Archive for agosto \31\UTC 2014

Auto enganos
31/08/2014

tirinha1665

 

Você se engana?

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Empreendedorismo
30/08/2014

tirinha1663

Tudo tem um risco. Assuma-os!

Sintomas
29/08/2014

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  • Estou me sentindo muito mal e estou com medo disso.

  • Medo do que?

  • Destas palpitações que eu sinto, deste humor instável e horrível que eu estou.

  • Entendo… o que te causa medo nisso?

  • Puxa, como assim? Sinto tudo isso e você ainda pergunta?

  • Claro, é a minha função.

  • Bem… é que eu não gosto de estar assim, ninguém gosta né?

  • Bem, eu não planejo isso para as minhas férias com certeza. Por outro lado, é uma informação sobre você mesma não é?

  • Lá vem…

  • O que será que humor “instável e horrível” está querendo dizer para você?

  • Sei lá…

  • “Se soubesse não estava aqui não é”? Pensa menina!

  • Ah, tá!… É que eu to muito puta com umas coisas que aconteceram mas eu não quero falar disso.

  • Ah, bem, tá ok… bom passo… agora já sabemos do que estamos falando pelo menos.

 

É muito comum que as pessoas ao chegarem em terapia relatem seus sintomas: tristeza, medo, depressão, raiva, impaciência. Todas as emoções, comportamentos e pensamentos que elas relatam são metáforas, são mensagem que se referem à algo. Compreender isso é algo fundamental num processo de evolução pessoal.

O que é uma metáfora? De uma maneira básica uma metáfora é algo que se refere à outra coisa. Quando dizemos “falar em metáforas” estamos nos referindo à uma pessoa que está passando uma mensagem que não deve ser entendida de maneira literal, mas sim como referência à uma outra mensagem ou ideia que está contida na metáfora.

Os sintomas em terapia são metáforas – e resultados – de processos internos que a pessoa vivencia, da sua relação com o mundo, com seus pensamentos e com aquilo que ela não sabe como lidar. No caso da pessoa acima, por exemplo, o “humor instável e horrível” estava fazendo referência à como ela estava lidando com a frustração – descobri isso no decorrer da sessão apenas. A frustração era algo horrível para ela porque ela tinha muitas esperanças e ela estava hora tentando esquecer, hora, chorando, hora com raiva, ou seja, com um humor instável.

Ao invés de prestar atenção ao que estava motivando os sintomas ela buscava fugir deles praguejando contra o que estava sentido apenas, esta maneira de lidar com a situação, no entanto, não estava ajudando ela. Quando pudemos ler as entrelinhas daquele humor  e compreender que “humor” estava significando “frustração” pudemos começar a trabalhar de maneira mais adequada.

Quando as pessoas focam no sintoma isso não as ajuda porque a tendência do ser humano é querer controlar o sintoma ao invés de se aliar à ele e compreender o que ele significa naquele momento. O sintoma é sempre parte de um contexto maior e perceber este contexto é fundamental para que possamos mudar o próprio sintoma. Outras vezes compreendemos – por exemplo – que o sintoma está correto e, mesmo causando problemas na vida social – ele deve ser mantido, pois faz parte do processo evolutivo da pessoa.

Não ter medo daquilo que ocorre conosco é um passo muito importante para que possamos “dar oi” para o sintoma e começar a mudá-lo. Para não sentir medo uma crença que sempre ajudo meus clientes à cultivar é entender que o sintoma está em você, se ele “está em” ele “faz parte” de você, ou seja, é algo “menor” que você e não maior – mesmo que às vezes pareça – e se é menor você poderá compreendê-lo e fazer algo com o que causa ele. Esta crença básica é fundamental para nos dar segurança num momento de completa insegurança.

E você: que sintomas você percebe em você? Ao que será que eles se referem?

Abraço

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Sobrevivência
28/08/2014

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  • Mas Akim, o que você quer que eu faça?!

  • Eu, nada… estou apenas olhando o resultado que você teve.

  • Mas eu estava certo!

  • Sem discussão, certíssimo!

  • Então, eu deveria ficar quieto?!

  • A pessoa pediu tua ajuda?

