Archive for junho \30\UTC 2014

Alívio e satisfação
30/06/2014

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  • Pois é Akim… não estou muito motivado para este trabalho.

  • Hum… me conte: o que te motivou à ir para ele?

  • Bem, eu não queria mais estar na casa do meu pai e não queria mais depender dele sabe?

  • Sei sim…

  • E daí pintou esta oportunidade e eu peguei.

  • Entendi… o que ia melhorar na sua vida saindo da casa do seu pai?

  • Bem, eu ia poder sair sem ninguém me encher.

  • O que é mais importante: ninguém te encher ou você ter a liberdade de agir como quer?

  • Agir como quero!

  • Coisa boa! E você, quando pensa no seu trabalho, pensa nele dessa forma?

  • De que forma?

  • Como o que sustenta esta liberdade que você quer?

  • Não…

  • E  se você pensar nele assim, como fica a sua falta de motivação?

  • Cara… muda um pouco já…

  • Um bom começo…

 

Fugir daquilo que nos causa dor é algo importante, quando nos afastamos de algo que nos incomoda sentimos um alívio que nos ajuda a repousar e reorganizar a vida. A sensação de alívio tem a ver com a ideia de afastar algo ruim, para termos alívio é necessário que antes tenhamos tido o incômodo, sem um não vem o outro.

A sensação de satisfação é diferente, ela vem quando adquirimos algo, quando finalizamos alguma coisa. É o resultado final o que importa e não a exclusão daquilo que incomoda, é a aquisição de algo que nos estrutura o que se busca na satisfação. Em oposição ao alívio, na satisfação o que temos que ter antes é  a sensação de que nos falta algo ou a sensação de desejar algo.

A maneira pela qual pensamos em nossa vida tem profundas repercussões sobre nossa motivação, as ações que tomamos e que deixamos de tomar e a maneira pela qual vivemos o dia a dia. Algumas maneiras de perceber e viver a vida são úteis para algumas finalidades enquanto outros maneiras são prejudiciais. Em meu consultório, por exemplo, percebo muitas pessoas tendo problemas em detrimento de uma confusão entre alívio e satisfação.

Quando aquilo que desejo é alívio o primeiro passo é buscar por um problema, se não existem problemas a pessoa não se mexe. É aquele tipo de pessoa que quanto tem um prazo, um problema ou uma situação à ser resolvida é muito eficaz, mas quando não tem nenhuma urgência para resolver nunca faz nada da vida, fica relapsa e vive num “nível basal”.

Quando se deseja satisfação na vida a atitude é de buscar aquilo que se deseja. O foco vai, então, para os ganhos que a pessoa terá e para os comportamentos que vão ajudá-la a chegar nestes ganhos. A pessoa é mais pró ativa e buscadora, ela mantém a motivação e o foco em aprendizados porque precisa e deseja-os.

Ocorre que muitas pessoas desejam coisas para a sua vida, mas pensam no estilo “alívio”. Quem quer algo precisa aprender a pensar como quem deseja se satisfazer e não como quem deseja se aliviar. Porque? Por um motivo simples: o esforço envolvido no “desejar” é muito grande para quem só deseja um alívio. Em outras palavras, para quem pensa no sentido do alívio, o custo de se mexer é muito grande e a pessoa acaba procrastinando ou se desinteressando da tarefa.

A grande questão é aprender a mudar a “imagem final”, ou seja, aquilo em que pensamos quando pensamos no que vamos ter no final. Se eu me imagino me afastando de algo ruim, ou “não tendo problemas” estou pensando no sistema que busca “alívio”. Quando imagino aquilo que realmente quero e o bem que isso vai me trazer eu estou raciocinando no sistema “satisfação”.

Quando você imagina o seu futuro pensa “não quero problemas” ou pensa “quero algo bom pra mim”? Essa é a diferença.

Abraço

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Ter, querer e amar
29/06/2014

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Porque amar, rima com voar. Que o amor seja sempre um voo para as alturas.

Quem somos?
28/06/2014

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O outro lado da moeda!

