o não-saber não é para qualquer um. Sinto dizer, mas é necessário coragem, perspicácia e ousadia para enfrentar isso. É um mundo de riquezas e de perigos que não vai tratar você de acordo com a sua ética pessoal, mas sim de acordo com a natureza do próprio processo – a qual não sabemos exatamente qual é e provavelmente nunca saibamos. Assim o convite não é feito para os “fracos de coração”, apenas para os fortes que desejam este jogo. Os outros, no entanto, podem entender o seguinte: ninguém nasce “forte de coração”, isto se molda a partir da experiência. Logo embora não seja para qualquer um, qualquer um pode se tornar alguém capaz de entrar neste jogo.

Abraço

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Paixão operacional
28/09/2014

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Overruled…

Preço do amor?
27/09/2014

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Quanto custa uma cestinha de amor?!

Peito aberto
26/09/2014

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  • Tenho medo sabe?

  • Claro que sei e não tiro a sua razão.

  • Então, o que eu faço?

  • Como assim?

  • Eu to com medo! Vou fazer o que?

  • Ir.

  • Ir?

  • Claro! Quem é que disse que o medo está errado? Ou que só podemos ir nos sentindo bem, alegres e 100% seguros?

  • (silêncio) E se doer?

  • Qual o problema? Dor mata?

  • … Não…

  • Então… agora… não ir e continuar pensando em “como teria sido se”… bem… isso não mata… mas dilacera a alma não é?

  • É…

 

 

Você já ouviu a expressão “de peito aberto”? Uso muito ela em meu consultório. Tanto que resolvi escrever um post sobre o assunto.

Em geral quando falo “ir de peito aberto” as pessoas logo entendem que estão se tornando vulneráveis aos outros e que esta abertura é para o externo. Não estão erradas, porém, esquecem do princípio que norteia isto tudo. O que é “abrir o peito”?

Abrir o peito é um assunto religioso. Como assim? No sentido  estrito da palavra, religião significa “ligar novamente”, re – ligio, do latim. Ligar novamente a pessoa à sua experiência, porém para partirmos do princípio que é necessário religar, precisamos entender que a ligação uma vez existia e que a mesma foi cortada. Abrir o peito é a minha maneira de fazer religião, religar-me ao mundo, ao mistério e ao desejo.

Só podemos nos relacionar quando estamos dispostos à nos ir na base daquilo que nos afastou num primeiro momento. Em outras palavras, se me afastei de algo preciso me permitir a aproximação novamente para que eu possa entrar, novamente, em contato e poder me relacionar. Esta permissão de que falo é o tal do “abrir o peito”. Permitir-se a experiência. Abrimos o peito não quando o entregamos ao outro, mas quando o entregamos à nós mesmos, ao nosso desejo, à expressão que está sendo criada dentro de nós.

Porque tememos isso?

Uma das explicações que tenho estudado no momento tem a ver com algo que Nietzsche perguntou: porque, necessariamente, quem deseja é o sujeito? Me parece uma pergunta válida e que vai num ponto nevrálgico da nossa própria experiência. Quem nunca sentiu algo que parecia estar dentro de si como se fosse um intruso, algo cuja sensação que temos é exterior à nós, mas, ao mesmo tempo sabemos que está ali dentro. Eu creio que a indagação de Nietzsche tem a ver com essa percepção: de quem o nosso desejo nem sempre “é” “nós”.

Assim o temor, muitas vezes, é pelo fato de que sabemos que, ao abrir o peito, entramos em contato com elementos que não são usuais para nós, elementos que não sentimos como “eu”, enfim… que não temos controle. E daí o medo. Quando o peito está aberto nos entregamos à experiência, e muitas vezes ela nos causa a sensação de ser maior do que a gente… na verdade… ela é, porque ela nos engloba. O “eu” faz parte da experiência, ele vive a experiência e quando se percebe esta relação ficamos com medo de nos perder nela.

No entanto, enfrentar este medo é o primeiro passo para quem deseja viver o sagrado da vida. quando digo “sagrado” não estou fazendo referência à religião, mas sim à experiência de estar num âmbito – por assim dizer – que está além do cotidiano, ou seja além do profano, que é o âmbito da experiência de estar vivo, de estar vivendo a sua auto expressão, de sentir-se ao mesmo tempo, parte e todo de uma experiência. Todo enquanto ser, parte enquanto ser vivente de uma experiência.