  • … Não…

  • Então vamos avaliar: você falou algo que não fora convidado para falar, criou uma confusão com uma pessoa legal desnecessária e agora está sozinha novamente…

  • … É…

  • Eu adoro a sua habilidade para ver os detalhes que você vê… acho ela sensacional… mas permita que o outro queira saber disso… você não ia morrer se não falasse aquilo ia?

  • Literalmente “morrer”, não…

  • Então… porque não aproveitou ele ao invés de ficar mostrando o quanto ele estava errado?

  • É… mais um pra lista né?

  • (Risos) Sim…

 

 

Muitas pessoas são sobreviventes emocionais, ou seja, pessoas que aprenderam a ser duras com a vida – e com a sua própria vida – para conseguirem sobreviver. Admiro muito estas pessoas e suas histórias pelo força que demonstram à vida.

O grande tema com todas elas é abrir-se novamente. Em geral os sobreviventes são pessoas que aprenderam a conviver com o estresse. Aprenderam a estar sempre atentos à tudo, serem altamente críticos no sentido de que avaliam tudo e a agirem como se estivessem sempre numa guerra, onde tudo é uma questão de perder ou ganhar… e eles não gostam de perder.

Em muitas situações da vida isso dá um resultado ótimo – no mundo dos negócios, por exemplo – em outras não – relacionamentos e auto cobrança. A ideia é equilibrar as coisas e ajudar a pessoa a perceber que o momento no qual ela estava numa guerra já passou, que ela pode parar e respirar agora, que o perigo já passou.

Isto, no entanto, é algo muito difícil porque é justamente esta atitude que a levou a se manter viva, você abriria mão disso? Porém o questionamento que se lança é: o que é viver, de fato? O que realmente precisamos para nos manter vivos? E para os sobreviventes eu sempre pergunto de formas variadas o seguinte: você está com a sua vida em risco neste momento?

Esta pergunta é muito delicada e profunda de modo que é importante fazê-la várias vezes até o ponto em que a pessoa percebe e sente que está repetindo um padrão de comportamento que foi útil muitos anos atrás, mas que agora é defasado. Que ele pode ser reajustado em prol de uma vida mais “simples”. Aprender a relaxar e respirar, desestruturar a auto imagem que precisa sempre vencer, compreender que a vida é mais do que um jogo onde se perde ou se ganha, apreciar as coisas simples e pacatas, sair do 360 (porque 220 em geral é pouco para eles) são alguns dos elementos importantes neste processo.

Agora, como todos nós temos algo de sobreviventes dentro de nós talvez este texto sirva um pouco para cada um se perguntar: que defesas eu tenho que estão, neste momento, jogando contra mim? Se você achou esta pergunta difícil, pense no seguinte: sabe aqueles momentos em que você percebe que deveria ter se abrido para algo, mas não o fez? Porque não o fez? O que teria ocorrido se tivesse feito? Pense sobre isso!

Abraço

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Vida eletrônica
27/08/2014

tirinha1674

Qual a sua rotina?

Ganhar ou perder
26/08/2014

Competição

  • Não sei mais se estou afim dela Akim.

  • Ah é? O que aconteceu?

  • Ah… ela começou a querer dar uma de mandona.

  • Como assim?

  • Agora tá de querer mandar nos programas sabe? De ficar arranjando programação para o final de semana e tudo o mais.

  • Hum… e qual o problema com isso?

  • Ah, que eu não sei se vou querer oras! Ela fica mandando em tudo!

  • O que você não quer é fazer a programação ou “ser mandado” por ela?

  • Hum… acho que o segundo.

  • Então porque não para de competir com ela?

  • Como assim?

  • Ué, alguém planejar o final de semana é igual e alguém querer mandar em você? Ou é como você está interpretando isso?

  • Hum…

 

A noção de competição é tão arraigada em nossas mentes que nem sequer percebemos mais aquilo que há de mais importante no jogo: o jogar.

Você, caro leitor, como bom ocidental pós-moderno vai, com certa razão, retrucar dizendo: “é, fique aí curtindo o “jogar” que eu vou lá ganhar o prêmio e, depois eu jogo”. Eu até concordaria com você, mas o problema é que não é o que vejo na minha prática clínica. O que vejo é que depois que se vence um jogo, deseja-se vencer o próximo e o próximo.