O que fica para trás?
27/06/2014

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  • E eu não sei exatamente o que eu quero sabe?

  • Sei… é difícil afirmar não é?

  • Sim…

  • Mas digamos que você soubesse plenamente: será que isso iria simplificar teus problemas?

  • Hum… a princípio era para ser sim, mas acho que não… estranho né?

  • Não… não muito… o que iria acontecer se você decidisse qual quer?

  • Eu teria que ir atrás dele e me empenhar.

  • Sim, claro que sim. E o que mais iria… ou melhor, não iria mais acontecer?

  • O outro?

  • É né? Como você lida com as perdas das escolhas que você faz?

  • Eu acho que eu não gosto muito do que fica para trás…

 

Muitas vezes o nosso maior problema não é no que vamos adquirir, mas sim no que vamos perder, ou no que vamos “deixar para trás”. Ao escolhermos uma opção – seja do que for – deixamos para trás todas as outras escolhas. Se a pessoa “anda para o futuro de costas” sua atenção irá se fixar completamente naquilo que foi deixado e não naquilo que está sendo buscado.

O medo do arrependimento, ficar horas remoendo as fantasias imaginando como teria sido “se…” faz qualquer pessoa sofrer em demasia, é uma auto tortura. Lidar com a realidade já é bastante complexo, lidar com as fantasias ainda mais e elas são, em geral, muito impiedosas e cruéis. No entanto, tudo isso se justifica quando se pensa que ninguém sabe, exatamente como será o futuro ou se fez a melhor escolha, em outras palavras o arrependimento não é algo que e impossível. Então, o que fazer com isso?

Uma das respostas que gosto de usar para trabalhar com este tema é de que o nosso compromisso não é exatamente com a realização do que nos comprometemos, mas sim com o nosso processo interno de desenvolvimento. O “vir à ser” é algo mais importante do que o fato de concretizar ou não uma determinada meta. Porque trabalho com esta noção?

Existe uma outra eventualidade da vida que levo em consideração neste momento: a morte. Não existe hora para morrer, podemos morrer à qualquer momento e que realmente importa é o que conseguimos viver. Ora, se o que realmente importa é o que conseguimos viver, se estamos vivendo a realização de um sonho, mesmo que este não esteja completo, e morremos, estamos dentro disso, dentro desta energia.Os indígenas americanos nas guerras contra o homem branco usavam uma expressão forte: “é um bom dia para morrer”. A expressão manifesta exatamente este compromisso não com uma meta, mas sim com uma experiência de vida.

Outro argumento que uso para dar suporte à esta visão é sobre vários casos de pessoas que deprimem após conseguirem atingir grandes metas. É exatamente o mesmo efeito: elas, ao atingirem o sonho, deixaram de ter pelo que sonhar. Esta falta de intenção com a vida nos deprime e precisamos de uma nova meta para vivermos bem. Ele corrobora com a ideia de que o ato de criar é mais importante emocionalmente do que o ato de concretizar em si.

Lidar com o arrependimento é lidar com a vida. Escolher e ter errado é menos importante do que não ter escolhido, do que não ter vivido. Se o arrependimento é doloroso a dúvida “e se eu tivesse feito” é destruidora. Isso se deve exatamente por este motivo de que quando estamos fazendo parte de nossa história contribuindo de maneira ativa à ela criamos o nosso ser – ou melhor, o nosso vir à ser – e isso alimenta a alma. Arrepender-se tem a ver com ter vivido e aceitado a vida, aceitado o desejo, mesmo ele não sendo adequado e isso só ter sido percebido posteriormente.

Aquilo que fica para trás, portanto, é aquilo que eu decidi não viver. É o preço que pago por aquilo que escolhi viver, é a minha afirmação do meu ser, do meu vir a ser que se concretiza tanto quando eu realizo meus sonhos, tanto quanto nos sonhos que não realizei. As escolhas que não se faz são, portanto, tão importantes quanto as que faço pois ambas criam a minha realidade, a minha vida, o meu por vir.