É esta experiência o que tememos porque sabemos que ela é mais ampla do que nós. Porém, uma outra maneira de perceber esta experiência é exatamente percebê-la pelo viés de que ela nos contém, ou seja, ela é um invólucro dentro do qual existimos e nos expressamos. É dentro dela que podemos viver, é com ela que entramos em contato com o “ir além”, com o “vir a ser” e sem ela vivemos, mas sempre dentro de uma certa redoma que nos afasta, que nos fecha o peito à experiência da vida.

Com base nessa percepção que podemos invocar o grito dos índios americanos “é um bom dia para morrer”, esta é uma frase que traduz bem o sentimento de ir para a vida na sua plenitude. Isto é abrir o peito à experiência máxima de estar conectado com a vida que é estar conectado, também, com a morte. E porque esta conexão é importante? Porque entrar em contato com o “vir a ser” é, um pouco, como entrar em contato com a nossa morte, visto que não controlamos a experiência e que, de certa maneira, estamos nos transformando, deixando uma forma para trás e vivendo outra o que é, parecido, com a morte porque nos obriga a desfocar do corpo que experimentamos e entrar em contato com uma nova experiência que vai além dele, mesmo que o contenha.

Mas, como Nietzsche, bem apontou, esta é uma jornada para os corajosos. Não é qualquer um que deseja empregá-la ou que a suporta. Creio que uma das funções da terapia é ajudar a pessoa a conseguir suportar isso para que ela possa ir de encontro com a sua jornada interior.

Abraço

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Laranjas pela metade
25/09/2014

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Qual a fruta que te complementa?

Tão você
24/09/2014

 

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  • Eu descobri uma coisa sobre o meu término

  • O que foi?

  • Que o pior não foi ter terminado.

  • Não… o que foi?

  • Eu já não estava muito bem antes.

  • Sei.

  • E isso foi o pior, porque eu entendi algo que me deixou bem mal

  • O que?

  • Que eu tinha me deixado… muito antes de ter sido deixada.

  • Hum… cruel não?

  • Sim e até percebo que ele não poderia me amar mais mesmo, porque eu me abandonei… não era mais uma pessoa “apaixonável”

  • Sim… entendo…

 

Quando entramos em um relacionamento é natural que a nossa identidade se dissolva levemente na identidade do outro e na relação em si. Isso é um processo natural, normal e que é saudável para a manutenção e crescimento da relação. É quando começamos a nos pensar em relação ao outro e em relação à nossa própria relação. Quando uma decisão é refletida a partir do nosso querer e do que é melhor com relação à um terceiro e à relação que tenho com esta pessoa.

Quando a pessoa, no entanto, passa a refletir tudo apenas em relação ao outro existe um problema. O que não é saudável é quando a relação e o outro são colocados em primeiro lugar e/ou sempre em primeiro lugar. Porque isso é danoso? Pelo fato de que isso coloca as necessidades pessoais de quem age assim sempre em segundo plano e elas não podem estar sempre em segundo plano, outro efeito colateral é sentir culpa pelo fato de desejar alguma coisa que é tão danoso quanto o primeiro.

Se o conjugue se torna o único da relação não existe mais relação. Tudo o que ocorre passa a ser um pedido desesperado por afeto e aprovação. Esta humilhação desgasta qualquer pessoa e qualquer relação, é apenas quando existe um parceiro com quem interagir que algo pode ocorrer. Você pode dançar sozinho, mas não pode dizer que está dançando de dois enquanto dança sozinho. A pessoa que coloca o outro sempre em primeiro lugar está fazendo exatamente isso, deixando o outro dançar sozinho. É uma forma de abandono porque quando a pessoa se abandona ela deixa o outro sem ela e é uma dor muito difícil e estranha de ser sentida.

Para reverter o quadro não basta voltar a fazer as coisas que você gosta de fazer. Isto é importante e necessário e faz parte de um processo que é aprender a se recolocar perante si mesmo em primeiro lugar. Este é o processo mais importante. Aprender a merecer novamente apenas por si, dizer “nãos”, colocar a sua vontade e, por vezes, fazer algo sozinho. A relação lucra muito quando ambos conseguem ter vidas próprias além da vida em conjunto. Novamente, como eu disse existe algo saudável em deixar sua identidade se fundir com o outro e com a relação, porém os limites precisam ser estabelecidos e o limite é quando eu sei que eu ainda sou eu e tenho esta diferença bem posicionada. É quando sei que amo o outro e mesmo assim sei que não preciso concordar com ele em tudo e que não preciso ceder à tudo para ser amado por ele.