O problema é que a palavra “jogo” é muito ampla. Dependendo da maneira pela qual sua mente esteja aberta você pode ver jogos em todas as situações, desde uma concorrência empresarial, numa conversa de bar, ao paquerar e seduzir uma pessoa e até mesmo ao fazer um jantar. O jogar pode ser visto onde quer que exista uma relação entre dois seres humanos… e se houver apenas um lembre-se: você conversa com você mesmo, logo o jogo também existe dentro de você.

O problema surge – a meu ver – quando esta noção de “ganhar” é tão forte – e, em geral, tão inconsciente – que a pessoa nem sequer mais percebe que está sendo competitiva. Ela quer sempre estar com a razão, quer sempre “ganhar” de alguma forma e torna tudo uma competição, quando sabe que não tem como ganhar ela aprende a denegrir a vitória alheia, ou a não prestar atenção à ela. A verdade é que quem ganha muito torna-se chato.

Porque?

“Evolutivamente” falando o jogo vem da brincadeira. A brincadeira é algo voltado para o prazer e para o uso das habilidades, não envolve regras e nem sequer a noção de vitória ou derrota. A brincadeira dá base para a sensação de prazer, de divertimento e é neste universo que a pessoa se descobre. Ela também dá as bases para o jogo que seria uma espécie de brincar elaborado, brincar com algumas regras.

O jogo, assim sendo, possui uma base no prazer, ou seja, quando deixa de ser prazeroso ele torna-se chato e perde uma função importante: criar laços. Existem vários tipos de jogos e o jogo competitivo é apenas um deles. Existem jogos colaborativos, cooperativos nos quais as partes envolvidas se ajudam mutuamente em prol de um fim em comum. No entanto, quando temos uma pessoa competitiva ela quer sempre tornar o jogo uma competição, mesmo que o jogo não seja este. Ela torna-se “chata” pois o seu universo é o único que ela leva em consideração, sua capacidade de entrar em contato com o outro é mínima e isso acaba com o prazer do jogo, que é a base de tudo, a base dos vínculos.

Existem momentos em que ser competitivo e buscar a vitória é importante, nunca retiro a importância disso. Lutar por aquilo que queremos e precisamos é fundamental e faz parte do desenvolvimento humano. No entanto, o problema surge quando o aspecto humano da relação é retirado de cena. Porque trato disso como um problema? Porque de certa forma mesmo numa competição o outro é importante, a relação é o que dá o prazer e quando não existe mais este outro o jogo termina.

Quando esta noção vai para o jogo das relações afetivas é que fica evidente o quão prejudicial a competição pode ser, pois é muito fácil tornar uma relação numa disputa, numa competição para ver “quem ganha”. Ganha o que? Ninguém sabe ao certo, mas a sensação de vitória é o que se busca, mesmo que isso signifique a destruição da relação em si. Quando um sente que precisa estar por cima para sentir-se seguro, por exemplo, ou porque “este é o lugar do homem/mulher”, a coisa já está num caminho obscuro. Restará lugar ao prazer? Restará lugar à intimidade? E se isso significar “abrir a guarda”, “abrir mão da estratégia”, você conseguirá?

Ao longo destes 10 anos já vi muitos casais, pessoas e famílias jogando este tipo de jogo. O que nunca vi foi este tipo de jogo rendendo algo positivo em relação à intimidade, bem-estar e felicidade destas pessoas – não à toa buscaram terapia, talvez para aprenderem um jogo novo. Abrir mão da competição não significa abrir mão do que é importante para você. Este é “jogo novo” que eu sempre proponho, mas sim que você pode buscar aquilo que te é importante de várias formas e não apenas subjugando o outro à sua vontade. E é aí que vejo, aos poucos, nos tropeços e reflexões as pessoas aprendendo realmente à jogar e se divertir com o universo das relações.

A abertura para tal é a parte mais difícil porque significa realmente abrir mão de anos de condicionamento que te levam a querer só a vitória para uma outra maneira de pensar que inclui a vitória e o jogo e o prazer e o outro. Abrir-se para isso significa aprender novos métodos de brincar e de jogar no mundo ao invés da boa e velha defesa estratégica que todos nós temos montadas dentro de nós. Significa ousar e improvisar, buscar além do nosso repertório padrão, inverter as regras, crias novas, ter hábitos e comportamentos diferentes, perder, ganhar, empatar e depois de um tempo, parar de dar tanta importância para isso.