Abraço

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Doeu?
26/06/2014

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A dor mais forte…

O próximo passo
25/06/2014

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  • Estou empacado sabe?

  • Como assim?

  • Agora que eu sai da casa dos meus pais e estou com um emprego bom estou me sentindo estranho.

  • Estranho como?

  • Ah.. parecia que isso era tudo o que eu precisava fazer, mas agora parece que não.

  • Entendo. E o que parece?

  • Pela primeira vez na vida eu não sei muito bem o que fazer entende? Eu pensei que agora eu ia me sentir muito bem, mas não me sinto assim.

  • Sente-se mal?

  • Também não… é estranho… eu até consigo ver que existe um futuro, mas não sei ir para este futuro.

  • Entendi… Quem é você agora?

  • Como assim?

  • Quem é você agora que saiu da casa dos pais e tem um bom emprego?

  • Não sei… um cara bem sucedido?

  • Não sei, é isso?

  • Ai Akim, pergunta difícil!!

 

Uma boa parte do processo de terapia consiste em ajudar a pessoa a resolver seus problemas pessoais. Nesta fase pressupõe-se que existe um problema que já está instalado e a pessoa, em geral, vê-se como vítima deste problema ou inferior à ele. É o momento de perguntas mais práticas, de criação de repertório comportamental, de compreender os elementos mais importantes para a resolução doo problema além do problema em si.

Neste momento a pessoa identifica-se como alguém que precisa resolver o problema. A sua salvação está ali. É uma guerra, uma luta contra alguma coisa que, de alguma maneira, a impede de ser feliz. Existe muita raiva, muita revolta, fala-se muito sobre o que se passou buscando por explicações e justificativas sobre “tudo o que aconteceu”.

Depois que este momento passa e os conflitos se resolvem a terapia entra num segundo momento muito mais rico do que o anterior que é quando a pessoa aprendeu a lidar consigo e com o seu meio ambiente. Ela, agora, compreendeu a sua parte nos seus problemas e conseguiu criar novas maneiras de se comportar, de pensar e de sentir que a ajudaram a resolver situações ruins.

Este momento é marcado, muitas vezes por uma sensação estranha de incompletude. As pessoas dizem “eu pensei que estaria melhor agora, mas estou neutro… é tão estranho isso”. Na verdade, não é estranho é algo bem comum. Ocorre que toda a revolta e raiva que existia sobre as situações anteriores desaparece porque a pessoa aprendeu a lidar com aquelas situações. Quando isso desaparece através do aprendizado vem a pergunta: porque era necessária tanta raiva então? Porque era necessária tanta tristeza? E a resposta dura que a experiência da pessoa traz é: “não era”.

Este “não era” invalida algo muito importante sobre a pessoa: a sua percepção de “eu”, a sua identidade. Invalida porque? Porque a identidade estava alicerçada numa crença de que ela tinha que ser infeliz por causa dos problemas que tinha. No entanto, quando ela resolve os problemas, precisa ser infeliz porque? A pergunta não faz mais sentido e é por esta razão que a noção de identidade fica perdida. Ela não é mais a vítima, a pessoa perdida, aquela que não vai dar certo.

Mas então, o que ela é? Essa é a pergunta que precisa de resposta. Organizar uma nova visão de si, uma identidade alicerçada nas competência que foram desenvolvidas, no sucesso que a pessoa teve, nos desejos que tem e na vontade de viver que ela organizou dentro de si. Isso é deixar uma identidade de “remediação” para trás e criar uma identidade de “criação” de novos caminhos para frente.

Quem é você? A dor do seu passado ou as possibilidades do seu futuro?

Abraço

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Entendimentos
24/06/2014

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Entender as coisas de maneira errada… quem nunca?

Diversão
22/06/2014

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Você precisa de drogas para se divertir?

 

Sexo e robótica
21/06/2014

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Ácido porém comum: quantas pessoas fazem sexo por performance?