É importante que fique registrado que o fundamental não é o afastamento do outro, mas sim a aproximação consigo. Não se trata de não fazer porque é o outro quem está pedindo, mas sim de não fazer – por exemplo – porque é algo que me agride, com o que não concordo radicalmente. Ou então, de se permitir fazer algo que seu conjugue sugeriu porque lhe parece uma boa dica. Sempre coloco para alguns clientes que você só se perde numa relação caso se abandone, não é o outro – neste sentido – que nos abandona, mas sim, inicialmente, nós mesmos. A dor de perder alguém que amamos só pode ser comparada à dor de perdermos a nós mesmos. A boa notícia é que estamos aqui para podermos reatar o contato conosco, para isso, precisamos abrir o peito e ousar novamente.

Abraço

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Virtual ou real?
23/09/2014

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E você, prefere um beijo virtual ou um real?

O poder do ato
22/09/2014

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  • Akim…

  • O que?

  • Eu fiz…

  • Fez? O que?

  • A sua tarefa… você me pediu para ir e fazer lembra?

  • Sim…

  • Eu fui e fiz!

  • E o que você resolveu fazer?

  • Sexta na hora do almoço eu comi e voltei para o escritório. Escrevi tudo o que eu ia fazer o final de semana, cada atividade, cada hora sabe?

  • Perfeito

  • E aí eu fiz… e foi sensacional… foi maravilhoso.

  • Ótimo, me conte mais!

  • Eu me libertei sabe? Fui fazendo tudo aquilo que eu tinha planejado, sobrou tempo e pude fazer outras coisas e o principal: não tive tempo para ficar me fazendo de coitado!

  • Perfeito!! Muito bom!!

  • Sim, ótimo mesmo!!

 

Qual a maneira mais forte de desafiar uma crença limitante, uma identificação errônea ou um preconceito?

Com a ação.

Muitas pessoas procuram terapia achando que o que vão encontrar é uma reposta para uma dúvida existencial que possuem. Não que isso seja errado de pensar, porém a terapia procura, em geral, algo muito mais importante do que apenas uma resposta para dúvidas. Entendo que um processo enriquecedor de terapia, de desenvolvimento pessoal ocorre quando passamos a agir de uma maneira nova, mais rica e mais saudável que a anterior.

É incrível, também, a quantidade de pessoas que “emperram” neste exato momento da terapia. Porque isso ocorre? É muito comum que ao longo do processo a pessoa se dê conta de muitas coisas, perceba uma outra quantidade delas de modo que “o que fazer” começa a se tornar cada vez mais óbvio para ela, as dúvidas começam a desaparecer. Chega um momento no qual não resta muito à ser dito, na verdade, em alguns casos não resta mais nada a ser dito. Então a única coisa que é necessária – talvez até possível – é o novo ato.

O ato funciona como uma assinatura. A partir do momento em que você teve um ato novo sua vida muda para sempre. Você pode até escolher – espero que não – nunca mais tentar algo novo, porém existirá, para sempre um registro de algo que foi feito por você, de algo que mudou em sua experiência. Você terá para sempre o registro de uma nova maneira de agir e que estará disponível para você usar quando quiser. Por este motivo o ato é algo tão forte e o mesmo motivo pelo qual muitas pessoas não o assumem.

Agir significa assinar, assinar significa se comprometer, ir para o jogo, ir para a luta e isso é a afirmação de nossa auto expressão. Não importa o resultado, o ato é o que importa justamente pelo motivo de marcar esta afirmação voluntariosa de quem se é – ou de quem está se tornando ou até mesmo de quem não se é mais. Por ato, não entendo apenas um ato externo, ou seja, um comportamento como dizer não para alguém ou sair de casa e tentar a vida sozinho, o ato envolve, também aqueles pensamentos que aprendemos a deixar de lado, as lágrimas que permitimos escorrer e as emoções que decidimos enfrentar.

Meus clientes relatam algo sempre assim: “agora estou mais realizado”. Realizado é uma palavra forte que tem a ver com esta sensação de tornar-se real. Quando uma lágrima escorre, uma emoção torna-se real, quando aprendemos a deixar de lado um pensamento é porque outro pensamento e um conjunto de atitudes emocionais estão recebendo a devida atenção e quando nos deparamos com nossas emoções é porque decidimos ouvir a sua mensagem.

Muitas vezes isso é só o começo e estas atitudes vão se tornar a força motriz para comportamentos reais na vida como falar com alguém, dizer um adeus, começar a trabalhar, fazer exercícios, deixar de fumar. De um jeito ou de outro quando assume-se um comportamento a pessoa estará, para sempre, com uma – pelo menos uma – referência de que uma nova vida é possível. Muitas vezes, tudo o que precisamos é de um – somente um – momento que mostre que a vida pode ser diferente. Agir é algo que sempre garante isso.

Abraço

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Memórias
21/09/2014

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Então…

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