Depois disso as pessoas passam a dar importância e valor para o jogo que ocorre entre elas. Abrir mão, fazer coisas diferentes, abrir-se para o outro tornam-se ferramentas para tornar o jogo ainda mais interessante. Realmente estar interessado no outro e na interação com esta pessoa ao invés de torná-la aquilo que você quer que ela seja se tornam partes fundamentais da interação e o respeito pelo outro e sua experiência começam a despontar. E isso tudo incluindo quem você é, afinal de contas, você é, também, um “outro”.

 

Consequências
25/08/2014

tirinha1679

O que um simples comportamento pode causar?

Alimento da alma
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O que alimenta tua alma?

Economia e Inteligência
23/08/2014

tirinha1667

O que realmente valorizamos?

No more tears
22/08/2014

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  • Não sei o que falar mais…

  • Porque não?

  • Porque eu estou muito bem. Faz algumas semanas que eu não tenho tido meus problemas usuais.

  • Que coisa boa!

  • Sim, me sinto competente nisso tudo, segura sabe?

  • Sei sim… mas… porque isso não é digno de nota aqui na sua terapia?

  • Como assim?

  • Você está me dizendo que está tendo bons resultados, se sentindo forte e segura e “não sabe o que falar”?

  • (risos) É né… verdade… isso, inclusive é um probleminha meu né?

  • Sim, é fato, falar do que tem de bom né?

  • É…

 

A terapia, em geral, é procurada num momento de dor e angústia, onde a pessoa não sabe o que fazer em sua vida. Quando o processo começa a se desenrolar as pessoas tem vários momentos nos quais “não sabem o que dizer”; estes momentos, muitas vezes, são oriundos de semanas nas quais a pessoa está se desenvolvendo e resolvendo seus problemas. Quando ela começa a fazer isso, todo o discurso que a trouxe para a terapia perde o sentido e ela “não sabe o que dizer”.

No entanto, isso não significa que não há o que ser dito.

Um dos pontos mais importantes – à meu ver – neste momento é exatamente questionar o porque não falar sobre aquilo que está dando certo, mudando e gerando bons e novos resultados. Em resumo: porque não falar do bom? Trabalho muito com esta orientação no sentido de que todo o esforço que a pessoa fez merece ser validado na terapia por ela ao falar dele tanto quanto falou dos momentos ruins.

Além disso, este não saber o que dizer tem uma oportunidade incrível para algo fundamental: criar um novo discurso sobre sua própria vida. Ou seja, quando a pessoa chega à terapia seu discurso reflete aquilo que vive, agora que ela conseguiu fazer mudanças é importante criar um novo discurso para que ela possa usar no seu dia a dia, um discurso mais rico, com mais possibilidades de criação.

Outras vezes este não saber pode ser a necessidade de silenciar um pouco e refletir, absorver o que está acontecendo dentro da pessoa. É importante compreender que não saber o que dizer é diferente de não ter mais o que dizer e nem o que aprender. Assim sendo uma outra maneira de trabalhar com isto é fazer-se a pergunta: e agora, o que eu quero aqui? O que faria sentido para mim aqui?

Questionar-se neste sentido é buscar honestamente em si uma resposta que lhe dê sentido para a terapia, seja ele qual for: terminar porque aprendi o que eu precisava, estou consciente do que aprendi, valorizo o meu aprendizado e agora quero viver sem a terapia até um possível novo momento de aprendizado; pode significar também que aquilo que eu aprendi é passado, minhas questões agora tem que ser outras; pode ser que agora que aprendi preciso saber o que vou fazer com isso…. enfim, como você pode perceber são várias as possibilidades.

A importância desta pergunta é que nada faz sentido se não tiver sentido (não, isso não é tão óbvio quanto parece).

Um terceiro ponto para pesquisar é que “não saber o que dizer” pode significar “não querer dizer nada”. E não querer pode ter a ver com defesas e resistências que a pessoa tem. Isso é importante de ser investigado porque o silêncio tem muitos significados – mais do que as palavras. E neste caso é necessário manter a terapia assim como manter a pessoa engajada ajudando-a a perceber o seu processo e o seu próprio silêncio.

Abraço

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