Inferioridade
20/06/2014

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  • Pois é Akim… não sei o que acontece… eu fiquei muito braba com eles.
  • Bem, pra mim é claro. O que eles disseram mesmo?
  • Que não sabiam se ia dar certo a minha ideia.
  • E você se sentiu como sobre o comentário?
  • Como se eles estivessem desmerecendo sabe?
  • E como esse comentário estaria fazendo isso?
  • Hum… não sei… falando que eu não sei saber sabe?
  • Sim. E portanto você é…
  • Incompetente… ai que raiva!!
  • Pois é… mas será que eles estão te chamando de incompetente ou simplesmente dizendo que não sabem se “a ideia” dará certo?
  • É né… eu fico muito preocupada com essas coisas…

 

Inferioridade é a característica de quem é inferior. “Inferior” é uma comparação entre dois elementos sendo que um é inferior ao outro. A inferioridade pode ser de tamanho (maior ou menor), de qualidade (melhor ou pior), de velocidade (mais ou menos rápido), enfim de várias “ordens”. Porém o elemento básico da inferioridade é sempre a comparação entre dois elementos.

Pessoas que fazem muitas comparações em geral entendem o mundo num sistema dual: os que ficam acima e os que ficam abaixo. Obviamente elas não desejam estar no segundo grupo. Porém o problema é que sempre tem alguém “mais” do que você e como só existe acima ou abaixo a coisa se complica. Embora as comparações sejam um grande peso, elas, por si sós não causam o dano completo, precisam, ainda de mais um elemento: o julgamento.

Não é “apenas” a questão de ser “menos” que o outro, mas, também, a questão do que isso significa para a pessoa. Ser “menos” em geral se associa com humilhação, com fragilidade, com estupidez e com falta de merecimento. Esses julgamentos podem ser construídos pela relação familiar ou social e depois de um tempo a pessoa introjeta nela e segue acreditando nestes valores.

A crença nestes valores torna as outras pessoas adversárias num jogo que nunca acaba bom para vencedor. Primeiro porque ele nunca irá “vencer todos” e segundo porque se o fizer se encontrará sozinho, como diz a literatura “rei de uma terra de mortos”. Esta percepção de que o mundo é uma disputa torna a pessoa insegura visto que precisa estar sempre dominando para não ser dominada e estar sempre em disputa com tudo e com todos.

Esta disputa é o motivo pelo qual a pessoa torna-se agressiva – mesmo que seja uma agressão passiva – e tende a criticar as pessoas (e a si também), ter algumas atitudes impulsivas, ser metódica e controlada, isolar-se dos grupos sociais e de situações que sejam expositivas. Vencer esta disputa significa provar que ela não é inferior. É importante perceber que a maior parte das pessoas que sentem-se inferiores querem se provar “não inferiores”, o grande problema desta necessidade é que mantém a pessoa dentro do jogo.

A solução, de fato, para essa condição não é mostrar-se inferior, superior ou “não inferior”, mas sim sair do jogo e das classificações injustas que ele coloca sobre a pessoa. Porque injustas? Porque julgam a pessoa pela capacidade. Tratam o “ser” pelo “fazer”. Ora, uma pessoa pode ter uma inclinação boa para esportes enquanto outra não e isso nada significa sobre a personalidade destas duas pessoas, assim sendo julgar a personalidade de quem é bom ou ruim no esporte apenas por esta característica é um grande erro.

Esse é o erro básico da pessoa que sente-se inferior ou insuficiente: achar que quem ela é está sendo medido com base no quão boa ela é em outras esferas. “Sair do jogo” significa entender este conceito e viver a partir dele. A competência de uma pessoa em uma área não diz sobre sua personalidade, sobre como ela é enquanto ser humano. E isto liberta-nos para sermos amados e nos amar mesmo não sendo “tão bom quanto…” em determinada área, situação ou comportamento.

Quando a pessoa deixa este julgamento sobre si de lado ela está pronta para poder avaliar suas competências de maneira à não cair num julgamento sobre si. Significa entender que você pode considerar alguém melhor do que você em determinada atividade e ainda sentir-se bem consigo porque na verdade entende que são duas coisas distintas.

Abraço

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